quinta-feira, 29 de outubro de 2015

NÃO SE DEVE CITAR NIETZSCHE FORA DE CONTEXTO, para o David Araújo uma boa leitura!

E na totalidade de sua obra não há sempre acordo não. Nietzsche não produziu um sistema filosófico. É considerável o esforço dele em atacar inclusive isto E nenhum filósofo tem mais situações delicadas, contradições internas, algumas aparentes e outras intencionais do que ele. Nietzsche, até pela sua profunda criticidade, merece ser usado com muita parcimônia, cuidado e atenção. Afora situações críticas que envolvem ele e o grande Schopenhauer numa espécie de depressão filosófica profunda, carregada de manias, compulsões  e neuroses, que deveriam exigir dos seus leitores mais cuidado ainda para não vender neurose como sabedoria. E tanto o fatalismo, o pessimismo como o criticismo de ambos é muitas vezes exagerado e devido aos grandes insucessos de suas relações com os demais seres humanos. Para ficar num único tema chave, como exemplo, eu diria que tudo que ambos dizem sobre amor e humanidade possui um prejuízo a priori existencial que é insuperável, e só alguém muito blasê e insensato, infeliz e frustrado usaria sem senso de medida citações de ambos nestes temas. A rebeldia,a grande revolta e as palavras que elas carregam juntas são muito boas na adolescência, como desabafos ou descarregos, porém, não resolvem nenhum dos  problemas contra os quais se dirigem e aqui vale a mesma coisa que vale para o nó górdio de Alexandre, e a mesma coisa para a nossa vida: você não resolve o problema negando ele ou apenas passando a tesoura em todos os cordões que te prendem ao mundo. É preciso ter muita sabedoria e paciência para desentramar de fato as linhas da vida e isso nenhum dos dois nos legou. Por mais que eu possa elogiar a extraordinária e superior visão que ambos tem do mundo e das coisas, quando se volta a terra pouca ajuda nos trazem. Olhar os problemas da vida de outra forma, chocando nossas convicções é muito bom para nos ajudar a saber que crenças são de fato fundamentais, mas a suspensão de todas as crenças e da vida, não resolve.     

terça-feira, 27 de outubro de 2015

70 ANOS - FELIZ ANIVERSÁRIO LULA!

#LULA70


Feliz Aniversário Lula! Os que não entendem teu mérito precisam apenas ler a tua história e saber o que realmente resultou de teu governo e da tua luta no Brasil dos últimos 40 anos. A gestão do Governo Lula de 2003 a 2010 foi absolutamente republicana e imparcial. Lula foi, para alguns, excessivamente conciliador nos seus governos de tal modo que boa parte da oposição que governava estados e municípios jamais foi prejudicada ou alijada de atenção pelos seus governos. Isto trouxe resultados que alguns gostam de negar, mas o Brasil cresceu neste período, diversas obras de infraestrutura foram realizadas e muitas políticas sociais e melhorias consideráveis foram implementadas criando o extraordinário efeito de passar 44 milhões  de brasileiros da classe C para B, como qualquer pirâmide social demonstra por ai. Aliás, a pirâmide social como figura nem existe mais, pois hoje a figura é assim  E isto viabilizou tanto sua reeleição como a eleição de Dilma que depois continuou e foi reeleita. Mas eu sei que é difícil engolir o seu reposicionamento ofensivo atual, porque ele esta reagindo e contra atacando seus adversários, e porque de fato esta coragem e liderança dele é uma ameaça real ao intento de golpear o governo Dilma ou fazer butim do estado brasileiro achacando o governo. E ele ainda tem liderança sim para se eleger presidente em 2018, apesar de toda grita e da pesada campanha contra. Aqueles que não entendem isto precisam aprender a conhecer o povo brasileiro, o que não se aprende em jornal, nem em novela e muito menos em um gabinete com especialistas e sumidades. Mas alguns não querem ler e vão negar estas realidades com muito gosto, ainda que em flagrante desespero de causa.

VIDAS SINGELAS

Nossas vidas são singelas. Nascemos nos alegrando com descobertas maravilhosas, andamos então um pouco e logo começam a aparecer os obstáculos em diversas escalas. Olhamos para eles e eventualmente alguns de nós passam a acreditar que podem superar todos, outros aceitam algumas coisas e uns últimos aceitam tudo. Com o tempo vamos nos adaptando e passando a ter medidas também em escalas. Vamos aprendendo como dirigir nosso corpo e nossa alma. Alguns sofrem muito com isto, pois fatalidades, surpresas e acidentes acontecem e então olhamos uns para os outros e nos vemos diferentemente. Num tempo alguns eram sonhadores e outros realistas, mas passados alguns anos parece até que as coisas se inverteram e, desta forma, vamos nos dando conta de nosso lugar, papel e ofício no mundo. Pareceria estranho dizer que além de nossas profissões, trabalhos e relações acabamos assumindo uma espécie de função social que mistura habilidades, talentos e oportunidades com coisas que ganhamos de presente dos outros. E passamos a nos ver então em sociedade com uma aparente imagem cujo despreendimento dela não é sequer mais possível. Vira uma marca, uma espécie de apelido ou assinatura que nem faz mais parte do que você é, mas sim do modo como os outros avistam e compreendem você. O que encontro de singelo misto é que somente um hábito de associação e não tanto de comportamento está em jogo aqui. Tua conduta pode ter sido alterada, teu modus operandi, preferências, apetites e intenções podem ter sido quase todos abandonados e você descobre assim que mudou. Não foram suas células ou mãos que mudaram, mas sim algo dentro de você. No meu caso ao me sentir chegando neste ponto penso agora em todas as ambições e projetos. Penso em como ficou aquela ideia de mudar o mundo, penso na remota, mas desejável possibilidade de tornar um outro mundo possível e me alegro agora de forma singela, pois o mundo já mudou e eu percebo isto. Alguns aqui dizem que não, não mudou coisa alguma. Nada melhorou ou ocorreu e, então, eu volto a pensar de forma diminuta em minha mente só no meu pequeno mundinho de novo e vou me recolhendo e pensando que, afinal, não mudamos o mundo das pessoas e passamos apenas, qual comediantes ou país sobre um bebê fazendo lhes uma ou outras cosquinhas na barrigas deles. E eles riram um pouco, choraram quando tiveram fome e beberam quando tiveram sede, aprenderam a andar, a cair, a levantar e a subir e descer na montanha da vida. E eu, já cansado, concluo está prosa dizendo que talvez a única coisa que possamos fazer uma vida inteira é algumas cosquinhas no mundo. Alguns mais e outros menos, mas nenhum deles deixara de ser apenas singelo quando partir. E quando sair será lembrado ou esquecido, mas não será isso que importará mais.

FILOSOFIA EXPERIMENTAL, DIALÉTICA E METAFÍSICA - PÓS ANALÍTICA



Meu admirável contemporâneo na UFRGS, Eduardo Vicentini de Medeiros​ merece congratulações, pois se lançou com a audácia necessária para conquistar o saber em uma nova aventura filosófica e relata sua boa lição colhida na empreitada, assim:

“Me arrisquei em tema novo: "Contrafactuais e moralidade" no XVIII Colóquio de Filosofia Unisinos - Filosofia e Cognição.

Um belíssimo evento, com a seguinte lição: você é filósofo e quer falar de neurociência? então aprenda a ler EEG e fMRI, saiba o que está sendo medido e como...”

E eu creio ser bem importante destacar isto neste momento em que a filosofia parece sair da caverna e ver a luz do dia em sociedade neste pais. Porque não são tão somente as medidas de EEG e fMRI, os métodos para fazer isto, os métodos para interpretar e as consequências destas interpretações que se apresentam para nós hoje nos domínios da nova epistemologia ou das ciências cognitivas, mas também os debates sobre ética em nossa sociedade, sobre diferenças sociais e relações sociais, sobre desigualdade e violência, sobre democracia e política e ainda mais sobre amor, qualidade de vida e como vivemos - tudo isso que faz parte da nossa grande experiência humana - que nos chama à reflexão tanto científica como filosófica, que nos chama ao debate em sociedade para alargar a compreensão sobre estes temas e mudar comportamentos sobre eles.

As provas do Enem neste final de semana, não seriam o que foram - creio eu - sem  a bela passagem do Renato Janine Ribeiro​ e sua equipe, que inclui o menino prodígio Alexey Dodsworth Magnavita​, que devem ter pautado, com certeza com a anuência e o conhecimento da presidenta Dilma Rousseff​ a questão da mulher. E eu saúdo isto porque traduz exatamente aquilo que é o maior desafio da filosofia numa democracia jovem como a brasileira que é estabelecer um diálogo franco e aberto com toda a sociedade, reflexivo, provocativo e humanizador e que também tenha escuta, que aprenda com a sociedade e descubra seus anseios. E o tema da mulher com a devida referência cruzada a Simone de Beauvoir e á realidade da mulher brasileira  foi um golaço de placa que precisa ser agora mais explorado por professores de boa vontade e incluído nos debates. É a deixa que faltava para muitos que consideravam o tema lateral ou externo ao afazer filosófico. Assim, como alguns olham para a questão do negro pensando que é um tema de sociologia e esquecendo que é justamente ai que o desafio prático de construção de igualdade na diversidade se apresenta, como a questão da pobreza e também das outras ditas "minorias" que não são.

Muitos outros debates, com o auxílio das redes sociais são possíveis hoje. Mais acesso a informação, bibliografia e referências, relatos e reflexões são possíveis hoje. E vejo, então uma dialética fina sendo produzida aqui. Meus demais colegas que vejo participarem deste processo cultural e de pensamento, ao seu modo. De poesia à política, de arte à música, de teatro à dança, da sociedade á filosofia e da filosofia ou das artes e humanidades à sociedade. Disse um dia que apostava em uma superação da técnica por saturação tecnológica e cada dia me convenço mais disto que o que será top de linha nos próximos anos são as letras, as artes e as humanidades e suas novas relações com as demais ciências e com a nossa vida.

Comparto aqui, citando meus colegas de formação ativistas mais próximos e novas relações e considero afins: Alexandre Noronha Machado​, César Dos Santos​, Benedito Tadeu César​, Gustavo De Mello​, Paulo Faria​, Renato Duarte Fonseca​, Roberto Horácio Sá Pereira​, Gregory Gaboardi​, Marcia Tiburi​, Elenilton Neukamp​, Janio Alves​, Rogerio P Severo​, Rogerio Saucedo​, Rogério Lopes​, Vanessa Marocco​, Flavio Williges, Noé Oliveira​, Vinicius Wu​, Jackson Raymundo​,  Suzana Guerra Albornoz​, Francisco Xarão​, Simone Ferreira, e muitos outros.

Creio que a história da filosofia no Brasil teve apenas três momentos o primeiro foi predominantemente escolástico, o segundo foi existencial ou continental e é bem recente e convive ainda com a escolástica e este último é analítico e pós analítico. Ainda que nem a filosofia analítica e nem o que é chamado de pós analítica esteja à margem de preconceito, porque ocorre nele a superação e a inclusão de uma temática mais existencial sob certa predominância de um método mais analítico. Gosto muito do termo analítica existencial porque indica a superação da fase crítica e internalizada da filosofia e a coloca de volta ao contato com as ciências e a sociedade, ou, como alguns preferem, em contato com o nosso mundo da vida e nossos afazeres existenciais e sociais.


Assim, eu fiquei pensando sobre isto tudo ao ver as postagens de diversos colegas e ao ler também o programa deste grande encontro que houve na Unisinos sobre Cognição e Neurociências e sobre temas que, ao fim e ao cabo, tratam de interpretar ou revisar interpretações da nossa experiência. E sempre lembro de Aristóteles e de diversos outros filósofos que mantiveram um pé na "lógica" e outro na "experiência". E muita filosofia boa saiu disto. Então, isto deve ser uma nova onda experimental na filosofia de fato o que, entretanto, vai acabar por nos trazer também uma nova metafísica destas novas experiências.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ANDO PREFERINDO TER PAZ DO QUE RAZÃO

Às vezes é melhor calar e ouvir com atenção, esperando que a vida mostre de alguma forma para quem não quer ver ou entender qual é realmente a questão. Isto tem me dado paz e tranquilidade e também muita paciência para assistir o curso quase natural das coisas ajeitar aquilo que um certo modo de entendimento e uma excessiva e desnecessária resistência não querem ver. Na maior parte dos casos, os problemas não são de ideias, mas sim dos sentimentos incontroláveis que as movem e que em muitos casos são embalados por pitadas de medo, insegurança, culpa, ódio ou mesmo uma boa dose de certo fatalismo que parece sobrevoar como uma nuvem a vida de alguém, por conta de suas emoções, experiências não digeridas e incompreensões. Nenhuma doutrina da razão resolve isso, apenas a boa vontade. E se ela não aparecer na vida da pessoa, então é bom deixar em paz. E esta boa vontade vale para mim também. E é ela que me dá paz.

domingo, 25 de outubro de 2015

VIOLÊNCIA BRASIL

É incrível em um dia só estamos discutindo a tortura e o assassinato do Vlado Herzog que fez 40 anos, a prova do Enem de ontem com  Simone de Beauvoir - aquela "rameira" como dizia uma certa elite conservadora gaúcha à 50 anos, a Redação sobre o tema VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e o quase linchamento vergonhoso de um cara como o ex-senador Eduardo Suplicy dentro de uma Livraria Cultura em São Paulo ontem. 


RECEBO OFENSAS: VOU TOMAR UMA MEDIDA DECISIVA

Vou fazer uma coleção de ofensas e impropérios e guardar para o futuro, na esperança de que a humanidade ainda possa progredir e que o esclarecimento ainda seja possível. A falta de argumentos, a falta de informação e o preconceito só nos distingue cada vez mais!

A CORAGEM DE UM COVARDE

Não tenho palavras para descrever a sensação de indignação frente a covardia do ataque sofrido pelo ex-senador Eduardo Suplicy na Livraria Cultura em São Paulo ontem. Minha vontade de resposta contra a barbárie e a covardia cometida contar ele ontem, me aborrece por demais. Equivale a mesma coisa que eu disse um dia para um covarde uma vez. Se é tão corajoso assim, porque não enfrenta alguém que pode e que consegue te quebrar os dois braços, em vez de tentar bater num pacifista, numa criança, numa mulher ou em um professor? Sim, nada é mais covarde do que aquele que comete o mal na certa de ficar impune e não sofrer violência. E Suplicy é uma das pessoas mais pacíficas e civilizadas que já conheci nesta vida e não merece aquele tipo de ataque nem pelas suas ideias e nem por suas ações. 

AS SOBERANIA DO BEM DE IRIS MURDOCH

Que texto maravilhoso e bem escrito. Me lembrou certos efeitos estranhos da leitura de Platão que te levam a pensar sempre mais e mais além do que aquilo que é tratado ou expressamente discutido. Talvez o nome disto seja fecundidade e eu possa dizer que é uma leitura fecunda que se abre para mim com Íris Murdoch.

SOBRE A FALIBILIDADE DO CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS

Se você for investigar a história da ciência no Brasil vais descobrir que antigamente não havia nenhum incentivo institucional e acessível a formação e intercâmbio dos estudantes brasileiros no exterior, salvo um número bem escasso e limitado de bolsas de doutorado, das quais uma parte razoável dos bolsistas dependia de recursos próprios para tais ousadias. E hoje meu caro? Diga o que sabes do Ciência sem fronteiras? Tens ideia do que significa 500 jovens brasileiros participando deste programa na Suécia, Dinamarca ou Finlândia? - então um pouco de foco não faz mal a ninguém.

Toda política pública deve ser avaliada objetiva e com mensurações. Porém, algumas destas políticas são de tipo quase imponderável bem seus resultados. É impossível tanto no Brasil como fora dele fazer algo com resultado 100%. Mas fazer algo no Brasil que traz resultados e que muda o perfil cultural, técnico e tecnológico dos seus cidadãos com certeza trará resultados. Duvido muito que se possa resumir este programa a turismo. Mas de qualquer modo prefiro divulgar sua dimensão positiva do que cacarejar contra. Sei que vão haver avaliações do programa logo ali adiante e espero sim bons resultados. Na dúvida avanço sempre na positiva.


Sobre a opinião de alguns bolsistas que pensam ou denunciam que o Ciência sem fronteiras é turismo, eu sou um que não estranho. Tem aluno de graduação que acha que universidade é passeio. Isso faz parte do jogo ou que os estudos dos outros são de brincadeira.

AS FLECHAS DO AMOR

Pensando no verdadeiro amor e no desaparecimento ou extinção do indivíduo ao ser atingido pelo caprichoso arqueiro de setas doces e letais. E lembrando Guilherme Tell talvez o arqueiro mais famoso por acertar a maçã e não o homem e nem a mulher. Enquanto isso Robin Hood toma dos ricos para dar aos pobres...que papo mais sagitariano este... Vai cupido pára de olhar para os que se queixam sempre de qualquer modo...

SUPERANDO OBSTÁCULOS NOS ESTUDOS

A melhor sensação possível é superar uma dificuldade, um impedimento ou uma ilusão e conseguir avançar livremente e com segurança. Quando estudamos algo difícil há - me parece - um momento de desafogo e, então, conseguimos prosseguir, sem aquele bloqueio e aquela dificuldade inicial. E mesmo que muitos outros obstáculos se ergam - e com certeza eles vão aparecendo no caminho e na leitura - a gente tem aquela sensação de leveza e tranquilidade e dai se passa a, com um cuidado redobrado conquistado pela superação da dificuldade inicial, ver tudo sob outros olhos. Me sinto como uma espécie de general que conquistou um bom ponto de observação e de organização, localização e logística para os seus próximos esforços. Podemos abandoná-lo ali adiante - no tempo – mas é a primeira base e algo que nos dá uma relativa segurança - que é melhor que nenhuma - para continuar. Respiro aliviado e meu cérebro parece star arejado e satisfeito ate a próxima fortaleza e obstáculo pela frente. Agora podemos seguir mais um pouco e temos a certeza de que estamos no caminho certo. A questão fundamental nunca é chegar logo aqui, mas chegar bem aqui e poder desfrutar por alguns instantes deste benefício e perspectiva. Amanhã é somente mais outro dia...

SÓCRATES E JOBS: SÓ PARA LEMBRAR

"I would trade all of my technology for an afternoon with Socrates.


Steve Jobs, Quote from Newsweek (29th October 2001)

DARWIN E O HOMEM

"O homem, em sua arrogância, pensa de si mesmo como uma grande obra, merecedora da intervenção de uma divindade." -


Charles Robert Darwin (1809 - 1882)

SOBRE ESTUDAR E PEDRAS: UMA ESCOLHA

Eu digo para meus alunos: estudar é melhor que carregar pedras! Como é que eu sei? Já fiz as duas coisas!

E olha que eu preciso admitir que eu até gosto de carregar pedras, mas gosto muito mais de lidar com idéias e construir coisas com elas e para ter elas preciso estudar.

E tem a parte que interessa que no começo estudar nos exige certo esforço e parece que não vamos conseguir, mas a medida que o tempo passa, vamos conseguindo e nos alegrando com as conquistas.

No outro final da semana farei um levantamento de quantos alunos e professores curtiram isso aqui. Jamais imaginei que uma comparação tão dura entre estudar e carregar pedras fosse tão relevante.


Eu carreguei coisas mais pesadas que pedras para fazer a faculdade. Carreguei sacos de arroz, farinha, feijão, sal e muitas outras coisas e foi o que fiz. Por isto falo em pedras. Hoje carrego pedras em casa. Para lá e para cá como um exercício de decoração e arrumação em um pátio, mas podes ter certeza que o conhecimento e as idéias são mais semelhantes as pedras e aos alimentos do que parecem. 

Podemos construir coisas lindas com eles e alimentar nosso espírito e alma com eles também. E isso envolve algo muito importante e que deve sempre estar presente na educação a esperança na mudança, da gente, das pessoas, das coisas e do mundo.

ATENÇÃO PARA AS PEDRAS

No final próximo final de semana farei um levantamento de quantos alunos e professores curtiram isso aqui. Jamais imaginei que uma comparação tão dura entre estudar e carregar pedras fosse tão relevante. 

O INTELECTUAL E AS PEDRAS

É que fiz uma postagem estes dias dizendo aos facers que perguntava aos alunos e respondia se preferiam estudar ou carregar pedras. Mas confesso que temo em ser confundido com um intelectualista. Não sou nem intelectualista e nem simpático ao anti intelectualismo. Sempre me vejo como um homem da práxis, da ação, do fazer e jamais só do pensar e do puramente intelectual. Portanto, carregar pedras também é bom e bem importante para mim.

LIVROS E TIJOLOS: PEDRAS E ESTUDOS

A IMAGEM DA PRATELEIRA QUE GUARDA TIJOLOS


Imagem compartilhada de Hamdi Minka.

Imagem ideal para quem prefere carregar Pedras ou Tijolos à Estudar ou ler um Livro.


A imagem é ótima para aquele debate e também como alguns subliminarmente aqui e em outros lugares para apontar o dedinho para quem acha que livros não servem para nada ou pior que só tem besteiras. Alguns destes que estão se assanhando por ai são bem capazes de fazer uma fogueira de livros. Na próxima feira do livro de Porto Alegre de 2015 – o slogan da 61ª Feira do Livro é “livros ajudam a pensar” - poderíamos até fazer um manifesto pelo esclarecimento. Do modo como a coisa vai...será necessário mesmo.

Notícia:: Feira do Livro terá homenagens e integração com outras artes.

COMO ACALMAR UMA MULHER?

Vou mudar a tática e usar aqueles protocolos dos paramédicos em zonas de guerra, conflitos armados e vítimas de violência ou pânico ou síndrome de pós traumática e vamos ver se dá certo. Vou ler o manual em inglês e o guide inglês e dar uma olhadinha se o pessoal do Samu francês e brasileiro não tem um bom manual também.

GRATO FACEBOOK

Uma das maiores satisfações neste negócio aqui é reencontrar amigos, lembrar coisas boas com gratidão e alegria e, além disso, conferir porque muitos de nós ainda andam juntos, próximos ou afastados, em acordo ou desacordo mas com muito carinho. Eu sei que não sou nada mais importante que ninguém, mas também sei que pela estrada que passei muitos ao seu modo e ao seu tempo passarão. A vida é uma grande caminhada e não caminhamos sozinhos.

COMPARANDO ESCOLA COM PRESÍDIO – O ARGUMENTO LIBERTÁRIO MAIS LEVIANO QUE CONHEÇO

Eu vi. daí tem criança chorando para ir para a escola e adulto fazendo palhaçada no trânsito, na política e nas empresas e não sabem porquê? Ou ficam usando aquele argumento imoral para ser imoral porque o outro não é. Um conceito de liberdade individualista e egoísta que acredita nela como um absoluto. Cabeça fraca e desocupada é oficina del diablo.

CHEGADAS E PARTIDAS

“Mande notícias do lado de lá, diz quem fica...” canta Maria Rita – e eu lembro sempre da Elis.


Olha que a primeira vez que escutei esta música me perguntei se era possível dialogar com o outro mundo?  E hoje para mim não importa mais isto. Não importa a resposta, mas sim a mensagem e sua intenção, sua sensibilidade tocante. E eu acho que é possível mandar mensagens para as pessoas que amamos sempre. E mesmo que nós que ficamos aqui neste mundo como náufragos cheios de garrafas vazias e mensagens para enviar ao além, podemos continuar mandando. E para o além mar um dia vamos encontrar, cada um de nós a nossa própria praia e as nossas garrafas com suas mensagens dentro. 

E é lá aonde todos nós um dia vamos estar e ficar...ou...como na canção de Jorge Drexler Ao otro lado del rio...eu mandarei mensagens, farei meu coração cantar...o amor é uma forma de reencontro...para além da memória...e algumas vezes é uma memória e uma promessa de vida a ser vivida... 

THE DESECONOMIST

Sabe aquela revista inglesa que vive dizendo como o Brasil deve ser administrado, governado e se tá bem ou tá mal? Pois´é, deu pobrema! Está à venda, porque né... 

TROCA DE PARTIDOS, CONFIANÇA E PROJETOS PESSOAIS

Eu tenho dificuldade também em compreender como é que algumas pessoas, eleitores e partidários confiam em certos tipos. Eu não conseguiria confiar de forma alguma em alguém que trai, abandona ou deserta de seu grupo de correligionários e companheiros para outra sigla. Como é que tu vais confiar o destino de uma cidade para alguém que não é leal nem com os próprios companheiros que lhe deram os melhores lugares e os maiores apoios? Comigo não, João Grandão! Se trai aos teus companheiros o que sobrará para nós que somos somente eleitores. Era o que eu pensaria se fosse só um eleitor e observasse a troca de partidos. Com todo respeito ao direito de ir e vir das pessoas. Mas deveria ter até um tempo para reconstruir tudo que abandonou em termos de coletivo. Para pelo menos não ficar aquela aparência de que o projeto é só uma questão pessoal, uma ambição pessoal e um interesse pessoal.

A PAIXÃO DE SIMONE DE BEAUVOIR

A paixão exibe para nós nosso ser mais completo, ainda que dependente, ainda que incompleto. E eis que aparece bela notícia para um dos meus temas permanentes: Amor na Filosofia e a Filosofia do Amor...Além disto um belo trabalho biográfico e romântico sobre a Simone de Beauvoir que é uma ótima fonte de reflexões e de experiências. Recomendo o artigo/resenha ( Monica Montone - Simone de Beauvoir Apaixonada.) muito bom sobre a Obra relativa ao Affair Algrem Beauvoir. Em especial para minhas amigas e amigos e outros e outras que se interessam pelos temas e pela abordagem emancipada do amor, feminismo e que ainda contemplam o Existencialismo como experiência filosófica e fonte de reflexões.

Obs. O olhar dela nesta foto é algo!

FILÓSOFOS DO PT?

Ora, convenhamos...não se trata de defender o PT ou os erros do PT, mas sim de ter a dimensão exata das coisas e não ficar nessa retórica sofista que esconde a realidade e acusa os que pensam e refletem com responsabilidade de serem filósofos.

ENEM, CAPITAL CULTURAL E EDUCAÇÃO


Se a disputa no Enem e em outros concursos é, em resumo, por capital cultural, então não adianta mesmo propor redução de disciplinas!


Recomendo a leitura da matéria de Zero Hora (Enem revela desigualdade educacional no Brasil.) que trata da relação entre desigualdade social e educação no Brasil. Muito boa para começar o debate não tanto sobre o Enem, mas sobre cotas de acesso á universidade, valorização da educação pública e dos professores e capital cultural originário. Ao mesmo tempo aponta claramente, em minha interpretação, para o fato que precisamos de uma educação que não reproduza a desigualdade, mas que a supere. E isso só vai acontecer se parte do acesso às "melhores vagas" for garantido reparando a assimetria original, com condições e incentivos à sua superação. 

Além disso, olhando para a gestão pública municipal e estadual, é preciso discutir mesmo o tema da abertura de incentivos maiores á formação dos jovens, educação em turno integral, diversificação das atividades escolares e também integração escola e comunidade, bem como, equipes de apoio mais especializadas para as gestões pedagógicas, financeiras e administrativas das escolas. 

Agrego ainda a necessidade de relação da escola com o sistema de saúde em especial no que respeita ao apoio psicológico e também de saúde básica.

SOBRE CORRUPÇÃO DO PT

Bem interessante a tua contestação à corrupção do PT e à importância do PT no combate à corrupção. Se leres com atenção as notícias por aí, aquelas que parecem aparecer e serem esquecidas, vais ver que temos um grande problema com os amigos de outros reis que não são presos, não são processados e que uma boa parte daqueles que criticam o PT, fazem de conta que não existem. A única corrupção preocupante que provoca bate panelas é a do PT. Em São Paulo não tem nenhum problema de corrupção? Em Minas Gerais e Paraná também não? Em outros lugares, cidades e instituições tudo é certinho? Empresários não obtém vantagens em licitações, novas leis, decisões e planos? Privatizações não foram vantajosas? Aliás, as gestões deles são boas em tudo e em que mesmo? Fechar escolas? Bater em professores? Tirar direitos de trabalhadores? Falta de água e o que mais? Não tem nenhum esquema sendo desmantelado nos governos deles. Interessante não é? Imagina se tivessem eles sido eleitos em 2002, 2006, 2010 e 2014? Sim, provavelmente a bandalheira nem apareceria não é? Ninguém seria preso ou processado porque eles iriam preferir "não mexer nisto" como confessa FHC em relação a Petrobras e poderiam confessar Richa, Alckmin e Aécio, Serra e outros em relação aos seus? O grande debate é este mesmo. Onde estão os outros? Não tem? E o que significa o PP - com sua matriz conservadora e liberal - estar afundado em corrupção desde a ditadura? E aqui em São Leopoldo, na cidade onde nasci, e aqui no Rio Grande do Sul, eles são todos certinhos, inocentes e bons gestores? Tá tudo bem com todo mundo e o único problema é o PT. FRANCAMENTE....

PARADOXO DA HUMILDADE

Eu chamo de paradoxo da humildade que sempre anda junto com boa vontade. Sempre dizem para a gente ser humilde, mas tem gente que acha que isso é a melhor forma de explorar, dar uma de experto, te diminuir e tirar ainda alguma vantagem de teus talentos, qualidades ou tempo.

P.S. 1: Em resumo: precisamos todos ser humildes para que alguns oportunistas, carreiristas e desqualificados tenham vantagens sobre nós.

P.S. 2: Estou chamando de paradoxo por enquanto. Creio que a única solução é a justa medida e um juízo bem claro. Mas estou no segundo texto sobre isto. E ainda pensando.

P.S. 3: Fácil isso. Mas toca em frente porque o mundo dá voltas, a terra é redonda, Deus é justo e Allah é grande, e todos nós somos mortais e, por isto mesmo, da vida nada se leva...

PETROBRAS E A CORRUPÇÃO EM FHC: MAIS PERGUNTAS DO QUE RESPOSTAS

Quando existem mais perguntas do que respostas é porque a cobertura é, em um sentido, terrivelmente ruim, mas, em outro sentido, absolutamente eficaz. O caso Paulo Francis acaba mostrando que não havia imprensa livre no Brasil de FHC, pois ou ela era constrangida ou era corrupta também. Já hoje seria preciso olhar de perto e ver de onde vem o dinheiro que faz a Corrupção aparecer só de um lado...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A FILOSOFIA DA MONTANHA

"A filosofia é uma estrada isolada numa grande montanha (...) e quanto mais subimos, mais isolados ficamos. Quem a percorre não deve temer, mas deixar tudo para trás e abrir caminho, confiante, na neve do inverno (..) ele logo vê o mundo lá embaixo, suas praias e pântanos somem de vista, seus pontos desiguais se aplainam, seus sons estridentes não alcançam mais os ouvidos. E sua redondeza surge para o caminhante, que recebe sempre o ar frio e puro da montanha e desfruta do sol quando tudo lá embaixo está mergulhado na escuridão da noite."

Arthur Schopenhauer In: Manuscript Remain.


Op. Cit. in YALOM, Irvin D. A CURA DE SCHOPENHAUER. Tradução Beatriz Horta. São Paulo: Ediouro, 2006, pp.167-168.   

A FILOSOFIA HOJE

A filosofia não tem nenhuma necessidade de ser feita apartada da realidade. E o filósofo/filósofa ou a filosofia de hoje joga no mundo real de forma muito ativa com maior ou menor desenvoltura. Precisa-se relaxar creio e parar de se pensar que só se pode fazer isso com clareza absoluta ou rigorosa inquestionável. Não somos infalíveis, por melhor que sejam nossos métodos, por mais claras que sejam nossas ideias e por mais originais e técnicos que sejam nossos argumentos e abordagens aos temas especializados ou do cotidiano. É melhor se posicionar do que calar, podendo errar, mas sem se colocar como menor ou maior ou à parte dos demais mortais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O SENTIDO DA EDUCAÇÃO

MEU CARO Renato Janine Ribeiro, tens razão ao dizer o que diz, que para mim é como que uma moeda corrente falar mal da educação brasileira e que isto é uma tolice muito reproduzida por um certo senso comum preguiçoso, superficial e simplório. Parece uma versão do viralatismo. Boa parte dos que falam somente da dimensão negativa do quadro educacional brasileiro parecem negligenciar os trabalhos, esforços e dedicação de outros.

Tem muita gente trabalhando de forma extremamente determinada e não porque há uma competição, mas sim porque colocam a sua vida neste trabalho. Aqui vale a mesma coisa que se diz sobre a escolha da filosofia ou do estudo da filosofia. Quando se escolhe algo assim se faz uma opção por certa forma de vida e muitos educadores que resistem à neurose auto infligida ou sofrida, ao desestímulo e ao desprestígio, à falta de valorização e reconhecimento, sem desistir e sem se entregar ao desânimo, devem pensar algo assim.

Minha filha de 16 anos decidiu ser Bióloga, não quer ser professora como a mãe, a madrasta e o pai, quer ser pesquisadora e cientista, e eu fiquei feliz como um velho aristotélico que Olha para a vida, a natureza e o mundo e cada vez encontra maus gosto em conhecer e saber dela e dos seus seres e coisas. Mas a vida da ciência também não é fácil no Brasil e, no entanto, muitos que escolhem este caminho sabem disto ou descobrem e persistem porque escolhem isto como forma e sentido de viver.

Quem olha de fora pode julgar, tripudiar e até mesmo erguer em voz alta sua opinião, preconceito ou presunção, podem até alguns fazer um discurso depressivo e depreciativo, mas porque haveria menos dignidade nestes trabalhos do que em qualquer outro? Não há! Eu e minha esposa estávamos nos dirigindo para a escola em meio a uma tempestade estes dias e falei para ela: é bem assim que é a educação hoje uma caminhada em meio a tempestade e veja quão digno e importante é fazer isto para nós.

Quanto mais difícil o quadro, mais nos empenhamos em levar a sério nosso trabalho, mais valorizamos os esforços dos outros e dos nossos alunos, mais compreendemos o sentido transcendente ou seminal do que fazemos. E eu tento sim seduzir, estimular e apoiar os alunos e alunas a fazerem as mesmas escolhas que nós, porque é uma vida difícil como qualquer outra mas que possui um sentido, uma compaixão e paixão que parece redimir e superar todo sacrifício, problema ou dificuldade. Cada vez tenho uma crença mais forte nisto.

E ontem quando pela manhã uma aluna do séquito de alunas mais queridas e afetuosas que possuo me disse que queria ser professora de biologia fiquei feliz e então ela me olhou com seus olhos miudinhos e disse que, porém, nenhuma pessoa na família dela valorizava isto w eu fiquei quieto pensando até agora sobre isto para dizer que não importa, pois algumas coisas e sentidos de nossas ações e escolhas só ganham sentido por e com aqueles que fazem as mesmas escolhas e que tem os mesmos gostos e paixões. Sei que ela vai ler meu comentário aqui e sei que seus olhos vão brilhar e que ela vai seguir seu sonho, pois tem prazer em conhecer e em descobrir o conhecimento e obtém prazer ao ver este mesmo prazer nos outros.


Como eu e você e todos aqueles que escolheram este estranho caminho do conhecimento e das dúvidas, da educação e da cultura. Que a Tamara s leia isso e se sinta abraçada e apoiada! A educação tem futuro e enquanto a cachorrada late a caravana passa.

LIÇÃO DE CONCISÃO E PRECISÃO - ONETTI O GRANDE MESTRE

Pois coisas boas me acontecem com muita frequência. Não posso reclamar mesmo da minha sorte com livros e ideias. Já passei da fase da procura, para a fase do encontro em relação a isso. Não que esteja sendo convencidinho, mas é o que simplesmente acontece. Minhas curiosidades e ruminações sempre são satisfeitas e as conexões entre elas e objetos externos que as complementam tem ocorrido com razoável frequência.

E meus encontros com ideias e livros são algo que um dia poderei explicar, mas por enquanto não devo fazer isto. Senão perde a graça, perde o mistério? Não, simplesmente porque deu muito trabalho para ter certas intuições, seguir pistas e desenvolver novas relações, associar com liberdade certas questões e conceitos e incorporar novas ideias e lições e promover mudanças na minha organização ou bagunça mental  Considero elas boas porque me dão algumas alegrias e resolvem algumas dúvidas também.

Fazia muito tempo que andava procurando uma espécie de paradigma de concisão e precisão. Explico. Todos que escrevem e leem adquirem com certa experiência uma espécie de espírito de colecionador que combina musicalidades, pausas, ritmos, rimas e também vocábulos, expressões, jargões e muitas outras coisas que deixo para cada um listar de per si.

E isso ocorre tanto com quem lê letras de canções, poemas, literatura, artigos científicos, filosóficos, sejam eles clássicos ou vulgares, leigos, mal feitos ou bem feitos, e até com quem lê manual de aparelho doméstico e bula de remédio, notícia de jornal, twittys, haikais, anúncio de classificados, acontece um pouco isso. Quando a gente começa a ler os anúncios comerciais e os outdoors e para quem aprendeu a ler fazendo isso - isto é, quem começou a ler no meio urbano - sabe até mesmo corrigir grafias e escolher tipos de letras para certas coisas.

Pois me caiu nas mãos esta obra abaixo do Onetti e tenho a mais franca sensação que encontrei o mestre dos mestres da edição, do período e da escolha das palavras, neste uruguaio de quem certa feita outro uruguaio colega meu falou com muita distinção. Então chega. Não falo mais nada. E vou deixar para a curiosidade de cada um a oportunidade de descobrir isto ou seguir esta pista. A pedrinha está lançada, como diria meu pai...         

PLATÃO LEU AS GENTES

Ando muito desconfiado com Platão desde 2013 quando comecei a dar a devida atenção ao ombrudo. E cheguei em uma conclusão terrível para todos nós. Creio que não é a gente que lê Platão, mas sim Platão que lê a gente!

sábado, 17 de outubro de 2015

PARTE DA HISTÓRIA DE EDUARDO CUNHA

Tem algo que deveria fazer parte desta vergonhosa história que é aquela confraria de esposas de deputados que em franco acinte pediam atendimento da demanda das passagens de avião. 

São todos inocentes, o que inclui aqui os simpatizantes da oposição que investiram na campanha e cavalgadura do deputado carregado de excelências. 

Se tem 100 contas na Suíça, quantas será que apoiaram Cunha e sua política?

O STF, Janot e outros já deram sinais só meu ver claros de que a coisa vai de fato engrossar para o lado dele e deles.


Hoje refleti pensando que de fato ele não cai sozinho. 

Porém isto deve ser o que mais torna ele um grande troféu e talvez um dos maiores alvos da república. 

É uma caça muito atraente, em especial, para aqueles que disputarão os mesmos poderes, votos e recursos. 

É já um boi premiado.

FORMIGAS E CORUJAS DA FILOSOFIA

O trabalho de formiguinha é necessário, mas o voo ou sobrevoo da coruja é parte do destino de todo grande filósofo. E ainda existem grandes filósofos. A filosofia analítica não se limita a trabalhos de formiguinhas. E nem a filosofia continental à voos  de corujas. Talvez este aspecto explique porque Hegel e Kant são revisitados ainda hoje.

ADIAMENTO DE CALOTE

Esta semana houve uma Vitória dos Servidores, do CPERS, da OAB e da oposição contra o calote do PMDB. Foi adiada a votação do projeto que reduz o valor das RPVs. Sim porque é das administrações do PMDB o maior passivo em RPVS deste estado. E naquela época o Sartori defendia esta politica. Deram reajuste por lei e não cumpriram. Lembra? Mas adiamento não é derrota, então precisamos aumentar a pressão para derrotar este projeto. Parece um exagero, mas a política deste governo é a política de Caloteiro. Veja o abacaxi que nos arranjaram....

O HOMEM DE VISÃO E POSSO ESTAR ERRADO - OU SEJA, POSSO NÃO ESTAR VENDO ALGO CORRETAMENTE – MARCO ANTONIO VILLA



Num hipotético jogo de linguagem punitivo este homem que é um historiador que elogiou, defendeu e vibrou com a eleição de Eduardo Cunha, deveria dizer sempre a partir de agora a expressão "posso estar errado", antes de proferir qualquer opinião ou pretenso conhecimento sobre a realidade brasileira. Como ele jamais fará isto é de prudência que os demais simpatizantes deste gênio passem a pensar isto também sobre suas próprias opiniões, pois podem estar errados e neste caso tem aumentado a margem de erro de forma exponencial nos últimos tempos. Assim, deste modo, posso estar errado não vira panacéia, mas ajuda a pensar melhor sobre certas opiniões dele, de seus simpatizantes e nossas também.


São Leopoldo urgente!

São Leopoldo urgente!

Tinha uma árvore no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma árvore.


Faziam exatamente 13 horas que uma árvore tombou com o temporal obstruindo a Avenida Dr. João Daniel Hillembrand quando escrevi isto. E isto é quase uma metáfora da nossa vida nesta cidade. O trânsito ficou obstruído ontem causando, com outros eventos na região norte de São Leopoldo engarrafamentos extenuantes. Me impressionei negativamente com a ausência de equipes da Segurança Pública e Defesa Civil na cidade atacando os problemas e orientando as pessoas. Para remover aquela árvore pelo visto dependemos da boa vontade de algum cidadão, como dependemos muito no trânsito ontem da paciência, generosidade e boa vontade dos motoristas para evitar agravos e acidentes, mas chama muita atenção o vazio administrativo e a inoperância da administração municipal. Já tem cidadão tapando buraco na cidade. Agora pergunta onde estão os CCs e os atuais gestores deste município? Tinha uma árvore no meio do caminho...quem vai removê-la? Nós, os cidadãos...

PROFESSOR E O TRABALHO DOS OUTROS QUE O AJUDAM: AGRADECIMENTO ESPECIAL

No dia do professor e no atual quadro faço questão de agradecer a pessoa que me traz à escola pela manhã. A amiga e parceira dos passageiros Selmira, profissional correta, trabalhadora pontual e motorista segura da linha Santa Helena, da Viação Leopoldense, Consórcio Bem Coleo. Porque tenho usado está linha desde 2013 e não falha. Mesmo agora que um lobby de empresário e a subserviência da administração municipal tenta tungar minha carteira e dos demais usuários, agradeço. Porque como ela muitos outros trabalhadores tornam meu trabalho melhor. Um professor é somente um dentre vários trabalhadores, mas com eles e com a ajuda deles pode sempre fazer mais e melhor. Dirigir também é educar e dirigir direito, administrar direito, ajuda na educação!

MINHAS AULAS DO DIA DO PROFESSOR

Hoje lecionei em minhas aulas de filosofia sobre dois grandes pensadores e professores. Aristóteles e Kant e me dei por conta que ambos tinham nas ciências naturais seu parti pri. O primeiro na biologia, já Kant em sua grande paixão pela física e, em especial, pela geografia. Educar para mim é um pouco isso também: saber migrar do sensível ao inteligível, do físico para o metafísico e andar firme com os pés no presente lançando ideias para o futuro. Agradeço meus professores que desde os meus primeiros anos souberam me empurrar de tal modo que chego hoje a tratar destes dois gigantes da filosofia quase como se fossem próximos e íntimos por mais estranho que pareça. E tudo começou também em casa com grandes debates e estímulos a minha curiosidade e com uma professora de biologia que não tinha medo algum de filosofia e tratava Aristóteles como um amigo e com um professor de história que ensinava história a partir da história das ideias.

E como bem lembra minha amiga é também a data de nascimento de Friedrich Nietzsche.

Nietzsche é tão admirável e indefinível para mim ainda. Li ele tão cedo, tão precocemente e incompreensivelmente e num contexto existencial tão singular, em que minha causa principal era resistir e sobreviver aquilo tudo que me parecia impressionantemente louco, ousado e crítico. Mas os dois anteriores fazem parte dos capítulos finais de filosofia grega antiga e filosofia moderna. Nietzsche só poderia ser ensinado para mim após ambos e uma boa pitada de Schopenhauer e de alguns clássicos e românticos alemães de Goethe a Hölderlin. O aniversário dele ser no dia do professor é uma bela coincidência para alguém que não suportava mestres e nem discípulos. E que para mim mesmo gostando de ler e de o enfrentar  não poderia ser um mestre. Como bem, aliás, já me guiava um outro mestre hindu como Krishnamurti que se recusava a ter seguidores ou discípulos.


Bem, o amigo Elenilton Neukamp escreveu um livro interessante sobre Nietzsche e a educação. Para não ficar aqui só na minha opinião e me socorrer de alguém que pode dizer muito sobre isto e no nosso dia. Educação, par alguns, é uma profissão, mas para mim é como a filosofia uma forma de vida e de relação com o próximo, com os seres e o mundo.

PROFESSORES DO BRASIL

“Precisamos valorizar o professor: melhores salários, melhor formação, maior prestigio social, colaboração dos pais e reconhecimento real da sociedade.”


Renato Janine Ribeiro – Professor de Filosofia e Ex-Ministro da Educação

A PALMATÓRIA DE THOREAU


De uma publicação da amiga, professora e tradutora Denise Bottmann:

“Dia dos professores: Thoreau, depois de se formar em Harvard, foi dar aulas numa escola em Concord. O problema era que ele não gostava de palmatória e se recusava a usar. O diretor, por sua vez, não gostou da insubordinação de seu recente contratado, entrou na sala, chamou Thoreau, deu uma bronca nele por fomentar a indisciplina em sala de aula e mandou que passasse a usar a palmatória. Thoreau ficou louco da vida, entrou na sala, chamou uns alunos aleatoriamente, aplicou uma valente palmatoriada em cada um deles, virou as costas, foi embora e nunca mais voltou.”

Esta é a primeira e última palmatória. Para Thoreau e para mim. E imagino como a educação sobreviveu a isso e ou o quanto é prisioneira disto ainda. Talvez exista uma palmatória invisível e mais incompreensível que a primeira.


A NOTA DE REPÚDIO DO CEPROL AO NÃO PAGAMENTO DO VALE REFEIÇÃO PELO GOVERNO

Ler uma nota destas em pleno dia dos professores mostra o quanto anda difícil a nossa vida e a valorização do nosso trabalho. Também mando aqui meu total repúdio ao Pior Governo da História de São Leopoldo que persiste desrespeitando os professores e professoras que trabalham por sua vida inteira para o nosso povo. E tudo isso promovido por algumas centenas de CCs e Gestores Públicos incapazes e ineptos e que provam isto cotidianamente ao nosso povo e aos servidores. É dose ver isto ocorrer desta forma, mas elogio o CEPROL, seus dirigentes e educadores que reagem e todos aqueles que os apoiam também, pois esta é a única forma de superar está situação tão grave. Inclusive agora com esta vergonhosa manobra de realocação de linhas de ônibus que vai só aumentar o custo de transporte dos educadores que como eu usam transporte público.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!

Feliz dia dos professores e professoras aos meus colegas. Muita força e firmeza para encarar os tempos que vivemos em que nossa profissão se torna mais importante ainda. Usar do nosso conhecimento, experiência e Sensibilidade para tornar este mundo melhor e ligar as idéias das pessoas a um projeto como este. Vivemos um dos momentos mais difíceis do magistério estadual e eu confesso que, apesar de lutar contra as adversidades, contra o desespero e contra os absurdos, entendo perfeitamente aqueles que não estão suportando isso. Nossa classe poderia se ajudar mais, mas também tem sido contaminada pelo individualismo e/ou divisionismo que faz alguns acreditarem excessivamente em suas idéias subjetivas, opiniões e convicções, sem aceitar mudança e transformação quando proposta e construída coletivamente. E isso é contagioso, ao mesmo tempo, que é intimidador fazendo os que querem mudanças desistirem. Mas precisamos aprender ainda todos os dias a desistir de desistir para sobreviver e mudar a desordem das coisas... Eu acredito, é difícil, mas eu acredito. Parabéns aos que andam neste mundo guiados também por este espírito ou algo próximo dele! Um abração amigo!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

SOBRE O PERFIL DA DILMA




Tenho certas discordâncias de detalhe, mas é uma análise de perfil feita com cuidado e precisão. Tem limites e tem também certos exageros, mas me parece importante destacar agora duas coisas. Quando ele fala de um  perfil tecnocrático, positivista e centralizador, menos político e maleável que Lula, ele acerta, porém é justamente por conta deste perfil que a  liderança de Dilma é importante, tanto para um combate a corrupção - a dureza e a intransigência necessária para tocar isto até as últimas consequências  o que vem desde o inicio do primeiro mandato e suas defenestrações imediatas de suspeitos, mas também a firmeza com que ela tenta sustentar mesmo sob pressão tanto da esquerda como da oposição quase insuportável e intolerável para outros mortais a disposição de corrigir ou reparar a rota da política econômica e tentar sustar o ataque da banca externa ao valores de estabilidade e liquidez do estado brasileiro. Quando se olha para o tema da responsabilidade fiscal a coisa fica mais nítida ainda, pois a sustentação da política de bem estar social até o limite eleitoral cobrou uma conta alta, porém só quem realmente não tem termo de comparação ou quem não viveu necessidades em outros tempos, poderá dizer que não valeu à pena. Repito aqui que este perfil "tecnocrático e positivista" sustentou a partir de Lula 12 anos, primeiro nos bastidores e depois na cena pública, os melhores tempos de inclusão social, geração de oportunidades e políticas públicas distributivas com busca de dignidade que este país já viveu. E, por conta disto, não será um ano ou dois de ajuste ou arrumação que poderá fazer aos sensatos jogar fora tudo que foi conquistado pelo povo brasileiro e a possibilidade de abrir outro ciclo de conquistas. Não sou pessimista - quem  me lê sabe bem disto - e creio que a partir de maio do ano que vem vamos viver uma retomada, não somente por conta das eleições municipais e da necessária construção de plataformas políticas que superem a desgraceira e a incapacidade de andar em frente para o povo, mas também porque a economia brasileira e isso inclui os trabalhadores que conquistaram coisas inimagináveis nos últimos 12 anos e dos   empregadores, empresários e empreendedores que não vão mais assinar em baixo do propósito de asfixiar o governo para efeito eleitoral. Dilma tem este caráter firme cuja moralidade - com erros de receita bem perdoáveis - será reconhecido. E todas aso outra opções fazem coro a medidas e a corpos políticos desprezíveis para quem viu este país crescer nestes anos. Não se trata só de olhar para o pré-sal como tábua de salvação - o que hoje significa reserva de energia apenas pelos preços das commodities externas - mas sim olhar para um outro ciclo de crescimento que tenderá a se mostrar sobre os pilares estruturais construídos a partir do PAC. Negligenciar isto é esquecer que só há colheita, se houver plantio. Existem diversas políticas públicas cujos resultados que são agora apenas virtuais e que hão de vir em médio prazo. O que alguns deveriam lembrar é que a dupla Dilma e Lula abriram um primeiro ciclo continuo de planejamento e execução de um projeto nacional neste país. O papel conciliador de Lula - que pode muito bem voltar mesmo em 2018 - abriu a famosa concertação nacional. Já Dilma - por boa necessidade cumpre o papel de planificar e deixar a cena política mais nítida. Apesar do grande crescimento e da super exposição de políticas conservadoras, o pêndulo nacional expõe um conflito de projeto cada vez mais nítido. Não se trata apenas de um conflito de classes, mas sim de uma transição demográfica á quente em plena democracia. E isso impõe um padrão de confronto raramente suportável, mas que irá amadurecer a política nacional e gerar transformações profundas na nossa concepção de estado. Coisa que nem a ditadura militar que operava sem adversários foi capaz de fazer com sustentabilidade. Atacar os problemas do presente com democracia é uma façanha política considerável para o Brasil. E este elemento do perfil precisa ser destacado. Portanto, o rumo do governo há de ir ajustando os confrontos numa agenda nacional positiva, ainda que muito poucos suportem e resistam à pressão, tenham febres e dores da tragédia e façam coro ao fim do mundo. Não poderia ser fácil esta navegação mesmo...  

LINK PARA A RESENHA DO ESTADÃO AO LIVRO: DESCONSTRUINDO DILMA   

POST ESCRIPTUM:

1. Agradeço os elogios ao meu comentário sobre a análise de Ab’Saber, sobre o Perfil de Dilma, e creio que é só uma parte do que penso. E também imagino que mais pessoas pensam algo parecido e avançam muito mais sobre a compreensão do quadro em que ela se encontra, tanto administrativo, quanto político, econômico e moral. A sociedade brasileira precisa muito mudar e cada um de nós poderia fazer mais e melhor para isso ocorrer. Sobre ocultar ou revelar, coloco aqui as palavras e aquilo que considero importante em relação ao perfil do autor que comento. A própria história da personagem e sua biografia deveria gerar mais prudência nos juízos apressados, mas há algo bem mais importante que isto ao meu ver e envolve os resultados coletivos obtidos pelo projeto que tem sido construído no Brasil desde janeiro de 2003. E não é pouca coisa mesmo. Não se trata de negar que tem mais ou menos problemas, mas também houveram resultados de alta relevância para a vida de muitos e não somente para os mais necessitados. Porém são resultados coletivos que dependeram do trabalho e colaboração, boa vontade e também tolerância de muitos homens e mulheres e que não são de um partido só ou de uma seita política. O resultado é praticamente uma síntese de algumas gerações da esquerda aliadas ao centro e à uma parcela importante da social-democracia brasileira e alguns liberais. Trato aqui do espectro não pessoal que forjou esta realidade atual.

2.MEU ÚLTIMO COMENTÁRIO AO DEBATE NA EDITORA HEDRA SOBRE O PERFIL DA DILMA

Eu gosto de escrever mesmo porque confio na possibilidade do diálogo. Escrevo com muita sinceridade e tranquilidade. E não acredito mesmo na vitória da esperteza e dos slogans sabidinhos. Jamais imaginei que uma postagem grande como esta minha aqui gerasse tanta simpatia e aceitação. Ainda mais com o viés que usei que é muito mais focado em uma compreensão de normalidade e estabilidade democrática do que na tentativa agressiva e desesperada de atacar, golpear e violentar ao outro. Em virtude de minha curiosidade fui ver os perfis que me curtiram e que me criticam e posso dizer que fico muito honrado mesmo. Não sou nem anti brasileiro, nem a favor da corrupção, muito menos contrário a racionalidade e ao bom senso. Olhei cada um com olhos de curiosidade e fui ver o que cada um tem postado em suas páginas e descobri muita coisa interessante sobre o universo mental e as preocupações de cada um, sobre o contexto a partir do qual fala, o lugar onde vive e o que lhe alegra e lhe aborrece. Uma baita experiência. Algumas destas pessoas me add a partir deste texto e me impressionei com a diversidade delas. Escrevi diversas respostas a algumas críticas aqui. Em parte por pensar que talvez faltasse algo no que eu disse, mas agora chego a conclusão que não é este o problema. Aqui acontece o que é muito comum em debates entre seitas religiosas, torcidas e fanáticos, há uma negação a priori do outro e do que o outro diz. Não há possibilidade de diálogo e de opor razões, não há possibilidade de pesar argumentos e nem de balancear um juízo. Conclui, dizendo para um amigo que debochava da Dilma estes dias, cara eu me abro para a Dilma e agora para o Lula porque conseguir governar um pais do tamanho deste, com os problemas que ele tem, com o tipo de rapinagem que ele já sofreu e com aqueles que estão afim de continuar fazendo isso. Com uma parcela da população que parece estar em um transe ideológico e midiático em que preconceitos de todo tipo, convicções ultrapassadas e práticas absurdas são tomadas como normais é um feito! Tem que ser muito firme mesmo e eu aposto que boa parte daqueles que criticam, culpam parecem não ter mesmo a mínima noção do tamanho do tranco que um presidente do Brasil que quiser enfrentar a miséria, atacar a malandragem e romper com uma cultura de tirar vantagem em tudo e de depreciar este pais tem que passar. Mas as pessoas não perdem mesmo por esperar porque isto está mudando e a negação   aos gritos desta mudança, os esperneios de seus mui qualificados deputados  e senadores contra isso será ao fim e ao cabo derrotado. Lula completa 70 anos hoje, Dilma vai governar até 2018 e a democracia brasileira vai sobreviver a este surtão que deveria ser esperado mesmo, afinal o PT governa o Brasil desde 2002, com todas as mazelas e imposições institucionais e sem arredar pé um milímetro do respeito a lei. Quem errar será preso, quem for apenas um privilegiado no atual sistema de partilha do estado brasileiro pode contar os dias porque vai acabar, vai sim. Será difícil? Muito! Mas o Brasil vai mudar...e eu quero assistir isto e ajudar nisto ao máximo! O choro é livre, mas aceita que dói menos!  

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O APAGÃO DA EDUCAÇÃO QUE É ACOMPANHADO PELO APAGÃO DA MORALIDADE BRASILEIRA


A entrevista do nosso amigo e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro em Zero Hora (Ex ministro da educação teme "apagão de professores". ) corrobora parte do que se percebe no Brasil hoje: uma possibilidade de APAGÃO DOS PROFESSORES, que tem vindo junto de medidas de ataques ao servidores públicos e educadores em muitos estados e municípios. Alguns destes ataques são diretos e outros são indiretos.

Os ataques diretos versam sobre direitos, reposição da inflação e previdência entre outros. Os ataques indiretos envolvem a distribuição farta de recursos públicos para outros setores. E esse ataque reproduz uma lógica perversa porque se limita sempre a fazer os salários inferiores e médios a pagarem a conta da crise. Ou seja, a crise resta só para os baixos salários e carreiras desvalorizadas pelos poderosos.

E me chama muita atenção também que, enquanto isto, a farra dos Deputados, Orgãos de Controle, Judiciário e dos altos salários continua. Olhem com atenção para os privilégios, salários, vencimentos, aposentadorias e benefícios de certos cargos públicos. Dos tribunais de contas ao sistema judiciário. Da Câmara de Deputados às Câmaras de Vereadores. Das Assembléias Legislativas aos seus orgãos afins. Não estou falando aqui de salário de técnicos administrativos, mas até mesmo nestes vemos grave anomia e nenhuma isonomia ou equidade entre os poderes  Tudo se passa, como se a solução fosse na economia dos recursos nacionais dependendo só do mérito e da forma de acesso.

Quando a ANDES - como apontou o ex-ministro - em greve propõe a redução dos recursos da Educação Básica para garantir mais reajustes e verbas ao Ensino Superior, estamos definitivamente perdidos. Porque daí se consagra a visão corporativa, economicista e de uma elite que lembra muito a famigerada República dos Bacharéis. Pois, se prosseguir assim virá sim um APAGÃO. A questão agora é quem vai assumir a responsabilidade política de encarar isto e estancar esta sangria?

E este tema não depende somente de uma Presidenta ou de seu ministério! Nem mesmo de um partido só e seu infiel aliado. A falta de recursos na crise econômica só deixou mais explicita a partilha desigual dos recursos públicos no estado brasileiro. Renato acerta "o Brasil vai ter que colocar mais recursos na educação" mas tem recursos sendo desperdiçados na outra ponta. E isso que a sociedade não quer encarar é apenas deixar de olhar para si mesma no espelho e perguntar qual a minha parte nesta conta? E a elite tem tido gigantesca e arrasadora dificuldade para fazer isto neste país.

E a falta de propostas para tal no campo da oposição também é uma certo na análise do Renato. Observa-se isto em toda as cantilenas da oposição, em propagandas e em manifestações. Chega, na minha opinião,  a ser vergonhosa a situação da oposição que faz a crítica, mas que não apresenta absolutamente nenhuma proposta para superação da crise. Fazem ao contrário um trabalho sistemático e agressivo no Congresso para aprofundar a crise. Achacam no Congresso ao Governo e aos cofres públicos, mas também ao povo brasileiro. 

Sobre a questão da falta de uma percepção da população para a dimensão ética da inclusão social, o ex-ministro também acerta na cabeça do prego. Mas eu creio que isso não se deve a falta de marketing ou de uma retórica do governo sobre este aspecto, mas sim de uma manifesta concepção conservadora na sociedade brasileira. Trata-se de total insensibilidade de parcelas da população perante flagelos da fome e da miséria. Vivemos num país em que a elite e aqueles que a tomam por modelo e ethos social, consideram fundamental tirar vantagem em tudo e que não possuem uma gota de generosidade material ou espiritual com desvalidos, descamisados ou com aqueles que são mais explorados pela concentração da riqueza na mão de poucos. Cantam o hino "Tô nem aí" o tempo todo e só pensam em si mesmos, sem nenhum compromisso ou percepção de reciprocidade e de justiça social.

Eu considero isto ainda uma herança colonial, bacharelesca e subserviente. E esta herança se sustenta sempre numa espécie de tripé de pessimismo brasileiro: de que o Brasil precisa e pode sempre ser mais explorado, que o Brasil não dá certo e que o seu povo não merece a mínima consideração. É este tripé que sustenta a falta de escrúpulos no butim da elite, aquela adoração ao estrangeiro e a grande cara de pau com que alguns se apresentam ao eleitorado brasileiro sob a velha lógica de ludibriar, fraudar e golpear ao povo com mentiras, discursos morais vazios e, tudo isso, combinado com grande desvio de recursos para a Suíça ou para qualquer paraíso fiscal. Cunha é somente a ponta deste iceberg que vez ou outra fica exposta para todo mundo deste país ver e ter ou não posição.           

sábado, 10 de outubro de 2015

“NÃO SUPORTO SER FELIZ”



É a primeira frase e o refrão principal de um poema recitado ou canção em que desfio aquelas coleções de reclamações tão comuns de serem ouvidas individualmente em muitos lugares diversos, mas que juntas parecem um absurdo, pois não te justificativa. Estava, quando a recitei pela primeira vez, um pouco deprimido e melancólico após tomar doses de anti-alergicos para suportar toda humidade destas chuvas e me sai com esta, assim que superei pela manhã todas as minhas tarefas. Dei de ombros ao ouvir algo e simplesmente cantei...a reação gerou certo estranhamento em meus colegas presentes mas gerou também boas gargalhadas...

P.S. E aqui confesso, também, que minha personalidade filosófica tem sofrido ultimamente desde 2013 e antes disto desde 2010, de certas influências definitivamente nefastas e terríveis de minha mais remota e mais velha veia artística, musical e teatral. Mas isso passa, passa tranquilo e passar bem...

GESTÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO CONTRA OS TRABALHADORES EM SÃO LEOPOLDO - MAIS UM ESCÂNDALO!

PREFEITURA MUNICIPAL ALTERA TERMINAL DAS LINHAS DA EMPRESA LEOPOLDENSE CONTRA OS TRABALHADORES

Estou muito revoltado com isto também. Sei que  decisão da atual Administração Municipal atinge diversos trabalhadores e é um sinal de que a prestação dos serviços públicos em São Leopoldo sofre Lobby de empresas. A passagem já aumentou agora a pouco e agora a prefeitura responde a um lobby que é desleal entre as empresas que pertencem ao Consórcio  Bem. E segundo informações que recebi isto parte de iniciativa da Empresa Sinoscap que estaria descontente e age contra a Empresa Leopoldense que é sua parceira no Consórcio de Transporte Público Bem tentando limitar e impedir seu acesso a Estação Unisinos da Trensurb, como se devesse ter algum privilégio na partilha. Até os dias de hoje a partida é da estação Unisinos e eles querem transferir para a rua do Nacional do Cristo Rei porque a Sinoscap alega perder passageiros para a leopoldense....Porque motivo é o cidadão que deve ser prejudicado quando o serviço é concessão pública de interesse público? No meu caso deverei me deslocar da Estação Unisinos até o Nacional do Cristo Rei ou Tirolesa e pagar mais uma passagem para poder chegar ao meu trabalho pelas linhas Vila Glória ou Santa Helena ou seguir até a faixa e descer na Policia Rodoviária federal por causa desta estupidez ter que atravessar a federal e caminhar até a Thomas Edison. As linhas do Leopoldense - Gloria e Santa Helena seguem por dentro na Scharlau via Atalibio e Thomas Edison, enquanto o Sinoscap segue a partir da passarela do Rio dos Sinos pela BR 116 – se queiseres conferir de uma uma olhada no itinerário do site da leopoldense. Não venho de Trem. Moro na Santa Teresa e teria que pegar um transporte coletivo a mais...podes compreende isto? Uma passagem a mais por decisão da administração municipal e desor5ganizando a rotina de milhares de trabalhadores. Este não é, creio eu, um problema que justifique alteração de linhas. A prioridade são os cidadãos, os passageiros e os usuários das linhas. Estacionamento de ônibus é problema da concessionária e não do usuário. O nosso problema de usuário é de itinerário, ponto de partida e chegada e a oferta do serviço com qualidade que atenda a população com baixo custo, como é o meu caso que sou usuário. Não aceito que me seja imposta como aos demais trabalhadores isso para satisfazer esta estupidez e poder ir trabalhar na escola onde presto serviços como professor. O atual governo é histórica e politicamente o pior governo da história desta cidade sem nenhuma dúvida. A prefeitura municipal não pensa, não raciocina e não é justa.


Ligue 156 para reclamar também e vamos nos organizar com abaixo assinados para protestar e seguir ao Ministério Público em defesa dos direitos dos usuários das linhas da Leopoldense.

E cá estou eu brigando por ônibus de novo!

DO SUBLIME NA MÚSICA E NA FILOSOFIA

Será que um outro mundo é possível? Podemos ter a expectativa de mudar este mundo? Como podemos fazer isto? O que podemos Saber? Como devemos agir? O que podemos esperar? De Kant a Gismonti...que mundo realmente queremos? -

EGBERTO GISMONTI - O PALHAÇO AQUI

FOTINHOS DE CRIANÇA



Para nossos muitos amigos que são criticados por colocarem uma foto de criança com suas inocências. Alguns podem dizer que somente num passado remoto poderia haver algo de belo. Ou que Deus está vendo. Porém...Eu diria: que bom que ele tem uma opção. E Deus deve estar rindo muito disso, porque pensa que, em suas múltiplas criações, deve sempre haver algo de belo, bom e verdadeiro, mesmo que seja por um pequeno instante e que sua grandeza se expresse com tanta modéstia e tão escondida, que só aos homens de bom coração, boa vontade e boa fé, será revelada.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

MUDAR O QUE EU SINTO?

"Muitas vezes é mais fácil mudar o que você pensa do que mudar o que você sente sobre as coisas..." pequena reflexão de estudos e vivências, intuições e possibilidades de mudanças - por e para Hume....

EU PROFESSOR, VOCÊ AMIGO!



Numa noite de 2015 e eu me contemplo de forma quase instantânea como se 30 anos tivessem passados em uma noite e um dia e me vejo um professor aos 50 anos e 9 meses - E eu em sala de aula de uma escola pública estadual passando das 22:30, lecionando primeiro História da Segunda Guerra Mundial, para o terceiro ano, História do Império Romano para o primeiro ano e, depois disto, para o segundo ano Introdução ao pensamento de Immanuel Kant. Tudo fazendo uso de livros didáticos e de meus recursos de abordagem, comentário e interpretação. Um aluno entra em sala após passar na biblioteca e tomar emprestado Olga de Fernando Morais e eu orgulhoso olho para ele e comento: este é o único livro que me fez chorar na vida. Em seguida complemento e o seu autor é meu amigo no Facebook e ele olha e sorri. E eu digo pode ir lá ver porque é uma pessoa muito legal e de ótimo astral apesar de seus quase 70 anos. E segue a aula. No ultimo período, na aula sobre Kant, vejo os alunos brilharem os olhos para as questões de Kant: O que posso conhecer? O que devo fazer? O que posso esperar? e O que é o homem? e minha brincadeira sobre os tipos de Durkheim Solidariedade Orgânica e Mecânica e os juízos reflexionantes kantianos e nossa capacidade de agir orientado por razões coletivas e não somente por impulso sem reflexão, e depois disto, nas três aulas, os debates a partir de três questões: Quais são as dúvidas de vocês? O que vocês destacam do texto? e Qual comentário gostariam de fazer sobre esta matéria? E fim, volto para casa pensando:no meu dia que correu bem e, ainda bem meu amigo e  amiga, que é exatamente isto que eu escolhi fazer na vida!  

terça-feira, 6 de outubro de 2015

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FIM DO PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO


Nem o encarregado da feitoria do Linho Cânhamo que açoitava dia sim e dia não aos escravos e escravas por qualquer motivo, seja por desprazer, tristeza, infelicidade e indolência seja por neurose e perversidade, foi tão odiado pelo povo desta cidade. Não vale sequer comparar com governos impostos no século XIX, ou comparar com  governos cuja sina passageira e carregada de crises ou  cuja passagem nada trouxe de notável a história desta cidade. E também não vale mais desfiar aqui a série de erros, a série de maldades e a série de incompetências de um governo que colecionou equívocos, abusos, torpezas, violências e muito desrespeito aos servidores municipais e aos cidadãos. Isso vai atingir sim seus vereadores também e, salvo tenham guardado muito dinheiro e muitos lhes devam, alguns favores, obséquios e salamaleques vão todos ser demitidos pelo voto do povo, inclusive aqueles que se deslocam à sombra, fingindo não ter nada haver com os absurdos no Semae, com os absurdos no Hospital Centenário, com os absurdos nas Secretarias de Educação, Saúde, Planejamento ou Geral, Administração, Fazenda e outras e com a pose deslavada de FAZ DE CONTA QUE A CULPA É DOS OUTROS ou FAZ DE CONTA QUE EU SOU BOM. Não há termo de comparação que suporte tal obra e tais resultados, desfeitas e absurdos.

Durante três anos assistimos - e isso não foi feito em silêncio por nós - um erro atrás do outro, a lista é tão grande que dá para ilustrar em semanas e colecionar em semanas a obra negativa deste governo. E também listar ou nominar o silêncio obliquo daqueles que os colocaram lá que aos poucos passou do vamos esperar ao não espero mais nada. Certa feita falei em exílio ou ostracismo dos responsáveis, mas não é para tanto, basta que se calem e resolvam guardar a viola no saco e deixar esta cidade reparar e corrigir a aposta mal feita, a burla imposta por um avião no céu, a fraude consolidada por denúncias e outras iniciativas que serviram apenas para recolocar uma elite decadente no poder. A importação de quadros estrangeiros para esta cidade foi tamanha e de tamanha barbaridade que nenhum deles passou a transitar com a desenvoltura pública no meio do povo. Alguns atraíram para si a responsabilidade de mau feitos, outros caíram em suas cadeiras da obscuridade sem produzir nada a não ser as obrigações que a cidadania soube lhes impor por meios legais e por meios sociais. Alguns que do topo de sua superioridade intelectual hoje estão em silêncio ou escondidos ganhando um salariozinho e acomodados, com suas revoltas deglutidas, seus princípios democráticos e públicos silenciados. Alguns, é bom  que se diga, andam casmurros, cabisbaixos e envergonhados e dignos de pena, pois frente seus conterrâneos já desviam o olhar, com  uma culpa indevida, mas arrastando o peso de suas consciências pelo que se sucedeu em larga escala. Mas também há aqueles agregados, recém chegados que fazem de conta que nada aconteceu e que nada é com eles. Mas ainda há uma nata de corajosos que já coalhou e que anda por ai de peitinho estufado como se fizesse parte do melhor governo do mundo, como se não houvessem barbaridades em todos os planos cometidas por sequazes, algozes, capangas e outros tipos contra cidadãos e servidores desta cidade. Quando você olha para o quadro na Câmara de Vereadores vê uma magistratura esfacelada que anda de lado na cidade e que mal sabe o fim que lhe aguarda. E existem aqueles que já caíram fora e que tentam criar alternativas políticas para suas excelências sobreviverem e tentarem de novo outra aventura. É o quadro de uma democracia com poucas opções que temos hoje. Alguns tem dois tipos de problemas. Não são conhecidos pelo povo e o povo que os conhece tem juízo bem diverso de suas auto imagens.
Outros tem a força de novas estruturas políticas que também não tem soluções para problemas de gestão e problemas do povo da cidade. E todos, sem nenhuma exceção, precisam ao meu ver renunciar a pretensão de ludibriar ao povo, de vestirem uniformes que não lhes pertencem ou ostentar um caráter que não possuem, porque o povo desta vez há de fazer justiça na urna e demitir em números aqueles que não possuem palavra, propostas e projeto para esta cidade. Quem tem apenas interesses, vaidades, ambições e vendettas a oferecer não precisa assumir governo algum, que monte um Pasquim a mais para obstar a história e o progresso desta cidade, mas que faça a entrega de graça, pois ninguém vai querer pagar para ver no que vai dar tal projeto mais.


Doze meses, então, nos restam para ouvirmos de novo e finalmente a voz do povo cantar bem afinada nas urnas e virar a página desta terrível história! Que a paz esteja convosco e que o conforto do lar lhes devolva juízo! São Leopoldo não merecia isso!