sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

SER PROFESSOR

Trabalhar como educador é uma das experiências mais maravilhosas desta vida...mas é preciso sensibilidade e certa dose de generosidade e um tipo de inteligência que não é tão comum....para mim não há terapia melhor do que a luta...e também sou daqueles que não suporta gente reclamando, resmungando ou falando mal de aluno e educação pelos cantos....eu luto e peço melhores salários inclusive para que estes enjoados, neuróticos e outros não consigam ser professores e deem espaço para pessoas mais saudáveis e que aprendem que educar envolve construir sabedoria em comum não somente conforto ou beleza...fico muito chateado quando vejo professores que ganham bem e que não compram livros, não leem livros e não escrevem.....ser professor não é somente transmitir conhecimento, fazer provas e decidir quem deve avançar ou não....é muito mais e este muito mais é muito mais importante que isso tudo....um abraço...

BUSTOS DOMECQ; EL GREMIALISTA

Pois em breve vista ao sebo, me cai às mãos trêmulas as Crônicas de Bustos Domecq (1967), Editorial Losada, de Bioy Casares e Jorge Luis Borges e....

me divirto a mais não poder - laudamos esse - El gremialista, por exemplo, começa assim: 

"Deploraríamos que este ensayo, cuyo unico fin es la informacion y el elogio, apenara al desprevenido lector." 

....claro que tudo dependerá da tradução de APENARA aí, mas vá que né..seja mesmo causar pena ou tristeza...ou o clássico vulgar "di dá dó"...kkkkk...imagine porquê, leitor curioso....

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A EVOLUÇÃO MARAVILHOSA DE UM CÃO ANTROPÓFAGO À IMPERADOR

Eu simplesmente adoro esta progressão moral no juízo sobre Napoleão do Moniteur, presente na evolução das notícias que só é possível pela aquisição paulatina de poder e supremacia de Napoleão também sobre a imprensa...a qual sabe que ele pode usar....prova - contra os senso suave dos democratas e pseudo intelectuais burgueses - que sem força não há reconhecimento....não se trata, portanto de uma “conversão ou adesão”...o que também mostra a dura realidade do poder...

Veja isso:

Exemplo de objetividade da imprensa. O "Moniteur", diário oficial da França, cobre a volta de Napoleão Bonaparte, exilado na ilha de Elba, e que retorna a seu país. Dia a dia.
Traduzindo:

O antropófago saiu de seu antro;

O ogre corso acaba de desembarcar no golfo Juan;
O tigre chegou a Gap;
O monstro dormiu em Grenoble;
O tirano atravessou Lyon;
O usurpador foi visto a sessenta léguas da capital;
Bonaparte avança rapidamente, mas nunca entrará em Paris;
Napoleão estará amanhã diante de nossos baluartes;

Sua Majestade Imperial e Real entrou ontem no seu castelo das Tulherias, no meio de seus súditos fiéis.

Grato ao Prof. Dr. Renato Janine Ribeiro

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O PERIGO QUE CORREM OS SERES HUMANOS RAROS DE SE DILACERAREM E SE DISPERSAREM: GERTRUD SIMMEL - PARA KEROUAC

“É nos seres extremamente raros e escolhidos que a mais sublime qualidade da humanidade se realiza: uma vida ampla e profunda, reconciliada por uma mão poderosa. Na humilde vida cotidiana, entretanto, cujos ensinamentos devem ser levados em conta, transcorre que as naturezas abundantes, emocionalmente vitais e ágeis, são precisamente aquelas que acolhem as mais finas possibilidades de se capturar a força que intensifica a vida com firmeza, decisão e alegria -, mas estas estão muito expostas ao perigo de se dilacerarem e se dispersarem. Este é o motivo pelo qual ‘o afeto’, a emoção, cai em má reputação diante de todo moralismo, o qual sempre toma o seguro caminho burguês. E a palavra ‘paixão’, que designa uma forma de movimento emocional interior, é empregada como se significasse que esse movimento tem outro conteúdo, algo ignóbil, de base.”

de Marie Luise Enckendorff (isto é, Gertrud Simmel), Vom Sein und Haben der Seele, Aus einen Tagebuch, Leipizig, 1906, pp. 22-3, tradução de Wolfgang Schwentker, com uma pitada minha aqui e ali.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

DE VOLTA PARA A MONTANHA DA VIDA

Acabei de resgatar, graças aos préstimos do amigo Genis MC os arquivos em que estava trabalhando até dia 19 de janeiro depois da pane no PC-2007...

he he...

voltando para 

A MONTANHA DA VIDA, após aproveitar e ler muitas coisas que levam água para o moinho dela....

HOMOFOBIA NA TEVÊ: BEIJO GAY NÃO PODE!

BOM DIA....tenho assistido a novela AMOR À VIDA - cuja animação de abertura a Regina me chamou atenção na primeira semana de exibição, mas que nunca dei tanta atenção - nestas últimas duas semanas e tudo chama mais atenção agora seja pela reviravolta, seja pelo despertar do corno, seja pela maldade e perversidade da bonita, a culpa da esposa ciumenta, a regeneração do vilão e sua construção heróica da consciência humana, as ambições e desmedidas que são exibidas e expostas de muitas personagens que a gente conhece senão semelhantes muito próximas na vida real...mas nada me chama mais atenção do que o EMBARAÇO GAY ou o bloqueio ao BEIJO GAY - como diz um amigo, os caras podem matar, podem usar drogas, podem esfaquear, jogar crianças ou bebês no lixo, sequestrar, torturar, envenenar, trair, roubar, mas beijo gay não...e mesmo agressões verbais pesadas são toleradas e eu também vi isso ontem....é mais fácil comer peixe crú do que trocar um beijo sem homofobia na tevê brasileira....e a parte pior é a substituição de uma transa por um banquete de Sushi...fiquei pensando em todos os gays e lésbicas que estão torcendo ali ao pé da tevê na REDE GLOBO desde os anos 80 para ver isso...mas não rola...a repressão e a censura já é uma tremenda violência na tevê brasileira....a cultura cruel e a força do hábito se reproduzem e assim continuamos assistindo na tevê que esta forma de amor NÃO PODE....SE a velha moral e os bons costumes continuarem assim, me é claro que ainda teremos muitas vítimas de homofobia no Brasil ...ó céus e ó glória.... quanta hipocrisia!!!!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

REVELAÇÕES - DOSTOIEVSKI

"Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio..." 

(Dostoiévski)

AS BOCHECHAS CORADAS DO ATOR

HÓ HÓ HÓ...OLHO BEM NAS SUAS BOCHECHAS - OK - a gente compreende um sinal de SOS porque há uma convenção sobre isso, mas não existem convenções sobre sentimentos e, no entanto, compreendemos quase imediatamente os sentimentos do outro - eles não deixam assim de ser privados?



Fico olhando para aquele ator - - - Patrick Stewart - - - que interpreta ESPERANDO GODOT, aquela foto abaixo - - - em seguida  ele vai rastejar até a sua esperança - e ninguém precisa traduzir para mim da língua inglesa para o português o que ele expressa com aquele olhar....ora essa...mas ele é um ator! - isso só significa que um ator compreende a gramática dos sentimentos porque se dedica a expressar sentimentos com seu corpo, seu olhar, seus lábios, sem dizer palavra alguma --- como vais? - Bem!

Ó - mas não posso olhar em teus olhos agora para saber...então...não posso me certificar por palavras de como você está....mas no teatro o que é isso que faz sentido? chamam de interpretação, mas eu começo muito a desconfiar que não é - - - entendo as expressões de tua face, tua posição e movimentos como uma mensagem - - - e nem quero codificar isso - ok - entendi agora - vou ali passar o som ou vou ali passar sentimentos - - - nem meu violão sem voz, ou a paz sem voz...ele não quer uma resposta,

fico imaginando a interação deste ator com o público que ao ver esta expressão responde oooooo....todos com as bocas abertas em tom exclamativo...  

AINDA A MORTE DO MEU PAI: KEROUAC E A SOLIDÃO DO HOMEM

FOI EXATAMENTE O QUE EU SENTI 

NO ANO PASSADO QUANDO MEU PAI FALECEU 


- JACK KEROUAC tem uma voz bem próxima do meu sentimento aqui: 


"Após a morte de seu pai – Peter Martin se viu sozinho no mundo, e afinal o que pode um homem quando seu pai está enterrado nas profundezas da terra senão morrer ele mesmo em seu coração e saber que não será a última vez antes que finalmente morra em seu pobre corpo mortal, e, ele também pai de crianças e progenitor de uma família, retornará à forma original de um pedaço de pó aventuroso nesta bola fatal de terra." – Jack Kerouac, em um manuscrito datado de 19 de janeiro de 1950, escrito à mão em francês e traduzido por ele mesmo ("On The Road ECRIT EM FRANÇAIS").

também ME VI COMO UM HOMEM SOZINHO NO MUNDO - por mais amigos e companheiros, colegas e parentes que eu tenha....PERDI a pessoa com a qual mais aprendi e da qual mais recebia coisas, ponderações e conselhos....mas eu não vou me deixar morrer em meu coração....

UM FUCA, UMA COPA, CUBA E NÓIS

Eu creio que este debate e outros às vezes nos levam a posições parciais e que não ajudam em nada para que consigamos construir uma visão do todo e da real dimensão  das coisas. Eu não sou contrário nem à copa do mundo e nem ás olimpíadas, como não sou contrário ao carnaval comercial, nem ao pagode ou  samba de raiz, como n]ão sou contrário a Funk, Hip Hop, Raves e etc, nem ao Jazz ou Bossa Nova, forró ou baião. O aspecto crítico será encontrado em qualquer grande iniciativa que se tome no capitalismo. 

A Petrobras foi a única entidade que creio que financiou ao Fórum Social Temático e isso é algo para se pensar, não por ser contra, mas por será favor disto e de outras coisas. Eu não gosto de ter posições de principio e sustentá-las a qualquer preço só porque um dia as possui ou admirei. Não creio que o Governo Federal deveria realizar somente iniciativas de esquerda ou exclusivamente com recortes de esquerda. O Brasil não pode construir barreiras a eventos internacionais considerando sua vocação e sua história tanto de emancipação quanto de incidência política no cenário global. 

Eu vou dar um exemplo que me é muito caro desde a minha primeira leitura da questão cubana e do que os EUA tem feito contra Cuba em termos de bloqueio e etc. Eu serei o primeiro a aplaudir, apoiar e me sentirei muito feliz no dia em que esta nação que tanto admiro e respeito pela sua história de resistência, mas também de exemplo em diversas questões sediar um evento como as OLIMPÍADAS. As contas que todos fazem ficam presas ao economicismo e a uma espécie de ideologia do SÓ QUE NÃO.... o Brasil não pode fazer copa do mundo, o Brasil não pode fazer isso e aquilo, mas que tal perguntar melhor sobre isto? Vamos colocar fora tudo que foi feito porque agora decidimos que não devia ser feito? 

Os limites da delegação de poderes - do poder que emana do povo - devem ser bem mais respeitados em duplo sentido. Tanto o estado deve ter ciência de seus limites e fazer sim consultas sobre o que deve ou não fazer, mas isso também envolve aos cidadãos de ouvirem bem melhor do estado o que devem ou não fazer e eu não creio mesmo que os cidadãos estejam sendo justos ou corretos ao fazerem o que tem feito com a absurda característica de infantilidade, arrivismo e revanchismo...e prejudicando milhares de outras pessoas para as quais o FUSCA, A PARADA DE ÔNIBUS, OS ÔNIBUS, AS OBRAS DA COPA E DAS OLIMPÍADAS, a banca de revistas, os empregos e os trabalhos - bem mais que as ideias - serão uma oportunidade de progredirem, e avançarem na sua vida com boas memórias, alegrias e a possibilidade de tornar isso uma experiência que simbólica e materialmente seja melhor que nada ou que outra cosa. 

No ano passado fiquei pensando naquela corrente contra o carnaval e me dei conta da total falta de generosidade das pessoas e de suas convicções para com os demais cidadãos - nós precisamos de MAIS SAÚDE, MAIS EDUCAÇÃO E MAIS SEGURANÇA, mas o mundo não vai parar e a vida não vai acabar se tivermos mais carnaval, mais futebol, mais turistas e mais obras no Brasil. Precisamos olhar para o todo e parar de pensar com um parcialismo pseudo engajado que não faz nada mais do que nos deixar loucos da cara enquanto o povo toca a vida e faz o que é preciso. PRONTOFALEI - e aproveita que eu estou doce hoje...

aquele abraço... 

domingo, 19 de janeiro de 2014

20 ANOS DE FORMATURA EM FILOSOFIA NA UFRGS

No dia 16 de janeiro último, comletaram-se 20 ANOS  de nossa FORMATURA EM FILOSFIA NA UFRGS, eu, o Cesar César Dos Santos, o Jânio Alves, o  Marcelo Villanova, o Luis Eduardo Zdanovicz, o Antonio Madalena Genz, o César Romeiro, o Aldorício Caetano Mayer, concluímos a graduação e colamos o grau em Filosofia, em uma Cerimônia no pequeno Salão de Atos da UFRGS, com o Departamento e  o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas IFCH representados, alguns alunos receberam diplomas por Licenciatura e outros por Bacharelado.

Nosso Paraninfo foi o João Carlos Brum Torres, e  nosso orador foi o Marcelo Villanova...

EU comemorei isso muito porque foi um percurso muito importante para mim...hoje alguns colegas destes que citei e os demais que não participaram por opção Pessoal da Cerimônia já lecionam em escolas, universidades, trabalham com filosofia e a maioria avançou em Pós graduação....para mim é motivo de muita alegria este aniversário e quero parabenizar meus colegas de modo também a incentivar meus ex-alunos e atuais alunos e alunas a prosseguirem nos estudos e avançarem em graduações e pós-graduações...


Faço isso aqui também porque considero que para mim e meu ponto de partida social, econômico e político foi uma grande conquista concluir a Filosofia na UFRGS...e recebi muitas ajudas para isto...o meu mérito é, então, compartilhado...Nestes 20 anos atuei em vários tipos de funções e encargos como professor, pareceirista, assessor, diretor, chefe, coordenador, entrevistador, pesquisador e não tenho a menor dúvida de que nada disso poderia ter sido executado com o prazer como foi sem a minha formação que compatibilizou a teoria e a prática, a reflexão e a ação com todo o risco e com todas as satisfações que isso pode trazer...

E fico muito feliz ao lembrar de todos os colegas e do grande grupo que tínhamos na UFRGS, na moradia e coordenação da Casa do Estudante da Agronomia e Veterinária (CEFAV) no IFCH, dos colegas de Iniciação Científica, nas duas pesquisas sobre Filosofia Medieval e sobre Adorno e Kant-Escola de Fankfurt, do trabalho na Biblioteca Setorial de Ciências sociais e Humanidades, a participação no DCE e Conselho Universitário, a Reforma Curricular da Filosofia e do rico intercâmbio e dos bons desentendimentos no movimento etudantil, na política universitária, na defesa da Universidade contra o Neoliberalismo e o sucateamento, na defesa da Fapergs, no Fora Collor, e dos muitos estudos e seminários, colóquios e atividades acadêmicas....

MUITO OBRIGADO UFRGS, MUITO OBRIGADO COLEGAS E PROFESSORES E PROFESSORAS E MUITO OBRIGADO AMIGOS, valeu...

PAUSA NA MONTANHA DA VIDA - ESPERANDO A BRISA E RESPIRANDO À BEIRA MAR

Bem..o texto sobre a Montanha da Vida acabou trancado em um pc que resolveu ter e criar dramas de bloqueio funcional...Até eu "conseguir" carregar as DLLs necessárias para o kernel liberar o sistema e, assim, se resolver este problema. 

Mas eu até que estou bem e minha paciência, neste caso especial, se deve ao fato de que estava lendo as cinco primeiras páginas e julguei que tem algo errado nelas, há algo que não bate bem ali. Minha cabeça tem facilidade para escrever, mas nem sempre o que sai explicita da melhor forma aquilo que eu penso. As vezes é bem mais fácil falar ou pensar do que escrever da melhor forma e da forma mais inteligível.  

Então vou ficar ruminando mais uma semana neste lance de método e organização ads informações, e até à volta da praia vou fazer certa quarentena e ver como as anotações e as diversas leituras relacionadas me ajudam a melhorar este outro ensaio sobre Kerouac, ou melhor que usa Kerouac como pedra de toque - para usar uma figura de Kant aqui - e para ir par além dele e tratar da relação entre vida e obra, projeto de vida e obra, obra e autor, que é o que me interessa e o que me motiva. 

Na literatura dele - em On the road - por excelência este me parece um bom leitmotiv. E é na literatura dele que eu penso sobre isto, então penso em usar a figura dele, a personagem dele e a vida dele para isto, pois o seu personagem e os demais vivem esta oscilação existencial completamente que me parece tanto na obra com na vida real deles. Ou seja, o símbolo e a realidade simbolizada ou representada na ficção possuem o mesmos sentimentos de perdição e desolação, êxtase e emoção. E é esta a base talvez da desolação posterior de Kerouac que é coroada em Big Sur. Digo que vi os dois filmes, tanto Big Sur como On the road e me senti bem provocado a tratar disto, E confesso que isto tem sim alguma relação com minha própria vida e minhas experiências de amizade, familiares e existenciais em geral.  

Mas agora a Montanha da Vida é, então, um texto bem mais voltado aos altos e baixos da vida e como a gente faz para sobreviver aos momentos bons e ruins, sem jogar tudo fora por impaciência, tempestividade ou depressão...

A questão é esta mesma: como manter o animo de viver após atingir o cume daquela montanha para a qual você tanto lutou?

E também como aceitar os demais acontecimentos dos próximos dias, meses e anos de vida sem ficar se comiserando ou arrebentando porque nada mais era como antes e vais ter que envelhecer sem ficar se destruindo ou autodestruindo porque os bons tempos passaram.

Mas isso é um assunto de velho ou de quem  já passou pelo seu rubicão na vida, ou quem já sabe que está no caminho de volta das índias, ou melhor, quem sabe que já está descendo a grande montanha da vida. Ainda que eu acredite que a gente pode subir outras montanhas nesta vida e levar este lance com mais alegria e bem mais otimismo, apesar de tudo, de todos os limites e de todas as dificuldades. 

Mas eu juro que não quero fazer um livro de auto-ajuda não, eu quero é pensar isso a partir de uma dimensão filosófica, literária e existencial e com todas as consequências possíveis no texto e na vida real.      

DEJA-VÚ - REDUÇÃO DO HIPOCAMPO E OUTRAS QUESTÕES

SOBRE DEJA-VÚ - ou "jà vi" isso antes ou "já vivi" isso antes - fica a dica, haveria uma redução do HIPOCAMPO que torna a pessoa suscetível de tal estímulo que provoca esta sensação...


Eu fiquei pensando depois que lie sta matéria em uma espécie de espelhamento da memória, ou seja, quando a memória imediata é espelhada por uma imagem tênue da memória remota - pouco importando aqui, qual a origem ou fonte desta memória remota - então deixa de lado aqui vidas passadas e o eterno retorno - mas se é de fato como eles dizem a redução do hipocampo gera uma boa explicação, quer dizer, pela redução de espaço ocorre uma mais constante espécie de TILT ou PRAZER INEXPLICÁVEL que faz a associação imediata a um sentimento já vivido sem lhe identificar precisamente a singularidade....

Penso muito no tema da memória de forma especulativa, ainda que não especializada...porque para mim ele também, está ligado também à questão da verdade dos relatos e das narrativas pessoais, bem como, aos traumas e às boas ou ótimas memórias...

E, enfim, tudo isso à questão da liberdade ou da prisão mental das pessoas a determinadas crenças, convicções e suas formas de distorção da realidade da experiência que constituem suas prisões....ou seja, as pessoas são prisioneiras de certas opiniões também por uma espécie de atribuição de valor e sentido a certos conteúdos da memória....   

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

DIZER A MESMA COISA DE FORMAS DIFERENTES: VERSÃO DE TRABALHO


"Não é só inspiração: você precisa ter uma visão lógica da música e depurar aquilo até que fique muito claro. Quem gostar vai entender quase como uma flecha, vai ver que tem uma ambição de composição, de canção, de arranjo."

Marina Lima – em entrevista

Isso começou na hora da maçã....que desde as 10:00 está vigente...e seguiu até depois do almoço...entre a MONTANHA DA VIDA e CHOVE NA IDADE MODERNA...

Trato agora de uma coisa que me provocava muito precocemente quando lia certos autores, certos ensaios, certos artigos, traduções diferentes em textos. Observava as pequenas variações e diferenças, nuances e detalhes e via algo como que bem amplo como pano de fundo de tudo.

Mas que também se apresentou para mim na música, em que as diferentes versões da mesma canção, a mesma sinfonia regida por este ou aquele maestro, executada por esta ou aquela orquestra, aqueles ensaios do coral e as apresentações e a diferença entre algumas apresentações e outras.

E também aquilo que parece a mágica na arte, na fotografia, na pintura, em que a linguagem ou a tábua de construção é a mesma (o mesmo toolbar amplo e maravilhoso que a natureza e nossas habilidades nos oferecem somados agora às diversas tecnologias e técnicas disponíveis) em que a mesma imagem pode ser vista, retratada, pintada ou totalmente construída e reconstruída de forma diferente.

Walter Benjamim chamou de AURA ao efeito próprio de uma obra de arte que é preservado na sua singularidade.

Hoje eu creio que a AURA se deslocou do objeto e está ingressando diretamente em nossa sensibilidade. E, também, penso na minha reincidente analogia aos jogos de linguagem de Wittgenstein para dar sentido à certas coisas. Mas uso aqui os jogos de linguagem pensando em múltiplos jogos que conseguem ter relação entre eles, assim como as canções e as versões de canções entre elas, assim como as múltiplas imagens e fotografias. Também vejo ai um uso possível da forma lógica como uma espécie de estrutura invisível que agente imaginariamente pode observar nos elementos que compõe estes objetos

E está aqui junto comigo, até hoje, aquela imagem ou metáfora do Pistão ou Trumpete, que o Paulo Faria usava para a nossa linguagem como um trumpete que precisa ter uma certa folga no embolo para tirar esta ou aquela nota e para andar mais rápido nas diferentes variações e escalas. E assim eu entendo o Jazz (e uma parte do Rock e de toda a música) com aquela aparente loucura ou corrida maluca, pelas notas e aquelas escalas diferentes misturadas e sub tons em uma mesma canção, nas dissonâncias da bossa nova. Assim, não tenho conseguido mais pensar filosoficamente sem pensar musicalmente, literariamente e poeticamente, porque há uma aproximação estrutural entre elas, numa espécie de base que eu tenho usado para tratar do tema do aprisionamento ou libertação.

Dizer a mesma coisa de formas diferentes não é um pecado ou defeito é somente uma forma de abrir a rede de significado e de sentido o mais amplamente possível...e reduzir a diferença e a distancia entre o centro e as pontas do meu pensamento e do seu...a primeira vez que pensei nisso imaginava que estava ensaiando ou só me repetindo...

Quem escuta mal ou quem não tem ou desenvolver certo gosto musical ou que não cultiva a audição é que não percebe que dizer as vezes é como o Jazz e que existem "milhares" de variações possíveis sobre o mesmo tema...e quem toca um instrumento fica sempre procurando a melhor nota, o melhor ritmo e todas as demais combinações possíveis entre elas e outros instrumentos....

Então, ao abrir a rede de significado estamos aprendendo a chegar também em mais pessoas e em mais sensibilidades e entendimentos...parece haver uma certa tridimensionalidade ou multidimensionalidade do sentido e eu olho agora na minha imaginação para muitas escalas musicais ao mesmo tempo e imagino elas relacionadas em paralelas e em arranjos...assim como quando estou muito bem e quando escrevo subo e desço numa espécie de dicionário mental ou enciclopédia escolhendo as palavras e as constelações de sentido (com afigura astrológica aqui e anti-astrológica aqui de Adorno).

Fui estudar INSENSATEZ ontem. E eu gosto muito desta canção porque ela tem na minha percepção musical de aprendiz diversas aberturas para outras harmonias e improvisações. E fazem uns dois anos vi uma apresentação do Gelson Oliveira - figuraça - em que eu fiquei mentalmente e as vezes balbuciando vozes e sons paralelos aqueles que saiam do violão e da voz dele e me dei conta de que eu estava começando a pensar mais musicalmente após uns seis meses de canto coral, com Lúcia Passos, Agnes Schmelling no Coral Municipal.

Ao estudar esta canção ontem com violão e voz, e escutando mais arranjos, me aconteceu o que sempre me acontece ultimamente e o que só é possível porque estas tecnologias permitem fazer tudo isso em um único dia: pesquisar, encontrar, ouvir, executar, gravar se quiser e ensaiar Assim tive o prazer de ver as Cifras por Tom Jobim (tom F, primeiro acorde Am7), João Gilberto (tom G, primeiro acorde Bm7), Toquinho e Vinicius ( tom Am7, primeiro acorde Bm), Fernamda Takai ( tom F, primeiro acorde Am7) e constatar que de fato há um diálogo interno entre os diferentes arranjos e uma espécie de analogia nos intervalos das notas, mas uma ênfase aqui ou ali nas notas básicas em sétimas, menores, maiores que vão dando variações para a canção e que é muito legal fazer o que eu fiz, porque hoje pela manhã acordei com as diferentes versões rodando na cabeça e ficou visível a forma lógica da canção digamos assim.

A Marina Lima deve estar falando na epigrafe que usei aqui nisto também, ainda que possa ter uma concepção de lógica ali que parece mais técnica fazendo certo contraste com a inspiração. Coisa esta que Picasso dizia também, que sem 90% de trabalho e 10% de inspiração não há obra de arte, mas a gente olha para os vídeos dele pintando e se dá conta que os materiais podem ser os mesmos, mas que permanece a mágica da mão própria dele e do olhar próprio dele para as coisas. E quando você estuda uma coleção de esboços dele se dá conta de que as variações que ele apresenta ainda são inferiores aquilo tudo que ele devia imaginar na cachola dele. E a depuração da qual Marina fala é o resultado destes exercícios de busca, destes esboços e das diversas formas de dizer a mesma coisa. Mas, devo dizer que não penso que haveria a forma perfeita dadas as variações possíveis e as mãos, cabeças e vozes que podem se jogar afazer isto.


Você que me lê esperando uma solução racional ou uma interpretação que feche tudo isso, provavelmente gostaria muito que eu reduzisse isso à lógica, ou que eu fechasse com uma estrutura elegante de apresentação de todos estes elementos e analogias. Mas eu preciso ir além, para preservar o que realmente importa aqui nesta experiência e aprendizagem. Preciso tocar não somente na tua cabeça, preciso muito chegar no teu coração e te fazer viver melhor e ser mais feliz....e o meu motivo para isso não precisa ser revelado ou justificado, nem mais julgado....

HEIDEGGER E A QUESTÃO DA TÉCNICA - pro Francisco Rüdiger - RECOMENDO

Penso hoje que este tema da relação entre o homem e a técnica, entre o mundo da vida e estes dispositivos, métodos e transformações que se geram a partir do pensamento técnico é muito importante. Já houve um dia em que eu lia estes textos do Heidegger desconfiando da sua perspectiva extremamente conservadora, mas hoje entendo muito mais ele que parece um campônio, mas é um grande sábio em sua reflexões. E é um dos poucos que eu leio e que não dá pulos em suas exposições, fazendo sempre questão de escrever e de refletir muito detalhadamente e metodicamente. Algumas das obras dele podem ser repetitivas, mas o cuidado dele com as palavras, com a ordem de sua exposição e em ser minucioso e evitar saltos é notável. E me parece que na questão da técnica ele repete o mesmo modus operandi.

Ainda que esta obra não seja uma leitura direta de Heidegger, mas sim uma mediação e comentário à sua abordagem ao tema, eu recomendo. Porque tenho notado que todos os bons comentadores de Heidegger conseguem sempre ir alêm dele, e trazer para nós, enfim, uma dimensão de sentido em Heidegger derrubando preconceitos e desenhando o grande desafio que é de pensar novamente sobre as aparentes velhas questões, que merecem mais atenção, porque na verdade são muito atuais.

Espero que esta obra do Professor Francisco, em segunda edição seja bem recebida e gere nos professores e pensadores, cientistas e - porque não - naqueles ocupados com atividades técnicas mais reflexão sobre como tem ido as coisas e para onde e como nós vamos levar elas adiante preservando o seres humanos e a natureza.

Por fim, quem me lê sabe que estou pensando muito nas possibilidades da técnica e das novas tecnologias e do quadro geral de desenvolvimento das ciências humanas...

Parabéns para a Editora Sulina e seu Autor!....


Boa Luis Antônio Paim Gomes!!

MINHA MÃE E OS GATOS

Bom Dia...li uma postagem no teu mural que você não quer mais ser dona de gatos e fiquei pensando livremente sobre isto, me lembrando e fazendo certas associações.

Minha mãe querida você já teve mais gatos do que muita gente que gosta de gatos – Mimisinha então deve ter tido umas quatro, mais a Marcela, e outras gatas e gatos, e eu sempre lembro que você me ensinou que não é a gente que escolhe o gato, mas o gato ou gata que escolhe a gente, portanto você sabe melhor do que eu que é o gato ou gata  que é o dono da gente...então a pergunta é: se uma gata te pedir para ser tua dona, será que você resiste? Você sabe muito bem que estes bichinhos tem vida curta às vezes, e sabe também que o que é mais importante neles não é quando eles vão embora, mas sim quando eles chegam na gente.

Você também gosta de cães e quando a gente se auto designou cachorreiro, naquele Shopping em Porto Alegre, aquela vez a gente assumiu definitivamente um para o outro uma faceta que provavelmente herdamos do teu pai que também amava animais. E é algo bem curioso que todos nós teus filhos e também tuas netas e netos gostamos muito de animais. E os gatos ou felinos tem uma coisa muito interessante no reino animal que fascina a todos nós, eles são independentes e são muito brincalhões, ma são muito exigentes e chatos como nós somos também.

Então eu creio que você não vai resistir mesmo se mais uma gata se achegar na tua casa, porque elas são muito sedutoras e sabem muito bem como dobrar uma decisão nossa.

Ontem eu vi um filme do Spielberg, o nome dele é Cavalo de Guerra, e se passa na primeira guerra mundial, me vieram várias imagens do teu pai e meu avô e das dificuldades que os cavalos em especial, passaram com os homens naquela guerra - e claro em outras. Mas o cavalo Joey, um puro sangue inglês  sobreviveu por sua força e tenacidade, uma boa dose de sorte e também por ser muito afetuoso com o dono e com aqueles que lhe deram carinho. Sempre fico pensando nisso, nessa combinação e á medida que a vida vai passando valorizo muito isso.  Este próximo ano é o ano do cavalo no Horóscopo Chinês e o ano do carro pela numerologia associada ao Tarot, então pela augúrio é para ser sim um ano de muito movimento, muita atividade e de andanças, mas dá para fazer tudo isso com a elegância de um gato e com a força de um cavalo. Assim, eu penso no fundo que até os animais nos educam com suas características e os gatos com suas formas manhosas e sutis de dar e pedir carinho fazem a mesma coisa. E, por fim, você ainda tem o Pretinho que de tão gato e manhoso que é conquista até cães....


Bjs, e bom dia...       

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

FEMINISMO & FEBEAPÁ 2014: TÁ MEU BEM...

"NÃO DEVO NADA AO FEMINISMO!"

É A última das genialidades rasteiras que ouvi...

Bah é dose...

Isso é uma forma de SOLIPSISMO AUTO-INDUZIDO...

A pessoa acredita que o mundo e a história só passa a existir a partir dela mesma.

Nada que lhe é anterior ou exterior tem importância ou significado.

"Não devo nada ao feminismo" vindo de uma mulher é uma forma de expropriação do outro também. Ou melhor, de todas as outras mulheres, que ainda lutam e dão sentido à luta feminista não por adesão, mas por necessidade objetiva.

Não é nenhuma transvaloração, nem libertação...é o aprisionamento de si mesma nesta profunda ilusão de autonomia e independência...

Tudo fundado na mais plena OPINIÁTICA E IGNORÂNCIA....
E esta pessoa e suas leitoars se julgam reflexivas, são as criatura do criador Ponde..é este o mestre?...tadinha...dela e de quem crer nela e nele...

A frase contestada é uma dica da sempre crítica e atenta Amanda Zulke ...

que compartilhou outra contestação a mais esta pérola do FEBEAPÁ 2014...

MINHA HISTÓRIA EM MACCHU PICHU - PARA O JOHN PONTES

O João Pontes ...Tá vendo aquela casinha lá no meio da segunda fileira de baixo para cima?..., pois é, eu morei lá fazem três encarnações...os vizinhos eram legais..o problema era um cara que morava na quinta fileira mais para cima que brigava com a muié e não cuidava dos filhos, foi assim que acabou por me causar certo desconforto, em certa circunstancia que num cabe dizer aqui - pelo menos hoje - mas que foi absolutamente resolvida com três palavras perante o testemunho dos demais vizinhos e sob os olhos do sacerdote Muchiú...eu me chamava AMATIS e ela VINAS, as crianças eram DANIS, TANIS, BELIS e GABIS e vivemos felizes para sempre...bah o...foi tri cara...legal saber que você está passando ai...tem uma coisa enterrada no canto da casa na parede oposta ao nascimento do sol, a uns 4 metros creio...que é a prova de toda esta verdade...um grande abraço amigo...

SOBRE O INENARRÁVEL DEVEMOS CALAR, MAS ESCREVER PODE...

ESSES DOIS...

“Esses dois têm muitos problemas, problemas sérios que precisam resolver. Mas juntos, são perfeitos um para o outro, existe sentimento, vai entender…”

— Comer, Rezar, Amar. (FILME)

REENCONTRO DE EX-CEFAVIANOS 2014

Escrevo para motivar o nosso REENCONTRO DE EX-MORADORES DA CEFAV em 29 de Março de 2014 – Cefav é a Casa do Estudante da Agronomia e Veterinária da UFRGS, onde residi de fevereiro de 1992 a meados de 1997.

A coisa mais bela de um REENCONTRO é ver a amizade, o carinho e a força que a nossa solidariedade e compreensão mútua desenvolveu ao longo do tempo, mesmo com todas as nossas diferenças.

Sei que para nós era muito claro que precisávamos sobreviver e estudar juntos naquela casa, isto nos levou durante um bom tempo a compartilhar dores e alegrias, dificuldades e limites, compartilhar o pão, o café do RU, o almoço, os restos, catar orquídeas, fazer música, juntar moedas, beber, jogar futebol, compartilhar livros e leituras, estudar juntos, debater teorias e leituras, lavar roupa, cuidar dos cães e gatos, trocar móveis, deixar coisas, fazer festas, ficar feliz com formaturas, bolsas, salões, foi capaz de construir, receber moradores novos, trocar de quartos, batalhar por reformas...passear, brincar, namorar, dividir passagens, ir junto no Carrefour, fazer um café coletivo, tomar chimarrão, caminhar, dançar, curtir, viajar, carregar mochilas e malas, sacolas, bolsas, pastas, cadernos, Xerox, polígrafos, as surpresas e as esperas, dividir cigarros, pontas e muitos lances...a guitarra, o violão, a gaita, os discos, os primeiros PCs, roupas, sapatos, tênis, as trocas, os presentes, os olhares, os sorrisos, as brincadeiras, a solidariedade nossa e nosso amor pelos estrangeiros e estrangeiras, os debates políticos, sexuais, musicais, animais...as Assembléias, a Coordenação do Núcleo, as tarefas coletivas, as ligações telefônicas que esperávamos e recebíamos, a prosa tranqüila e a prosa com propostas, as visitas, as brigas, os conflitos, banheiros, chuveiros, corredores, lâmpadas, pinturas, quadros, pôsteres, plantas, desenhos, escritos, rascunhos, cartas, revistas, jornais, a grana e a falta de grana – tudo passa e tudo passará, mas muitas lembranças e, no meu caso, as lembranças mais maravilhosas e que me fizeram ser quem sou e ter quem tenho hoje como amigos e amigas aqui...e no mundo...

Amanhã completo 20 anos de graduação em filosofia....e é para mim inimaginável esta formatura e depois o começo da pós-graduação sem bolsa, sem a moradia na CEFAV...


Devo, assim, muito aquela casa, muito aos meus amigos e amigas que lá conheci e convivi...e tenho um carinho muito especial também pelos que já se foram deste mundo...nunca esqueço das lembranças e do grande amor que construímos como amigos e amigas...e quero reencontrar muitos por muito tempo ainda....um grande abraço amigo e até dia 29 de março de 2014.      

CHOVE NA ERA MODERNA

Bom Dia...chove na Era Moderna e o início prometeu temporal mas agora acalmou..mas chove...isso significa que algumas coisas terão que esperar um pouco mais e que outras serão feitas com mais diversão...boas mudanças, temas para ler e reler e escrever sobre a Montanha da Vida e o Curso de Filosofia do Segundo Ano...é chegada a hora de começar a preparar a Filosofia Moderna...três trimestres, mas com 80 aulas nos segundos anos....bem...bem...vai ser diferente...pouca exposições, mais leituras, mais debates e apresentações dos alunos e algumas surpresas e novidades...há que se fazer ou mostrar melhor as pontes entre a Filosofia Moderna, a Ciência Moderna, a Política Moderna, a Literatura Moderna e a Arte Moderna...do Renascimento até o Iluminismo... Hobsbawn chama o período final deste grande Período Moderno de a Era das Revoluções (1789-1848), mas há que s estender as revoluções até a Revolução Copernicana, a Reforma Luterana, a Revolução Científica e a Revolução Industrial...este modesto período de quase 350 anos entre 1453 e 1789 me parece ser todo revolucionário..e vejo que a Revolução ou qualquer Revolução só é possível com alguma abertura para o novo...mas onde estará o novo? como é possível encontrá-lo ou pensá-lo? temos que descobrir ou inventá-lo?....bem...iniciais e preliminares....

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

COLEÇÕES ACIDENTAIS

Tenho coleções de cartões de visitas, de cartões postais, de marcadores de páginas e de santinhos...todas elas feitas completamente involuntariamente..simplesmente fui guardando e um dia juntei e me assustei com o que vi...cada cosia nesta vida...mas gostei...de lembrar certos detalhes e fazer as associações devidas e indevidas para cada coisinha...acho que as estrelas explicam isso... 

POLÍTICA, TATUÍRAS E O BANQUETE

Com todo respeito àqueles que adoram ir à pia lavar as mãos e fazer de conta que não são responsáveis, simplesmente porque não assumem responsabilidades nominalmente e não se envolvem em política partidária.

Um grande amigo meu que é físico - aliás Dr. em física teórica - me deu um exemplo ótimo uma vez. Falou das tatuíras na beira do mar que ficam ali ao sabor da maré das ondas, enfiadas em seus buraquinhos, naquela vidinha, dentro de uma rotina mínima e pouco singular. E disse que isso parecia a perspectiva política de alguns que preferem viver ocupados com seus pequenos afazeres e interesses e não assumir nada. Fazendo discursinho cético ou dizendo que perdeu a esperança quando na real nunca se dedicou a construir ela efetivamente e comprometidamente. Ficam ali até que uma onda vem e acaba com tudo que antes havia.

Não creio que somos todos nós portadores de uma visão superior aos demais, mas infelizmente noto que alguns ficam presos a sua pequena agendinha e suas grandes vaidades infalíveis...conceitualmente há muita coerência nisso e é uma maravilha ver os intocáveis, os impolutos e os que nunca cometeram erros cantando como a cigarra enquanto a formiga trabalha.

O único problema é que vida prática não se resume a ter opinião, cuidar do local e somente de seus próprios interesses e não se envolver com todo o resto. Ela envolve sim se envolver com todo o resto, e mesmo aqueles que ficam no local ou no âmbito exclusivamente pessoal fazendo discurso, ou reproduzindo discurso sem reflexão, reclamando e criticando estão também comprometidos com os resultados gerais, cantem eles a música que quiserem, também são responsáveis pelos resultados globais.

A coisa, enfim, mais assustadora que eu li em teoria política dizia que o que está em jogo na política não são ideias, nem princípios, ainda que alguns pensem e passem o tempo todo tratando disso como se estivessem a fazer política, mas é a vida, e que quem não percebe isso faz mal à vida dos demais.


E isso não é uma CHANTAGEM é somente passar a conta para quem pediu o BANQUETE...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

TÁ OSSO - BRASIL

Eu queria dizer muitas coisas sobre isto - NAZISMO EM UNIFORMES DE RESTAURANTES - SEGREGAÇÃO EM SHOPPINGS CENTERS - TODA ESTA POLÍTICA ANTI POVO -  mas vou resumir da seguinte forma: estamos num tempo em que até a ignorância em certos assuntos é deliberada, ou é uma farsa ou é uma provocação simbólica proposital...e isto é algo que me deixa triste, porque tu tem medida exata da irresponsabilidade e da inconsequência das pessoas...me sinto as vezes talvez como alguns se sentiam na República de Weimar na Alemanha, quando alguns outros brincavam com a política com o único propósito de se livrar dos social-democratas, dos comunistas ou socialistas e abriram a porta para o inferno que adveio depois e a classe média brasileira e esta elite brasileira fazem exatamente isto hoje em dia..na minha opinião...o lacerdismo consegue escorpioninamente produzir um veneno para eliminar seus adversário e a si mesmo...

SOBRE AS OPÇÕES DE ESQUERDA NO BRASIL

A centro-direita não está no poder, ela mantém uma parcela do poder menor do que a que ela sempre possuiu nos governos do PSDB e PMDB. E não está sambando de alegria não, porque ela também conspira – mesmo estando em um condomínio e tendo muitos quadros distribuídos no serviço público em todas as esferas - para tirar o PT do poder e impede diversos avanços como A REFORMA POLÍTICA e mesmo uma nova CONSTITUINTE. 

Mas claro a centro direita, sempre quer e sempre vai querer mais e é por isso mesmo que quer rifar o PT do poder e se alia a qualquer coisa para isto, mesmo à ultra direita e ao esquerdismo. A coisa pode piorar mesmo se a extrema direita assumir o poder, o que é difícil, mas reconheço, não é impossível com o grande apoio que a classe média  ingênua e a classe média perversa ou cínica e uma fração razoável da nova juventude tem feito. Uns por ignorância e ingenuidade outros com interesse no condomínio de poder.

A questão não é querer chantagear quem é de esquerda e não se alinha ao governo Dilma, a questão é que objetivamente é a Dilma que pode barrar este avanço da direita. Ou você acredita mesmo que Marina Silva e Eduardo Campos representam a nova esquerda arejada e avançada?  

Esta posição que pede apoio a Dilma não afirma que, ou se apóia o seu governo e a reelege ou se está ajudando a direita; afirma que ou se reelege a Dilma ou não adianta apoiar o governo.

A maior política é bem, menos complicada do que isso, é bem mais simples e não adianta mesmo construir retóricas com suas estruturas dialéticas ou históricas, se na prática não apoiar a Dilma é sim consentir com a retomada da ultra direita ao poder a curtíssimo prazo e colocar no lixo todas as políticas avançadas que foram construídas com a dura oposição da direita e um apoio covarde do centro. 

Com a oposição sistemática e crítica do esquerdismo. O que a esquerda ou o esquerdismo tem a dizer sobre isto? Simplesmente que prefere jogar tudo fora e que não salva nada. Não sei onde é que encontraram que isso é ser de esquerda.

Em um processo com causalidades e determinações de médio e longo prazos cuja natureza envolve sim abrir mão ou não de políticas públicas includentes e avançadas fazer de conta que não tem, responsabilidade nisto, neste destino ou que o resultado disto é inexorável não inicia e nem se encerra em eleições, é pura vacilação e infantilismo. E não é preciso citar Trotski ou Lênin aqui para entender isto. 

Esta retórica que faz de conta que não há nada em jogo que seja muito mais importante do que a bandeira de um partido ou a febre de um militante se recusa a reconhecer a realidade e os resultados obtidos no Brasil. A última vez que isso aconteceu foi com Jango, quando a tibieza do centro e a cegueira histórica do esquerdismo e do porraloquismo levaram água para o moinho dos militares. 

Aqui quem ocupa a posição dos militares hoje são estes frágeis pré-candidatos em ponta de lança contra o PT. Eu penso hoje muito mais em governabilidade e em preservação do regime democrático e precisamos dele para alterar efetivamente a correlação de forças que vocês julgam que nunca será favorável.

Esta tua tese é que é maniqueísta: 

“Acho que boa parte da dificuldade de distinguir o que seriam as extremas esquerda e direita no Brasil contemporâneo não se deve ao objeto, mas sim a um certo tipo de observador comprometido com uma visão que tende ao maniqueísmo: A) governo Dilma - do excelente (militante sem noção) ao "melhor possível" (militante pretensamente realista ou que ainda nutre um espaço para dúvida ) *versus* B) oposição, seja qual for ou quem for - de equivocada a mal intencionada ou mesmo criminosa, ou seja, um bando de gatos pardos (e todos adversários).” 

Porque não aceitando esta distinção, ela julga que a distinção está refutada, nada mais maniqueísta do que considerar o que não gostamos como falso ou o mal simplesmente porque não gostamos. É bem fácil distinguir ambas, o problema delas é quando elas querem um único resultado que é derrotar o centro ou a esquerda (que elas também consideram centro) e se aliam. 

E eu não tenho a menor dúvida de que a parte mais prejudicada ao final será a esquerda e o próprio esquerdismo. E ninguém falou aqui de unidade na cadeia ainda, estamos falando aqui de perda de políticas de esquerda e includentes que beneficiam os debates da esquerda e do esquerdismo para os avanços.

O irônico desta história para mim é outro é que, com a derrocada internacional da esquerda partidária administradora do capitalismo sem inclusão e sem política sde esquerda ao PT que tem conseguido fazer diferente não lhe falta o esquerdismo no Brasil.

As fronteiras entre os campos serão constituídas efetivamente através de plataformas políticas claras e projetos políticos com mais nitidez, não com gritos de guerra ou o VALE TUDO que só leva água para o moinho da direita e despolitiza o processo ao não discutir os programas de inclusão e de esquerda. 

Eu ainda prefiro discutir as reformas de base, balançar estes programas sociais e reconstituir a partir disto um centro para a esquerda brasileira, no que Tarso Genro tem razão aliás em suas propostas sobre este tema Geral do Pacto das Esquerdas Brasileiras. Ma não querem discutir isto porque tem outros PLANOS. Que PLANOS SÃO ESTES?

A essência crítica da esquerda se demonstra em debates e na capacidade política de construir plataformas que unifiquem e tenham representatividade política e isto tem sido feito sim. 

Resumir isso a um "progressivismo" social-democrata é ofender o trabalho de boa parte do campo da esquerda brasileira que resistiu e se rearticulou nos últimos 50 anos. É possível sim uma nova esquerda no Brasil, o problema é que a “via da ruptura” pode sim levar para uma tragédia e eu e milhares de militantes, não queremos mesmo pagar para ver isso não, não queremos brincar nem nos aventurar nessa não, porque já vimos.

Somos alunos e herdeiros das testemunhas disto e carregamos em nossos corpos, memórias e sentimentos desta tragédia. A pior parte dos desaparecidos é não ter a voz deles para alertar aqueles que julgam que nada pode ser pior do que isso que aí está. 

E isso sim, é não perceber diferenças...o que aqui é uma irresponsabilidade histórica que só pode ser fruto de uma tremenda vaidade intelectual e de uma auto-proclamada  ideologia perfeita da esquerda brasileira. 

Nem o PT quer pensar sozinho e nem o Brasil pode ser pensado na solidão...    

LES MOTS - AS PALAVRAS- JEAN-PAUL SARTRE - RECOMENDO

SARTRE, Jean Paul. As Palavras. Tradução de Jacó Guinzburg. 3ª Edição. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1967, 159p.

“Naturalmente, não sou trouxa; bem vejo que nós nos repetimos...” (p.151)

“O que eu amo em minha loucura, é que ela me protegeu, desde o primeiro dia, contra as seduções da “elite”: nunca me julguei feliz proprietário de um “talento”: minha única preocupação era salvar-me – nada nas mãos, nada nos bolsos – pelo trabalho e pela fé. Desta feita, minha pura opção não me elevava acima de ninguém; sem equipamento, sem instrumental, lancei-me pro inteiro a ação para salvar-me por inteiro. Se guardo a impossível salvação na loja dos acessórios, o que resta? Todo um homem, feito de todos os homens, que os vale todos e a quem vale não importa quem.” (p.159)

Este livro é simplesmente a primeira biografia de filósofo que eu li na vida. Eu adquiri ela com a minha consciência de certa incapacidade econômica de adquirir, pelo valor que tinha na banca, a biografia de Sartre recém lançada em 1987 de Annie Cohen Solal pela editora L&PM, e eu namorei esta biografia muito tempo na feira do livro. E até hoje não a li. Se bem, que agora nesta hora da minha caminhada tenho muita vontade...e creio que fará muito mais sentido.

Mas há algo de maravilhoso para mim nesta pequena autobiografia de Sartre porque ela substituiu com ganhos para mim a biografia de Annie. Nela ele conta com ironia e muitos detalhes a sua formação e influências familiares, culturais e políticas e também de suas resistências que de forma muito reveladora se constituíram de tal modo que desde a sua infância, ele tenta ensejar seu próprio caminho apesar de...por exemplo, ser sobrinho de um piedoso Albert Schweitzer e resistir a fortíssima influencia da igreja em sua família. E ela me serviu muito no sentido de construir também em mim certa autoconsciência e um processo de diferenciação semelhante.

Esta passagem, por sua vez, representa algo muito importante para mim em minha formação e em minha trajetória porque apresenta a necessidade permanente de tentarmos resistir à certos papéis que alguns conselheiros ajuizados tentam nos atribuir e que são melhores para o que os outros querem de nós, do que, para o que, cada um de nós, pode ser por decisão própria e escolha refletida, ainda que sem o consentimento ou aprovação de outrem.

O texto da contracapa, enfim, desta tradução de As Palavras é este:

“Jean Paul Sartre inicia uma nova tarefa comunicar o sentido que, para ele, tem a sua vida. AS PALAVRAS abrange o período da infância. Não se deve esperar desse pequeno livro o relato saudosista de um velho senhor que rememora episódios encantadores do mundo da criança, ou rostos amados e desaparecidos. Nada disso. Aqui o leitor encontrará um requisitório contra o mundo da criança e, honesto, não poderá deixar de examinar, por conta própria, o que foi a sua infância.”

E assim de muito me serviu esta leitura preambular à minha formação acadêmica em filosofia.       


OBS.: "nada nos bolsos e nada nas mãos" é a deixa para "sem lenço e sem documento" de Caetano Veloso depois...

SARTRE - SE O OUTRO ME AMA...

“Se o outro me ama, decepciona-me radicalmente por seu próprio amor: eu exigia dele que fundasse meu ser como objeto privilegiado, mantendo-se como pura subjetividade perante mim; mas, desde que me ama, ele me sente como sujeito e se afunda na sua objetividade diante de minha subjetividade. O problema de meu ser-para-outrem fica, pois sem solução. Os amorosos ficam cada um por si numa subjetividade total.”

O Ser e o Nada. Sartre.


Deve ser o que eu chamo de amar pelo reconhecimento do gênio, mas a decepção da qual ele fala ali seria o que mesmo? O reconhecimento de uma singularidade ou como ele parece supor ali – esse Sartre é muito competitivo amorosamente – o reconhecimento de uma superioridade. Para mim isso é mais simples: só quem possui a beleza e a grandeza reconhece a grandeza e a beleza em outrem. Mas isso me colocaria no rol do presunçosos...despertaria a crítica, a inveja e talvez até mesmo a reprovação de outros superiores, mas e daí? Que cada um seja por si e pelo outro que quiser...

Mas ainda assim, veja isto:

“O homem que quer ser amado não deseja realmente a escravização da amada… A total escravização da amada mata o amor do amante. Se a amada se transforma num autômato, o amante reencontra-se a si mesmo sozinho. Por isso, o amante não deseja possuir a amada como se possui um carro. Ele exige um tipo especial de apropriação. Ele quer possuir uma liberdade, enquanto liberdade, ele quer ser amado por uma liberdade, mas exige que esta liberdade deixe de ser livre.” O Ser e o Nada. Sartre. 

BLUE JASMINE;



Eu vi ontem...Cat Blanchett - esta gata branca - merece todos os prêmios possíveis e imagináveis nos próximos 12 meses pela criação, interpretação e emoção da sua personagem...tô pensando seriamente em propor um Kikito para ela...e não poupar esforços para que ela receba e fique pelo menos uns três meses em Porto Alegre...por fim, se EU - eusinho - fosse prefeito de Porto Alegre eu contratava o Woddy Allen para fazer alguma coisa aqui, nem que fosse tocar somente clarinete no Take Five...mas ia pagar com a minha própria grana, afinal o salário é bom....antes que algum gênio do cinema de bombachas reclame falta de apoio...mas hoje em dia quem é bom faz e não fica chorando pelos cantos...quer brigar comigo?agora? sou da PAZ...viva o Cinema, viva Cate Blanchett!!!    

GÊNIOS, AMOR E QUESTÕES DE PROFESSOR

Não há nada neste mundo mais belo e maravilhoso do que ver, observar ou descobrir repentinamente o gênio de alguém em plena ação. Descobrir um traço surpreendente de inteligência e poder observar seus primeiros movimentos é uma bela descoberta e motivação. Mas é importante que o educador não se sinta ameaçado pelo aluno que possui isto. Não se sinta afrontado e que não procure de forma alguma provar que sabe mais ou que é melhor que ele. Você vai aprender algo sobre o ser humano e sobre você  mesmo com cada gênio que for capaz de descobrir entre seus alunos e alunas. E vais compreender que não faz a menor diferença se o menino ou menina sabe isso ou aquilo, mais isso ou menos aquilo. O que faz um gênio não é a quantidade de informação, mas a forma como ele lida com ela. E é um aspecto e momento apaixonante da educação este, quando a gente se dá conta disto. Recomendo a todos que gostam desta profissão observarem mais isto.

Isto acontece em estado bruto às vezes e eu creio que uma parte gratificante, mas muito relevante e importante do meu trabalho como professor é me aperfeiçoar em perceber isto em seus inícios, em seus primeiros momentos. E existem alguns alunos e alunas que fazem a gente aprender mais sobre isto.

Em princípio tenho observado que os gênios se escondem. Poucos jovens daqueles que possuem esta qualidade intelectual que é assombrosa quando vista mais de perto se exibem ou fazem demonstrações disto. A maioria deles tem pouquíssima vaidade e adquiriu uma espécie de senso de proteção do seu gênio que os mantém  meio encolhidos em suas conchas até que um professor faça-os saírem ao sol

É preciso que um professor ou professora faça um ambiente confortável, de confiança, para que estes meninos ou meninas sintam-se confortáveis e à vontade para daí então que alguns deles dêem frutos às suas diferentes formas de talentos e insights. Nem sempre estes talentos aparecem ou se apresentam em uma perfeição ou acabamento pleno. Para percebê-los a gente precisa considerar mais a forma do que o conteúdo do que é apresentado e na forma vemos sempre ou um excesso de simplicidade notável ou um arranjo não trivial de determinado assunto. Mas isto não é tão perceptível assim, porque você precisa manter no seu espírito certa capacidade de surpreender-se para que, só então, ver os frutos de um gênio na sua precocidade. Tenho notado que os gênios fazem com freqüência combinações não triviais, ou combinações e associações cujo raciocínio linear não faz.

Muitos gostam de elogiar os gênios depois que todo mundo já viu sua obra enquanto uma obra de arte. Eu não, gosto mesmo é de ver os gênios em seus primeiros momentos. Alguns deles nos aparecem prontos – estes são os mais raros – e são aqueles que mais obtém nossa atenção, pois parecem brilhar o tempo todo. A maior parte dos gênios, porém, que conheci, brilham em coisas mínimas, brilham aos poucos, comedidamente. E muitos brilham aparentemente envergonhados com seu brilho, como que culpados de serem diferentes dos demais naquelas coisas com as quase se ocupam. E muitos deles são destruídos pelo caminho, muitos não são sequer compreendidos, reconhecidos e aceitos. Nós estamos habituados a olhar para os gênios, mas não imaginamos quantos foram aniquilados no caminho. Nó só vemos aqueles que sobreviveram ou que de alguma forma impuserem sua vontade contra o seu mundo.  

Não tanto a obra final, mas o fazer, a elaboração e todo o processo de constituição de alguma coisa a partir da força de um espírito e da beleza de uma alma. Uso estas palavras pensando sim em Imortalidade e Amor. Imortalidade no sentido de algo que permanece e Amor no sentido de um máximo afeto. Donde o espírito que busca a imortalidade o faz sempre pelas suas obras e pelo modo como faz sua obra. Já a alma procura através de seus afetos deixar um presente para quem ama.

As pessoas gostam de elogiar as mentes, porque só observam os efeitos mecânicos e práticos das mentes. E então tudo parece perfeito, fisicamente perfeito, concretamente perfeito. Mas não é isso que eu fico observando e me admirando.

É um péssimo hábito – na minha opinião um hábito espiritualmente preguiçosos e leniente - este de julgar a inteligência exclusivamente pelos seus efeitos práticos, pois vejo todo valor de uma inteligência não no que é feito mas no sentido do que é feito, naquilo que vem antes, aquilo que corre durante e a finalidade e precisão do que é feito.  Olho para aquilo que é nitidamente o principal e que nem sempre é revelado no que é feito ao olho adestradamente funcional e utilitário destes homens práticos.

O amor é uma das melhores formas de fazer uma bela homenagem à sabedoria mais pura, e a sabedoria é em si mesma uma das formas supremas de amor. Quando se ama alguém pela sabedoria que ela possui ou que ela almeja, se ama também por busca de conhecimento e disposição em reconhecer a sabedoria no outro. Eu - sempre digo isto para os meus alunos e alunas - amo a matemática, pois vejo nela uma das formas mais belas de sabedoria. Entendo perfeitamente a paixão de muitos filósofos pela matemática e me sinto um deles, apesar de não ser nem me considerar um matemático, muito menos um filósofo da matemática.

Na Regina – na minha esposa - eu tenho alguém que me traz isso e que me dá isso. Acompanho algumas aulas particulares da Regina como ouvinte e fico muito feliz em ver nela plenamente a expressão desta bela forma de sabedoria que é a matemática como o Russell diz “semelhante em sua pureza à música e à pintura e que é sublimemente pura”.


Eu não consigo compreender algo assim sem me admirar e sem amar. E, assim, eu amo a matemática e amo a professora de matemática, porque traz consigo esta sabedoria e me dá ela todo os dias.   

O SILÊNCIO DOS HOMENS COMUNS

Bom Dia...

"Se os homens comuns, os homens que acordam e que mantém seu silêncio, fato que faz com que não sejam comuns – se, então, os homens em geral fossem escrever todos os seus pensamentos, ou uma fração deles, que universo de literatura teríamos! E eu luto com esses rabiscos e garranchos feitos à lápis." – Jack Kerouac


...os pensamentos me acordam e me colocam em um ônibus cuja passagem é para  algum lugar que eu não sei muito bem, mas que pode ser tanto uma praia maravilhosa na companhia de meu amor, quanto a cabana da minha solidão na montanha mais inóspita de meu pensamento mais singular e pessoal; me jogam a retomar velhas lembranças e ideias aparentes que em minha mente pareciam esquecidas, ou me fazem ver de novo que aquilo que eu desconfiava no fundo de minha alma é verdade....se todos escrevessem como sugere Kerouac...sobre isso e outras coisas e mais, a literatura seria maior....mas hoje os rascunhos são digitais...pense no que significa isso...(?)...vendo o que já tem acontecido com a fotografia é um passo para se entender como serão as coisas a partir desta nova possibilidade tão fértil e tão aberta ao aperfeiçoamento dos espíritos e de uma nova estética...isso poderá ser menos humano? creio que não...

domingo, 12 de janeiro de 2014

LEMBRANDO MEU AVÔ WILHELM ADAMS: EM ALGUM LUGAR NOS ALPES FRANCESES




 @melanie_hr

MORGANA DANDO UMA ESPIADINHA


ILUMINANDO O SEU CAMINHO


FOTO DE ALEXANDRE NORONHA MACHADO

O LOUCO E SUA FLOR - O HOMEM E O SEU AMOR: SÓ ELE ACREDITA EM SI MESMO!!!

“Se um homem atravessasse o Paraíso num sonho, e lhe dessem uma flor como prova de que lá estivera, se ao despertar encontrasse essa flor em sua mão… o que dizer então?”


Jorge Luis Borges ● A Flor de Coleridge
Nova Antologia Pessoal | Companhia das Letras, 2013.






ANDO ASSIM, 
UM CÉU, 
OUTRO CÉU, 
UMA LUZ, 
OUTRA LUZ, 
UMA FOTO E OUTRA FOTO...
DÁ PARA DECORAR UM SALÃO 
COM O QUE TENHO VISTO POR AI...

foto por Alexandre Noronha Machado:


QUALQUER FUTURO


"Qualquer futuro que se mostrou um dia brilhante nasceu de alguém que acreditou em uma ideia nova quando ela surgiu e ainda não era nada: só uma poeira, uma miragem. "


Vanessa Tuleski

CHESTERTON E SUAS LISTAS

isso ajuda...
como método e como tábua de salvação...
para escrever e para pensar...

“Crusoe é um homem que se encontra numa pequena rocha, com os poucos confortos que, a custo, conseguiu arrancar ao mar; a melhor coisa do livro é precisamente a lista das coisas que foram salvas do naufrágio. O mais grandioso poema é um inventário. Cada um daqueles utensílios de cozinha se torna ideal pelo simples fato de que Crusoe podia tê-lo deixado cair ao mar. Nas horas vagas, ou nas horas amargas de cada dia, é um bom exercício olhar para uma coisa – seja o balde do carvão ou a estante dos livros – e pensar que felizes nos sentiríamos se tivéssemos conseguido tirá-la do navio em vias de se afundar, podendo contar com ela na ilha solitária. Um exercício ainda melhor é recordar que todas as coisas que existem escaparam por pouco, que tudo o que existe foi salvo de um naufrágio. Toda a gente viveu uma aventura horrível; toda a gente podia não ter nascido, como aqueles bebês que nunca chegam a ver a luz do dia”.


Trecho de: G. K. Chesterton. “Ortodoxia.”