sexta-feira, 31 de julho de 2015

VALEU TARSO GENRO!



Lembrei deste Governador hoje. Em 2018 ele terá 71 anos e provavelmente vai ser lembrado de novo, mas o tempo passa, a vida anda e certas injustiças são irreparáveis. É uma espécie de sina no RS, a impossibilidade de avançar e continuar avançando e pior que isso as desculpas esfarrapadas e os interesses vergonhosos que promovem isso. Não concordava com tudo na educação do Tarso, em especial o método da galera da gestão com os professores, mas tinha muito bons olhos para todo o resto do seu governo. E já disse hoje e repito vou sempre lembrar que os eleitores do Sartori discutiam todas as razões possíveis para rejeitar o Tarso e nenhuma das boas razões para aceitar a sua reeleição, mas que não discutiam nenhuma razão para não arriscar no Sartori. Sem programa de governo e eleito no mais puro "na hora a gente vê" e pior que isso ostentando péssimos argumentos e defendendo os velhos interesses já conhecidos, veio o Sartori e me fez lembrar da extrema racionalidade e da extrema honestidade do Tarso Genro. Sim você poderia discordar dele, mas ele jamais renunciava a dar razões e em tentar ser claro e preciso no que pensa, como vê o mundo e se posicionar no plano geral da política. Alguns cidadãos ainda gostam de políticos simpatia porque ainda não entenderam que uma das funções da política é sim educar o povo e obrigá-lo a ser livre. Mas quem quer um povo livre para dizer não ao reajuste dos que estão na camada superior da cadeia alimentar/salarial do estado? Quem quer um povo livre da influência de um monopólio de comunicação? Quem quer um povo livre de velhas raposas e uma alcateia inteira que se aloja no estado para aumentar suas rendas e panos de tendas, aumentar seus negócios e ócios bem remunerados? Quem quer um povo livre que aprenda a fazer a conta certa e que coíbe  a sonegação de impostos e o vilipêndio sistemático dos recursos públicos? Quem quer um povo livre que não lute contra privatizações a preço de banana para os amigos? Quem quer um povo livre que tenha juízo em suas escolhas políticas? Quem quer um povo livre que zele mais pela lei do que por seus familiares e apaniguados e que impeça a natureza deste estado de ser destruída? Quem quer um povo livre que exija programa político e não sorrisos e abraços em período eleitoral e que não delegue a outros a sua responsabilidade moral e política na hora de votar e decidir o que é realmente bom para todos, justo com todos e que proteja os mais indefesos, mais fracos, menos repletos de oportunidades da sanha exploradora e amesquinhada, pequena e fútil de tentar sempre tirar vantagem em tudo, ser experto em detrimento do certo, e ganhar mais de qualquer forma e a qualquer preço? Quem quer um povo livre no Rio Grande do Sul? Obrigado Tarso Genro deste de qualquer forma uma grande contribuição a este estado, mostrando que apesar de tudo ainda existe uma outra opção a estes que ai estão atravancando o nosso caminho!

O DESEMBARQUE ASSUMIDO DO GOVERNO MOA/PSDB



Não se deixem enganar de novo, porque isso saiu muito caro para o nosso povo e a nossa cidade. É só mais um SINAL da fase quatro do Pior Governo da História de São Leopoldo: A QUEDA. Do PSDB/PMDB/PP/PSB/DEM saem agora aqueles que não se sentem bem neste governo. Alguns saem como sombras na madrugada outros em praça pública à luz do sol e brandindo inocência como se fossem ser assim purificados. Junto deles tem aquele bando de ratos que já abandonaram o navio e aqueles que foram contratados a pouco para remar em águas ruins. Se elegeram aplicando um Estelionato Eleitoral, governam cometendo tantos erros e perversões que não cabem numa lista de 50 itens e agora na fase dos escândalos vemos a queda assumida. Certamente a s pessoas deveriam pensar mais de três vezes antes de apostar num fiador desta tragédia de novo. Em qualquer cidade com tradição política e história estes rapazes deveriam ficar num ostracismo de no mínimo 12 anos até se arvorarem de novo a dizer ou ousar dizer o que é bom ou o que é melhor para esta cidade. Não tem moleza para eles não. Estão destruindo São Leopoldo e muito me admira que ainda tentem manter cacife político para prosseguir errando e cometendo cada um ao seu modo, os mesmos erros e maldades. Me desculpe a dureza...mas olho para os produtos desta política e destes gênios da política e me vejo muito inconformado. Destruiram a cidade de tal modo que vai dar muito trabalho mesmo para chegar na média dos últimos 4 governos.

POR QUEM AS LÁGRIMAS CORREM OU COMO AS SARTORICES SÃO POSSÍVEIS?



E eu fico aqui imaginando com muito respeito e consideração a cara de alguns dos meus colegas, ex-colegas e conhecidos que agora vão virar rebeldes, radicais e inconformados. Vão esquecer todas as suas simpatias e escolhas políticas e se jogar na queixa. Que acreditavam em soluções mágicas, simpáticas e absolutas para os problemas da sociedade e que votaram nele e que bancam de entendidos em política.

Sim o governador deles era um candidato bonachão, engraçadinho, que só brincou com o piso num descuido, cujo partido é o Rio Grande, ou pensa que é o Rio Grande, afinal está governando o garboso estado pela quarta vez. Isso vai dar quase 40% da redemocratização desde o fim dos governadores indicados pelo governo central na ditadura. Sim, talvez alguns deles simpatizem com a ditadura se esquecendo disso também. Vou lembrar bem que o Simon, o Britto, o Rigotto (que nem foi tão mau mesmo e que talvez seja o motivo da arriscada no Sartori) e Sartori. Vou lembrar que eles discutiam todas razões para rejeitar o Tarso e nenhuma das boas para aceitar, mas que não discutiam nenhuma para não arriscar no Sartori. Sem programa de governo e eleito no mais puro "na hora a gente vê".

E eu sei a saída deles...é dizer que a Dilma tá pior e que o PT é o exclusivo culpado de tudo de ruim...tá bom...eles estão sempre certos..E eu posso dizer que o buraco é bem mais embaixo agora, com o consentimento silencioso deles e os que não concordarem vou ficar vendo até o dia em que baixarão a cabeça, dobrarão seu orgulho e arrogância e verão do que realmente se trata quando se fala em estado mínimo, liberalismo e como a vida pode voltar a ser bem dura e difícil em uma sociedade e um país como o Brasil.

Afinal, eles saberão sim, pois tem longa dedicação à luta, longa dedicação ao tema da responsabilidade civil e política e mesmo quando há todas as evidências de que estão errando, mesmo quando se fazem de vítimas dos outros que eles mesmos elegeram, eles vão dar de ombros e dizer que a política é que é ruim. Pois bem, eu não vou dizer mesmo que a política ruim na democracia é a que você escolheu, mas vou lembrar que esta é a democracia..se você não faz política (não discute, não estuda e não leva a sério isso) sofre a política dos outros e  agora aguentem..

Sabe que pela primeira vez na minha vida penso uma coisa inacreditável aqui com meus botões - olha que cúmulo isso - penso em não fazer greve, penso em não lutar e em ver como é que fica. Penso em dizer que cansei, penso em dizer que tem que inventar formas mais modernas de luta, que greve já era, penso em repetir aquela ladainha sobre as férias, meu descanso, cuidar da minha vida em primeiro lugar, penso em dizer que NÃO DEU. E passar a curtir e lamentar junto - deixando tudo gravado no celular é claro - cada momento e cada dor, cada reclamação e resmungo, cada queixa e cada muxoxo em silêncio e na hora H dizer NÃO VOU LUTAR, SOU CONTRA A GREVE.

E ficar vendo e resistindo às tentativas de me convencer do contrário e ver isso sair da boca daqueles que por várias vezes me viram gastar horas e horas da minha vida, deixar de ver minhas filhas e minha família, troteando o dia inteiro, além das então 40 horas em Sala de Aula, e  lutando com muitos outros idealistas e abnegados, sonhadores e trouxas, por concursos, salários, promoções, direitos.

Vou me lembrar de mim e de outros nas visitas às escolas falando sozinho na sala dos professores, lembrar da delicadeza e sensibilidade deles, do respeito e consideração deles que ficavam voluntariamente atrapalhando as falas minhas e dos demais engajados. Vou lembrar de um pé quebrado, de uma traição e vendetta, de uma kombi andando no bairro paga pelo PMDB Vou lembrar da postura e da atitude de alguns que não prestando atenção em nada, ficavam sempre boicotando as discussões sindicais e sempre dizendo que certas coisas não são boas nem ótimas, dizendo que certas coisas não fazem diferença.

Vou lembrar de todos aqueles que se desfiliaram do CPERS e daqueles que nunca se filiaram. Vou lembrar das recusas à representação sindical. Vou lembrar das pilhas de panfletos das correntes sindicais intocados ou no fundo da lixeira da sala dos professores. Vou lembrar das caminhadas em que eu olhava para o lado e só dava professores de outras cidades, outras escolas e não aqueles que tanto esperavam da gente.

Lembro que na minha santa ingenuidade de professor novato e estreante no sindicalismo eu usava de uma figura super agressiva, mas que era real: as professoras bem casadas não precisam fazer greve, afinal salário e trabalho de professor é só um passatempo. Nada justifica esta grosseria. Imagina que motivo eu tinha para tanto? Lutar sozinho? Indiferença? Era sim um exagero meu, confesso que não ajudava em nada, mas eu aprendi muito com meus exageros, piis foi assim que eu reagi quando vi com meus olhos os boicotes a greves, vi com meus olhos os deboches e ouvi sempre aquele zum zum contra o CPERS, contra professores fazerem política, contra sindicato, sindicalistas, sem terras, sem moradia e todos os movimentos sociais  Vi os mesmo fazendo grandes críticas a CUT. E agora? Quem vai lutar?

Lembrando John Lennon, no Royal Albert Hall, em frente a família real, vocês ai em cima não precisam aplaudir, tudo bem, balancem suas jóias! Por fim, como isso foi possível? The Dream is Over!


Desculpe o fel! Viva o CPERS!!!!  

PATRIMÔNIO HISTÓRICO, ESTÉTICA E GERAÇÕES: A FORMA LÓGICA DA BELEZA



Alguém já deve ter dito isto em algum lugar, mas fiquei pensando hoje, enquanto pesquisava algumas imagens e me lembrava das reações de pessoas de diversas gerações frente à imagens antigas ou históricas, frente à exemplares e objetos culturais antigos ou primitivos, e pensei como é incrível o potencial do patrimônio histórico de seu tema e de seus objetos  de aproximarem gerações. Os mais velhos e muitos jovens são vistos em toda parte fazendo turismo cultural e apreciando isso e em tudo quanto é tipo de foto, imagem, selfie ou conjunto arquitetônico, em pleno convívio, alegria e se deleitando com prédios, monumentos, estruturas estéticas e objetos.

Sei que não se deve subestimar, porém, o desprezo de alguns por este tipo de coisa. Tenho visto isso bem mais do que desejaria. A razoável facilidade com que os interesses econômicos e materiais passam por cima do patrimônio histórico, suas leis - e aqui se mascaram também interesses políticos e jurídicos que os representam. sei que não devemos nem muito menos desprezar o fato de que algumas pessoas não estão absolutamente interessadas e nem se sentem sensibilizadas com isto. Nem sempre o ditame na destruição de um prédio antigo é a necessidade, muitas vezes é só a vontade e a possibilidade de poder fazer que orientam esta ação. E estas pessoas estão no nosso meio e de nós desdenham com ar jocoso e jubiloso. Temos que lidar e compreender isto, fazendo frente e resistência a isto com nossa inteligência, mas também com algumas descobertas e expressando percepções que estas pessoas não tem, mas que poderiam assentir.

Porém, quando olho para cidades brutalizadas, quando vejo violência e diversas formas de desumanização nas cidades, nas praças, nos parques, ruas, alamedas eu sinto também uma intuição. Esta intuição - que pode parecer bem pueril para alguns - me diz que certas coisas parecem incompatíveis coma forma lógica da beleza. Creio que a beleza tal como uma forma lógica não violenta imuniza contra a violência sim, ou seja, que ao contrário do que muitos podem depreender de certos filmes, em um ambiente estético, em um lugar onde a beleza é incrivelmente imponente, o que faz nossa percepção e sensibilidade ficarem aguçadas ou serem despertadas, deve ser pouco provável e subjetivamente censurado qualquer impulso perverso ou para o mau.

O patrimônio histórico, assim como uma arquitetura portadora de beleza deve mover nossa sensibilidade, assim como uma cidade limpa, uma calçada em bom estado, uma pintura de fachada e a redução da poluição visual devem tornar o homem e a mulher menos suscetíveis a mercantilização da vida, aos ditames do útil e do descartável e, portanto, nos fazer viver melhor entre jovens, adultos e idosos.

Vi uma foto de um seminário em que um idoso - provavelmente um arquiteto - estava a relatar a jovens estudantes determinada história de edificações. Via ali uma plêiade de jovens com brilhos nos olhos e alegria compartilhando do mesmo prazer que o narrador comunicava. Havia ali claramente uma sintonia de gerações;

Assim, como na semana passada, após a reunião do Fórum Livre de Cultura, eu e minha filha subíamos a Rua Grande e ela parou em frente a uma Fachada antiga preservada, cujo conjunto das aberturas foi alterado e exclamou: que coisa bem feia isso ficou! Sem mais seguimos andando e eu fiquei pensando que esta expressão de impacto, patética, porque envolve uma sensação - pathos - passiva nossa e uma resposta a isto, pode em outros jovens acusar outras reações. E eu sempre lembro que quem não tem palavras, quem não pára para pensar, acaba simplesmente agindo ou reagindo a um mundo que lhe impõe desprazer.


Obs.: a foto abaixo é de uma imagem que está como quem não quer nada dentro do Hospital Centenário na ante sala da clínica SIDI. Trata-se de um desenho a bico de pena que reproduz uma imagem bem antiga da Casa do Imigrante. A mesma que desperta nossas preocupações atuais com seu estado de conservação e que consta na Carta em Defesa da Cultura e da História de São Leopoldo. 

CECIL,THE LION



Eu me sinto impelido a dizer algo sobre Cecil, o leão do Zimbabue..mas me bate uma tristeza, porque sei que a morte dele é um símbolo deste mundo miserável, de pessoas miseráveis e de coisas terríveis que vivemos, muitos achando normal e outros achando que é essa mesmo a conta deste mundo. Nossa relação com a natureza, com os animais e com a vida dos demais seres humanos está completamente amesquinhada, a coisa mais importante é ter grana, ganhar grana e pagar a conta ou dar um bom calote. Tirar vantagem, ter privilégios e ganhar dinheiro com quem paga por isso e aceita isso. Era só um leão. com algumas fêmeas e muitos filhotes cujo destino - se seguirem a ordem natural está selado. Mas não é só isso. Sinto que este leão não é só isso....e fico muito triste de verdade...a morte, a cova e o fim deste leão é um péssimo sinal...que nos sirva para frear algumas pontas e alguns avanços imorais deste mundo...

quinta-feira, 30 de julho de 2015

PROFESSOR DE GEOGRAFIA


Na próxima encarnação quero ser professor de geografia e ter bastante dinheiro para viajar...viajar e viajar na batatinha tb...

E eu estou gozando de mim mesmo...

Na real é só um exemplo - não precisa interpretar ou buscar endereço para isso - ser professor de outra coisa - já que o que sou não basta - rico - já que sou pobre e viajandão que é a única coisa que eu acho sinceramente que não sou - talvez eu fosse mais feliz e poderia falar mais besteiras á vontade....escolhi geografia pela relação mais ampla com o mundo e portanto com a possibilidade teórica de conhecer ele melhor,. já que né....tanta gente sabe mais de mim do que eu mesmo...CATZO!

E eu me auto ironizo o tempo todo...porque em primeiro lugar devo desconfiar de mim mesmo e das crenças tão atraentes que me vem à cachola...

Afinal lecionar geografia, já leciono e não me sinto mesmo no direito de reclamar da vida. Em comparação com a vida que já tive um dia.


Sobre viajar na batatinha eu até acho legal - é tão mais fácil não ser sério de verdade, ser acrítico e dar palpites sobre qualquer coisa sem compromisso...sem estudo, só por achar ou ter a fortuita opinião...

MINHA MEMÓRIA


Desde muito tempo entendo que a memória se constitui de experiências e conteúdos cuja significação e afetividade andam entrelaçadas. A ciência ou, melhor, as neurociências tem confirmado isso: que um conteúdo fica impresso na memória por uma espécie de cola afetiva. Mas também tem apontado que a memória tem um sistema de partições e gerenciamento que deixa disponível apenas o que está em uso, o resto vira remoto.


Tenho muitas lembranças e suponho que quem as tem também deva ficar se perguntando, não somente sendo perguntado pelo outros ou distinguido - como é que consegue armazenar tanta informação. Bem, eu descobri que uma forma de aliviar os arquivos da memória é escrever e registrar, desde então tenho feito e adotado uma postura de memorialista, e isso envolve diversas formas de narrativas desde uma reflexão sobre determinado conhecimento, experiência e até mesmo sobre como e em que momento e de que forma tal ideia, conceito, obra ou temática me chegou. Minha experiência de vida tendeu – após certa distensão e abertura de um fluxo indomável de escrituras - a ser transformada em palavras com muita facilidade. Durante um tempo, em que me colocava a tentar explicar a causa disso, imaginava que possuía uma memória prodigiosa, me ironizava referindo a mim mesmo como o Enciclopédia, cheguei até mesmo a absorver a metáfora da esponja – no caso não o Bob Esponja – mas sim que eu era uma esponja muito poderosa que absorvia e armazenava tudo que lhe passasse pelos olhos. Na astrologia haveria até uma boa explicação por ter nascido com a Lua em Peixes e portanto apreender com excessiva sensibilidade tudo que haveria no meio em que eu vivia. Imagina minha aflição quando alguns anos atrás passei a ouvir, ler e presenciar certos expedientes de negação da memória, da história, do conhecimento que sub-repticiamente passaram a ser esgrimidos como crítica ao modo como nossa educação era realizada. Para mi foi difícil pois parecia estar sendo condenada justamente a minha melhor habilidade e que era a base, hoje sei isso, da minha expressividade e grande interlocução com o mundo, as pessoas os seres  e as coisas.  A crítica à decoreba na educação sempre me caiu como uma bomba, porque eu sabia que se tinha algo que eu possuía como fonte do meu pequeno, mas para mim precioso capital cultural, era um conjunto muito vasto de informações úteis e inúteis , pertinentes e impertinentes, acumuladas ao longo da infância, juventude e anos acadêmicos. Isso passava por processos desde a capacidade de decorar a estrutura inteira do que eu lia, até mesmo decorar roteiros de filmes e textos de poemas que eu gostava. Confesso, porém, que poucas pessoas que me conhecem viram eu me exibindo por conta disto, na verdade nunca dava muito tempo para isso, porque minha memória em geral é mais usada, aplicada e não apreciada, pois em geral o máximo que eu fazia era trazer uma informação pontual ou elucidar um quesito de palavra cruzada aqui e ali, sem muita cerimônia ou sem fazer muito mistério glorioso nisto. Claro que isso – esta habilidade de associação, busca de informação, registros e informações disponíveis em certa abundância também envolve certa tendência a completar as frases ou assoprar palavras para alguém que esteja proferindo um discurso ou comentário e que, no mais das vezes estanca e  entrementes se vê ali a falta daquela palavra específica, cuja lembrança, dicção ou mera fonética parece ter sido esquecida que meu impulso socorre.  Em certos momentos comecei, após aventuras e certos prodígios de memória, a observar que o gosto, um sentido afetivo e de prazer, eram a base de fixação da memória. O gosto pela informação e por curiosidades, o prazer no uso da palavra e também a apreciação por etimologias, verbetes, listas e etc, e o afeto associado a certas palavras, conceitos, experiências e suas relações e evocações sentimentais acabavam fixando estas expressões e que, inclusive, em virtude disto analogias, metáforas, ironias, tiradas e determinadas imagens começaram a abundar e estar disponíveis para o meu uso. Devido ao acervo disponível e a uma espécie de jogo com as palavras acabei criando mais tiradas, notas, metáforas e analogias que são já habituais em mim. Tendo a ser mais parcimonioso e a não proferir tudo que penso, nesta matéria, para não ser ou parecer pedante e chato ou excessivamente gracioso com assuntos sérios ou de difícil solução. 

Em virtude disto também virei um acervo ambulante de personagens de desenhos animados, colecionador de apelidos e de expressões regionais, técnicas, eruditas e etc. para distrair e não cair na tentação de me levar a sério em demasia. E como agora já comecei a brincar, vou parando mesmo por aqui, no meu relato pessoal de hoje sobre como vejo a minha memória. 

O ADESIVO DA DILMA



Tenho uma amiga e colega que é bem direitona e que por um acaso é professora e que veio me zoar com a piada do adesivo. Olhei bem na cara dela e perguntei o que ela acharia se os alunos que não gostam dela fizessem um adesivo para ela? Ela que com certeza como qualquer professor tem seus desafetos ou relações tensas pelos cavacos do ofício, afinal professor de verdade não fica somente satisfazendo as vontades dos alunos e alunas, logo, logo entendeu, que se vale para a Dilma, também vale para ela. Sempre tem alguém que não gosta da gente, que não concorda com a gente, mas é muito precioso para todos que se pense em manter o respeito, porque se essa moda pega, vai ser bem feio o resultado...  

A FUNDAMENTAÇÃO DO EGOÍSMO


Como bem disse Peter Ludlow, em .......ficaria perfeito se em vez de "superior" John Kenneth Galbraith  tivesse dito "qualquer" em: 

"O conservador moderno está engajado em um dos mais antigos exercícios de filosofia moral: a saber, a procura por uma superior [qualquer que seja ela] justificação moral para o egoísmo."

John Kenneth Galbraith, economista.

Qualquer aqui é no sentido de que qualquer coisa serve, qualquer meio é válido desde que o fim fique justificado (o egoísmo).

Eu diria que eles tem uma crença preferencial de que isso é não somente possível, mas necessário para o desenvolvimento e seguem tentando a todo custo como uma razão de ser própria e através disso vem junto meritocracia e outras. Ou seja, eles fundamentam suas prerrogativas em certos atributos pessoais que lhes granjearam sucesso e o principal deles é um egoísmo à toda prova.

Me parece haver ai um fundamento profundo para suas crenças reconfortantes, como diria o Russell...

Me é muito legal, você colocar isso aqui agora, pois em ando justamente em torno deste objeto complexo cercando e cerzindo uma rede para apanhá-lo.

Diria que este político conservador americano que também defende o casamento gay é egoisticamente mais coerente, pois percebe a prerrogativa pessoal em jogo ai.

Eu creio que há também um conservadorismo gay que envolve justamente um apelo a superioridade que associa isso a liberalidade sexual e ao egoísmo. Aliás creio que este problema foi tratado já alguma vez. Só não me lembro bem agora onde.

O conservador segue uma tradição e é esta tradição (Deus, pátria, natureza e mesmo razão) que determina quem tem liberdade ou não. O liberal amplia isso. O que o liberal faz é estender esta liberdade aos demais sujeitos sociais, em especial a burguesia, por méritos adquiridos com a riqueza no trabalho, mas disso não se segue que os demais tem estas liberdades. Então aqui o conservador e o liberal andam juntos e traçam um acordo: nós sim, mas os outros não.

Por isto a escravidão durou tanto tempo e também por isto a exploração, a usura e a pirataria eram toleradas tanto pelos liberais quanto pelos conservadores. Penso muito nesse arranjo a partir da Inglaterra, mas lembro o quão difícil foi a negociação entre conservadores e liberais lá que gerou a monarquia parlamentar e também a supremacia inglesa na idade moderna.

Mas, assim, encontramos porque fundar alguma moralidade ao egoísmo.

Aliás, não vejo a hora de ler aquele livro do JCBT sobre figuras do estado moderno, porque é naquele fulcro que foi construída esta distinção aparentemente móvel do egoísmo ou individualismo possessivo.

Lá que esta crença no egoísmo como fundamento foi entronizada.

Naturalmente, exatamente,  absolutamente, responsavelmente, individualmente...

Este é o grande dedo anular para o outro erguido lá na modernidade. (Poderia ser o BIG STICK.) Seja este outro um país inteiro, uma cultura sagrada, um povo ou raça, os trabalhadores e etc...

Esta é a justificação da dominação e da exploração pelo mais forte e mais soberano.


CARTA EM DEFESA DA CULTURA E DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO

CARTA EM DEFESA DA CULTURA E DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO

Nós cidadãos e cidadãs, ativistas culturais, educadores, artistas, produtores, representantes de diversos segmentos desta cidade e da sociedade civil organizada, membros de movimentos culturais, entidades e instituições com atuação na área cultural, vimos nesta carta aberta enunciar as seguintes posições:

Saudamos, em primeiro lugar, a manutenção da existência da Secretaria Municipal da Cultura de São Leopoldo, pelo Prefeito Anibal Moacir da Silva, após nosso movimento em defesa da cultura que se alastrou por esta cidade, atingindo muitos segmentos, entidades e cidadãos.

Em segundo lugar, temos uma consideração pesada a expressar, pois no dia 25 de Julho de 2015, 191º Ano da Chegada dos Imigrantes Alemães a esta terra, após muitos anos de amplas comemorações culturais nesta data e período, assistimos o poder público municipal descumprir o calendário festivo, substituindo-o, em concessão à iniciativa privada, por uma feira comercial e artesanal no Centro de Eventos, sem nenhuma atividade cultural organizada com a participação dos diversos segmentos culturais da sociedade civil organizada, para comemorar esta importante efeméride histórica e cultural de nossa terra.

Na falta de um elenco de prioridades, ações e de iniciativas e propostas pelo poder público municipal, apresentamos aqui as propostas prioritárias da comunidade cultural leopoldense para o próximo período:

1. Que se considere a abrangência da diversidade cultural existente no município de São Leopoldo para além das manifestações artísticas;

2. Que seja feita a regularização e se fortaleça o Conselho Municipal de Cultura de São Leopoldo, com feitura e publicação de portaria administrativa de posse de sua direção legitimamente eleita;

3. Que o poder público organize, por meio do Conselho Municipal de Políticas Culturais e da Secretaria de Cultura e Turismo, com apoio da comunidade cultural leopoldense, o 3º Encontro Municipal de Cultura, com o intuito de discutir e definir as linhas de ação do Plano Municipal de Cultura, na última semana de setembro de 2015;

4. Que seja publicado o Edital do Fundo Municipal de Cultura para o ano de 2015, e  também a garantia e o compromisso de abertura de Edital para o ano de 2016;

5. Solicitamos uma retomada e o apoio às nossas demandas que serão apresentadas a LOA-2016 e a LDO-2016 junto a Câmara de Vereadores de São Leopoldo com os seguintes itens prioritários:

- Realização do Carnaval 2016;

- Realização da SL-Fest 2016 com a participação da comunidade cultural em sua organização;

- Realização da Feira do Livro e do Premio Sérgio Farina em sua edição de 2015, e garantia da Feira do Livro e do Premio Sérgio Farina de 2016, cumprindo a Lei do Livro de nossa cidade;

- Realização da Semana Farroupilha com apoio e compromisso do Poder Público Municipal;

- Manutenção e Modernização do Teatro Municipal;

- Incentivo a Pesquisa e à Realização das Artes Cênicas;

- Atendimento das demandas dos Fóruns Municipais de Cultura;

- Ter um Prêmio de Incentivo as Artes Visuais e garantir a Manutenção e o Custeio da Galeria Liana Brandão;

- Reedição da Novembrada de Cinema;

- Atendimento das demandas do Fórum dos Músicos com a Reedição do Som Léo – Festival de Música;

6. Incluímos aqui também como nossas demandas prioritárias, estratégicas e históricas, abrindo a partir de hoje um Fórum de Patrimônio Histórico junto ao Conselho Municipal de Cultura, por afinidade, interesse e disposição da comunidade cultural reunida, com os seguintes itens urgentes dentro do tema do Patrimônio Histórico que nos toca muito:

- Reclamamos o Apoio do Poder Público Municipal em uma solução para a situação emergencial da Casa do Imigrante;

- Propomos a retomada do processo de Tombamento da Praça do Imigrante junto ao Iphan, com a participação do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural – COMPHAC e contemplando a participação do Instituto São Leopoldo 2024 nesta iniciativa;

- Exigimos a Preservação do Complexo da Antiga Sede da Unisinos e a realização de audiência pública frente a qualquer proposta ou plano de intervenção e restauração deste bem cultural. O Complexo da Antiga Unisinos está inserido e é formado pelos quarteirões entre as Ruas Brasil, Praça Tiradentes, Dom João Becker e Bento Gonçalves. Indicamos que existe já estudo urbanístico chamado Projeto Revita que consideramos adequado para aquele território;

- Medidas Urgentes de Proteção e Preservação ao Patrimônio Histórico do Museu do Trem, incluindo seus vagões, maquinários e o acervo de documento e registros históricos junto dele;

- Solicitamos também medidas de manutenção e cuidado com a Prefeitura Velha ou Palácio Municipal e medidas de proteção a integridade física do Centro Cultural José Pedro Boéssio;

7. A comunidade cultural também defende e atualiza a sua demanda de que a Prefeitura Velha ou Palácio Municipal deve virar uma Casa de Cultura Municipal.

8. Prosseguimos aqui em continuidade com a nossa luta em defesa da Existência e da Atuação de uma Secretaria da Cultura em nossa amada cidade São Leopoldo.

9. Esta carta será amplamente divulgada e entregue ao Sr. Prefeito Municipal e ao Sr. Secretário Municipal de Cultura no prazo de uma semana.

São Leopoldo, 25 de julho de 2015.

Subscrevem este documento, as seguintes entidades e seus representantes, que a partir desta data constituem por livre adesão e participação, individual ou coletiva, o Fórum Livre de Cultura. Este tem por objetivo articular, fortalecer e fazer convergir aqueles que se interessam pelo tema da Cultura em São Leopoldo, sempre respeitando e fortalecendo, amparando e promovendo as entidades e os instrumentos legais do Conselho Municipal de Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura e do Plano Municipal de Cultura:

Valdenir Lamberti​ – PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DE POLÍTICAS CULTURAIS – PRESIDENTE DO CLTG

Wagner Coriolano​ – Professor e VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DE POLÍTICAS CULTURAIS

Wagner Pehls​ - PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DAS ENTIDADES CULTURAIS RECREATIVAS E CARNAVALESCAS DE SÃO LEOPOLDO

Roberto Nicolau Roberto Pinheiro​ - Presidente S.R.C.Estação Primeira de São Léo/ VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO DE PRESIDENTES DAS ESCOLAS DE SAMBA DE SÃO LEOPOLDO

Gabriela Scrinz​ – VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO, ARTÍSTICO E CULTURAL – REPRESENTANTE DO IAB – INSTITUTO DOS ARQUITETOS DO BRASIL

Totonho Lisboa​ - COORDENADOR DO FÓRUM DE ARTES CÊNICAS

Mauro Menine​ – Diretor e Coordenador do Manifesta Pro - FÓRUM DE ARTES CÊNICAS

Gilmar Goulart Pinto - COORDENADOR DO FÓRUM DOS MÚSICOS – Músico do Grupo Eco Do Pampa​

Dagmar Dorneles – Professora de Dança e Bailarina

Suzane Wonghon​ – Professora, Artista Plástica - FÓRUM DE ARTES VISUAIS

Lilian Nunes da Silva​ – FÓRUM DE ARTES VISUAIS - Servidora da Secult

Alice Be​ Benvenutti – Professora na Ulbra, Pesquisadora em Museus e Memória Ferroviária

Filipe Farinha​ – Corpos & Sombras – Cia de Teatro - Articulador na Rede Circo Sul e na Rede Brasileira de Teatro de Rua

Claudia Beatriz Severo​ – Corpos & Sombras

Leonardo Corá​ – Arquiteto - Defender

Marcelo Rodrigues da Rosa

Marluce Dias Fagundes​

Marcelo Schneider​ – FÓRUM DE ARTES CÊNICAS  - Professor e Diretor do Teatro Geração Bigiganga – Pelo Direito à Cultura

Luis Lico Labres​

Daniel Cunha​ – Professor e FÓRUM DO LIVRO E LEITURA

Jari Mauricio Da Rocha​ – Professor e FÓRUM DO LIVRO E LEITURA

Paula Lau​ – O que move

Lenice Janke Grings​ – Guia de Turismo

Luiz Fernando Gusmão – Instituto São Leopoldo 2024   
 
Aírton Correa Schuch - Secretário do Instituto São Leopoldo 2024

Caren Suzana​ - Cultura nas Ruas

Patrícia Affonso – Gestora Pública e Ativista Cultural

Daniel Adams Boeira - Professor de Filosofia e História e ex-conselheiro do COMPAHC

Isabella Fortes​ Boeira - estudante

Viviane Klaus​ – Professora

Orson Soares​ – Professor Coletivo Fanon

Cicero Alvarez​ - Vice-Presidente da FNA - Federação dos Arquitetos do Brasil - do Conselho Estadual do IAB e Ex-Presidente do CEC - Conselho Estadual de Cultura do RS.

Daniel Sauer​ - Representante do DCE da Unisinos


Aqueles que concordarem com o teor desta carta que assinem abaixo nos comentários

quarta-feira, 29 de julho de 2015

SARTORICES E O CAOS



Não vai demorar muito tempo para alguns que votaram 15 na última eleição pensando que o seu partido é o Rio Grande, que piso é no tumelero, e que gaúcho bom e bonachão faz piada com qualquer coisa, entenderem o tamanho do problema que criaram para si mesmos. Vão negar, vão resistir, vão baixar a cabeça e se calar, mas lá no travesseirinho de noite, vão lembrar após alguns graves acontecimentos que com certeza se sucederão na saúde, na educação e na segurança em todas as bobagens e estultícies que lhes passavam pela cabeça, quando brincaram de política, brincaram de responsabilidade política. E alguns vão se arrepender muito amargamente, porque um estado mal administrado não prejudica só professores, miseráveis, pobres coitados e/ou alguns poucos que negociam com ele, prejudica à todos. O atraso que se enuncia na ponta aguda desta história vai ser tão grande que arrependimento é pouco. Vai ter sim gente que vai bater coma cabeça na parede, podes crer que vai...eu não queria que isso acontecesse mas é a mais pura verdade. Infelizmente meu gaudério e minha gaudéria....

segunda-feira, 27 de julho de 2015

CRENÇAS E ESCOLHAS


Retornando o tema das crenças e do papel das crenças em nossas vidas, em nossas escolhas e no nosso destino. Para além da pílula azul e da pílula vermelha, para além das consequências das escolhas, antes disso ainda: qual a natureza da escolha? Como você escolhe e porque faz esta escolha?


"Como podemos saber se somos nós quem fazemos a escolha, ou se é a escolha que faz quem nós somos". Questão das personagens de Sense8 – Série dos irmãos Warchowski – os mesmos de Matrix – e que é a história de 8 pessoas ao redor do mundo conectadas pela mente. Um  Grande leitmotiv! Depende é claro aqui da escolha...

LUDWIG WITTGENSTEIN - OBSERVAÇÕES FILOSÓFICAS – PREFÁCIO – NOVEMBRO DE 1930


“Este livro foi escrito para pessoas que tem afinidade com seu espírito. Este espírito é diferente daquele que informa a vasta corrente da civilização europeia e americana de que todos somos parte. Aquele espírito tem expressão num movimento para adiante, em construir estruturas sempre mais amplas e mais complicadas; o outro consiste em lutar por clareza e perspicácia em toda e qualquer estrutura. O primeiro tenta entender o mundo por meio de sua periferia – em sua variedade; o segundo, em seu centro – em sua natureza. E, portanto, o primeiro acrescenta uma construção à outra, avançando para a frente e para o alto, por assim dizer, de uma etapa para a seguinte, ao passo que o outro permanece onde está e o que tenta entender é sempre a mesma coisa.”


WITTGENSTEIN, Ludwig. Observações Filosóficas. Tradução de Adail Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola, 2005. (Primeira Edição Alemã: 1964; Primeira Edição Inglesa 1975.)       

PENSAMENTO E DIMENSÕES DA EXPRESSÃO

É algo muito significativo que nós consigamos sair do mundo do pensamento e de certo confinamento de nossas reflexões e consigamos adotar alguma forma de expressão em suas dimensões físicas, estéticas e linguísticas, pois provoca e desperta no outro e também em nós mesmos uma forma de comunhão que às vezes parece impossível. Ali aonde a palavra é desnecessária não se chega sem elas!

domingo, 26 de julho de 2015

PARA O MOA E A TURMA DELE A CULPA É SEMPRE DO GOVERNO FEDERAL OU DOS OUTROS



Hoje ouvi uma professora dizendo para minha esposa que o Governo Federal não enviou recursos e é por isso que o Moa não dá aumento. Minha esposa disse que o Governo Federal enviou 13,8 % a mais de recursos para educação, e ele é que não repassou aos salários dos professores. E é bom que se diga que o Moa é que decidiu não reajustar o INPC dos educadores para fazer caixa e atender outras prioridades. Também foi ele que decidiu com seu governo e equipe  fazer tudo que tem sido feito nesta cidade contra o povo. Contra a educação. Contra a saúde. Contra a segurança pública - amanheci hoje furioso e muito triste com mais um taxista morto enquanto o assassino do outro continua impune. Tudo que tem sido feito contra a cultura e a história desta cidade. E claro que a senhora que falou com minha esposa deu de ombros e saiu. É sempre assim que eu vejo os que defendem o Moa, dando de ombros quando devidamente contestados e refutados e fazendo da conta que não entendem nada e prosseguem vendendo mentiras e bobagens sobre tudo que lhes toca e, pior que isso, eles continuam acreditando em mentiras e bobagens, mistificações confabulações e em explicações simplórias .e em muitos casos infantis também. Isso é bem feio para mim que sou professor e que por um acaso acompanho desde menino com muita atenção a história desta cidade. Bem, foi exatamente isso - essa viagem mental - que levou ele ao poder e que deu condições para ele fazer a quantidade terrível de erros, maldades e escândalos que tem feito. E as pessoas que votaram nele e acreditam nele fazem de conta que nada aconteceu, simplesmente porque nunca sabem de nada e quando ficam sabendo continuam achando que a culpa é de outros. Isto vale ainda para a versão corrente de que tudo é culpa do Mattos, e que tudo que o Moa fez e que faz provém da cachola do Mattos. Ora, convenhamos...dá para acreditar em Papai Noel, dá até para acreditar em Bicho Papão, mas acreditar nisto é uma grande piada. Tá bom....senta lá e pensa mais um pouco sobre isso....

sexta-feira, 24 de julho de 2015

CONVOCAÇÃO EM DEFESA DA CULTURA E DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO

CONVOCAÇÃO EM DEFESA DA CULTURA E DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO

Nós cidadãos e cidadãs, ativistas culturais, educadores, artistas, produtores, representantes de diversos segmentos desta cidade e da sociedade civil organizada, membros de movimentos culturais, entidades e instituições com atuação na área cultural, dando andamento à nossa defesa da Secretaria Municipal de Cultura de São Leopoldo, convidamos nossos concidadãos e ativistas culturais para REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA EM DEFESA DA CULTURA.

Se realizará entre as 14:00 e 18:00 deste próximo sábado, dia 25 DE JULHO DE 2015, na Câmara Municipal de Vereadores e terá como PAUTA PRINCIPAL a de tirarmos, após apresentação, debate e deliberação uma CARTA DE SÃO LEOPOLDO EM DEFESA DA CULTURA E DA HISTÓRIA DA CIDADE, arrolando por parte da comunidade cultural e dos cidadãos presentes as prioridades de curto e médio prazo na área cultural desta cidade.
ASSINAM ESTA CONVOCATÓRIA:

PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA - Valdenir Lamberti - Patrão do CLTG - Conselho Leopoldense de Tradição e Cultura Gaúcha

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DAS ENTIDADES CULTURAIS RECREATIVAS E CARNAVALESCAS DE SÃO LEOPOLDO Wagner Pehls

COORDENADOR DO FÓRUM DE ARTES CÊNICAS Totonho Lisboa

COORDENADOR DO FÓRUM DOS MÚSICOS Gilmar Eco Do Pampa Goulart

Aírton Correa Schuch - Secretário do Instituto São Leopoldo 2024

Caren Suzana - Cultura nas Ruas

Daniel Adams Boeira - Professor e ex-conselheiro do COMPAHC

Cicero Alvarez - Vice-Presidente da FNA - Federação dos Arquitetos do Brasil - do Conselho Estadual do IAB e Ex-Presidente do CEC - Conselho Estadual de Cultura do RS.


Daniel Sauer - Representante do DCE da Unisinos

DIA 25 DE JULHO É DIA DA CULTURA EM SÃO LEOPOLDO - PROPOSTA


Bom dia, gostaria de retomar o que nós já tínhamos proposto como uma atividade da cultura, do nosso movimento todo em defesa da cultura da cidade, para o dia 25 de julho, que é no próximo sábado. Sugiro marcarmos a Câmara de Vereadores à tarde, a partir das 14 horas.

Creio que a gente devia fazer isso, porque temos muitas pautas pendentes, muitos relatos e retornos a serem apresentados a em diversas áreas e porque nós não podemos tomar uma injeção relaxante e nos desorganizar, após um mês da conquista da manutenção da secretaria no dia 18 de junho, quando o Prefeito disse que se rendia à nossa pauta .

Penso que a comunidade cultural deveria avaliar o estado do processo e ter relatos também e eu sei por relatos in off, de diversas áreas, que tem mais coisas rolando, por exemplo, no Patrimônio  Histórico, fiquei sabendo que houve uma importante reunião com o Iphan.

Sei que o movimento Cultura nas Ruas e o movimento em Defesa da Cultura tem pautas a serem encaminhadas e que nós deveríamos nos envolver mais. Sei que o pessoal ligado ao Conselho de Cultura e outros representantes tiveram reuniões com o Prefeito e o Secretário Interino, mas não temos uma situação muito clara sobre isso para todos que apoiaram o movimento.

Dei algumas ajudas no tema tombamento da Praça do Imigrante e creio que isso deve ser publicizado devidamente, porque o tema do patrimônio está sempre em risco na cidade. Tem a situação gravíssima da Casa do Imigrante, por exemplo, que requer nossa atenção coletiva e mobilização.

Penso também que a data é um  momento ideal de tirarmos uma CARTA DE SÃO LEOPOLDO EM DEFESA DA CULTURA E DA HISTÓRIA DA CIDADE

Creio que tanto no nível simbólico da data que não terá nenhuma atividade pública mais institucional, cultural e comemorativa e quanto no que toca ao imediato também deveríamos nos posicionar. Temos que ir fazendo também a pauta prioritária da área do CPF (Conselho, Plano e Fundo de Cultura) e as demais políticas públicas na área e nos diversos movimentos.

Me chama atenção, creio que para todos aqui, que precisamos de cada vez mais democracia, diálogo e trabalho coletivo e também ouvir o povo e provocar o povo da cidade a refletir sobre isto. Nossa vitória da manutenção da secretaria mostra exatamente isto que esta pauta atrai apoios de vários segmentos sociais importantes.  E a data do 25 de julho carrega no simbolismo histórico e com certeza dará mais publicidade as diversas lutas da cultura e da defesa da história da cidade.

Me retorna o que você pensa sobre isto?

Um abraço


Daniel.

AOS MEUS CAROS COLEGAS DE SÃO LEOPOLDO



Nós professores e professoras somos seres humanos comuns que apenas descobrimos um dia que nascemos para amar, cuidar e educar e, bem, quando não conseguimos fazer estas três coisas acabamos descobrindo o verbo lutar e, então, começamos a lutar. Jamais vou me esquecer de todos os colegas que me fizeram ao longo destes 20 anos de professor e pelo menos 50 de aluno perceber a importância disto. E hoje ao ir lá abraçar meus amigos e amigas, colegas e demais servidores públicos acabei me lembrando do dia em que tudo isso começou de forma prática para mim. Em um dia agora indeterminado de 1979 nós estávamos juntos deitados na ponte 25 de julho para impedir o Prefeito de então de demolir ela e hoje eu vi só uma pessoa que podia ter estado lá naquela data e pensei comigo quão importante é poder testemunhar a luta destes servidores, trabalhadores e educadores leopoldenses contra um governo que não somente não respeita e é violento, mas que simplesmente não mede esforços em destruir nossa cidade. Eles erram sistematicamente, eles fazem muito mal a São Leopoldo, mas isso já é um escândalo agora e isto mostra a maior vitória para mim desta luta e desta greve. Além de mostrarem que amam a cidade, mostrarem que cuidam da cidade estão mostrando como é que é que se faz para mudar isso. Muito obrigado por caminharem até aqui juntas e juntos. Vocês estão mudando a história da cidade e o maior efeito disto deve sim aparecer em outubro de 2016, quando teremos a oportunidade de eleger novos vereadores e vereadoras, um novo Prefeito ou Prefeita e enterrar de vez no passado o PIOR GOVERNO DA HISTORIA DE SÃO LEOPOLDO. Digo isso porque ao contrário do que alguns possam pensar esta greve é muito vitoriosa, pois esta fazendo aquilo que o povo não é capaz de fazer e prova que aqueles que prometeram mudar, governar melhor e para o povo mentiram e estão perdidos em erros, maldades e escândalos. E isso foi uma grande jornada de luta contra o desrespeito e o reajuste zero. Não temam...tenham orgulho e andem de cabeça erguida porque hoje todo mundo sabe de que lado está a covardia, o mal e a injustiça em São Leopoldo.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

CURSO DE FILOSOFIA E HISTÓRIA DA ARTE DE MÁRIO DE ANDRADE – RIO DE JANEIRO - 1938


"O curso de Filosofia e História da Arte ministrado por Mário de Andrade na Universidade do Distrito Federal nasceu de um golpe da "imaginação, essa doida", como contava. Veio-lhe a ideia de fundir as duas disciplinas numa só. Com isso teve de trabalhar mais duro, sob pressão do ritmo intenso de aulas, quatro por semana. Não sabia se iria aguentar, tanto se gastava em estudos e pesquisas, mas saiu-se bem. A vantagem é que, com essas aulas, repensava o problema da estética, e o definia tanto para os alunos como para si mesmo.

Era o seguinte, em resumo, o pensamento exposto na aula inaugural. A arte não se aprende: daí a diferença fundamental entre o artista e o artesão. Nos processos de elaboração dos eu material básico, a arte quase se confunde com o artesanato, o artefazer. Portanto, o artista há de ser também artesão, dono dos segredos e das exigências do material. O artesanato não se confunde com a técnica; é parte essencial dela. A outra parte é a objetivação de uma "verdade interior" do artista, que obedece a imperativos e caprichos da objetividade. O artista será, no entanto, mero imitador se se limitar ao exercício da habilidade própria. A técnica envolve a solução do artista, que integra o "talento"; é um elemento imprescindível e inensinável. Pela "inflação do individualismo", a arte foi afastada de suas fontes legítimas. Deve voltar a elas. "Só então o individuo retornará ao humano. Porque na arte verdadeira o humano é a fatalidade" - concluía o mestre.

Tal, em linhas gerais, o ensinamento a ser desenvolvido nas aulas subsequentes.

Eram aulas entremeadas de exemplos, caos metáforas, sempre cheias de vivacidade e interesse. O professor, muito metódico, vinha com fichas preparadas e seguia um esquema seguro, sem se desviar. Passava trabalhos para casa e dava notas. Era brincalhão, mas ao mesmo tempo exigente. Os alunos o achavam "desacatante" (um termo em voga na época); continuavam a conversar e A fazer perguntas pelos corredores e no café, alguns iam ao seu apartamento para consultar livros e álbuns de arte."


CASTRO, Nelson Werneck de. Mário de Andrade: O Exílio no Rio. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1989. pp. 27-28.

sábado, 18 de julho de 2015

NÃO ESTAMOS SÓS - VANAZZI CONTA COM A GENTE!!!


Hoje eu disse algo que pode ser considerado uma conversão ou pelo menos uma inspiração diferente entre as minhas diversas inspirações desta vida. Em meio a uma reunião política eu, que apesar de ser um velho militante marxista, com formação trotskista e um disciplinado leninista e alguém com razoável currículo de luta e de pensamento nesta linha, contrariei as previsões e pela primeira vez em minha vida eu disse que tenho um Papa neste mundo que pensa exatamente como eu. Dei graças na linguagem mais usual e direta possível e disse que isso já era alguma coisa e que apesar de tudo não perdia as esperanças em mudar este mundo.

Hoje, também,  assumi com alegria uma posição de muita fé em apoio a um amigo e companheiro que se chama Ary Vanazzi​, e todos que me conhecem sabem do significado disso para mim e para nós, e, então, por um daqueles acasos que só aqueles que vivem uma vida aberta ao desconhecido e que não temem o inexplicável podem viver, então eu citei a Bíblia - Atos 16 - para afirmar claramente que nós estamos aqui e não estamos sozinhos, não lutamos sozinhos, não vivemos sozinhos e não deixaremos de lutar e desejar muito um mundo melhor para todos os homens e mulheres.

Eu disse que eu tenho fé na humanidade e que sei que não estou só e olhei para meu companheiro e disse "Não faça mal a ti mesmo, porque nós estamos aqui!" Não te desespere, não desista, não recue e conte conosco (aqui eu vou lembrar da Suzani Allgayer​ minha querida colega que me pediu certo cuidado que cumpro aqui).

Olhei para meus companheiros de mesa e luta Ana Affonso​, Sandro Della Mea Lima​, Marcel Frison​, Dolores Pessoa​, e muitos outros companheiros, como o Ibanes De Oliveira Mariano​ (ao qual eu havia dito que faria o Vanazzi chorar - não vi uma lágrima, mas vi o seu riso e sua alegria) o Vagner Souza Dos Anjos​, a Paty Affonso​ e muitos outros e resumi uma única coisa NÃO ESTAMOS SÓS, e não fazemos político por nós mesmos, nem para nós mesmos. E, então, pela primeira vez na minha vida não fiz um discurso, não dei uma lição e não disse algo que gerasse grande controvérsia ou discussão, porque senti que nosso momento é de muita união e muita força para lutar por nossa cidade, nosso povo, e uma vida melhor para todos, com especial atenção para os mais necessitados e para aqueles que tem fé em mudar este mundo e que não desistem disso frente a qualquer dissabor, desafio ou traição.

Somos sérios e quem não crê nisto está errando e deixando de ver para além de si mesmo como fazer algo mais com os outros neste mundo.

A passagem Bíblica é a que segue: Atos 16

…27 O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, desembainhou sua espada a fim de se matar, pois concluíra que os presos todos houvessem escapado. 28 No entanto, Paulo gritou: “Não te faças isso! Eis que estamos todos aqui!”, 29 Então, o carcereiro pediu luz, correu para dentro e, trêmulo, atirou-se aos pés de Paulo e Silas. 

Estamos aqui junto contigo Ary Vanazzi!

ADESÃO Á CRENÇAS

Aderimos simplesmente à falsas crenças, algumas delas nos preferimos, e assim nos apegamos a elas, construímos um sistema iluminado para elas e julgamos que elas fazem parte de nossa identidade e, eis que, então, a verdade inteira desaparece escondida.

ISSO PODE EXPLODIR NA NOSSA CARA - CARL SAGAN

"Nós criamos uma civilização global em que os elementos mais cruciais – o transporte, as comunicações e todas as outras indústrias, a agricultura, a medicina, a educação, o entretenimento, a proteção ao meio ambiente e até a importante instituição democrática do voto – dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também criamos uma ordem em que quase ninguém compreende a ciência e a tecnologia. É uma receita para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara"


C. Sagan. Relatório da Reunião Educação para o Século XXI.

GARAGEM HERMÉTICA IS DEAD -90 IS DEAD

Lembro de tudo isso...frequentei o Garagem Hermética em Porto Alegre e fui dessa geração trash dos anos 90, ainda que tenha sido também da geração dos 80 que frequentou o Ocidente e muitas outras espeluncas e botecos...e hoje quando me pergunto que graça tinha? Não encontro nenhuma porque era aquilo a única coisa que nós podíamos fazer com os poucos trocados que tínhamos...aqui aquele texto sobre viagens e esqueça todo o resto que compartilhei estes dias combina bem. Mas Nirvana ainda me encanta sim e hoje é dia de rock....ninguém mais precisa ser convidado, enganar o porteiro, nem filar um copo de ceva...tamo velho meu chapa...e o romantismo ou saudosismo é algo que esconde a face dura daquilo que não era punk de loja de acessórios nem trash de boutique...estes dias escutei o Gilberto Gil Punk de Periferia e entendi algo sobre isso, vai lá e tenta...e olha a data daquilo...de resto o artigo da Carol é muito bom para lembrar Carol Bensimon Os descuidados noventa

PRÁ RECOMEÇAR - ESPERANÇA

Bom Dia...chove, chuva, choverando e eu começo o dia estudando meus próprios botões e meu sistema de crenças e ouvindo canções em que sua poesia e melodia falem do que me interessa nele...o desejo me interessa e a esperança também sempre...uma delas que para mim é muito bela foi lembrada hoje por uma amiga e é esta: PRÁ RECOMELAR - FREJAT 

SOBRE A SORTE DE SOBREVIVER



"Eu sei, é claro, é simplesmente sorte.
Eu ter sobrevivido a tantos amigos. Mas esta noite num sonho
Ouvi estes amigos dizerem de mim: "Sobrevive o mais capaz"
E odiei a mim mesmo."

Bertold Brecht à Salka Viertel 

Um bilhete deixado por ele sob a porta dela, que ela encontra pela manhã, após uma noite de conversas sobre a dor da fuga e do exílio e sobre o sentimento de culpa pelos que ficaram na Europa à mercê das câmaras de gás, da guerra e de um final em desespero e sofrimento.

In: FRIEDRICH, Otto. A Cidade das Redes. p. 107.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

PARA LEMBRAR OS INCAUTOS E TRAIDORES DAS CAUSAS POPULARES



"E o maior erro político e de interpretação de alguém é julgar que o nosso povo não sabe lutar e usar do poder de dissuasão para avançar nesta luta. Quem pretende vencer os trabalhadores, seus sindicatos, seus projetos e partidos deveria pensar duas vezes, pois acabará por enfrentar sempre velhos e velhas enxadristas que não cedem um peão na luta e que aprenderam a cercar muito bem o rei."

CONTRA O CRÍTICO



Meu caro amigo. Não sei para quem estais dizendo isto, contra aqueles que se colocam a criticar aos outros e contra criticas, mas se cabe a mim - e com certeza cabe, te digo com carinho: não peça a um filósofo, professor, cientista, estudioso, cidadão ou homem livre (e podemos botar todo o feminino que houver neste mundo aqui) para não criticar ao outro, pois o fundamento da sabedoria, da aprendizagem, da ciência, dos estudos e de nossa liberdade está na possibilidade de fazer isto. Mas criticar tem por objeto apenas as crenças e ações que sejam públicas e que mereçam juízo. Entendo que nós seres humanos não deveríamos ser resumidos a suportes de crenças, porque também temos sentimentos, vínculos e uma vida sobre a qual constituímos crenças. Então deixa criticar, critique como fazes, pois algo de bom pode sair daí, nem que seja a mera libertação de uma crença que te aprisiona e que não resume tua identidade, nem te expressa por inteiro. Como me parece ser o caso agora.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O PRÍNCIPE E A TRAGÉDIA, para Bado Jacoby o profeta do Reino de Castela


“Oh que arriscado ofício é o dos príncipes e o dos ministros!”

Padre Antônio Vieira.

(Sermão do Primeiro Domingo de Advento. Nesta pregação na Capela Real seu principal assunto foi o juízo e os pecados da omissão na presença magnânima de sua majestade real.  Lisboa. Dezembro de 1650)


Só para variar Antônio Vieira já tinha notado isso, porém, para constar e fazer justiça com os tempos que vivemos, suas causas e suas consequências futuras e divisáveis. Fiquei pensando com meus botões sobre certas situações que se dão com os Príncipes ao ler um texto sobre tragédias clássicas de Holderlin. Também, pensei após ler algumas páginas de O Príncipe de Maquiavel sobre esta situação delicada entre poder e consciência moral. E também após ler e escrever sobre um Hamlet que superou seus dramas e viveu feliz para sempre. Por fim, lembrando agora do Príncipe Dionísio II que foi aluno e que por fim traiu Platão em Siracusa. Parece haver um lance trágico nesta carreira de Príncipe. Parece que este sujeito é muito sujeito a traições e fatalidades. Que esta não é a melhor carta mesmo no baralho do reino.

ERGA OMNIS - LEVANTA-E E ANDA!



Talvez seja mais fácil ressuscitar aos mortos com um trombeta dos céus, do que despertar os vivos de seu sono dogmático e profundo com argumentos desta única terra que conhecemos. E esta é uma diferença que pode parecer de poder ou não, mas que trata apenas do senso de obrigação de cada um dos reles mortais para consigo mesmos.

Pentaquark é a última descoberta da física.


Vejo que quanto mais a física avança mais desconfio de mim mesmo e de minhas crenças anteriores, desconfio de meu conceito de lógica e da possibilidade de possuir de alguma forma o conhecimento completo de alguma coisa. Sim, temos proposições, que podem ser verdadeiras ou falsas, mas não possuímos mesmo todas as proposições elementares que as sustentam no espaço lógico ou físico. A cadeia de avanços do conhecimento não parece encontrar limites definitivos ainda...então seria recomendável que se pare de ser tão auto-confiante em suas crenças e se comece imediatamente em alguma medida certa revisão ou análise de seu próprio sistema de crenças. Pode ter muita coisa errada em sua cachola amigo.

Eu diria pelo que li que o Pentaquark é um "estado da matéria" dentre um série de estados que podem receber proposições descritivas singulares, cuja proposição e determinação característica foi atingida, após muitas tentativas e idas e vindas em relação à sua existência, pela ciência no experimento. É muito interessante e bem legal de se pensar e imaginar do que se trata.


SOBRE O CONGELAMENTO DOS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES NO RS E EM SÃO LEOPOLDO

Quando os trabalhadores e seus líderes precisam suplicar em nome de direitos frente a homens cheios de benesses e vazios de caráter é porque é chegada a hora de gritar mais alto e com mais força por justiça!

A MACIEIRA E SEU FRUTOS, A ARTE E O ARTISTA, por Arnold Schoemberg.


"Quando da morte de George Gershwin, com quem Schoemberg gostava de jogar tênis, o exilado (em Los Angeles nos EUA) saudou o amigo mais jovem e mais bem-sucedido como um igual. "Um artista é para mim como uma macieira", disse Schoemberg, referindo-se a Gershwin e a si próprio. "Quando chega a sua hora, queira ou não queira, floresce e começa a dar frutos. E, como a macieira não sabe nem pergunta que valor será atribuído a seu produto pelos peritos do mercado, também o compositor não pergunta se seu produto irá agradar aos peritos(...)."

In: FRIEDRICH, OTTO. A Cidade das Redes: Hollywood nos anos 40., p.44.

Uma passagem maravilhosamente evocativa para mim. Porque gosto muito de música. Porque gosto de Gershwin e Schoemberg. Porque lembro o quanto gostava das minhas inesquecíveis partidas de tênis com meu pai - sim meu pai era um eletricista que sabia jogar tênis - assim como lembro desta expressão que Schoemberg usou saindo da boca de meu pai: "quando chega a sua hora, queira ou não queira" aplicada a toneladas de situações inexoráveis, imprevisíveis, imponderáveis e que me advertiam basicamente que o que é para ser, vai ser e o que não é, jamais será, sobre também a força da natureza, do destino e também de um talento ou gênio.

Assim, como ele mandava também dar pouca pelota para os que não te entendem e não esperar entendimento ou acolhida mesmo quando se tem razão ou se é sincero. E ela também é evocativa para mim porque me lembra do ponto de vista que tenho como aluno e professor sobre o tempo de cada coisa e cada pessoa, que cada um tem seu tempo e que só nos resta estimular, apoiar, reconhecer e apostar em quem atrai nossa atenção e merece nossa estima.


George Gershwin morreu aos 38 anos de um tumor no cérebro no auge de sua carreira. É considerado o compositor mais bem sucedido e rico de todos os tempos pelo Guardian. Escute Porgy and Bess, se nunca ouviu nada dele ou a mais popular Rhapsody in Blue. Já de Schoemberg recomendo ouvir Pierrot Lunaire, que foi caracterizado como arte degenerada pelos nazistas. Compartilho aqui a fala de Schoemberg sobre Gershwin, com a sugestiva imagem em que Gershwin pinta Schoemberg - quem vai gostar desta é minha mãe ao ouvir estas palavras em alemão, sendo aqui um claro laço de reciprocidade e tranquilidade e da paciência que temos que ter com o tempo e o talento próprio de cada um: