domingo, 30 de agosto de 2015

SARTORI E O GOVERNO DA COVARDIA E DA VERGONHA CONTRA OS TRABALHADORES



O massacre que este governo está fazendo é tão grave que temos sim que entender a luta dos servidores. Entender a greve dos servidores e apoiá-los. 

Tem funcionário público em desespero com suas contas e compromissos já e que temem não poder cumprir com suas obrigações com seus dependentes. Tem funcionário público e filho de funcionário público sacrificando planos e projetos importantes para melhorar de vida, avançar nos estudos e manter suas casas e famílias unidas. É muito grave isso...É um ataque covarde aos trabalhadores que prestam serviços ao Rio Grande do Sul.

É uma grande covardia e perversidade que o Governo Estadual do Sr. Sartori, dos partidos que o apoiam - PMDB/PSD/PPS/PHS/ PTdoB/PSL/PSDC/ PSB/PDT/PP/DEM/ PSDB/SDD/PRB,  comete com a vida de milhares de trabalhadores, seus familiares e com o povo gaúcho. Tudo para poder aumentar impostos e preservar privilégios, benesses e isenções para os poderosos. 

Ao invés de recorrer a uma solução imediata e emergencial que é sacar os depósitos judiciais para evitar a penúria dos trabalhadores e a covardia de obrigar os trabalhadores a pagar a conta que os poderosos criaram, o governador resolveu fazer os trabalhadores sofrerem. As dívidas deles se avolumarão, pensões, alimentos, aluguel, prestações, luz e água, empréstimos tudo irá pressionar e deprimir gravemente a vida e saúde dos trabalhadores, seus familiares e do povo. 

E ainda tem os colegas que, com o terrorismo e a continua perspectiva de parcelamento dos salários e a insegurança financeira, já entram em pânico e começam a acusar depressão, burnout e outras doenças. É muito grave e covarde isso e penso que terá terríveis consequências na vida de muitas pessoas e irá agravar os impactos da crise no RS. Além de precarizar os serviços de segurança, educação e saúde atinge todos os demais servidores cujos vencimentos são bem inferiores a média salarial de CCs e cargos com privilégios e prerrogativas dos poderosos.

Quem concebeu esta estupidez esta comentando um crime contra as pessoas e suas vidas e deveria ser banido da vida pública sem nenhuma vacilação. E pedir compreensão aos trabalhadores e ao povo, ainda por cima, sem compreender algo tão básico e elementar como a sobrevivência dos trabalhadores, a proteção de seus dependentes indefesos e a saúde de todos é vergonhoso.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

PICARETAGEM POLÍTICA, PRIVATIZAÇÃO E PIROMANIA


Cumpra a lei e administra direitinho e se não consegue fazer isto não se apresenta como candidato em eleição. Porque o nome disso é picaretagem. Alegar que não consegue pagar salários para tirar direitos, aumentar impostos, descumprir a lei e privatizar.

Meu pequeno Comentário ao texto do Gustavo de Mello:


“Uma das características da direita é escrever com ódio e falta de cortesia com seus "preceptores"; especialmente aqueles que tem uma brevíssima passagem para depois tornarem-se paus mandados do fascismo de plantão. Olha só. O Tarso pagou os salários em dia. O Olívio quando foi governador escolheu sempre pagar o magistério, em dia, e organizar politicamente a recuperação gradual dos salários mais baixos da estrutura pública, segurando os aumentos para os mais altos. Sartori não pagou em dia. Ponto. Não adianta insultar e chamar de bolivariano, roncar grosso pela Venezuela. Ponto. Não pagou em dia, é isso de simples. Nós pagamos. Sim! Nós de esquerda e do PT e não adianta colocar a culpa nos outros. Vai pagar os salários em dia!”

UM MASSACRE IMPIEDOSO


E só pessoas cujo caráter é suspeito são capazes de defender a impiedade e a execução de outros seres humanos. Quem dirá então fazer isto por diferença ideológica ou de opinião, como se houvessem certezas absolutas sobre as quais repousaram seus juízos e opiniões ou leis mais justas e ações mais morais daqueles que fizer isso. Ora, definitivamente não é o caso. Que seja feita justiça e que se reparem todos os danos aos entes queridos, familiares e amigos. Link: 614 ossadas de possiveis desaparecidos na ditadura sao recebidas pelo MPF

A FÉ E OS MISTÉRIOS QUE NOS DESAFIAM




Eu escrevo este relato para uma amiga querida que nos fala de sua fé, porque lembrei uma consideração recente minha sobre isto. Mas dedico a todos os amigos que tem fé e que sabem que o significado disto não é ter uma certeza inabalável, mas sim ter uma suave esperança que conserva nos certa boa vontade que me parece ser mais importante que certezas, verdades ou dogmas. Pois estes dias estava sentado lá no sindicato Cpers, conversando com o professor João Carlos sobre muitas coisas. Em pouco tempo apontei para o outro lado da rua e disse olha só o que temos na frente do 14o. Hoje uma Cartomante. Olhei para ele e disse que aquilo tinha que ter algum significado nem que fosse só para nos desafiar a entender ou aceitar simplesmente algo. Ele me olhou e lembrou de uma vez em que as professoras fizeram uma trilha luminosa de velas até o Palácio Piratini e que quando um PM da Brigada quase pisou na vela uma professora gritou Alto lá, já dizendo que aquelas velas tinham algo especial, algum poder e certa importância e eis que imediatamente o brigadiano bem grandalhão recuou de súbito pálido e impressionado e não pisou mais ali, nem ele e nenhum outro. Após o relato olhei para o JC e disse que houve um tempo em que eu queria muito ser um homem de verdades, mas que hoje eu me contentava em ser apenas um homem de fé e de boa vontade, porque isso ainda é de fato um dos primeiros sustentáculos de nossa vida. Te digo Dani que penso muito mais hoje do que pensava um dia, mas que cada vez percebo como maior a importância da fé e da fé em coisas boas para a vida. E ao ler isso que você disse aqui eu re conto est história para dizer que uma fé desta natureza sempre torna a nossa vida melhor. E é algo maravilhoso, pois sem isto sequer a verdade e as certezas tem algum valor. Um grande abraço e continue com tua boa fé, porque ela vence qualquer coisa neste mundo.

FELIZ POR UM SEGUNDO!

 - A vida com reflexão é a vida que vale a pena ser vivida ...pelo menos para um determinado tipo de pessoa, um determinado tipo de trabalho e um determinado tipo de paixão...quando tudo isso se combina em um determinado momento e em um determinado lugar, então...Aqui provocado por um vídeo do Clóvis Barros Filho.

sábado, 22 de agosto de 2015

MEUS COLEGAS, ALGO SOBRE O MEDO, A VITÓRIA E A LUTA NO RIO GRANDE DO SUL

MEUS COLEGAS, ALGO SOBRE O MEDO, A VITÓRIA E A LUTA NO RIO GRANDE DO SUL

Temos uma grande luta pela frente que talvez seja a luta para a qual tenhamos sido forjados por uma vida inteira. 

Não sei o que vai acontecer, não tenho como saber agora, mas tenho esperança e não me sinto nem atemorizado, nem mais corajoso e nem mais covarde que ninguém. Coloco a cabeça entre as mãos e penso no que já vi, no que já li e no que vejo e olho, então, para o futuro. Penso no meu espírito e na vida de meus colegas e concidadãos. 

Não penso mesmo só em mim. Sei desde que entendi porque fazer sindicato que o que está em jogo aqui é a nossa vida e a história do nosso povo. Recomendo com respeito muita reflexão e considero aqui que o desespero é sempre o pior conselheiro. 

Fomos subestimados sim, pleo ataque que sofremos e pelas medidas que vão vir disto e isso eu sei. Mas reagimos agora e pela reação - que alguns querem diminuir e outros ainda não entenderam - creio que podemos fazer mais e melhor  não somente com os servidores mas com toda a sociedade...

Calma agora, não é hora nem de chorar e nem de rir, sempre devo lembrar que a vitória não está garantida para nenhum dos dois lados!

José Ivo Sartori Governador eleito com 60% dos votos quer privatizar, terceirizar e submeter todos os trabalhadores do estado ao seu projeto, porque é só mais um que julga que ganhou um cheque em branco.

Os trabalhadores em educação querem impedir isto e defender seus direitos e dos cidadãos.

Não podemos nos dividir, nem brigar e nem nos entregar ou recuar. Não se trata disto, se eu não tivesse esperança ficava em casa assistindo pela televisão! O que ele quer fazer eu sei, mas eu também sei o que nós temos que fazer e como contra isto e conto com a sabedoria tua e de nossos demais colegas para isto!

 Não está na hora ainda de cantar nem derrota e nem vitória!
Olho para isto como a maior luta da nossa vida!

E não tenho a menor dúvida de que é o pior momento da história da educação estadual.

Após anos de luta e de resistência, de muitas conquistas e entre estas os concursos e as nomeações que renovaram a nossa categoria, vejo uma ameaça pérfida, perversa e direta aos nossos direitos. Sartori não é um equivalente a Yeda nem ao Britto é somente pior, muito pior que estes dois. 

Os que estão ao seu lado venceram para tentar fazer o que nenhum dos dois conseguiram. E querem fazer isto, mas eu creio sinceramente que somos melhores que eles, somos mais fortes que eles e mais capazes que eles. Não possuímos capital, apenas inteligência e sabedoria, conhecimento e relações que em acordo serão sempre superiores aos seus poderes. 

Por isto peço para todos os meus colegas: participem, sejam generosos com todos, sejam mais compreensivos, conciliem e superem as velhas mágoas e suportem juntos esta jornada, pois esta é a única forma de vencermos!    

PEQUENAS NOTINHAS PERSONALISTAS DA SEMANA



Segunda-feira tive aulas em períodos reduzidos manhã e noite, e a tarde uma função pessoal;

Terça-feira pela manhã COMPARECI na ASSEMBLÉIA GERAL DO CPERS. Cheguei na Assembléia com uma espécie de diretriz interpretativa geral que envolve a minha percepção de qual é a maior qualidade desta parcela da categoria dos educadores estaduais que comparece nas Assembléias e que se engaja na luta sindical e que eu tenho visto e percebido desde meus primeiros tempos: a extrema sabedoria e inteligência dos educadores gaúchos que não os torna infalíveis, mas que quando é considerada e quando orienta seus juízos produz grandes resultados e avanços na educação. Então eu fiz questão de assistir na primeira fila todas as avaliações, falas e defesas para ver onde isto se apresenta. Alguns podem imaginar que só admirei falas que concordam com minha posição sobre a greve por tempo determinado mas não foi exatamente assim. Muitas falas que tratavam de defender greve por tempo indeterminado tinham bom conteúdo e elementos que, apesar de não justificarem tal encaminhamento, sustentam posições de muito rigor e clareza sobre a luta que vamos enfrentar. Mas também percebi na maior parte das falas uma espécie de sensatez e ponderação que eu creio que vão contribuir para dar um tom melhor a nossa luta e unificar mais a nossa categoria para se superar certo divisionismo recalcitrante e persistente entre nós. Tenho convicção de que estamos a enfrentar o maior ataque aos nossos direitos, aos servidores públicos e aos serviços públicos e ao patrimônio público da história. Sei que isso precisa ser traduzido para os cidadãos e fazer eles entenderem que não é só a vida dos funcionários públicos que está em jogo não, mas que também as políticas de educação, saúde e segurança e diversas outras áreas e que atendem diretamente ao povo gaúcho está em jogo nesta jornada. Em virtude destes dois elementos, então, não gostei muito do tom emocional que alguns poucos companheiros continuam usando em suas argumentações e falas, como se os educadores devessem ser seduzidos ou enfeitiçados por uma grande paixão para decidir o que devem decidir - isso não quer dizer que não me emociono quando falo nem que não me emociono quando vejo outros falarem da vida e da nossa luta - e também não gostei da agressividade excessiva de outros em relação a quem pensa diferente ou propõe algo diferente - lembro sempre de algumas decisões ruins da nossa categoria orientadas por este espírito raivoso, porque estas duas características são absolutamente equivocadas em nossas relações e em relação aos demais trabalhadores e cidadãos. Não  será nem a raiva e nem a paixão que nos fará vencer o que estamos a enfrentar hoje. Somente nossa inteligência e criatividade, generosidade e compreensão nos unirão e nos permitirão vencer. Então apreciei e muito a atitude atenta e silenciosa, reflexiva e ponderada da grande maioria dos educadores que - mesmo com posições diferentes - sabem que a jornada que se abre nesta semana talvez seja a maior luta de nossa história e mais dura batalha dos educadores gaúchos. E eu vi nos olhos de meus colegas e muitos com quem caminho desde antes mesmo de ser professor, uma atenção extrema e muito cuidadosa com certos detalhes e  votei e caminhei até o centro da cidade, encontrando muitos colegas e muitas pessoas da nossa luta e jornada que se inicia  Todo mundo sabe que a caminhada dura três anos e que o principal desafio envolve de um lado brecar e impedir que se executem as maldades contra nossos direitos e dos cidadãos e, ao mesmo tempo, exigir o cumprimento da lei e amparar nossas ações na mais rigorosa e límpida unidade de propósitos, apesar das diferenças que nos precedem nesta luta, das diversas vozes que habitam e que se reproduzem na nossa categoria - inclusive as apaixonadas e raivosas. Sei que temos a responsabilidade de cuidar de cada um e de cada uma nesta luta e amparar uns aos outros nessa jornada.


Na terça de tarde assisti o maior ato sindical e político de que tenho lembrança desde a campanha das diretas já. Digo isto não pelo número de participantes, mas sim pelos diversos ramos de servidores representados e identificados em seus 43 sindicatos e cujas lideranças - apesar também de diferenças e dificuldades - conseguiram fechar e construir uma grande frente para encarar as ações e maldades do governo Sartori. Após a Assembléia Unificada todos seguiram em caminhada até o Palácio Piratini e houve um episódio que marca o quão impopulares são as medidas de governo Sartori e quão impopulares e quão forte poderá ser a resistência dos trabalhadores unificados ao seu governo e aos seus deputados. Ninguém  comentou este episódio em detalhes ainda porque deve calar fundo de um lado na Assembléia Legislativa sua semelhança e extraordinária superioridade em relação a última vez que tal coisa ocorreu. Mas houve sim certa invasão ou comparecimento massivo de muitos nas galerias e que os servidores públicos que ingressaram para dar uma pressão no Plenário da Assembléia Legislativa o fizeram de forma impressionante e assustadora para os Deputados e para o Governo que achava que iria votar seu Pacote de Maldades impunemente e sem nenhuma pressão contrária. Em 1997 o Governo Antonio Britto sofreu resistência de trabalhadores e servidores públicos  também quando enviou seu pacote de privatizações para a Assembléia e na Sessão de Votação um incidente ficou marcado na lembrança. Eu creio que desta vez – devido a envergadura maior do ataque aos serviços, servidores, patrimônio e direitos dos trabalhadores e cidadãos, Sartori irá sofrer maior oposição ainda e a grande frente unificada de sindicatos tende a ser engrossada pela adesão ainda esperada de mais movimentos sociais e mais setores representativos e outras instituições da sociedade gaúcha. Com a inclusão da proposta de aumento de impostos Sartori irá agravar mais ainda as condições de vida dos servidores públicos e promover indiretamente mais recessão e redução do consumo e da circulação de moeda em nosso estado. Isso vai gerar mais desemprego e provavelmente não vai recuperar a arrecadação. Sartori tem pela frente outras escolhas que não ousa fazer desde que concedeu reajustes aos altos salários e que continua contratando novos CCs. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

PROTEGENDO MEUS ALUNOS DE ILUSÕES

Enquanto alguns estão muito preocupados em censurar aos outros, em julgar ou presumir as intenções dos outros e em ficar falando o tempo todo de direitos, democracia e liberdade de opinião ou juízo, mas, ao mesmo tempo, não deixam de ofender, debochar e gozar quem pensa mesmo sobre isso de forma diferente, com maior ou menor sutileza, fazer pirraça ou zoação de algo que é muito sério para a nossa vida real que é o destino da democracia, da liberdade e dos direitos civis brasileiros, eu do meu lado ando bem ocupado aconselhando meus alunos a terem muito juízo e não abandonarem os estudos e levarem a sério o seu futuro, dizendo que tudo passa e que o estudo sério, ainda que com muitos sacrifícios, cansaço e dificuldade é o único caminho possível para melhorar de vida ou condição. Como, aliás, foi para mim, para minha esposa, vai ser para as minhas filhas e meus alunos e alunas. Não existem as soluções mágicas, nem os salvadores da pátria, muito menos as opções que os vendedores de ilusões pregam por aí. O nosso país só vai mudar se formos mais sérios, mais solidários e melhores. O espetáculo que eu vi ontem nas manifestações é vergonhoso e eu espero que algumas pessoas se dediquem seriamente a analisar porque sem fazer de conta que aquilo não demonstra uma péssima condição moral, política e histórica na cabeça de uma parte das pessoas que realmente ainda não entendeu o Brasil e muito menos levam a sério a vida real. Que a vida no Brasil real não é mesmo aquela coleção de bobagens que alguns playboys, madames e pessoas de boa condição material trouxeram às ruas. Os Cunhas deveriam mesmo ficar no passado e nós deveríamos nos dedicar bem mais a cuidar de quem precisa e não dar mesmo mais atenção a está turma de barriga cheia, Moet Chandom e muita vida boa. Meus alunos e alunas merecem minha atenção e razoável proteção das ilusões desta gente.

FINANCIAMENTO PRIVADO TRANSPARENTE

Bom dia...estava pensando aqui em certas coisas. Já que o Cunha e seus eleitores e deputados de sua jaez aprovaram o financiamento privado de campanhas e ninguém protestou, será que a gente não consegue obrigar que os candidatos com financiamento privado tenham em seu materiais de campanha citado claramente que empresas e que financiadores os apoiam? Quem apoia esta ideia? Afinal deveria fazer parte do direito eleitoral que todo cidadão soubesse quem financia seu candidato e que interesses, lobbys e patrocínios ele defende em sua campanha propagandas e exercício do mandato. Transparência não faz mal para ninguém e uma democracia exige isto.

sábado, 15 de agosto de 2015

STANFORD, AUSTER E O HOMEM COMUM AMERICANO




A situação descrita na breve história de fundação da Universidade de Stanford em que ocorre desprezo por parte da secretária do reitor e do reitor de Harvard, por um casal de senhor e senhora que pretendia homenagear o filho morto e que, por conta disto, acabam fundando a Universidade de Stanford é só mais uma entre tantas demonstrações e típicos textos culturais que fazem certa homenagem ou reverência ao homem comum, modesto e humilde na América. 

É também mais um caso de história que sofre certa transformação ficcional e fica mais bonita. Mas nesta histórica o que eu mais gosto não é sequer o tema da diferença entre a aparência modesta do casal e o juízo discriminatório da secretária e do reitor - justamente o elemento ficcional destacado e criado - mas sim o tema do homem comum, modesto e trabalhador cuja aparência é desprezada somente por sábios presunçosos, pessoas preconceituosas e  que não entendem com certa facilidade a importância e o respeito que devemos aos homens e às mulheres comuns, sem os quais a comida não chega em nossas mesas, casas não são construídas, o lixo não é recolhido, não há luz para o baile, nem transporte para as viagens, muito menos razão e sentido em se ter algum conhecimento, estudo ou qualquer distinção ou autoridade quando não compreendemos a sua importância. E isso é justamente uma das características que eu mais admiro em certa tradição cultural presente na américa do norte, em especial, em certas regiões dos EUA, onde qualquer um - do mais rico ao mais pobre - sabe que é do homem comum que deriva toda a riqueza, todo poder e toda sabedoria. Muitos elogiaram este elemento da américa de Alexis de Tocqueville à Hannah Arendt. 

E eu me rendo a isso, reconheço a grandeza disto naquele país, porque sei que este é justamente um dos elementos culturais que nos falta aqui no nosso pais. Um país que foi colonizado pela sub-elite européia, cuja arrogância com o povo comum, o desprezo permanente e a discriminação com as pessoas simples ou pobres, esconde e encobre apenas esta ferida de um narcisimo fragilizado pela subalternidade, subordinação e submissão persistente aos  Impérios Coloniais Europeus.Para mim é justamente disto que que se deriva tanto o complexo de vira-latas, quanto as fugas para Miami, a adoração à última moda em París, Londres ou Berlim e, também, é claro esta persistente e repetida presunção de que o povo brasileiro não merece respeito, consideração ou elogio em qualquer coisa que faça, procure fazer ou já tenha feito. Aqui, ao contrário do que a historinha conta ali um casal modesto sequer seria atendido pela secretária do reitor, pelo gabinete do prefeito e etc. Lá, e é isso que eu gosto de elogiar nesta grande tradição cultural deles, um cidadão qualquer é a base da liberdade de todos. 

Para terminar com um exemplo, estes dias comprei em um sebo um livro extraordinário organizado e introduzido por Paul Auster - Achei que meu pai fosse Deus e outras histórias verdadeiras da vida americana, pois nele constam histórias reais narradas por pessoas comuns de toda parte da américa e ao ler me deliciei com a quantidade de tramas originais e muito significativas para roteiros de cinema, canções ou mesmo cenas de teatro ou imagens a serem criadas, pintadas, em colorido ou preto e branco, desenhadas por cartunistas ou até virarem temas de cenas e todas as formas possíveis de criações que estendam, com mais ou menos ficção, seus enredos incríveis e muitas vezes surpreendentes de alguma forma para nós. 

E após ler fiquei pensando se isso seria possível ser feito no Brasil e como seria. A ideia que levou a isso é muito simples receber e ler por escrito histórias de pessoas comuns em um programa de rádio: pois ele recebeu em um ano 4000 histórias de uma, duas, três e até quatro páginas. Mas que apelo teria aqui no Brasil histórias contadas por pessoas comuns para uma parte da elite que é ensimesmada e para outra parte de nosso povo que parece desprezar sua própria condição?

A FILOSOFIA POLÍTICA MODERNA AINDA É ATUAL?



Hoje pela manhã, bem cedo, na sala dos professores estávamos conversando sobre alguns livros que andamos lendo. O nosso Diretor Geraldo leu Videiras de Cristal do Assis Brasil e eu lembrei do livro que li do Erico Verissimo no começo do ano, Incidente em Antares por conta da relação ficção e história presente nestas obras de Romance Histórico e, outros colegas presentes lembraram de outras obras. Então, eu falei um pouco de romance histórico, em especial a primeira parte da obra de Erico Veríssimo sobre a história política do RS, pois a mistura entre ficção e história serve neste caso não para distorcer a história, mas para poder, com pinceladas de artista, narrar uma história real e também interpretá-la.

Acabei, em moto continuo, falando de Rousseau, porque tinha alguns livros em mãos (Origem da Desigualdade entre os Homens, Do Contrato Social e Devaneios de um Caminhante Solitário) e porque este foi o conteúdo trabalhado nesta semana com os segundos anos, com  uma abordagem a partir da leitura do livro didático (COTRIM, Gilberto. FENANDES, Mirna. Fundamentos da Filosofia. p. 278 e p. 356) e de alguns comentários meus que estendem este tema para problemas cognitivos ou epistêmicos, morais e também afetivos.

Olhei para o nosso querido diretor Geraldo e comentei que muitas vezes a gente fica imaginando que os problemas que temos são porque as teorias que organizam nossos sistemas são velhas ou antigas ou que, como pode parecer para alguns e talvez muitos, o problema é que as teorias modernas Contratualistas, Liberais e Democráticas não funcionam  ou não dão mais certo hoje. Pois, comentei, então,  com meus colegas professores de história, Adriano e Carlos Felix (nosso acadêmico de história e ex-aluno, que está fazendo seu estagio aqui no Olindo) que talvez não seja exatamente este o caso.

Fiz, em seguida, um elogio a Rousseau, a sua inteligência e perspicácia tanto no Contrato Social como em outras obras e, um pouco depois, estendi o elogio, na verdade, a muitos filósofos políticos modernos à respeito da importância das suas obras e ideias que apesar de terem em sua maioria quase 300 anos ou mais de 300 anos ainda são importantes e seu estudo ainda deveria ser mais estimulado, pois a falta de teoria, leitura e compreensão da política com certeza está por trás de muitos problemas políticos atuais.


Então, estávamos ali pensando e dialogando e eu encontrei de súbito em minha mente para diferenciar esta questão uma metáfora sobre os alicerces, a casa e os moradores dos nossos sistemas políticos, que talvez nos ajude a repensar isto. Acabei dizendo que tentamos construir alicerces novos e às vezes reformar a casa quando o verdadeiro problema continua sendo quem mora dentro dela e como as pessoas que vivem dentro dela se comportam e atuam e da própria compreensão destas pessoas a respeito disso. As vezes tentamos reformar a casa, construir novas teorias, mas o problema continua sendo os moradores da casa e sua compreensão sobre suas relações, obrigações e responsabilidades.   

AINDA SOBRE A FOME DE ABSOLUTO, NOSSAS CRENÇAS E NOSSOS GOSTOS

Penso que temos problemas conceituais e de perspectiva aqui. Esta relação entre crenças, sentido da vida e absoluto é altamente afetada por nossas inclinações involuntárias, pelos nossos hábitos e crenças adquiridas, mas também, à medida que vamos elaborando uma compreensão e muitas vezes interpretação de tudo que supera esta base cultural, avançamos,  por nossas disposições deliberadas, sejam elas conceituais e reflexivas ou simplesmente de gosto (aqui faço menção direta aquilo que nós preferimos).

Também adquirimos crenças em nossa formação e em nossos momentos dedicados à reflexão. Nossas crenças tem esta espécie de matriz permanente e que em alguns casos parece flutuante entre crenças desejadas e expectativas, formas de sua aquisição, tipos de fixação de crenças e também na modalidade ou seu status de verdade ou credibilidade em crenças plausíveis e possíveis, crenças duvidosas e crenças ás quais atribuímos verdade ou certeza.

Tenho notado - e não quero ser relativista aqui, mas apenas apontar como uma direção de pensamento - que este desejo de absoluto, ou vontade de poder, impulso de controle, busca da totalidade, esta diretriz de método de possuir uma análise completa do tema ou problema ainda está buscando um absoluto, certa extinção de um resto indomável ou inexplicável. Ainda há para mim ai uma espécie de grande impulso da razão de isolar ou cercar nossas paixões, o indeterminado e o duvidoso. Isso que chamam de vontade de acreditar em algo absoluto se traduz para mim numa espécie de dispositivo de gosto ou preferência, pois tendemos a preferir  sempre a possibilidade de que exista algo absoluto, uma solução definitiva ou uma explicação final. Aqui há uma espécie de gosto para mim. 

E na história da ciência vemos esta mesma ambição e gosto por uma certa forma de absoluto que parece irrenunciável. Quando digo gosto aqui eu creio que se trata de algo que vai mudando por influência cultural exterior a nossa base original e que acaba por fazer evoluir nossos anseios estéticos e morais de um tempo a outro nesta vida, por conta de vivermos em sociedades cuja diversidade de oferta e visibilidade de oferta cultural é bem mais ampla que aquela encontrada pelos modernos, pelos viventes europeus do século XIX, XX e que no século XXI é ampliada mais ainda.  A esperança também é uma crença e tenho visto que mesmo após francas e claras decepções nós persistimos acreditando em algo melhor, em algo superior.

Eu não sei se está fé se perde assim tão fácil. Tenho pensado nisto e vejo ela minimizada, mitigada, encolhida, mas que vez ou outra se regozija com qualquer coisa que possa lembrar ou satisfazer por mínimo que seja aquela esperança ou desejo. A arte substitui este absoluto sim. Ao meu ver porque envolve uma certa forma de totalidade acabada e que conversa internamente com outras obras e externamente com o mundo e nós mesmos fazemos e traçamos estas conexões. A arte também tem suas decepções quando lemos a obra completa de um autor ou quando ocorre certa decadência ou decaimento do talento de um gênio, pois muitos não conseguem se manter no que chamo de topo da montanha alcançado, decaindo seja em sua vida seja em sua obra. E estas decepções ocorrem de muitas formas. Nós tendemos aqui a voltar a um grande tema metafísico que envolve a relação entre nossas teorias científicas e até onde elas nos acompanham em nossa fé em atingir algo absoluto ou completamente determinado.

Na arte isto também é uma espécie de meta e na vida não podemos desprezar este desejo também. Penso, enfim, que isto vai sendo modalizado e alterado ao longo da vida e segundo nosso acesso a conhecimentos, experiências e também avaliações dos acontecimentos e relações que estabelecemos entre eles e nossas crenças, expectativas, ideias e gostos.

Por fim, é claro que quando te respondo ao tema da fome de absoluto com uma espécie de doutrina ainda que mal desenhada do gosto em nossas volições creio estar te dizendo que esta fome não existiria se não fosse em alguma medida saciada e satisfeita, ainda que tenhamos muitas decepções, desprazeres e ainda muitos banquetes indigestos pela frente e ao longo da vida e da nossa dedicação a refletir sobre ela. 

Agradeço aqui a bela provocação para esta reflexão pelo amigo e colega Alexandre Noronha Machado. 

E A EDUCAÇÃO PDT?



Esta semana me dei por conta de que o PDT está passando ileso do corte de salários e do parcelamento. Pois o partido do Brizola, tem o Secretário da Educação, Vieira da Cunha que foi, quando candidato a governador, ao CPERS prometer que tinha solução para o piso salarial dos professores e que agora, após o vergonhoso parcelamento dos salários dos servidores públicos estaduais, se mantem em um silêncio obsequioso e não tem peia nem para sair do governo e nem para ficar sob protesto e que acaba não assumindo todo o ônus do governo que ajudou a eleger, do governo que apoia e do governo que compõe. Algumas categorias de políticos tem esta característica que é a de fazer de conta que tem tanto lugar no muro assim para quem deveria ter o que dizer e que tem um compromisso histórico com a educação. O que diria o senador Cristovão Buarque a esta altura? É isto mesmo que o governo deve fazer congelar reajustes, parcelar ou cortar os salários dos servidores que estão com os vencimentos mais baixos? Não tem como dar moleza mesmo, na verdade em hipótese alguma, nem um militante do PDT poderia lhe dar moleza, pois para o PDT gaúcho não pode ter moleza mesmo porque é justamente o estado de onde saiu a sua matriz mais progressista do velho PTB de Getúlio, Jango e do notável defensor da educação no Brasil Leonel de Moura Brizola. E agora Dr.?

O DEPUTADO DO PDT FALOU QUE A TETA DOS SERVIDORES ESTADUAIS ACABOU E PERDEU A VERGONHA



Qual TETA deputado? A sua, a de seus correligionários ou dos correligionários dos partidos PMDB/PSDB/PP/PDT/PSB que hoje governam o estado? Alguns deles que inclusive se aposentam com grandes serviços prestados aos seus partidos políticos e altíssimos salários. Acabou, agora, então, a TETA dos CCs de juizes e desembargadores? A TETA bem paga do Tribunal de Contas? Qual TETA deputado? A TETA que faz com que os altos salários tenham reajustes e que distancia os mais altos salários dos mais baixos? A TETA incontestável legalmente e juridicamente, mas completamente imoral dos privilégios de suas excelências? Qual TETA deputado? Dos professores, brigadianos, enfermeiros e servidores de carreira que ingressaram por concurso público e não por indicação política ou por eleições bancadas com altos recursos, com recursos superiores aos razoáveis? Qual TETA deputado? O que acabou foi a vergonha na cara de sua excelência...ora, francamente...isso é um deboche aos professores e servidores deste estado e é tão grande quanto mandar buscar o piso no TUMELERO....e vindo de um deputado do PDT é mais grave ainda....

SHAKESPEARE E A MACONHA

PESQUISADORES ENCONTRAM INDÍCIOS 
DE QUE SHAKESPEARE FUMAVA MACONHA


O principal efeito desta notícia é aumentar o número de leitores de Shakespeare, bem que eu havia notado já certas quotations por ai...agora tá tudo explicado, inclusive, talvez parte do gênio indomito do bardo...

APRENDER COM TROTSKI



Ainda se tem o que aprender com Trotski...pois uma das maiores e mais importantes criações de sua cachola foram os conselhos de trabalhadores que é a base mais eficaz e democrática de organização do trabalho, da gestão e da luta....muito preconceito cerca ele por leituras que se restringem ao seu papel militar no Exército Vermelho e na luta ao Exército Branco...mas é muito recomendável que se compreenda suas lições e se entenda de vez porque sua principal diferença relação aos stalinistas é de natureza democrática e culturalmente qualitativa...

DIA DO ADVOGADO, DO ESTUDANTE E DO PINDURA - 11 DE AGOSTO DE 2015


Eu sempre tive fascinação por esta data, o dia da pindura tem seu valor não tanto pela bebida grátis e pela graça que vivi com outros amigos e acadêmicos de direito, mas pelas histórias que escutei em rodas de bar nesta data. É também o dia do estudante e é também, por isso, o dia de uma lição.

Mas também pela fascinante história de um advogado chamado Abraham que conta como é que um pobre, modesto e não pequeno homem que era filho de Thomas Lincoln, que perdeu toda a sua terra em processos judiciais por causa de títulos de propriedade com erros, vira vendedor de meias, botas e gravatas e com muito esforço pessoal vira um advogado militante e pobre de outros homens em suas lutas e na conquista de seus direitos, liberdades e que acaba virando presidente com apoio de negros que não podiam votar e de progressistas do norte da América.

Hoje é o aniversário de fundação em 1903 do Centro Acadêmico 11 de agosto da Faculdade de Direito do que vai se transformar em 1934 a Universidade de São Paulo. Mas também é a data em que, segundo conta a lenda, Leônidas e seus 300 Espartanos tombaram massacrados após uma resistência de dois dias aos persas na famosa Batalha das Termópilas. E que talvez tenha sido - com todo respeito devido aqui a diversos outros heróis e povos - a derrota mais gloriosa e heróica da história da humanidade.

Mas também porque é o dia que eu lembro da carreira que eu não segui por certa influência de Marx e de outros pensadores não liberais. Juro que se algum professor me tivesse dado alguma lição bem dada sobre John Locke, provavelmente hoje eu seria um grande liberal e um razoável advogado, porém meu destino foi outro e cai na filosofia, esta vovó do direito mas também uma outra grande admiradora e talvez a mais apaixonada admiradora da justiça. E assim caminhou a minha humanidade e me calhou de ter muita admiração por esta carreira respeitável de muitos amigos e amigas meus, que num mundo sem luzes já é bela e é mais admirável ainda em um mundo iluminado.

Tenho toneladas para não dizer milhares de amigos advogados e advogadas e me orgulho de encontrar neles sempre um espírito que combina precisão, sutileza e um desejo de justiça e como para mim não há tarefa pública mais importante em uma sociedade creio ser bem bom que eles sejam assim, pois do contrário não os teria por amigos e os que são diferentes disto não são mesmo meus amigos.


Então lá vai meu abraço a meus amigos que são avessos ao arbítrio, ao abuso de poder e à injustiça social, vos admiro e tenho muita alegria em estar junto com vocês nesta caminhada! Paulo Faria, Paulo Torelly, Juliano Carneiro, Daniel von Hohendorff, Bado Cavedon Pires Adv, Nubia Pires, Tatiana Zamprogna, Walter Leo Verbist, Gládis Salete Castelli, Geraldo Andrade, Diego Correa Chaves, Angelita Belleza, Icaro Bandeira, Ary Moura, Paty Benjamin, Lilian Pity Godoy, Pedro Ruas, Tarso Genro, Luiz Felipe Menezes Tronquini, Daniel Lemmertz, Rael Pessin, Carlos Alberto Cruz, Jorge Luiz Koch Filho, Claudia Zuccolotto, Aldivan Camargo, Alexandre Takeo Sato, Antenor Sato, Ariana Vigannico, Filipe Merker Britto, Saimon Francisco, Iliseu Faccin, Leandro Zambrano e Gabriela Tomasi e muitos outros e outras....

PARA JURISTAS QUE PREGAM O GOLPE



Perderam completamente a vergonha e deixa uma impressão de que perderam não o juízo, mas aquela parte dele que envolve certa reflexão e certa revisão do mesmo, antes de ousar proferir seu conteúdo publicamente.

OS FILMES DE ROBIN WIILIAMS

As vezes eu penso que um dia lá no futuro distante as pessoas vão olhar os filmes do Robin Willians ou, melhor, talvez as máquinas os analisarão bem micro segundos tentando entender porque com tudo de humano que ele mostrava a nossa civilização não sobreviveu. E, então, vão concluir que por mais importante que era as mensagens de seus personagens os homens e mulheres, os jovens e os idosos e muitas crianças simplesmente não levaram ele a sério, consideraram aquilo só mais um delírio ou uma fantasia de um ator de humor elevado e acima da média. E quando penso isso me dá uma vontade de mudar certos planos e radicalizar em uma direção que também não será levada a sério mas que enfim me dá melhores sentimentos e aumenta minha esperança na humanidade...você me entende?

SOCIEDADE DOENTE E KRISHNAMURTI

“Não é sinal de saúde estar ajustado a uma sociedade profundamente doente.”

Jiddu Krishnamurti


Gosto muito de Krishnamurti....não é meu ídolo, nem meu mestre, aliás expressou claramente que não queria mesmo ser seguido nem ter a palavra da salvação para ninguém. Gosto muito de refletir a partir das provocações e reflexões dele. A nossa sociedade é tão doente que alguns consideram até saudável cultivar hábitos doentios e a violência, a conformidade irrefletida assim como a revolta irrefletida também são doentias e a submissão a ideias e crenças absurdas também são doentias....estar bem ajustado a isto é uma insensatez e estultície....o significado e a aplicação disto na nossa vida requer muita disciplina e vigilância sobre si mesmo....

GRAÇA DA SEMANA

Hoje passei por uma experiência de debate muito engraçada. Estavam conversando tranquilamente eu, um ex-petista e um anti-petista, daqui a pouco o anti-petista chamou o ex-petista de burro e eu olhei para os dois e disse: parem de brigar porque vocês dois deviam estar brigando é comigo.

CORDA DO CACHORRO

Para um grande amigo: Tem um dia que a corda do cachorro e o arame do malandro acabam...e, então, fim...

FOME DE ABSOLUTO E CRENÇAS

Você não acaba com a crença em que é possível existir algo absoluto, você acaba com um atributo dela - desta crença - de que ela te é acessível ou que você pode compreendê-la por completa e, assim, ou deixa ela mais fraca ou reconhece que ela te é mais remota a partir de tua perspectiva finita. O desejo do absoluto ou a busca do absoluto que não é somente uma fome, mas que envolve também o  desejo de segurança, de controle ou de certezas, não me parece um problema, assim como a busca da perfeição...o problema está em afirmarmos o que conquistamos, sem perceber que pode haver mais do que conquistamos ou que o que, afinal, conquistamos é tão pouco comparado com tudo que fica fora de nossa compreensão que é sempre inferior ou incapaz abarcar algo como o absoluto ou aquela perspectiva sub specie aeternitatis....

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

ESTEIOS DA VIDA

Bom dia meu amigo. Todo trabalho ou ofício tem seus cavacos próprios. Às vezes ser capaz de suportar eles é uma forma de nos transformar em pessoas melhores ou nas pessoas necessárias e indispensáveis para os momentos mais difíceis desta vida. Não te desespera tanto assim, porque tudo passa e, saber disto, nos torna esteios da sociedade, apoio dos amigos e suportes da vida.

sábado, 8 de agosto de 2015

TEMPO HISTÓRICO E TEMPO BIOGRÁFICO



Esta semana ao expor a relação entre certas personagens e alguns ciclos ou processos históricos brasileiros, em especial Getúlio Vargas e o Modernismo e o Tenentismo, apontei a necessidade de observarmos melhor a relação entre tempo histórico e tempo biográfico. A gente olha para o período da Primeira República que vai de 1889 a 1930 e encontra um tempo histórico de 41 anos. Da Coluna Prestes até o Golpe de 1964 39 anos e assim sucessivamente, do Golpe Militar até a Posse de Lula 38 anos. Da morte de Getúlio até a Posse de FHC 40 anos. Trata-se da relação entre a vida e a biografia de uma pessoa ou pessoas, e muitas vezes de uma geração inteira e a vida ou história de um país. Me parece importante atentar para isso, porque isso faz toda a diferença em muitos fatos e processos entre saber, estar preparado, acreditar e dispor de alguma forma de intuição superior em que de repente de surpresa chegamos como outros um dia chegaram no tempo certo, no lugar certo e na hora certa para fazer com efeito aquilo que muitos tentaram, almejaram e não conseguiram, porque suas ótimas biografias ainda não eram maduras ou já eram passadas para poder intervir no mundo objetivo com alguma precisão - adoro esta palavra. Não se trata só de sorte não, nem somente de acaso ou destino. Vejo algo como uma espécie de tempo singular de cada um que se encaixa com está história do mundo. E tanto os indivíduos, suas relações e consciências delas, quanto os coletivos e suas situações e desafios, se encontram assim. A vida útil de um ser humano é indefinível e o tempo do seu êxito também, mas deve haver algum sinal deste tempo que se repete e algumas biografias tem certos paralelos que ressalvadas as diferenças pertinentes ajudam nesta minha intuição. Pensei numa vida útil de em média 40 anos, em alguns casos mais e em outros menos e em ciclos de aproximadamente 40 anos na história. Não posso aqui comparar isso com outros ciclos já propostos, sei que a ideia de continuidade ou descontinuidade tem sido um sinal de que as tais rupturas  e uma certa lógica da história são imprevisíveis, mas fiquei pensando em um paralelo ou paralelismo entre certas gerações e certos processos históricos. Com Getúlio a gente sempre pode lembrar que ele pertence aquela famosa geração de 1907 da Faculdade de Direito de Porto Alegre que melada no PRR e no positivismo acaba por fazer a Revolução  de 30 e modernizando este país. Talvez isso que eu diga seja só uma viagem, mas eu poderia ajudar mostrando algumas outras fotografias e figuras disto de tal modo que aquilo que parece ocasional ou circunstancial, fortuito ou eventual nos surpreenda, não com regularidades lineares, mas paralelos e dinâmicas semelhantes em que certas pessoas, suas gerações e processos históricos caminham pari passo com desdobramentos e desenvolvimentos combinados. Olhe mais de perto e verás...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

RESPEITO - SÃO LEOPOLDO VENCEU! AS PROFESSORAS E SERVIDORES VENCERAM E O POVO VENCEU!



A greve que já era vitoriosa por ter imposto o debate sobre a situação financeira real de São Leopoldo e não aceitando a retórica esfarrapada sobre a falta de recursos no caixa municipal. Ficou provado que ao governo bastava organizar sua agenda de prioridades e apenas reajustar os salários dos servidores com índices abaixo dos repasses do FUNDEB e do incremento contínuo da receita, investir melhor as receitas e ajustar a gestão à realidade e à sua parca produtividade. Ficou provado que por turrice e intransigência a greve que levou 62 dias poderia ter sido debelada apenas com um diálogo e uma proposta. Ficou provada a força dos servidores e servidoras na cidade. Ficou provada também que a cidade não aguenta mais esta gestão. Na Câmara de Vereadores foi aberta uma CPI que demonstrou - ainda que sequer tenha sido construído seu parecer final - que os recursos na saúde tem sido despendidos em terceirizações, que os recursos da educação foram investidos em um processo de compra suspeito e duvidoso de uniformes - cujas cores e preços são pura afronta - e nas demais áreas à medida que nosso conhecimento avança fica demonstrado que este é mesmo o PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA DESTA CIDADE. Houve violência sistemática e excessos absurdos por parte da administração municipal contra os servidores em greve. Por diversas vezes restou aos trabalhadores lutar frente ao REAJUSTE ZERO por RESPEITO e afirmar isto claramente na cidade. O acampamento e a resistência física e psicológica das educadoras, dos educadores e de seus colegas servidores foi admirável, pois durante todo o processo se mantiveram altamente organizados e disciplinados não produzindo nenhum dano ao patrimônio público e afora algumas reações contra agressões e certas imposturas físicas, durante todo o processo houve respeito à vida, respeito às diferenças e posicionamentos muito claros e explícitos do que se tratava. Em todo o processo o SEMAE foi defendido, o HOSPITAL CENTENÁRIO foi defendido, AS ESCOLAS foram defendidas e foi possível ver, inclusive, uma grande mobilização grevista com muita solidariedade e apoio dos colegas que não aderiram ao movimento. Sim, nunca tínhamos visto nesta cidade uma relação de solidariedade tão grande entre grevistas e não grevistas. Mas quem venceu a PELEIA foram de fato os grevistas. O movimento plantou flores na praça em frente ao Antigo Palácio Municipal num gesto de carinho pela cidade. O movimento caminhou pela RUA GRANDE e pelo resto da cidade diversas vezes acolhendo apoios e admiração dos cidadãos e cidadãs. Num espaço de 48 horas este movimento conseguiu 16 mil assinaturas de apoio à GREVE E PEDINDO NEGOCIAÇÃO. O JUSTIÇA julgou a greve legítima sistematicamente, houve necessidade de mandato de segurança para garantir o mandato sindical da presidente do CEPROL e, além disso, por último a JUSTIÇA impôs que o CORTE DE PONTO é ILEGAL haja visto que a greve é legitima e a reivindicação dos servidores é legitima. Por fim, o governo cedeu, refez seus cálculos ou calculou melhor e encontrou um GEITO de pagar o reajuste merecido. Eu teria aqui muitos nomes de amigas e amigos, professores e professoras, servidores e servidoras para homenagear por esta luta - bem mais de mil de meu perfil estavam mobilizados, mas faço questão aqui de apontar para a Andreia Nunes​ e dizer que a persistência, tenacidade, liderança e firmeza dela merecem muito RESPEITO, pois uma liderança que consegue enfrentar chuvas e trovoadas, inseguranças e nervosismos, insõnia e toda forma de pressão, maldades e erros com tanta firmeza merece sim reconhecimento. Eu tenho sim muito orgulho do lado que escolhi e também muito orgulho de poder abraçar todas vocês - e aqui as meninas estão em larga vantagem sim - por esta luta. Abraçar também os meninos que estiveram juntos. Abraçar os familiares e amigos, filhos e irmãos, maridos e esposas que suportaram até o limite da lucidez e da tristeza todos estes dias de luta. A democracia se renova com o exemplo de vocês e eu tenho certeza que dias melhores virão. Mantenham-se unidas e organizadas, voltem ao trabalho e não permitam que os covardes que agora tiveram que se esconder porque foram derrotados ousem retaliar ou perseguir os servidores e servidoras que se engajaram na luta. Uma vitória como esta contra adversários como estes precisa ser sustentada e garantida todos os dias e ser a base para construir sim uma cidade melhor com mais educação, mais saúde, mais segurança, mais saneamento, mais cultura e mais assistência e habitação para todos. RESPEITO passa a fazer parte do vocabulário obrigatório desta cidade: PARABÉNS!       

terça-feira, 4 de agosto de 2015

VOZ REAL E VOZ LITERÁRIA

“Sua voz na página impressa é tão real para mim como as vozes de alguns poucos escritores jamais o foram – familiar, cativante, provocante. Suspeito que havia um ser humano mais nobre em seus livros do que em sua vida, algo que acontece frequentemente em “literatura”. (Às vezes é o contrário que acontece, e a pessoa na vida real é mais nobre que a pessoa nos livros. As vezes dificilmente há qualquer relação entre a pessoa nos livros e a pessoa na vida real.)”


SUSAN SONTAG. Sobre Paul Goodman. In: Sob o signo de Saturno. Tradução de Ana Maria Capovilla e Albino Poli Jr. Porto Alegre: L&PM, 1986, p.13.

O GOVERNADOR NÃO É COVARDE OU BURRO!



A única explicação que eu tenho para o sacrifício dos salários dos servidores do Executivo não é a burrice ou a covardia do governador, ainda que a gente preferisse isso, mas sim o fato de que tanto o legislativo quanto o judiciário e os partidos e frações econômicas da sociedade que os dominam tem de fato o controle dos cordões da criatura. A gente pode chamar isso de poder, mas é um tipo de poder e submissão que não se resolve somente encarando o governador mesmo. E não existem aliados dos servidores em número e com influência suficiente que façam inverter a seta de força. Alguém pode considerar isto um simplismo, mas o fato é que as luta dos servidores só terá efeito reparador se for capaz de transferir o ônus do estado sobre aquela lista de beneficiários da ponta de cima da cadeia alimentar do estado e da sociedade. Inclui-se aí também os empresários, os sonegadores e aquilo que um dia foi chamado de marajás pelo Collor e que hoje são apenas os bem-sucedidos, expertos, peritos em marketing eleitoral, financiamento de campanha e manipulação da opinião pública. Não restando uma linha sequer aqui para uma consideração moral, só me resta ficar assim, lutando e reagindo, mas em meu íntimo de uma forma desagradável e desapontada.

domingo, 2 de agosto de 2015

O LOGOS, A MONTANHA E O NIRVANA




Minimalismo, argumentação e táticas de disputa e argumentação. E eu aqui pensando na minha percepção fraterna do método chinês de debates. Uma espécie de tratado de cercamento e aproximação da montanha. Reduzindo perímetros até chegar ao topo ou até reduzir a argumentação adversaria ao mínimo relevante. Não significa uma asfixia, vai se apenas tirando o periférico e acessório para chegar ao principal ou atacar o nervo do argumento. E me lembrei de alguns exercícios retóricos, generalizações e também enfeites que só servem para encobrir o que é essencial no tema. Talvez o diversionismo ou a distração seja a tática mais antiga de criar um bom espaço para a surpresa. Meu amigo Rogério Tosca​ com aquela singeleza e modéstia característica me provou em diversos embates que não é o excesso de força, nem a repetição que derrota o outro ou põe fim à contenda, mas sim a lenta aproximação e cuidadosa abordagem das posições, passo á passo, linha a linha, de perímetro maior (sobre latitude conceitual cabe aqui um ensaio) para o perímetro menor, até que sobre apenas um ser despido de todos os seus arranjos, ficções, fantasias, ilusões, nobres opiniões, informações. Seria isso não apenas um método de refutação, mas uma forma de levar alguém a ter um bom encontro com suas próprias crenças. E quando isso ocorre, ele mesmo decide pegar ou largar sua crença como uma canoa para seguir ou para abandonar á beira do rio que não é mais o mesmo, nem visto mais sob o mesmo aspecto. Muitas coisas, ainda, temos que aprender com os chineses e uma delas é que as coisas que nos movem na vida de verdade não mudaram muito nos últimos 5000 anos. Outra hora falo sobre sabedoria chinesa com mais precisão - e aqui confrontando com a sabedoria budista que vence ao debate pela negação sábia de certa diferença. Ou seja, se não temos diferenças, não precisamos debater. Dai para o Nirvana é um passo....