sábado, 13 de setembro de 2014

PT E SOCIEDADE

Talvez minhas palavras façam mais sentido para aqueles que tiveram também o PT como uma ideia compartilhada e construída de norte a sul no Brasil no final dos anos 70. E eu penso mesmo que todos que pensaram profundamente nisso durante aqueles meses que vão do compartilhamento simultâneo e discussão por milhares de jovens, sindicalistas e militantes de esquerda e da igreja históricos ao processo de mobilização, constituição e fundação do PT, tem um grande apego ao partido, por esta memória.  Ainda lembro da notícia e das razões que tecíamos a favor do partido. Quando confundem a gente com o movimento sindical do Solidariedade, na Polônia, tentando nos resumir a um movimento sindical ou religioso, esquecem que queríamos além de democracia, poder e justiça social, que não se tratava apenas de tirar este ou aquele do poder. Se tratava de dar o poder ao povo brasileiro o que talvez signifique a ideia mais poderosa do PT frente a qual sobrevivemos aos tecnicismos, neoliberalismos e formalismos. E isso significava tirar poder de um setor que nós podemos chamar de elite deste país. E mesmo o socialismo e o comunismo real perdem para esta ideia porque não prescindem de uma elite dirigente. O PT não é isso, não é uma tentativa de ser a elite dirigente da sociedade, mas sim a tentativa de fazer a sociedade dirigir o estado. E isso é mesmo mais radical do que qualquer modelo burocrático de partido. E quando vemos ao nosso lado muitos pretendendo manter o povo à margem do entendimento, ficamos mais convencidos de nosso projeto e das nossas bases programáticas.

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