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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA – FOR YOU CONSIDERATION

LEITURA SOCIOLÓGICA – ENTENDENDO O BRASIL E A SOCIEDADE HOJE E DO PASSADO

Sobre a “Modernização Conservadora” no Brasil cito o primeiro parágrafo da página 226, do didático Sociologia para o Ensino Médio, de Nelson Dacio Tomazi, recomendando a leitura e a interrogação sobre o texto inteiro.

“A ideia de mudança social no Brasil sempre esteve presente nas análises da nossa sociedade, desde o tempo do Império. Além disso, houve múltiplas revoltas contra o poder dominante, mas sempre foram aniquiladas.”

O tema da Modernização conservadora aparece em análises muito interessantes e foi utilizado pela primeira vez em uma análise da mudança social na Alemanha e no Japão é aplicado ao contexto social brasileiro por derivação e com algumas adequações. Posto que a Modernização Conservadora no Brasil não se deu sem resistências, sem sistemáticas ameaças de retrocessos aparentemente insuperáveis que são recorrentes ainda hoje. Exemplos, as tentativas de desregulamentação das leis trabalhistas, os lobbyes dos grandes latifundiários, a eleição de bancadas anti-modernização e os ataques repetidos aos direitos sociais, aos direitos humanos e aos direitos trabalhistas. Vale também citar este vírus autoritário que campeia no cenário político. Ao mesmo tempo, me parece que no Brasil a modernização tem um caráter conservador porque ela sempre passa não só por uma forma conservadora, um modo conservador, mas porque ela é uma com cessão do segmento conservador que devido à estrutura de classes e a hegemonia da elite no estado brasileiro trata sob pressão da modernização sempre pela via de uma concessão negociada. Assim,. Tanto o que é chamado de modernização no Brasil quanto o que pode ser chamado de revolução no Brasil é sempre um processo mediado e arbitrado. Mesmo os ensaios de revoltas, rupturas, cisão, dado o caráter conservador da elite e também de parte relevante da sociedade é atenuado. Isto é, a mudança só ocorre com algum assentimento ou consentimento da elite dominante no país, mesmo em circunstancias em que aparentemente os partidos de esquerda detém por algum tempo o poder executivo via sufrágio. E isso se mostra em muitos níveis. No nível municipal, estadual e federal. Eu diria que sociedade brasileira não tem caráter mudancista e que todas as mudanças sociais no Brasil são produto de intervenção estatal e só se realizam de fato por medidas estatais. Ou seja, os hábitos culturais, os costumes e os valores brasileiros sempre se apõem com certa resistência à mudança social e mesmo nas camadas que mais deveriam se interessar pelas mudanças ou por uma modernização, pois seriam as maiores beneficiadas por novos direitos, redução da desigualdade e geração de oportunidades de ascenção social, ocorre uma grande resistência a isto e aos portadores destas propostas. Assim, o Brasil sofre por seu “habitus” conservador um processo lento de modernização e como direi mais adiante, sempre eleva-se a outros patamares de organização com ameaças de regresso. A impressão que eu tenho é que no Brasil o pacto sempre é ameaçado de um retrocesso por uma característica altamente reacionária estimulada assim me parece por uma forma autoritária de resolução de conflitos. O Brasil parece assim um vulcão cuja calmaria externa é produto de um grande temor de sua possível erupção.

Porém, Modernização conservadora é um conceito elaborado por Barrington Moore Jr, em sua obra As origens sociais da ditadura e da democracia: senhores e camponeses na construção do mundo moderno. São Paulo: Martins Fontes, 1975. Do qual ele se serve para retratar o caso de desenvolvimento capitalista na Alemanha e no Japão. A revolução burguesa, segundo ele, bem como o processo de industrialização desses países, fez-se através de um pacto político entre a burguesia industrial e a oligarquia rural – este pacto foi orquestrado no interior do Estado -, sem rupturas violentas. Num dos exemplos de análise dele os Junkers alemães, no caso da Alemanha, conseguiram controlar a transição para a modernidade sem se contrapor a ela e sem deixar de estimulá-la, sobretudo no que se refere à industrialização, e sem tampouco perder o controle do campo - mantendo suas propriedades herdadas do período feudal. (faço uso aqui neste parágrafo, ainda que alterado e adequado, do verbete da Wikipedia sobre Modernização Conservadora.)

Já no Brasil este processo à quente e á frio tem uma grande lista que é entremeada por diversas ocasiões em que se deu por conflitos que passam do interior do estado para sociedade civil, acontecendo em tempos anteriores ao período do império (Tiradentes é somente um dos exemplos, pois deve se agregar as revoltas dos Quilombos), as diversas revoltas do império aos levantes do período da primeira república ( Canudos, Contestado, Ciclo de Greves de 1917, ao Tenentismo, Coluna Prestes), seguindo pela revolução de trinta, com reações conservadoras e medidas modernizadoras, com a redemocratização do pós guerra, até a morte de Getúlio Vargas, a posse sustentada pelo Marechal Lott de Juscelino Kubstchek, a renuncia de Jânio, a reação Parlamentarista, a posse do João Goulart e o golpe militar de 1964, durante toda a Ditadura Militar houve resistência e presença de pleitos de mudança social, na luta pela Anistia que se inicia em 1977, pela Redemocratização, o movimento da Diretas já, os ciclos de greves contra os arrochos salariais, o movimento pela Constituinte, e estas ocasiões avançam com instabilidades políticas até praticamente 1989 e tardiamente 1991, com a crise do Governo Collor. Na quadra atual, dos governos FHC a Lula e Dilma deixo os comentários guardados no cofrinho da razão.

Questões:

1. Mudança social no Brasil é somente uma categoria de análise?

2. O desejo de Mudança social no Brasil é um acontecimento que só passa a ocorrer com o Império?

3. Quem é ou quem representa o “poder dominante” no texto?

4. Cite alguns exemplos de revoltas contra ele.

5. Porque o autor usa o termo que as revoltas foram “aniquiladas” como estratégia de solução do poder dominante aos revoltosos?

Exemplos de análise:

1. Poder dominante pode ser entendido histórica e sociologicamente de uma forma sistêmica no contexto de uma categoria que envolve a elite, as classes sociais dominantes, latifundiários, quadros superiores de estado, suas relações institucionais com os três poderes e as armas, a mídia monopolista

2. Mudança social como categoria de análise e como impulso, desejo ou projeto de grupos sociais, lideranças e sujeitos históricos.

3. O “aniquilamento” de Tiradentes como símbolo da lógica e do método conservador de enfrentamento dos pleitos de mudança social.


4. O “aniqulamento” como estratégia clássica da elite brasileira contra as demandas populares, os representantes das demandas populares, que se apresenta com características violentas, políticas de ódio e de raiva ao outro e de promoção de perseguições e dos discursos que pregam não somente a vitória mas de fato a extinção dos segmentos, grupos, partidos e lideranças portadoras de um projeto de mudança social.

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