terça-feira, 30 de dezembro de 2014

CARNAVAL DO ARLEQUIM - PANORÂMICA INTRODUTÓRIA EMBEVECIDA DE 1924

- Quando este surto de sabedoria opinativa, rebarbativa e contemplativa passar, e Paulo Santana é só a pontinha solta de um gigantesco Iceberg de insensatez e tolice quase generalizada que assistimos, e tenho a suave impressão que – apesar de tudo - isso e o que vem vindo junto disso, também vai passar, e, ENTÃO, quando isso ocorrer, talvez eu fale com mais gosto e com mais reflexão de política e comunicação social. Por enquanto, me dedico a terminar uma panorâmica propositada e indutiva sobre o ano de 1924 que só me faz ficar embevecido no que vai sair mais disto dai:

CARNAVAL DO ARLEQUIN – JOAN MIRÓ
& AS FROTEIRAS DA REPRESENTAÇÃO

Para talvez compreender melhor um acontecimento, parece desejável ver melhor a situação em que este algo se encontram. E não se trata somente de contextualizar mecanicamente por uma lista de fatores alheios ou próximos, nem de vasculhar mecanicamente um panorama, mas sim de compreender uma dinâmica, uma certa topologia que por traz de suas aparências difusas dialoga aqui e ali com algo que pode ganhar alguma inteligibilidade, ser interpretado em suas partes e quem sabe receber uma síntese qualquer que satisfaça nosso desejo de gosto e inteligibilidade. No ano de 1924, já vivíamos este tempo agitado que conhecemos hoje, muitas coisas aconteciam ao mesmo tempo, elas se entrecruzavam na história dos homens, das idéias e das coisas, mas isso não me levará a dizer que havia uma sincronicidade, nem alguma conspiração superior ou inferior contra este mundo. Não é da ordem do destino ou do determinismo que estas coisas aconteciam. Elas nos mostram muitas direções e situações que eram decisivas, transitórias ou apenas iniciais na ordem das coisas e de uma causalidade qualquer de fatos. Nós tendemos a ver elas como determinantes, mas sempre é bom lembrar ao homem finito que por menor que ele seja elas podem ser ainda diferentes, ele ainda tem suas escolhas a fazer. Coisas que podem representar algo importante aqui e ali. Eu mesmo dou extremo valor e julgo relevante muitas coisas daquele tempo, as quais de certa forma fizeram em um dia ou outro parte de minha vida até o tempo atual e de meus estudos e investigações, curiosidades e reflexões.

1924 é, porém, aos olhos de outros leitores um ano que poderia não ter nada de incomum, mas que é somente um ano bissexto, um ano com 366 dias que, portanto, com um dia a mais que os outros, mas é mais pois, visto desta distância e com os recursos atuais e minhas associações livres aqui, sabemos que muitas coisas aconteceram naquele contexto e naquela época. E isso pode ser desfiado como que em cadeia e com uma vista da distância que possuímos hoje e com a possibilidade que temos hoje bem fácil de traçar ou fazer uma panorâmica, cujo valor literário até 1990 seria razoável.

E é mais ou menos assim: enquanto o Império Otomano de mais de 1400 anos sucumbia, sendo deposto o Califa, enquanto George Mallory e Andrew Irvine desaparecem tentando atingir o topo do Monte Everest, enquanto Lenin (falecido em 21 de janeiro) era embalsamado e posto em um Mausoleu em Plena Praça Vermelha e com isto Petrogrado é renomeada de Leningrado  – e o pai de uma utopia que se tornava real é substituído por seu seguidor mais sanguinário e impiedoso, sendo um pesadelo para alguns e a máxima realização política para outros, enquanto Hitler era solto de sua prisão por ser considerado relativamente inofensivo, enquanto Mussolini e seus Camisas Pardas venciam com diversas manobras e recursos estatais as eleições italianas consolidando uma maioria facista de 2/3 no parlamento italiano, enquanto nos EUA, o jovem ambicioso e inescrupuloso J. Edgar Hoover era apontado como cabeça para dirigir o FBI, enquanto Franz Kafka falecia solitariamente após pedir a Bröd  que queimasse seus rascunhos e textos, enquanto Virginia Wolf volta a morar em Londres com seu marido e saiu de uma espécie de exílio auto-infringido e cuidadosamente anotava em sua caderneta as idéias que a levariam a escrever Mrs. Dalloway, enquanto Ernst Hemingway bordejava por toda Paris e Europa a procura de suas letras, enquanto Wittgenstein após passar uma temporada isolado dedicava-se a lecionar em uma escola primária de Puchberg – não sem conflitos com os pais dos alunos e os seus alunos, passa a pensar seriamente a cair fora dali e segue para lecionar em outra cidade um pouco antes de aproximar-se do Círculo de Viena por intermédio de contattos com Moritz Schlick, enquanto isso Heidegger, após perder seu pai no ano anterior, lecionava atraindo muitos alunos em Heildelberg com suas lições sobre Aristóteles como preparatórias para leitura de Platão, gerando nestas lições a bem conhecida já hoje paixão da jovem Hannah Arendt por ele e impressionando Hans Georg Gadamer, neste tempo, enquanto Edwin Hubble descobria a partir de uma observação mais acurada de algumas imagens que eram então chamadas de nebulosas, e que de fato para sua surpresa que a Via Láctea era somente mais uma constelação ou melhor, somente uma entre muitas galáxias do universo, enquanto Freud dedicava-se – não sem um misto de incredulidade e ceticismo – a escrever um pequeno artigo de cinco páginas sobre a Negação – que hoje é visto como essencial e fundamental por muitos estudiosos e escolas de psicanálise e, ao mesmo tempo, prepara sua ruptura com Otto Rank por este considerar que o trauma do nascimento é mais importante do que o conflito edípico, enquanto a  Rhapsody in Blue, de George Gershwin, tem sua primeira apresentação em New York City, enquanto o Capitão de Engenharia Luis Carlos Prestes em outubro liderava um levante de tenentes em Santo Angelo que levou à Coluna Prestes a andar por mais dois anos no Brasil até fevereiro de 1927, enquanto aqui em São Leopoldo ao inicio do ano – o ex-secretário de Borges de Medeiros, Prefeito e interventor indicado pelo Presidente do PRR e eleito Mansueto Bernardi tomava a difícil decisão pessoal e política de abandonar a Prefeitura Municipal, voltar ao serviço público estadual e dedicar-se mais ainda à Editora do Globo e mais às letras do que à política.

Fico imaginando indutiva e insensatamente que, então, logo após a publicação do Manifesto do Surrealismo por André Breton, e a divulgação dos primeiros números de La Révolution Surrealiste, em que o mesmo defende o surrealismo como um “puro automatismo psíquico”, e, então, só para contrariar o ditado, com pitadas claras de dadaísmo e cubismo e passando fome cujos delírios não eram de um sonho e que provavelmente Joan Miró avançava o sinal a partir de seus esboços para pintar um quadro que virá a ser conhecido como Carnaval do Arlequim e que expomos aqui – que na minha modesta e nada especializada opinião talvez seja a obra inaugural de sua longa e bela trajetória de produção, inovação e criação de uma estética própria e original que seguirá até sua morte em 1983.   


   
“A natureza generosa deu ao artista a capacidade de exprimir seus impulsos mais secretos, desconhecidos até por ele próprio, por meio dos trabalhos que cria; e estas obras impressionam enormemente outras pessoas estranhas ao artista e que desconhecem, elas também, a origem da emoção que sentem.”


SIGMUND FREUD - O sonho de infância de Leonardo da Vinci, 1910.

JURO QUE TENTEI, MAS...

"Talvez seja cedo demais para decretar a morte das minhas ambições lógicas, pois que surgem - na contramão da figuração e no limite da representação - ou como diríamos pelo esquema tractariano da figura para forma lógica, outros problemas." tsk tsk tsk... 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

PARA MINHAS ANOTAÇÕES SOBRE ARTE, VIDA E OBRA -

Adiantando que neste paralelo a vida é objetiva e que o que é da ordem subjetiva é a obra. O que no ano passado envolvia Kerouac e a Montanha da Vida e nestes últimos meses envolve Miró e o Fim da Representação- ou o que há de verdade numa estética? após o fim da representação...

"Pode-se pois ao mesmo tempo dizer que a vida de um autor nada nos revela e que se soubéssemos sondá-la, nela tudo encontraríamos, já que se abre em sua obra. Como observamos os movimentos de algum animal desconhecido sem, compreender a lei que os anima e governa, assim também os testemunhos de Cézanne não advinham as transmutações que incutem aos acontecimentos e ás experiências, permanecem cegos ante sua significação, por luminescência difusa que os envolve por momentos. Não se situa nunca, todavia, em seu próprio centro, nove dias sobre dez vê em torno de si apenas a miséria da sua vida empírica e de suas tentativas fracassadas, resto de festa incógnita."

MERLEAU-PONTY, Maurice. A Dúvida de Cézanne.pp. 125-126. 

PT, CORRUPÇÃO E A PAUTA DE ALGUNS

Pensei nisto hoje também, sem desprezo algum pelo combate à corrupção sem tréguas e moleza ou pela defesa da moralidade com a coisa pública ou à divisão rigorosa entre o público e o privado, mas eu fico abismado como tem gente metida à petista de escritório ou academia que parece petista de meia tigela e que fica se resumindo e achando que a pauta principal do PT é a moralidade, o moralismo e o combate à corrupção. Se fosse assim todos nós deveríamos ter estudado direito e nos deslocado para as polícias e o sistema jurídico e nem precisávamos formar quadros e disputar eleições com projetos. Poderíamos nos resumir a uma facção da OAB ou coisa que o valha. Não precisaríamos sequer construir um partido ou gastar todas as nossas energias organizando movimentos sociais, sindicatos e movimentos culturais e educacionais e construindo projetos de democratização do estado para reduzir a desigualdade e gerar empregos, renda e colocar o estado à serviço do povo e não somente das elites. poderia ser um movimento tipo HOMENS E MULHERES DE BEM. E uma parte dos que criticam Tarso sequer apresentam argumentos mais precisos por exemplo sobre o PMDB - no que tenho mais acordos na análise dele e algumas divergências sobre o fim ou não desta legitimidade ou autoridade. Creio que o problema é essencialmente programático entre nós o que fica escondido nas táticas e estratégias de outros companheiros que sempre andam com mais ambição do que juízo e responsabilidade e que vivem se afirmando como melhorzinhos entre nós.


E isso não quer dizer, por exemplo, que os companheiros petistas que atuam na advocacia, nos tribunais e nos serviços públicos não possam atuar com mais prioridade e celeridade, com mais organização e objetividade, com mais unidade e determinação no combate a corrupção também e que entendessem que para isto é preciso sim reforma política e não somente eleger seus preferidos...

domingo, 28 de dezembro de 2014

INFORMAÇÃO OU SABEDORIA? - HAROLD BLOOM

"Não existe apenas um modo de ler bem, mas existe uma razão precípua por que ler. Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria? Se tivermos sorte, encontraremos um professor que nos oriente, mas, em última análise, vemo-nos sós, seguindo nosso caminho sem mediadores." 

HAROLD BLOOM. Como e Por Que Ler. 
Prefácio, página 15. 
Trad. José Roberto O'Shea.
Rio de Janeiro:
Objetiva,
2001

PROBLEMAS?

TENHO CHAMADO TUDO ISTO COMO TESTE DE INTELIGÊNCIA - DESAFIOS, OBSTÁCULOS, PROBLEMAS E CRISES - TUDO PARA VER COMO VOCÊ ENCONTRA UMA RESPOSTA MELHOR FRENTE AO QUE PRECISA ENCARAR OU AO TRECHO QUE VAI PASSAR... 

sábado, 27 de dezembro de 2014

SINAIS


Eu entendo sinais,
entendo diferenças
entre ais e ai-ais
às vezes quando escuto isso
ou os vejo em sinais, vejo um vacilo,
troco um dos grifos,
penso em sinos e hinos,
mas não dou nada para a conta
nem de monta,
pois, mais vale perder do que ganhar
quando o que se ganha é só um ceder
e não um olhar.


  

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

AGUARDANDO DILMA

AGUARDANDO - Sou daqueles que se dedicou muito a sustentar o governo, garantir a reeleição e a explicar coisas que muitas vezes não eram devidamente explicadas. Fiz isso com convicção e por ainda permanecer com minha opção partidária apesar de todos os revezes. Após a dificílima reeleição - o que aqui no sul levou a tragédia de trocarmos Tarso Genro por Sartori ( do que não vou dizer nada, posto que ele fala ou não fala por si mesmo e suas ações, escolhas e prioridades já agora no período de transição me bastam) - adotei uma postura e conduta de ir distensionando e  reduzindo as zonas de atrito porque percebi uma síndrome golpista na oposição e uma síndrome defensivista e sem nenhuma autocrítica na situação ou nas bases da situação. E eu não sei mesmo mais o que dizer. Porque tem uma hora em que quem tem que falara é a Presidenta mesmo, são os quadros mesmo e na atual situação não adianta mais fazer um discurso de acomodação dentro do partido ou apontar que haverá um freio de arrumação ali adiante. Sou daqueles que assimilei bem Katia Abreu - na lógica apontada da governabilidade, representatividade e setorialidade, mas o que saiu de ministério anteontem, fico como você Mestre Renato Janine Ribeiro aguardando as razões. E bem afim de ouvir da boca da minha presidenta as suas razões. Discordo de algumas indicações sim -  em especial Sid Gomes na Educação e não é por causa do partido, nem do nome, nem da família ou do que ele disse sobre serviço público, mas sim por conta da importância deste setor ser o carro chefe de fato para o futuro do Brasil e na minha opinião ser necessário reduzirmos o tecnicismo tanto em gestão quanto no planejamento deste setor.  E uma parte das minhas discordâncias me parecem intensas muito mais pelo significado e simbolismo do estado de coisas que elas representam, do que pelo que de fato irá ocorrer no governo. E não é só o número o problema não. Já vi governos compostos por esquerda que fizeram muita política de direita e não duvido mesmo que a única possibilidade de fazer uma administração mais progressista envolva de fato compor com um bloco para trazê-lo para dentro desta política em vez de deixá-lo assistindo e constituindo resistências. Dilma está trazendo a contradição política para dentro do seu governo o que ao meu ver demonstra muita coragem de encarar a dialética e uma síntese dura das posições no Brasil, onde na atual selva de pedra trata-s e de sobreviver às mudanças e crises que virão até 2018. Concordo com outras  indicações do ministério - admito, por exemplo, Padilha que aqui no sul foi um dos poucos - após o afastamento do Mendes Ribeiro por motivo de saúde  - que defendeu Dilma no tal "velho PMDB de guerra" que para mim no sul é um PSDB piorado e mais reacionário em sua maior parte que faz um discurso moralista para cima do Manpituba e que aqui dá abrigo ao que é bem pior que o Padilha....Dilma está aceitando as contradições e eu quero ver ela enfrentar elas, mesmo que para alguns de nós fosse mais razoável que ela desse suas razões e sou o último a presumir que la não as tenha. Aqui vale para mim o que eu já disse sobre manter ou não Graça Foster na Petrobrás - não por subserviência ou submissão a uma política - não tenho a menor dúvida de que Dilma sabe melhor do que eu o que está acontecendo ou aconteceu e que atua dentro de uma lógica que não é simplesmente a das velhas razões de estado. O cenário impôs este quadro e esta armação que alguns chamam de guerra - e é a terceira vez que uso esta palavra aqui - e só isso já deveria fazer alguns idealistas e realistas pensarem um pouco maios antes de falar pelos cotovelos. Desta forma, também espero as palavras da minha presidenta e suas razões e objetivos, metas e dispositivos com muito interesse, expectativa e certa curiosidade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ON THE ROAD para as almas atormentadas na busca da liberdade

- senão como remédio, como último delírio de uma alma atormentada direto dos limites dos anos 50 - os quais, bem vistas as coisas, nem são tão diferentes dos atuais não

Para as almas atormentadas na busca da liberdade, de um suspiro profundo, de uma corrida maluca, de contar uma história sem se preocupar com certa ordem, da desmedida de uma emoção, de um solo de jazz na arrancada de um roteiro imaginário, da emoção mais singela frente ao desconhecido, da paixão insensata e do encantamento repentino por alguma coisa, algum lugar ou alguém que até pouco era nada para você, para aqueles que percebem a diferença mesmo quando ela não quer ser percebida, para quem já delirou por delirar e para quem já sonhou sem motivos...eu recomendo a leitura de ON THE ROAD...você jamais vai entender porque nunca havia lido isso antes...e nas férias de si mesmo e de seus lugares comuns é também uma boa pedida..e se, mesmo assim, não gostares, tudo bem, não havia como garantir a cura de uma ou mais uma alma atormentada pela falta de liberdade, inclusive de si mesma... porque saiu o E-BOOK para ler em qualquer tela da L&PM...dica da Livraria da Travessa ON_THE_ROAD/eBook  

domingo, 21 de dezembro de 2014

PENSAMENTO DOMINICAL

“In order to understand the universe you must know the language in which it is written and that  language is mathematics”

Bom Dia...estava mesmo pensando nas aulas de ler e escrever de minha filha, em minhas idéias sobre os seminários integrados serem coordenados por três áreas ao longo dos três anos, primeiro linguagens, depois humanas e por último naturais, para enfim, desenvolver um foco na linguagem, na contextualização (leitura e interpretação) e depois no método científico (formalização e representação dos fenômenos naturais), e a sagrada matemática, e eis que minha tradutora preferida Denise Bootmann , me saca e compartilha um meme com esta boa ideia e obsessão leibniziana - porque eu chamo assim esta sacada da MATHESIS UNIVERSALIS Cartesiana...

Que no fundo tem origem na ideia salvadora de Galileu de que Deus escreve e criou o mundo em linguagem matemática. (nota: "Mathematics is the way to understand the universe. ... e Galileo também diz, "The laws of Nature are written in the language of mathematics.” Ou "Nature's great book is written in mathematics." Ou, ainda mais, "God wrote the universe in the language of mathematics." Galileo ou, enfim, para parar por aqui com estas citações em inglês "The Universe is a grand book which cannot be read until  one first learns which it is composed.   It is written in the     language of mathematics..." citações tiradas QUOTATIONS ABOUT MATHEMATICS)


 E que EU GOSTO...porque a ideia de uma linguagem simbólica que seja capaz de dar conta e nos permitir compreender tudo que há é uma boa ideia, ainda que eu seja o último homem deste planeta a querer suprimir as linguagens poéticas e a multiplicidade de códigos que os homens criaram e desenvolveram para se expressar, expressar as coisas e expressar aquilo que não é tão inteligível ou um dado imediato dos nossos sentidos ou percepções....e voltamos a lógica, posto que sob toda linguagem a uma operação do nosso pensamento e examinar suas regras, sua forma lógica e suas funções é tarefa nossa também, bem ali, onde a divisa entre matemática e lógica fica quase indiscernível...

em resumo, a MATEMÁTICA É UMA LINGUAGEM e compreender sua história a história de suas aplicações é compreender uma bela parte história humana e da história da ciência...a tradução do texto abaixo é simples...posto se for curtida por mais de 10 pessoas...kkkk

sábado, 20 de dezembro de 2014

CONSCIÊNCIA E EXISTÊNCIA

Este seria um bom título para a nossa liberdade em sua plenitude....

SOBRE A ENDOXA DE ARISTÓTELES

ENDOXA_MARIANE

COMPARTILHO AQUI O ARTIGO DE MINHA AMIGA MARIANE SOBRE O MÉTODO DAS ENDOXA DE ARISTÓTELES:

COM UM COMENTÁRIO PARA ELA E MEUS ALUNOS DE FILOSOFIA E SEMINÁRIO DE 2014

Uma das coisas que me surpreende nestas redes sociais é justamente isto. A gente escreve e acha que ninguém lê ou curtiu, mas somos surpreendidos com comentários e mesmo diálogos sobre o que escrevemos. Por isto, escrevo e publico aqui também. Não são artigos acadêmicos, mas bem, são lidos e geram reflexão que é o que me importa em meus enunciados, discursos e posições. A Endoxa me apareceu nas aulas de seminário integrado no ensino médio e de filosofia por conta de que eu deveria encontrar sim algo como uma opinião na base de todo discurso  e de minha análise do discurso a  partir da diferença platônica entre doxa e episteme. Assim, acabei adotando endoxa com muito prazer para tratar das opiniões dos mais sábios, mais experientes e mais práticos - que ainda que não sejam capazes ou intentem em seus propósitos dizer a causa ou determiná-la com rigor  - nos apresentam uma opinião  que deve ser levada em consideração e que pode nos ajudar a começar na abordagem cognitiva ou teórica de determinado assunto. E eu precisava encontrar uma forma de diferenciar todas as opiniões sem usar alguma guia ideológica e tal. E neste ano isto foi muito importante. Nem sempre a famosa voz da experiência está correta e é a diretora que resolve os conflitos de opinião, mas deve ser levada em consideração. A piada é que eu descobri que os bons jornalistas ou os mais reconhecidos geralmente são especialistas em endoxas e alguns poetas também. Isso ocorre quando a opinião sofre certa mutação e vira informação, ainda que não tenha o grau de conhecimento e precisão que nós gostaríamos que fosse apresentado sobre determinado assunto.. Assim, em minha análise do discurso acabei então diferenciando em sua base DOXA e ENDOXA. E constitui, então para análise e classificação de tipos de discursos uma escala de OPINIÃO, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO...e a parte legal é que partes das ENDOXAS chegam sim a compor, em alguns casos, senão um discurso de conhecimento, parte das tarefas a serem cumpridas e analisadas por quem deseja conhecer mais e expressar algum conhecimento sobre alguma coisa. Deixarei aqui, por último, uma pista de que neste tema estamos também bordejando aquele limite em que o senso comum  está na fronteira do bom senso.
Mariane respondeu ao meu comentário assim:

“Sinto-me honrada por meu trabalho poder fazer parte da discussão com seus alunos, Daniel. Estou de acordo com tudo que disseste e acho uma maravilha que possamos traçar, como tu traçaste, paralelos com o cotidiano e levar isso para a sala de aula, não restringindo a discussão aos pequenos circuitos acadêmicos.”

Compartilho a mesma opinião aqui. Gostei muito do teu artigo que somou-se avançando ao que li no Dicionário de termos gregos de Peters e em algumas pesquisas. .Estive às voltas sim com a endoxa de Aristóteles o ano todo. E mesmo nos debates políticos vi ela mais confundida com certo senso comum da pior estirpe com ares de razoabilidade forçada. Gostei muito de tua abordagem e elucidação e avançamos muito nisto saindo do simplismo de tratar sempre a opinião como preconceito ou senso comum.

Um abração.  

PARECIA MESMO QUE NÃO IA MUDAR NUNCA, APESAR DE SER UM ABSURDO

Vou comentar de forma bem ingênua isto que o Renato Janine Ribeiro disse hoje aqui sobre o fim do embargo americano à Cuba.

Vou citá-lo integralmente:

“Só depois de anunciada a reaproximação EUA-Cuba, é que eu percebi que não esperava isso. Parecia dessas coisas imutáveis, como foi a ditadura comunista, a impunidade do Elemento, no Brasil o regime militar enquanto durou...

E racionalmente eu sabia que ia cair, que não dava mais. Mas é incrível, durou 54 anos. Uma vida. Mais do que a vida inteira de muitas pessoas. Dá um calafrio.
E com isso volta a ser normal o que, por tanto tempo, viveu na exceção.

Deveríamos fazer esta pergunta - como subsiste o absurdo, o errado, o espantoso? - com frequência.”

Depreendo daí também que ele não entendia como nunca havia perguntado antes como isto foi possível. E eu pensei assim que ele – o embargo - sobreviveu pelo hábito, pela rotina, pelo conformismo e naturalização desta decisão e pela força aparentemente inquestionável das tradições e decisões anteriores. Mesmo quando elas são erradas, absurdas e espantosas aos nossos olhos. Fiquei até pensando numa alternativa ou em um  dispositivo de caducidade para certas decisões. E o exemplo incrível aqui - no teu paralelo com a vida e é a vida e nossa forma de vida o que realmente importa mesmo como valor último - que todos aqueles que viveram para tomar estas decisões do embargo, bloqueio e etc já se foram deste mundo para outro mundo ou nenhum mundo. É o já citado por muitos, governo dos mortos sobre os vivos.

A pergunta derradeira aqui deveria nos levar a perguntar se os vivos estão vivos mesmo? E se sua vitalidade tem disposições reais e se eles tem deliberado de fato, com autonomia, responsabilidade e legitimidade sobre suas próprias vidas e forma de viver. E estava mesmo lendo aquela escrita maravilhosa para mim do Foucault ontem sobre "aqueles que obedecem a regras que não se mostram inteiramente a sua consciência" e agora fiquei pensando se este não é um exemplo destas mesmas regras ou disposições de regulação que escapam a nossa existência e consciência e seu sentido inquestionado.

Parece que Obama encontrou uma brecha na história para conseguir mudar isto e os mortos não vão reclamar mesmo.    

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

FOUCAULT – WALK IN THE LINE

“Eu compreendo bem o mal-estar de todos esses. Foi, sem dúvida, muito doloroso, para eles reconhecer que sua história, sua economia, suas práticas sociais, a língua que falam, a mitologia de seus ancestrais, até as fábulas que lhes contavam na infância, obedecem a regras que não se mostram inteiramente à sua consciência; eles não desejam ser privados, também e ainda por cima, do discurso em que querem poder dizer, imediatamente, sem distância, o que pensam, crêem ou imaginam; vão preferir negar que o discurso seja uma prática complexa e diferenciada que obedece a regras e a transformações analisáveis a ser destituídos da frágil certeza, tão consoladora, de poder mudar, se não o mundo, se não a vida, pelo menos seu “sentido”, pelo simples frescor de uma palavra que viria apenas deles mesmos e permaneceria o mais próximo possível da fonte, indefinidamente. Tantas coisas em sua linguagem já lhes escaparam: eles não querem mais que lhes escape, além disso, o que dizem, esse pequeno fragmento de discurso – falado ou escrito, pouco importa – cuja débil e incerta existência deve levar sua vida mais longe e por mais tempo. Não podem suportar ( e os compreendemos um pouco) ouvir dizer: “O discurso não é a vida: seu tempo não é o de vocês; nele, vocês não se reconciliarão com a morte; é possível que vocês tenham matado Deus sob o peso de tudo que disseram; mas não pensem que farão, com tudo o que vocês dizem, um homem que viverá mais que ele.””

Michel Foucault. A Arqueologia do Saber.

Na última página e parágrafo da conclusão.    

AGENDA DE FIM DE ANO E NOVO ANO

Muitas coisas para escrever e terminar em meu departamento de escritos, ensaios, pitacos, notas e anotações, revisões e estudos, mas tudo bem. Tarefas da Escola cumpridas, quase tudo organizado na vida pessoal e profissional e já estou só pela festa de final de ano, organização da formatura e mudança de calendário e agenda, que venha o Natal, 2015 e meus 50 anos. Parece que meus 50 anos vem com uma mesma pauta de 20 anos atrás a tal pós-graduação - aquela que o FHC ajudou a atrasar ou retardar, mas que é de completa e absoluta responsabilidade minha  - retornando com toda força para as próximas semanas e quem sabe ano ou anos...Meu otimismo nunca foi maior que meu realismo, mas é uma dose de motivação entre o sonho e a realidade, que torna muitas coisas possíveis...e que mantem a existência de outras...equilibrando, amadurecendo e andando...e isso sempre junto com mais alguém neste mundo...estou sinceramente feliz com meus amigos e amigas, colegas, alunos e alunas, parceiros e parceiras de jornada...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A REVOLUÇÃO TAMBÉM NÃO SERÁ ASSALARIADA, NEM BONIFICADA OU REMUNERADA JÁ QUE ALGUÉM DISSE QUE A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TWITTADA....

ALGUNS MERECEM MESMO ENCONTRAR E TER O SEU PRÓPRIO MICHAEL KOLHAAS

SOU DAQUELES HOMENS -  e não tenho mais o direito de me chamar de outra forma - CUJA ESPERANÇA VÃ E FATALISMO INADVERTIDAMENTE RECORRENTE, MARCADO POR EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS, EM MUITOS CASOS INACREDITÁVEIS E EM OUTROS CASOS MEROS TESTEMUNHOS PASSADOS DE BOCA EM BOCA - desde que meu avô Wilhelm me advertiu, ao seu modo, que toda força tem um ponto em que quebra, que todo pinheiro por maior que seja haverá de ter o seu próprio e definitivo machado que o derrube, QUE TODA CORDA PODE SER ROMPIDA, que penso sim que para todo TRONKA HAVERÁ DE ENCONTRAR SEM MAIS A PERDER O SEU KOLHAAS, e que para tal HAVER basta passar o limite, aquele limite em que passamos a entender rapidamente a diferença entre um justo requerimento e o abuso escancarado e gritante...e que assim trampa por trampa, se acaba....e o que para alguns é uma pura figura da literatura se me apresenta apenas como algo possível e que em certas circunstâncias migra para o domínio do provável e do esperado e aguardado...e assim vemos a ficção que se cruza com a realidade....vai vendo, vai fazendo e vai aprontando...link para a resenha:Michael Kohlhaas e a mentira convertida em ordem universal

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ARTE COMO DIVERSÃO

Fiquei pensando nos meus próprios limites sobre esta questão. E também olhando em volta de mim - nestes aqui 4.500 amigos, amigas, colegas, conhecidos e próximos em alguma coisa, em quantos destes aqui e daqueles lá fora disto aqui se percebe bem que olham para as artes,a literatura e mesmo para o pensamento como diversão. Não diria que olham sempre assim, mas olham e pensam assim na maior parte do tempo. Uma diversão, ou uma certa variação e diversificação do cotidiano, do imaginário. Um adorno ou incremento estético, um presente agradável à sua própria sensibilidade. A busca de um conforto ou de uma zona de conforto também na linguagem - as belas imagens, belas palavras e boas canções - em meio aos desconfortos e inadequações cotidianas. Beleza, sim, este refrão saudação cativante e diverso do mundo cão, da vida dura, da terrível exposição de maldades e perversidades. E quando se pára de fazer isto? E porque isto ocorre? Quando prestei um pouco mais de atenção em Iberê Camargo praguejando não contra um erro conceitual ou de classificação, mas sim contra um poder de errar, uma espécie de direito que alguns julgam possuir de poderem errar. E fiquei pensando que, então, um erro com arte será sempre um grande erro, pois será apreciado, adorado, curtido e compartilhado. Não tenho o direito de furtar a qualidade de diversão da arte, mas fico pensando quando é que ela passa a ser mais do que isso e nos dar um outro tipo de conforto, um outro tipo de horizonte para o nosso real. Sim, sei bem que sonhadores não estão em moda e que é mais farto o leito dos que gozam esta vida numa busca maior de defeitos do que de precisões, mas penso sim que a arte pode ser mais do que pura diversão e que a escritura também pode ser mais do isto. Entendi à pouco - lendo um texto de  Foucault sobre Delleuze em que Platão anda como um fantasma pairando sobre nós - porque certos filósofos nos aborrecem, em especial aqueles que pensam aquilo que não queremos pensar. E, concluo, então  que se a filosofia não tem salvação, nem o homem muito divertido e satisfeito terá também.... 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

SOBRE REGRESSÃO POLÍTICA

Aquilo foi uma coisa tão nojenta e asquerosa que a primeira tendência que eu senti é de reagirmos com raiva e personalisando o Bolsonaro ou vitimizando a Maria do Rosário, mas o problema é político. Bolsonaro é somente uma das pontas desta política regressiva. Se você assistir o que alguns deputados dizem e expressam no congresso é de doer. E mesmo a velha cordialidade que era o método tradicional de dominação.da elite se perdeu. É uma grosseria atrás da outra, mas a causa é política e estas grosserias expressam o quão intolerável é para eles  o regime democrático principalmente quando eles não vencem e apesar de terem certa maioria no congresso conquistada legitimamente nas urnas a política deles tem se resumido a isso, expressando de forma brutal o segmento e as ideias que representam. É a moral da vingança e do ódio casada com um senso comum parlapatão, cuja envergadura moral é esta espinha de peixe alquebrada em pedacinhos e micropolíticas e minipólios. O que me aborrece  mesmo é justamente o fato de que com o Congresso que se formou cabe somente ao PT tentar corrigir isto com Psol e PCdoB.

MINHA ANUNCIAÇÃO

Semana que vem começa a derrama dos meus textos inéditos, inacabados e não publicados do último semestre de 2014. No ano da eleição e do fim do mundo, da ressurreição da ultra-direita e da copa do mundo, escrevi muito sobre diversas outras coisas. Terei que ser mais criterioso e menos permissivo comigo mesmo e revisar com rigor antes de publicar tudo no blog e algumas coisas aqui. Serão dois anos completos já de dedicação exclusiva aos estudos, de música, de arte, história e filosofia, com muita preparação de aulas, e neste ano o início do Pacto pelo Ensino Médio também deu no que falar, deu o que anotar e ainda tem aqueles dois seminários sobre educação da SEDUC-RS dos quais muito pouco caiu aqui. O Seminário que não foi Desintegrado e tantas outras coisas de uma atividade cuja base é a significação, interpretação e contextualização. Mas é fim de ano e estou bem às voltas, como todos os meus colegas e minhas colegas aliás em todos estes assuntos,  com o fechamento do ano letivo, PPDAS, Planos de Estudo, Trabalhos e Avaliações com Notas ou Menções e seus Pareceres. Tem a Preparação para formatura de mais de 100 alunos no Ensino Médio do Olindo Flores. Que é a colheita mais humana do nosso trabalho de anos. E nesta Vida de professor que é sim a vida que eu escolhi incentivar, empurrar e estimular nossos sucessores, irmãos e irmãs a andarem mais longe, mais adiante e melhor do que nós mesmos.. E vendo ainda agora alunos ingressarem na universidade, outros concluírem seus estudos e, em alguns belos e maravilhosos casos, meus amigos e amigas iniciarem já suas atividades docentes. 2015 promete muita coisa e eu aguardo todas as tempestades, todos os ventos, todas as brisas e mesmo as calmarias, porque navegar é preciso e na "bruma leve das paixões que vem de dentro" minha paixão segue...me inclinando em frente, me inclinando á derribada daqueles que não fazem jus á suas tarefas...Devo ser o único cara que escuta Slowdive - e só quem fizer o teste entenderá porque em especial Souvlaki Space Station agora - e pula para Alceu Valença que em Anunciação tem a prosa mais bela e límpida da poesia cantada e musicada brasileira. Da primeira vez que te ouvi pensei - com meu botões e dedões - sim a língua portuguesa é bela e mais bela será quando for compreendida, TÓ:ALCEU VALENÇA - ANUNCIAÇÃO

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

BREVE COMENTÁRIO NA EXPRESSÃO DE PAULO FREIRE SOBRE DISCURSO, AÇÃO E MUDANÇA NA EDUCAÇÃO

"De nada adianta o discurso competente se a ação pedagógica é impermeável a mudança". Paulo Freire

Sobre discurso, ação e mudança muita coisa já foi dita em vários domínios. Mas há que se atentar que neste caso, ao meu ver, trata-se de uma refutação de um tipo de discurso pela sua prática conservadora e que não aceita a mudança. A impermeabilidade á mudança é sustentada por uma espécie de alegação de competências ou se quiseres saberes. Mas vou mais longe aqui, pois há também a alegação de incompetências e não saberes para resistir à mudança e neste caso a resistência à mudança não se dá somente por competências , mas sim por inseguranças e instabilidades e pela falta de certa tranqüilidade para enfrentar a mudança.

Ou seja, trata-se de um discurso que ou bem afirma competências e saberes para recusar a mudança pedagógica proposta ou bem afirma a ausência destes saberes e competências para empreender a mudança. A contradição, portanto, entre discurso e prática  nos domínios das pedagogias apontada por Paulo Freire não vale exclusivamente para a mudança, vale inclusive para a manutenção de uma ordem pedagógica cuja ausência de reflexão e de formação permanente acentua a acomodação e a resistência à mudança. Quando Paulo Freire, nesta expressão que analisamos agora fora de seu contexto original, usa a chave “de nada adianta” podemos pensar também que mesmo o excesso de permeabilidade à mudança, sem a devida reflexão e criticidade, também de nada adiantará, pois provocará a mudança aparente ou cosmética, a mudança por adaptação e não a transformação da realidade educacional.  Assim, a velha forma de admiração ingênua engendra aqui também uma pseudo-mudança que durará até que a vida os separe.

Se colocarmos em detalhes as mudanças propostas e das quais e com as quais muitos se ufanam de simpatizar, defender ou esposar, encontraremos também outras contradições entre discurso e práticas, entre um discurso competente e altamente apropriado e uma ação que não impõe a emancipação dos alunos, não liberta os jovens de seus medos de fracasso, nem os professores dos seus temores de incompetência. Há, portanto, uma outra contradição que acompanha o “discurso competente” que consiste justamente em justificar sua prática inter-pares e frente aos alunos usar como argumento o tradicional, o velho argumento de autoridade que funda escolhas teóricas, metodológicas e conceituais em sua preferência, juízo exclusivamente pessoal e que jamais admite o questionamento.  É comum o discurso competente ser uma espécie de discurso de seita com fundamento subjetivo numa crença geral sobre os sagrados objetivos e os melhores resultados da prática docente segundo certa acepção ou escola. Ao renunciar a problematicidade de toda prática – com um discurso competente – se consolida a barreira para mudança.


Eu só vejo uma saída aqui: compreendermos a medida em que este discurso de competência sustenta as crenças do educador ou educadora e ir aos poucos e dialeticamente apontando outras perspectivas para dissolver a resistência a mudança e se reconhecer melhor a sua necessidade. Isto é, deve haver confronto, conflito e problematização radical das idéias, mas é preciso compreender e levantar claramente de onde vem a reação à mudança e não somente confrontá-la sem a apresentação e análise de suas razões.  

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O IRMÃO ALEMÃO

Meu presente desta semana - a cada semana precisamos de pelo menos um presente - foi O IRMÃO ALEMÃO do Chico Buarque....a boa literatura sempre nos ensina que uma história bem contada vale tanto quanto a verdade, pois entre o sonho e a realidade reside toda nossa dignidade....

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

CONSERVADORES E RADICAIS

PAULO EDUARDO ARANTES: "A esquerda no Brasil é moderada. O outro lado não."


Os conservadores tradicionais e os moderninhos tem uma característica muito notável: são autoritários radicais. Eu estava mesmo dando uma lição sobre Democracia e Liberdade ontem, para qualificar a diferença entre Conservadores, Liberais e Progressistas em relação à passagem sobre a polis grega de Hannah Arendt em que ela defende a interpretação fatual de que os gregos consideravam política um método não violento de resolver os assuntos públicos, e daí apareceu este tema no debate sobre o radicalismo dos conservadores. Aliás Justamente ontem que se comemoram os 59 anos de aniversário do ato de rebeldia de Rosa Parks em 1 de dezembro de 1955 contra a segregação racial.

Em minha lição conclui que toda direita é radical, que todo conservadorismo se recusa a ouvir o outro lado e a negociar. E não é muito difícil juntar todos os dias exemplos deste tipo de intransigência e intolerância basta assistir os debates no Congresso Nacional, porque lá se identificam facilmente os elementos autoritários e conservadores nitidamente por uma postura, método e conduta de intransigência e intolerância. A veemência e o fanatismo das falas deles são notáveis. E quando adotam tanto o estilo agressivo quanto o debochado, percebe-se claramente o desprezo e o desrespeito às posições dos outros. O que também é uma forma autoritária de conduta. 

Lembrando a luta pelos direitos civis americanos e uma cena de Newsroom, em que o âncora muito bem  representado por Jeff Daniels da emissora lembra a uma advogada abismada em uma banca que um ano antes de Rosa Parks, a “menina” com 42 anos que foi a lider ou que gerou o estopim do boicote aos ônibus em 1955. O exemplo do Jornalista-âncora, que não precisa verificação agora é que em 1953 a história teria sido diferente se a líder fosse uma negra, com dois filhos, que era prostituta, que não freqüentasse a igreja da comunidade e que lutava então para poder andar no ônibus dos brancos. Quer isso fizesse ou não toda diferença não importa, mas é notável no perfil moderado da causa que justamente a negra ajustada, cristã e boa devota da paróquia local foi quem liderou a luta por direitos civis em seu primeiro capítulo com manifestações. Ela era moderada e os radicais no caso eram o brancos, que sequer aceitavam ouvir suas razões e negaram elas até o final. E quanto a isto não pode ser dito que foi superado, apesar do presidente Obama ser negro. Como, podemos ver  ainda hoje os prefeitos ou Majors de muitas cidades americanas – como vimos semana passada - ainda montam uma estrutura e equipe policial majoritariamente branca para cuidar dos bairros majoritariamente negros de suas cidades. E radicais são os negros? 

Na real é uma obviedade em qualquer lugar do mundo isto. Martim Luther King era moderado, os brancos do sul é que eram radicais... E aqui no Brasil, em geral, só vence nas urnas a esquerda democrática e moderada.... E, por outro lado, na bancada mais conservadora só se elegem os mais raivosos e sectários. Como vejo é preciso entender isto de uma vez por todas e acabar com as ilusões e velhas pretensões autoritárias, totalitárias e absolutistas de certa fração da esquerda progressista que acredita que vai conquistar ou tomar o poder e implementar goela abaixo a agenda e o programa mais radical. E toda crítica à conciliação, políticas de transição, negociação e composição peca justamente por isto de princípio. 

Penso com respeito a isto que falta dialética a certo setor do marxismo ocidental brasileiro. E esta posição não me transforma em um entreguista nem em alguém que não quer mudanças radicais, mas somente em alguém que dá uma outra resposta para o "como fazer". Que não é muito diferente aliás da resposta dada por todos que fizeram e que conseguiram fazer e cumprir o feito de resistir ao tempo e promover mudanças. 

Os dois flancos do embate são ainda o político e o cultural e no cultural, observo, que andamos perdendo muito ultimamente. Também porque não defendemos com tanta clareza que nada é mais radical e revolucionário do que o diálogo, ouvir razões e argumentar num tempo de violências, explorações e de formas de dominação tão mesquinhas e com tanto desprezo pelo outro. Do que a raiva dos nordestinos, dos negros, dos índios, dos gays e lésbicas, dos ecologistas, dos sem terras é só uma pontinha da maldade e da velha perversidade conservadora.

Para mim a nova direita não surgiu após Julho, mas sim se fortaleceu após julho com este tipo de raciocínio infantil e mecanicista e purista do 8 ou 80, tudo ou nada, ou do que o Sakamoto chamou de binarismo e eu tenho chamado de novo absolutismo político. E os sinais disto estão já bem claros nos comportamentos e juízos de certos eleitores e simpatizantes. 

E esta intolerância se encontra muito bem com o perfectismo e o esquerdismo de alguns que só aceita a esquerda autêntica com muito discurso e pouca ação, muito programa e pouca gestão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

CONTEÚDOS INTENCIONAIS E CONTEÚDOS FATUAIS; A MALDITA DISTINÇÃO E PARENTESCO

Hoje fui obrigado a abrir mão de algo que sempre evito fazer, e após a interrogação de uma aluna sobre opiniões, me coloquei a fazer aquela maldita distinção entre conteúdo fatual e conteúdo intencional. Quando digo que fui obrigado, assumo que me senti obrigado e bem provocado a ser mais claro em minhas interpretações e pretensões de interpretações sobre certas teorias e fatos. E admito que é algo que mesmo hoje me confunde e que eu confundo também. É uma distinção maldita porque coloca em risco a possibilidade de verdade, e introduz a possibilidade de todas as nossas proposições serem apenas menores que verdadeiras, serem relativas à nós e não aos fatos, e, portanto, indecidíveis quando nosso acesso a certos fatos é dificultado ou mediado por uma miríade de outra interpretações e reconstruções,  em resumo, apenas aquilo que a gente gostaria que fosse o caso e não o que é o caso. Assim, uma determinada proposição filosófica sobre fatos pode apenas ser aquilo que eu preferiria que fosse o caso sobre fatos. O exemplo em tela foi a interpretação de Hannah Arendt sobre a política grega como negação da violência e a mesma aluna com seus colegas haviam acabado de assistir Pompéia e, no caso, lembraram neste filme que a violência foi chamada de apenas uma questão política entre outras questões políticas. No caso que é da natureza da política a violência. Sempre lembro de todas as guerras entre gregos numa hora destas. E me lembrei como nós gostaríamos que fosse diferente. Em especial para mim - e para Hannah Arendt e outros pós iluministas convictos - onde a violência aparece pela ausência de pensamento, a violência é a última alternativa para quem desistiu de pensar, ou a primeira para quem nunca aceitou as razões do outro ou sequer tentou compreendê-las. A maldição, parece ser aqui um detalhe pequeno mas decisivo para mim que é que o conteúdo intencional em juízos morais, também pode não ser verdadeiro, pode não ser confiável. Mas como eu posso saber? E para mim o caso mais maldito é justamente aquele em que tratamos do amor, pois é aí que a declaração tímida ou mais apaixonada de afetos e desejos fica entre o liame da verdade e da intencionalidade, bem em cima da divisa em toda sua ambiguidade e também com toda a ironia que é possível perceber. Você refere ao que sente e ao que quer, mas isso está em seu interior e eu não tenho a menor possibilidade de saber ou verificar alguma coisa sobre isto. Só me resta sentir aquilo que eu gostaria que fosse verdadeiro. Minha intencionalidade e razoabilidade se assenhora da situação e toca em frente, como se nada tivesse acontecido ou como se tudo tivesse acontecido, mas que, enfim, não faz diferença alguma porque não o sei.  E aqui, retorno ao caso da violência, como posso saber que a política grega não tinha a violência? Como posso saber que o amor, não tem dentro de si também algo semelhante como que a negação de si mesmo embutida e em semente, pronta para se enunciar. Gostaríamos que fosse diferente, muito...mas não podemos saber isso...e agora vendo Ingmar Bergman que dava tanta atenção para estas nuances, para estas formas e  circunstancias existenciais, para este vazio de sentido, entendo um pouco mais porque a intencionalidade parece tantos ser aquela velha traidora que nos engana a todo tempo, nos levando muitas ao oposto do prometido....e entendo porque é preciso ir com mais calma ainda...e muitas vezes deixar passar aquilo que mais gostaríamos, para poder encontrá-lo integramente na sua verdade.