quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

DISCURSO DE PARANINFO DA TURMA 3N1 - 2016-12-29 AOS MEUS MESTRES COM CARINHO

AOS MEUS MESTRES COM CARINHO

Professor Daniel Adams Boeira
Escola Estadual de Ensino Médio Olindo Flores da Silva        


Estou aqui neste lugar para falar na condição de paraninfo indicado pelos meus afilhados e formandos e formandas da turma 3N1, em sua formatura do curso de ensino médio do ano letivo de 2016. Devo saudar a todos, mas em especial, a minha colega Vanessa Pereira, professora de Física e conselheira da turma a quem eu substituo de certa forma aqui e que com sua licença carinho e consideração me concede também este lugar. Quero falar aos meus afilhados da 3N1, mas como esta é uma cerimônia que inclui mais quatro turmas de formandos dos terceiros anos da manhã, das turmas 3M1, 3M2 e 3M3 que nesta cerimônia forma um conjunto importante de nossos alunos e alunas que durante os últimos três a quatro anos soma-se aos alunos e alunas da turma 3N2, de quem fui conselheiro.

É uma honra estar aqui. Considero sinceramente que fui também amigo, professor e parceiro de caminhada de longa data para muitos destes alunos e alunas e para outros mais recentemente, então quero me dirigir a todos os alunos e alunas, sem tirar tempo ou importância alguma de meus demais colegas paraninfos e homenageados. Fui também, no último período vice diretor do turno da manhã nesta querida escola. E nisto tudo tenho tido um certo insight, intuição ou inside como dizem alguns por ai. Uma intuição sobre a relação nossa com nossos mestres.

Todos nós precisamos de líderes, mestres, conselheiros, amigos, editores, médicos e pessoas que cuidem de nós e nos orientem para muitas tarefas e atividades da vida. Todas as pessoas que cuidam de nós, nos educam e na maior parte das vezes acabam nos marcando pelas formas que nos educam e pelo cuidado e a qualidade com que fazem isto.
Somos pessoas permeáveis e suscetíveis sim. Somos sensíveis ao carinho, ao gesto, às palavras e muito sensíveis aos exemplos também. Tenho observado isto na educação e na vida. Nisso reside o fato de que algumas pessoas nos marcam muito e no meu caso eu suponho que eu deva sim marcar meus alunos e sou marcado por eles. Estas pessoas nos marcam são nossos mestres.

Herdei um pouco disto não da sala de aula, mas do que eu considero talvez a principal filosofia do meu pai que foi um dos meus primeiros mestres e que era só um eletricista, mas que tinha técnica e didática também para ensinar a muitos jovens a sua profissão e transmitir sua experiência. O fato dele ser eletricista nunca foi pouca coisa para mim, porque ele sabia muito bem como e o que queria fazer da vida e tinha também um bom controle do que chamamos de energia e força que sem o governo de nossa inteligência não produzem resultado algum...

Disse algo assim para mim um dia: "meu filho a gente vem para este mundo para deixar uma marquinha registrada nele. Pode parecer pequenina para alguns, mas é a sua marca e uma parte da vida a gente gasta para descobrir qual e aonde e na outra a gente faz esta marca. Para alguns demora, é difícil e é muito duro, para outros é mais fácil isso. Sorte e azar entram aqui, mas quem procura encontra e é por isto que eu te digo isto. Vá procurar a sua marca. Não desperdice a tua vida sem deixar algo de bom por aqui. O mundo já tem problemas demais, maldade demais, e nós precisamos mudar isto."

Guiado por esta idéia geral de encontrar as minhas marcas, eu escolhi ser educador, escolhi também ser militante político e me dedicar a fazer e a pensar a política e também escolhi muito cedo lidar e me ocupar com atividades culturais, como a música, o teatro e muitas outras artes que me interessam. Hoje penso modestamente que já tenho deixado uma marquinha no mundo através destas três ocupações extra-familiares. Nestas coisas, por assim dizer externas e públicas, eu continuo ainda procurando ter uma vida significativa e deixar uma marquinha neste mundo.

Pois, preciso dizer isto: com estes alunos e alunas que estão aqui hoje, mais do que com muitos outros de outros tempos tive uma relação muito intensa – devido ao fato de que estes alunos são os alunos e alunas que mais conheço, com quem mais convivi em toda minha trajetória de 21 anos na educação. Nos últimos quatro e três anos todos eles e elas, em especial elas, com quem tive uma relação de professor, amigo, irmão e às vezes até mesmo um “pai”, com todo respeito aos pais presentes e que cumprem seu papel. Aprendi muita coisa com eles e em muitos caos ensinei algo também e houveram muitas trocas.

Nossos pais nos amam e sabemos bem disto, mas devemos saber também que todas as pessoas que cuidam de nós precisam nos amar de certa forma e que quando isto acontece nós consideramos elas nossas amigas com certa naturalidade também. Tenho imaginado que esta relação revela uma grande verdade. Deve haver uma extraordinária relação entre amor, amizade e educação. Ou, para pontuar mais exatamente a questão: entre amor e sabedoria. Apesar de algumas pessoas dizerem que onde há amor, não há sabedoria, ou que onde há sabedoria não há amor. Não é exatamente isto que eu penso sobre a filosofia e nem sobre a educação. A busca da sabedoria é produto do amor a sabedoria, não de uma amizade ou de um mero gostar. Envolve um desejo, um querer que pode sim ser confessado e publicamente aceito.

Todos que buscam alguma forma de conhecimento vivem um momento em sua vida em que precisam admitir duas coisas bem precisas: de um lado que é isso que querem, de outro lado, que para atingirem isto precisam reconhecer e aceitar algum mestre na vida, para avançarem e conquistarem a satisfação nesta busca. E ao fazerem isto acabam, adquirindo não mestres, mas amigos e mesmo em alguns casos acabam adquirindo pessoas que por algum tempo representam seja um ideal de amor, seja um amor real cuja admiração e, também, em alguns momentos decisivos a decepção e a contrariedade cumprem um papel efetivo na nossa formação. Aqui devemos dizer que esta a caminhada não é só um mar de rosas mesmo, não foi e não será depois.

Nossos melhores mestres são aqueles que conseguem discordar da gente e nos enfrentar em nossos erros com a máxima qualidade, clareza e precisão.    

E eu já não tenho mais nenhuma dúvida de que ambos – o amor e a amizade, mas também a luta e a contrariedade - estão presentes na relação entre mestres e discípulos e em outros casos aparece também a mesma questão. E deve ser do tipo que mostra que a original assimetria entre um e outro é superada por algo do tipo de dinâmica ou dialética em que cada um ao seu lado e a partir do seu lugar tira e dá o melhor de si para o outro, mesmo na diferença e mesmo na contradição.

Em minha formação filosófica eu tinha uma espécie de fixação harmônica e hoje acabo reconhecendo que não é somente na concordância que nossos progressos do conhecimento ou da vida se dão. E na educação esta desarmonia é tão importante quanto os acordos. Chamava isto de transitividade da compreensão, mas devo reconhecer que mais recentemente tenho dito que é melhor nós nos desentendermos com clareza, do que temos um acordo pouco claro sobre as coisas e que devemos aprender a perder e a ser vencidos por argumentos melhores ou de outras pessoas e que é exatamente assim que o conhecimento avança e que nós aprendemos com nossos mestres.

Eu tinha uma idéia, um pouco ingênua, confesso, de que compreender algo envolve estar ou se encontrar em simetria ou no mesmo nível e em algum momento ou posição em relação a este algo. Hoje percebo que este balanço permanente de compreensão e o esforço permanente em atingir uma compreensão nos joga numa situação mais dinâmica e menos estática, mais inacabada e menos previsível, e que, portanto, em meio a esta instabilidade não se esgota nunca o nosso conhecimento e nem se fecha toda a aprendizagem em um único processo. 

Toda vez que mergulho mais profundamente em biografias de grandes mestres e seus grandes discípulos encontro este processo de jogo entre nossas compreensões e assimetrias sendo encenado e reapresentado. Falar disto aqui pode ser um exagero meu, mas eu creio que uma formatura me parece um momento ideal para desmistificar isto – até porque alguns dos alunos e alunas que estão aqui serão educadores, contra todas as adversidades deste mundo e da opinião dos outros. E eu imagino que grandes professores são aqueles que aceitam os cavacos do oficio – e existem muitos – mas que tiram grande proveito das adversidades para serem melhores. 

Este processo também aparece em outras relações que vou chamar de maestria o que vale aqui também para excelentes editores e excelentes conselheiros em relação a grandes autores e à grandes líderes - percebo também que um aprende com o outro e que o nível de arranjo envolve nesta dinâmica um constante de reciprocidade e nivelamento as vezes temporário e as vezes durador quase imperceptível externamente, mas que visto mais de perto revela que o discípulo faz o mestre ser mestre e que o mestre faz o discípulo ser mestre também.

O único problema mais originário e desafiador aqui é, como sempre, o nosso tempo para isto tudo e o critério a partir do qual um mestre escolhe ou aceita um discípulo e um discípulo escolhe ou aceita um mestre. Os acidentes da vida, a fortuna e o acaso aparecem como atores principais aqui, para além da nossa vontade. Somos temporários, passageiros e limitados e sabemos, então, que eles tornam esta mesma dificuldade também comum ao amor e à amizade. Assim, além da nossa escolha e aceitação é só a sorte e algo que poderia ser chamado de uma visão que pode  levar um estranho a confiar na mão de outro ou dar à mão para outro. A sorte, o acaso, o encontrão e a matrícula acidental numa escola, a entrada em um partido, o ingresso para um show, a aquisição de um livro e mesmo uma canção qualquer intervém ai...nos apresentando muitas opções e as escolhas que fazemos sobre elas. Lembro muito destes aspectos correntes e freqüentes em minha juventude.

Fui longe demais na prosa aqui. Agradeço muito a atenção de quem me escuta ou me lê, mas especialmente quero agradecer aos alunos e alunas que me dignificaram com esta distinção de ser paraninfo deles, mas quero também aumentar a responsabilidade deles na hora da despedida e da saída do ensino médio.

Durante estes anos eles não souberam disto, mas eu vou dizer e revelar a eles uma verdade importante: eles foram sim meus mestres e as turmas que se formam neste ano me ensinaram por demais, no acordo, na contradição, no entendimento e desentendimento e o único pedido que eu faço a eles é aceitem esta verdade: sejam mestres dos demais seres humanos e aceitem e escolham seus próprios mestres de forma consciente e deliberada. Lhes fará muito bem e mais bem fará aos demais seres humanos também....muito obrigado...meus mestres e meus amigos e amigas...

Boa vontade e boa sorte para vocês todos!!!


         

domingo, 25 de dezembro de 2016

SARTORI VAI PAGAR É DOBRADO

Recebi e repasso aplaudindo.

Relato se Andrea Signorini:

"Ontem a noite SARTORI foi jantar no restaurante Tirol na José de Alencar. Quando ele entrou no estabelecimento foi hostilizado e vaiado pelos clientes aos gritos: 'Enquanto tu vens jantar em restaurante os funcionários públicos passam fome. Paga o décimo terceiro deles'.

SARTORI não pode jantar; saiu vaiado e aos gritos do povo.


Isto deve ser feito com TODOS OS DEPUTADOS QUE APOIAM ESTE GOVERNO..."

O ATRASO D BRASIL EM 2016

Este ano foi o ano do maior atraso da história deste país. 
Mas haveremos de retomar o rumo em 2017! 
– 24/12/2016 -

FIDEL CASTRO INVICTUS

Li uma revista sobre Fidel Castro e tinha "o homem que tentou vencer o mundo".

Talvez seja de fato "o único homem que venceu" no século XX.


Todos os vitoriosos, machões, heróis, metidos a vitoriosos e vencedores do século XX devem contemplar Fidel e reconhecer isto. 

Usaram Invictus para Mandela om razão, mas nenhum outro homem resistiu tanto é por tanto tempo a tantas ameaças e tentativas de extermínio moral, político, militar e físico. 

É uma verdadeira proeza se considerarmos que seus inimigos tão poderosos estiveram tão perto dele por tanto tempo.

BRASIL 2018 A ACORDAR

PT, PCdoB, PDT e quem mais acordar vão tirar o Brasil e o RS das mãos desta quadrilha de canalhas em 2018..Pode anotar...

Nós estamos em uma situação tão ruim, mas tão ruim que não dá para ficar entrando em especismo, chantagem, vendetta, disputinha de beleza ou vingança e infantilismos, esquerdismos ou vaidades na esquerda. Não há a menor hipótese dá esquerda brasileira vencer estando desunida. O que o Crisostomo de Souza diz é bem preciso. A única ideologia que deve nos importar é uma soma de trabalhismo, socialismo e social democracia. Não há como ficar em um pedestal achando que algo vai mudar por mágica. Só votar, ter opinião, juízo e críticas não adianta mesmo é que cada um assuma um papel político e um espaço de atuação para esta retomada. Se fizerem isto conseguirão transformar está realidade, senão vai ficar reclamando, achando culpados e igualando diversos para não fazer nada. Um passo à frente aqueles que desejam um Brasil melhor, sozinho nenhum de nós conseguirá mesmo.


Crisostomo de Souza: “O problema é justamente o quem mais acordar, do qual vamos precisar e muito. Com muito mais do que esses partidos, e com uma bandeira supostamente amplérrima, a legalidade, embora apoiada na rua apenas por bandeiras vermelhas, perdemos o Brasil para as mãos da tal quadrilha. E sob o olhar bastante indiferente do povo, a quem o assunto deveria interessar.”

INSIDE 2016

Minha inside 2016 acertou em muito. Não consegui evitar os problemas que imaginei. Foi difícil e poucos não se danaram. Mas vencemos algumas batalhas também que mostram nossa capacidade de resistir e retomar. Espero que em 2017 consigamos melhorar mais. Apesar de ver que as medidas federais e estaduais não passam de tratos à banca e maldades aos trabalhadores que não vão dar resultados, pois apenas agravam a crise e agradam aos mercados, aos rentistas e transferem riqueza, patrimônio público e serviços aos interesses privados. Estamos sendo logrados e roubados graças a um bando de espertinhos que se julgam sábios...Mas dá para reverter e eu não descanso e não me entrego...

RASCUNHO DE PÓ E LETRAS – 2

O vento sopra para longe todo este pó e palavras do mundo.

As palavras restam letras.

Dos corpos resta o pó.

Voltamos todos à terra e ao barro.

Nossas letras se esquecerão.

Nossos pecados perdoarão.

Nossos amores em nossas mãos desaparecerão.

Cinzas e redemoinhos nos levam com o tempo.

E de nosso suor e lágrimas ficam vestígios impressos em grãos de areia.

Nada restará de nós neste mundo.

E dos outros restará a mesma coisa.

Talvez apenas aquilo que criarmos, construirmos e deixarmos de nós escapar.

Nossos filhos e netos vão pisar o mesmo chão e saberão que sobre nós estão.

E somente de alguns que restarão mais humildade e dedicação para fazer jus a este mundo.

E dá gente ficará a semente mais suave e leve para na brisa passear.

E o vento irá guiar cada gota de nós ao seu destino.

E o tempo vai colher cada grão de desatino.

Nós aqui estaremos para tudo que deixamos e daqui partiremos para tudo que buscamos.

Afinal, como já diz a escritura do pó viemos e para o pó voltaremos.

E se assim quiser, em letras deixaremos nossas cinzas, nossas retas, nossas linhas e diretas.


E a terra nos recebe, pois de ti saímos e para ti voltamos.

RASCUNHO DE PÓ E LETRAS – 1

O vento sopra todo pó do mundo, voltamos a terra e ao barro, cinzas e redemoinhos nos levam com o tempo e de nosso suor e lágrimas ficam vestígios impressos em grãos de areia. Nada restará de nós, apenas aquilo que criarmos, construirmos e deixarmos de nós escapar. Nossos filhos e netos vão pisar o mesmo chão e saberão que sobre nós estão. É de alguns que restarão mais humildade e dedicação para fazer jus a este mundo. E dá gente ficará a semente mais suave e leve para na brisa passear. Nós aqui estaremos para tudo que deixamos e daqui partiremos para tudo que buscamos. Do pó viemos e para o pó voltaremos.

VERDE POR FORA E VERMELHO POR DENTRO - MEU IRMÃO

O Rafa faria 50 anos hoje e eu nunca vou me esquecer de como a gente inventava uma festa em separado para dar um jeito de não misturar com o natal. Por alguns anos a loja, o balcão e as vendas devoravam o aniversário dele. Depois era outra coisa. Mas lembro do riso dele no olhar e dá forma como ele fazia um segundo ser o momento mas maravilhoso de uma vida inteira Deve sim estar no Nirvana agora com um pedaço dá turma toda rindo dá gente aqui em baixo e de quanto valor damos para coisas que não valem nada, do tempo que perdemos para chegar em lugar nenhum e de pessoas que não valem nossa atenção. Sentar com os humildes sempre foi para ele e para mim mais prazeroso do que com aqueles que tem o rei na barriga. 50 anos e ainda está presente na minha vida. Hoje faço coisas que você faria junto comigo e amanhã vou continuar fazendo. Estou cumprindo minha promessa. Algumas coisas tem sido mais difíceis, outras estão sendo resolvidas pela sorte e pela boa vontade que plantamos. Te amo meu irmão, sinto tua falta, sofro sim, mas tua ausência que me machuca e me falta me dá a tua lembrança que me fortalece também. Muito obrigado por ter me dado aquele toque como chamávamos. Vamos em frente cavalheiro verde por fora e vermelho por dentro como uma melancia, como o dragão e como São Jorge!

MEU MESTRE MINHA VIDA, MEU EDITOR MINHA OBRA, MEU LÍDER E A HISTÓRIA - RASCUNHO IMPRESSIONISTA, INACABADO E DIVERSIONISTA DE UM PROFESSOR À BEIRA DE UMA FORMATURA E DE UM LEITOR INVETERADO DE BIOGRAFIAS - 1

Deve haver uma extraordinária relação entre amor, amizade e educação. Ou, para pontuar mais exatamente a questão: entre amor e sabedoria. E eu já não tenho mais nenhuma dúvida de que ambos estão presentes na relação entre mestres e discípulos e em outros casos aparece também a mesma questão. E deve ser do tipo que mostra que a original assimetria entre um e outro é superada por algo do tipo cada um ao seu lado e a partir do seu lugar tira e dá o melhor de si para o outro. Chamava isto de transitividade. Tinha uma ideia de que compreender algo envolve estar ou se encontrar em simetria em algum momento ou posição em relação a este algo. Toda vez que mergulho mais profundamente em biografias de grandes mestres e seus grandes discípulos - o que vale aqui também para excelentes editores e excelentes conselheiros em relação a grandes autores e à grandes líderes - percebo que um aprende com o outro e que o nível de arranjo envolve certa reciprocidade e nivelamento quase imperceptível externamente, mas que visto mais de perto revela que o discípulo faz o mestre ser mestre e que o mestre faz o discípulo ser mestre. O único problema mais originário é o tempo e o critério a partir do qual um mestre escolhe ou aceita um discípulo e um discípulo escolhe ou aceita um mestre. Os acidentes da vida tornam a mesma dificuldade também comum ao amor e à amizade e só a sorte e algo que poderia ser chamado de uma visão pode levar um estranho confiar na mão de outro ou dar à mão para outro. A sorte, o acaso, o encontrão e a matrícula acidental numa escola, a entrada em um partido, o ingresso para um show, a aquisição de um livro e mesmo uma\ canção qualquer intervém ai...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

BATERIA DE EXPRESSÕES EM DESALINHO

Convido a todos os descontentes com a estupidez do Governo Sartori e dos deputados e partidos que o apóiam a ir além do voto.

É mais fácil manter uma justiça militar a peso de ouro do que um instituto de pesquisa sério neste estado. #FeeNeo

Os pobres se alimentarem dos ricos?
Isso seria só uma reversão na cadeia alimentar....

Eu só escrevo ficção...
Só escrevo ficções sobre fatos para forçar o pensamento a mudar a dura realidade desta vida.

Tirei toda esperança de um homem e perguntei para que viver? Para nada.

Aqueles que negam as utopias se comprazem com seus próprios pesadelos.

E vemos eles se jactando de suas espertezas e asperezas.

Todas as minhas crenças correm riscos diários de serem abandonadas.
Mas vejo crenças que vão se fortalecendo não por resultados, mas por sua serenidade.

A tolice destes liberais é jogar intelectuais em desespero na vida achando que não haverá revés.
Em todos os momentos da história em que isto ocorreu houve um revés razoável. Rússia 1905...

Usar toda a tua inteligência e capacidade de forma generosa pode mudar o mundo sim.

O retrocesso é produto direto do teu recuo e acomodação. Agora, acordai e levantai ..
Quando todo o teu orgulho vão e fútil for destruído, só então chegará a mudança..


A ESPERANÇA E O NADA

Tirei toda esperança 

de um homem 

e perguntei:

 para que viver? 

Para nada...

DAS ESPERANÇAS

A gente acaba escolhendo a melhor ficção ou narrativa do mundo de forma interessada e estética também.

Você nos diz assim: “sei lá, não me considero uma pessoa de esperanças, e acho a vida uma coisa maravilhosa, então não vejo bem o nexo entre uma coisa e outra.”


Touché....justamente este parece ser um dos pontos chave. Você contempla a vida ou o mundo como algo maravilhoso, com admiração e de forma qualitativa, seja porque te parece haver uma lógica nele, ou harmonia, ou lógica alguma, com um escopo de contemplação finito ou infinito, voltado ao passado, ao que foi ou para o que há, ao mais imediato ou mais remoto, em perspectiva, com mais ou menos expectativa ou sem expectativa nenhuma, de qualquer modo está admiração pode nutrir esperança também. Este me parece ser o passo decisivo aqui: se é bom, se é belo - mesmo com todos os atravessamento naturais ou humanos ou metafísicos - poderá então continuar sendo belo e bom...

PORQUE REAGIMOS A INJUSTIÇAS?

” duvido. reage-se à injustiça por princípios morais, não porque se creia que vá dar certo. a menos que o cara seja um amoral total.”


Nós podemos reagir à injustiça na crença de que vamos vencer um dia, por altruísmo, para ensaiar, para pintar sobre o erro o ponto de desacordo...por ser filho de Ogun como eu, etc. A explicação não pode ser tão reduzida e analiticamente definida, por mais que eu tenha estima pela simplicidade e elegância...

VAI DAR CERTO

Você não se move sem acreditar que vai dar certo. Você bota o pé no estribo do cavalo, sobe no ônibus, embarca em avião, pega carona, aceita um convite crendo que vai dar certo. Pode dar errado, mas segue na boa esperança.

VIDA, ESPERANÇA E APOSTAS

Da mestre Denise Bottmann

“dizia a Hannah Arendt, de quem venho descobrindo que gosto muito, que a esperança é a irmã do medo, ambos prejudicam a ação.”

Não consigo fechar as lentes da minha câmera sobre o mundo tanto assim....

Nossa vida é uma aposta renovada todos os dias. Você decide fazer a mesma coisa, decide mudar, decide ficar ou sair, avançar ou recuar e etc...sempre numa incerteza. Você pode crer demais para não perceber isto. Pode fazer de conta que tem certezas ou que não leva isto tão à sério, mas aposta. Tudo se passa como se tivesses uma teimosinha na banca de jogo do bicho permanente.

E todas as pessoas que eu conheço sem esperanças renunciaram à ação....

As pessoas aceitam as incertezas da esperança para agirem no mundo. Sabem que pode dar errado, mas fazem uma aposta.

Eu tenho muito respeito por Hannah Arendt...mas o ser humano não pode lidar com um mundo que se limita aquilo que está ao alcance da mão ...eu não me julgo um páreo para Hannah...tenho muito que estudar ainda...mas é uma intuição minha .

Hoje fui discutir sobre o que move a mudança... Para mim não é o tempo, mas a necessidade...

Eu só coloco à mão e me movo com esperança e boa vontade...parei de fazer coisas sem esperança alguma ou só por fazer...

A minha visão de esperança talvez seja mais ampla ou menos detalhada, menos específica e tal...

O medo para mim precisa ser específico e sempre tento reduzir sua força sobre mim.
Hobbes teve um papel decisivo nisto.

Sim... esta é a questão principal, para mim a esperança é uma substituta com boa vontade da certeza.... você não tem certeza é reconhece isto, mas segue um curso de ação de forma sincera e com certas perspectivas ou expectativas construídas ..

Eu penso muito sobre isto. Me convenço sempre dos limites de minha certeza, mas decido agir na melhor esperança e com convicção.

Decido por assim dizer com uma margem erro. Aceito correr o risco, porque é assim que funciona a vida. É um lançamento...


Aliás, aqui tem alguém que mapeou quase todas as possibilidades negativas e positivas...

NO MUNDO DAS MÁQUINAS

Daqui a uns duzentos anos, quando as máquinas se derem ao trabalho de reconstruir a história da humanidade perdida pelo formalismo e tecnicismo, pela estupidez e economicismo, pelas omissões e covardias, elas descobrirão quem e quais seres humanos tentaram fazer frente a esta desumanidade que se aproxima de nós todos. Nós podemos perder sim, saibam disto, mas a culpa não será daqueles que lutaram e nem dos que tentaram lutar, mas sim de um bando de idiotas que acreditam sempre que a responsabilidade é dos outros e não deles mesmos. Não basta votar, ser esclarecido e honesto, pagar impostos e ficar cobrando ou criticando partidos e políticos sem fazer partidos e políticos melhores. A posição covarde ou limpinha é muito boa para quem quer ficar sentadinho na cadeirinha sem errar, sem se arriscar e sem ousar compreender mais os limites daqueles que tentam e que conseguem alguma coisa é que não é tudo, mas é alguma coisa.

ESPERANÇA, EDUCAÇÃO, APOSTAS E DESISTÊNCIAS

As pessoas aceitam as incertezas da esperança para agirem no mundo. Sabem que pode dar errado, mas fazem uma aposta. Isso é admirável para alguns e uma tolice para outros. Nossa generosidade e tolerância tem limites dizem alguns. E nós sabemos muito bem quantos problemas há neste mundo por causa disto. E aqui vale o que eu disse sobre a educação faz muito tempo já: de que você precisa desistir de desistir todos os dias. 

Você precisa derrotar todos os dias o sentimento de derrota, de frustração e de sofrimento que são os elementos sempre presentes no teu trabalho e que em alguns casos tendem a parecer os únicos elementos presentes no teu trabalho. Mas existem outros elementos que você precisa aprender a encontrar, descobrir ou inventar. E existe uma atitude necessária em relação a eles. Trata-se de uma aposta que pode dar resultados maravilhosos. 

Precisamos tentar  apostar que aquela criatura vai crescer e aprender a aceitar o que é um crescimento para ela. Você passa a aceitar o desenvolvimento dela, conhecer ela e dar empurrões ali onde eles tem efeitos sobre ela. E aprende muito com isto. E esta aprendizagem sentida, percebida e aceita te faz prosseguir. Você precisa sentir sim, precisa perceber e aceitar desligando-se de todas as racionalizações negativas, de todas as exigências críticas e super estimar cada pequeno avanço. E os avanços só ocorrem com dedicação mesmo, persistência, um esforço contínuo em direção ao aluno. E os resultados vem. 

Todo o teu esforço dará um profundo valor aos resultados. Na maior parte dos casos os resultados são "normais" ou normalizados, medianos ou excelentes, mas preste atenção muito nisto que vou te dizer: ali onde os tais resultados parecem menores, desprezíveis ou desimportantes, pouco significativos, ali onde as dúvidas sobre o desempenho, sobre a aprendizagem, sobre o amadurecimento ou adequação, justamente ali reside a semente da esperança que te despertará e te indicará o caminho por onde agir. 

Nenhum professor ou professora permanece na educação quando não aceita isto. E esta aceitação pode ser feita de diversas formas. Creio que a melhor forma é a contrária do deixa prá lá, ali não tem jeito ou ele não consegue. É ali que está indicado  o caminho para vencer e para construir a esperança...

O QUE É O TEMPO E COMO SE ENTRA NA HISTÓRIA?

A boa pergunta da Denise num conjunto reflexivo é precisa:

“quanto tempo leva para uma coisa deixar de ser "presente" ou "agora há pouco" ou "pouco tempo atrás" e passar a ser "história"?
e essa mesma coisa que virou "história" é ela mesma, enquanto "história", que julgará a si mesma e também o que vem ou veio depois? [dilma dizendo "a história me julgará", temer dizendo "serei reconhecido pela história", ou fidel, "a história me absolverá"]
os sujeitos e processos do presente então se tornam, depois que viraram "história", os crivos de julgamento dos sujeitos e processos que ainda não viraram história?
está mais me parecendo aquelas fábulas familiares: o bisavô (o qual, claro, já julgou a si mesmo) que julga o avô que julga o pai que julga o filho cuja única esperança de sair desse sufoco é pensar que algum dia, depois de julgar a si mesmo, e decerto sempre muito favoravelmente, então julgará seu filho, seu neto e seu bisneto...”

Este julgamento é um lançamento. Uma aposta com esperança de vencer. É arriscado, desmedido e também falível, mas é feito também na lógica da tomada de posição em que é posto um juízo para tentar determinar a forma do mundo e FORMA dos juízos de meus semelhantes. Esta conexão com a história é política. Se corre atrás do poder de determinar a história, fazer ela e fazer o seu julgamento...em seu próprio nome, em nome de seu povo ou da humanidade...

Ou em nome de meu título é minha racionalidade, justificação, retórica e demonstração.

E fazer lançamentos sobre o futuro faz parte disto também...porque a esperança é revolucionária..

domingo, 11 de dezembro de 2016

TEMER, O CÍNICO – E A ENTREVISTA NO FANTÁSTICO

O nível de cinismo, canalhice e mau caráter do presidente usurpador é tal que chego a não acreditar que um pusilânime desta grandeza tenha chegado a presidência com apoio do povo brasileiro. Isso só se explica por seus iguais. Impressionante e me deixa completamente anojado. Que vergonha! 

PENSANDO - 28 DE NOVEMBRO DE 2016

Na mais absurda ideia que já tive sobre a distância entre nossa vida interior e este mundo dos fatos que lhe corre em paralelo e que parece tentar nos absorver em seus acontecimentos importantes, terríveis e dramáticos.

Pensando na Separação deste Mundo.


Na mais absurda ideia que já tive sobre a distância entre nossa vida interior e este mundo dos fatos que lhe corre em paralelo e que parece tentar nos absorver em seus acontecimentos importantes, terríveis e dramáticos. Pensando no mundo interior que resiste e reside em cada um de nós que possui de reflexões, comentários e diálogos, coisas que ocorreram ou que poderiam ter ocorrido nesta caminhada da vida, as nossas criações reconfortantes e suas narrativas ficcionais, idéias imaginárias, memórias reencontradas, lembranças e retomadas de coisas pessoais, projetos e sua abissal distância do que ocorre no mundo à nossa volta e que parece tentar nos tomar todo nosso tempo de vida, como se a vida que vale fosse apenas esta ocupação com o mundo. Fica fácil compreender porque se escreve ficção, se criam personagens em carne e osso, porque alguns autores e autoras vivem isto tão intensamente e, assim, se observa com lupa e muito carinho pequenos detalhes da vida das pessoas que vistos de muito perto parecem não ter nenhum sentido nos termos que muitos gostam de dar para suas escolhas e decisões, mas que pelo surpreendente e até absurdo podem ser vistos como maravilhosos, excepcionais e determinantes atos de liberdade perante o mundo. No sentido que percebo aqui - talvez delirante e alienado do bem - em que estas coisas frente ao tal grande vale de lágrimas que é o mundo, frente aos absurdos e abusos bem visíveis de poderosos ou notórios tornam estas coisas comuns admiráveis. Gostar tanto de uma coisa ao ponto de dedicar parte razoável de sua vida àquilo parece fazer sentido mesmo para poucos. Mas eu compreendo isto sim. Dar tanta importância ao seu lugar no mundo e seu papel na sociedade ao ponto de lançar sua vida inteira e o que sobrar dela no grande redemoinho do mundo. Suportar e encarar bravamente esta realidade no qual esta usina de poder e sucesso que é o mundo para alguns reduz homens bem vestidos e belas mulheres em pedaços de gente, escombros de aviões em um cemitério no deserto - a imagem que eu vi ao olhar para os jornais estes dias - restos ou mortos vivos que ainda andam sobre a terra mas que estão há muito tempo condenados pela história que um dia será contada. Pessoas e aviões que não voam mais, mas que conquistaram um lugar só seu até que algum desmanche ou triturador resolve moer suas carcaças, quebrar seus vidros e transformar algumas poucas pecas em souvenirs. É possível ver sim o triste destino de tanto sucesso, poder, vaidade e imaginar o quão importante é um pequeno jardim, um belo retrato, uma pintura modesta, um móvel restaurado, uma boa mesa, um álbum de belas imagens e alguns sons e textos espalhados sobre a mesa nos lembrando que em momentos diferentes alguém fez algo mais belo, algo que será realmente eterno e admirado não porque é visto todos os dias, mas porque ao ser revisto, reencontrado ou escutado e lido pela primeira vez terá mais valor do que aquilo que fica tão presente aos nossos olhos, mas que parece não trazer mais significado algum. Dá para entender sim a fuga e a travessia de muitos para uma realidade interior e própria como a realização mais modesta mas mais importante de um domínio de si, de uma demarcação de um território ou lugar só seu neste mundo e que será reservado apenas para que se deixar entrar e que lhe compreender o sentido e a grandeza. Dá para compreender sim os poetas, os idealistas,o s loucos, os anti sociais, os as autistas ou puristas e aqueles todos que tratam de construir para si um espaço de isolamento que seja impenetrável só terrível drama e perturbador ciclo de acontecimentos incontroláveis e avassaladores deste mundo em que vivemos. Que todos consigam ter um pouco disto para si e que saibam cuidar desta parte que lhes cabe desta vida e que só eles podem ser, tecer, sentir e viver. Só um grande e generoso afeto explica tudo isto..

THOMAS WOLFE SOBRE O ARTISTA

"Naquele momento ele viu, em um fulgor de luz, uma imagem de veracidade indescritível, a razão pela qual o artista trabalha e vive e tem o seu lugar — a recompensa que procura — a única recompensa com que realmente se importa, sem a qual não há nada. É para engodar os espíritos da humanidade em redes de magia, para fazer sua vida prevalecer através de sua criação, para desafogar a visão da sua vida, a rude e dolorosa substância de sua própria experiência, na congruência de imagens ardentes e encantadas que são elas mesmas o âmago da vida, o padrão essencial de onde todas as outras coisas provém, o miolo da eternidade."


Excerto de Thomas Wolfe, Of time and the River.

SOBRE ROBERTO FREIRE NA CULTURA

Roberto Freire na cultura é só mais um sintoma da roubada em que estes caras nos enfiaram.


É o governo dos mortos vivos e da múmias paralíticas. Inúteis e Usurpadores tomaram um país através de um golpe e de um ardil covarde e o que se sucedeu após isto é uma vergonha, um atraso e a mais dura fatalidade que este país já viveu.

TRISTEZA, DESALENTO E GOLPES

Li murais de muitos amigos e amigas apontando a tristeza e o desalento com o quadro geral que assistimos e outros bradando à luta e chamando à mobilização. Que bom que vocês não são indiferentes. Fico realmente feliz. Eu também tive dificuldades para dormir esta noite. Não tomei remédio algum, mas acordei umas quatro vezes durante toda à noite. A gente fica preocupado e ressabiado com tudo à nossa volta. A gente pensa no futuro e nos bons planos que temos no trabalho e na vida e percebe as ameaças que vem chegando para destruir e derrubar todos que trabalharam arduamente para ter alguma perspectiva de sociedade melhor. Parece que estamos entrando no pior dos mundos possíveis e se recebe todo dia um golpe, uma traição, um retrocesso, uma perda, um recuo, uma frustração e decepções às pencas. Não é nada difícil de se compreender o recolhimento de muitos e a retirada do front e do cenário. Fica-se anojado, envergonhado, triste e furioso, mas se mantém o controle, não se explode, não se cultiva ódios ou raivas e nem se descarrega nos coitados que parecem ver tudo isto num estágio de indiferença e certo entorpecimento. Não é fácil mesmo, em especial para nós que tanto lutamos, reunimos, caminhamos, discutimos e construímos coisas muito melhores e mais decentes do que isto que está ai. Para nós que sempre fomos orientados por intenções honestas e francas é muito duro. Tenho esperanças nos jovens e em suas iniciativas e em todos que lutam e também em algo que podemos chamar de destino ou de força dialética que me dá a esperança de que eles - a canalha, os ignorantes, os vis e os picaretas e pilantras - estão esticando a corda ao máximo e que ela vá arrebentar de algum modo. Não tenho como me retirar de meu trabalho e me eximir de minhas responsabilidades. Protesto por aqui. Escrevo aqui. Compartilho e me posiciono, mas percebo que está faltando algo que não é só mobilização mesmo. E me é algo que parece ser um sentimento de coletivo e um espírito coletivo. Mas não vamos desistir! Vamos resistir! Vamos virar esta página e avançar! Mantenhamos nossa esperança e nossa fé na humanidade. Não é o ano que é ruim, mas sim as ações humanas! Em frente e com boa vontade. Este é o único apelo que consigo fazer agora!

Em 30 de novembro de 2016...

SOBRE IDEIAS OPOSTAS

"O teste de uma inteligência de primeira ordem é
a capacidade de manter duas idéias opostas na
mente ao mesmo tempo e ainda manter a
capacidade de funcionar."


F. Scott Fitzgerald

FILOSOFIA E LIBERDADE

“Ser livre é querer a liberdade dos demais.” Simone de Beauvoir


Não haverá filosofia importante sobre a liberdade ou a igualdade se ela não se aplicar à nossa vida real. A filosofia não é uma abstração, ela é um desejo de ir além junto...

RELAÇÕES HUMANAS - RESUMO REVISITADO E AMPLIADO

Somos educados para trabalhar e ganhar dinheiro, não para ter boas relações humanas. É este tipo de educação que ajuda a determinar o automatismo quase instintivo do individualismo em nós. Isso constitui, em parte, o que se pode chamar de selva e este individualismo ou darwinismo social que vivemos no capitalismo. E o resultado está ai, apesar das relações humanas e sociais serem pré-condição para as duas metas anteriores e todas as outras metas que nos podemos constituir por nossas escolhas, gostos, considerações de importância ou juízos de necessidade, nós só lidamos com elas como prioridade em emergências ou secundariamente. Por isto, temos que nos dedicar mais ainda a educar nossos jovens contrariando está lógica e melhorando e compreendendo as relações humanas. Toda a política e toda ética ou cultura civilizatória possível deve seguir nesta direção. Por isto também cabe ao estado ser contra fração à este processo de brutalização da vida humana, não seu agente de primeira fila. E toda política ou programa que se apresentar no sentido contrário da humanização deve ser repudiado e denunciado. É indício mais claro ainda deste espírito avesso à humanização que este programa ou política, por melhor que tenha sido pensado, acabe por necessitar para ser aplicado ou legislado das armas da imposição e dos argumentos da violência.

RESERVAR JULGAMENTOS

"Reservar julgamentos é uma atitude que dá margem ao surgimento de esperanças infinitas." 

(The Great Gatsby)

F. Scott Fitzgerald

LEMBRETE DA LOUCURA DE DA LUCIDEZ

E vamos andando bem calminhos...eliminando stress e escutando uma musiquinha...vamos indo em frente....cada um sabe a dor e a alegria de ser o que se é...no final, no final mesmo, só sobra o amor, o que se amou e o que se deixou como obra do amor...


O cara só é maluco mesmo, se conseguir ter lampejos de lucidez maiores e mais iluminados sobre o mundo e a vida do que seus delírios cotidianos e suas pequenas fantasias de si mesmo.

PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A DEMOCRACIA COM A CÂMARA E OS CONSELHOS MUNICIPAIS - DE 2012

Para não dizer que não esqueci a política municipal fiquei pensando hoje por alguns instantes no que acontece ou pode acontecer quando pensamos em democratizar a gestão e para isto existem 35 Conselhos Municipais cujos cidadãos não são remunerados e 13 vereadores remunerados. Os vereadores que não tem, na sua grande maioria, nem a menor e nem a maior noção do que estes conselhos discutem mas que são remunerados para deliberar em Comissões que devem reunir para tratar sobre políticas públicas, projetos de lei, ações do executivo e fiscalizar os serviços públicos em todos os níveis e poderes. Então, que tal cara pálida? o que você teria a dizer sobre isto? que não seja mera ruminação e retórica tortuosa? Eu gostaria muito e creio que seria desejável se promover e haver uma boa participação dos vereadores e vereadoras municipais nos conselhos e dos conselhos na câmara de vereadores.

NOTA SOBRE HEIDEGGER, FILOSOFIA E DESCAMINHOS - TERCEIRA VERSÃO DANIEL ADAMS BOEIRA•DOMINGO, 4 DE DEZEMBRO DE 2016

“Mais uma vez um caminho da filosofia perde-se no desconhecido.”

Heidegger pronuncia esta frase quando da morte de Max Scheler (1874-1928). E esta é a frase final da biografia Heidegger: Um mestre da Alemanha: entre o bem e o mal,  escrita por Rudiger Safranski,  página 500. 

Filosofar é sempre um jogo ruim. Pelo menos do ponto de vista de quem acredita que irá ganhar alguma coisa com a filosofia. Porque você joga mais do que vence. E jogar mais aqui não significa apenas mais movimentação, mas sim altas apostas e expectativas que devem ser acompanhadas de muito esforço e que trarão, ao fim e ao cabo, poucos resultados. Quando digo isto lembro apenas que você não terá vitória e nem vitória fácil em filosofia. Você terá prazer, emoções, ideias, encontros e desencontros, aproximações e afastamentos, problemas e questões a resolver e a rever e isso nunca pára, nunca acaba.  

Ou você se desgraça na entrada, ou no meio da estrada ou no final. Já chamei muitos filósofos de desgraçados, mas creio que o mais correto seria desencaminhados, porque muitos deles ainda tem graça e ainda nos deixam sorrir ao ler e descobrir suas idéias. Mas o que mais ocorre é que nós nos perdemos com eles e eles também se perdem. Você sempre perde alguma coisa e muda em alguma coisa e o balanço e a avaliação é sempre provisória. A conta não fecha. E no final tudo se perde no desconhecido. Isto é, no final, tudo se desencaminha de novo.

E tal como bem compreendeu Albert Camus (1913-1960), a pedra arduamente empurrada ladeira acima volta a descer ladeira a baixo e terá que ser levada de novo arduamente até o cume para voltar a rolar mais uma vez e sucessivamente até o infinito ou algum tipo de fim dos tempos que encerre esta aventura do mundo. Um detalhe é que deverá haver substituição e que muito poucos elevam a pedra até o cume da montanha duas vezes na vida. Então uma outra pessoa terá que se encarregar e se ocupar dela, porque o da última elevada se perdeu ou no caminho, ou no topo da montanha ou foi esmagado pela pedra e restou despedaçado e desgraçado ao sopé de uma imagem que o mito de Sísifo nos apresenta claramente. Assim, a filosofia nos leva a um tipo de desencaminhamento.  

Ler Martin Heidegger (1889-1976), nos dá uma mostra disto, pois quando crê que compreendeu o texto logo em seguida surge uma certa obscuridade que parece colocar tudo a perder. E isso ocorre com ele em diversas dimensões. Na interpretação da sua biografia, da sua obra e no alcance e influência de suas ideias. A obscuridade de Heidegger me parece até perdoada, mas o resto não.

Heidegger como interprete de outros é muitas vezes assustador. O seu trabalho de 1924 sobre O Sofista de Platão, por exemplo, me atrai muito por seu detalhamento de plano e também por anteceder Ser e Tempo, mas me dá medo, confesso. Já o texto dele Kant e o problema da Metafísica,  me pareceu sempre um dos textos mais interessantes que já li de interpretação de um autor e de Kant. Aliás, Heidegger sempre consegue ler os outros filósofos e lavrar pedras novas em seus terrenos próprios e avistar aquilo que poucos avistam em suas obras.

Porém, seguindo adiante, ele é deverás surpreendente e é impressionante para mim quando chego a compreender algumas de suas idéias presentes em suas próprias obras mais acessíveis e traduzidas para o português. Cito aqui e recomendo o volume da coleção Os Pensadores com as traduções de Ernildo Stein de diversos textos, as edições e traduções de Ser e Tempo, as diversas edições das Editoras Vozes, Martins Fontes e outras.

Quando chego em suas leituras dos clássicos - além de Kant, Descartes e Platão com os quais parece dialogar e debater em total e absoluta igualdade - e onde parte de seu pensamento se resolve por assim dizer na relação com o pensamento de outros ( Nietzsche, Hölderlin (se eu não botar trema aqui minha mãe me bate) e Heráclito, por exemplo, são assombrosos) e, também, algo do seu estilo e tratamento persistente de seus textos que aprece naquela prosa miudinha dele que vai cerzindo e costurando o texto quase milimetricamente e muito minuciosamente e algo que muitas vezes nos tira a paciência, porque cansa ver e ler alguém ruminando e atacando por horas, páginas e até mesmo meses e mais de uma obra uma espécie de cápsula de idéias.

Mas ele, é preciso reconhecer, não dá pulos, é muito persistente e focado, apesar da tal obscuridade eventual - que pode significar apenas que você não consegue pensar na terminologia dele ou no seu jargão como diria Adorno - não é mesmo um filósofo saltitante, porém de vez em quando vai nos levando naquele ruminar e de repente nos chuta para dentro de um abismo. De onde, no mais das vezes, não sabemos como sair ou simplesmente abandonamos a obra e o seu pensar sobre aquilo e tiramos umas férias da metafísica. Aliás, creio que ele deve ser o teste por excelência de quem pretende pensar a metafísica sem cordões, redes de salvamento e orientação espiritual. A fase poética dele eu não leio não. Confesso me sentir bem inferior a ele em sua leitura de poesia.

Tenho até pensado que se a sorte me der mais tempo de vida vou me dedicar cada vez mais a leitura de clássicos da literatura e da poesia com alguns filósofos e filósofas. Mas devo confessar que tenho preferido filósofos e obras mais obscuras, nebulosas e intrigantes, ainda que mantenha minha intuição fixa na obra de Wittgenstein desde a graduação e, em especial, na Da Certeza como tarefa de leitura e investigação de alguns dez anos para cá.

Até a crítica da técnica em Heidegger, eu acompanho numa boa, aquelas obras introdutórias sobre o que é a metafisica e a filosofia são ótimas para treinar nossa concentração e também para testar nosso raciocínio de leitor, mas confesso que tenho muita curiosidade sobre seus textos mais misteriosos e tudo que ele consegue fazer quando mergulha nos pré-socráticos. (Os textos dele, Nietzsche e Hegel e outros como Jean Beauferet em comentários sobre os pré-socráticos naquele volume da coleção Os Pensadores são muito recomendáveis aos estudantes que queiram entender a intrincada trama entre um autor e as sucessivas abordagens dos pósteros.)

Em biblioteca de um mestre nosso - a quem devo bem mais do que posso pagar em uma citação - olhei algumas poucas imagens de fac-similes dos manuscritos dele - hoje você pode ler isto por aqui, só que texto é em alemão é claro - e aquilo me deixava espantado também. Imagina o cara dar um passeio na floresta negra pela manhã, voltar para casa sentar e escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no dia seguinte refazer tudo e revisar tudo e concluir alguma etapa do seu manuscrito até a madrugada. Imagine que ele fazia isto todos os dias... 

A gente pode imaginar a intrincada trama de um autor como Heidegger em sua obra completa e aprender a respeitar ele muito mais pelo seu caminhar e desencaminhar próprio. E eu creio que todo bom Dr. ou Dra., Mestre ou Mestra, Especialista, Bacharel ou Formando, ou seja, qualquer acadêmico mais dedicado o faz ou pode fazer. Olhar para obra inteira de um cara destes a medida que vai lendo o que pode, compreendendo mais ou menos e seus textos e a medida que vai avançando, parece bem começar a desenhar um quadro ou esquema em uma certa panorâmica e se põe a perceber, com a ajuda de outros interpretes e introduções, as ligações entre todos os textos, as chegadas de idéias novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as tais influências e as revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos, passados alguns anos voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se houvéssemos esquecido algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para mim, o chamado segundo Heidegger parece tentar romper com tudo isto.

Eu mesmo confesso estar mais interessado em literatura ultimamente, por um impulso que me parece semelhante. A busca de um pensamento que se conecte com os mistérios, escolhas, acidentes, gostos, compromissos e necessidades da vida. Não consigo mais pensar filosoficamente de forma a separar reflexões filosóficas de questões objetivas de minha existência e sua dimensão passageira e incerta. E que não é bem uma fuga, mas talvez uma contra fuga. Estar mais ocupado com os problemas da vida e suas diversas versões, suas ficções e narrativas e não tanto em busca de uma teoria de totalidade que responda às velhas questões de forma basilar ou conceitualmente explêndida. Me parece que buscamos conceitos de forma diferente quando damos estes passos. Hoje disse que quando não possuímos conceitos, não podemos ensinar nada e que então precisamos construir conceitos ou buscar conceitos prontos em alguém, mas eu creio que as vezes um conceito inacabado e incompleto é muitas vezes mais interessante. ( Sei e lembro do probleminha dos juízos sintéticos a priori aqui.)

Minha tergiversação aqui, por exemplo, está ligada a questão mais fundamental de porque lemos estes caras ou estas abordagens deles? Porque é um jogo de soma zero mesmo e é por isto mesmo, assim me parece, que nós apostamos alto e o valor da aposta é justamente o nosso problema. Todo mundo sabe que jogadores perdem muito dinheiro, assim como filósofos perdem muito tempo até encontrarem um prêmio que poderá adiante ser impugnado, refutado ou superado. Assim, a nossa força é muito dispendida na abertura de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos escolher sempre a pedra mais dura para cortar, cavar e carregar. Eu diria, para lembrar minha tia que me fez pensar por meses nesta questão: nós não procuramos o caminho mais curto entre um ponto e outro não. E até mesmo os mais disciplinados escondem grandes e tortuosas perdas de tempo.

A clareza aparece nas exibições, mas a fabricação ou construção de conceitos deve ser muito pior do que fabricar linguiças. Bismarck, por exemplo, é um inocente neste ramo de atuação. O fardo mais pesado é o nosso escolhido, mas é justamente isto que acaba por nos definir na filosofia e não em outras especialidades tão pesadas também, mas cujo tereno e lavras parecem estar em boa ordem, ainda que não existam só certezas nestas outras ocupações.

Eu reeditei o texto duas vezes até chegar nesta nota que o ampliou e tentei corrigir algo de suas imperfeições porque quando escrevi a primeira versão estava muito sonolento, por exemplo, e deixei fora certos detalhes do meu pensamento sobre Heidegger, a filosofia e nossos desencaminhamentos que me parece importante também.

Se alguém ler isto aqui - este arrazoado posto assim nesta desordem toda - e gostar, recomendo que fuja da filosofia e não perca tempo com ela e vá ler algum livro de poesia ou decorar as obras completas dos Beatles em versões inglesas, francesas e portuguesas, que perderá menos tempo do que tentando colocar as suas ideias em ordem, ou entender a ordem das minhas. Se alguém se aborrecer com esta recomendação provocadora, recomendo que não faça nada o que garante nenhuma perda de nenhum ganho também. E quem não gostar que faça filosofia, ou curse tal coisa para provar para si mesmo que é capaz de se organizar melhor e pensar melhor.

Um abraço...


Em um comentário inoportuno talvez, ao meu colega querido Renato Duarte Fonseca que comenta a dificuldade e obscuridade nas leituras das escrituras de Heidegger.  

ANOMIA BRASIL

Brasil em estado de anomia .. executivo contra o povo, Legislativo contra o povo e judiciário a favor de os dois e contra o povo! 

- Em sete de dezembro após me dar conta de que o STF entregou sua autonomia em sacrifício e homenagem humilhante à Renan Calheiros e à Michel Temer e seus projetos.  

ALIMENTAR O ESPÍRITO COM SABEDORIA

É preciso alimentar o espírito com sabedoria, senão a vida não tem graça!

P.S. O que há de comum entre certas doutrinas religiosas e certas doutrinas da filosofia. E talvez por isto os padres da igreja preservaram as obras dos filósofos gregos porque perceberam que elas alimentavam o espírito e que tal atividade é comum aos cristãos também. 

#ForaTemer

Me deram: Direito várias vezes já...
Qual a chance de fazer isso? Nenhuma!
Quero/faço: Sou Professor de Filosofia
Penso em segunda faculdade: Sim. Medicina
Terceira Opção: Psicologia
Nunca faria: Geologia

Comenta #ForaTemer que eu te falo um curso

NOTA SOBRE HEIDEGGER, FILOSOFIA E DESCAMINHOS - VERSÃO 2

Filosofar é sempre um jogo ruim. Ou você se desgraça na entrada ou no final. Você sempre perde alguns coisa e muda em alguma coisa. A obscuridade de Heidegger me parece até perdoada, mas o resto não. O seu trabalho sobre O Sofista de Platão me dá medo, confesso. Porém, ele é deverás surpreendente e é impressionante para mim quando chego a compreender algumas de suas idéias, as suas leituras dos clássicos ( Nietzsche, Hölderlin (se eu não botar trema aqui minha mãe me bate) e Heráclito, por exemplo, são assombrosos) e, também, algo do seu estilo e tratamento persistente de seus textos que aprece naquela prosa miudinha dele que vai cerzindo e costurando o texto quase milimetricamente e muito minuciosamente e algo que muitas vezes nos tira a paciência, porque cansa ver e ler alguém ruminando e atacando por horas, paginas e até mesmo meses e mais de uma obra uma espécie de cápsula de idéias. Mas ele, é preciso reconhecer, não dá pulos, é muito persistente e focado, apesar da tal obscuridade eventual - que pode significar apenas que você não consegue pensar na terminologia dele ou no seu jargão como diria Adorno - não é mesmo um filósofo saltitante, porém de vez em quando vai nos levando naquele ruminar e de repente nos chuta para dentro de um abismo. De onde, no mais das vezes, não sabemos como sair ou simplesmente abandonamos a obra e o seu pensar sobre aquilo e tiramos umas férias da metafísica. Aliás, creio que ele deve ser o teste por excelência de quem pretende pensar a metafísica sem cordões, redes de salvamento e orientação espiritual. A fase poética dele eu não leio não. Confesso me sentir bem inferior a ele em sua leitura. Até a crítica da técnica eu acompanho numa boa, aquelas obras introdutórias sobre o que é a metafisica e a filosofia são ótimas para treinar nossa concentração e também para testar nosso raciocínio de leitor, mas confesso que tenho muita curiosidade sobre seus textos mais misteriosos e tudo que ele consegue fazer quando mergulha nos pré-socráticos. (Os textos dele, Nietzsche e Hegel e outros sobre os pré-socráticos naquele volume da coleção Os Pensadores são muito recomendáveis.) Em biblioteca de um mestre nosso - a quem devo bem mais do que posso pagar em uma citação - olhei os fac-similes dos manuscritos dele - hoje você pode ler isto por aqui, só que texto é em alemão é claro - e aquilo me deixava espantado também. Imagina o cara dar um passeio na floresta negra pela manhã, voltar para casa sentar e escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no dia seguinte refazer tudo e revisar tudo e manuscrito até a madrugada. A gente pode imaginar, e eu creio que todo dr. ou dra. o faz. Olhar para obra inteira de um cara destes numa panorâmica e perceber as ligações entre todos os textos, as chegadas de idéias novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as tais influências e as revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos, passados alguns anos voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se houvéssemos esquecido algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para mim o segundo Heidegger parece tentar romper com tudo isto. Eu mesmo confesso estar mais interessado em literatura ultimamente, por um impulso que me parece semelhante. E que não é bem uma fuga, mas talvez uma contra fuga. Estar mais ocupado com os problemas da vida e suas diversas versões, suas ficções e narrativas e não tanto em busca de uma teoria de totalidade que responda às velhas questões de forma basilar ou conceitualmente explêndida. Me parece que buscamos conceitos de forma diferente quando damos estes passos. Hoje disse que quando não possuímos conceitos, não podemos ensinar nada e que então precisamos construir conceitos ou buscar conceitos prontos em alguém, mas eu creio que as vezes um conceito inacabado e incompleto é muitas vezes mais interessante. ( Sei e lembro do probleminha dos juízos sintéticos a priori aqui.) Minha tergiversação aqui, por exemplo, está ligada a questão mais fundamental de porque lemos estes caras ou estas abordagens deles? Porque é um jogo de soma zero mesmo e é por isto mesmo, assim me parece, que nós apostamos alto e o valor da aposta é justamente o nosso problema. Todo mundo sabe que jogadores perdem muito dinheiro, assim como filósofos perdem muito tempo até encontrarem um prêmio que poderá adiante ser impugnado, refutado ou superado. Assim, a nossa força é muito dispendida na abertura de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos escolher sempre a pedra mais dura para cortar, cavar e carregar. Eu diria, para lembrar minha tia que me fez pensar por meses nesta questão: nós não procuramos o caminho mais curto entre um ponto e outro não. E até mesmo os mais disciplinados escondem grandes e tortuosas perdas de tempo. A clareza aparece nas exibições, mas a fabricação ou construção de conceitos deve ser muito pior do que fabricar linguiças. Bismarck, por exemplo, é um inocente neste ramo de atuação. O fardo mais pesado é o nosso escolhido, mas é justamente isto que acaba por nos definir na filosofia e não em outras especialidades tão pesadas também, mas cujo tereno e lavras parecem estar em boa ordem, ainda que não existam só certezas nestas outras ocupações. Eu reeditei o texto e tentei corrigir algo de suas imperfeições porque quando escrevi a primeira versão estava sonolento, por exemplo, e deixei fora certos detalhes do meu pensamento sobre Heidegger, a filosofia e nossos desencaminhamentos que me parece importante também. Se alguém ler isto aqui - este arrazoado posto assim nesta desordem toda - e gostar, recomendo que fuja da filosofia e não perca tempo com ela e vá ler algum livro de poesia ou decorar as obras completas dos Beatles em versões inglesas, francesas e portuguesas, que perderá menos tempo do que tentando colocar as suas ideias em ordem, ou entender a ordem das minhas. Um abraço...

Em um comentário inoportuno talvez, ao meu colega querido Renato Duarte Fonseca que comenta a dificuldade e obscuridade nas leituras das escrituras de Heidegger.

HEIDEGGER O OBSCURO - VERSÃO 1

Filosofar é sempre um jogo ruim. Ou você se desgraça na entrada ou no final. Você sempre perde alguns coisa é muda em alguns coisa. A obscuridade de Heidegger me parece até perdoada, mas o resto não. Porém ele é deverás surpreendente é impressionante para mim quando chego a compreender algumas de suas idéias, suas leituras dos clássicos e também aquela prosa miudinha dele que vai cerzindo e costurando o texto quase milimetricamente e muito minuciosamente e algo que muitas vezes nos tira a paciência. Mas ele não dá pulos, porém de vez em quando nos chuta para dentro de um abismo. A fase poética eu não leio não. Até a crítica da técnica eu acompanho, mas confesso que tenho muita curiosidade sobre seus textos mais misteriosos e quando ele mergulha nos pré-socráticos. Em biblioteca de um mestre nosso olhei fac-similes dos manuscritos dele e aquilo me deixava espantado também. Imagina o cara dar um passeio na floresta negra pela manhã, voltar para casa sentar e escrever ou reescrever 100 páginas em um dia. É no dia seguinte refazer tudo e revisar tudo e manuscrito até a madrugada. A gente pode imaginar, e eu creio que todo dr. Ou dra. O faz. Olhar para obra inteira de um cara destes é perceber as ligações entre todos os textos, as chegadas de idéias novas, as idas e vindas de velhos problemas e também as tais influências e as revisões de questões que eles perseguem. Nós mesmos, passados alguns anos voltamos e devemos voltar sobre muitas coisas, como se houvessemos esquecido algo, lido muito rapidamente ou passado por cima. Para mim o segundo Heidegger parece tentar romper com tudo isto. Eu mesmo confesso estar mais interessado em literatura ultimamente por um impulso que me parece semelhante. Estar mais ocupado com os problemas da vida e suas diversas versões, suas ficções e narrativas e não tanto em busca de uma teoria que responda as velhas questões. Me parece que buscamos conceitos de forma diferente quando damos estes passos. Minha tergiversação aqui, por exemplo, está ligada a questão mais fundamental de porque lemos estes caras ou estas abordagens deles? Porque é um jogo de soma zero mesmo e é por isto mesmo, assim me parece, que apostamos alto e o valor da aposta é justamente o nosso problema. Assim, a força é dispendida na abertura de uma grande dificuldade pedreira acima e adentro. Mas nós parecemos escolher a pedra maus dura para cortar, cavar e carregar. O fardo mais pesado, mas é justamente isto que acaba por nos definir na filosofia e não em outras especialidades tão pesadas também, mas cujo tereno e lavras parecem estar em boa ordem, ainda que não existam só certezas nestas outras ocupações.

NA SEMANA PASSADA TEMER NO AEROPORTO DE CHAPECÓ

Fiquei surpreso com o esforço quase heróico de certa fração da imprensa, em rádios, jornais e tevês, na tentativa de defender, atenuar ou explicar a presença de Temer no aeroporto de Chapecó. Isso mostra que falta grandeza e sensibilidade não somente para o presidente, mas também para os seus acólitos e apoiadores de viés. É o triste destino de um país que sofreu um golpe de um grupo de Usurpadores e Corruptos e daqueles que os defendem com uma moral seletiva e que só vale para seus adversários ideológicos e de concepção de sociedade. Vejo a corda esticando e só posso aguardar as conseqüências. Tudo passa e eles passarão também.

MUDANÇA BRASIL, CRISE E SUPERAÇÃO – 05/12/16

Vejo que o Brasil sempre fez mudanças moderadas e pacíficas, apesar de algumas iniciativas revolucionárias e se não estou equivocado estas transformações podem ser caracterizadas como feitas à frio e através de gabinetes ou arranjos de lideranças. Isso não pode se chamar de uma lógica e nem ser preditivo, mas indica uma espécie de padrão de conduta na sociedade brasileira. Lideranças tomam a frente do processo e apresentam soluções para a sociedade que se reorienta a partir disto. A crise hoje se conformou por um arranjo que traiu uma importante fração da sociedade civil organizada, mas logo voltará a um equilíbrio por necessidade de superar os atos de violência necessários para manter o poder por segmento sem representatividade ou que não equaciona a sociedade. As vozes das ruas cantam em diferentes direções o que por si só já deveria indicar mais prudência aos governantes. O que vai ocorrer é um reequilíbrio e considerando a grave situação dos que detém o poder hoje isso será feito através de um pacto de continuidade e a chamada de novas eleições parece ser a única solução para divisar isto e impedir a tal convulsão ou revolta que já está se manifestando em ocupações e caminhadas e protestos em todas as partes do país. O projeto TEMER, PMDB/PSDB/DEM/PP naufragou e antes que o navio afunde é bom trocar de timoneiro e reorganizar a vida. Não é nada difícil reconhecer isto mais.

SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA – 07/12/16

A estupidez se consagra com a reforma da previdência. Vão conseguir aumentar a informalidade, extinguir o estatuto de seguridade social, falir com a previdência pública porque vai aumentar a sonegação e baixar o custo da mão de obra no Brasil. Quem vai se dar mal e o trabalhador e o estado que vai aumentar o custo saúde e ver a arrecadação previdenciária minguar. É um golpe que ameaça as aposentadorias de todos que já contribuíram e que ameaça aqueles que iniciam contribuindo. É o mesmo tipo de barbeiragens cometida já em diversos países do mundo e o resultado é muito ruim.