terça-feira, 30 de dezembro de 2014

CARNAVAL DO ARLEQUIM - PANORÂMICA INTRODUTÓRIA EMBEVECIDA DE 1924

- Quando este surto de sabedoria opinativa, rebarbativa e contemplativa passar, e Paulo Santana é só a pontinha solta de um gigantesco Iceberg de insensatez e tolice quase generalizada que assistimos, e tenho a suave impressão que – apesar de tudo - isso e o que vem vindo junto disso, também vai passar, e, ENTÃO, quando isso ocorrer, talvez eu fale com mais gosto e com mais reflexão de política e comunicação social. Por enquanto, me dedico a terminar uma panorâmica propositada e indutiva sobre o ano de 1924 que só me faz ficar embevecido no que vai sair mais disto dai:

CARNAVAL DO ARLEQUIN – JOAN MIRÓ
& AS FROTEIRAS DA REPRESENTAÇÃO

Para talvez compreender melhor um acontecimento, parece desejável ver melhor a situação em que este algo se encontram. E não se trata somente de contextualizar mecanicamente por uma lista de fatores alheios ou próximos, nem de vasculhar mecanicamente um panorama, mas sim de compreender uma dinâmica, uma certa topologia que por traz de suas aparências difusas dialoga aqui e ali com algo que pode ganhar alguma inteligibilidade, ser interpretado em suas partes e quem sabe receber uma síntese qualquer que satisfaça nosso desejo de gosto e inteligibilidade. No ano de 1924, já vivíamos este tempo agitado que conhecemos hoje, muitas coisas aconteciam ao mesmo tempo, elas se entrecruzavam na história dos homens, das idéias e das coisas, mas isso não me levará a dizer que havia uma sincronicidade, nem alguma conspiração superior ou inferior contra este mundo. Não é da ordem do destino ou do determinismo que estas coisas aconteciam. Elas nos mostram muitas direções e situações que eram decisivas, transitórias ou apenas iniciais na ordem das coisas e de uma causalidade qualquer de fatos. Nós tendemos a ver elas como determinantes, mas sempre é bom lembrar ao homem finito que por menor que ele seja elas podem ser ainda diferentes, ele ainda tem suas escolhas a fazer. Coisas que podem representar algo importante aqui e ali. Eu mesmo dou extremo valor e julgo relevante muitas coisas daquele tempo, as quais de certa forma fizeram em um dia ou outro parte de minha vida até o tempo atual e de meus estudos e investigações, curiosidades e reflexões.

1924 é, porém, aos olhos de outros leitores um ano que poderia não ter nada de incomum, mas que é somente um ano bissexto, um ano com 366 dias que, portanto, com um dia a mais que os outros, mas é mais pois, visto desta distância e com os recursos atuais e minhas associações livres aqui, sabemos que muitas coisas aconteceram naquele contexto e naquela época. E isso pode ser desfiado como que em cadeia e com uma vista da distância que possuímos hoje e com a possibilidade que temos hoje bem fácil de traçar ou fazer uma panorâmica, cujo valor literário até 1990 seria razoável.

E é mais ou menos assim: enquanto o Império Otomano de mais de 1400 anos sucumbia, sendo deposto o Califa, enquanto George Mallory e Andrew Irvine desaparecem tentando atingir o topo do Monte Everest, enquanto Lenin (falecido em 21 de janeiro) era embalsamado e posto em um Mausoleu em Plena Praça Vermelha e com isto Petrogrado é renomeada de Leningrado  – e o pai de uma utopia que se tornava real é substituído por seu seguidor mais sanguinário e impiedoso, sendo um pesadelo para alguns e a máxima realização política para outros, enquanto Hitler era solto de sua prisão por ser considerado relativamente inofensivo, enquanto Mussolini e seus Camisas Pardas venciam com diversas manobras e recursos estatais as eleições italianas consolidando uma maioria facista de 2/3 no parlamento italiano, enquanto nos EUA, o jovem ambicioso e inescrupuloso J. Edgar Hoover era apontado como cabeça para dirigir o FBI, enquanto Franz Kafka falecia solitariamente após pedir a Bröd  que queimasse seus rascunhos e textos, enquanto Virginia Wolf volta a morar em Londres com seu marido e saiu de uma espécie de exílio auto-infringido e cuidadosamente anotava em sua caderneta as idéias que a levariam a escrever Mrs. Dalloway, enquanto Ernst Hemingway bordejava por toda Paris e Europa a procura de suas letras, enquanto Wittgenstein após passar uma temporada isolado dedicava-se a lecionar em uma escola primária de Puchberg – não sem conflitos com os pais dos alunos e os seus alunos, passa a pensar seriamente a cair fora dali e segue para lecionar em outra cidade um pouco antes de aproximar-se do Círculo de Viena por intermédio de contattos com Moritz Schlick, enquanto isso Heidegger, após perder seu pai no ano anterior, lecionava atraindo muitos alunos em Heildelberg com suas lições sobre Aristóteles como preparatórias para leitura de Platão, gerando nestas lições a bem conhecida já hoje paixão da jovem Hannah Arendt por ele e impressionando Hans Georg Gadamer, neste tempo, enquanto Edwin Hubble descobria a partir de uma observação mais acurada de algumas imagens que eram então chamadas de nebulosas, e que de fato para sua surpresa que a Via Láctea era somente mais uma constelação ou melhor, somente uma entre muitas galáxias do universo, enquanto Freud dedicava-se – não sem um misto de incredulidade e ceticismo – a escrever um pequeno artigo de cinco páginas sobre a Negação – que hoje é visto como essencial e fundamental por muitos estudiosos e escolas de psicanálise e, ao mesmo tempo, prepara sua ruptura com Otto Rank por este considerar que o trauma do nascimento é mais importante do que o conflito edípico, enquanto a  Rhapsody in Blue, de George Gershwin, tem sua primeira apresentação em New York City, enquanto o Capitão de Engenharia Luis Carlos Prestes em outubro liderava um levante de tenentes em Santo Angelo que levou à Coluna Prestes a andar por mais dois anos no Brasil até fevereiro de 1927, enquanto aqui em São Leopoldo ao inicio do ano – o ex-secretário de Borges de Medeiros, Prefeito e interventor indicado pelo Presidente do PRR e eleito Mansueto Bernardi tomava a difícil decisão pessoal e política de abandonar a Prefeitura Municipal, voltar ao serviço público estadual e dedicar-se mais ainda à Editora do Globo e mais às letras do que à política.

Fico imaginando indutiva e insensatamente que, então, logo após a publicação do Manifesto do Surrealismo por André Breton, e a divulgação dos primeiros números de La Révolution Surrealiste, em que o mesmo defende o surrealismo como um “puro automatismo psíquico”, e, então, só para contrariar o ditado, com pitadas claras de dadaísmo e cubismo e passando fome cujos delírios não eram de um sonho e que provavelmente Joan Miró avançava o sinal a partir de seus esboços para pintar um quadro que virá a ser conhecido como Carnaval do Arlequim e que expomos aqui – que na minha modesta e nada especializada opinião talvez seja a obra inaugural de sua longa e bela trajetória de produção, inovação e criação de uma estética própria e original que seguirá até sua morte em 1983.   


   
“A natureza generosa deu ao artista a capacidade de exprimir seus impulsos mais secretos, desconhecidos até por ele próprio, por meio dos trabalhos que cria; e estas obras impressionam enormemente outras pessoas estranhas ao artista e que desconhecem, elas também, a origem da emoção que sentem.”


SIGMUND FREUD - O sonho de infância de Leonardo da Vinci, 1910.

JURO QUE TENTEI, MAS...

"Talvez seja cedo demais para decretar a morte das minhas ambições lógicas, pois que surgem - na contramão da figuração e no limite da representação - ou como diríamos pelo esquema tractariano da figura para forma lógica, outros problemas." tsk tsk tsk... 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

PARA MINHAS ANOTAÇÕES SOBRE ARTE, VIDA E OBRA -

Adiantando que neste paralelo a vida é objetiva e que o que é da ordem subjetiva é a obra. O que no ano passado envolvia Kerouac e a Montanha da Vida e nestes últimos meses envolve Miró e o Fim da Representação- ou o que há de verdade numa estética? após o fim da representação...

"Pode-se pois ao mesmo tempo dizer que a vida de um autor nada nos revela e que se soubéssemos sondá-la, nela tudo encontraríamos, já que se abre em sua obra. Como observamos os movimentos de algum animal desconhecido sem, compreender a lei que os anima e governa, assim também os testemunhos de Cézanne não advinham as transmutações que incutem aos acontecimentos e ás experiências, permanecem cegos ante sua significação, por luminescência difusa que os envolve por momentos. Não se situa nunca, todavia, em seu próprio centro, nove dias sobre dez vê em torno de si apenas a miséria da sua vida empírica e de suas tentativas fracassadas, resto de festa incógnita."

MERLEAU-PONTY, Maurice. A Dúvida de Cézanne.pp. 125-126. 

PT, CORRUPÇÃO E A PAUTA DE ALGUNS

Pensei nisto hoje também, sem desprezo algum pelo combate à corrupção sem tréguas e moleza ou pela defesa da moralidade com a coisa pública ou à divisão rigorosa entre o público e o privado, mas eu fico abismado como tem gente metida à petista de escritório ou academia que parece petista de meia tigela e que fica se resumindo e achando que a pauta principal do PT é a moralidade, o moralismo e o combate à corrupção. Se fosse assim todos nós deveríamos ter estudado direito e nos deslocado para as polícias e o sistema jurídico e nem precisávamos formar quadros e disputar eleições com projetos. Poderíamos nos resumir a uma facção da OAB ou coisa que o valha. Não precisaríamos sequer construir um partido ou gastar todas as nossas energias organizando movimentos sociais, sindicatos e movimentos culturais e educacionais e construindo projetos de democratização do estado para reduzir a desigualdade e gerar empregos, renda e colocar o estado à serviço do povo e não somente das elites. poderia ser um movimento tipo HOMENS E MULHERES DE BEM. E uma parte dos que criticam Tarso sequer apresentam argumentos mais precisos por exemplo sobre o PMDB - no que tenho mais acordos na análise dele e algumas divergências sobre o fim ou não desta legitimidade ou autoridade. Creio que o problema é essencialmente programático entre nós o que fica escondido nas táticas e estratégias de outros companheiros que sempre andam com mais ambição do que juízo e responsabilidade e que vivem se afirmando como melhorzinhos entre nós.


E isso não quer dizer, por exemplo, que os companheiros petistas que atuam na advocacia, nos tribunais e nos serviços públicos não possam atuar com mais prioridade e celeridade, com mais organização e objetividade, com mais unidade e determinação no combate a corrupção também e que entendessem que para isto é preciso sim reforma política e não somente eleger seus preferidos...

domingo, 28 de dezembro de 2014

INFORMAÇÃO OU SABEDORIA? - HAROLD BLOOM

"Não existe apenas um modo de ler bem, mas existe uma razão precípua por que ler. Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas onde está a sabedoria? Se tivermos sorte, encontraremos um professor que nos oriente, mas, em última análise, vemo-nos sós, seguindo nosso caminho sem mediadores." 

HAROLD BLOOM. Como e Por Que Ler. 
Prefácio, página 15. 
Trad. José Roberto O'Shea.
Rio de Janeiro:
Objetiva,
2001

PROBLEMAS?

TENHO CHAMADO TUDO ISTO COMO TESTE DE INTELIGÊNCIA - DESAFIOS, OBSTÁCULOS, PROBLEMAS E CRISES - TUDO PARA VER COMO VOCÊ ENCONTRA UMA RESPOSTA MELHOR FRENTE AO QUE PRECISA ENCARAR OU AO TRECHO QUE VAI PASSAR... 

sábado, 27 de dezembro de 2014

SINAIS


Eu entendo sinais,
entendo diferenças
entre ais e ai-ais
às vezes quando escuto isso
ou os vejo em sinais, vejo um vacilo,
troco um dos grifos,
penso em sinos e hinos,
mas não dou nada para a conta
nem de monta,
pois, mais vale perder do que ganhar
quando o que se ganha é só um ceder
e não um olhar.


  

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

AGUARDANDO DILMA

AGUARDANDO - Sou daqueles que se dedicou muito a sustentar o governo, garantir a reeleição e a explicar coisas que muitas vezes não eram devidamente explicadas. Fiz isso com convicção e por ainda permanecer com minha opção partidária apesar de todos os revezes. Após a dificílima reeleição - o que aqui no sul levou a tragédia de trocarmos Tarso Genro por Sartori ( do que não vou dizer nada, posto que ele fala ou não fala por si mesmo e suas ações, escolhas e prioridades já agora no período de transição me bastam) - adotei uma postura e conduta de ir distensionando e  reduzindo as zonas de atrito porque percebi uma síndrome golpista na oposição e uma síndrome defensivista e sem nenhuma autocrítica na situação ou nas bases da situação. E eu não sei mesmo mais o que dizer. Porque tem uma hora em que quem tem que falara é a Presidenta mesmo, são os quadros mesmo e na atual situação não adianta mais fazer um discurso de acomodação dentro do partido ou apontar que haverá um freio de arrumação ali adiante. Sou daqueles que assimilei bem Katia Abreu - na lógica apontada da governabilidade, representatividade e setorialidade, mas o que saiu de ministério anteontem, fico como você Mestre Renato Janine Ribeiro aguardando as razões. E bem afim de ouvir da boca da minha presidenta as suas razões. Discordo de algumas indicações sim -  em especial Sid Gomes na Educação e não é por causa do partido, nem do nome, nem da família ou do que ele disse sobre serviço público, mas sim por conta da importância deste setor ser o carro chefe de fato para o futuro do Brasil e na minha opinião ser necessário reduzirmos o tecnicismo tanto em gestão quanto no planejamento deste setor.  E uma parte das minhas discordâncias me parecem intensas muito mais pelo significado e simbolismo do estado de coisas que elas representam, do que pelo que de fato irá ocorrer no governo. E não é só o número o problema não. Já vi governos compostos por esquerda que fizeram muita política de direita e não duvido mesmo que a única possibilidade de fazer uma administração mais progressista envolva de fato compor com um bloco para trazê-lo para dentro desta política em vez de deixá-lo assistindo e constituindo resistências. Dilma está trazendo a contradição política para dentro do seu governo o que ao meu ver demonstra muita coragem de encarar a dialética e uma síntese dura das posições no Brasil, onde na atual selva de pedra trata-s e de sobreviver às mudanças e crises que virão até 2018. Concordo com outras  indicações do ministério - admito, por exemplo, Padilha que aqui no sul foi um dos poucos - após o afastamento do Mendes Ribeiro por motivo de saúde  - que defendeu Dilma no tal "velho PMDB de guerra" que para mim no sul é um PSDB piorado e mais reacionário em sua maior parte que faz um discurso moralista para cima do Manpituba e que aqui dá abrigo ao que é bem pior que o Padilha....Dilma está aceitando as contradições e eu quero ver ela enfrentar elas, mesmo que para alguns de nós fosse mais razoável que ela desse suas razões e sou o último a presumir que la não as tenha. Aqui vale para mim o que eu já disse sobre manter ou não Graça Foster na Petrobrás - não por subserviência ou submissão a uma política - não tenho a menor dúvida de que Dilma sabe melhor do que eu o que está acontecendo ou aconteceu e que atua dentro de uma lógica que não é simplesmente a das velhas razões de estado. O cenário impôs este quadro e esta armação que alguns chamam de guerra - e é a terceira vez que uso esta palavra aqui - e só isso já deveria fazer alguns idealistas e realistas pensarem um pouco maios antes de falar pelos cotovelos. Desta forma, também espero as palavras da minha presidenta e suas razões e objetivos, metas e dispositivos com muito interesse, expectativa e certa curiosidade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ON THE ROAD para as almas atormentadas na busca da liberdade

- senão como remédio, como último delírio de uma alma atormentada direto dos limites dos anos 50 - os quais, bem vistas as coisas, nem são tão diferentes dos atuais não

Para as almas atormentadas na busca da liberdade, de um suspiro profundo, de uma corrida maluca, de contar uma história sem se preocupar com certa ordem, da desmedida de uma emoção, de um solo de jazz na arrancada de um roteiro imaginário, da emoção mais singela frente ao desconhecido, da paixão insensata e do encantamento repentino por alguma coisa, algum lugar ou alguém que até pouco era nada para você, para aqueles que percebem a diferença mesmo quando ela não quer ser percebida, para quem já delirou por delirar e para quem já sonhou sem motivos...eu recomendo a leitura de ON THE ROAD...você jamais vai entender porque nunca havia lido isso antes...e nas férias de si mesmo e de seus lugares comuns é também uma boa pedida..e se, mesmo assim, não gostares, tudo bem, não havia como garantir a cura de uma ou mais uma alma atormentada pela falta de liberdade, inclusive de si mesma... porque saiu o E-BOOK para ler em qualquer tela da L&PM...dica da Livraria da Travessa ON_THE_ROAD/eBook  

domingo, 21 de dezembro de 2014

PENSAMENTO DOMINICAL

“In order to understand the universe you must know the language in which it is written and that  language is mathematics”

Bom Dia...estava mesmo pensando nas aulas de ler e escrever de minha filha, em minhas idéias sobre os seminários integrados serem coordenados por três áreas ao longo dos três anos, primeiro linguagens, depois humanas e por último naturais, para enfim, desenvolver um foco na linguagem, na contextualização (leitura e interpretação) e depois no método científico (formalização e representação dos fenômenos naturais), e a sagrada matemática, e eis que minha tradutora preferida Denise Bootmann , me saca e compartilha um meme com esta boa ideia e obsessão leibniziana - porque eu chamo assim esta sacada da MATHESIS UNIVERSALIS Cartesiana...

Que no fundo tem origem na ideia salvadora de Galileu de que Deus escreve e criou o mundo em linguagem matemática. (nota: "Mathematics is the way to understand the universe. ... e Galileo também diz, "The laws of Nature are written in the language of mathematics.” Ou "Nature's great book is written in mathematics." Ou, ainda mais, "God wrote the universe in the language of mathematics." Galileo ou, enfim, para parar por aqui com estas citações em inglês "The Universe is a grand book which cannot be read until  one first learns which it is composed.   It is written in the     language of mathematics..." citações tiradas QUOTATIONS ABOUT MATHEMATICS)


 E que EU GOSTO...porque a ideia de uma linguagem simbólica que seja capaz de dar conta e nos permitir compreender tudo que há é uma boa ideia, ainda que eu seja o último homem deste planeta a querer suprimir as linguagens poéticas e a multiplicidade de códigos que os homens criaram e desenvolveram para se expressar, expressar as coisas e expressar aquilo que não é tão inteligível ou um dado imediato dos nossos sentidos ou percepções....e voltamos a lógica, posto que sob toda linguagem a uma operação do nosso pensamento e examinar suas regras, sua forma lógica e suas funções é tarefa nossa também, bem ali, onde a divisa entre matemática e lógica fica quase indiscernível...

em resumo, a MATEMÁTICA É UMA LINGUAGEM e compreender sua história a história de suas aplicações é compreender uma bela parte história humana e da história da ciência...a tradução do texto abaixo é simples...posto se for curtida por mais de 10 pessoas...kkkk

sábado, 20 de dezembro de 2014

CONSCIÊNCIA E EXISTÊNCIA

Este seria um bom título para a nossa liberdade em sua plenitude....

SOBRE A ENDOXA DE ARISTÓTELES

ENDOXA_MARIANE

COMPARTILHO AQUI O ARTIGO DE MINHA AMIGA MARIANE SOBRE O MÉTODO DAS ENDOXA DE ARISTÓTELES:

COM UM COMENTÁRIO PARA ELA E MEUS ALUNOS DE FILOSOFIA E SEMINÁRIO DE 2014

Uma das coisas que me surpreende nestas redes sociais é justamente isto. A gente escreve e acha que ninguém lê ou curtiu, mas somos surpreendidos com comentários e mesmo diálogos sobre o que escrevemos. Por isto, escrevo e publico aqui também. Não são artigos acadêmicos, mas bem, são lidos e geram reflexão que é o que me importa em meus enunciados, discursos e posições. A Endoxa me apareceu nas aulas de seminário integrado no ensino médio e de filosofia por conta de que eu deveria encontrar sim algo como uma opinião na base de todo discurso  e de minha análise do discurso a  partir da diferença platônica entre doxa e episteme. Assim, acabei adotando endoxa com muito prazer para tratar das opiniões dos mais sábios, mais experientes e mais práticos - que ainda que não sejam capazes ou intentem em seus propósitos dizer a causa ou determiná-la com rigor  - nos apresentam uma opinião  que deve ser levada em consideração e que pode nos ajudar a começar na abordagem cognitiva ou teórica de determinado assunto. E eu precisava encontrar uma forma de diferenciar todas as opiniões sem usar alguma guia ideológica e tal. E neste ano isto foi muito importante. Nem sempre a famosa voz da experiência está correta e é a diretora que resolve os conflitos de opinião, mas deve ser levada em consideração. A piada é que eu descobri que os bons jornalistas ou os mais reconhecidos geralmente são especialistas em endoxas e alguns poetas também. Isso ocorre quando a opinião sofre certa mutação e vira informação, ainda que não tenha o grau de conhecimento e precisão que nós gostaríamos que fosse apresentado sobre determinado assunto.. Assim, em minha análise do discurso acabei então diferenciando em sua base DOXA e ENDOXA. E constitui, então para análise e classificação de tipos de discursos uma escala de OPINIÃO, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO...e a parte legal é que partes das ENDOXAS chegam sim a compor, em alguns casos, senão um discurso de conhecimento, parte das tarefas a serem cumpridas e analisadas por quem deseja conhecer mais e expressar algum conhecimento sobre alguma coisa. Deixarei aqui, por último, uma pista de que neste tema estamos também bordejando aquele limite em que o senso comum  está na fronteira do bom senso.
Mariane respondeu ao meu comentário assim:

“Sinto-me honrada por meu trabalho poder fazer parte da discussão com seus alunos, Daniel. Estou de acordo com tudo que disseste e acho uma maravilha que possamos traçar, como tu traçaste, paralelos com o cotidiano e levar isso para a sala de aula, não restringindo a discussão aos pequenos circuitos acadêmicos.”

Compartilho a mesma opinião aqui. Gostei muito do teu artigo que somou-se avançando ao que li no Dicionário de termos gregos de Peters e em algumas pesquisas. .Estive às voltas sim com a endoxa de Aristóteles o ano todo. E mesmo nos debates políticos vi ela mais confundida com certo senso comum da pior estirpe com ares de razoabilidade forçada. Gostei muito de tua abordagem e elucidação e avançamos muito nisto saindo do simplismo de tratar sempre a opinião como preconceito ou senso comum.

Um abração.  

PARECIA MESMO QUE NÃO IA MUDAR NUNCA, APESAR DE SER UM ABSURDO

Vou comentar de forma bem ingênua isto que o Renato Janine Ribeiro disse hoje aqui sobre o fim do embargo americano à Cuba.

Vou citá-lo integralmente:

“Só depois de anunciada a reaproximação EUA-Cuba, é que eu percebi que não esperava isso. Parecia dessas coisas imutáveis, como foi a ditadura comunista, a impunidade do Elemento, no Brasil o regime militar enquanto durou...

E racionalmente eu sabia que ia cair, que não dava mais. Mas é incrível, durou 54 anos. Uma vida. Mais do que a vida inteira de muitas pessoas. Dá um calafrio.
E com isso volta a ser normal o que, por tanto tempo, viveu na exceção.

Deveríamos fazer esta pergunta - como subsiste o absurdo, o errado, o espantoso? - com frequência.”

Depreendo daí também que ele não entendia como nunca havia perguntado antes como isto foi possível. E eu pensei assim que ele – o embargo - sobreviveu pelo hábito, pela rotina, pelo conformismo e naturalização desta decisão e pela força aparentemente inquestionável das tradições e decisões anteriores. Mesmo quando elas são erradas, absurdas e espantosas aos nossos olhos. Fiquei até pensando numa alternativa ou em um  dispositivo de caducidade para certas decisões. E o exemplo incrível aqui - no teu paralelo com a vida e é a vida e nossa forma de vida o que realmente importa mesmo como valor último - que todos aqueles que viveram para tomar estas decisões do embargo, bloqueio e etc já se foram deste mundo para outro mundo ou nenhum mundo. É o já citado por muitos, governo dos mortos sobre os vivos.

A pergunta derradeira aqui deveria nos levar a perguntar se os vivos estão vivos mesmo? E se sua vitalidade tem disposições reais e se eles tem deliberado de fato, com autonomia, responsabilidade e legitimidade sobre suas próprias vidas e forma de viver. E estava mesmo lendo aquela escrita maravilhosa para mim do Foucault ontem sobre "aqueles que obedecem a regras que não se mostram inteiramente a sua consciência" e agora fiquei pensando se este não é um exemplo destas mesmas regras ou disposições de regulação que escapam a nossa existência e consciência e seu sentido inquestionado.

Parece que Obama encontrou uma brecha na história para conseguir mudar isto e os mortos não vão reclamar mesmo.    

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

FOUCAULT – WALK IN THE LINE

“Eu compreendo bem o mal-estar de todos esses. Foi, sem dúvida, muito doloroso, para eles reconhecer que sua história, sua economia, suas práticas sociais, a língua que falam, a mitologia de seus ancestrais, até as fábulas que lhes contavam na infância, obedecem a regras que não se mostram inteiramente à sua consciência; eles não desejam ser privados, também e ainda por cima, do discurso em que querem poder dizer, imediatamente, sem distância, o que pensam, crêem ou imaginam; vão preferir negar que o discurso seja uma prática complexa e diferenciada que obedece a regras e a transformações analisáveis a ser destituídos da frágil certeza, tão consoladora, de poder mudar, se não o mundo, se não a vida, pelo menos seu “sentido”, pelo simples frescor de uma palavra que viria apenas deles mesmos e permaneceria o mais próximo possível da fonte, indefinidamente. Tantas coisas em sua linguagem já lhes escaparam: eles não querem mais que lhes escape, além disso, o que dizem, esse pequeno fragmento de discurso – falado ou escrito, pouco importa – cuja débil e incerta existência deve levar sua vida mais longe e por mais tempo. Não podem suportar ( e os compreendemos um pouco) ouvir dizer: “O discurso não é a vida: seu tempo não é o de vocês; nele, vocês não se reconciliarão com a morte; é possível que vocês tenham matado Deus sob o peso de tudo que disseram; mas não pensem que farão, com tudo o que vocês dizem, um homem que viverá mais que ele.””

Michel Foucault. A Arqueologia do Saber.

Na última página e parágrafo da conclusão.    

AGENDA DE FIM DE ANO E NOVO ANO

Muitas coisas para escrever e terminar em meu departamento de escritos, ensaios, pitacos, notas e anotações, revisões e estudos, mas tudo bem. Tarefas da Escola cumpridas, quase tudo organizado na vida pessoal e profissional e já estou só pela festa de final de ano, organização da formatura e mudança de calendário e agenda, que venha o Natal, 2015 e meus 50 anos. Parece que meus 50 anos vem com uma mesma pauta de 20 anos atrás a tal pós-graduação - aquela que o FHC ajudou a atrasar ou retardar, mas que é de completa e absoluta responsabilidade minha  - retornando com toda força para as próximas semanas e quem sabe ano ou anos...Meu otimismo nunca foi maior que meu realismo, mas é uma dose de motivação entre o sonho e a realidade, que torna muitas coisas possíveis...e que mantem a existência de outras...equilibrando, amadurecendo e andando...e isso sempre junto com mais alguém neste mundo...estou sinceramente feliz com meus amigos e amigas, colegas, alunos e alunas, parceiros e parceiras de jornada...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A REVOLUÇÃO TAMBÉM NÃO SERÁ ASSALARIADA, NEM BONIFICADA OU REMUNERADA JÁ QUE ALGUÉM DISSE QUE A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TWITTADA....

ALGUNS MERECEM MESMO ENCONTRAR E TER O SEU PRÓPRIO MICHAEL KOLHAAS

SOU DAQUELES HOMENS -  e não tenho mais o direito de me chamar de outra forma - CUJA ESPERANÇA VÃ E FATALISMO INADVERTIDAMENTE RECORRENTE, MARCADO POR EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS, EM MUITOS CASOS INACREDITÁVEIS E EM OUTROS CASOS MEROS TESTEMUNHOS PASSADOS DE BOCA EM BOCA - desde que meu avô Wilhelm me advertiu, ao seu modo, que toda força tem um ponto em que quebra, que todo pinheiro por maior que seja haverá de ter o seu próprio e definitivo machado que o derrube, QUE TODA CORDA PODE SER ROMPIDA, que penso sim que para todo TRONKA HAVERÁ DE ENCONTRAR SEM MAIS A PERDER O SEU KOLHAAS, e que para tal HAVER basta passar o limite, aquele limite em que passamos a entender rapidamente a diferença entre um justo requerimento e o abuso escancarado e gritante...e que assim trampa por trampa, se acaba....e o que para alguns é uma pura figura da literatura se me apresenta apenas como algo possível e que em certas circunstâncias migra para o domínio do provável e do esperado e aguardado...e assim vemos a ficção que se cruza com a realidade....vai vendo, vai fazendo e vai aprontando...link para a resenha:Michael Kohlhaas e a mentira convertida em ordem universal

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ARTE COMO DIVERSÃO

Fiquei pensando nos meus próprios limites sobre esta questão. E também olhando em volta de mim - nestes aqui 4.500 amigos, amigas, colegas, conhecidos e próximos em alguma coisa, em quantos destes aqui e daqueles lá fora disto aqui se percebe bem que olham para as artes,a literatura e mesmo para o pensamento como diversão. Não diria que olham sempre assim, mas olham e pensam assim na maior parte do tempo. Uma diversão, ou uma certa variação e diversificação do cotidiano, do imaginário. Um adorno ou incremento estético, um presente agradável à sua própria sensibilidade. A busca de um conforto ou de uma zona de conforto também na linguagem - as belas imagens, belas palavras e boas canções - em meio aos desconfortos e inadequações cotidianas. Beleza, sim, este refrão saudação cativante e diverso do mundo cão, da vida dura, da terrível exposição de maldades e perversidades. E quando se pára de fazer isto? E porque isto ocorre? Quando prestei um pouco mais de atenção em Iberê Camargo praguejando não contra um erro conceitual ou de classificação, mas sim contra um poder de errar, uma espécie de direito que alguns julgam possuir de poderem errar. E fiquei pensando que, então, um erro com arte será sempre um grande erro, pois será apreciado, adorado, curtido e compartilhado. Não tenho o direito de furtar a qualidade de diversão da arte, mas fico pensando quando é que ela passa a ser mais do que isso e nos dar um outro tipo de conforto, um outro tipo de horizonte para o nosso real. Sim, sei bem que sonhadores não estão em moda e que é mais farto o leito dos que gozam esta vida numa busca maior de defeitos do que de precisões, mas penso sim que a arte pode ser mais do que pura diversão e que a escritura também pode ser mais do isto. Entendi à pouco - lendo um texto de  Foucault sobre Delleuze em que Platão anda como um fantasma pairando sobre nós - porque certos filósofos nos aborrecem, em especial aqueles que pensam aquilo que não queremos pensar. E, concluo, então  que se a filosofia não tem salvação, nem o homem muito divertido e satisfeito terá também.... 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

SOBRE REGRESSÃO POLÍTICA

Aquilo foi uma coisa tão nojenta e asquerosa que a primeira tendência que eu senti é de reagirmos com raiva e personalisando o Bolsonaro ou vitimizando a Maria do Rosário, mas o problema é político. Bolsonaro é somente uma das pontas desta política regressiva. Se você assistir o que alguns deputados dizem e expressam no congresso é de doer. E mesmo a velha cordialidade que era o método tradicional de dominação.da elite se perdeu. É uma grosseria atrás da outra, mas a causa é política e estas grosserias expressam o quão intolerável é para eles  o regime democrático principalmente quando eles não vencem e apesar de terem certa maioria no congresso conquistada legitimamente nas urnas a política deles tem se resumido a isso, expressando de forma brutal o segmento e as ideias que representam. É a moral da vingança e do ódio casada com um senso comum parlapatão, cuja envergadura moral é esta espinha de peixe alquebrada em pedacinhos e micropolíticas e minipólios. O que me aborrece  mesmo é justamente o fato de que com o Congresso que se formou cabe somente ao PT tentar corrigir isto com Psol e PCdoB.

MINHA ANUNCIAÇÃO

Semana que vem começa a derrama dos meus textos inéditos, inacabados e não publicados do último semestre de 2014. No ano da eleição e do fim do mundo, da ressurreição da ultra-direita e da copa do mundo, escrevi muito sobre diversas outras coisas. Terei que ser mais criterioso e menos permissivo comigo mesmo e revisar com rigor antes de publicar tudo no blog e algumas coisas aqui. Serão dois anos completos já de dedicação exclusiva aos estudos, de música, de arte, história e filosofia, com muita preparação de aulas, e neste ano o início do Pacto pelo Ensino Médio também deu no que falar, deu o que anotar e ainda tem aqueles dois seminários sobre educação da SEDUC-RS dos quais muito pouco caiu aqui. O Seminário que não foi Desintegrado e tantas outras coisas de uma atividade cuja base é a significação, interpretação e contextualização. Mas é fim de ano e estou bem às voltas, como todos os meus colegas e minhas colegas aliás em todos estes assuntos,  com o fechamento do ano letivo, PPDAS, Planos de Estudo, Trabalhos e Avaliações com Notas ou Menções e seus Pareceres. Tem a Preparação para formatura de mais de 100 alunos no Ensino Médio do Olindo Flores. Que é a colheita mais humana do nosso trabalho de anos. E nesta Vida de professor que é sim a vida que eu escolhi incentivar, empurrar e estimular nossos sucessores, irmãos e irmãs a andarem mais longe, mais adiante e melhor do que nós mesmos.. E vendo ainda agora alunos ingressarem na universidade, outros concluírem seus estudos e, em alguns belos e maravilhosos casos, meus amigos e amigas iniciarem já suas atividades docentes. 2015 promete muita coisa e eu aguardo todas as tempestades, todos os ventos, todas as brisas e mesmo as calmarias, porque navegar é preciso e na "bruma leve das paixões que vem de dentro" minha paixão segue...me inclinando em frente, me inclinando á derribada daqueles que não fazem jus á suas tarefas...Devo ser o único cara que escuta Slowdive - e só quem fizer o teste entenderá porque em especial Souvlaki Space Station agora - e pula para Alceu Valença que em Anunciação tem a prosa mais bela e límpida da poesia cantada e musicada brasileira. Da primeira vez que te ouvi pensei - com meu botões e dedões - sim a língua portuguesa é bela e mais bela será quando for compreendida, TÓ:ALCEU VALENÇA - ANUNCIAÇÃO

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

BREVE COMENTÁRIO NA EXPRESSÃO DE PAULO FREIRE SOBRE DISCURSO, AÇÃO E MUDANÇA NA EDUCAÇÃO

"De nada adianta o discurso competente se a ação pedagógica é impermeável a mudança". Paulo Freire

Sobre discurso, ação e mudança muita coisa já foi dita em vários domínios. Mas há que se atentar que neste caso, ao meu ver, trata-se de uma refutação de um tipo de discurso pela sua prática conservadora e que não aceita a mudança. A impermeabilidade á mudança é sustentada por uma espécie de alegação de competências ou se quiseres saberes. Mas vou mais longe aqui, pois há também a alegação de incompetências e não saberes para resistir à mudança e neste caso a resistência à mudança não se dá somente por competências , mas sim por inseguranças e instabilidades e pela falta de certa tranqüilidade para enfrentar a mudança.

Ou seja, trata-se de um discurso que ou bem afirma competências e saberes para recusar a mudança pedagógica proposta ou bem afirma a ausência destes saberes e competências para empreender a mudança. A contradição, portanto, entre discurso e prática  nos domínios das pedagogias apontada por Paulo Freire não vale exclusivamente para a mudança, vale inclusive para a manutenção de uma ordem pedagógica cuja ausência de reflexão e de formação permanente acentua a acomodação e a resistência à mudança. Quando Paulo Freire, nesta expressão que analisamos agora fora de seu contexto original, usa a chave “de nada adianta” podemos pensar também que mesmo o excesso de permeabilidade à mudança, sem a devida reflexão e criticidade, também de nada adiantará, pois provocará a mudança aparente ou cosmética, a mudança por adaptação e não a transformação da realidade educacional.  Assim, a velha forma de admiração ingênua engendra aqui também uma pseudo-mudança que durará até que a vida os separe.

Se colocarmos em detalhes as mudanças propostas e das quais e com as quais muitos se ufanam de simpatizar, defender ou esposar, encontraremos também outras contradições entre discurso e práticas, entre um discurso competente e altamente apropriado e uma ação que não impõe a emancipação dos alunos, não liberta os jovens de seus medos de fracasso, nem os professores dos seus temores de incompetência. Há, portanto, uma outra contradição que acompanha o “discurso competente” que consiste justamente em justificar sua prática inter-pares e frente aos alunos usar como argumento o tradicional, o velho argumento de autoridade que funda escolhas teóricas, metodológicas e conceituais em sua preferência, juízo exclusivamente pessoal e que jamais admite o questionamento.  É comum o discurso competente ser uma espécie de discurso de seita com fundamento subjetivo numa crença geral sobre os sagrados objetivos e os melhores resultados da prática docente segundo certa acepção ou escola. Ao renunciar a problematicidade de toda prática – com um discurso competente – se consolida a barreira para mudança.


Eu só vejo uma saída aqui: compreendermos a medida em que este discurso de competência sustenta as crenças do educador ou educadora e ir aos poucos e dialeticamente apontando outras perspectivas para dissolver a resistência a mudança e se reconhecer melhor a sua necessidade. Isto é, deve haver confronto, conflito e problematização radical das idéias, mas é preciso compreender e levantar claramente de onde vem a reação à mudança e não somente confrontá-la sem a apresentação e análise de suas razões.  

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O IRMÃO ALEMÃO

Meu presente desta semana - a cada semana precisamos de pelo menos um presente - foi O IRMÃO ALEMÃO do Chico Buarque....a boa literatura sempre nos ensina que uma história bem contada vale tanto quanto a verdade, pois entre o sonho e a realidade reside toda nossa dignidade....

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

CONSERVADORES E RADICAIS

PAULO EDUARDO ARANTES: "A esquerda no Brasil é moderada. O outro lado não."


Os conservadores tradicionais e os moderninhos tem uma característica muito notável: são autoritários radicais. Eu estava mesmo dando uma lição sobre Democracia e Liberdade ontem, para qualificar a diferença entre Conservadores, Liberais e Progressistas em relação à passagem sobre a polis grega de Hannah Arendt em que ela defende a interpretação fatual de que os gregos consideravam política um método não violento de resolver os assuntos públicos, e daí apareceu este tema no debate sobre o radicalismo dos conservadores. Aliás Justamente ontem que se comemoram os 59 anos de aniversário do ato de rebeldia de Rosa Parks em 1 de dezembro de 1955 contra a segregação racial.

Em minha lição conclui que toda direita é radical, que todo conservadorismo se recusa a ouvir o outro lado e a negociar. E não é muito difícil juntar todos os dias exemplos deste tipo de intransigência e intolerância basta assistir os debates no Congresso Nacional, porque lá se identificam facilmente os elementos autoritários e conservadores nitidamente por uma postura, método e conduta de intransigência e intolerância. A veemência e o fanatismo das falas deles são notáveis. E quando adotam tanto o estilo agressivo quanto o debochado, percebe-se claramente o desprezo e o desrespeito às posições dos outros. O que também é uma forma autoritária de conduta. 

Lembrando a luta pelos direitos civis americanos e uma cena de Newsroom, em que o âncora muito bem  representado por Jeff Daniels da emissora lembra a uma advogada abismada em uma banca que um ano antes de Rosa Parks, a “menina” com 42 anos que foi a lider ou que gerou o estopim do boicote aos ônibus em 1955. O exemplo do Jornalista-âncora, que não precisa verificação agora é que em 1953 a história teria sido diferente se a líder fosse uma negra, com dois filhos, que era prostituta, que não freqüentasse a igreja da comunidade e que lutava então para poder andar no ônibus dos brancos. Quer isso fizesse ou não toda diferença não importa, mas é notável no perfil moderado da causa que justamente a negra ajustada, cristã e boa devota da paróquia local foi quem liderou a luta por direitos civis em seu primeiro capítulo com manifestações. Ela era moderada e os radicais no caso eram o brancos, que sequer aceitavam ouvir suas razões e negaram elas até o final. E quanto a isto não pode ser dito que foi superado, apesar do presidente Obama ser negro. Como, podemos ver  ainda hoje os prefeitos ou Majors de muitas cidades americanas – como vimos semana passada - ainda montam uma estrutura e equipe policial majoritariamente branca para cuidar dos bairros majoritariamente negros de suas cidades. E radicais são os negros? 

Na real é uma obviedade em qualquer lugar do mundo isto. Martim Luther King era moderado, os brancos do sul é que eram radicais... E aqui no Brasil, em geral, só vence nas urnas a esquerda democrática e moderada.... E, por outro lado, na bancada mais conservadora só se elegem os mais raivosos e sectários. Como vejo é preciso entender isto de uma vez por todas e acabar com as ilusões e velhas pretensões autoritárias, totalitárias e absolutistas de certa fração da esquerda progressista que acredita que vai conquistar ou tomar o poder e implementar goela abaixo a agenda e o programa mais radical. E toda crítica à conciliação, políticas de transição, negociação e composição peca justamente por isto de princípio. 

Penso com respeito a isto que falta dialética a certo setor do marxismo ocidental brasileiro. E esta posição não me transforma em um entreguista nem em alguém que não quer mudanças radicais, mas somente em alguém que dá uma outra resposta para o "como fazer". Que não é muito diferente aliás da resposta dada por todos que fizeram e que conseguiram fazer e cumprir o feito de resistir ao tempo e promover mudanças. 

Os dois flancos do embate são ainda o político e o cultural e no cultural, observo, que andamos perdendo muito ultimamente. Também porque não defendemos com tanta clareza que nada é mais radical e revolucionário do que o diálogo, ouvir razões e argumentar num tempo de violências, explorações e de formas de dominação tão mesquinhas e com tanto desprezo pelo outro. Do que a raiva dos nordestinos, dos negros, dos índios, dos gays e lésbicas, dos ecologistas, dos sem terras é só uma pontinha da maldade e da velha perversidade conservadora.

Para mim a nova direita não surgiu após Julho, mas sim se fortaleceu após julho com este tipo de raciocínio infantil e mecanicista e purista do 8 ou 80, tudo ou nada, ou do que o Sakamoto chamou de binarismo e eu tenho chamado de novo absolutismo político. E os sinais disto estão já bem claros nos comportamentos e juízos de certos eleitores e simpatizantes. 

E esta intolerância se encontra muito bem com o perfectismo e o esquerdismo de alguns que só aceita a esquerda autêntica com muito discurso e pouca ação, muito programa e pouca gestão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

CONTEÚDOS INTENCIONAIS E CONTEÚDOS FATUAIS; A MALDITA DISTINÇÃO E PARENTESCO

Hoje fui obrigado a abrir mão de algo que sempre evito fazer, e após a interrogação de uma aluna sobre opiniões, me coloquei a fazer aquela maldita distinção entre conteúdo fatual e conteúdo intencional. Quando digo que fui obrigado, assumo que me senti obrigado e bem provocado a ser mais claro em minhas interpretações e pretensões de interpretações sobre certas teorias e fatos. E admito que é algo que mesmo hoje me confunde e que eu confundo também. É uma distinção maldita porque coloca em risco a possibilidade de verdade, e introduz a possibilidade de todas as nossas proposições serem apenas menores que verdadeiras, serem relativas à nós e não aos fatos, e, portanto, indecidíveis quando nosso acesso a certos fatos é dificultado ou mediado por uma miríade de outra interpretações e reconstruções,  em resumo, apenas aquilo que a gente gostaria que fosse o caso e não o que é o caso. Assim, uma determinada proposição filosófica sobre fatos pode apenas ser aquilo que eu preferiria que fosse o caso sobre fatos. O exemplo em tela foi a interpretação de Hannah Arendt sobre a política grega como negação da violência e a mesma aluna com seus colegas haviam acabado de assistir Pompéia e, no caso, lembraram neste filme que a violência foi chamada de apenas uma questão política entre outras questões políticas. No caso que é da natureza da política a violência. Sempre lembro de todas as guerras entre gregos numa hora destas. E me lembrei como nós gostaríamos que fosse diferente. Em especial para mim - e para Hannah Arendt e outros pós iluministas convictos - onde a violência aparece pela ausência de pensamento, a violência é a última alternativa para quem desistiu de pensar, ou a primeira para quem nunca aceitou as razões do outro ou sequer tentou compreendê-las. A maldição, parece ser aqui um detalhe pequeno mas decisivo para mim que é que o conteúdo intencional em juízos morais, também pode não ser verdadeiro, pode não ser confiável. Mas como eu posso saber? E para mim o caso mais maldito é justamente aquele em que tratamos do amor, pois é aí que a declaração tímida ou mais apaixonada de afetos e desejos fica entre o liame da verdade e da intencionalidade, bem em cima da divisa em toda sua ambiguidade e também com toda a ironia que é possível perceber. Você refere ao que sente e ao que quer, mas isso está em seu interior e eu não tenho a menor possibilidade de saber ou verificar alguma coisa sobre isto. Só me resta sentir aquilo que eu gostaria que fosse verdadeiro. Minha intencionalidade e razoabilidade se assenhora da situação e toca em frente, como se nada tivesse acontecido ou como se tudo tivesse acontecido, mas que, enfim, não faz diferença alguma porque não o sei.  E aqui, retorno ao caso da violência, como posso saber que a política grega não tinha a violência? Como posso saber que o amor, não tem dentro de si também algo semelhante como que a negação de si mesmo embutida e em semente, pronta para se enunciar. Gostaríamos que fosse diferente, muito...mas não podemos saber isso...e agora vendo Ingmar Bergman que dava tanta atenção para estas nuances, para estas formas e  circunstancias existenciais, para este vazio de sentido, entendo um pouco mais porque a intencionalidade parece tantos ser aquela velha traidora que nos engana a todo tempo, nos levando muitas ao oposto do prometido....e entendo porque é preciso ir com mais calma ainda...e muitas vezes deixar passar aquilo que mais gostaríamos, para poder encontrá-lo integramente na sua verdade.     

domingo, 30 de novembro de 2014

ESTÉTICA E AUTENTICIDADE EM BERGMAN

Muitas teorias procuram dar conta da diversidade estética gerada pela modernidade. Não é esta minha especialidade, nem minha maior área de interesse, mas após ousar adquirir IMAGENS  de Ingmar Bergman, sem ter vistos sequer uma terça parte de seus filmes, o que por si só já é um acidente biográfico razoável e iniciar uma das leituras mais prazerosas que já realizei pelo misto entre vida e obra ali presente e sentir uma intensa afinidade entre ideias e criações - e entre suas ideias e algumas impressões minhas e algumas questões e conceitos com que ando zanzando sobre a vida,a liberdade, crença, fé, arte, relações e etc, e também sobre autenticidade, felicidade, educação, segredos e revelações, culpas, doenças, maturidade e infância, menoridade, interpretação, verdade, depressão e discurso, me alegro com o que leio e com o que vi. E fiquei pensando que com ele - assim como com alguns outros artistas - a questão não é a do filme ou obra intelectual ou intelectualizada, ou do papo cabeça, mas sim de uma certa relação entre o que eu chamaria de Estética Autêntica e Vida, que se resume conceitualmente para mim entre a nossa forma de ser e a nossa forma de pensar...num tempo em que muitos querem ser uma coisa, pensando em outra, este encontro na na obra dele e na pessoa dele me gratifica. Pois a honestidade com que ele narra e nos apresenta bem objetivamente suas ideias e experiências sentimentais e existenciais próprias e paralelas com seus filmes é uma grande lição de reflexão e auto-consciência. E para mim isto é absolutamente necessário para uma verdadeira arte que faça sentido ou que desperte um desafio real - ainda que seja com fantasias e delírios, sonhos e imagens, ao sentido. Haveria, então para mim, uma estética da autenticidade, como a letra da canção que ontem improvisei para minha filha gremista que me pintava à caneta: NÃO ME PINTA COM TUAS CORES ANTÔNIA, PORQUE SE VOCÊ ME PINTAR, EU FICAREI AZUL..., naqueles meus acordes a rima entre Pinta, Antônia e Azul é perfeita, e isto ao entardecer de uma tarde, após passarmos vibrando pelo Beira-Rio na ida e na volta da Fundação Iberê Camargo e excitados com a possibilidade de assistir ao nosso primeiro jogo de futebol juntos com a Isabella e, ao mesmo tempo, premidos pelo tempo e outars agendas familiares. Uma obra singela como esta tem a mesma dimensão para mim de uma grande obra, ela vem da vida e pertence à vida do seus autor. Neste tipo de estética  não há nas suas emoções aquela contenção forçada que sói aparecer nos que fazem muitos planos. Nestas obras eu sinto como que um fluxo entre argumento, narrativa, roteiro, enredo e aquele mundo paralelo e real do autor que acompanha este processo. E Bergman ilustra isto muito bem com algo que me deixou também impressionado: ele fez muitos filmes premidos pelo tempo curto de filmagem: de 30 a 45 dias, e lhe saiu aquelas obras de cuja autenticidade e significatividade não podemos duvidar e cujas impressões e perfeições não conseguimos nos descolar ao assistir tão rapidamente. O tempo na arte é um relativo fundamental com a intensidade do sentimento que o acompanha e isto só se mostra se houver alguma relação entre a estética e a autenticidade, entre a forma de ser e a forma de pensar.      

YES - SOON

Deve ser um sonho bom, sonhar com isto. Deve ser uma ótima mensagem acordar com esta melodia e com esta letra na cabeça. Deve ser algo que possa ter sentido. Mas um sentido comum a respeito de como confortar o outro ou como fazer algo belo que toque o coração do teu próximo. Não sei, mas para mim é só isso e isso é muito mais do que muito mais do que isso. Obrigado....YES - SOON - LIVE 2002 YES-SOON

sábado, 29 de novembro de 2014

NIETZSCHE DELIRANTE

Algumas pessoas que admiram Nietzsche - e Nietzsche é uma das maiores modas filosóficas de todos os tempos - gostam de atentar e se apaixonam pelo personagem "delirante" presente nele e em suas ideias e gostam também de fazer de conta que o lúcido e o hiper-crítico nele é somente uma exceção, uma certa excepcionalidade. Creio que não percebem que são somente duas facetas do delírio: tanto a extrema lucidez e sua crença em si mesma, quanto a extrema loucura ou delírio e seu dionisíaco impulso. 

E Isto é o que explica parte da “dialética” entre dionisíaco e  apolíneo. Nietzsche jamais foi um detrator da lógica ou da ciência, ele é um demolidor de ídolos e, neste sentido, se a lógica e a ciência, ou a fé e a moral, ou toda a metafísica ocidental tiverem – de alguma forma - passado a erigir ídolos, então a lucidez dele e a nossa vigilância vai apontar justamente para este delírio. E a nossa própria tenacidade não poderá se sentir confortável enquanto ainda há muito por fazer....por um demasiado humano....

e esta é só minha pequena nota para a ótima dica abaixo do Jônadas Techio que cita comentário de Rogério Lopes hoje no Facebook à seguinte passagem:


“A ciência exercita a capacidade, não o saber. – O valor de praticar com rigor, por algum tempo, uma ciência rigorosa não está propriamente em seus resultados: pois eles sempre serão uma gota ínfima, ante o mar das coisas dignas de saber. Mas isso produz um aumento de energia, de capacidade dedutiva, de tenacidade; aprende-se a alcançar um fim de modo pertinente. Neste sentido é valioso, em vista de tudo o que se fará depois, ter sido homem de ciência.” (NIETZSCHE, Humano, demasiado Humano, I, 1878: 256)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

FIM DE JOGO

Boa parte da nossa vida consiste em jogar um jogo cujas regras e atalhos, ataques e recuos vamos apenas aprendendo, errando e acertando, tateando como que no escuro. Quando, afinal, para alguns de nós, de fato aprendemos algumas coisas, o jogo simplesmente acaba. Neste filme, O Sétimo Selo (1956), de Ingmar Bergman - entre diversas outras coisas tão ou mais interessantes quanto esta - nos mostra que é preciso ser um verdadeiro artista parta escapar da morte, ludibriá-la e retardar sua vitória sobre nosso frágil corpo. Nesta cena o cavaleiro busca entender esta vida e vencer a morte num jogo de xadrez cujo final todos devem saber, posto que a morte ali - como o absoluto ou a totalidade negativa - é quase a única fonte de todas as jogadas possíveis, pois possui em si uma espécie de depósito de todas as sutilezas, gambits, manobras e esquivas produzidas por todos os outros homens que ousaram desafiá-la de alguma forma. E tanto a humildade como a arrogância podem muito bem acompanhar esta desafio, pois quando olhamos para morte jamais olhamos para um vazio mas sim para nós mesmos em nossa completa observação. Assim, desta forma eu vejo este olhar do cavaleiro para a morte: olhando para si mesmo e tentando ocultar o que pensa. Mesmo não sendo possível fugir à morte é, então, ainda possível pensar nisto. Por esta estreita passagem projetamos sobre nós e os nossos a imortalidade como uma aposta da razão, que não nos custa nada e nos conforta, porque com toda dor e sofrimento, ainda assim tentamos e persistimos mais um pouco.Não há nada de insensato nisto, pois justamente a partir daí que se abrem as nossas mais nobres esperanças de que as coisas possam um dia ser melhores ou diferentes, ainda que o jogo se encerre para nós. 


AS CARTAS DO DESENTENDIMENTO E DO ENTENDIMENTO: DE NEAL CASSIDY A JACK KEROUAC; DE ALBERT CAMUS A JEAN PAUL SARTRE

Bom Dia...

As Cartas importantes andam mesmo aparecendo ultimamente. Curiosamente cartas do período do pós guerra e dos anos 50. Na segunda-feira fomos brindados coma notícia de que a famosa carta desaparecida sobre Joan Anderson de 1950, de Neal Cassidy para Jack Kerouac - a inspiradora missiva que fez Jack mudar o rumo e o estilo de sua prosa, será leiloada em 17 dezembro deste ano.Veja a matéria  aqui.

Agora apareceu uma das últimas cartas ainda inéditas de Albert Camus a Jean Paul Sartre anterior a ruptura de ambos. Matéria do Jornal Folha de São Paulo sobre isto aqui.Na segunda-feira mesma, antes de saber de Jack e Neal dei uma lida legal numa matéria sobre a visão de Virginia Wolf sobre a importância do estilo, forma e conteúdo das cartas, correspondências ou epístolas. 

Para mim as cartas são as peças mais claras de um diálogo e mais são aquelas peças que não escutam a resposta do interlocutor, mas o provocam e reapresentam as diferenças e os conteúdos próprios dos diálogos entre dois interlocutores. As vezes com uma carata só se sabe o que estava pegando entre ambos. Qual o ponto de controvérsia, desacordo, acordo e que propostas no jogo ente ambos, que lances no jogo entre ambos foi feito por um ou por outro.

E compreender as diferenças é bem mais importante do que pareceria. Entre Jack e Neal havia uma espécie de transe que mesmo na diferença calhou a produzir On The Road e não me admire que entre Sartre e Camus houvesse também algo semelhante. Compreender então a diferença entre ambos, não para eleger o melhor, mas para compreender a diferença e as escolhas de cada um, é também um exercício do nosso entendimento sobre o que é em cada um e entre ambos a pedra de toque. Descobrir as motivações e analisá-las vira então um exercício do nosso pensamento e sensibilidade. 
  
Assim, o caminho do nosso pensamento conduz a diversas formas de encarar as diferenças...entre estas a mais nobre e elevada envolve ter clareza mesmo no desentendimento....preservando a cordialidade e civilidade mesmo na divergência, na adversidade e na contrariedade....não se é racional ou razoável porque se concorda com o outro ou porque e somente se concordamos com ele, mas também no desacordo se pode ser mais razoável, tendo clareza da diferença, tendo a maior precisão da exata diferença que gera ou justifica o desacordo...só resta aos dogmáticos, aos fanáticos e aos sectários a paixão, o ódio e a raiva, porque se desentendem com qualquer um pela mera diferença de convicções, opiniões e situações originais - singulares - e é somente quando isso ocorre que não há mais diálogo...mas esta renúncia será sempre o prenúncio de um regresso à barbárie, à vilania e à violência....é uma decisão difícil e dura ingressar neste terreno e eu creio que cada um de nós deveria ter uma espécie de freio de contenção...alerta automático de prudência para compensar e conter nossos impulsos e, além disso, deveríamos lembrar sempre a todos e a qualquer um onde isso tem acabado e no que foi dar a iniciativa de compreender as diferenças como razão de guerra, não de luta, ou debate, nem de diálogo e entendimento ou desentendimento com clareza....então, assim, para mim, a pergunta que se apresenta aqui é e será sempre: o que é o ser humano que queremos preservar em nós e em que forma dele queremos apostar e desenvolver na nossa própria humanidade e do outro?

Veja-se que o tempo passa e nos impõe a responsabilidade de decidir, ou em hipótese de que tanto eu como você tenham,os que fazer isto, como Camus e Sartre já o fizeram, precisamos ter este acordo sobre isto: sobre nossas diferenças...

No caso se é que você me compreende não é a questão...mas sim se você compreende mesmo a diferença entre a minha e a sua posição...após isso podemos sim romper, não mais falar, não mais dizer...e cada um andar por si para o seu lado e seu próprio caminho...   

terça-feira, 25 de novembro de 2014

OS NEGROS E OS ALEMÃES HOJE EM DEBATE

Atividade que me interessa na EST hoje as 19:30 horas, no Auditório H. Porque sou professor de ciências humanas e porque sou isto justamente aqui em São Leopoldo onde estes dois componentes étnicos complexos e diversos foram parar, se movimentar e se encontrar na esquina da história e que estes componente não são resumíveis nem homogêneos. Pois eu li ontem o ótimo texto do Martim Dreher no Jornal VS sobre o tema e considerei bem importante, porque aponta para a substituição da mão de obra escrava pelos imigrantes alemães e depois outros e é uma espécie de sinal do pouco caso da elite em relação aos homens e mulheres que lhe davam serventias no séculos XIX e que ainda hoje se mostra e se exibe na relação entre as classes subalternas e a elite. Curiosamente e coincidentemente são os mesmos membros da elite que neste momento estão votando na ALERGS mais um privilégio para os deputados estaduais desdenhando dos cidadãos e promovendo somente seus próprios interesses. E também para se pensar na conflitividade ou naquilo que o falecido Marcos Justo Tramontini chamou em sua tese de doutorado de "as diversas situações de conflito" que estou dando certa atenção. Andei pensando muito na relação destas situações de conflito como reforço à identidade e no que de fato um negro e um alemão possuíam como identidades que lhes permitiram sobreviver e resistir em luta contra exploração, diversas formas de opressão e outras coisitas mais. Mas não quero mesmo cair num heroísmo aqui. Se dos negros subsistiu de certa forma a "ancestralidade e a religiosidade", como se deu isto com os alemães? E na conta miúda onde encontram-se os monumentos desta barbárie e que símbolos e sínteses foram produzidas na superação ou ao final de cada um destes conflitos ou de cada partida deles? Quando olhei para a Praça do Imigrante a partir desta pista da conflitividade me dei por conta que ela apresentava uma forma de síntese monumental e integradora das diversas identidades - alemães e portugueses, católicos e luteranos, liberais e conservadores, positivistas e outros - e uma certa pessoa muito sabiamente me lembrou que só os negros não estavam representados naquele monumento e fiquei pensando muito nisto entendendo justamente que a concessão aos alemães havia sido conquistada a ferro e fogo, mas que ainda falta muito para saldar e descobrir este pelourinho invisível que parece estar encoberto ai. Mesmo com todos os estudos sobre substituição da mão de obra - que são muito importantes - parece que me aparece só a ponta deste Iceberg. Eu conheci ainda na minha Infância o Clube 25 de Julho que ficava na esquina da Rua Brasil com a Rua São Joaquim. Havia uma águia em sua fachada cujo molde é o mesmo daquela que está em frente ao MUSEU Histórico. Mas esta história ainda não foi devidamente contada. Ontem - enfim - ao comentar o texto do Martin "Imigrantes e africanos" na sala dos professores, um colega irrompe o diálogo com a seguinte afirmação "meu pai era escravo até os 15 anos, hoje possui 93 anos. Para sair desta situação fugiu com a esposa do...... e se alistou no quartel mentindo a idade." eu fico estupefato e extremamente interessado em compreender esta história que mostra uma ponta solta na nossa leitura deste longo processo. Isto, então, é um indicio a mais que só mostra que ainda há muitos indícios, memórias, sinais e narrativas a serem reconstruídas e de que devemos olhar melhor para o que vou chamar aqui de uma certa escravidão residual no século XX que deve ter sido paulatinamente dissolvida com a CLT e a Segunda Guerra Mundial. Posso então, me perguntar por conta disto o quanto de fato ficamos afastados desta chaga? Além disso, creio que é preciso também lembrar - como disse o marido da Sonia Maria da Silva - que num adiantou muito a Abolição em 1888, posto que a muitos negros calhou voltar a senzala apenas sob outro regime de trabalho, mas ainda explorados, ainda dependentes e ainda subordinados ou tutelados pelos interesses ideológicos e materiais da elite escravocrata. Bem, vou parando por aqui para num acabar dando bom dia para cavalo como disse Ronaldo Nado Teixeira em uma citação sua estes dias.

P.S.: Encontrei lá meus amigos e companheiros de longa jornada o Professor João Carlos Alves Rodrigues, o Professor Roberto Swetsch, o sindicalista dos comerciários e meu parente Silvio Braga Boeira, o Júlio Dorneles, o reitor e amigo Oneide Bobsin e conversei animadamente com o Martim Dreher lembrando as boas passagens nossas do período da SMC 2011 a 2012 em que ele me auxiliou muito na pesquisa para o Memorial da praça do Imigrante. Também encontrei o ex-Pibidiano Joel Decothé agora Pastor Luterano e mestrando. O painel foi antecedido  de alguns congados e uma bela apresentação de um grande conjunto de alunos e do grupo diversidade. E as questões apresentadas pela platéia e as observações do Martim dão já muitas ideias para se desenvolver. Ando pensando muito em duas coisas tanto em relação aos negros e aos alemães: a aculturação e a formação da identidade dos negros na região de colonização alemã e a escravidão residual aqui na região. Além disso creio que o tema geral de exploração de mão de obra, substituição de mão de obra, formação assalariada e também o regime de trocas na região e de acumulação de capital deveria ser visto com mais atenção. Muita gente fala em que nesta região ocorreu forte produção e distribuição de bens de consumo e acumulação de riqueza, mas vejo poucos dados sobre como isto se deu de fato. Martim reforçou e bem no seu fio condutor as referencia aos estudos atuais que se iniciam com Helga Iracema Landgraf Piccolo, com o tratamento e revelação de que os alemães possuíram escravos e como era a relação deles com os locais, mostrando que não há como se sustentar mais a ideia de que os alemães ficaram isolados culturalmente. Para provar isto cita uma carta de uma alemã que dois após a chegada já está manifestando seu interesse em acumular capital para comprar escravos.      

SOBRE BINARISMOS, MANIQUEISMO E OUTROS ISMOS

Sakamoto Ótimo..Veja aqui "Leitores binários em guerra contra seu próprio povo", ele sacou bem e coincidiu de novo, pois estava numa discussão sobre maniqueísmo como exemplo de dogmatismo ontem e creio que se aplica aqui também neste tema do binarismo e em suas formas do que chamei de absolutismo pseudo racional. O exemplo que dei disto está ligado também ao purismo ou perfectismo. O resumo é o velho 8 ou 80, ou A e Z como aponta o Sakamoto. O 8 ou 80 sempre tem este viés e passa uma vida inteira frustrado por julgar sempre a partir de um tudo ou nada. E curiosamente usa este tipo de juízo somente sobre o outro jamais sobre si mesmo. Tenho notado nisto uma tendência mecânica e uma visão simplista da realidade e isto ainda me lembra os padrões de solidariedade que Durkheim tão bem tipificou. Em qualquer um dos casos que possamos apresentar precisamos aposentar o dogmatismo de um lado e o ceticismo de outro e seus pares sentimentais e ingênuos o pessimismo e o otimismo. Algo me diz que estamos dissolvendo ou numa luta árdua contra conceitos-prisão, tentando soltar e libertar as pessoas de ideias que os aprisionam e as impedem de perceber diferenças e encontrar razões. E ontem mesmo estava pensando na necessidade do equilíbrio entre estas coisas e no juízo moderado - ou virtuoso - como bases para uma saúde psíquica que coloque nossos impulsos e nos permita dirigir nossas vidas de forma mais saudável. E digo isso sem buscar uma nova cisma nas igrejas, nas seitas ou nos partidos....        

REBATIMENTO E EFEITOS ENTRE A FILOSOFIA E MUNDO REAL: A PARTIR DA ENTREVISTA DE RAE LANGTON

Nesta entrevista Professor Rae Langton: the world’s ‘fourth most influential woman thinker’, a filósofa Rae Langton, a partir das consequências  reais e legais de uma discussão da sua análise e de sua concepção de "consentimento" nas relações sexuais, dá  em seus termos - aqui traduzidos - um exemplo do que tenho chamado de "rebatimento" (termo tirado de alguns textos e aulas de Brum Torres nos anos 90). 

Eu uso como "rebatimento" entre a filosofia e a história (ou mundo real) assim:  "a filosofia poderia, talvez, ter mais de um efeito sobre o "mundo real". Tão importante quanto isso, o 'mundo real' pode ter mais de um efeito sobre a filosofia; precisamos ter pessoas reais em mente, em nossa teorização filosófica ". 

Os efeitos correspondem, ao que eu chamei de lances de um jogo de tênis. Saque-resposta, cabendo às vezes à filosofia e às vezes à história ou mundo real dar início a uma partida, um game ou set. Minha aplicação disto na interpretação dos "lances" na filosofia moderna não está preocupada com quem dá o primeiro lance, mas sim em tomar um fragmento ou conjunto da jogada ou do rallie e observar a qualidade dos efeitos e o tipo de resposta e pergunta apostos para a filosofia - ou este filósofo ou esta filósofa ou outra e a realidade. 

Me parece que aparecem mais qualidades quando começamos a observar isto não com o efeitos causais, mas sim com lances, provocações, à vezes insinuações que geram interpretações e respostas....

Uma das experiências mais legais foi ficar observando o diálogo entre as teorias de Locke e as leis e medidas inglesas de 1689 e depois na própria Declaração da Independência dos EUA e nas discussões preparatórias dos chamados pais fundadores. Ao mesmo tempo, me parece interessantíssimo olha para a tradição política inglesa com um olho mais atento para a relação Locke e Hobbes com a história política da Inglaterra. O "rebatimento" e o jogo de ambos é notável e mostra mais uma vez como o pensamento filosófico pode ser um móvel dinâmico na realidade. Seja numa preparação, seja na consolidação de uma mudança ou de alguma nova medida na sociedade. 

O que, por fim, não é privilégio dos filósofos profissionais, haja visto que podemos considerar como pensamento ou filosofia também idéias produzidas pro outros tipos de intelectuais e profissionais de outros metiês.

domingo, 23 de novembro de 2014

RETÓRICA E SOBRETUDO, para o Renato Janine Ribeiro

Um dia eu pensei em escrever algo como Confissões de uma filosofia retórica. E é realmente incrível o esforço que temos que empreender contra nossos talentos discursivos e acervos vocabulares para garantir a máxima precisão e honestidade em nossos textos, escritos, discursos e falas. E há muitos casos em que os excessos nos levam, como o vento leva as almas leves, a não dizer nada e também casos em que a simplicidade e a precisão excessiva nos levam a não dizer nada também. Buscamos então um ponto de equilíbrio e um uso parcimonioso da linguagem e de seus recursos. Por isto que me sinto mais à vontade, mais livre, lépido e faceiro, me aceitando apenas como um pretenso e simplório literato, antes que um filósofo ou um sábio. Isto me conforta. A linguagem nos seduz, as palavras nos cativam e prosseguimos dizendo por dizer e por gostar de dizer. A linguagem parece aqui um vício, um grande hábito arraigado, um impulso e uma forma de ser. E é também um poder quimérico, taumatúrgico e sedutor. Mesmo que se desfaça em um contraponto sútil. Mesmo que se dissolva no primeiro exercício de auto-crítica ou que não sobreviva a um exame mais apurado. E nossos principais vícios de linguagem, clichês e chavões, ou jargões são nossas mais exatas confissões. Isso sim que é um Sobretudo!

sábado, 22 de novembro de 2014

O PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA DE SÃO LEOPOLDO - CONTINUA DIRIGINDO A MESMA ORQUESTRA

E tem mais dois anos para continuar escrevendo sua triste história para o povo e para o testemunho incrédulo de muitos homens e mulheres de boa vontade. E não há como dissolver a responsabilidade desta tragédia ou deixar de atribuir-lá aos seus autores do PSDB, PMDB, PP, PSB e outros....toda vez que alguém fala só no PSDB eu lembro que o poder é conquistado por um esforço coletivo e que neste caso a escolha de encetar tal rumo e de todos que escolheram torná-lo viável. Então, nem quarteto, nem quintetos, são os responsáveis exclusivos por esta grande quimera erguida sobre as ambições, más intenções e as velhas perversidades e interesses que tão mal já fizeram a esta cidade. Este é meu testemunho e me conforta saber que tudo passa...ainda que demore mais um pouquinho e que alguns tentam pular fora do barquinho se eximindo de suas responsabilidades neste drama e fazendo de conta que não atuaram no enredo inteiro desta história. A pior coisa que poderia acontecer a esta cidade em sequência é a hipótese de que uma parte dos sócios deste condomínio que agora acusas estar em ruínas sobreviva à QUEDA e continue perpretando sobre a cidade o mesmo engodo e pelas mesmas péssimas razões de sempre.....que o povo esteja atento e não dê mais fôlego a estes aventureiros....divergente e respeitosamente...

SOBRE A ESQUERDA CAVIAR E A MEDIDA CERTA

A discussão sobre mais esquerda e menos direita é bem irônica e vejo as vozes cínicas se ufanando o tempo todo num contra e num a favor ao sabor das marés e das notícias. Não vejo isto como uma brincadeira, nem como um ensaio de medidores e teste do Inmetro para as balanças de precisão e réguas. Não temos o metro de Paris aqui nem calibrador ou medidores prontos para usar. Aqui vale o velho: nem Che, nem meio Che. Não há estas medidas e estes parâmetros mais a esquerda ou mais à direita, e os que existem por ai vivem sendo negados e sucumbindo às velhas retóricas setoriais. Não é porque esquerda e direita não existem, é somente porque nenhuma posição é tão pura e nítida assim e tudo pode ali adiante mudar mesmo. Interessante que não vemos nenhuma prova de Consistência em lugar nenhum do planeta, que tudo que vemos é ensaio, nas esquerdas e nas direitas, com muitas tentativas, acertos e erros nesta matéria sempre. Se Dilma fosse tão ruim assim neste ponto cruel de consistência não teria vencido da forma como venceu e hoje estaríamos discutindo apenas perdas e não concessões ao centro ou à direita. Daqui a pouco aparece uma indicação vermelha e lustrosa e daí vamos ver aquela raivinha aparecer também do outro lado. Esquerda caviar é aquela que fica na torre de marfim, mas também tem a esquerda de pastel de rodoviária que num fica só observando a política dos outros e resmungando de suas imperfeições e reclamando como o mundo é injusto e cruel com suas belas propostas e maravilhosas veleidades. Mas, com a esquerda caviar, é só lá no ano novo quando brinda com uma boa champanhe as viagens que fez e as que fará que descobrimos que para ela: A vida continua...

A VIDA É DURA SIM

Tem que acalmar o coraçãozinho mesmo porque a vida real não é moleza não,  e isso aprendi com um dos quadros do PT gaúcho que mais respeito e  admiro por conta da sua forma de enfrentar a realidade política, com seriedade e honestidade, sem fantasiar nem mesmo ludibriar seus interlocutores nunca, e que avista as dificuldades políticas como um desafio à nossa inteligência e observa que é preciso compreender os limites reais do exercício do poder - o que envolve a disponibilidade de recursos, hegemonia, meios e a justa medida dos riscos que são toleráveis correr, cunhou uma frase que está em uso desde então: A VIDA É DURA!!!!

SOBRE KATIA ABREU NA AGRICULTURA

Tenho uma opinião mais moderada e não por ingenuidade ou puro pragmatismo sobre esta primeira indicação de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura do Governo Dilma (2015-2018), mas sim por certo realismo e também otimismo sobre equações difíceis que são vencidas por operações políticas corajosas e não recuadas.. Algumas pessoas resumem a política à projetos e pautas e, ao meu ver,  se esquecem que não se faz política sem poder e sem dialogar com todos os setores da sociedade. Um governo precisa somar poder e não se dividir e isto deve ser feito mesmo com disputas internas sobre políticas, programas e recursos. Mesmo em governos que há hegemonia programática há esta disputa e em algumas situações ela silenciosa, mas tão acirrada quanto quando é visível.  É melhor isto do que instalar e decretar a ruptura  ideológica na sociedade, consagrando a divisão ideológica e programática existente, e dar à oposição a velha deixa de somar mais forças contra este projeto que continuará sendo generoso com o povo brasileiro também, na superação da miséria e na consolidação e ampliação de políticas sociais que reduzam a desigualdade neste país. Eu não temo Katia Abreu, temo um governo fraco que não é capaz de compor uma síntese na sociedade e com os setores representativos da sociedade. Resta ver como será para manter o equilíbrio entre os setores e preservar as políticas sociais e as conquistas destes 12 anos criando condições para a retomada do crescimento e superando os gargalos na economia e resistindo às políticas recessivas. Katia Abreu é um sinal de que haverá disputa por recursos públicos, mas não é um sinal de que se vai apostar em políticas recessivas e que deprimem as atividades econômicas. Tenho paciência e confiança para ver o resto do ministério e minhas expectativas não se rebaixam por este nome ou esta situação.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A CAUSA DOS OUTROS - CONSCIÊNCIA NEGRA

Eu consigo entender perfeitamente as pessoas que acham ridículas as causas dos outros. Entendo também aqueles que só possuem pequenas causas, causas pessoais ou familiares. Entendo ainda assim pessoas que possuem admiração por heróis que não existem mais e que não são capazes de reconhecer a grandeza da pessoa que está agora ao seu lado ou à sua frente. Entendo também as pessoas que tem muita dificuldade para compreender os erros dos outros. Entendo porque eu entendo mesmo que é possível não ter causa nenhuma, por que é possível não ter grandeza nenhuma, é possível sim viver uma vida inteira sem um ato de heroísmo qualquer, sem correr risco algum, sem se aventurar, sem dar cabeçadas e sem aprender nada sobre como se erra e como se acerta arriscando e tendo a coragem de errar e tendo a coragem de fazer a coisa certa. Dá para aceitar sim essas pessoas e também compreendê-las, observá-las mais e ver o quão emocionante é a vidinha delas assistindo a televisão, ouvindo rádio e lendo jornais e pondo defeito nas causas, nas lutas e nos sonhos e ideais dos outros, mas o que não dá para entender é basicamente o seguinte: SE A CAUSA DOS OUTROS NÃO TE IMPORTA, PORQUE VOCÊ METE O BEDELHO NA POSSIBILIDADE DELES TRAVAREM A LUTA POR ESTAS CAUSAS? Porque você se importa tanto com as pequenas e importantes conquistas deles? Se não te importa, então não te mete e vá cuidar dos teus assuntos, agora se te importa então trata com mais seriedade e informação isso que te parece apenas mais uma CAUSA DOS OUTROS, talvez aprenda a diferença entre ter coragem de falar e ter a coragem de lutar por alguma coisa uma vida inteira. Viva todas as causas dos que lutam e uma homenagem especial à CONSCIÊNCIA NEGRA, contra os 358 anos de escravidão e estes parcos 126 anos da abolição dos quais a apenas 10 anos se tenta reparar com cotas e políticas de inclusão e inserção, políticas de promoção da ascenção social contra esta profunda desvantagem econômica, política e social imposta aos negros no BRASIL. Eu sou professor e sei muito bem o quanto precisamos avançar e muito para mudar o retrato e o perfil das nossas escolas, das nossas prisões, dos nossos trabalhos e da nossa sociedade. Viva a causa dos outros que também é a nossa!!! Viva a consciência negra!!! Salve Zumbi dos Palmares!!!!       

terça-feira, 18 de novembro de 2014

SOBRE O QUE ACONTECEU COM CERTOS ROQUEIROS DOS ANOS 80?

É somente uma ressaca da pós adolescência e da pós modernidade. Tem coisa muito melhor que eles só que numa dimensão mais fragmentada e em maior pluralidade. A visibilidade de midia que eles tiveram não existe mais. Ontem estava conversando com dois alunos e jovens e me perguntei o que havia na apatia deles e cabei me lembrando que existe também uma falta de referências. Quando eu tinha 15 anos John Lennon morria e não morria de overdose não. Depois foi um passo para conectar referências e maios símbolos de contestação e desejos de mudança. E o que há hoje? Houve uma entre-safra, o país mudou, passou os anos 90, passou os anos 2.0 e agora a internet explodiu com tudo que havia de mainframe e sistema. Só que estes caras estão num outro tempo e não evoluem mais em coisa alguma nem na estética, nem na poética, nem na política e nem na ética. E é notória que todas as saídas e propostas políticas deles sejam sempre individuais e marcadas pelo eusismo, sem nenhuma articulação e senso coletivo. Marcadas por um pensamento focado no seu próprio umbigo, sem transitividade com nenhuma parcela ampla da sociedade, sem ligação nem romântica nem realista com o povo real. Lobão ensaiou a ideia de selo próprio independente e parou lá atrás. Outros estão apegados e muito ciosos de direitos autorais e de suas próprias vaidades. E o mundo passou, o tempo passou, o mundo mudou e não sobrou nada daquilo tudo lá.  Este é um bom momento para dar uma revisada no que era ou não era de verdade e consistente nos anos 80. Quem atinge os 50 anos pós 2.0 tem um bom trabalho para tentar manter uma conexão real com os jovens - esta energia limpa da civilização - e ajudar em alavancar outros passos. Eu sou professor e tenho cada dia mais gosto por cultura e música e sei que isso ajuda a criara espaço para novas ideias, novas ações e novas propostas e também em se retomar os sonhos de mudança e de avanço não realizados e o que ainda é possível passar adiante. Já alguns destes ícones ficaram nos ícones de si mesmos e vendem uma farsa crítica por trás de mera iconoclastia mal aplicada. O senso hipercrítico deles é tão bom que tem apenas renovado o exército dos pessimistas, dos negativistas e dos depressivos ou revoltados. Não servem nem para reformistas e nem para revolucionários, optaram pela opção mais fácil sempre e mais confortável que é se abraçar na elite e buscar uma zona de conforto para falar mal do mundo. Assim, eles são ou bem conservadores ou bem reacionários e nisto ficou o resumo da ópera ideológica deles. Veja-se que a única proposta de ação deles é agitação, aquele papinho adolescente e casmurro contra isso e aquilo ou contra tudo que está aí, só que é piada um marmanjo com mais de 40 anos propor somente agitação nos dias de hoje. Qualquer adolescente atual mais consequente e informado quer soluções objetivas e não blague ou trololó. E a pose e a peia deles é meio vergonhosa e ultra-decadente.CARA. Falta elegância e aquela famosa categoria que dá autoridade a quem fala. Parece até que hibernaram por 30 anos e de repente aparecem pretendendo carregar a boa nova. Só que a boa nova já está ai meu chapa e está mandando ver, só você que não viu. Assim, os queridos e queridas estão por ai e deambulam pelo mundo sob suas sombras e carregam apenas vestígios e sinais do que já foram um dia.  Eles ainda estão lá atrás e não perceberam o que mudou no país ainda estão sentados com a boca escancarada cheio de dentes esperando a morte chegar, e bem na frente da televisão que os deixou burros, muito burros, demais.