terça-feira, 29 de abril de 2014

OS FUNCIONÁRIOS NÃO TRABALHAM SEU JANOTA?

QUER DIZER ENTÃO AGORA QUE OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DE SÃO LEOPOLDO NÃO MERECEM AUMENTO NENHUM PORQUE NÃO TRABALHAM SR. JANOTA?

BOM DIA...acabo de tomar conhecimento da situação dos funcionários públicos municipais, das propostas míseras de reajuste que receberam e do tratamento inadequado e das falas que os sindicalistas tem recebido na comissão de negociação e o que tem sido corrente nos corredores das repartições públicas.

Isso prova que nenhum janota vai ser demitido por mau comportamento, por falas irresponsáveis e que a mentira e a desfaçatez é generalizada no governo MOA/DANIEL PSDB/PMDB/PP/DEM e uma parte do PSB.

Dou todo meu apoio aos funcionários públicos porque tenho muito respeito por eles e sei quase em detalhes o que eles estão passando em todas as áreas de atuação e trabalho.

É lamentável mesmo o que está acontecendo em São Leopoldo. Mas isso vai passar e a luta vai ajudar a fazer passar com menos danos e menos desrespeito.

Coragem e Sabedoria. A primeira para enfrentar a situação e a segunda para ensinar quem não trabalha a trabalhar.

Para quem, sem perder a piada, BATE O PONTO E VOA, agora vale QUEM NÃO TRABALHA DIREITO É O PREFEITO E OS CCS DELE...


já tem vereador fazendo obras em São Leopoldo, como é que pede? Onde é a fila? Quem tem as fichas? ora, ora ora...

UM POUCO MAIS SOBRE O DESTINO DO JANOTISMO EM SÃO LEOPOLDO

Sinceramente, eu creio que essa fala deles de que “os funcionários públicos não trabalham” pode até ser reflexo de uma concepção política neoliberal e focada na terceirização, na redução do estado, mas ela é, na verdade, muita burrice que se soma ao mandonismo de quem não tem competência para exercer uma autoridade racional. Isso se soma também às políticas bem características de destruição da máquina pública e precarização dos serviços públicos e, também, ao clássico objetivo e o principal indicador de resultados das políticas deles em nível federal, estadual ou municipal a simples e singela, a perversa e brutal concentração de renda que é o esporte preferido desta casta (que combina reacionarismo com social democracia em todo o mundo). 

Estas políticas deles fazem eles serem considerados campeões em ampliação do índice de GINI que marca a desigualdade social.
   
Os servidores municipais de todas as categorias que agora sentem isso na pele, porém, trabalham sempre, não cabulam trabalho, cumprem rigorosamente suas jornadas em todas as categorias e muitos dos demais tem excelente qualificação e conduta. 

A "república dos CCs" deles não sobreviverá mais do que seis a doze meses, após as eleições de outubro. Tudo vai mudar porque é um governo em crise que tenta criar saídas não para os seus problemas, mas para os seus quadros que buscam – sem ter sequer prestado algum serviço de utilidade pública ainda com 17 meses de governo, sem sequer ter mostrado a que vieram,  galgar cargos nas esferas estaduais e nacionais. E os candidatos a deputados deles merecem sim pagar pelo que não fizeram e pelo que fizeram pelo seu janotismo e elitismo descarado.

 O Janotismo não sobrevive ao trabalho e não se dá bem com trabalho porque não gosta de trabalho, não chega cedo nem sai tarde e não se extenua com tarefa alguma, e se continuarem com seus altos salários e pouca produção batendo nos funcionários da forma como eles batem, a produção deles que já é muito escassa vai a cada dia ser mais reduzida. A pior forma de gestão adota este tipo de conduta do conflito com funcionários, pois esquece que os funcionários são fundamentais e não somente estáveis. São cidadãos, são eleitores e são esclarecidos os funcionários municipais e não vão tolerar mais isso porque já tiveram todos eles dias melhores sim. 

E, além disso, pelo que  sei e observo, há um indício muito claro de esgotamento da autoridade conquistada nas urnas, que cai a cada dia que ´passa no ridículo, pois os funcionários que estão na ponta do movimento pertencem às duas áreas que foram justamente mais "encantadas" com promessas da chapa MOA/DANIEL e que agora estão desiludidos porque foram traídos e ludibriados e ainda sofrem destratos, desmandos e desrespeito. Creio que este tipo de atitude dissolve o reconhecimento da autoridade e joga o governo inteiro no método do mandonismo que é justamente o gerador da crise lá no centro político da gestão.

Mas os funcionários públicos vão lutar e muito para recuperar tudo que perderam neste período e estes CCs de meia tigela que estão ai vão somente se esconder e ou optar por um mundo da fantasia que é o que eles já estão, em sua grande maioria, fazendo. Vão negar de forma veemente o seu próprio fracasso, vão construir discursos compensatórios e de justificação. O que é uma pena porque aqueles que são nossos conterrâneos e que vão embarcar nessa linha psicológica de um governo sitiado vão sofrer muito no apagar das luzes – e apesar de pertencerem a outros partidos, alguns merecem nossa consideração – vão assistir a tudo isso impotentes e ao acordarem nada mais será como dantes no quartel de Abrantes.  

Mas eles acreditam sim que  o maravilhoso mundo de BOB não acaba logo ali. 

Bem, esta é a sina clássica do janotismo...ver suas jaquetas, casacas e camisetas se esfarraparem com o tempo....

UMA SITUAÇÃO QUE ERA PREVISTA, MAS QUE ALGUNS NÃO ACREDITAVAM

Missão específica do dia cumprida e muitas coisas boas em andamento na minha vida pessoal e profissional. Hoje tem uma formação sobre o Pacto Pela Educação na escola e me desloco para lá, ontem após minhas aulas da manhã inteira, houve atividade sobre os Netbooks na CRE e fechei a noite com aulas na escola também, amanhã vou lecionar minhas demais aulas com um olho no programa e no calendário e outro nos alunos. Tenho muita alegria de participar deste momento crítico, de mudanças e de transição na educação. Vejo que muita cosia avançou de forma incrível para quem efetivamente lecionava e militava em 1990, 1996, 1999 e até os dias de hoje. O que envolve tecnologia, avaliação, métodos, condições, remuneração e formação. Mas sinto muito pelos servidores municipais que caíram de novo através de um baita conto do vigário, manobras, uma rede de intrigas e boatos, na mão deste bando de mercenários e inescrupulosos que tanto mal já fizeram a esta cidade..e digo isto porque tenho muita memória e detalhada das bobagens que já fizeram e que agora recomeçaram a fazer também....mas é o preço da democracia, avançar muito recuar um pouco e voltar a avançar ali adiante de novo...Não tenho pretensão ou ambição alguma, e apesar de ter sempre militado, lutado e estudado a ação política e as concepções políticas desde que me conheço por gente, me sinto como somente um servidor público também como professor...mas me convenço que temos ainda uma grande tarefa nesta vida para garantir justiça social e isso não acontece sem mudar e promover o debate sobre a mudança de forma democrática...e o compromisso de cada um deve ser medido sim...sempre.....não eventualmente ou parcialmente...mas através de juízos e ações, não apenas pela aparência ou pela opinião que a priori já é desfavorável por aversão ou por hábito....e assim vejo muita injustiça sendo perpretada por mercenários e ambiciosos e pessoas que não tem nenhum escrúpulo com os demais...jamais me observarão falando das mazelas ou da vida privada de cada um, mas há aqueles que por covardia e mau caráter topam qualquer negócio....então, apesar da minha perspectiva ser muito boa e positiva, lamento mesmo o que vejo como um VALE TUDO e um QUEM PAGA MAIS LEVA e espero que algumas pessoas que precisam muito refletir sobre isto que o façam e que traduzam isso por ações...de tal modo que certos erros do passado, condutas mal pensadas, jamais se repitam...BOA LUTA, porque ela é sempre necessária...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

CONCEITO DE JUSTIÇA - AULA DE FILOSOFIA DA TURMA – DIA 25 DE ABRIL DE 2014

  1. RAZÃO: O que é razão? – para tratar de Razão Inata ou Adquirida vou adotar uma abordagem indireta ao texto, não vou usar o recurso de explorar a origem da ideia de Deus ou o princípio de não contradição;
  2. 2.       Retomada da aula anterior: Quais os sentidos da razão? (Capítulo 7 do livro didático Iniciação a Filosofia da Marilena Chaui);
  3. 3.       Respostas dos alunos: certeza, conhecimento, sabedoria;
  4. 4.       No interessa hoje compreender a diferença entre Razão Inata e Razão Adquirida (capítulo 8), para fazer isto vou presumir aqui que ter uma razão é a mesma coisa que ter conceitos;
  5. 5.       Ter razão é ter conceitos? Isto é quem tem razão aplica conceitos sobre suas ações e seus juízos?
  6. 6.       Sim, com conceitos nós discriminamos as coisas, discernimos diferenças e explicamos fenômenos;
  7. 7.       Temos um conceito de Justiça? Que se aplica a juízos e a ações?
  8. 8.       Nos chama muita atenção a ação injusta? (adotando a via negativa);
  9. 9.       Alguém aqui já sofreu uma injustiça? (que queira nos dar de exemplo para esta análise?)
  10. 10.   Uma aluna relata a discriminação econômica e racial que sofreu em uma farmácia quando ia comprar medicamentos e ao dar seu cartão de crédito para o pagamento ouviu o que não devia ter ouvido;
  11. 11.   Consideramos isso uma injustiça?
  12. 12.   Mas entendemos que o injusto tem um conceito de justiça, mas que ele não compreende o conceito de justiça em sua amplidão;
  13. 13.   Outro exemplo da aula de ontem em que uma aluna frente a pergunta afirma que sofreu uma injustiça quando sua mãe a abandonou ao se separar do marido (ou seu pai), ao mesmo tempo nesta aula um aluno relata a mesma ocorrência o pai o abandonou quando se separou da mãe;
  14. 14.   A mãe tem um conceito de justiça?
  15. 15.   Mas ela sabe que está sendo injusta?
  16. 16.   Para saber isso teríamos que tomar dela um depoimento e saber se ela refletiu ou não do ponto de vista da justiça do seu ato; teríamos que compreender também o motivo da sua decisão e o que estava em jogo na decisão;
  17. 17.   Nós não sabemos, portanto.
  18. 18.   Justiça, seja em juízo, seja em ações envolve uma relação com os outros; tem sempre uma dimensão social; não se é justo consigo mesmo, nem pó si mesmo (talvez tenhamos que entender que dizer que é justo é sempre um juízo de outros sobre nossas ações ou juízos e que nosso julgamento próprio não é critério definitivo de justiça – de que é preciso conferir socialmente se é justo ou injusto – que nossa reflexão não basta);
  19. 19.   Bem, sobre a razão Inata ou adquirida: o conceito de justiça seria inato se fosse lembrado por nós através de atividades promovidas por nossos professores, ou seja, se já o soubéssemos e coubesse ao professor ou professora reavivar nossa memória sobre este conceito até chegarmos a um conceito amplo e máximo de justiça (lembrar o Mito de Er de Platão e as lições e a maiêutica de Sócrates); sobre a razão adquirida: o conceito de justiça seria adquirido se ele nos fosse ensinado através de atividades promovidas por nossos professores, ou seja, se já não o soubéssemos e coubesse ao professor ou professora nos iniciar e nos introduzir sobre este conceito até chegarmos a um conceito amplo e máximo de justiça;
  20. 20.   Mas enquanto não sabemos isto a justiça se faz presente através das leis e daqueles que as fazem e as aplicam as nossas ações; os legisladores e os juízes;
  21. 21.   Nós elegemos os legisladores – os legisladores tem um conceito de justiça? Nós elegemos vereadores, deputados e senadores tendo clareza de que eles fazem as leis? É aceitável ou razoável admitir que um eleitor ou eleitora vote fazendo de conta ou ignorando isto? Hoje em dia é abundante a informação para todos de que “eles fazem leis”.
  22. 22.   Mas, pergunta um aluno, os juízes tem conceito de justiça?

(esta reconstrução foi feita em 20 minutos para efeito de registros após o desenvolvimento desta aula - os alunos devem completar a reconstrução da aula para o próximo encontro – dicas Al Capone, Bernardo, Erro Médico, Vereador Clientelista, o que é justiça?) 

domingo, 20 de abril de 2014

CEM ANOS DE SOLIDÃO E MIL ANOS DE SAUDADE: GRANDE GABO!!!


Tomo a liberdade de escrever sobre este grande tema e obra e o seu autor que atinge a eternidade, não porque ele me provoca hoje, mas porque já me provocou há muito tempo atrás e o faço, então, por uma certa gratidão ruidosa. Se você pegar pela primeira vez entre as mãos a obra Cem Anos de Solidão e ler dez páginas ou dez linhas e continuar lendo é porque valeu a pena, ou seja, é porque o seu motor deu o arranque necessário ao seu próprio imaginário. Isso, entretanto, é preciso reconhecer não acontece com todos. Porém, penso que é uma experiência literária muito importante e que é recomendável ou será um gesto muito preciso se começar um dia, posto que a partir destes dias e pela dimensão dos acontecimentos e a grande repercussão da morte percebe-se  a grandeza e eternidade do autor. Ainda que esta apreciação dependa de nosso juízo solitário e de nossa ruminação. 

Esta obra, que é mais importante do que qualquer coisa que se possa escrever sobre ela, começa assim:

“MUITOS anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo mês de março, uma família de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores,dava a conhecer os novos inventos. Primeiro trouxeram o imã. Um cigano corpulento, de barba rude e mãos de pardal, que se apresentou com o nome de Melquíades, fez uma truculenta demonstração pública daquilo que ele mesmo chamava de a oitava maravilha dos sábios alquimistas da Macedônia. Foi de casa em casa arrastando dois lingotes metálicos, e todo o mundo se espantou ao ver que os caldeirões, os tachos, as tenazes e os fogareiros caíam do lugar, e as madeiras estalavam com o desespero dos pregos e dos parafusos tentando se desencravar, e até os objetos perdidos há muito tempo apareciam onde mais tinham sido procurados, e se arrastavam em debandada turbulenta atrás dos ferros mágicos de Melquíades. “As coisas têm vida própria”, apregoava o cigano com áspero sotaque, “tudo é questão de despertar a sua alma.” José Arcadio Buendía, cuja desatada imaginação ia sempre mais longe que o engenho da natureza, e até mesmo além do milagre e da magia, pensou que era possível se servir daquela invenção inútil para desentranhar o ouro da terra. Melquíades, que era um homem honrado, preveniu-o: “Para isso não serve.” Mas José Arcadio Buendía não acreditava, naquele tempo, na honradez dos ciganos de modo que trocou o seu jumento e um rebanho de cabritos pelos dois lingotes imantados. Úrsula Iguaráni sua mulher, a que contava com aqueles animais para aumentar o raquítico patrimônio doméstico, não conseguiu dissuadi-lo. “Muito em breve vamos ter ouro de sobra para assoalhar a casa”, respondeu o marido. Durante vários meses empenhou-se em demonstrar o acerto das suas conjeturas. Explorou palmo a palmo a região, inclusive o fundo do rio, arrastando os dois lingotes de ferro e recitando em voz alta o conjuro de Melquíades. A única coisa que conseguiu desenterrar foi uma armadura do século XV, com todas as suas partes soldadas por uma camada de óxido, cujo interior tinha a ressonância oca de uma enorme cabaça cheia de pedras. Quando José Arcadio Buendía e os quatro homens da sua expedição conseguiram desarticular a armadura, encontraram um esqueleto calcificado que trazia pendurado no pescoço um relicário de cobre com um cacho de cabelo de mulher. Em março os ciganos voltaram. Desta vez traziam um óculos ao alcance e uma lupa do tamanho de um tambor, que exibiram como a última descoberta dos judeus de Amsterdam. Sentaram uma cigana num extremo da aldeia e instalaram o óculo de alcance na entrada da tenda. Mediante o pagamento cinco reais, o povo se aproximava do óculo e via a cigana ao alcance da mão. “A ciência eliminou as distâncias”, apregoava Melquíades. “Dentro em pouco o homem poderá ver acontece em qualquer lugar da terra, sem sair de sua casa.“ (Cem Anos de Solidão, PP.7-8.)

Nestas primeiras palavras de seu romance já se vê como Gabo SUSTENTAVA NOSSOS SONHOS QUANDO NOS ERA PROIBIDO SONHAR...para quem não crê em mim, ou quem não me entende, ou para quem não acredite que Macondo exista recomendo que continue a leitura pois descobrirá um continente através desta obra...Enquanto eu sustento aqui que esta é uma obra de quando a literatura era o melhor refúgio de nossa imaginação...ou o melhor refúgio de todos os sonhadores latino-americanos sufocados pelos regimes ditatoriais vigentes nos anos 69, 79 e 80...

A morte de Gabriel Garcia Marquez aos 87 anos, por outro lado e aspecto, é colhida em um ambiente completamente diferente e me parece já um dos maiores fenômenos de discussão cultural e agitação cultural que eu já assisti na rede social. E há que se fazer justiça com este homem: ele escreveu como poucos e talvez seja um dos primeiros escritores a cumprir a receita mais integral de escritor e leitor que conheço. De bula de remédio a um romance, da matéria jornalística a discurso político, de artigo interpretativo a ensaio criativo e inovador. E construiu um estilo e um certa liberdade formal e material, com rigor e precisão, a qual quase todos nós que o sucedemos e a partir de suas letras nos inspiramos, seguimos.   

Mas o sucesso post mortem dele me parece ser não maior, mas fazer par com o seu sucesso em vida, pelo menos na rede social que eu freqüento e no meu círculo de amigos, conhecidos, familiares e alunos, colegas, ex-alunos e ex-alunas que estende arco em todo o Brasil e fora dele. Parece que sua morte precipitou um ataque do anjo, tocando as trombetas e anunciando  não um fim do mundo, cem anos de solidão aos malfadados, mas sim um novo período de trocas e de diálogos. No twitter a hashtag é #gabriel. E tem de tudo, mas nas demais esferas das redes sociais não há página de jornal, ou blog, ou link que não tenha dito algo sobre ele e, na maior parte das vezes algo de qualidade e bem superior a qualquer coisa que eu possa ousar dizer aqui.

E isto tem gerado diversos tipos de discussões sobre a qualidade das obras de Gabriel, mas também sobre a relação entre estas obras e a história da América Latina, as posições políticas de Gabriel e ainda mais as relações entre a obra dele e o momento atual. Eu li muita coisa dele, mas reconheço em Cem Anos a opus mater dele, ou seja, a maior obra que ele escreveu e talvez seja de fato como diz Neruda a maior obra de literatura em língua espanhola após Cervantes.

Já José Saramago parece dizer algo que todos nós sentimos de certa forma ao ler estas páginas: “O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas. Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos.”  

Eu devo confessar que meu contato com ele foi altamente influenciado por uma impressão fantástica e que à primeira vista despertou meu imaginário pela capa do seu livro Cem Anos de Solidão, na edição brasileira da José Olímpio, sim, aquela capa com um mapa da mão humana para uso de quiromantes, mais aquelas duas cartas do Tarot, a número dez, A Roda da Fortuna, e a número quinze, O Diabo, me atraíram a atenção de forma inesquecível na prateleira de uma estudante de arquitetura no início dos anos 80. Além disso, outra que me bate a minha grata coincidência, quando fui folheá-lo me dei por conta que o livro tinha 365 páginas escritas, ou seja que daria para ler ele calmamente por um ano, numa dose de uma página ao dia. E naquela época eu cultivava razoável curiosidade por artes ocultas, divinatórias, profecias, mistérios, sincronicidade, símbolos, números, desígnios superiores e fortíssima atração por qualquer uso da nossa imaginação que possa nos levar ao maravilhoso e ao insondável. Ou seja, não foi uma fase marcada pelo realismo não e, além disso, combinava na minha dieta mental e literária certo engajamento político.



Alguns leitores de Gabo nesta hora enunciaram que viam algo melhor em outras obras dele, mas eu mantenho minha predileção por Cem Anos. É preciso relativizar e refazer certas conexões para explicar isto. Bem, sabemos que cada um lê aquela obra à sua própria forma. Sabemos que nem todos tem algum  gosto por imaginar aquele mundo de fantasia, mas eu sempre lembro da prosa fantástica a partir de dois vieses. Um deles é em que sentido ela nos leva para outro mundo o outro é como ela dá narrativa às coisas deste mundo de uma forma diferente e para as quais as palavras de que dispomos ainda não estão com a gente. Eu admiro muito este livro porque a leitura dele foi feita num tempo em que muitas coisas tinham que ser ditas, sonhadas, escritas, cantadas, versejadas e poetizadas por metáforas, porque não se podia dizer diretamente quase nada sobre o que vivíamos. Os discursos políticos eram clandestinos naquele período, eram considerados perniciosos e um bom bocado da prosa se centrava em outras coisas para evitar a acusação de subversão. Aqui no Brasil era assim e na América Latina praticamente inteira foi também deste modo. Então a fama e o prestígio de um escritor como Borges, Octavio Paz, Graciliano Ramos, Julio Cortazar, Érico Verissimo e muitos  outros raramente era acompanhada de uma abordagem de sua posição política. As posições políticas precisavam ser buscadas nas entrelinhas, num detalhe de uma entrevista ou através de um gigantesco exercício de leitura de uma prosa. Era uma conjuntura histórica difícil, onde toda a esquerda latino-americana sofria o revés da Guerra Fria e das trevas que recaíram sobre nós nos anos 60, 70 e 80...Mas isso deve ser relativizado também neste aspecto, porque o que marcará a obra de Gabriel não é tanto sua posição política ou sua extrema qualidade literária, mas provavelmente o diálogo destes dois componentes com o seu tempo, com o que todos nós vivíamos na América do Sul e Central nestes anos.
Quando você pega um disco do Chico Buarque dos anos 70, ou a poesia de Neruda dos anos 60 percebe que naquela época família, autoridade, fé e poder na América Latina tinham suas restrições de abordagem... E em praticamente tudo que foi escrito, cantado ou pintado naquele período que vale a pena ser visto, ouvido ou lido , há esta marca indelével do viés, do contorno, de um certo drible ou burla necessária à realidade para confrontá-la. Naquela época a fantasia não era um recurso de originalidade, mas sim um instrumento de proteção, um mecanismo de defesa consciente perante a repressão, censura, admoestação e provável perseguição. E é bom que se diga: muitos não conseguiram burlar o sistema repressivo generalizado em toda a América latina e a conta de mortos, feridos, torturados, perseguidos e violentados e censurados do período é arrasadora. A conta de obras destruídas, de mãos decepadas, de línguas mutiladas e a arrasadora violência que se abateu sobre muitos, milhares e milhões não é pequena. Então esta dimensão de Gabriel Garcia Marquez fazer frente e representar o sonho de uma outra realidade possível deve ser feita e sopesada sim. E quando ele conquista o Nobel em 1982 para a América Latina oprimida foi praticamente como a libertação do Mandiba ou Mandela para a África do Sul. E é bom que se diga, o Nobel de Gabo marca para mim, em especial um movimento de reação não somente na superestrutura, mas também nas ruas. É quase da mesma época (1980) a gloriosa reação dos jovens militantes sociais que sonharam, planejaram e executaram um ato político no qual impediram a inauguração da Praça Argentina pelo ditador Jorge Rafael Videla em Porto Alegre.  

"Você não gosta de mim, mas sua filha gosta..." Cantava Chico para determinado General cuja filha – e eu poderia dizer aqui “filhas” – gostavam das canções de Chico. Eu me deliciava ao máximo ao ler Cem Anos, pela metáfora e pela fantasia engraçada do nosso mundo latino e trágico....e porque ele mostrava nos ápices de distorção da realidade, quase como a guitarra de Jimmi Hendrix distorcia as notas e tamburilava as notas para além de um cânone com pura invenção, assim gabo mostrava que haveria um espaço para nossa melodia ou nossa ousadia nas teclas de uma máquina de escrever. Era, então, ao ler ele, perceber que era possível sonhar.  

Sim, mas olhando para o todo da obra dele superficialmente em sua cronologia é que percebemos que são livros de tempos históricos e políticos diferentes. Mas ele enfatizou que toda a sua obra versava sobre a solidão e que a solidão era seu tema principal. Fiquei a pensar como isto vira algo universal e conclui que a única possibilidade disto é tocar em todas as nossas almas, não por singularidade ou originalidade, mas pela velha e boa verossimilhança como diria Aristóteles. Gabo, para mim, não era mais genial do que Borges, mas possuía um gênio que foi capaz de ser o escritor da América Latina de uma dimensão superior, pois foi tal coisa quando a América Latina precisava muito disto. E isto, eu suponho, devia ter sido uma coisa muito consciente para ele. Não se tratava mesmo de uma sabedoria dissimulada. Me parece muito em entrevistas e em suas ações que Gabo era autoconsciente de seu papel histórico além  de literário. Isso quer dizer que ele tinha nas suas letras e escrituras algo da alma de todos e não somente seu próprio gênio. E escritores assim ultrapassam a condição de gênios e se tornam lideres e fundadores, pois tem em si mais que a originalidade, tem a familiaridade e a similiariedade em comum com seus contemporâneos e conterrâneos de um vasto continente que quer se libertar para ser real em seus sonhos, fantasias e que quer certas possibilidades que outros gostariam de impedir. Por isto, a sua escritura é fundamentalmente um ato político e que nos abre um futuro para a imaginação de todos nós.

Ontem estava lendo um texto sobre as 1 milhão e 500 impressões de Cem Anos no Brasil e me dei por conta que todos nós que o lemos viramos de alguma forma escritores de nosso tempo e de nossas gerações...portanto o alcance deste livro na popularização da leitura, na disseminação da escritura não pode ser subestimado...e mesmo os professores de filosofia ou lógica também o são à sua forma...então, a passagem dele marca algo de fato grandioso para a cultura da América Latina, cuja grandeza nos desafia a compreensão e a interpretação...e tal tarefa não se termina aqui.

Gabriel nos parte e deixa muita coisa boa para ler e reler...e parece que todos que o leram escrevem, seu Gabriel....foi, então, mais um parteiro neste mundo...aqui fecho um texto da minha lavra e mão...nem numa grande profecia, isso seria previsto...que a literatura de alta qualidade continue gerando mais escritores e mais ousadias nas palavras...e assim se termina sua obra, na página 364, no penúltimo dia de minha leitura...

“Macondo já era um pavoroso redemoinho de poeira e escombros centrifugados pela cólera do furacão bíblico quando Aureliano pulou onze páginas para não perder tempo em fatos demasiado conhecidos e começou a decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse se vendo num espelho falado. Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circunstâncias de sua morte. Porém, antes de chegar ao verso final já havia compreendido que não sairia jamais daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilônia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo estava escrito neles era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra.”

(Cem Anos de Solidão, p. 364)

Me é muito emocionante ler isto de novo, me parece que acendeu uma estrela na minha cabeça quando eu li isso pela primeira vez...e agora tal estrela que nunca se apagou desde lá brilha muito mais...

Muito obrigado Gabo!
No dia do índio, 19 de abril de 2014...


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Vejo impiedade, crueldade e perversão para todo lado...

BOM DIA...

quer dizer, vamos ter que fazer ser...
tá bem dureza a vida...

Vejo impiedade, crueldade e perversão para todo lado...

Não consigo aceitar o assassinato frio e premeditado do Bernardo e nem consigo escrever muito sobre isto, porque me dá uma espécie de assalto emocional, mas creio que é um crime cuja repercussão terá que tocar na forma como todos nós cuidamos das crianças, como as escolas cuidam das crianças, como o MP atua e apura seus casos, como o Conselho Tutelar atua, como os Juízes julgam....e é preciso ligar certas pontas nisso tudo.

Temos que pensar também sobre este surto de adultos EGOÍSTAS E QUE SÓ PENSAM EM OSTENTAÇÃO...ao olhar o perfil aqui no FACEBOOK da madrasta ao ler com atenção todas as notícias relacionadas me dá uma dor em como é que ninguém na família da ma~e do menino ou na sociedade no entorno desta família não ligou os pontos...o que inclui a Polícia Civil nisto também...

Cheguei a comentar numa postagem da Kata que é um crime de elite, cujas caraterísticas são de elite...e isso se mostra porque parecia haver uma presunção de impunidade compartilhada e implícita na atuação e na aposta das três pessoas do caso: o Pai, a Madrasta e a Cúmplice que aplicou a injeção letal...

Como isso é possível? E creio que é necessário pensarmos seriamente nisto relacionado aos demais crimes de família que andaram ocorrendo no RS, nos últimos dez anos...eu sinto como que um temor a algo como espécie de ideologia criminal nas famílias de classe média e elite no RS que se mostra no modo como são educados os seus filhos sob uma ideologia de vencer a qualquer preço, seja de que forma for.

Estamos assistindo jovens e adultos que em suas condutas e escolhas se exibem em um hedonismo e consumismo tolo a mais não poder, e numa forma de tratar o próximo e os semelhantes em que o que é mais importante não é a gentileza, mas o vale tudo, o chega prá lá, o não tô nem ai, o azar é seu e etc...

Esta é uma forma de racionalidade absolutamente desumana, predatória e competitiva...

Portanto, eu creio que devemos então pensar no significado disto tudo....e me desculpem aqueles que julgam que estou pegando pesado ou sendo extremoso, mas é exatamente o que percebo...

O assassinato do Bernardo, a irresponsabilidade na Boate Kiss que levou à morte 242 jovens, os acidentes diários no trânsito por imprudência e direção ofensiva, o discurso absolutamente insensível de certas categorias profissionais, o sacrifício de todos os valores e princípios por um STATUS ou que se subordina a um princípio de VENCER A QUALQUER PREÇO não importando o que se sacrifica no caminho...a mentira e o vale tudo, as injustiças e também a distorção deliberada dos fatos e da realidade a serviço de uma ideologia burguesa e mesquinha....tudo isso é para mim uma coisa só....   

terça-feira, 15 de abril de 2014

ATÉ A MORTE, LIVRE...

Estes dias dei uma aula sobre esta questão apresentando aos alunos e alunas algo parecido. A questão filosófica mais atual não é tanto saber o que vem antes da vida, de onde viemos - ainda que tal questão tenha sentido, ou o sobre o que vira depois, se nossa alma e´imortal ou não, mas sim a questão da vida que você vai escolher levar até a morte. E que sobre isto temos uma construída e conquistada gigantesca liberdade de escolha como nenhuma outra geração antes da nossa e que é sempre bom lembrar que muitos seres humanos não possuem esta condição sequer de pensar em escolhas ou opções. Somos - alguns de nós e muitos sem saber - seres humanos privilegiados que podemos definir nossa vida, projetá-la e construí-la. E ainda que a força do imponderável, imprevisível e da natureza se interponha entre nossas realizações e existência diria que alguns de nós - em especial os jovens - tem um jogo inteiro para definir. Até que a morte nos separe destas opções e escolhas, vivências e emoções. Mas até lá é com você e não se faça de rogado, nem se ponha a lamentar, resmungar ou reclamar. Vá à luta meu chapa.... 

MEU PAI...

Tomando um bom cálice de vinho e pensando no meu pai que me deu - com minha mãe - o privilégio de estar vivo neste mundo e poder viver o que vivi, o que vivo e o que será do amanhã, pensar,,fazer coisas, escrever, conversar, ter amigos, ter alunos, minhas filhas e minha família. Eu sou apenas um menino que cresceu...Completaria 73 anos hoje meu pai e eu saberia sempre um pouco mais com teu empurrão, tua mão, teu olhar e teu sorriso. Uma saudade imensa e uma lembrança que fica a cada dia mais nítida e mais maravilhosa. Vai saber?!, você diria...Agradeço tudo que me deu e que descobri com teu juízo e teus impulsos...

sábado, 12 de abril de 2014

ACORDA SÃO LEOPOLDO

Bom Dia...ACORDA SÃO LEOPOLDO!!!...as aulas de ontem à noite e a reunião da escola OLINDO FLORES DA SILVA foram canceladas por conta da chuvarada...ainda bem que a chuva vem amainando...muita água caiu na cidade, mas tem muito lixo na cidade, tem muito buraco na cidade, tem uma industria para fazer muita multa na cidade e tem muitos sinais de que as cabeças de algumas pessoas não estão legais...a gente nota isso quando começa a perceber o contorcionismo flagrante para evitar que chegue a vez deles responderem pelos seus atos....você discute assuntos locais e quando vê os bonitinhos desviam o assunto para o governo estadual e federal como sempre para evitar que se fale DELES AQUI EM SL...isso é muito comum entre os covardes...usar os outros para justificar seus próprios erros...como já disse a CHOQUE DE GESTÃO sem efeito algum, EM PRIMEIRO LUGAR AS PESSOAS sem efeito algum....AUMENTARAM OS CCs, E TAMBÉM JÁ GASTARAM TODAS AS COTAS DE VIAGENS NA CÂMARA PARA APERFEIÇOAR O TRABALHO LEGISLATIVO...e as coisas não melhoram nem na CÂMARA e nem no EXECUTIVO...o que ocorre é a indústria da multa...priorizando multas e arrecadação e deixando de atender aos cidadãos....na semana passada uma amiga pediu para avisarem a PREFEITURA MUNICIPAL que as férias acabaram....NESTA SEMANA TOMOU POSSE O SEGUNDO NÃO EDUCADOR NA CABEÇA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO...- isto para mim é um ESCÂNDALO E UMA OFENSA ao nosso estudo e ao nosso trabalho de educadores -  o que é isso DR.?....as políticas de habitação inexistem em São Leopoldo como tem denunciado o vereador Castro....e ontem o vereador Carlinhos Fleck nos informou que TODAS AS TAXAS DA PREFEITURA SERÃO MAJORADAS...e segue-se dia e mais dia e a velha desculpa da administração anterior continua sendo usada e após 16 meses de governo o resumo é que: ESTE GOVERNO DO PSDB, PMDB, DEM, (e parte do PSB, porque já encontrei gente do PSB que nega isso veementemente) É MUITO RUIM....e um sintoma flagrante disto e ver um vereador posar ao lado de uma CAÇAMBA DE CAMINHÃO que deixa uma CARGA DE BRITA EM UMA PRAÇA  e julgar que isso é uma obra ou que isso é de sua competência...ver um VEREADOR USAR OS EU GABINETE PARA ATENDER AS DEMANDAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS DA COMUNIDADE NÃO É INTERMEDIAÇÃO E CLIENTELISMO?....na Cultura as coisas vão de um jeito inacreditável viu e a Praça do Imigrante abandonada, o monumento em homenagem ao ex-prefeito Theodomiro Porto da Fonseca (1928-1944) encontra-se abandonado e sujo e os comerciantes do triângulo depositam lixo ao seu redor em frente à Secretaria Municipal de Segurança Pública....teria uma tonelada de exemplos....TEREMOS UM INVESTIMENTO DO 11 MILHÕES EM PARDAIS EM SÃO LEOPOLDO...enquanto a PRAÇA DA JUVENTUDE foi abortada....ainda teria exemplos diários de absurdos...mas quem vai responder?...a maior parte dos comissionados deles dá de ombros e diz que o prazo deles é 2016...outros estão só pela eleição de 2014...e ainda hão os malucos e fanáticos que respondem instantaneamente sem vínculo orgânico algum com a administração ou a nossa cidade.....estes dias tive que discutir com um néscio que mora em Campo Bom e quem vem fazer turismo aqui uma vez por mês em São Leopoldo...dá vontade de contratar uma caçamba de caminhão e levar todo o lixo que fica no terreno baldio aqui na frente de casa e levara para a frente da casa dele....e é claro que ele num vai gostar....portanto lidarmos com um corpo de defesa desta administração que é doente e uma equipe de trabalho que é doente....é um corpo sem objetivo comum....uma parte corre para um lado e outra para o outro...alguns agora tem agenda permanente na Rua Grande para dar visibilidade aos seus candidatos: mas alguém vai perguntar ainda O QUE FIZERAM ATÉ AGORA? Bado Jacoby ou Leandro Franciscus Zambrano ?....o certo é Juliano Maciel que eles não trabalharam ainda e talvez comecem a trabalhar de fato no último ano de governo se sobreviverem a OPOSIÇÃO REAL DO POVO DAS VILAS E DA CIDADE...porque oposição não é só na CÂMARA NÃO....e o Ary Vanazzi resiste lutando bravamente e cobrando bravamente os absurdos que eles fazem...assisti tanto Ronaldo Zulke Perfil Lotado quanto a Ana Affonso II tentarem trazer projetos para São Leopoldo apoiarem a gestão pública acima de partidos e não vejo nem comprometimento técnico e nem capacidade política de realizarem parcerias...a delegacia da mulher e outras iniciativas esbarram em bloqueios e dificuldades típicas de quem não tem capacidade de gestão ou de quem não compreende seu papel de gestão...a prioridade da gestão parece ser o conflito, a continuidade da vendetta, a perseguição de funcionários e conheço diversos funcionários de extraordinária capacidade e de dedicação inquestionável ao serviço público que são escanteados em favor de CCs de fora de São Leopoldo sem capacidade técnica ou política alguma...sem levar em conta os neófitos arrogantes - os marinheiros de primeira viagem, que posam como se fossem comandantes de navio de 500 batalhas e ainda não fizeram nada...vejo muitos lutando contra os absurdos na saúde, a falta de médicos que hoje é pior, a falta de condições de trabalho que é pior, a recusa de atendimentos Vagner Souza Dos Anjos e ainda vejo também os desocupados da pior espécie desta cidade arrodeando o prédio da prefeitura em busca de benesses, adjutórios, amparos, cargos e qualquer cosia que possam obter para seu projetos pessoais...postaram ontem uma coisa que mostra não a ousadia da oposição, mas a calamidade da cidade: PERGUNTA SE VOCÊ APOIA UMA CPI CONTRA O PREFEITO....eu não apoio isso...o prefeito foi eleito legitimamente, com argumentos ruins, sem projeto e amparado em um ataque a Administração do Vanazzi cuja coleção de mentiras ultrapassa o mínimo razoável...mas deve é TRABALHAR....e o nosso papel de cidadão é cobrar isto..salvo se houver fragrante e bem verificada ilicitude....mas me disseram que o mesmo já voltou às lides de seu consultório particular - seria verdade isto?...ou seja que nosso PREFEITO NÃO TEM - como eu temia  - DEDICAÇÃO EXCLUSIVA MAIS...bem uma administração assim não pode dar certo...não vou falar de testa de ferro, nem sequer tocar no tema do alardeado todo poderoso, pois vejo mais mal para ele cujo destino há de ser trágico, do que bem para mim ou para o povo....então é isso meus chapas Dave David e Ezequiel De Souza....e não adianta mesmo conversa mole ou papo de zé bonitinho no que se refere à cidade...ACORDA SÃO LEOPOLDO...aquele slogan MUDA SÃO LEOPOLDO era de mentira viu Zé Carlos? ....ou pior a única verdade nele é que SÃO LEOPOLDO mudou para pior....regrediu e  retrocedeu décadas em menos de 16 meses de governo....durma com um barulho destes....

quinta-feira, 10 de abril de 2014

ILUMINISMO e EDUCAÇÃO

Ontem foi um dia legal na escola e na vida por diversos motivos...por minhas aulas sobre a filosofia segundo Pitágoras, pelo divertido e leve trabalho do seminário integrado, pelas mudanças positivas e notáveis de alguns alunos, por uma experiência de gentileza máxima que tive que é quase inexplicável de tão gratificante e maravilhosa e que só seria possível pelo acaso ou por alguma mensagem superior, pelo meu trabalho geral em casa e meu elevado humor, pela revisão à caneta do rascunho da montanha da vida...

E também pela notícia da minha colega e professora de inglês Cátia que me veio ao recreio e me olhou e disse..Bah Daniel, um aluno do segundo ano me fez praticamente chorar...eu olhei para ele e perguntei o que ele andava lendo?...e ele me respondeu singelo: Estou lendo o Contrato Social professora, do Jean Jacques Rousseau!! Imagina isso Daniel? eu dei de ombros e disse apenas: sou bem mais otimista que a maioria e sei de tantas notícias semelhantes a esta que quando digo que a educação está melhorando e que a tecnologia também está nos dando oportunidade para viver um dos momentos mais incríveis da humanidade poucos acreditam....

Para mim tem uma revolução acontecendo que só será percebida por quem está em sala de aula, por quem conversa com os jovens, por quem lhes dá atenção, tenta orientá-los e estimulá-los todos os dias...é muito fácil reclamar do Google e do Smartphone eu quero ver é você valorizando esta gigantesca possibilidade de acesso ao conhecimento que ora se apresenta...

APOSTO NA EDUCAÇÃO, APOSTO NA TECNOLOGIA, SÓ LAMENTO NÃO PODER SER PROFESSOR PELOS PRÓXIMOS 30 ANOS- tem uma REVOLUÇÃO VINDO AI PESSOAL - e ela será surpreendente - DIAS MELHORES PELA FRENTE!!!


Para terminar ROUSSEAU eu cito sempre em aula e aqui: "É preciso obrigar os homens a serem livres."

quarta-feira, 9 de abril de 2014

IN MEMORIAM DE AUGUSTO CESAR CUNHA CARNEIRO – 1922-2014

VAI CARNEIRO REENCONTRAR A ROSA DA TUA VIDA - 

...e nós que ficamos te agradecemos muito pelas lições, conversas francas, idéias de natureza e humanidade, livros, muitos livros e teu passo tranqüilo que tantas vezes acompanhei, vi chegar e vi partir, vi passar e vi subir escadas e ruas deste mundo, matas e campos deste mundo...

MUITO OBRIGADO, 

O MUNDO AGRADECE A TUA PRESENÇA, 
A NATUREZA GRADECE TUA PRESENÇA, 
OS ANIMAIS AGRADECEM A TUA PRESENÇA 
E HOMENS E MULHERES, CRIANÇAS E IDOSOS 
AGRADECEM A TUA PASSAGEM POR ESTE MUNDO....

minha lembrança se referta de tuas lições e exemplos....


IN MEMORIAM DE AUGUSTO CESAR CUNHA CARNEIRO – 1922-2014 

domingo, 6 de abril de 2014

DEMOCRACIA, LIBERDADE DE EXPRESSÃO E SUAS CONDIÇÕES NO BRASIL: PEQUENA ANOTAÇÃO

Vou começar citando o Prof. Dr. Renato Janine Ribeiro aqui para iniciar esta discussão:

“Três ou quatro episódios tematizam a pergunta: liberdade para quem diverge de nós? liberdade para quem defende a ditadura? Amigos discutem. 
Vou discutir sem tocar nos fatos, porque estes apenas esclarecem se o caso se enquadra ou não na regra geral.

A liberdade de expressão é valor supremo na democracia. Tão alto que está se emancipando da liberdade de imprensa. Esta última tem de ser exercida por organizações de mídia. A de expressão começava com o maluco inglês falando sobre um caixote no Hyde Park, e hoje toma a Internet. Não deve ser violada.
Mas inclui ela a incitação ao crime? Não. Incitar alguém a cometer um crime é já um crime. Não há liberdade de expressão para pregar "mate policiais". Então, por que haveria liberdade para defender a repressão aos negros, a desigualdade entre homens e mulheres, a tortura, prisão e assassinato de quem não concorda conosco? 

Defender a ditadura é pregar que se cometam crimes contra pessoas determinadas e, contra a sociedade inteira, o megacrime que é privá-la do direito de escolher. É, portanto, pregar um crime de altas proporções. Tanto que no Brasil é ilegal o racismo, nos EUA se punem os crimes de ódio (como os da homofobia) e na Alemanha a pregação do nazismo é proibida.

Não entro nos detalhes dos casos que têm sido discutidos, como o do senador Alvaro Dias e do professor de Direito da USP. Entrar neles é discutir se os fatos precisos se ajustam ou não aos princípios éticos que, por isso mesmo, discuti. Portanto, só faz sentido partir para os casos já se sabendo dos valores. Por exemplo, se alguém pensa que a democracia deve admitir até mesmo os discursos contra a democracia (posição oposta à minha), por isso ela avaliará o caso Largo S. Francisco diferentemente de mim. Não serão os fatos que estarão em jogo.” por Renato Janine Ribeiro.  

O nosso grande professor Renato Janine Ribeiro me provoca decisivamente neste domingo. Posto que  tenho pensado muito nisto ultimamente, nos ataques a democracia que a própria democracia permite ou tolera ou frente ao que mesmo os democratas tem feito muito pouco  e eu creio mesmo que esta não é uma questão de preferência, nem política, nem partidária, mas sim uma questão que envolve os nossos conceitos de liberdade e de democracia na práxis e nos seus limites de existência real. Ele tem sim, muita razão quanto a tipificação de crime na incitação, mas creio que há algo mais ai.

Penso que temos que debater para esclarecer e construir um conceito mais claro ainda de liberdade de expressão e de democracia. Concordo com as posições e diria que diferente de outros defendo um conceito de liberdade condicionada pela democracia, ou seja, você tem liberdade de expressão desde que na tua manifestação não te coloques contra a liberdade de expressão de outros ou a liberdade e os direitos dos outros. 

E, neste caso, quem faz apologia da ditadura, defesa de soluções arbitrárias, defesa ou elogio ao autoritarismo num regime democrático lhe é contrário. Incita contra a lei, não de um ponto de vista crítico mas propagandeia outro regime e se, portanto, deve ser devidamente penalizado -  há que se prever as penas para isso inclusive? 

Os casos que podemos colocar aqui - de políticos, militares, jornalistas, intelectuais - ou seja lá quem for deverão ser sopesados. No caso, muito conhecido, do discurso político incitando ao crime contra direitos humanos defendo a perda do mandato e a inelegibilidade por dez anos. Sem meia pataca ou meia medida. 

A democracia não pode ser um regime sem suas próprias salvaguardas e sem mecanismos de auto-preservação. Enfim, me lembrei do velho Rousseau: precisamos obrigar os homens a serem livres.

Depois de dizer isto recebi uma crítica sobre os excessos ou de estar acreditando excessivamente em bravatas. Pensei mais um pouco e conclui outros problemas ai.  Nós temos alguns problemas ai que não são exatamente de excessos. Jamais sacrificaria a realidade por um excesso conceitual, ou por uma impressão excessiva ou exagerada do que alguém diz. Alguns dos que defendem que a liberdade não deveria ser condicionada o fazem, também, por uma visão de que os fatos ou a realidade deveriam se curvar ao domínio da razão e do conceito. Alegam que este procedimento de condicionar ou introduzir um critério de exceção na liberdade traz uma contradição do conceito.

Reconheço que o problema não é defender em tese a ditadura, mas sim defender as práticas da ditadura, os métodos e o descumprimento da lei. Não tenho bem certeza se foi Hobbes, mas creio que foi: o direito à sedição tem seus riscos. 

E um dos problemas que nós temos de justiça social na nossa sociedade é que os únicos que tem pagado por estes riscos de serem vistos como sediciosos são os militantes do MST, os "bandidos organizados" do PCC e, no entanto, sobre os reaças, os agitadores autoritários eos que fazem discursos racistas, sexistas, fascistas ou preconceituosos poucas penalidades lhes recaem de serem exemplos de contra a lei. 

Eu assisto muito impressionado um  parlamentar usar sua prerrogativa de imunidade para fazer isto. E entendo que quem promove atos de violência no campo e de ação e violência na política, os que emulam ao não cumprimento das leis e nada sofrem. E fazem isso usando aparelhos de estado e usando recursos partidários e em espaços públicos como a universidade. 

Eu considero isto intolerável e é um erro haver omissão, assistir-se a isso sob o manto de uma pseudo liberdade que só vale para estes sujeitos em suas excepcionalidades. Eles não me parecem fazer bravatas, assim como Hitler não passou de 1919 a 1933 fazendo bravatas. É sim um pensamento e um conjunto de práticas de agitação, propaganda e organização de objetivos anti-democráticos que enfrentamos ai. Tolerar isso me parece permitir que este maldito fantasma do passado seja reavivado. 

Mas sim reconheço que julgo em excesso, mas é de excessos e abusos que estamos a tratar aqui. Para cada doença, há que se encontrar o remédio devido. E reconheço que me preocupo com isto e sei que não estou só nesta preocupação que não é somente conceitual. O arbítrio é uma memória e uma lembrança muito dolorosa para a minha consciência e repugna profundamente a minha inteligência. E ainda que sinta todas as dificuldades nesta prosa vou procurar ver mais sobre estes temas em defesa da democracia e de modo a ser justo e impedir retrocessos históricos em nosso regime político e em nossa sociedade.

SOBRE A PESQUISA DO IBOPE QUE DÁ VANTAGEM A ANA AMÉLIA LEMOS DO PRBS E DO PP

Creio que devo dar razão ao Benedito Tadeu César que disse certa feita que o RS tem um pêndulo político, em que o estado está historicamente embrenhado de eleição em eleição, sempre recuando e avançando...parando e recuando..parando e avançando e assim vai indo...e é assim que eu vejo o atual cenário também, com possibilidades de recuo ou de ficar parado, caso o governador não seja reeleito...

Este pendulo também pode ser chamado de gangorra e a figura pé usada também no futebol em que alguns dizem que existe uma gangorra entre o Inter e o Grêmio. Ma seu não estou tratando aqui no fundo de alegrias de torcida ou de trunfos em jogos. Estamos tratando aqui dos destinos políticos, administrativos e econômicos do estado do Rio Grande do Sul.

Ao pesquisar um pouquinho mais encontrei uma narrativa sobre a gangorra política a favor do PTB e contra o PTB na política gaúcha no período de 1947 a 1964 pelo Sereno Chaise  (escrito com Luciano Klockner. O Diário Político de Sereno Chaise: 60 anos de história. Porto Alegre. Editora AGE, 2007, 217p. ) creio que se avançarmos um pouco em uma análise, vamos encontrar este fenômeno hoje mas com uma nuance diferente, por conta da sucessão de partidos PMDB (1986-1990), PDT (1991-1994), PMDB (1995-1998), PT (1999-2002), PMDB (2003-2006), PSDB (2007-2010), PT (2011-2014). Desde Amaral de Souza (de 1979-1982) da ARENA)indicado pela ditadura e que foi sucedido por Jair Soares (PDS, 1983-1985), sempre mudaram os governos e ao contrário do que Chaise chamou de ”muitos avanços independentemente de quem estava no poder” (p. 19) aqui no RS de hoje isso não é mais o caso mesmo desde 1982 e não sou em quem vai ser generoso e ingênuo aqui às custas do estado, seus recursos e sua gestão. 

Ao mesmo tempo, todas as eleições deste período de redemocratização foram intensamente disputadas. Somente na última 2010, na eleição de Tarso Genro, não assistimos a um segundo turno dramático e intenso, como se deu em 1994, 1998, 2002, 2006. E em todas as eleições desde 1982 assistimos a intensos arranjos políticos, grandes disputas internas em quase todos os partidos e em nenhum do casos os governadores não haviam sido ungidos com mandatos anteriores.    

A pesquisa também publicada no UOL que compartilho aqui e na Zero Hora de domingo, páginas 6 e 7, de 6 de abril de 2014, deu que a pré-candidata Ana Amélia Lemos (PP) tem uma vantagem na estimulada de 7 pontos percentuais sobre Tarso Genro (PT) na disputa para o Piratini. 38% a 31%. Com baixo índice de não sabe e não respondeu.  Já na espontânea temos certo contraste pois há uma inversão relativa Tarso tem 11 pontos e Ana Amélia 8 pontos, com um número importante de 71% de não sabe ou não respondeu. Alguém mais triunfante poderia corre para o já ganhou e outros poderiam desistir da peleia considerando seriamente uma derrota e colocando a violinha no saco. Ao mesmo tempo, não imagino José Ivo Sartori do PMDB com menos de 20% dos votos. Não creio que a fatura está fechada e que deva se estimular isto nem pensar assim.

O resultado da pesquisa é prima facie ruim para o Tarso, mas dá um choque em toda a opinião pública, também, e traz a baila o desafio a todos em parar um pouco para pensar nos destinos do RS. Fiquei pensando nisto e considero melhor desta forma, posto que com esta pesquisa abre-se o debate sobre a natureza do atual governo em desvantagem e se evita a velha soberba que é somente a pior conselheira política neste caso.

Posto que se Tarso estivesse na dianteira poderíamos viver um momento de falsa tranqüilidade, salto alto e um triunfalismo para o seu campo de apoiadores e uma  certa segurança muito prejudicial à sua campanha e ao seu maior desafio que é fazer saber ao povo e aos eleitores em que mesmo que ele avançou nestes 4 anos de governo, e assim uma possível vitória de Ana Amélia Lemos e do PRBS ficaria praticamente garantida pelo véu da ignorância. Agora com esta pesquisa IBOPE não. 

E ela abre um debate sobre a posição de todos os gaúchos em relação à volta ao passado e em relação ao atual governo de forma mais intensa.

Há que se debater mesmo o que é melhor, sem paixões e mesmo quem seja portador e defensor de uma visão exclusivamente corporativa – e na minha área de atuação profissional isso é bem possível - , ou daquele simplismo que espera soluções absolutas para uma realidade que não tem e não oferece instrumentos para isto, inclusive para os que julgam Tarso ruim.

Minha posição política aqui é que eu prefiro mais do Tarso do que às outras duas opções. Até mesmo porque vislumbro um segundo governo bem melhor que o primeiro, com soluções para diversos setores como o meu próprio e tenho convicção que um estado forte vai ajudar com mais avanços econômicos e culturais.

Eu não tenho temor frente à resultados eleitorais mais, para mim não se trata a política como uma tábua da salvação da minha categoria profissional e espero que mais gente pense assim, sem desistir de lutar e de fazer uma disputa ideológica na sociedade. Não vejo alternativas mais à esquerda com viabilidade e sustentabilidade e não aposto à direita e nem ao centro, como aliás sem nenhum arrependimento nunca apostei.  Mas também penso mais como creio que qualquer um que não é capaz de pensar em Ana Amélia como alternativa ou a volta de um PMDB mais à direita como alternativa - que as outras opções são retrocessos e não estou disposto a deixar acontecer ou me omitir nesta disputa.

Para mim não é mesmo tudo igual e se alguém acha que está ruim vou lembrar só dois governos: do  Antonio Britto e o da Yeda Crusius, cujas ideologias originais neoliberais e privatistas e depois de déficit zero tendem a perder e serem consideradas mitigadas para as duas opções atuais da direita e do centro do estado que se avizinham. Não sei se é preciso que todos nós tenhamos que passar por isto, por um avanço da direita e da ultra direita no estado ou se vale a pena passar por isto de novo ou cousa pior, que é o que vejo.


Então, cabe sim discutir as pesquisas eleitorais tendo em vista que papel militante e reflexivo cada um de nós vai ter neste cenário e em suas conseqüências eleitorais e para a gestão do nosso estado.

AO BENEDITO TADEU CESAR - CIENTISTA POLÍTICO

Grande Benedito Tadeu Cesar . Li com muita atenção teu depoimento pessoal sobre o dia do golpe e a Ditadura Militar e depois li também o debate sobre tuas opiniões e tua filiação ao PT incidir ou não em tuas análises e a tentativa que se repete contigo e com praticamente todos os intelectuais e cientistas sociais petistas de impingir a pecha de tendencioso ou de um cientista desonesto intelectualmente.

Acabei achando essa discussão, porque estava envolvido num debate sobre o quadro eleitoral atual no RS e pensando e pesquisando para ver onde foi que eu li ou ouvi algo sobre a gangorra política do estado. Havia dito em meio a uma análise da pesquisa eleitoral que o estado do RS está sempre recuando e avançando...parando e recuando..parando e avançando e assim vai indo...e sei que Isto está ligado ao fato de nunca haver uma reeleição de governador por aqui. Desde o positivismo é claro. E eu atribuo esta ideia da gangorra a você, talvez inadvertidamente ou equivocamente.

Fui aluno de outro curso da UFRGS, Filosofia,  mas muitos dos meus principais amigos e amigas das ciências humanas, foram seus alunos e sempre gostei de tuas análises políticas, seja nas eleições, seja no dia a dia. Não vejo nenhum prejuízo na tua posição ou militância. E, ao contrário de alguns críticos, que julgam que basta ser PT para pensar tudo igual, considero que há uma diversidade de leituras e de pensamento no PT, que se fossem bem compreendidas iriam gerar muito espanto nos néscios e nos pretensiosos. Certa feita disse para um rapaz pretensioso que se ele estudasse o PT iria encontrar mais idéias diferentes dentro do PT do que fora dele, para provar o quão o PT possui diversidade e democracia interna.

Já te vi defender posições contra-corrente, assim como vi defender posições majoritárias e assim não julgo nenhum prejuízo em teus juízos políticos e nem vejo construíres posições sem reflexão ou por alguma forma de automatismo. Bem diverso de outros, creio que tuas análises ganham realidade e concretude pelo fato de seres um militante real, e não de mera opinião e que reflete sobre isso, com inflexões práticas desde muito tempo. Não por ocasião circunstância ou necessidade premente de patrulhamento ou cassação, invalidação e impugnação das opiniões de outros. O que considero uma espécie de oportunismo. Pos são pessoas que não dedicam um dia de suas vidas aos afazeres políticos e tentam terçar ou invalidar as posições de quem estuda ou de quem dedicou sua vida a estes afazeres.


O que é a velha forma autoritária de jogar com quem lhe é contrário em pensamento e projeto. Mas vou anotar aqui que és um homem de pensamento então não julgue que considero tuas ideias como opiniões, mas sim como posições medianamente informadas e muitas como expressões de conhecimento teórico e prático da política. Não és alguém que há de se ocupar disto por diletantismo ou esporte ocasional. Por fim não conhecia tua história e a de teu pai e irmão, então agora te tenho com mais respeito ainda. E é muito bom que tenha tido um pai de quem se orgulhar também, não por vaidade ou prestígio, mas por hombridade, seriedade e alguma forma de dedicação a política e a melhoria pela política de nosso país. E te digo que teus filhos com certeza haverão de se orgulhar de você pela tua honestidade intelectual e firmeza ideológica, além de seres um dos cientistas que dedicou sua vida a este tema, o que é bem m ais que ter ou terçar opiniões. 

Eu tenho convicções sobre a existência de uma ciência política e agradeço muito tuas lições que aparecem até mesmo num singelo e honesto depoimento pessoal e biográfico sobre a ditadura.

Obrigado!

Leia a entrevista do professor Benedito Tadeu Cesar AQUI.

sábado, 5 de abril de 2014

O RISO DE JOSÉ WILKER

PASSEI UM POUCO DE TEMPO PENSANDO EM VOCÊ E EM COMO TE DAR UMA PEQUENA HOMENAGEM COM MINHAS PALAVRAS OU NOSSAS PALAVRAS.

Vi algumas coisas aqui e ali, um depoimento do Ari Fontoura que chama pela tua falta,  uma entrevista recente de 2012 que vi agora a pouco em que destes algumas pistas pequenas de tua trajetória. Mas devo te ser "Justo, Muito Justo, Justíssimo" guardarei de ti teu riso, tua auto-ironia e teu ar de façanha e audácia. 

Quero guardar também de ti na lembrança e rever algumas vezes tuas personagens, tua empostação e ataque com aquela voz grave e tácita, seca e maleável que ia do engraçadinho ao sério em segundos e que as vezes misturava um sério e engraçadinho, um vilão e um pobre homem, um crente e um audaz, um amante e um odioso durante toda a tua carreira. E não dá para te resumir à televisão - ainda que seja através dela que mais brasileiros tem a oportunidade de ver atores excepcionais e muito talentosos. 

9 entre 10 dos que agora passam a ser teus donos diriam que foste mais ator de cinema, com grandes e muito corajosas experiências de teatro, muita popularidade em televisão, e algumas experiências aqui e ali de diretor.

Mas teus amigos já dizem e não deve ser por gabolice de toda a tua graça real, gentileza nordestina, e tuas manias poéticas. Hildegard lembra dos livros de poemas que deste de presente para muitos e outros vão lembrar - e há quem diga que era teu hábito mais precioso - de quantas vezes tocou o coração das pessoas à tua volta.

Vou lembrar do Vadinho e suas desinibições paradigmáticas - penso que aquilo foi revolucionário e libertador em seu tempo. Vou lembrar de Bye Bye Brasil e de tudo que se passou de lá para cá. Vou lembrar dos filmes que vi e vou ver os que eu não vi. Pois creio que para julgar tuia obra há que se passar ao cinema. Mas vou aproveitar e dar uma olhada nos teus textos.

E vou lembrar também de tuas palavras e surpresas que emocionaram e fizeram rir tantos aqui e ali. Tua brincadeira com as palavras não era chiste nem wit, era somente teu pensamento pondo mesa na indeterminação do mundo.   

Também quero guardar pelo menos duas palavras de tua auto-descrição sobre o acaso de tua trajetória em meio a tantas leituras, e sobre a tua visão de um país indeterminado mas que anda se encontrando mais, apesar de confuso. E também algumas notas de tua vida. 

Num necrológio há de alguém fazer justiça ao teu começo como ator que tentava aplicar o método Paulo Freire e que estudava muito para fazê-lo e refazê-lo de acordo com o público. E, enfim, me chamou muita atenção tua recomendação precisa: É PRECISO LER E LER MUITO! PARA PODER LER O MUNDO, LER AS PESSOAS E SUAS VIDAS!!! Quando disseste que esta era tua chave para a interpretação.

E, enfim fiquei pensando em teu gesto decisivo de construir  a personagem de Antônio Conselheiro, olhando e observando um dia inteiro uma pequena estátua de barro sobre a mesa. E me lembraste o velho Freud que conseguia ver as formas de pensamento e vida assim também sobre sua coleção de estatuetas. E muitas outras dicas que provavelmente passaram a ser colecionadas por jovens atores e pessoas que admiram esta arte, seja de fazer gente que nunca existiu seja de fazer gente que já viveu e que merece mais nossa atenção..    

Eu entendi uma coisa de ti: jamais voltar, jamais sofrer, sempre sorrir...

GRANDE ATOR!!!!

P.S.: Pelo visto eu deveria fazer constar aqui também que José Wilker me parecia anarquista...graças à Deus....mas não tenho certeza, e pouco me importa - mas quê nada - disto não se tira o mérito de sua obra ou de suas ideias nem se lhe dá mérito também...e ao mesmo tempo não me impede de reconhecê-lo como tal....e lhe elogiar com todo meu carinho possível que eu julgo sinceramente que ele merece....e vou citar a frase dele que mais me impressionou aqui e que foi reproduzida já por outros - como Marcelo Serrado em uma entrevista de hoje - "se veres um problema mergulha no reino das palavras que lá encontrarás a solução..." e eu tento mergulhar muito sinceramente no reino das palavras também...e ele era uma pessoa cuja atuação era muito marcada pelo uso da palavra, não somente dos gestos ou de suas ideias subjetivas....e me sinto muito gratificado ao tentra compreend~e-lo também com e por meio de palavras....

sexta-feira, 4 de abril de 2014

MINORIA, GOLPE MILITAR, SOLUÇÕES ABSOLUTAS E DEMOCRACIA

Deve ser algo notável fazer parte de uma minoria e, mais ainda, se conduzir sem concessões. Enfim, quem faz a diferença é você...e alguns mais...já havia visto este filme antes em diversos momentos da minha vida de militante da juventude, do movimento estudantil secundarista e superior, da militância partidária, do movimento cultural, do movimento ecológico, da preservação do patrimônio histórico, do sindicalismo e agora na condição de professor e militante da educação..E isso acontece comigo e com muitos amigos que já abandonaram qualquer tentativa de resolver as coisas com soluções absolutas, abstrações imprecisas e pela concessão ao vale-tudo e as ambições pessoais. 

Você nunca vence no curto prazo neste caso, mas no médio obtém algumas vitórias, porém, quando se coloca olhando num plano de mais de dez anos, num plano maior de tempo e de trajetória de vida, se percebe que valeu muito a pena ter posições contra a maioria omissa e bajuladora, autoritária e irresponsável...isso nos traz decepções, até te tira do sério, aborrece, mas vai selecionando com quem andar e com quem se pode contar e confiar nesta vida...não rende muito prestígio é verdade...constitui uma fama de radical ou de exagerado...mas não me deixa compactuar, me beneficiar ou contribuir para o vilipêndio e o desrespeito àqueles que trabalham seriamente, estudam seriamente e que não aceitam atalhos, arranjos e desculpas ruins para gestos piores...mas me dá um alento saber que consigo ser assim e pensar assim...

E também lembrar o que disse para uma amiga na última terça-feira que vale aqui repetir, neste contexto, contra os expertos, bajuladores e néscios em geral que são sempre marcados como  traidores e que se vendem por moedas. Uma coisa a gente aprende na política: quem faz uma vez, faz duas e jamais vai se arrepender...porém se você sabe quem é assim...conquistaste uma forma de te imunizar e reduzir o impacto das traições e daqueles que aceitam qualquer soldo por qualquer causa - eram chamados de mercenários antigamente...e eu não os temo. 

Quando assisti na última terça-feira o vídeo entrevista do Roda Viva com o Sr. Almino Affonso, tive a grata satisfação de confirmar uma dica de um grande professor meu a respeito do golpe militar de 1964 e de quem já havia me referenciado o Almino na época da redemocratização do Brasil - que ainda não se concluiu na minha avaliação. Além da profunda lição de educação e de civilidade, precisão e seriedade do Almino em todo o transcorrer do que muitas vezes foi um debate entre a experiência e a auto interpretação biográfica e política do Almino as versões fantasiosas dos fatos e análises idealistas dos fatos, entre um eu acho que podia, um arrivismo também insensato e uma leitura que considera a história política e todo o episódio político como produto das características de um só homem, sem analisar a dinâmica de forças em jogo e os arranjos de diversos segmentos no processo histórico.

Fiquei pensando nos momentos mais intensos do debate e gostei muito de ouvir a defesa rigorosa e clara da democracia por parte do Almino Affonso, no tema do Estado de Sítio de 1963. Me pareceu irrefutável - apesar do sustentáculo argumentativo ser eminentemente pessoal, mas que cabe verificação e apuração histórica, mas que com certeza me parece mais plausível que Almino tenha razão do que alguns historiadores e jornalistas que me causam preocupações sérias com seus métodos, precisão e rigor. 


E o próprio Almino lembrou que daqueles dois ministérios do Jango - e os ex-ministros são importantes e são os únicos que podem dar ainda uma versão do interior palaciano da história que jamais deve ser desprezado - só estão vivos três homens, ele com seus 85 anos a serem completados logo mais e o também grande Waldir Pires em seus 87 anos e um outro senhor que está muito adoentado do qual não registrei o nome.

Um velho amigo meu - militante político também desde a juventude - gosta de dizer que Deus e o Diabo moram no detalhe. Pois vou usar esta chave aqui: quando o diabo toma conta de todos os detalhes o que fazer?     

O Golpe foi um ato de ALTA TRAIÇÃO, que envolveu muitos agentes e detalhes, motivado por um bando de INSENSATOS E IRRESPONSÁVEIS, INTERESSADOS E COVARDES, que receberam a devida paga por suas iniciativas...e ainda tem a BROTHER SAM que emulou e amalgamou com todos estes interesses...nenhuma ingenuidade justifica traições e nem pessoas sérias conseguem se imunizar de traições, mas é muito bom  para a nossa democracia que temos hoje este* e outros mecanismos* através dos quais podemos manter e construir uma ação política mais séria, menos inconsequente e menos oportunista. E saber que este mecanismo há de servir também para melhorar as escolhas dos eleitores e quem sabe fazer o ano terminar bem melhor do que começou, tanto no congresso nacional, quanto na agenda política nacional.

Tem razão em parte o Daniel Aarão Reis em considerar o Golpe como Civil Militar, trazendo à tona a dimensão civil, mas o Almino - talvez por ter por hábito o uso de uma velha e bem afiada navalha em seus raciocínio - contesta: todo golpe é militar. E então temos que pensar que todo o apoio civil ao golpe - incluso dos arrependidos que só deram provas de sua tibieza - todo o apoio midiático ao golpe - e o Juremir Machado da Silva fez questão de agregar ao designador que este foi um GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-MILITAR, mas eu gosto de pensar que o golpe foi produto de um impulso que ainda está presente entre nós: a ideia fantasiosa e fascista e autoritária de que soluções de força, as ações com caráter absoluto podem resolver todos os problemas. E este impulso obteve os meios de suas realização - como bem aponta o Almino com todo rigor e precisão - no uso da força militar. 

Toda busca de uma solução absoluta vem acompanhada de grandes e intensas declarações de princípios, mas poucos notam que a solução absoluta envolve justamente o sacrifício de princípios. Como foi o caso do GOLPE, por uma ladainha de valores morais e ideológicos sacrificou-se a lei, a democracia e todos os direitos civis, sacrificou-se a nação e as riquezas nacionais. E isso só foi possível pelo uso da força militar. Nenhum democrata de verdade pode admitir que a força militar seja usada contra a lei e muito menos admitir que o estado seja contrastado em seu monopólio da força por outra força. E assim a democracia brasileira não fechou as contas da ditadura militar, mas uma coisa me parece muito certa fica a cada dia que passa mais claro quem são os seus inimigos, quem são os golpistas e que ideias movem este impulso à insensatez e à aventura entre nós.   

E é muito bom que todos os meus amigos e amigas que são sinceros em seus ideais  democráticas consigam discernir o joio do trigo e fazer suas escolhas e tentarem com muito esforço e dedicação, discernimento e reflexão serem melhores sempre.