sábado, 13 de setembro de 2014

SOBRE A ELITE BRASILEIRA

Toda vez que alguém fala da elite brasileira eu fico me perguntando do que se está falando? Em geral se usa este termo para fazer referência aqueles que detém  poder, conhecimento,  status e prestígio, mas também aqueles que por conta disto tem e possuem privilégios, prerrogativas o que é uma condição de vantagem e distinção em relação aos demais cidadãos.  Não creio que isto seja legal.

Parece uma maldição isso no Brasil, a ênfase dada à elite por alguns, a necessidade de alguns em se afirmar como uma elite e ter uma elite me parece que é muito discriminatória. Sinto que lidamos com algo ai que manifesta-se por alguém que é incapaz de pensar ou quando pensa o faz da forma mais resumida e umbilical, da forma mais rasteira, mesquinha e simplória, seja ela militar ou civil e o que inclui alguns intelectuais. Noto que é comum ai e era comum ser incapaz de reconhecer certas coisas, uma certa recusa a avançar na análise e discernir certas coisas e dar valor a certas coisas. Quando li uma postagem do Professor Renato, lembrando o que o Florestan sofreu, como foi tratado  e que riscos correu na ditadura, sobre a forma com o De Gaulle tratou Sartre, quando incitado a prendê-lo, por conta de uma declaração contra o Colonialismo Francês na Argélia, ao que De Gaulle respondeu “Não se prende Voltaire!”, e então lembramos das perseguições políticas a diversos intelectuais brasileiros na ditadura militar.

Eu me lembrei da elite e também me lembrei imediatamente da imagem da Marina que se avista como elite, bem abraçada ao Lobão, lembro também da notícia subseqüente de que o clube militar prefere Marina e de que ela é contra qualquer forma de rediscussão da Anistia. Trata-se ai sim de uma elite que julga-se com prerrogativas e salvaguardas superiores aos demais cidadãos. E isto é discriminação e é uma atividade discricionária.

E, além disso, me lembrei também de um episódio mais antigo aqui do sul, de um veto moral de certa elite gaúcha à possibilidade de uma visita de Sartre e Simone de Beauvoir ao Rio Grande do Sul. A designação para Simone de um bem pensado e ilustrado gaúcho foi "aquela rameira". Me lembrei, então, mais ainda  do Florestam e da sua obra que sempre me impressiona sobre a Revolução Burguesa no Brasil que é de um fôlego, profundidade e rigor impressionante.

E lembro, assim, deste tipo de elite que não deixou nenhum livro que o valha, nenhuma obra de mínima grandeza, nenhum trabalho que valha todo o poder que tiveram e ainda tem sobre as cabeças conservadoras de nosso país. É uma grande vergonha o que fizeram com Florestam e muitos outros na ditadura militar e cada vez que um néscio fala bobagens sobre a ditadura militar, me lembro que lhe falta, inclusive, vergonha, porque ignora, desconhece e não sabe nada do que fala, do que se trata e de suas consequências reais. E, para mim, o Golpe Militar foi um crime tão grave quanto é a corrupção e o vale tudo na política, pois foi imoral, ilegal e desumano o que foi feito neste país e tudo sob a justificativa do medo e sob o império da pior qualidade e racionalidade já formada neste país.

ESTA “ELITE” OU OS DONOS DO PODER COMO RAIMUNDO FAORO OS INTITULOU SE MOSTRAM ASSIM TAMBÉM-  Sobre a notícia de que alguns magistrados querem um auxílio educação de até 7, 2 mil reais para a educação de seus filhos. O país fazendo um gigantesco esforço para universalizar o acesso a educação, melhorar os vencimentos dos educadores, garantir a correção das desigualdades sociais e promover a inclusão de milhões de jovens ao ensino superior. 

Agora estamos nos preparando para ver os investimentos dos recursos do Pré-Sal para a educação fazerem toda a diferença, mas eis que os velhos donos do poder persistem na sua velha lógica de buscar cada vez mais privilégios e manter a sua prole acima dos demais mortais e a qualquer preço. Isso mostra o quanto ainda é preciso mudar e o quanto alguns segmentos lutam para que não ocorra mudança alguma. E hoje a cara de pau desse pessoal é agravada numa democracia porque não há escrúpulo algum, nem vergonha alguma em reivindicar mais privilégios, mais benesses e continuar conservando prerrogativas e vantagens contra os demais cidadãos. O fato deste pleito vir de onde vem também mostra como estamos mal no Poder Judiciário em que há a cultura de discricionariedade e da permanente obtenção de vantagens e mais vantagens à margem de qualquer discussão de um conceito de justiça e promovendo mais e mais desigualdades na sociedade brasileira.


Talvez assim alguém entenda o que eu quis dizer com colocar o estado sob controle da sociedade e a importância de uma política como a do PT para realizar isto. Também para evitar este tipo de coisa. Meus queridos amigos e camaradas advogados devem imaginar e saber como a vida tem continuado dura na magistratura, na falta de um conceito de justiça...E os professores de Filosofia Política também poderiam lembrar algo mais aqui e dar um toque neste carro.

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