segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SOBRE O PT, LULA E MARINA

O PT realizou em 12 anos de gestão federal e outros tantos em estados e municípios, um programa que foi discutido por pelo menos 24 anos com boa parte da sociedade organizada brasileira, pela esquerda e pelo centro. Este programa não se realizou sem suas próprias contradições, mas as superou na síntese que conquistamos nestes anos e pode avançar mais com Dilma. Neste sentido, a chapa de Marina representa bem uma outra coisa. É guardada e respeitada a diferença com o PT, uma fusão de interesses tão heterodoxos, difusos e atrasados e sob a cabeça de um discurso tão confuso e enrolado que não dá para pensar mesmo que isso seja bom para o Brasil. Não dá para olha para um programa inteiro de copia e cola e dizer que isso segue para além da eleição. E quando se avança para o terreno das definições, as coisas ficam bem piores. Não é só os LGBT que terão problemas, nem somente aqueles que não querem um governo neoliberal de novo. E todas as comparações em defesa dela com Lula, escondem o mérito e o histórico das propostas de Lula e do PT e o arranjo feito para vencer a eleição que foi mais tópico do que de conjunto. No caso de Marina, do PSB e do que vem junto é um arranjo de ocasião, tão casuísta quanto o propósito primeiro que é só tirar o PT do poder. Depois disso, governa como? E não adianta falar em Nova Política se o que trazes à baila é um ajuntamento de ex-petistas e inimigos programáticos do PT que até então foram mal sucedidos em gestão e em eleições em seus propósitos, métodos e propostas. Qualquer petista bem informado sabe que o Fome Zero foi uma grande proposta politizadora e que não deu certo porque o espaço e o engajamento para uma politização não se apresenta por decreto e no entanto isso não colocou Frei Betto como um ex-petista descontente e que quer derrotar o PT. Há um principio vaidoso e pequeno burguês por trás de cada um daqueles que aderem a Marina sob o argumento de que o PT não deu ou deu no que não devia. Só porque a sua concepção não triunfou na síntese? Ora esta. Então porque ainda não aplicou toda esta sabedoria e concepção programática avançada em um governo estadual ou municipal como aqueles presididos pelos que apoiam Marina? Não foi possível? Porquê? Então tua concepção serve só para a eleição e depois quando vires ela sossobrar ira comunicar de novo que foste traído? É uma grande ilusão pensar que agora com Marina é prá valer, principalmente porque agora não é só com a Marina não. Marina merece respeito sim, mas a sua composição, programa e seu arranjo são muito pouco para a expressão de uma GRANDE ESPERANÇA DE MUDANÇA. E me desculpem os que crêem nisto, mas é o que penso, com alguma economia aqui de argumentos.

P.S.: Confesso que disse algo com algumas omissões importantes e outros erros. Por exemplo, não teci nenhum comentário aos posts de defesa da Marina do Luis Eduardo e do Rolim. E talvez nem vá fazer isto, para evitar algo que me deixa muito aborrecido mesmo. Há entre nós petistas um certo horror moral e aversão ideológica à  enfrentar ex-petistas. Não por medo da derrota, nem por temer o debate. É uma espécie de tabu psicológico da nossa cultura interna. Um ex-petista vira uma espécie de intocável para nós. Mas eu ainda vou dizer que a minha decepção coma Mutação da Marina é algo mais terrível ainda.  Uma espécie de pesadelo que nos aborrece profundamente. Para quem foi do PRC como muitos outros militantes de uma boa cepa (Tarso Genro entre eles -  e este é um que pode mesmo um dia ser presidente deste país) o destino dela é mais trágico do que de alguns ex-trotskistas e trotskistas. Sempre penso na minha própria tribo.  E compará-la ao Chico Weffort por exemplo ou ao Antônio Hohlfeld é também uma injustiça. A mutação dela equivale para mim à maior mutação ideológica já ocorrida por um ex-petista. Cair diretamente no Fundamentalismo de um lado e no Neoliberalismo de outro é algo para mim inimaginável. Haja ambição e haja estofo intelectual para isto. E as razões não são mesmo as da NOVA POLÍTICA....

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