quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

DAVID BOWIE E AS IMAGENS: A NOÇÃO DE MINIMUM PARA SÍNTESE


Em uma entrevista conjunta com David Bowie e William Burroughs, em novembro de 1973, o repórter grego Craig Copetas conseguiu reunir em uma só entrevista personagens tão aparentemente díspares. O cantor David Bowie (1947-2016) e o poeta beat William Burroughs (1914-1997).

Vista da distância  atual diria que é um encontro plausível, pois ambos se encontravam na contra mão da cultura dominante e/ou tradicional de então. Eram ambos outsiders. Na entrevista David fala de suas leituras de Kerouac e da percepção que ele tinha de que a vida real de um jovem adolescente era muito mais interessante do que a de uma estrela qualquer.  Bowie, então com 26 anos e seu alterego futurístico Ziggy Stardust, e Bill, aos 59, envolvido em suas pesquisas sensoriais, em certo exílio na Inglaterra, encontraram muitos pontos em comum. A entrevista seria publicada pela revista Rolling Stone em fevereiro de 1974. Me interessa destacar, em especial aqui, uma passagem em que Bowie fala de suas relação com as imagens e temporalidade que me interessam analisar mais tarde por aqui ou em outros lugares. Talvez ele tenha sido o primeiro a dar extrema atenção e cuidado para o visual e feito muitas experiências bem avançadas sobre isto dos anos 70 até 2016. A integração entre imagem e som, estética e som e tudo que envolve a composição de ambos nele é algo magistral. Na passagem abaixo eu creio que ele dá uma idéia do que vou chamar de minimum para a síntese. 

Copetas: As imagens que transpiram são muito gráficas, quase como quadrinhos.


Bowie: Bem, sim, eu acho mais fácil escrever nestas pequenas vinhetas; se eu tentar complicar as coisas, fico fora do meu alcance. Não poderia me conter no que digo. Além disso, se você é de fato mais profundo não haverá tempo suficiente para ler muito ou ouvir muito. Não faz muito sentido em ficar colocando conteúdo pesado… Há muitas coisas para ler e ver. Se as pessoas lêem três horas do que você fez, irão analisar isto por sete horas e sair disto com sete horas do seu próprio pensamento… Ao passo que se você der a eles 30 segundos de seu próprio material eles normalmente ainda sairão com sete horas de seu próprio pensamento. Eles captam uma síntese do que você faz. E então pontificam sobre esta síntese. O senso de imediatismo da imagem: as coisas têm que captar o momento. Esta é uma das razões pelas quais estou nessa de vídeo; as imagens tem que ser divulgadas imediatamente. Adoro vídeo e toda a coisa de edição.

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