sábado, 30 de janeiro de 2016

ATOS DE FALA, SILÊNCIO E CONVENÇÃO

Lendo uma anotação de 16 de dezembro de 2015 numa discussão griceana no Blog de Colin McGuinn (http://www.colinmcginn.net/silence-and-speech) sobre: se é possível dizer algo ficando em silêncio? E pensando em algo do tipo ônus ou risco interpretativo daquele que está na posição do ouvinte neste diálogo (surdo e mudo). Este ônus seria reduzido por certa convenção, hábito ou costume. E McGuinn usa para isso a ideia de um acordo. Imagine a situação bem específica e geracional quando frente a certas interjeições dizemos algo ou nos calamos e dizer algo - qualquer coisa no caso significa um sim, salvo se você disser não. E não dizer nada significa um não ou o já clássico "pare com esta conversa para cima de mim".  Colin fala três coisas distintas que eu anoto e gostaria de anotar um pouco mais aqui. A primeira é que podemos combinar este tipo de código para um diálogo o que usei acima. O silêncio seria convencionado como um sinal afirmativo ou negativo. O exemplo dele é "Eu quero sair". Mas ele também fala em longa pausa para exemplificar. Bem no caso que ele expõe poderiam haver graduações de silêncios. Mas não é isto que realmente me interessa. A segunda coisa é que o significado não é um ato. Ora da perspectiva do ouvinte "todo" significado seja por ação ou omissão me parece que deve ser um ato, pois corresponde a uma operação de significado a ser interpretada com maior ou menor ônus do ouvinte ou espectador. Ou seja, o falante mesmo mudo deve dar por convenção algum indício de que sim ou não em relação a determinado significado. E pensar aqui no teatro e em diversos tipos de códigos em que o silêncio (do juiz no futebol com o apito na mão por exemplo) pode significar siga em frente. A terceira coisa que ele diz é a que me interessa mais porque parece mais suscetível de interpretação equivoca. Aliás, me parece abrigar o cipoal da ideia metafisica de que o pensamento é um ato.  Quando ele afirma que atos de fala não precisam ser necessariamente atos ou na versão mais hard dele não são essencialmente atos dai - por decorrência da segunda anotação - tenho que pensar aqui como é que ele combina isto. E, por fim, se ele combina, então ouve um ato na origem do significado do silêncio que torna o silêncio um significado. Neste caso, para mim com minhas limitações interpretativas e teóricas, o significado do silêncio é um ato de fala porque possui em sua matriz um ato de fala que o convenciona como tal. Assim, se a exceção é dada por convenção, e a convenção é um ato, então esta exceção é um ato de fala ou tributária de um ato de fala. O acordo sobre o silêncio é um ato de fala... Por fim, como bem anota um comentário, se o silêncio significa uma omissão é porque convencionamos tal coisa. Não emitir opinião pode significar negar-se a tomar parte em um diálogo, pode significar não ter opinião, mas também pode significar uma negação, tanto quanto um assentimento desde que convencionemos no nosso jogo de linguagem que terá tal significado. Prossiga...ou...ainda não...me lembrou aquele jogo de procurar pessoas escondidas quando entre o quente e o frio você por convenção fica em silêncio...até dizer "está quente" quando a pessoa se aproxima do objeto escondido ou "está frio" quando ela se afasta. E é claro que este silêncio diz algo ali do tipo "você está na encruzilhada e no ponto de decidir". Isto não é um ato que significa?     

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