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domingo, 17 de novembro de 2013

A ÉPOCA DE OURO DA CIVILIZAÇÃO EUROPÉIA E A PULSÃO DE MORTE: NOTAS

Tenho tentado compreender aqui e ali, em uma leitura ou outra, o que ocorreu na Europa no século XX, o que explica o que ocorreu e quais as causas disto que ocorreu. 

No começo pensava muito influenciado pela tradição alemã, e via um grande ônus alemão em tudo que ocorreu, mas não é só da Alemanha que tudo veio a se dar e que tudo veio a ocorrer. A pulsão de morte que se abateu na Europa logo após os anos 1910 e 1912 tem em sua assinatura o ápice de uma civilização industrial, o ápice de uma cultura ocidental e a extrema pretensão imperial das nações européias que não guardavam em si mesmas suas fronteiras e suas identidades. 

O final disto vocês conhecem bem. Passados 100 anos do desterro napoleônico todas as pretensões imperiais européias iniciaram seu colapso, mas isso não precisou de uma guerra apenas...forma precisas duas guerras mundiais, um holocausto e o sacrifício escandaloso de gerações inteiras de homens e mulheres, civis e militares, crianças e velhos para que os sobreviventes chegassem onde estão hoje.  

Muito me assustei ao ler surpreendido os depoimentos apaixonados, idealistas e poéticos de jovens alemães dos anos anteriores à guerra, jovens austríacos anteriores a guerra: eles acreditavam mesmo que era superiores e que sua "vontade de poder" iria se realizar plenamente. Faziam milhares de Odes ao Senhor da Guerra, aguardando o sacrifício do bom sangue no altar do verdadeiro espírito supremo. Vão foi este caminho, com toda esta fútil vaidade destruíram a si mesmos. 

Hoje cem anos depois leio Freud (Totem e Tabu - 1912), Jung (A Energia Psíquica - 1928), Stefan Zweig ( O Mundo que Vi: Memória de um Europeu - 1942), Sabina Spielrein e seus textos de 1912 A Destruição como Causa do Devir e entendo um pouquinho do Mal Estar desta civilização frente à sua assombrosa e ainda no ano de 1912 - no ano de sua descoberta apenas teórica e limitada ao sujeito da pulsão de morte, que viria a atingir a coletividade europeia com a primeira e a segunda guerra é que isso atinge o ápice de racionalidade e  barbárie. Em plenos anos 20 enquanto o espírito bailava a morte batia à sua porta. Adeus às armas....e o resto... 

Ao ler rapidamente  hoje as linhas iniciais de O MUNDO QUE EU VI de Stefan Zweig entendi perfeitamente que era "a época de ouro da segurança"....

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