terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ARISTÓTELES VERSUS PLATÃO: NÃO SEJA POR ISTO

Aristóteles não era gente boa - parte 1:

"Conta-se que o afastamento de Aristóteles em relação a Platão ocorreu primeiramente a partir destes fatos. A Platão não agradavam nem seu modo de vida nem o de vestir seu corpo. Com efeito, Aristóteles usava vestimenta exagerada e sapato, aparava o cabelo e, além disso, se embelezava usando muitos anéis – e isso era estranho para Platão. Havia um deboche em seu rosto e falava inoportunamente, tagarelando coisas banais – esse era seu jeito. Que tudo isso é impróprio ao filósofo, é evidente. Vendo isso, Platão não aprovava o homem, e estimava Xenócrates, Espeusipo, Amiclas e outros mais do que ele, cumprimentando-os com respeito e juntando-se a eles para conversar. Certa vez, quando Xenócrates estava fora da cidade, Aristóteles enfrentou Platão rodeado por um coro de gente das suas relações, dentre os quais estavam o fócio Mnáson e outros dessa laia. Espeusipo estava doente na ocasião e, por isso, não pôde juntar-se a Platão. Platão estava com oitenta anos e, por causa da idade, sua memória falhava. Aristóteles, ao atacá-lo e tramar contra ele, fazendo perguntas com extrema arrogância e de um modo refutativo, mostrava-se claramente não apenas injurioso, mas também desleal; por isso, Platão retirou-se da caminhada e recolheu-se com seus amigos" (Cláudio Eliano, Histórias Várias, 3. 19).

Tradução do Professor Junior Baracat.

Meu comentário breve:

Vejo muito exagero na tendência de alguns de tomarem isto como um  indicio do mau caráter de Aristóteles. O estrangeiro e macedônico Aristóteles devia ter um humor muito peculiar. Aliás, considerando as suas influencias platônicas e mediadas por ele a herança de certa ironia socrática e o destemor nos debates típico e marcante na Apologia. Então vejo um exagero na crucificação de Aristóteles. A fonte é histórica, mas a posição é política. E quando a gente lê os textos dele se supõe com certa facilidade esses traços do seu humor e destemor.

O sábio Umberto Eco fez aquela brincadeira com ele em O Nome da Rosa, atribuindo a ele um tratado do riso e da alegria no Segundo livro da sua Poética. Bem eu não vejo como seria conveniente aos atenienses tratar e lembrar de um Aristóteles em 348 a. C. com muito generosidade, posto que quem escreve sta memória tem posição posterior a morte de Platão e provavelemnete posterior a tomada de Filipe da Macedônia das cidades estado gregas em 346 a. C.  A disputa, que se verá depois, após a morte de Platão logo em seguida, pela academia que faz Aristóteles fazer um processo On the Road, após aber que nãos era o sucessor sendo preterido por um parente, um ato de nepotismo justificado de Platão por assim dizer, e depois em sua volta desta viagem de desafogo criar o Liceu e gerar a provável disputa entre liceu e academia não devia ser de conseqüências tão suaves assim.

Creio que é um bom debate para clarear também este conflito que depois segue pelos séculos e séculos até os dias de hoje. Eu que sempre fui um aristotélico empedernido e convicto até o ano passado, hoje me sinto seduzido por Platão. Por força deste meu anno mirabilis acabei mergulhando mais em Platão do que supunha e planejava ao inicio do ano letivo.

Mas seu eu fosse aluno de Platão também não resistiria a tomar certas liberdades. E sabemos que os exercícios de refutação – abstraindo-se aqui da questão estética envolvida neste fuxico grego – eram altamente promovidos e exemplares desde Sócrates e mesmo desde os Sofistas. E, pensando bem agora, um pouco mais e com mais cuidado eu peço que meus alunos também não resistam em me refutarem quando souberem fazê-lo ou julgarem possível e acho que dá para levar para casa isso numa boa. Esta alegria que pode ser gerar sem mágoa ou rancor e que quando isso acontece, com eficácia ou sem, há ai uma influencia libertaria e de uma tentativa de pertinácia do mestre e daquilo que a tempera de nossos alunos deveria ganhar.


Então isso mostra para mim que os pósteros, são pelo fuxico e pela contenda superficial, posto que nem fala de que matéria tratava-se o debate ou colóquio, são menores mesmo que Aristóteles e que Platão juntos. Só isso...e me parece também que tem muitos dodóis aí, sem feridas correspondentes que justifiquem tamanho dano..

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