terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A CRISE DA DEMOCRACIA

O problema da democracia é real no mundo todo. Sua crise não é episódica e nem conjuntural, pois é posta a partir de crises econômicas, políticas, religiosas e culturais repetidamente. 
Muitos parecem se esquecer que a democracia grega se sustentava sob dois pés frágeis do nosso ponto de vista moral: primeiro para governar era preciso tempo livre e, portanto, escravos; segundo para que os governos sejam bons é preciso que somente poucos participem e que, portanto, ocorra alguma forma de restrição da cidadania. Temos que cuidar com as ilusões da caverna de cada um de nós. 
Os europeus também tem democracias incipientes. Não é somente onde não há democracias que falta liberdade. O que substituiria a escravidão e a seleção da cidadania nos dias de hoje? 
A gente fica olhando do lado de cá do oceano imaginando democracias estáveis. Mas onde mesmo? Na Espanha, em Portugal, na França, na Itália, na Alemanha? Não creio, não procede. 
Quando não viveram sob monarquias, e os facismos e nazismos, fachismos e outras versões são como tais, viveram em guerras e vamos combinar que uma democracia em guerra aboliu a política de vez. Ainda que nós voltemos a olhar para Grécia Antiga e encontrar cidades estado democráticas em guerra também. 
Nós aqui temos uma democracia de 25 anos e mesmo assim muitos tentam retornar ao estado de natureza, ou ao estado colonial e ou feudal o tempo todo porque perderam suas vantagens de força e são obrigados a viver sob um regime em que seus privilégios, prerrogativas, vantagens e regalias são a cada dia que passa mais e mais questionados. 
O povo em sua maioria que vota e tenta acertar e alguns tentam apenas tirar proveito do regime de partilha burguês. 
Parece, então, que Desidério Murcho, em seu artigo O FIM DA POLÍTICA (IN: Critica na Rede.com), toca sim na questão fundamental ai, a doxa em questão, veja bem, 
não é a do populacho mais...

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