sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SOBRE NOSSOS PAIS


Somos todos nós filhos de homens diferentes. Nós os "jovens" nascidos entre 1940 e 1980. Nesta transição demográfica do meio rural para o urbano, de um pais agrícola para o industrial. Somos filhos de homens que viveram mudanças violentas, costumes modernos confrontados diretamente com tradições antigas. Valores e formação bem distintas de nós. Não creio que tenha sido fácil para eles. Toda vez que meu falecido pai me contava sua história e suas aventuras ou narrava suas passagens eu ficava pensando em como é que ele conseguiu se adaptar a este mundo. Na verdade não se adaptou, passou a vida inteira como um chucro bem domado por si mesmo, um indivíduo que saiu de um mundo vasto, de uma natureza impressionantemente bela para uma cidade dos homens de aluguel e de prestação, para uma cidade de empregados, explorados e expertos e foi acalmado por sua auto-proteção. Se preservou sem ser empregado ou subalterno de ninguém e viveu assim com razoável independência do sistema ou do esquema e com uma auto-determinação. Não creio que com teu pai tenha sido muito diferente pelo que te conheço, então para estes homens qualquer estrutura é um jugo, uma canga e, com certeza, nenhuma mulher do mundo por mais maravilhosa ou poderosa que fosse conseguiria prender estes homens desconfiados da modernidade e de atrativos muito fortes. Não temos que julgar eles, apenas compreender eles, se você olhar mais de perto verá que todos eles queriam voltar a ser índios e viver ao calor do fogo e em meio à natureza, entre um gole de trago, um café amargo, algum chimarrão, uma carne assada em qualquer lugar, algumas ervas e muito amor e música. Realmente, temos que convir que este mundo e esta sociedade que nos arredonda não é mesmo para eles. E nós seus filhos talvez sejamos aqueles que tentam adaptar estas coisas e as outras em nossas vidas. Tenha certeza que não foi fácil para eles. Alguns deles não conseguiram ser pais, pelo menos não para os padrões modelares e convencionados de sua época muito incompreendida. Eu não tenho pena deles, nem de suas mulheres e nem de nós seus filhos. Sobre as mulheres deveríamos abrir um capítulo inteiro à parte. Nada a lamentar. Foi assim e jamais será assim de novo, pois a ponte do tempo e do mundo que eles cruzaram não existe mais. Feliz natal para aquela que é uma boa época para lembrar do pai. Em especial de cada José deste mundo que no fundo todos nós somos, se filhos tivermos. Somos pais de seres que não são nossos e filhos de homens que não nos tem. Um grande abraço amigo a todos!

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