sexta-feira, 29 de maio de 2015

MAIS UM CAPÍTULO DA MENTIRA DO PIOR GOVERNO DE SÃO LEOPOLDO


É absolutamente improvável que as professoras municipais tenham quebrado vidros de carros oficiais ou não oficiais, nem por acidente e nem intencionalmente. O ato de desespero de uma meia dúzia de CCs e de sua vergonhosa administração ao tentar impingir isto contra as professoras municipais só mostra o quão grave é a escalada de Mentiras e Maldades desta administração. Mostra também a completa falta de vergonha na cara de um governo que é incapaz de manter a cidade limpa, incapaz de manter as ruas sem buracos, incapaz de administrar o SEMAE, o IAPS e as secretarias de saúde, segurança e educação, bem como muitas outras e que também é incapaz de de negociar com os servidores, respeitar os servidores e ouvir os servidores municipais.Posso concluir dizendo que o governo municipal está completamente paralisado e improdutivo e que é realmente lamentável que tenham feito estas barbaridades com as confianças e as esperanças do povo leopoldense e que, além disso, sejam incapazes de corrigir seus próprios erros e que, ao contrário, aumentam e agravam a série de erros nesta administração desastrosa.

Ao visitar as professoras ontem no Antigo Palácio Municipal - que hoje poderia ser já uma casa de cultura e não uma casa de desrespeito com a educação - eu disse claramente ao guarda que lá estava e que foi extremamente cordial e educado ao nos receber que ele não precisava se preocupar que cada uma daquelas professoras que estavam ali eram bem mais capazes de cuidar da prefeitura e da nossa cidade do que aquele bando de inúteis que hoje são os CCs do Moa e do Daniel e do Gerson, dos partidos PSDB, PMDB, PP e PSB.

Queria dizer que ele não precisava mesmo se preocupar porque aquelas pessoas, cidadãs e profissionais que em ato de desespero lá protestavam ocupando o Hall de entrada do Palácio, são as mesmas professoras que cuidam das nossas escolas, dos nossos filhos, dos nossos sobrinhos e dos nossos meninos e meninas desta cidade por sua vida inteira. Elas não estão integrando o corpo de servidoras do nosso município.por favor, puxa-saquismo, vaidade, ambição material ou pusilanimidade. E não é muito difícil mesmo, saber de que lado há caráter neste confronto entre o prefeito municipal e seu séquito - o que inclui um secretário da educação que de educação não sabe é nada - e as professoras, os professores, as servidoras e os servidores de nosso município.

O Pior Governo de São Leopoldo avança então em mais um capítulo de Maldades e Mentiras e só nos resta apoiar as professoras, os médicos e os servidores de modo a enfrentar esta falta de vergonha e caráter da atual administração.

SUJO, CONSERVADOR E BEM SACANA


“Me parece que o congresso nunca esteve tão sujo...”

Esta opinião de uma amiga sobre o Congresso me levou a expressar algo que andei pensando sobre a eleição deste congresso, seu presidente e o que temos assistido nos últimos tempos desde os Achacadores até a manobra suja  desta semana para permitir o financiamento empresarial das campanhas.  


Miraram nos bandidos para exterminá-los e acabaram acertando nos únicos mocinhos que poderiam combatê-los e elegeram isso que está ai com muita ajuda de empresários, monopólios de comunicação, porra-louquices e muito pânico e muita propaganda contra a política e contra certo partido que tem seu caráter especial...eximindo muitos de serem probos e fazendo a maior festa eleitoral...o fato de seis deputados federais do PP do RS recebem propina e se elegerem como os mais votados sob a proteção do fogo anti-petista deveria ser mais informativo, se fosse devidamente analisado...Sim, o congresso nunca foi tão sujo...mas foi eleito pelo povo, e também pelas abstenções e pelos votos em branco que ao renunciarem à escolha contribuíram para o quadro atual em que dominam as máquinas eleitorais e as corporações empresariais e as bancadas da bala e dos interesses privados. O Congresso brasileiro nunca foi tão plutocrático e afastado do povo, dos trabalhadores e das minorias excluídas. Tudo que se vê hoje é absolutamente compatível com os interesses da elite, da burguesia, dos interesses mais conservadores e retrógrados.

REALMENTE JUÍZES SEM PREOCUPAÇÕES MATERIAIS TAMBÉM NÃO TEM PREOCUPAÇÕES MORAIS - SÓ NA LEGALIDADE –


Joaquim Barbosa: “Juiz deve ter remuneração muito elevada para não ter preocupações de ordem material” – ex-ministro aposentado  do Supremo Tribunal Federal.

É algo fascinante a possibilidade de julgar os demais seres humanos pelos seus erros, deslizes morais, preocupações materiais, crimes, delitos e outros quetais, estando isentos de qualquer preocupação moral e jamais vivendo o conflito entre moralidade e materialidade...Creio que a maior prova de moralidade se encontra naquele que deve resistir a dar vazão aos seus exclusivos interesses pessoais e individuais. Mas um juiz resiste ao que propriamente falando? à empatia com o próximo desprovido de suas condições materiais? Como ele faz isso? Como interpretar o diverso de mim? E, portanto, como julgar de fato?


Obs.: Certamente não se trata de um raciocínio do tribunal da razão.

QUERIDOS TERCEIROS ANOS – QUASE FECHANDO OS TRÊS ANOS DE FILOSOFIA

Ontem confesso que quase chorei num conselho de classe olhando nos olhinhos de alunos e alunas da 3N1. Bateu uma sensação de despedida antecipada. São alguns daqueles com quem trabalho desde 2013, quando retornei a lecionar no Olindo Flores​ pela manhã, após nomeação em minha segunda matrícula no estado, com os primeiros anos matinais, num projeto novo de curso de filosofia que montei e que agora passa ao seu último ano contínuo a partir do PIBID com UNISINOS. O PIBID ficou um ano só na escola, mas me serviu - além de conhecer jovens alunos da filosofia da Unisinos e futuros professores - para dar um UPGRADE em minhas aulas e junto com o Pacto pelo Fortalecimento do Ensino Médio, contribuiu em meu método e meus estudos se ampliaram com aquisição de uma bibliografia mais ampla e de mais qualidade. Foi, olhando para eles na sala em travelling, como se já estivesse me despedindo deles e me bateu um apego, um carinho e uma saudade antecipada. Bem, a maioria deles e das demais turmas de terceiros anos que temos hoje, isto é, 3N2, 3M1 e 3M2, terão de mim um super trimestre todo planejado e organizado para embalar e preparar eles todos para as provas do ENEM, para os vestibulares de verão e os outros concursos. Vou continuar sem faltar uma aula, vou continuar tentando ser muito claro na introdução e no desenvolvimento das aulas e introduzir mais textos originais para comentarmos e tirar lições e ampliar a visão histórica e sistemática deles nestes dois próximos e últimos trimestres. Farei isso, no segundo trimestre, lecionando filosofia da lógica, filosofia analítica e filosofia da linguagem, dentro de uma história do Logicismo até o que chamo de Pós-Analiticos e não tenho dúvida que vamos afiar eles para enfrentar com capacidade compreensiva, analítica e interpretativa a provas que virão. Que Santo Frege, São Wittgenstein e São Russell e todos os demais Santos e Santas da Filosofia nos protejam e nos guiem. Paralelo a isso eles vão fazer uns trabalhinhos legais sobre os Existencialistas, et alii...só para relaxar...e marcar o encerramento da nossa caminhada de três anos de filosofia, no terceiro trimestre, com uma panorâmica da filosofia brasileira a qual não vai responder à pergunta: se há uma filosofia brasileira?, mas vai expor a filosofia e a história da filosofia que tem sido feita no Brasil até onde consigo contar...expor planos, contra planos, panos e manos..e mostrar um pouco do prejuízo que os malfadados 36 anos sem filosofia no ensino médio que com os expurgos, cassações e perseguições ditatoriais e imbecis promoveram no Brasil entre 1964 e 2007...tudo para contribuir com uma compreensão deles do pensamento nacional e dos desafios de pensar o nosso tempo como pessoas, trabalhadores e cidadãos....

terça-feira, 26 de maio de 2015

2600 ANOS DA FILOSOFIA: VALEU TALES MUITAS FELICIDADES!!!



Apesar de certa imprecisão na data de nascimento e surgimento da filosofia, em geral nos baseamos na vida de Tales de Mileto e em algumas das datas da sua vida. Assim, consideramos Tales de Mileto o primeiro filósofo da história por ter realizado uma proeza que, segundo a opinião de Aristóteles, marca justamente o surgimento da filosofia. Bertrand Russel é outro que tem o mesmo juízo a respeito da importância fundamental de Tales: "A filosofia ocidental começa com Tales.”

Curiosamente temos a data exata desta façanha: 28 de maio de 585 a.C. Esta é a data do eclipse que ele previu com certa antecedência, constituindo, então, segundo as narrativas lendárias e também históricas (Heródoto em especial aqui), vantagem estratégica em uma batalha às margens do Rio Halis entre os exércitos Lídios (Jônios) e Medas (Persas) na planície da Anatólia que acabou por encerrar os conflitos que duravam já 5 anos. A batalha ocorreu no sexto ano de uma guerra indecisa entre Aliates II, do Reino da Lídia, e Ciáxares, da Média, e terminou abruptamente devido a um eclipse solar total. O eclipse foi entendido, segundo estes relatos, como um aviso dos deuses, que desejavam que a luta se encerrasse. Eu tendo a gostar muito deste evento porque marca também a relação da ciência ou filosofia com um episódio de construção da paz entre os homens. Mas também porque é uma demonstração inquestionável de competência.

Ao explicar um eclipse solar, verificando que a Lua é iluminada por esse astro e que sua circunferência é, dada sua distância de nosso planeta, suficiente para produzir ou projetar uma sombra ou penumbra da luz solar por alguns instantes e em determinados momentos que podem ser previstos com exatidão e com antecedência, Tales, de certa forma, provou que suas especulações, teorias, e suas expressões tinham uma aplicação prática. Dando ai mais uma demonstração de certa utilidade das suas teorias físicas e mostrando que suas explicações do fenômenos naturais poderiam dar alguma vantagem. O episódio conhecido e lendário da locação das prensas de azeite na entressafra de um período muito improdutivo, também é considerada uma prova desta competência natural, pois lhe permitiu acumular razoável riqueza.

Os astrônomos modernos recalcularam mais tarde que esse eclipse se apresentou de fato em 28 de Maio do ano de 585 a.C (numa efeméride astronômica recomendo a consulta à data de 22 de maio de 584 a. C. grego). Assim, fica confirmada a indicação mencionada por Heródoto. Se parte desta legenda estiver correta, Tales era jovem e seu Eclipse ou sua Acmé (clímax, ápice, revelação e nascimento para a fama e a glória) aconteceu quando ele tinha apenas entre 38 ou 39 anos e provavelmente foi a partir disto por hipótese que passou efetivamente a ser tomado como um grande sábio.

Ele é, então, o primeiro filósofo grego e estamos aqui, vale deixar claro, deixando de fora os pensadores hindus, árabes, egípcios, chineses e de outros povos, para considerar apenas como filósofos os gregos e aqueles que iniciaram tentando construir explicações sobre a totalidade dos Fenômenos Naturais. Posto que ele nasceu aproximadamente em 623-624 a.C. e faleceu em 546-548 a.C. Na época em que ele viveu teve grande fama em virtude de suas descobertas, teoremas e concepções.

Era conhecido também como Físico, visto que a physis era a designação do que hoje conhecemos como natureza e que seu conhecimento acerca da natureza das coisas, do mundo, da vida e dos homens o tornaram muito notável. A sua grande descendência e influencia intelectual para além da escola de Mileto (Anaximandro e Anaximenes) indo até Pitágoras e, de certa forma, chegando até nós hoje é grandiosa, pois ainda que não se preservaram suas concepções e que algumas das suas explicações e analogias para explicar os fenômenos tenham sido abandonadas, se preservaram as questões, teoremas e muitos conceitos que ele esboçou e provavelmente compreendia, ainda que não houvessem muitos registros e que não tenha deixado obra alguma, dando testemunho disto, estavam subentendidos em suas teorias um certo tratamento e forma de conhecimento da natureza que segue até os dias atuais. Este nome de físicos durou até Pitágoras criar o epiteto de Filósofo batizando com outro nome os especuladores e cientistas naturais da physis que não baseavam mais suas teorias nos deuses, mas sim em conceitos e em teorias matemáticas e também geométricas sobre tudo que há. Mas é bom lembrar disso para comemorar, para provocar e para atiçar a curiosidade dos meus alunos e alunas, dos jovens, dos amigos e dos colegas.

Vida longa à Filosofia!!! 2600 anos criando teorias, demonstrando teorias e refutando ideias e teorias que a gente não entende rapidamente para explicar aquilo que nos fascina e nos provoca neste mundo, com estas coisas e estes seres.


Esta vai para os meus alunos dos Primeiros Anos, que encararam os pré-socráticos, da 1M2 e 1M3, e especial para o Bruno Boeira que gosta destas curiosidades também...

sábado, 23 de maio de 2015

BREVE ESQUEMA DAS CIÊNCIAS: PEQUENA ANOTAÇÃO AMPLIADA


Este é apenas um esquema explicativo, inacabado e imperfeito das ciências e que em parte vale também para as disciplinas escolares, ressalvadas certas diferenças que me parecem fundamentais entre elas. Coloquei no quadro para algumas turmas tentarem entender as relações entre as ciências humanas e as demais e valorizar mais as ciências em geral.



Com este esquema, cuja explicação textual dou um pouco a seguir, pretendo apenas diferenciar Ciências Humanas, Ciências Naturais e Ciências formais, sem abolir as relações de colaboração e compartilhamento de conceitos, métodos e teorias entre elas. Tenho trabalhado com um a diferença fundamental entre Discurso/Narrativa e Formas/Fórmulas. Assim, algumas ciências são mais formais e outras mais discursivas. Na educação isso explica dois tipos de desafios: de um lado, as ciências formais trabalharem mais numa forma discursiva transformando as fórmulas em proposições descritivas, narrativas ou discursivas e, de outro lado, as ciências humanas trabalharem mais formalizando e esquematizando seus conteúdos e, na medida do possível, fazer uso de fórmulas e de formas de representação ou figuração não meramente discursivas, como esquemas e etc.

Quando a minha querida professora (Luciana Giacomelli) e colega de artes ao ver este esquema me aponta a falta das artes ali tem razão, no sentido que falta o nome, mas eu entendo que ela está presente em tudo porque tanto a criação de uma narrativa não pictórica, quanto a representação pictórica ou simbólica envolve justamente uma dimensão estética e o uso de arte para fazer símbolos, sinais e construir imagens e esquemas.

Dou aqui, como exemplos, os maravilhosos cadernos de esboços, esquemas e desenhos - até caricaturas - de Érico Verissimo para suas obras, cuja narrativa é, entretanto, discursiva o que mostra também que certa forma de literatura requer um parafuso a mais sim ( meu querido sobrinho Bruno Boeira). E destaco também que a educação física, para voltar ao panorama de disciplinas escolares, cumpre um papel muito importante também como forma de expressão física e social dos sujeitos de conhecimento sobre seu mundo, o que envolve a dimensão lúdica, mas também política do domínio do seu corpo e da construção de sua performance física no mundo, algo que nos esportes competitivos e no teatro parece ter certo paralelo.

Também é importante dizer que das relações entre ciências humanas e ciências naturais brota todo conteúdo de uma Geografia que, por exemplo, pode ainda ser dividida em geografia física e humana – gosto sempre de lembrar minha fórmula geográfica (N + R + C + P + E (H) = D, cada letra com valores variáveis de + ou – como nas tabelas do IDH, para Saúde, Educação e Renda que aqui na formula geográfica aparecem só em D – demográfica, e são resultantes da soma N= condições naturais, R = condições religiosas, C = condições culturais, P = condições politicas, E = condições econômicas, e (H) condições históricas, aperfeiçoando aqui).

E, por fim, dizer que esta narrativa e forma de esquematização nos exige complementar também com a história das ciências e com certos estudos das dimensões formais nas humanas e das dimensões históricas e sociais nas ciências formais e naturais (meus colegas de área, os professores Márcio Wackslavowski, Marcelo Binot, Paulo Prestes, Ricardo da Luz, Márcia Mittmann, Dorami Galeazzi tem debatido isto com a gente e também entendem assim). Gostaria de agregar apenas na faixa das formais – que já incluem Linguagens e Matemática, como também disciplinas ou conhecimentos singulares a Lógica e a Geometria, cuja contribuição singular aos regimes de prova, modelos de prova e teorias de prova de todas as ciências devem ser sempre mais destacadas e compreendidas. Assim, todas as linguagens que permitem algum uso demonstrativo ou argumentativo pertencem em suas diversas traduções as ciências formais ainda que não tenham sido formalizadas e mantenham como essencial uma relação representativa. Entendo semanticamente que o sentido é derivado do representado e que a representação lhe é secundária, mas que os modelos sintáticos e demonstrativos que podem ser formalizados ampliam o âmbito de sua aplicação. Neste sentido podem os fazer tradução de um modelo discursivo para um formalizado e de um formalizado para um discursivo e este é um dos exercícios, eu creio que ajuda muito na aprendizagem do concreto ao abstrato e que deveríamos fazer mais na escola. E ainda dizer que a Matemática aqui é vista como uma linguagem - ainda que sua relação mais produtiva seja formal para a física e outras ciências naturais.

E não poderia deixar de citar a Química aqui cujo regime próprio representado por uma tabela periódica e suas regras e fórmulas próprias, esquemas de representação e de explicação dos fenômenos e de seus próprios objetos me é assombroso porque passa com facilidade para um discurso narrativo sobre o mundo, o ser das coisas e seus elementos constitutivos, bem como suas relações físicas e químicas e suas pertinências para a biologia e as demais ciências.


Penso sim, que deveríamos gastar um bom tempo reorganizando os nossos conhecimentos, nossas ciências, relações comuns e também compartilhando mais num todo isto para os alunos. Imagino que deva ser mais ou menos isso que esta ocorrendo com os debates sobre áreas hoje na educação brasileira, mas vejo mesmo como essencial organizar isto sob o viés da história da ciência e da filosofia da ciência. Porém é um debate que vamos construído na prática cotidiana e através de muito diálogo. Isso pode continuar é claro...com mais opiniões e se alimentando mais dos debates nas disciplinas e entre elas e para além delas...

CONFIE NAS SUAS INTUIÇÕES: ANOTAÇÕES DE UM RACIOCÍNIO FRAGMENTÁRIO SOBRE A INTUIÇÃO


Abandonamos quase completamente as intuições de tal modo que quase as desaprendemos.

Temos ojerizas às esperanças, insights e nossas emoções, sentimentos são sempre colocados como suspeitos.

O romantismo e a aventura da vida saíram de moda, porque ninguém mais corre riscos.

Não seguimos mais sonhos e não podemos mais errar, porque precisamos ser exatos e precisos.

Estamos tão inseguros que na falta de qualquer prova, a mera delicadeza não prova mais nada.

A sutileza da beleza não prova mais nada.

A gentileza não prova mais nada.

Temos fixações por certezas na ideias e tudo que é dado à sensibilidade nos parece suspeito.

Privilegiamos a regra do tudo ou nada, e na falta de uma certeza, ficamos com o nada.

Andei chamando isso de absolutismo da razão ou perfectismo em outros momentos.

Porém os prejuízos tem sido grandes para alguns que se entrincheiram nesta velha fortaleza em ruínas.

Apesar dos tempos atuais não poderem ser comparados com outros tempos mais antigos neste quesito por diversas razões.

Temos uma grande tendência a privilegiar, nem que seja por uma questão meramente formal, a análise pormenorizada, mas há muito já sabemos que ela não dá conta de tudo.

Assim, apesar de estarmos habituados a certa tática da racionalidade, recomendamos a intuição, a retomada de uma certa confiança na intuição para nos habituarmos de novo a ela e irmos nos aperfeiçoando com ela no trato de assuntos da vida que dependem do gosto e dos nossos sentidos não imediatamente analisáveis em discursos.

Precisamos mesmo reaprender a intuir. Precisamos reaprender a corrigir nossas intuições cair nelas e desvendar-lhes os descaminhos para voltarmos a viver sem medo, sem excessivas precauções. 

Por certo método que adora detalhes e que evita sempre chegar ao todo sem passar por cada uma  de  suas partes, por certa medida e disposição reflexiva e intelectual para compreender o mundo, perceber o mundo e fazer nossa escolhas perante ele, dobramos o mundo, curvamos nosso corpo e nos perdemos de nós mesmos.

Tendemos assim a tomar um modelo mais racional e reflexivo, mais analítico e metódico, como um modelo do pensamento mais ajuizado, por assim dizer e ainda que alguns não o façam com tanto rigor, mesmo estes simulam tal procedimento e carregam de arrazoados e justificações suas razões.

Assim, tudo se passa como se todas as decisões estivessem fazendo um uso máximo de raciocínio.

E quando não se consegue raciocinar com os elementos que aprendemos ou que percebemos de certa forma ficamos tão impactados que o valor da dúvida e da incerteza, a insegurança e o temor nos impedem de agir ou de nos aventurar de forma impulsiva sobre determinado tema ou em direção a determinado curso de ação.

Confiem mais na sua intuição, fiquei pensando ao abordar a dificuldade que alguns tem de se decidir por suas tarefas.

Em especial aqueles que aguardam uma garantia definitiva perante pequenas inseguranças, detalhes comezinhos. Este é o conselho mais importante que eu daria aos jovens hoje em dia.

Não porque eu gostaria de incentivá-los ao irracionalismo, à insensatez de dar curso a todas as paixões com que se depararem pela frente, mas porque eu creio que eles precisam descobrir e desenvolver e aprender por si a usar as suas intuições.

A negação da violência, me parece esta diretamente ligada a rejeição da intuição.

Tem tanta violência e isto gera um temor e um horror tão intensos neste mundo atual que as mentes mais inseguras tem certo pânico de arriscarem qualquer curso de ação

A refutação de toda política de ódio, e a nossa capacidade de superar esta reação que se gera na sociedade em função das desconfianças e inseguranças culturais, das faltas de trocas e de convivências. 

A aversão à diferença, que gera um mecanismo de defesa que dispara automática e instintivamente contra o diferente de ti.

O horror à sensibilidade, que invoca a todos evitar os sentimentos, reprimir  a expressão de amor e afeto entre todos;

A instauração de um regime da dúvida em tudo que pode ser pensado, em tudo que possa ser dito e que possa ser sentido, tem sua utilidade teórica e é muito produtiva em muitos processos de pesquisa e reflexão.

Porém na nossa vida precisamos muito mais de nossa sensibilidade puras, de nosso pensamento livre e de nossas expressões mais abertas e dinâmicas para sermos felizes.

Não vivemos, porém, num regime de ultra atenção, hiper crítica e tanto rigor assim e nem suportamos viver neste regime.


Ali onde eu estava afastando meu corpo, fechando meus olhos, vendo cada vez menos, fechando meus ouvidos, ouvindo cada vez menos, sentindo cada vez menos, posso parar agora, parar de ficar sentindo o nada...e posso viver...posso voltar a confiar em minhas intuições e voltar a viver e a pensar com prazer.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O GAROTO: PEQUENA NOTA SENTIMENTAL E CULTURAL

Hoje sentei num café e vi de novo O Garoto (1921) do Charlie Chaplin...me dá uma vontade de chorar, entre risos e expectativas, coisas que um dia me foram surpresas e descobertas e que hoje são figuras. Dá vontade de chorar de tão sublime que me parece aquilo. Toda criança deveria assistir aquilo um dia. Quem seria o menino das vidraças em meu coração? E quem seria o vagabundo das façanhas e proezas em minha alma? Me sinto um menino e um vagabundo ao mesmo tempo. Uma vida para viver, um pão para ganhar e uma luta para sobreviver neste mundo capitalista e selvagem, mas com a graça e a tragédia num único quadro...veja aqui: O GAROTO

OBRIGADO MÃE! FELIZ ANIVERSÁRIO!

Hoje (21 de maio) tive um longo dia na escola de aulas e avaliações até passar a tarde reunido com minha área fechando menções de mais 19 turmas e aproximadamente 600 alunos, nas disciplinas de história, filosofia, sociologia e geografia com meus colegas. Mas a coisa mais importante foi ter almoçado e conversado com minha mãe, Dona Verônica Adams Boeira, que completa 81 anos de idade e anda se recuperando de um beliscão da miudinha como dizia meu irmão. Neste almoço discutimos um pouco sobre a saúde, o SUS, maioridade penal, educação, jovens e os nossos tempos atuais. No final, como sempre, acabamos no dilema governo, elite e povo - ou melhor dizer trilema - eu defendendo que o problema não são só os governos e ela falando dos altos impostos. Ela pode falar disso e com razão, este é o detalhe da prosa, pois durante toda a vida pagou regiamente todos os impostos que lhe cabiam. E eu fico pensando na vida dela e na minha. Pensando na luta, no trabalho de uma vida inteira pela sobrevivência. Na segunda guerra mundial que ela viveu como criança e menina. Na mudança para o Brasil, em seus dois casamentos e quatro filhos que ela trouxe ao mundo, em mim e em minha irmã, que ainda estamos sobre a terra juntos dela, e nela ter vivido os 25 famigerados anos de ditadura militar aqui, mais estes últimos 25 anos de redemocratização. Nela ter visto Getúlio morrer, Juscelino sorrir, Brizola gritar e Jango sair varrido pela canalha deste país. E devo admitir sim que, por mais que eu ataque a elite brasileira pelas mazelas do pais - os donos do poder como diria o Faoro - o estado e os governos devem sim fazer muito mais pelo povo brasileiro, pelos cidadãos e cidadãs deste país. Devem sim perder a cara de pau e tomar mais vergonha na cara e de fato cumprir seus mandatos corrigindo seus próprios abusos e não perpetuando eles como fazem da forma mais deslavada possível. Feliz aniversário, então, dona Verônica que teu espírito e tirocínio continuem me encorajando a tentar mudar este país. É difícil sim, as vezes perdemos parte das esperanças, mas recuperamos parte dela cada vez que vemos a coragem de um cidadão e de uma cidadã na nossa frente encarando o guarda, a autoridade, o poderoso ou o doutor e dizendo: Pare de nos enganar, pare de nos explorar, nós não somos os mesmos trouxas sobre os quais vocês montaram na garupa para estarem onde estão! Abaixo uma foto da vovó e de sua netinha que também vai ter esta virtú!


A MORTE DO LIVRE PENSADOR E A LIBERDADE DE OPINIÃO: O PÊNDULO DA HISTÓRIA

Me dei por conta de que vivemos de fato um tempo de consagração da liberdade de expressão e de opinião, mas que este tempo está apenas sendo a antípoda da liberdade de pensamento. Que a famosa liberdade negativa existe sim, mas que é feito pouco caso dela e que o pensamento sofre desprezo como nunca e que a sua maior negação se expressa numa abundância de expressões irrefletidas sobre todas as gentes, coisas e modos de ser. Como um pêndulo que balança da extrema e pobre manifestação ao mais sublime e valoroso pensamento.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

MENTIRAS E MALDADES DO PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO


NÃO SÃO SÓ OS SERVIDORES QUE DEVERIAM PROTESTAR NÃO

Eles são uns mentirosos de marca maior. E estão com a maior cara de pau cometendo uma coleção de maldades  na nossa cidade. Uma UPA que não vai funcionar em sua plenitude. A Secretaria de Cultura sendo desmantelada. O Lar São Francisco e a Creche Bem Me Quer sob ameaça de demolição para satisfazer interesses imobiliários no entorno do Hospital. E esta coleção de maldades se soma a mentiras, grandes, médias e pequenas mentiras no dia a dia da cidade. Mentiram na campanha em 2012, quando disseram que iam reduzir o custo dos seguros de automóveis em São Leopoldo, com melhores políticas de segurança e a criminalidade só aumentou e só aumentaram os records de violência na cidade. Mentiram quando disseram que iriam elevar o IDEB da educação de São Leopoldo e hoje a Secretaria de Educação não possui absolutamente nenhum programa que atinge a rede inteira para melhorar seus resultados e índices. Na semana passada aprovaram uma lei na Câmara para gastar recursos do FUNDEB em terceirizações e convênios. Mentiram quando disseram que iam resolver os problemas da saúde, pois os problemas aumentaram e a rede se encontra em crise permanente. Sobre a Gestão do Hospital nem se fala. Sumiram com a Caldeira do Hospital fazem duas semanas e segundo sindicalistas os recursos do hospital estão sendo gastos em uma verdadeira orgia com empresas privadas e terceirizadas. Como me disse um amigo que ouviu a arrogância deles e se anojou: eles não querem mais escolas infantis, não querem mais postos de saúde e não querem mais câmaras de segurança para melhorar a segurança na cidade. Só querem ganhar dinheiro e gastar com os seus interesses privados. Contratam empresas ao sabor do balcão de negócios. Ora, os recursos do FUNDEB que podem ser e são usados para pagar os professores aumentaram, foram reajustados, mentem, portanto quando dizem que não podem dar reajuste aos educadores. Assim, como mentem ao alegar que não podem pagar os servidores ou reajustá-los. Tratam-se apenas de outras prioridades...as deles e as dos amigos deles...e é um governo que tem somente mais 18 meses de gestão e que preciso ser impedido de cometer mais barbaridades, maldades e mentiras....  

WOODY ALLEN DEVERIA SER CENSURADO: I Get A Kick Out Of You




Woody Allen faz lavagem cerebral com a gente. Faz a gente gostar de coisas que não nos dizem respeito. Nos faz cultivar gostos estranhos e nada comuns em nossa cultura. Eu gosto muito de MPB, Samba e Bossa Nova, mas... Aqueles filmes dele deveriam ser proibidos. As trilhas sonoras dele deveriam ser todas censuradas a priori. Deveria haver um departamento de censura especializado nisso. Eu, um pobre professorzinho de ensino médio que de sentimental e sonhador não tem é nada, passo a manhã inteira pesquisando música americana dos anos 20 e 30. Escuto Gershwin, Cole Porter e outras coisas indizíveis  e chego quase nas Big Bands e bem que podia encontrar um bom álbum de música destes tempos. Hoje foi demais para mim. Ocorre que às vezes acordo cantarolando canções estranhas, estrangeiras e de um tempo que não vivi e nem sei nada. Só sei que me deu aquela coisa estranha que deve dar em outros músicos ou pretensos músicos. Três acordes na cabeça, dois em sétima e um maior, uma melodia na cabeça e eu catando milho na internet a manhã inteira. Bem achei algo que deve ser relacionado aqui, mas agora preciso ouvir estas 33 canções horríveis e sentimentais até achar algo parecido com o que me acordou. Vou fazer manifesto e pedir censura à Woody Allen e também à nossa imaginação, intuição e sensibilidade. E ouvi dizer que, para piorar as coisas, ele agora fez no seu último filme a pior combinação possível entre um professor de filosofia em crise existencial - o que é muito incomum e raro é claro - e que essa história e enredo altamente ficcional deve vir com outra maldita trilha indelével e inesquecível só para piorar a minha situação e me jogar de vez nas cordas. Deveria ser censurado ou virar matéria obrigatória para a gente não sofrer mais sozinho passando por isso tudo. Toma então um disquinho desse tal de Sidney Bechet, escuta aquela musiquinha ali em 18:08  I Get A Kick Out Of You que é a desgraçada que me acordou hoje e que não me deixa em paz. Também foi gravada por Frank Sinatra e Ella Fitzgerald e foi composta pelo outro demônio da música americana chamado Cole Porter. Bechet que é um dos preferidos do Woody Allen​ é um maldito músico americano que só toca estas coisas e que apresenta ai este Pount Pourri destas canções todas - nem rock, nem blues, nem jazz, nem folk, nada disso e vê se me entende de uma vez por todas nessa vida:


FRANK SINATRA; I get a kick out of you

ELLA FITZGERALD: I Get A Kick Out Of You

terça-feira, 19 de maio de 2015

HAMLET: PARA DECORAR

 HAMLET, William Shakespeare, ato III, cena 1

"Ser ou não ser, essa é que é a questão:
Será mais nobre suportar na mente
As flechadas da trágica fortuna,
Ou tomar armas contra um mar de escolhos
E, enfrentando-os, vencer? Morrer, dormir,
Nada mais; e dizer que pelo sono
Findam-se as dores, como os mil abalos
Inerentes à carne - é a conclusão
Que devemos buscar. Morrer - dormir;
Dormir, talvez sonhar - eis o problema:
Pois os sonhos que vierem nesse sono
De morte, uma vez livres deste invólucro
Mortal, fazem cismar. Esse é o motivo
Que prolonga a desdita desta vida.
Quem suportara os golpes do destino,
Os erros do opressor, o escárnio alheio,
A ingratidão no amor, a lei tardia,
O orgulho dos que mandam, o desprezo
Que a paciência atura dos indignos,
Quando podia procurar repouso
Na ponta de um punhal? Quem carregara
Suando o fardo da pesada vida
Se o medo do que vem depois da morte -
O país ignorado de onde nunca
Ninguém voltou - não nos turbasse a mente
E nos fizesse arcar co'o mal que temos
Em vez de voar para esse, que ignoramos?
Assim nossa consciência se acovarda,
E o instinto que inspira as decisões
Desmaia no indeciso pensamento,
E as empresas supremas e oportunas
Desviam-se do fio da corrente
E não são mais ação. Silêncio agora! 
A bela Ofélia! Ninfa, em tuas preces
Recorda os meus pecados."


Tradução: Barbara Heliodora

REVOLUÇÃO DO CARBURETO: PAULO FREIRE CONTRA O ESQUERDISMO

"Um dos equívocos de alguns grupos que estão à esquerda de Marx é pensar que a história se faz com carburetos. História se faz com praxis. Quer dizer, é preciso ter consciência dos limites históricos para fazer historia... Esta não se faz por decreto."


Paulo Freire. Posfácio - Depoimento de um Grande Amigo. In: Ernani Maria Fiori. Educação e Politica. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2014, p. 234.

ENTRE A TRAGÉDIA E A DIALÉTICA

Diria simplesmente que estamos entre a tragédia e a dialética. 

A primeira há de fazer gemer o presente pelo que foi passado, enquanto a segunda deveria nos obrigar a terçar o futuro com as vozes do presente.

Porém aqueles que mais precisam ouvir e falar, as julgam insuportáveis. 

A verdade não lhes convém mais.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

CULTURA DA VIOLÊNCIA E VELOCIDADE



Tarso pega um ponto crucial da nossa sociedade atual. Há uma cultura da violência, com diversas facetas e um estímulo a aventuras e desmedidas. Vou tocar aqui rapidamente em outro aspecto disto. No uso da velocidade e na glamourização das proezas automobilísticas e de motovelocidade. Eu assisto Velozes e Furiosos com certo prazer, mas devemos reconhecer e nos auto-censurar um pouco sobre isto e pensar se não estamos glamourizando, de forma patética e estúpida, a velocidade e aumentando os acidentes de trânsito. Tem toda uma geração que fica tunando carros, envenenando e exibindo carros e motos, tira carteiras de motoristas aos 18 anos e adora velocidade e proezas. Na minha geração também tinha isso, e nela também perdemos muitos por acidentes, mas hoje devido ao incremento da renda e da autonomia dos jovens isso ocorre muito mais. Penso aqui nos meus ex-alunos, nos filhos de amigos e colegas e em muitos que já se foram em virtude desta glamourização. Menos meus amigos e amigas, vamos valorizar mais a vida que é tão maravilhosa com muito menos do que isso. Viver já é uma grande aventura extraordinária e na adolescência que é a idade mais magnífica em oportunidades e desafios para nossas escolhas devemos preservar e muito todos os nosso jovens. A vida loka e o correrio não nos faz bem. Bem menos...nessa vibe gurizada...

Veja o Texto de Tarso Genro: A cultura que mata. Em SUL21.

domingo, 17 de maio de 2015

GRÉCIA E CADA UM DE NÓS NO MUNDO

O capitalismo derrota a humanidade em cada um de nós, derrota nossa capacidade de ser solidários, nos torna competitivos e vis, ambiciosos e predadores; coloca em falência estados inteiros, dissolve laços de humanidade e solidariedade entre os homens, corrompe jornais e esconde a verdade em tudo que possa ser comprado em nome do sucesso de muito poucos. Depois que tudo isso passar restará aos sobreviventes reconstruir a vida e o mundo, mas com quem? Quando? e Como? Pois mesmo quando este fim é certo ainda hão aqueles achando que é assim mesmo e que assim é melhor. A Grécia é lá longe, mas não estamos tão longe disto e enquanto pensarmos que isso tem alguma solução, vamos continuar trocando governos, fazendo de conta que a responsabilidade é só dos governos. Mas como vivemos? Como trabalhamos? Vencemos na vida a que custo mesmo? O que o Syrisa e a Grécia enfrentam agora só mostra como uma vitória eleitoral não é a solução definitiva dentro de um sistema de interdependência, muita exploração e dominação entre nações. Não se fala mais em imperialismo, colonialismo, mas sim em globalização. Mas que regra preside mesmo este sistema? A regra da vida ou do lucro? Do combate a fome e da redução da pobreza, ou da exploração e da dominação de muitos por poucos? Mostra o quanto a Ordem Mundial é perversa e voltada para o benefício da exploração dos poderosos e que se lasquem os povos, os países, todos os projetos de sociedade alternativos. Paguem suas contas a qualquer preço! Paguem suas contas ao preço de suas vidas? Como isso é possível? Como isso é tolerado por nós todos?

GLÓRIA ERNANI MARIA FIORI!

Neste sábado, estivemos no Portas Abertas da UFRGS e ao passear, num intervalo entre uma atividade ou outra, com minha filha Isabella Fortes em frente ao Pátio da Faced, encontro uma Banca da Editora da Universidade, sendo capitaneada por seu Diretor e, muito feliz, descubro no balcão entre diversas obras que, passados trinta anos do falecimento de Ernani Maria Fiori (faleceu aos 71 anos, em abril de 1985), um dos grandes professores de Filosofia da UFRGS que foi mestre de quase todos os meus professores e que foi cassado covardemente na Ditadura Militar, teve suas obras, póstumas, republicadas pela Editora da UFRGS. Elogio muito a ideia de recuperar a memória de um dos grandes pensadores gaúchos que surgiu de uma iniciativa bem acolhida que levou ao Gabinete da Reitoria, de Carlos Alexandre Neto pelos professores Luiz Osvaldo Leite, aposentado da Psicologia, e Balduino Andreola, aposentado da Filosofia a ideia de Reeditar estas obras.



Adquiri logo após tomar um café na Antônio e também cumprimentar o próprio e contar para minha filha a história do Centro Acadêmico da Filosofia da UFRGS na resistência a ditadura. E estou gostando muito de ler tudo junto ali. Coisas que li em artigos e também algumas das aulas dele sobre Filosofia Política que tão influentes nos são até hoje em nossa estruturação das aulas e problematização de conteúdos.

Destaco que a republicação das duas obras de Ernani Fiori “Metafísica e História”, de 1987, e Educação e Política, de 1992, que foram publicadas postumamente através de esforço de muitos amigos, fazem justiça e reparam em parte a covardia que tocou pelas mãos e ideias brutais dos ditadores e seus lacaios, ao grande mestre que tanto contribuiu para o avanço cultural e educacional do nosso estado e que, apesar de ter sido cassado, deixou grande marca em todos os seus ex-alunos e ex-alunas e, portanto, a todos aqueles que talvez sequer saibam receberem lições indiretas dele. Se observa muito bem isto simplesmente ao ler seus textos e lições.

Tendo sido um dos alvos mais covardes e irracionais dos expurgos da UFRGS na Ditatura Militar, ao ser cassado e expulso da UFRGS em 1964, acabou num exílio no Chile contribuindo para a educação naquele país. Fora do Brasil, Ernani Fiori atuou em institutos de formação política e deu palestras e aulas em muitas universidades pelo mundo. Foi também colaborador de Paulo Freire na discussão da temática da educação popular tendo escrito o prefácio da Pedagogia do Oprimido, cujo título “Aprender a dizer a sua palavra”, carrega consigo todo o sentido libertária e emancipatória da educação popular preconizada por Paulo Freire.

A publicação da reedição e o lançamento das obras de Fiori, na última feira do livro de Porto Alegre de 2014 me escapou, mas toda alegria e reflexão que ganhei, as trocas e diálogos com minha filha sobre a história da universidade e da filosofia da UFRGS e do RS de ontem até hoje me deixaram muito orgulhoso e homenageiam também a nossa universidade que completou 80 anos no ano passado e para onde quero conseguir enviar muitos alunos e familiares ainda.

Termino com uma confissão e um reconhecimento ao Fiori. É dele que tiro - através de uma leitura bem específica lá em 1993 - esta máxima pedagógica de que a grandeza de um professor se mede, não por seu mais sábio ou insuperável, mas pelo fato de seus alunos irem para muito além dele mesmo.


Vale a pena ler Fiori, bem mais que um Olavo de Carvalho...

sábado, 16 de maio de 2015

RACIOCÍNIO - PENSANDO NA NOSSA CONFIANÇA NAS INTUIÇÕES

RACIOCÍNIO

Confie na sua intuição,
A negação da violência,
A refutação do ódio,
A aversão à diferença,
O horror à sensibilidade,
A dúvida em tudo,
Afastando meu corpo,
Fechando meus olhos,
Vendo cada vez menos,
Fechando meus ouvidos,
Ouvindo cada vez menos,
Sentindo o nada...

Morrendo..

sexta-feira, 15 de maio de 2015

CONTRA CERTA PRESUNÇÃO

A presunção que alguns tem de que os que escrevem ou pensam ou que expressam um pouco mais detidamente suas posições, não tem juízo ou responsabilidade é para mim somente uma demonstração a mais de o quanto as pessoas não querem vencer as primeiras páginas dos livros, as primeiras camadas dos fatos e as meras aparências. Devo ser respeitoso sim, devo ser moderado sim, contudo, mas isso não me impõe aceitar toda negação fácil como refutação ou toda acusação como verdadeira. Seria muito bom que fossemos todos verdadeiros, sábios, justos e honestos, mas às vezes parece que só os outros precisam pensar e para alguns resta apenas concordar ou não...(Essa vai para quem me recomendou ler Olavo de Carvalho.) 

VANAZZI FICHA SUJA?

Na na na...é mais fácil sim dizer tudo isso em três palavras sem precisar provar e ficar crucificando todo mundo, alguns ou um só pelos problemas de todos. Eu não sou idiota, nem leviano, muito menos desonesto e me sinto bem responsável pelo que me diz respeito e gosto de ter boas razões para me guiar.

Não vejo outra opção do que o PT mesmo com suas imperfeições e todos os outros que lhe são contrários são bem piores. Olho para São Leopoldo e não conheço ninguém que defenda o voto no Moa, salvo fakes e CCs ou parentes, e ainda escuto a grande culpa do PT por ai...não creio mesmo ser correto isso.

Ary Vanazzi foi o melhor prefeito desta cidade e te fala aqui quem conhece bem ela e os governos dela e eu não vejo hoje no horizonte nenhum outro nome melhor mesmo.

Sobre ficha suja e exageros, não uso isso contra ninguém, e nos processos do Ary Vanazzi, não tem um que seja por vantagem pessoal ou ilícito de corrupção, todos são por decisões de gestão e envolviam situações cujos temas, interpretações legais e contextos são bem controversos e passíveis de recurso.


Sabendo disto, não vejo como razoável aceitar qualquer aventureiro ou ambicioso de novo no lugar dele para acabar igual como está por incompetência e em muitos casos maldade mesmo. Só isso. Te agradeço toda consideração.

SOBRE NOSSOS EX-ALUNOS E ALUNAS PROFESSORES: VIVA O OLINDÃO!!!

Leciono fazem 21 anos. Não creio que seja melhor que nenhum outro professor ou professora. Já abandonei esta vaidade e esta ilusão no decorrer da carreira. Sim, já cometi este erro e o confesso aqui como uma lição. Como também já abandonei a pretensão de saber tudo ou ser perfeito. Mas amo meu trabalho, amo cada momento e cada descoberta nele. Quando comecei a deixar de portar com certa arrogância e autoridade - que eram sinais apenas de insegurança - comecei a dizer com todas as letras aos meus alunos e alunas que eu não trabalhava para mostrar que era melhor do que eles ou para provar isso, mas que trabalhava com a esperança de que um dia eles fossem bem melhores do que eu, muito melhores e fossem mais além do que eu julgava poder atingir. Cheguei num ponto da carreira ou da minha trajetória que eu descobri que o único indicio de qualidade no meu trabalho e talvez do trabalho dos meus colegas é quando os meus alunos e os dos meus colegas - apesar de tudo que vemos e sofremos, erramos e enfrentamos, acertamos e lidamos - começarem a ser também professores e professoras e tiverem a mesma paixão que a gente, ao seu modo e com suas qualidades e capacidades, originalidades e audácias. Sim, para terminar, porque para ser professor precisa ser audaz e corajoso, não temer as adversidades, estimar o conhecimento e continuar apostando na humanidade, no futuro e nos frutos do nosso trabalho. E ter ex-alunos virando professores é um ótimo fruto, assim como ter muitos alunos que sejam bons profissionais, que façam a conta certa, que tenham a palavra precisa, que tenham a sensibilidade aguçada, o gesto delicado e notável, assim como que lutem por um mundo melhor e mais justo. E eu tenho o privilégio de ter entre meus colegas muitos que pensam assim também e que ajudam bem mais do que eu neste plantio. Então, é sim uma humilde alegria, mas uma grande glória ver isso acontecendo em volta da gente. O Cristiano que é uma jóia brilhante de humanidade e pessoa, é um entre muitos que me orgulham e me dão esta satisfação. E eu sei que mesmo nossos alunos que não são professores - se eu estiver certo em minha intuição radical sobre nosso trabalho e seu sentido - também são ao seu modo educadores. E aqui termino este discurso sincero que não precisa mais demonstração prática do que isso mesmo. Que isso continue acontecendo cada vez mais....

quarta-feira, 13 de maio de 2015

ARY VANAZZI VAI VOLTAR, NÃO ADIANTA CHORAR

Algumas pessoas que não conhecem bem a cidade de São Leopoldo e as suas mazelas políticas podem pensar que o Vanazzi está cassado e que não tem volta. Elas também não conhecem nem a história da nossa cidade, nem o trabalho que foi feito e tão pouco o teor do processo e suas causas e desdobramentos e muitos outros por pura maldade mesmo e outros ainda por ignorância, pensam que o Vanazzi não merece respeito, mas ele merece muito mais respeito que esta canalha e bando de playboys que hoje pintam e bordam, fazem e acontecem e que a lei nunca alcança.

Aquele processo dos CCs que eles usam para tentar impugnar a candidatura do Ary Vanazzi a prefeito da cidade em 2016, foi um absurdo que só trouxe prejuízos à cidade, porque prejudicou a administração e trouxe instabilidade por pelo menos 6 anos. Para quê? Para discutir texto e ementa de lei. A questão não era o número abusivo de CCs, como o senso comum pensa, era simplesmente a questão formal da forma como a lei foi redigida na qual o MP e o Tribunal se apegaram para “corrigir”, além de São Leopoldo, mais de 100 administrações municipais do estado do Rio Grande do Sul. Foi um grande impulso normatizador do Tribunal de Contas do Estado e do Poder Judiciário. Impulso este que não tem correspondência no que toca à certos privilégios do judiciário e aos CCs do Judiciário também. A Lei foi aprovada integralmente em 2005, na Câmara de Vereadores do Município com pareceres favoráveis de Procuradores Municipais e Parecer de Constitucionalidade na Câmara, mas o vereador do PMDB, que precisava muito fazer oposição denunciou e muito rapidamente já em 2006 se abriu o processo que chega agora a sentença de primeira instância. Ora, para mim isso não é justiça. E o pior é que lambanças mesmo e cabide de empregos mesmo foi o que a oposição fez quando conquistou o governo. Nomearam e aumentaram os CCs à granel, aumentaram salários e tudo isso para não trabalharem...posto que todos os serviços prestados pela prefeitura municipal tem sofrido redução drástica na gestão 2013-2016. Dá para comparar tranquilamente a produtividade e operatividade de uma gestão à outra por serviços prestados e projetos realizados. Como, deve se observar também, isso agora se demonstra com o pacote do atual prefeito reduzindo secretarias, então fica claro que os nomeados estavam somente recebendo salários sem prestar serviços. Olha bem e pensa...

Assim, porém, dada a fragilidade da causa alegada e esgrimida, o PSDB, o PMDB, o PP e o PSB e quem mais quiser duvidar ou apostar contra, podem sentar bem sossegados e esperar, porque o Ary Vanazzi vai voltar, a hora da verdade vai chegar e ele vai se eleger legitimamente e governar a cidade de novo nos braços do povo e para o povo. 

VANAZZI VERSUS PSDB/PMDB/PP/PSB

Se o problema fosse só o PT e o Vanazzi, já deveria estar resolvido é claro. Mas olhe para conduta tucana na cidade, olhe para os vereadores tucanos da cidade, olhe para os escândalos e absurdos que todos assistimos. Olhe para a vergonhosa gestão em todos os setores da cidade. Olhe para esta lambança que eles fazem contra seus adversários internos e externos a qualquer preço ou por qualquer custo. É lamentável o nível e a falta de vergonha e caráter na politica desses caras. Eles não tem nenhum escrúpulo e derramam o tempo todo este tipo de jogo sujo contra este ou aquele, montagem de imagens e todo o resto, exploração de qualquer coisa para esconder as perversões que cometem. Maldade e vilania em tudo que é parte. Não aprovo este tipo de coisa, mas isso mostra claramente e com detalhes o quão baixo é o nível politico destes que ingressaram na politica de nossa cidade faz pouco tempo empurrados e a serviço de uma pretensa elite e de uma ralé de sem vergonhas e inúteis. Alguns deles se não tiverem empregos de CCs e quetais não tem salários, pois são conhecidos como sem serventia alguma. O destino infeliz e triste deles porém me parece garantido, pois durante um tempo triunfam, mas logo a desaprovação pública recairá sobre eles. E quanto mais se expõem mais rapidamente serão reconhecidos pelos eleitores e cidadãos que estão em dia com suas obrigações e que trabalham nesta cidade. 

MEU DESAGRAVO ÀS MULHERES, ÀS EDUCADORAS E AS LUTADORAS SOCIAIS

Em teu nome Andreia Nunes, Presidenta do CEPROL SINDICATO, quero aqui deixar meu abraço fraterno e solidário de apoio contra o MACHISMO DO PREFEITO DE SÃO LEOPOLDO, contra o DESRESPEITO DO PREFEITO DE SÃO LEOPOLDO COM AS PROFESSORAS e contra o DEBOCHE DO PREFEITO DE SÃO LEOPOLDO EM RELAÇÃO AO MOVIMENTO DOS SERVIDORES E PROFESSORAS E PROFESSORES...

Dizer para a Presidenta do Ceprol que:

"Ela deveria colocar rímel e baton antes de se apresentar na frente dele." é uma ofensa a condição feminina e uma piada de extremo mau gosto.

"Que as professoras só com vale refeição e vale transporte podem trabalhar tranquilamente."

"Que não tinha visto ninguém em greve hoje na manifestação pela manhã."

É uma coleção de deboche, desrespeito e uma brincadeira com todos os servidores da cidade e,e me especial com as mulheres que educam as crianças de São Leopoldo.

Essa luta é justa e falta muita vergonha na cara para brincar de machista sentado na cadeira de prefeito de São Leopoldo!

Que coisa bem feia!!!

terça-feira, 12 de maio de 2015

PARA QUEM QUER DESISTIR DE SÃO LEOPOLDO

Notícia de jornal, comentários e muxoxos, queixas e esta crise geral na administração pública da cidade. O que vemos como crise em São Leopoldo, provocada pelo pior governo eleito da sua história vai passar; São Leopoldo tem em sua história uma elite perniciosa e uma ralé que aceita e acha bom. Uma ralé que se submete e faz deferência inclusive. Mas tudo passa. O que é inadmissível é que o debate fica nestes termos do hospital novo quando quem usa o SUS sabe que o que falta é médico na cidade, em especial os que cumpram seus horários e que respeitem os recursos públicos. O Hospital foi saqueado e tungado sucessivamente por diversas manobras e arranjos de colarinho branco. A saúde de São Leopoldo sempre foi administrada pela corporação e pela elite desta corporação na cidade. E a área da saúde independente da grei partidária decide eleição desde João Daniel Hillebrand. 

Assim, como os políticos e os advogados também sempre tiveram papel proeminente. Foi apenas episódica a intromissão dos comerciantes e dos industriários na política da cidade. Boa parte dos empreendedores se protegem da política para evitar danos aos seus negócios e preferem seus prepostos. Por poucas vezes esta cidade teve governos voltados para as classes menos desfavorecidas e, além disso, dentro da elite as disputas pelo poder sempre foram muito intensas e isso determinou inclusive as diversas emancipações a partir dos anos 40.  

Mas eu sei que nunca haverá um processo de discussão sobre isto, nem contra isso, porque esta outra parte que deveria cumprir isso é associada direta ou indiretamente ao butim. Ainda vai haver quem contará a história desta cidade com provas, registros e mapas de acumulação de riqueza e concentração de riqueza desde os anos 40 para cá. Na  discussão e argumentação de alguns, o ponto dos CCs sempre aparece - concordo que isso é um problema  - mas me ocorre basicamente que aceitar um CC e não trabalhar ou não ter competência para trabalhar é muito vergonhoso e, no entanto, para alguns isso parece status ou experteza. Alguns membros da elite e da ralé da cidade acham isso normal. 

O outro tema apontado é o papel das entidades. (OAB, ACIS e etc.) E as entidades não podem ser vitrines de vaidades como quase sempre são. Neste sentido a crônica da minha cidade é mais triste ainda. Eu nasci aqui, gosto daqui, tenho família e amigos e independente de partido, ou da conduta de certas entidades fico aqui e creio que o problema não são os partidos. Quem elegeu governantes sem programas claros e que ficam fazendo discursos em linhas gerais sem conhecimento da cidade acaba ajudando a cidade a ficar estagnada. 

É preciso conhecer a realidade, debater clara e abertamente os problemas e construir um programa. São Leopoldo caminha para o Bicentenário da Imigração Alemã e eu sou daqueles que acho que nem tudo está perdido, que a tragicomédia dos erros de análise e proposição que assisto agora vai passar. Porém é bom que seja dito eu canso de ver gente pousando de inocente e arrependido depois de apostar nisso que está ai. O muro da inocência não tem lugar para tanta gente assim. Então penso que algumas pessoas que contribuíram para o descalabro que eu vejo deveriam no mínimo assumir a sua parcela de responsabilidade na aposta errada. Conheço muitos jovens promissores que são meus alunos e alunas e não abandono São Leopoldo, porque acho que pode mudar sempre, as vezes avança um pouco e muito e as vezes recua, muitos negam ou são contrários ás mudanças importantes, resistem e fazem pouco caso do trabalho dos outros, mas a cidade vai mudando igual. 

Não creio que dá para decretar terra arrasada, nem que temos mais problemas do que outras cidades. Conheço quase todas as famílias tradicionais do que para alguns é comunidade  da cidade, mas acho que a cidade vai ganhar muito quando incentivarmos mais a participação das pessoas e quando aqueles que detém algum poder ou representatividade abrirem mão um pouco dos seus interesses pessoais. Sei que muitos tentaram de alguma forma ajudar a cidade, sei que suas esposas tentaram e acho que não precisa mesmo desistir - porque agora deu errado ou bateu um limite - a não ser que não possam mais usar seus sapatos e sua inteligência para isto. 

Em todo caso, eu vou continuar e aproveito para convidar aqueles que nos assistem aqui nesta grande prosa que continuem também tentando. Dá trabalho, dá muito trabalho, mas vale a pena porque muita coisa tem sido feita nesta cidade, apesar de governos, personalidades e certos interesses e tem todo um povo que deve ser reconhecido e não apenas distinguido  e bajulado e que trabalha sério para atingir resultados aqui. Eu sou só um professor, mas não veria dignidade no meu trabalho se não apostasse no futuro, apesar da grande falta de respeito que sofremos de pretensos sabichões e outros poderosos. 

O estado não é uma empresa e isso que acontece em nossa cidade se deve muito a esta concepção que misturada com imperícia e muita expertise de araque coloca a cidade numa crise falimentar de novo. Justamente por aqueles que já faliram ou fizeram gestões de escassez e depressão em outras empresas. Isso não pode ser coincidência. 

domingo, 10 de maio de 2015

SOBRE A EXPRESSÃO “VAI DAR MERDA”: NOTAS EXISTENCIALISTAS

É comum que algumas expressões acabem virando chavões ou ditados comuns ao nosso pensamento e que seu uso gere controvérsia, surpresas e até mesmo espanto. Com alguns palavrões ocorrem coisas semelhantes, pois apesar deles conterem o dito baixo calão e serem depreciados, na prática eles seguem em uso, como moeda corrente. E, mesmo que você não goste, eles, vez ou outra, simplificam as coisas e reduzem tudo que pensamos ou que nos desafia ao pensamento em um simples detalhe cujo ponto final, nome ou palavra, basta e é suficiente ao nosso entendimento. Eles parecem, assim, trivialidades que resumem coisas não triviais.

Eu me lembrei estes dias desta expressão que eu ouvi de uma amiga em determinada circunstância da minha vida e que me impressionou muito quando era jovem. Lembrei disso de uma forma insólita e pensei em contar quando li depois uma mensagem de alguém sobre seu desespero, desilusão e tal. Fiquei pensando se uma reinterpretação da expressão ajudaria a ultrapassar um momento de dificuldade ou algo como um certo temor de dificuldade maiores pela frente.

Essa grande amiga é hoje uma professora renomada de música, na época nós prestamos o vestibular juntos. Ela para música e eu para filosofia. E ambos passamos. Então em parte contar isso aqui cumpre o papel de certa gratidão e também de narrar uma história e expor um conceito.

Ela era em principio só uma conhecida minha, mas com o tempo virou muito amiga e era na nossa amizade meio que uma espécie de grande apoio meu para certas questões de adolescente e pós-adolescente. Quem foi meu aluno sabe que considero a adolescência a era das escolhas e das escolhas decisivas. Ainda que eu diga sempre que dá um bom tempo para mudar estas escolhas ao longo da vida e refazer certos caminhos e corrigir erros também. Foi assim que ela foi uma das principais alavancas para eu me mover de certo comodismo desconfortável e fazer mudanças em minha vida que na época me levaram a mudar de cidade, fazer uma universidade  e construir parte do que sou hoje sobre os pilares que naquele tempo eram bem mais modestos que os atuais. Me dava muita força com seus conselhos e com sua experiência de vida independente e com sua determinação e disciplina para atingir seu objetivo. E eu era, apesar de audaz e desembaraçado, super inseguro em correr certos riscos com o futuro e meus sentimentos também.

Ela me ensinou, além disso, algumas noções elementares de astrologia e a fazer todos os cálculos e tabelas para construir um mapa astral com precisão na posição dos planetas e fazendo uso de efemérides. Tinha sido aluna de dona Emmy de Mascheville e me passou acho que tudo que sabia em um período de meses.

E ela era – olhando à esta distância de hoje - meio existencialista, muito feminista e aquilo me fascinava. Tinha naquela postura e atitude dela uma grande determinação e afetuosidade com o outro. O existencialismo é uma das principais escolas filosóficas do século XX e, apesar de ter suas origens em diversos filósofos anteriores (de Sócrates a Nietzsche) ganhou corpo por volta de 1945 com um texto de Jean Paul Sartre “O existencialismo é um humanismo”

Quando eu perguntei olhando para um aspecto ou vaticínio o que iria acontecer no futuro.

Ela disse uma coisa que me deixou intrigado na hora e tempos depois eu fui aos poucos entendendo melhor.

Ela disse: Vai dar merda!

E eu bah, e agora? Como fica? Todo preocupado e angustiado.

Pensando: Será que eu aguento?

Ai ela me disse assim: Vai dar merda igual! Não te preocupa, seja livre, viva e faça o que quiser...

Se você amar de verdade, sem medo, você passa por tudo que vier.

Então se vai dar merda igual, relaxa e toca em frente. A única garantia que você tem do futuro é que ele vai acontecer e que um dia sua vida vai acabar, então, segue teu caminho próprio e faça tuas escolhas.  

(Ela não disse, mas poderia ter dito: Foda-se. Talvez merda seja mais elegante de fato. E registramos outros usos disso que me parecem correlatos. Quem já subiu ao palco em teatro e em tablado ou circo conhece outra expressão de camarins bem clássica: merda! Que é um desejo de sorte ao ator que vai entrar em cena. Me parece que é mais uma espécie de palavrão para romper a tensão da expectativa. E em francês Merde é uma das expressões mais comuns em diversas situações.)

Eu pensei então simplesmente, na época e volto a pensar agora também, me atualizando como ser livre e existencial, que vou fazer sempre o que estou afim com todas as minhas forças.

Agora, nesta semana, quando após diversas situações pessoais, políticas, profissionais, estéticas, teóricas e literárias eu decidi ter 20 anos de novo, bem, pensei muito nisso também. Na nossa vida e nas nossas escolhas e o quanto nos condicionamos por elas e se podemos mudá-las e qual é o tempo que temos para tentar mudá-las. A ideia dos 20 anos – voltar aos 20 anos ou não ter mais 20 anos - coincidiu, aliás, com uma passagem em que Sartre trata dos seus limites de idade aos 50 anos e depois aos 65 anos, e sobre os jovens de 20 anos que ele encontra em 1968 e o que o faz se reposicionar no panorama político francês ainda de forma surpreendente, coisa que ele faz desde o final da segunda guerra, na guerra de libertação da Argélia a partir de 1956 até 1962 e então em 1968 e 1969.   

Estou lembrando, então, ultimamente, muitas coisas da minha juventude desde um tempo para cá. Isso é algo da meia idade, envolve tanto um saudosismo quanto uma apreciação e perspectiva de futuro

E quero colocar em prática principalmente as boas. Aquelas pistas que eu deixei para mim mesmo em meu coração e sonhos. Parte das coisas que ainda são importantes para mim os planos que eram inviáveis então e os que são viáveis hoje. Coisas que eram inviáveis lá naquela época. E assim, estou remontando meu trem. Isso inclui ler certos livros que não podia comprar ou ler então e também ver e rever certos valores e prioridades.

Por esse passo de experiência na vida

E de acreditar mais nela. Sabe? Vai dar merda e isso nem me preocupa mais...

Então, estou justamente lendo um livro sobre a vida do Jean Paul Sartre – aquela biografia da Annie Cohen-Solal super bem feita. Adquiri ela com prazer depois de 30 anos de namoro e tentativas de conquista e busca dela. Pois, estes dias consegui acabar de vez com a distância dela. Ela foi escrita entre 1980 e 1984 e publicada no Brasil em 1985 pela L&PM e desde seu lançamento eu a queria entre minhas mãos. Sartre é um ícone de filósofo para mim, pois combinava engajamento e disputa política com reflexão. Era de certa forma meu herói mais próximo do Sócrates na relação com o estado. E, ao ler esta biografia se confirma muitas coisas que eu intuía dele a partir de leituras de outros textos e também das notícia que me chegaram dele. Sartre é um cara que era um símbolo para mim naquela época hoje me fica mais nítido e mais importante ainda. Símbolo de liberdade, de engajamento, de postura e atitude e ao ler este livro me afino mais ainda com ele. Ultrapasso a camada do mito e vejo mais claras nossas afinidades. Neste livro, que parece mesmo uma panorâmica muito bem feita deste pai do Existencialismo do século XX e que tem esta mesma questão o tempo todo: como é que se lida com o que acontece de errado no mundo e que tipo de conduta devemos ter? E isso me parecia importante, na minha adolescência e no meu pós-adolescência. Porque agora talvez seja mais verdadeiro ainda o sentido e a força da minha resposta a isso, de que não importa o que vai dar, mas que temos que fazer nossas escolhas e que nem a minha pergunta e o sentido da resposta para mim da época tenha atingido isso.

Assim, se um dia vai dar merda e pode dar, não importa mesmo.

Terá isso, então, hoje para mim um significado diferente e mais libertador do que parece?

Um significado superior e de mais liberdade também apesar de estar atingindo já aquele limiar da vida e chegando perto do portão de saída desta vida.

Muita liberdade me parece se encontrar nesta expressão em relação ao destino, a falta, ao sofrimento e a qualquer tipo de problemas.


Lembro sempre e aqui repito que o desespero e o medo são os piores conselheiros e que a falta de esperança é que nem o medo uma impedimento ao nosso movimento. E vou terminar dizendo aqui que a questão existencial realmente mais importante envolve se lançar na vida sem medo de ser derrotado, de não conseguir ou de quebrar a cara e com toda a esperança possível, e apesar das tragédias, fazer uso máximo de uma postura mais dialética que encara o limite como desafio, o problema como algo a ser ultrapassado e a existência como o nosso terreno para a vida real e não imaginária ou fantasiosa.