quarta-feira, 18 de novembro de 2015

QUEM ESTÁ FALANDO SOBRE EDUCAÇÃO?


Em Janeiro de 2011, ao tomar posse a Presidenta Dilma Rousseff expressou em seu discurso um compromisso em ouvir os educadores. De lá para cá as coisas não tem melhorado neste sentido não. Penso que ao saber que precisamos ouvir mais os professores que estão em sala de aula não estamos dizendo que não podemos ouvir os demais cidadãos e sujeitos sociais. Agora creio que precisamos retomar este debate e melhorar em muito o nível e a qualidade desta consideração.



Precisamos abandonar de vez este impulso de buscar soluções para a educação em grandes intelectuais que estão fora das escolas fundamentais e secundárias. Não se trata de negligenciar suas opiniões, posições e convicções, nem de desprezar novas abordagens e propostas, muito menos de proibir alguém de dar opinião ou falar sobre educação. Por melhores que sejam as idéias, os teóricos, as leituras e os diagnósticos e propostas, é preciso muita práxis educativa e concreta para construir alternativas dentro das escolas e em diálogos com os educadores.

Penso que este processo de esvaziamento da educação e de afastamento da comunidade e dos pais das escolas se deve também ao esvaziamento do sentido da escola e de sua importância pelo especialista ou palpiteiro externo, mas também pela adoção de um hábito pernicioso e irresponsável e que é carregado de desprezo e desconsideração pela voz dos educadores.

Eu expresso isto não por preconceito com intelectuais, teóricos ou cidadãos, mas é que percebo um processo pesado de aumento da responsabilidade, censura e intervenção tecnicista na educação e um esvaziamento do papel reflexivo e político do sujeito educador. O exemplo é que está cheio de imbecil falando besteira sobre educação, inclusive com mandatos e a última coisa que fazem é perguntar democrática e coletivamente aos educadores o que eles acham, pensam, sabem, consideram melhor e etc.

Nos tratam, em muitos e demasiados casos, como se nossa pauta fosse exclusivamente economicista, como se nós fossemos exclusivamente funcionários desta sociedade em que vivemos e não sujeitos comprometidos e que dão sentido a suas existências participando deste processo social. Esquecem ou não refletiram ainda que se a questão economicista fosse determinante e prioritária de nossa escolha pela profissão com educação, não estaríamos mais trabalhando nisto. E a imprensa tem sido muito hábil e perfeccionista em excluir a voz do educador de suas páginas. Não vemos os professores serem perguntados sobre a escola.

Agora mesmo no RS, em SP e em PR, e também em São Leopoldo, os educadores tem muito a dizer e o que vemos são gestores públicos, secretários de educação e técnicos que sequer botaram um pé em sala de aula na condição de professores do ensino básico. A grande maioria deles são gerentes de contas ou produtos de barganhas políticas conjunturais e eleitorais. Há um sequestro da educação e uma tunga do nosso trabalho e reflexão sobre educação, por sujeitos que mal compreendem nossas condições, ideias e atividades reais.  A educação e os educadores merecem muito mais respeito e muito mais consideração e o fato de termos no Rio Grande do Sul um governador eleito que fez piada sobre o salário dos educadores demonstra que este respeito não deve vir apenas da classe política, que esta conta não é somente uma conta política, mas sim também uma conta social,  porque também nos deve mais respeito a maioria da sociedade.

O que tem de nababo, especialista, consultor, sabidinho e metido falando em educação isto e educação aquilo que não trabalharam um dia com tal atividade e com ares de especialista por ai é um negócio para lá de estúpido. Estão completamente por fora, emitindo opinião e juízo sem saber da missa a metade. E a maioria gera apenas mais confusão sobre o assunto. Um exemplo disto foi a lei de gestão democrática de nosso estado e outro é a proposta de promover censura ou filtro ideológico na escola.   

Curiosamente também conheço milhões de pessoas que vivem dando palpite, mas que já recusaram a educação básica como opção de trabalho. Assim, baseiam suas opiniões em grande parte em suas frustrações próprias e incompreensões próprias do processo educacional, de sua realidade, desafios, objetivos e dos próprios cavacos do ofício. Dai fica fácil falar...Alguém acredita mesmo  que a solução da educação será construída por quem não está comprometido com ela? Ou por quem frente ao primeiro insucesso, ou boato ou desafio, opta por correr da atividade e não encarar e superar suas mazelas? Por quem está de passagem ou circunstancialmente envolvido com a educação? Ora, já faz muito tempo que todos sabemos e que nos ensinaram que não é razoável perguntar ao inexperiente como tornar a experiência melhor. A voz da experiência não pode ser negligenciada e aqueles que são comprometidos com a educação devem ser mais considerados e ouvidos.

Para terminar e contemplar aqueles que já devem estar refletindo sobre as implicações do que digo, vou enunciar algo que é para mim radicalmente fundamental no tema da educação: se queremos uma sociedade realmente democrática, e se reconhecemos que para tal precisamos de uma educação democrática, então todo projeto educacional deve passar sim pelo crivo, discussão, debate, apreciação e reflexão dos educadores e ser bem adequado a uma “vontade geral dos educadores” senão será sempre um projeto passageiro, transitório e episódico que não irá contribuir para a consolidação de uma educação de qualidade para todos.


Sendo assim, poderemos finalmente superar e consolidar avanços na educação brasileira, gaúcha e leopoldense, sem sofrer tanto com suscetibilidades eleitorais e prioridades alheias e externas à educação e sujeitas ao sabor e flutuação da ignorância, da insensatez ou do capricho coletivo.

domingo, 15 de novembro de 2015

SOBRE LUTAS E ADESÕES - UM DOMINGO PARA PENSAR

SOBRE LUTAS E ADESÕES - UM DOMINGO PARA PENSAR

Coloquei a bandeira da França em minha foto de perfil depois dos atentados de Paris. isso não quer dizer em hipótese alguma que não me dói o que ocorreu em Minas Gerais com o Rio Doce e o povo de lá, com mortes e a tragédia ambiental ou que não esteja terrivelmente aborrecido com a violência e a insegurança de minha cidade. Porém, creio que enfrentamos de fato uma crise global e que nossa solidariedade precisa ser exercida. Me sinto chamado para toda luta sempre e luto sempre. Meu perfil expressa isto claramente, então....

E vi muitos amigos colocando outras cores em seus perfis. Perfis de lama, das cores de Minas Gerais, outros continuam Guaranis Kaiowas e etc. Mas também vi um patrulhamento em relação a isso: acusando esta solidariedade de seletiva. Bem, poderia ser uma solidariedade global e sou daqueles que gostaria de ter uma única bandeira para toda a humanidade, mas não há, assim como não há uma única luta que seja melhor ou mais importante que outras o que há são as urgências e emergências, as lutas continuas e quase permanentes.  

Algumas pessoas parecem ficar em repouso por dias, semanas, meses e anos e de repente saem das catacumbas para cobrar dos outros que militam aqui e na vida real o tempo todo, posições ou adesões certas. É a patrulha despertada e logo ali na frente volta a dormir de novo. E eu posso e qualquer um pode lutar pelo que quiser e creio que é uma perda de tempo ficar definindo que luta com mais justiça ou engajamento que outros. E, além disso, estão a ficar construindo rivalidades a partir de coerências verbais ou retóricas e não práticas e concretas.

Este processo de patrulhamento é mais um aspecto do ódio em suas diversas formas de expressão...O mecanismo é mais ou menos assim: precisa se encontrar um motivo para não aceitar o outro, para recusar acordo e paz. Precisa se marcar e demarcar a diferença e corrigir ao outro. Estes são aqueles que preferem ter razão do que construir a paz. E tem em seu espírito racional e reflexivo, crítico e exigente uma grande disposição a vencer o outro em todos os quesitos possíveis e ser melhor que o outro em qualquer caso ou situação. Isto é para mim uma típica competição pequeno burguesa...(quem tem o melhor emprego, quem tem a melhor casa, quem tem o corpo mais bonito, o melhor carro, a causa mais nobre e as ideias mais brilhantes...é vaidade de burguês e falta de contato com a vida real e pedestre.) Na esquerda isso é querer ser mais marxista, leninista, bolchevique, trosko ou revolucionário, radical ou crítico que todo outro...é aquela ambição vaidosa e grandiloquente que estufa o peito e faz discurso de pureza. De uma pureza ainda não testada ou que ainda não foi submetida ao juízo de outros. Para mim nenhum ser humano merece violência...

Tenho muito orgulho de meus amigos que se posicionam e que lutam. E a maioria deles faz exatamente isto: tem alguma causa e adere a outras causas que julgar necessárias ou dignas de apoio. E para mim qualquer luta vale, porque não conseguimos mesmo lutar em todas as frentes. Por exemplo, não fiz nenhuma postagem sobre O MENINO MORTO NA PRAIA, e isso não quer dizer que não fiquei extremamente furioso e indignado com a forma como os refugiados foram tratados em toda Europa, dos chutes da jornalista até o incêndio no abrigo de Calais ontem onde morreram queimados 100 refugiados de diversas nacionalidades. Não fiz nenhuma postagem sobre O CRIME DE MARIANA, onde uma represa de resíduos de extração de minério extravasou inundando cidades e tornando o Rio Doce um rio de lama poluindo de Minas Gerais ao Espírito Santo, mas isso não quer dizer que não me indigno com aquilo lá. Não considero um acidente e compartilhei uma coisa ou outra sobre aquilo. Não negligencio também ou, pelo menos, não desconsidero como pertinente a questão da Privatização da Vale do Rio Doce por FHC como relacionada à definição de propósito da empresa e ao seu desleixo e descuido com o meio ambiente e a tragédia na vida de todas aquelas pessoas atingidas, os mortos, feridos, casas perdidas, bens e vidas prejudicadas. Também não postei nada sobre a Crise na Siria e o ISIS. Tenho razoável dificuldade não para ir contra as guerras, mas para saber o que está por traz daquilo tudo lá. Não apoio nem guerra e nem massacres, nem destruição de monumentos históricos e meu silêncio não se deve por indiferença também. Tem muita gente responsável se posicionando e enfrentando estes e outros temas, me sinto feliz ao ver isto, curtir e quando sinto segurança ou tive tempo de ler sobre o tema compartilho com firmeza.

Compartilhei uma trollagem sobre o tal de Bolsonaro, porque já ando pelas trampas com seu facismo disfarçado de moralismo e seus seguidores que simplesmente ignoram a história e não tem a menor noção do perigo que ele representa não para mim, mas para eles mesmos. Os ALUNOS QUE OCUPAM ESCOLAS EM SÃO PAULO, os JOVENS QUE LUTAM CONTRA AS TORRES EM RECIFE, meus amigos e amigas que combatem o PROJETO DO CAIS DO PORTO DE PORTO ALEGRE e diversas outras lutas tem meu apoio também. Mas eu também tenho minhas lutas aqui bem no meu nariz, na escola onde leciono e na cidade onde vivo, aqui no estado onde vivo e no nosso pais. E ainda tenho meus problemas pessoais e familiares e tenho conseguido compatibilizar tudo isso e me sinto feliz. Fui capaz de militar no último período no CPERS bem mais do que muitos que ficam patrulhando a combatividade, as posições e a coerência dos outros ou tentando ensinar o que não sabem. Em minha cidade lutei neste período todo em defesa da cultura, do patrimônio histórico. No meu partido propus um ciclo de formação política que teve só um evento de todos os dez propostos, mas não tem problema, porque eu sei que a melhor formação é a luta. Acompanhei com muito orgulho o mandato do Renato Janine Ribeiro Janine Ribeiro no MEC, e sei que a luta continua com ele onde ele estiver. Apoiei de primeira o Richarde Mickael Bartikoski desde o seu primeiro passo na rua. Então não creio que a questão seja patrulhar adesões ou provar quem faz mais ou menos.


Tenho orgulho dos meus amigos e amigas. Noto também que são todos eles envolvidos no cotidiano e no chão da rua, da Escola e da vida nesta luta. Nenhum deles é um teórico, discursivo ou palpiteiro, todos tem trabalho e militância mais com as pessoas do que com gabinetes e escritórios. Em especial nós que somos professores e que temos que dar ser o exemplo de solidariedade e de cuidado com o outro indiferentemente de ideologia, credo religioso, posses ou qualquer atributo. Lutamos pela humanidade e quem faz isto não faz exclusão, nem e discricionário, seletivo ou parcial. Não gostamos de nenhum tipo de tragédia, guerra e temos posição radical contra toda forma de guerra, violência e ódio. Se você expressa isto nesta ou em outra questão cotidianamente não tem modinha. Tudo é luta e que todos lutem e sejam apoiados nesta luta! Não gosto de tragédias de nenhum tipo...e precisamos reagir e nos solidarizar sim.

domingo, 8 de novembro de 2015

QUEM SE IMPORTA?

Quem se importa realmente com alguma coisa? Quem se importa realmente com a tua existência ou inexistência? Quem se importa com a tua vida, a tua liberdade, menoridade, inocência, decência ou essência? Quem se importa se você tem que chega para viver? Se você tem ou não oportunidade? Quem se importa realmente com a ordem do mundo? Quem se importa com justiça? Quem se importa com a verdade? Quem se importa realmente com o destino da humanidade? Quem se importa realmente com a vida do próximo? Quem se importa realmente com o amor? Muito poucos, sim, meu caro, muito poucos...a maioria vem com um discurso que é pura balela, uma retórica vazia sobre a culpa, como os outros deveriam ser e com pouco caso sobre tudo o mais. Há o pouco caso, inclusive, sobre si mesmo. Enquanto puderem viver ensimesmados e satisfeitos, NO PROBLEM! A imortalidade é o único modo de vencer a morte e isso só é possível, se você suportar esta condição e fizer algo apesar disso tudo...a parte mais importante do existencialismo não é o mero existir, mas ultrapassar isso de alguma forma...nada é mais humano do que isso....nada é mais humano do que superar tudo isso...

A ANÁLISE TÉCNICA DA ECONOMIA DO GIANETTI ESBARRA NA RACIONALIDADE POLÍTICA - INÉDITO DE 2014


Com todo respeito à diferença de opinião. O problema da credibilidade do Brasil não é a Dilma. Não é a credibilidade de um presidente que afasta investimentos. Presidentes piores que ela e menos honestos que ela foram incensados por investidores. A banca joga no risco. Nós temos problemas de credibilidade sim no Brasil em relação à diversas instituições. A começar pela Imprensa, passa-se ao Judiciário, passa-se ao Legislativo e mesmo a ciência brasileira - em diversas áreas - que não é um sujeito unitário, mas sim uma grande federação de especializações e doutrinas, que não é um sistema articulado, mas que é tão fragmentado quanto alguns partidos políticos tem também problema de credibilidade. Não deve ser considerado um problema ordinário o que ocorre hoje no congresso nacional, por exemplo, em relação à reforma política e ao ajuste fiscal.

E nós não vamos aumentar nossa credibilidade fazendo sacrifícios mensais, trimestrais, semestrais, anuais ou decenais de uma vaquinha ali e outra aqui. Ao contrário, é preciso corrigir muitas condutas, começar a vetar certos pleitos corporativos e também fazer a sociedade e o empresariado nacional assumirem a responsabilidade por este país efetivamente. Sobre o Congresso e sua gestão política resta perguntar que gestão política é esta que é pedida? Esta é a boa? Convenhamos...por fim, deveria dizer com muito carinho que a oposição precisa dizer quando alega que a política precisa mudar qual  é a sua proposta  de política econômica. Não é com a alegada moralidade do PSDB que vai se promover um efetivo combate a corrupção. Convenhamos que quem bate records nisto de corrupção não apurada, não noticiada e abafada, pouco pode oferecer aqui. Os reis da impunidade deveriam descer dos seus pedestais tirar a fantasia de vestais e começarem a limpar seus próprios erros.

É a BOLHA ESPECULATIVA, que foi gerada a partir da crise do petróleo. Os bancos funcionam como salvaguardas ao risco, porém, também tem suas políticas de risco que são negligenciadas pela maior parte dos investidores. Aqui, os bancos acabaram virando garantidores e achacadores dos estados e é assim que as dívidas públicas são trocadas  e exploradas. A Grécia é vítima disto. E o Brasil lida com este processo que envolve a submissão da soberania nacional a interesses financeiros e rentistas. Aqui voltamos ao tema da autonomia do banco central. Na interpretação de alguns Joaquim Levi está ali como fiador da banca, porém ele me parece mais um fiador da política para a banca. O Brasil não merece sofrer o que está sofrendo que é um ataque especulativo atrás do outro reforçado pela oposição que no país tem atuado a qualquer preço contra os interesses nacionais. Isso a parece em relação à Petrobras e mesmo contra as demais empresas nacionais.

E a credibilidade não aumenta um milimetro com instabilidade política e com um governo golpista. Itamar Franco poderia ter todos os defeitos, mas não foi golpista e mesmo assim a credibilidade brasileira não retornou com ele. Temer merece mais respeito, porém não podemos dizer que terá mais credibilidade que a Dilma com o congresso no seu atual estado de coisas. Não se resolve acrise com mais crise ou com o caos. O Gianetti pode viajar para NY se as coisas piorarem aqui. E outros podem ir para Miami por uns tempos. Eu e meus concidadãos não.

Agradeço também, porque è a primeira vez que comento uma postagem de alguém do PSDB e que aceita o bom debate de ideias. Penso, que o Gianetti merece respeito sim, gosto da obra mais filosófica dele, mas a história tem mostrado que muitos intelectuais muito bons embarcam em erros de natureza política com razoável facilidade. Então, eu te diria que gosto de seguir uma regra que aprendi nos idos de 1991, vá com calma, alegro ma non troppo, porque os lobos nunca estão só de um lado do bosque. E ninguém deveria ser mais prudente em juízos políticos do que os intelectuais. Ser sério deveria nos afastar de medidas drásticas e absolutas, Não existe mágica neste terreno a história não é um processo que se faz no subjetivo.E sabemos que podemos estar errados e sob este acordo podemos dialogar sem extremismos, nem excessivas paixões cognitivas ou morais.

Nesse sentido a estabilidade democrática e institucional é o suporte mais importante para a mudança que todos nós queremos.

Nós temos discordância quanto as causas do mal. Eu tenho confiança nela e não é uma confiança acrítica ou ingênua. As instituições precisam trabalhar mais e melhor. E quanto à profecia eu creio que o aperto passa até as eleições municipais. Mas isto é uma crença e tem tanto valor cognitivo quanto o seu contrário. Quanto ao Congresso espero que seja corrigido, mas sei que é um processo. O radicalismo de direita, anti-político e o desespero de alguns insuflados por um excessivo terrorismo midiático fez isto que está ali. Se tivermos acordo de que o resultado dos que cevaram na direção contrária ao governo foi pior do que o problema do governo já é um grande passo. E podes crer que é pior...


http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,analise-cenario-provavel-para-o-brasil-e-de-quatro-anos-em-recessao,1727269

ME FALTA JUÍZO?

A presunção que alguns tem de que os que escrevem ou pensam ou que expressam um pouco mais detidamente suas posições, não tem juízo ou responsabilidade é para mim somente uma demonstração a mais de o quanto as pessoas não querem vencer as primeiras páginas dos livros, as primeiras camadas dos fatos e as meras aparências. Devo ser respeitoso sim, devo ser moderado sim, contudo, mas isso não me impõe aceitar toda negação fácil como refutação ou toda acusação como verdadeira. Seria muito bom que fossemos todos verdadeiros, sábios, justos e honestos, mas às vezes parece que só os outros precisam pensar e ser honestos e que para alguns resta apenas concordar ou não...

A PALMATÓRIA DE THOREAU

De uma publicação da amiga, professora e tradutora Denise Bottmann:

“Dia dos professores: Thoreau, depois de se formar em Harvard, foi dar aulas numa escola em Concord. O problema era que ele não gostava de palmatória e se recusava a usar. O diretor, por sua vez, não gostou da insubordinação de seu recente contratado, entrou na sala, chamou Thoreau, deu uma bronca nele por fomentar a indisciplina em sala de aula e mandou que passasse a usar a palmatória. Thoreau ficou louco da vida, entrou na sala, chamou uns alunos aleatoriamente, aplicou uma valente palmatoriada em cada um deles, virou as costas, foi embora e nunca mais voltou.”


Esta é a primeira e última palmatória. Para Thoreau e para mim. E imagino como a educação sobreviveu a isso e ou o quanto é prisioneira disto ainda. Talvez exista uma palmatória invisível e mais incompreensível que a primeira.

A ESPERANÇA EM SÃO LEOPOLDO

E há também aqueles que são a esperança de muitos de se colocar a casa em ordem, pacificar conflitos absurdos, reparar danos administrativos e fazer São Leopoldo voltar a ter projeto e programas para ficar melhor. Nada na história desta cidade se compara ao terrível resultado das aventuras daqueles que venceram as eleições em 2012 e dos que se associaram a eles simplesmente para possuir o poder e usufruir de algum privilégio, ganhar um soldo polpudo e inflar suas vaidades.

IMIGRANTES, REFUGIADOS, FRONTEIRAS E SERES HUMANOS

Sou filho e descendente de imigrantes. Meu pai - que me dá meu sobrenome Boeira - é provavelmente descendente masculino direto de um dos três irmãos de uma leva de açorianos cuja caravela ou nave naufragou por volta de 1760 ou 1780 - sem precisão aqui - na costa de Torres. Muitos deles sobreviveram, não tenho notícia quantos, não tenho notícias quantas crianças, nem confirmação de todos os dados, mas sei que eram três irmãos e que um destes inclusive acabou optando por migrar para o nordeste brasileiro numa leva de tropeiros indo parar no extremo norte deste pais - meu relato aqui soma informações diversas que minha memória familiar e histórica reúne. Alguns deles se espalharam pela costa gaúcha de Santo Antônio da Patrulha até Laguna. Outros subiram a serra e acabaram se instalando nos campos de cima da serra em especial em Vacaria dos Pinhais e em outras cidades da serra gaúcha a catarinense. E  Minha mãe é imigrante também...então... a busca de uma vida melhor deve ser muito mais respeitada e defendida por todos. 

PARA UM AMIGO QUE QUER SE AFASTAR DO FACEBOOK

Entendo teu vício. Entendo tua necessidade e exigência de se concentrar mais no trabalho e na vida, no mundo real e concreto. Vou sentir tua falta por aqui. Meus alunos também porque muitas vezes tuas postagens - como de outros amigos, ex-colegas e colegas - acabam virando assunto deles em sala de aula. E eu gosto disso também, porque sempre amplia os debates. Mas paciência...Descobri algo interessante sobre nós todos, o fato que temos vício de leitura e de escrever. E tudo é e está relacionado a um impulso comum nosso a interpretar. compreender e explicar o mundo. E fazemos isso tentando alterá-lo também. Tentando criar uma nova ordem sentimental, moral, cultural e política dos fatos. Temos certa compulsão a responder ao mundo, compulsão a exteriorizar opinião e compartilhar posições e conhecimentos. Nos alegramos a cada diferença e detalhe descobertos e expressamos isso. Já chamamos isso de deslumbramento um dia, mas é também a tensão de nossos laços culturais e intelectuais que sustenta tal coisa. Um abraço.

O PT E A CORRUPÇÃO

Tanto o tema da corrupção, quanto a questão de sua história merece uma visão bem mais apurada. Não dá mesmo para aceitar a crítica generalizante e bem interessada contra o PT basicamente porque ela é seletiva e trata do problema como se os "opositores" tivessem conduta melhor o que não é o caso em nenhum caso. Àqueles que ainda não estiveram no poder resta só dizer que terão talvez um dia para provar sua capacidade em relação a isso. Mas até lá muita corrupção que viveu sob o tapete, foi engavetada ou aliviada virá à tona. Ninguém me convence de que a oposição à Dilma está de fato comprometida com o fim da corrupção. Tanto o petrolão, como o mensalão e a lava jato mostram o contrário disto. Será tão difícil perceber isto?

UM PETRALHA DE BAIXO CALÃO

Sou professor estadual no RS. De uma categoria de trabalhadores que sofre mais uma vez a tunga do PMDB, com salários atrasados e terrorismo continuo, moro numa cidade governada pelo PSDB que não paga salários em dia e promove violência sistemática contra trabalhadores e servidores, sou formado em Universidade Pública e nunca precisei ofender ninguém para argumentar melhor. Mas, por fim, tenho alergia à mortadela e, também, não gosto de salame. E trabalho uma vida inteira.

SUPERANDO DIFICULDADES NOS ESTUDOS

A melhor sensação possível é superar uma dificuldade, um impedimento ou uma ilusão e conseguir avançar livremente e com segurança. Quando estudamos algo difícil há - me parece - um momento de desafogo e, então, conseguimos prosseguir, sem aquele bloqueio e aquela dificuldade inicial. E mesmo que muitos outros obstáculos se ergam - e com certeza eles vão aparecendo no caminho e na leitura - a gente tem aquela sensação de leveza e tranquilidade e dai se passa a, com um cuidado redobrado conquistado pela superação da dificuldade inicial, ver tudo sob outros olhos. Me sinto como uma espécie de general que conquistou um bom ponto de observação e de organização, localização e logística para os seus próximos esforços. Podemos abandoná-lo ali adiante - no tempo – mas é a primeira base e algo que nos dá uma relativa segurança - que é melhor que nenhuma - para continuar. Respiro aliviado e meu cérebro parece star arejado e satisfeito ate a próxima fortaleza e obstáculo pela frente. Agora podemos seguir mais um pouco e temos a certeza de que estamos no caminho certo. A questão fundamental nunca é chegar logo aqui, mas chegar bem aqui e poder desfrutar por alguns instantes deste benefício e perspectiva. Amanhã é somente mais outro dia...

sábado, 7 de novembro de 2015

TOTALITARISMO E PERVERSIDADE MORAL

O assassinato de um Grande Poeta como Pablo Neruda ( que passa a partir edsta semana a ser confirmado pelo Chile), ou de um Garcia Lorca (na guerra civil espanhola), de uma grande Músico como Victor Jara (que teve covardemente suas mãos amputadas no Estádio Nacional de Chile em 1973) ou de um cidadão qualquer não tem absolutamente nenhuma justificativa. Nenhuma ideia, projeto de sociedade, conceito de justiça, caráter ou situação pode justificar isto. Quando se descobrem estas coisas sobre as ditaduras e os regimes de exceção e algumas vezes nem tão exceção assim, nos damos conta de quanto nossa humanidade é ameaçada por ideias totalitárias, regimes autoritários e as tais soluções absolutas ou finais para aquilo que não é um problema mas apenas a resistência moral e humana a toda e qualquer forma de perversão. Quem defende um Bolsonaro e outros tipos de jaez autoritária não percebe que ao fim e ao cabo defende isto, algumas vezes por ignorância voluntária (não quer saber ou não fez nenhum esforço para saber), outras vezes por certa ilusão de que haverá alguém com atributos extraordinários que nos livrará de todo mal por um ato de força ou extrema determinação. Hitler e muitos outros facistas conquistaram o poder. E em outros casos por certa psicopatia ou sociopatia que é indiferente ao sofrimento do próximo e que pensa apenas em sua própria satisfação subjetiva e conforto pessoal. Para mudar este mundo é preciso trabalhar, mas também é preciso muita arte e muita cultura, muita educação e muita liberdade de crítica, muita democracia e muita participação e um respeito às diferenças que não seja leniente ou conivente com aqueles que querem exterminar os diferentes e ter poder absoluto para tal finalidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

EXORCISMO DO ERRO

Pensando numa certa versão de um tal processo de exorcismo do erro. Tem, pelo menos aos meus olhos, toda uma tradição que tira isso de letra simplesmente olhando para as coisas e aceitando que o erro não está nelas. E parece mesmo razoável chamar isto de um "exorcismo" pois trata se de um método bem simples que para uma parcela razoável das pessoas desenfeitiçou as ideias que elas tinham ou julgavam ter do mundo. Mas, eu, o que sei disto?


Grato mais uma vez ao Bento Prado Jr.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

NIETZSCHE E SCHOPENHAUER

NIETZSCHE E SCHOPENHAUER

Além da obrigação e do cuidado de não se citar Nietzsche fora de contexto é preciso prestar atenção também ao seu humor e radical indisposição com a humanidade e as relações sociais. Vejo que tem algo do seu ânimo e do seu espirito e modo de ser que não é recomendável aqueles que querem viver de forma satisfatória em sociedade.  Então temos dois problemas ai: o primeiro da coerência da sua obra e o segundo do seu humor excessivamente pessimista.

Alguns autores facilitam muito a nossa vida de compreender e interpretar o que pensam, construindo obras com muita coerência e unidade e ainda prestam a nos tornar mais livres e animados a viver esta vida que podemos ter neste mundo. Autores como Kant e Descartes, por exemplo, apresentam tal unidade de pensamento que facilitam muito a nossa vida. Já outros dizem algo aqui e outro ali. Mudam de posição ou simplesmente passam boa parte do tempo amaldiçoando nossa miserável vida. O mundo é sim um vale de lágrimas, mas este aspecto terrível que já nos traz dor que chega não precisa ser diluviano.  São autores que tratam de certa forma de questões vistas de perspectivas diferentes num tempo e em outro de suas trajetórias. Isto não é um defeito, pois podem estar apenas evoluindo de um tipo de abordagem para outra. Ou como se poderia dizer em uma investigação científica progredindo de uma abordagem e método para outro.

Mas é claro que citar o contexto de onde se tira uma citação de suas obras de forma adequada e precisa é importante porque o uso mais rigoroso de qualquer autor deve ser sempre incentivado em respeito a importância de sua obra e ideias e algo que sempre ajuda na interpretação ao se ter uma leitura contextualizada. Porém, eu poderia dar exemplos aqui de expressões e citações que são usadas de forma incorreta e com objetivos escusos, sem respeitar o espírito do autor.

Ele Nietzsche é muito bom e genial porque literalmente ataca os problemas sobre os quais reflete com muita radicalidade e coragem. A filosofia feita a martelos dele não é uma força de expressão, é real, pois ele de fato massacra com muita precisão os argumentos que encara, de forma impiedosa e sem concessões à tradições de todo tipo. Nada para ele é sagrado, nenhum ídolo se impõe em sua investigação. Porém, isso leva para uma postura de tal desprendimento que acabar podendo incidir sobre as relações objetivas dos leitores desavisados. Assim poderá parecer que ele é o orientador da maior libertação da tua vida,  mas há um problema semelhante a este mesmo de deixar a gente perdido num labirinto.

Este falar do problema, apontar muito bem o problema e a questão que ele apresenta, ainda não é, entretanto, resolver o problema. Eu diria que aqui Nietzcshe parece para mim um filósofo da crise e também da obra inacabada. Pois não há saída e não há futuro após a sua filosofia feita a marteladas.  

Nietzsche é um autor que eu comecei a ler muito cedo, antes dele havia lido Platão e Kant, porém, tinha uma advertência e orientação bem qualificada que me orientava não por preconceito, mas por reconhecer o poder dele nestes e em outros temas, mas a situação de SEM SAÍDA que você aponta no labirinto. Eu adoro ler Nietzsche mas aprendi a ler ele sempre com alguns descontos bem fortes o que é muito bom também porque evita a idolatria e a tal perdição que joga água abaixo a necessidade de pensar por si mesmo e ser capitão de seu próprio navio nesta vida.

Já Schopenhauer comecei a ler agora com prudência redobrada. Mas com muito respeito porque ele não era nada bobo mesmo. Tinha seus excessos em relação a outros pensadores, mas a leitura dele é algo muito bom.

Eu li com 17 anos Nietzsche. Praticamente morando sozinho e andando como aquele cara na carta do tarot à beira do abismo. Eu sabia assim que cada passo para cá e para lá era responsabilidade minha. Mas já que estais a dizer isto, vi hoje a biografia do Nietzsche escrita por Rudiger Safranski num sebo e recomendo. Aliás a biografia de Schopenhauer escrita por ele também é notavelmente bem escrita e eu diria que é inclusive um extraordinária abordagem ao tema em Schopenhauer a tal ponto de ser boa parte da base do Livro de Irvin B. Yalon A Cura de Schopenhauer que tarta desta crise existencial dele. .É muito bem escrita a obra de Niezsche e serve de bom guia para quem como você que chegou até aqui parece dirigido e firme em ler toda obra dele. 

E Kant...bem Kant é algo. Sou aqui como Schopenhauer, tenho a maior admiração por Kant e Platão. Além de outros.



NÃO É SÓ NEM MENOS QUE FILOSOFIA

NÃO É SÓ NEM MENOS QUE FILOSOFIA

Não glorifiques o heroísmo e o auto-sacrifício, não glorifiques o voluntarismo e este impulso infantil para o gesto individual dissociado de uma reflexão coletiva e de um com promisso com a conjuntura e o cenário real da luta, não estimule o sectarismo e o arrivismo.

As pessoas são muito mais importantes vivas e podem mudar muito mais este mundo com suas presença do que se imolando ou se auto-glorificando em sacrifícios vãos.

E eu respeito muito os heróis do nosso tempo, mas não desejo nenhum sacrifício de vidas mais. A luta coletiva depende mesmo da presença e da vontade de cada um de nós em permanecer, resistir, sobreviver e conquistar vitórias que só são possíveis coletivamente.

Ainda vou dizer algo sobre Che Guevara e sobre isto mais longamente. E olha que sou um daqueles professores que mais usa o exemplo dele para apontar para a necessária contestação da lógica burguesa, para a necessária mudança no nosso pensamento, mas também para necessidade de ação coletiva. 

E eu falo aqui em uma necessidade histórica, em um clamor coletivo por mudança da ordem vigente, superação da dominação ideológica e da exploração econômica material e também da emancipação intelectual do homem e da mulher perante o sistema capitalista e os sistemas de crenças que o sustentam.


Bom feriado e boa reflexão...

EDUCAÇÃO, AUTORIDADE E IMPESSOALIDADE: NOTA A SAVATER

Compreender o papel da relação de autoridade sob uma forma mais compartilhada..porque na escola se educa e também se ensina...pode ser a chave para uma educação melhor neste país...e isso só poderá ser feito se abandonarmos os nossos excessos de impessoalidade...uma impessoalidade que funciona como  escudo e que ergue certa indiferença à vida real do aluno e à sua forma de educação familiar...assim como aproximar a comunidade da escola e a vida do aluno da educação também...tenho vivido importantes mudanças a partir do foco no conhecimento dos alunos nos meus processos de educador....aliás eu e meus colegas que tem adotado esta abordagem...no começo é difícil, se age com certa timidez e insegurança porque parecemos ser prisioneiros de uma espécie de mito da impessoalidade e de uma certa ideia que torna nossas vidas pessoais indevassáveis e que devemos protegermos do contato real com os alunos através de uma certa armadura do conhecimento ou da autoridade...mas depois passa e a tua relação se torna a cada dia mais franca, verdadeira e real com os alunos...aparecem contradições de todo tipo, mas se constrói tudo com muito respeito à diferença e com compreensão ao que é singular em cada um...       

domingo, 1 de novembro de 2015

NEGAÇÃO

Aprenda uma coisa: por mais que você mostre, prove e argumente, não faz diferença. As pessoas só enxergam o que querem exergar.  


O QUE PROVA QUE ALGUMAS SITUAÇÕES DE IGNORÂNCIA SÃO VOLUNTÁRIAS, AINDA QUE ME PAREÇA QUE O GUIA DISTO SEJA SENTIMENTAL E NÃO RACIONALIZADO...a negação da razão do outro como um ditame absoluto da identidade pessoal...MUITO PARA INVESTIGAR AQUI, o que inclui AUTO-ENGANO!

KANT - ESCLARECIMENTO

"Pois encontrar-se-ão sempre alguns indivíduos capazes de pensamento próprio, até entre os tutores estabelecidos da grande massa, que depois de terem sacudido de si mesmos o jugo da menoridade, espalharão em redor de si o espírito de uma avaliação racional do próprio valor e da vocação de cada homem em pensar por si mesmo."

Immanuel Kant, Resposta à pergunta: Que é o esclarecimento? 5 de dezembro de 1783.

LIVROS E SEUS VÍCIOS



Vou aproveitar para me confessar a partir desta tua boa provocação e quem sabe me aliviar aqui na tua postagem. Com permiso. Sou um viciado em comprar livros e quando li o Irmão Alemão do Chico Buarque me avistei quando descrevendo que o pai dele comprava livros escondido da esposa - haja vista a casa cheia deles - e que tinha um subterfúgio para colocá-los dentro de casa deixando eles numa sacolinha na porta dos fundos e entrando pela frente com as mãos vazias em combinação com a empregada que os recolhia, me vi quase desta forma, apesar de não poder comparar minha biblioteca com a de um Sérgio Buarque de Hollanda. Também gosto como ele gostava e muitos outros e outras de ler muito também, chego a ler mais de cinco livros ao mesmo tempo, arrastando alguns comigo da sala para a cama, mas noto que poucas pessoas gostam de ler e que, além disto, algumas pessoas não tem paciência para ler e que outras não tem tempo também. Eu arranjei um bom tempo para isto em função do meu atual trabalho exclusivo de professor. E estes dias escutei um depoimento sofrido de uma pessoa que vivia atribulada em função de sua vida pessoal e que disse que não conseguia sequer se concentrar para ler um único livro. E ela queria ler, mas não conseguia e me compadeci dela, porque fiquei pensando que tamanho sofrimento poderia causar tal mal a uma pessoa. E depois fiquei me vendo privado de leitura e em pânico por isto. Então, até chegar no tal vício da leitura a caminhada é muito grande mesmo, até chegar na compulsão de comprar livros maior ainda, porque para tal muitas outras prioridades precisam ficar no caminho, mas eu leio por necessidade, assim como escrevo por necessidade. De um lado, buscar e encontrar ideias e, de outro lado, colocar ideias em um texto para tentar cada vez mais encontrar uma melhor expressão e que me dê certo conforto e tranquilidade que para mim só o entendimento das coisas dá. Não aceito o mero sofrer, assim como não resisto a uma boa provocação. Dai porque - sem saber se é da minha inteligência ou não - adquiro livros e escrevo, talvez não sofra calado apenas e não temo dar mais um palpite, ainda que como uma confissão, naquilo que tantos já tentaram.

TROTSKI CONTRA O AUTISMO DE ESQUERDA

AUTISMO REVOLUCIONÁRIO


"Revolucionários em frases de efeito e nada mais. Incapazes de trabalhar as necessidades imediatas da classe trabalhadora, vivem num fictício mundo 'vanguardista', só existente em suas mentes."