sábado, 30 de novembro de 2013

MINHA CAVERNINHA QUERIDA, VOLTO PARA TI - QUALÉ MEU CHAPA?

Sobre a crônica “ego” de David Coimbra

A parte mais estúpida e esdrúxula do texto de David Coimbra em Zero Hora da última sexta-feira, é aquela que demonstra a completa falta de reflexão dele. Ele não impõe seu desprezo retórico sobre José Dirceu, mas sobre a importância de diversas doutrinas na nossa história, ataca com suas palavras a importância de um Brizola, por exemplo, que foi considerado um doutrinário terrorista um dia, sobre João Goulart que foi considerado um homem fraco pela doutrina um dia, sobre Juscelino que foi considerado um débil sonhador perdulário um dia, sobre Getúlio, sobre Júlio de Castilhos, sobre Bento Gonçalves, sobre qualquer homem que acreditou em alguma doutrina um dia para mudar este mundo e a humanidade, ao contrário dos covardes doutrinários que não aceitam o risco de aderir a qualquer coisa que os imponha mais do que simplesmente seus meros interesses mesquinhos e pessoais e sua plena disposição a permanecer em repouso na zona de conforto dos pensamentos vazios de conteúdo de consciência das diferenças sociais, de idéias e de projetos. No fundo ele quer um home neutro e insosso e também uma mulherzinha sem peias e revoltas no coração. Produziu o rapaz o supra sumo do conformismo.

E há que se convir que estão lendo direitinho o manual do Carlos Lacerda, os preceitos da UDN, de caçar a qualquer preço e sob qualquer argumento seus próprios adversários políticos, com certa vocação à criação de fantasmas, fantasmagorias, alegorias e mimeses mal feitas desta nossa realidade. Manual de redação e de estilo do qual ele mesmo – Lacerda - se arrependeu ao ver o seu próprio fim coadunado e análogo dos seus próprios adversários. E também, ao abrigo do lamento dos demais que acreditavam em alguma coisa realmente relevante e clara do plano existencial bem raso do comer, beber e dormir. Estamos com ele num tempo sem doutrinas e sem esperanças? Não creio.

Ele é o personagem de Platão que volta à caverna. Não volta para resgatar seus irmãos, não volta por queda, volta por certa perversão. Volta para impedir que eles saiam. Quer que eles fiquem ali presos e crendo que nada há lá fora para saber, para ver e que nada há para além das aparências. Vive muito bem assim este jovem escritor, sem doutrina e com aversão completa aos radicais, vive a manipular e gesticular suas alegorias que escondem a verdade, julgando-se bom por aparências e conveniências. Esta é uma belça demonstração do que a força do hábito faz com um espírito que poderia ser livre

Nunca tinha visto negação tão plena, não do radicalismo ou de uma doutrina, mas sim da reflexão sobre si mesmo, sobre este mundo, sua ordem e suas causas. Parece que ele está a dizer como uma personagem de si mesma “Minha caverninha querida, volto para ti não para libertar os prisioneiros que abrigas tão pia e alegoricamente, mas para ficar e reinar entre teus miseráveis.”

Volta ele sem nenhuma gota de fé de que exista algo melhor lá fora, nem por um bem, nem pela queda, mas pela perversão mesma esta que me mantém reinando e teimando em dizer que nada pode ser diferente, nada por de mudar tudo deve ser sempre igual eternamente....prefiro Platão à qualquer imbecil que julga que sabe pensar somente porque sabe escrever....mas que coisa mesmo....


Ao ler isso depois, mais uma vez, após talhá-lo com este Cavernismo, fiquei pensando mais um pouco. Esta crônica também está entremeada de outros elementos nem tão ideológicos ou anti-doutrinários assim. Aparece nela uma espécie de frustração pessoal com ideologias e com pessoas posicionadas politicamente, uma péssima experiência afetiva com mulheres emancipadas pelo visto e me dá a impressão que ele misturou ali um fúria de alguém que levou um fora com a necessidade de espinafrar José Dirceu. O uso de Lupícinio é muito pessoal e psicológico ali. Mas esta é somente uma parte da minha opinião também que se soma à volta às cavernas que ele promove ali. É incrível o que uma leitura mais analítica mostra nas entrelinhas. Sob a superfície do texto esconde-se tremenda frustração que enuncia a perdição ideológica de uma vocação à neutralidade, é uma expressão da má consciência diria FREUD e MARX em uníssono. A culpa é da doutrina, não da pessoa que lhe deu o fora. A pessoa é somente egoísta, não há maldade alguma nela.

P. S.: PARTE DESTA REFLEXÃO, se deve aos estudos sobre a Caverna de Platão com os alunos na escola. David Coimbra se encaixa em um personagem perfeitamente possível ali. Aquele que volta à caverna por péssimas razões. Não é aquele que decaiu, aquele que perdeu o conhecimento que havia conquistado, não e´aquele que volta para resgatar ou libertar seus irmãos. O discurso contra doutrinas, contra radicalismos, ideologias, sonhos, idealismos e projetos coletivos que ele reapresenta ali já foi ouvido antes, é um discurso que é praticamente a voz do carrasco da nossa realidade. Aquele que não quer a mudança, aquele que não quer transformações. Aquele que desdenha dos que sonham, dos que julgam possível mudar, dos que acreditam na mudança social, individual e material da vida humana e fazem doutrinas para realizar isto. Para mim é incrível esta coincidência e também triste...porque o idiota é, no afinal de contas, bem pesadas e pensadas as coisas, ele mesmo... 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PEQUENA NOTA PESSOAL E IMPESSOAL

Tomando um cálice de vinho, saboreando as coisas que me vêm à cabeça, as formas que se apresentam do mundo, as ilusões, as descobertas, as revelações, as resistências, as conquistas, o conhecimento de toda a experiência e a importância das voltas que o mundo dá, dos retornos e das lembranças que esta vida me oferece. A cura do sofrimento do próximo, e do meu, o perdão, o desaparecimento de toda culpa, a aceitação de si mesmo, a aceitação do seu próprio desejo como libertação do ser, a coragem de falar com tranquilidade. A extinção lenta e gradual de todo o desconforto. Você não precisa pedir desculpa, já passou. Não há mais o que lamentar. A gente só esquece quando aceita e reconhece que passou. Disto resta a lembrança, a doce lembrança que fez aquilo se transformar em conhecimento. Aquilo que transforma a experiência em conhecimento e faz tudo deixar de ser perturbador. Pelo sim e pelo não, pelo bem e pelo mal, mas passou.  Falo aqui de trabalho, falo aqui de ação, falo aqui de certa sensibilidade adquirida e compartilhada. Educar não é só dizer sim e nem é só dizer não. Encontrar o equilíbrio e a justiça na relação com o outro. Uma espécie de verdade. Agradeço muito a oportunidade de viver, sentir e pensar nisto. Relatórios, pensamentos, avaliações e agradecimentos. Mas que ano!  

terça-feira, 26 de novembro de 2013

"Pois julgo deveras que eu, tu e os demais homens consideramos pior cometer injustiça do que sofrê-la, e não pagar a justa pena pior do que pagá-la." 

Platão. Górgias. 
Tradução de Daniel R. N. Lopes. 
São Paulo: Perspectiva, 2011, 
p.265. (474b)     

CONTRA A CALÚNIA E EM DEFESA DA SAÚDE

Tu já foi petista e mesmo assim pode falar o que quiser...Mesmo não concordando com o que dizes também posso falar te sugerir mais reflexão. Nada me tira o direito de também dizer o que quiser sobre o que julgo ruim para a cidade onde nasci e não admito que venham tentar me tirar a cidadania ou meu direito. Mas curiosamente você não quer falar nada sobre horas extras, precatórios, cobranças indevidas, recursos do sus. Parece mesmo que o único motivo de tua coragem é atacar o PT e não defender a saúde. 

Eu nasci em São Leopoldo e muito provavelmente ainda vou ter que olhar para a tua cara daqui a uns dez anos e não poder perguntar nada sobre o que você está dizendo agora, porque simplesmente insinua algo que não foi provado e que não será provado que só serviu ao propósito de atacar aquele que com outros não cedeu às tuas ambições e interesses. Tudo dado e causado por um testemunho absurdo e leviano de ouvir dizer. O que se fosse verdadeiro já teria colocado o atual presidente eleito do PT na cadeia ou teria impedido ele de ser presidente da Famurs.

O teu ódio é maior do que a tua razão. Mas não me culpe disso, não culpe o PT ou os petistas disto. Nunca te ataquei igual e não foi por falta de motivo. Já vi agredires e ameaçares subalternos por uma vaga de estacionamento, saindo ileso por que a pessoa foi contida pela turma do deixa disso - no qual participei - a turma que não quer ver certas coisas acontecendo e que não gosta mesmo de maldade ou de desequilíbrio nas relações sociais.

Mas comigo não, nem vem que não tem....sou só um modesto professor e não te dou o direito de tentar me calar ou me ofender. Vá com os seus....

Faltava mesmo alguém defender eles contra o povo de São Leopoldo.

Eu só lamento e espero que o debate siga para o tema atual...haja visto que a cantilena sobre o passado já atingiu seu principal objetivo que é criar a situação presente de completo caos na saúde sem uma palavra tua sobre isto aqui... 

Aquele Abraço

SOBRE JAIRO JORGE COMO FAVORITO PARA GOVERNADOR EM 2018 PELOS COMENTARISTAS POLÍTICOS

Vamos combinar agora a Rosane Oliveira após o PED afirma “ A diferença de apenas 624 votos em um universo de 29.445 na eleição que escolheu Ary Vanazzi presidente do PT, mostra que o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, ampliou seu espaço no partido e é nome forte para 2018”. (ZH, 23/11;2013.) 

Para quem já viu este filme antes é dureza e é de rir e de chorar ao mesmo tempo. É, mais uma vez, a volta deste velho hábito de pautar os militantes, filiados e simpatizantes, via RBS e dizer ao mesmo tempo que quer um PT forte e unificado. Mas que coisa mesmo. Vão dar trabalho assim lá nos infernos. A última vez que isso foi feito, foi nas prévias de Porto Alegre e do Estado. 

Dá uma seguradinha meu filho, dá só uma seguradinha. Ao meu camarada e presidente Ary Vanazzi os parabéns e que esta vida é dose.

Desculpe se fui agressivo acima. Mas já tenho acompanhado essa lenga lenga faz tempo e acho que a gente devia superar isto com bem mais inteligência política coletiva no sentido de parar de vez com estes hábitos de assessoria de comunicação personalizada e dar voz a posições oficiais do partido, ter mais disciplina partidária e mais coerência programática. Nem o JJ é pedra no sapato e nem os que apoiaram o Vanazzi querem acabar com a raça do JJ. É um erro fazer o debate a partir destas perspectivas e pressupostos e nem sequer deveríamos falar sobre isto. JJ pode ser candidato a governador, tanto quanto Vanazzi e quanto muitos outros. Não dá para colocar só um trem ruma estação tão grande como o PT  mais. 

A terra é redonda, todos nós somos mortais e nada como um dia após o outro. Se os comentaristas políticos começarem a determinar o que a gente faz e o que é melhor para nós já viu. Daí vamos parar de ler, estudar e debater programas e candidaturas e vamos nos converter em vendedores de mercadorias políticas para um mercado que tem parâmetros muito ruins. Se os comentaristas políticos fossem nossa bússola, eles deveriam estar no nosso partido dirigindo o movimento e a nossa política, Nenhum quadro político nosso pode aceitar isto mais. Pode aceitar como elogio, como reconhecimento, mas não ficar se encantando que nem pavão à beira do pátibulo. Já passamos por isto meus companheiros antes. E JJ ainda tem a sucessão em Canoas pela frente. Então vamos todos com calma. 

Os comentaristas políticos deveriam elogiar o nosso partido e não ficar destacando bonitinho da hora para dividir o nosso partido. Eu penso assim. Ser pedra no sapato não é defeito nem virtude. Cada um foi, pode ser e será um dia pedra no sapato de certas pretensões e ambições, enquanto o partido tiver democracia interna e diferenças em debate internamente. Escusa-me, por minha pretensão argumentativa. 

Um abraço fraterno.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

MAIS UM ESCÂNDALO NA SAÚDE DE SÃO LEOPOLDO – QUEM É O RESPONSÁVEL?

O Dr. Ivo Leuck se encaminha deste jeito para ser o médico mais importante da história de São Leopoldo, depois de todos os demais, é claro. A última expressão dele – quando eu nem tinha assimilado e digerido ainda a questão apontada no VS dos recursos do SUS caírem no caixa único e nem a manutenção das ilhas de domínio dos vereadores nos postos e unidades de saúde, ele me vem com esta de horas extras. Será que isto é o que está por traz inclusive dos processos de indenizações trabalhistas milionárias do Hospital Centenário que a gestão passada recebeu das gestões anteriores que eu saiba.

Vamos ver como os vereadores, como o MP, o Conselho Municipal de Saúde que se recusou a apurar o exercício da jornada de trabalho de alguns médicos suspeitos de baterem o ponto e voaremos, os partidos que governam, que dizem eu não governam e os que fazem oposição e os cidadãos e cidadãs que se dizem "de bem" se comportam em relação a isso.

O problema moral na saúde parece que é crônico. E isso é algo de se temer porque as vezes parece que são todos intocáveis. Mas como cidadão e contribuinte eu bem que gostaria de ter esclarecimentos, apuração punição. Tanto para quem denúncia caso não existam provas, como para quem é denunciado caso elas existam. Que a verdade venha à tona sem este sigilo vergonhoso para nós todos e que gera esta situação de baixa confiança no exercício desta profissão tão nobre em São Leopoldo. E o silêncio dos sindicatos médicos sobre isto também. Vai ficar assim? Parou porque? Este também poderia acabar em relação aos meninos e meninas do outro lado...ou não é mais interessante agora?

A grandiosa falta de vergonha burguesa deste destino anti-burguês é que os discípulos de Che Guevara - este famigerado comunista assassinado covardemente na Bolívia - tem mais a ensinar do que os especialistas tecnológicos e carregados de um status vazio de moral e cheio de dinheiro...lamentável isso...mas é a verdade....

Quem vai ficar do lado deles contra todo o povo de São Leopoldo, mais uma vez?

Antes que alguém venha dizer que estou fazendo política – o que como todo mundo aqui sabe – não se pode mais fazer em São Leopoldo porque agora tudo é questão de técnica, de excelência e ética só para esclarecer meu sentimento abismado um pouco: eu não sei quem são os médicos, quem são os vereadores e quem são as autoridades...estou completamente por fora...aliás, nem sei quem é o secretário da saúde hoje...

P.S.: Penso que é uma questão muito mais séria do que de partidos políticos. Este problema da saúde é um problema que envolve profundamente as corporações na saúde. 

Falo com a consciência tranquila do que aprendi duramente no governo Vanazzi e afirmo claramente que nem Olímpio, nem Waldir, nem Ribas, nem Vanazzi conseguiram dar um jeito nisso. Não tenho nenhuma dúvida que seria preciso uma verdadeira transformação para resolver isso. E chegar a realizar ela não é nada fácil, pois envolve agentes políticos e profissionais que sabem exercer seu poder perfeitamente em qualquer circunstância. 

Nenhum prefeito se elegeu e se manteve no poder sem algum tipo de pacto com setores ou lideranças da saúde, mas o preço disso tem sido caro para o povo e para a gestão. Avança um pouco em algumas questões e logo recua. Já falei muito da necessidade de um balanço rigoroso da saúde pública de São Leopoldo, mas não dá para fazer isso só pela politicagem ou só na maldade e nos interesses mesquinhos e egoístas. 

Eu respeito muito pessoas sérias e que atuam coletivamente pelas melhorias da saúde pública, defendo o SUS e me impressionei – ao estudar um pouco sobre ele e ao aprender algo mais sobre o SUS – com a qualidade e a possibilidade efetiva dele dar certo, mas sempre bate no limite corporativo que se puder drena para si todo o dinheiro investido no SUS. Isso explica porque, por exemplo, a Unisinos não conveniou com o Centenário para o curso de medicina, não se trata somente de condições físicas não - com todo respeito que os bons médicos e médicas merecem, temos um problema de caráter e grave ai. 

No meu texto anterior sobre a CATEGORIA DOMINANTE NA SAÚDE já falei disso. Enquanto esta categoria não fizer uma opção coletiva pela mudança, nada vai mudar e isso não envolve só salários como alguns gostam de alardear por ai. Devo dizer aqui do meu respeito ao Ivo Leuck, por mais ironia que eu faça em relação a ele aqui, não me julgo sinceramente em condições de julgá-lo, e é muito triste saber o que tem ocorrido aqui e ali contra toda e qualquer possibilidade de uma gestão responsável e séria da saúde. 

E, por fim, os vereadores tem culpa nisso sim e, por conseqüência, o povo também tem porque os elege e promove essas coisas das quais não quero falar porque julgo vergonhoso e criminoso que alguém sirva de intermediário no atendimento dos direitos do cidadão e se eleja através da prestação deste serviço atendendo um e não todos de forma equânime. Mas me doeu muito saber, de forma espantosa e surpreendente, dos valores dispendidos em precatórios pagos pelo Hospital Centenário. Porque foram postos fora - ou privatizados - uns três hospitais novos nisso. E tudo isso foi pago com mandato legal e por recursos jurídicos. 

A única solução que vejo para tudo isso é um programa construído com a população e as categorias de trabalhadores da saúde...com muita transparência e fiscalização pública...e muita coragem também...porque vai ser preciso muita força e coragem para tratar dos intocáveis também....sem se transformar em saco de pancada de sindicatos omissos e comprometidos com a defesa de interesses escusos também...isso sem falar na imprensa e na divulgação de campanhas bem pagas e pesadas contra qualquer gestor que ouse tocar nos intocáveis...é lamentável isso...mas é a verdade... 

EXPLORAÇÃO E O TRABALHADOR

"Nunca foi preciso explicar a um trabalhador o que é exploração." Jacques Ranciere...porque ele vê na hora...ele percebe através da dissimulação, do discurso, do volteio de corpo e de sua paga e da forma da sua paga exatamente quem está levando vantagem neste negócio...o trabalho tem destas coisas...isso talvez explique porque tantos trabalhadores precisam aplacar em igrejas, templos, seitas, clubes, jogos, bares e diversões a sua raiva e seu ódio em relação aos exploradores...e a parte pior disto deve ser  quando um explorador pertenceu à sua mesma classe...não dá para dizer certas coisas julgando que elas justifiquem a tua posição de explorador ou os teus privilégios em relação aos demais...teu discurso nesse sentido expõe tua terrível pretensão de além de explorar o outro, procurar ludibriá-lo...calma lá....PARE! 

A NOSSA ESCOLA DOS ANOS 80 E A ESCOLA DO NETO DO JANGO

Não vou nunca ter este tipo de impressão sua Gabriel. De que dizes algo por má intenção ou para deslindar os outros. Confio em teu caráter e tenho boas razões para ser sempre compreensivo contigo. Mas tua postagem sobre a escola do neto do Jango me provoca ou chama o memorialista. 

Com teu post de que:

"o "Colégio da Cidade", no qual estudou o Neto do Jango, é (era - porque fechou) um dos piores colégios do Rio de Janeiro, sendo mais conhecido como antro de patricinhas e playboys (o colégio se localizava em um casarão em Ipanema) repetentes, ou seja, era uma instituição que seguia o primado papai-pagou-passou. Desconfio que a escolha do jovem por estudar em Cuba tenha sido pelo fato dele não ter nenhuma opção no Rio de Janeiro. O Jango não estaria orgulhoso, creia."

Eu penso que posso falar de algo que como professor e aluno aprendi e julgo importante expressar. Eu estudei num colégio que tinha esta fama de Colégio de Patricinhas, Playboys, maconheiros e etc, e também mais adjetivos e descrições que são desimportantes agora, mas eu digo quc não me arrependo em nada disso.

Existe algo geracional nisso e eu mesmo penso em ter uma escola meio assim um dia. Foi bem difícil para nós jovens dos anos 80 nos ajustarmos ao status quo meu amigo. As reprovações e matacões de aula eram frequentes e a maioria da minha geração cai na escola e cai mau. Naquela época até fliperama era motivo para matar uma aula Alguns porque pertenciam a ele – ao status quo - e não sabiam mesmo o que fazer e outros porque tinham consciência que jamais teriam parte nisso. É a geração do Cazuza e do Renato Russo e de outros caras mais ajustados e integrados também. E também é a geração dos barbudinhos e bichos grilos. Não vou jamais olhar de forma preconceituosa para minha geração. Tu não tem ideia do que é saber que uma menina gosta de você e que os pais dela jamais aceitarão que ela namore ou ande na rua com o filho do eletricista ou outros signos. A gente não sofreu por isso não. O pior mesmo era a falta de perspectiva de futuro cara. 

O Brasil estava tão mal econômica e politicamente nos anos 80 que a opção era - para quem como eu pertencia a determinado segmento daquela geração - loquear ou mergulhar em um projeto político ou as duas coisas juntas. Emprego era difícil mesmo e a maioria dos desajustados sofreram pacas para ter alguma forma de sustento. Não dá nem para comparar com as condições de hoje. Eu digo que a política me salvou cara, e sei que só quem sobreviveu aquilo tudo sabe do que falo. E não foram tantos que sobreviveram não. Não vou falar da escola para não revelar algo parcialmente. Outro dia farei uma postagem bem detalhada sobre isto. Mas o que eu aprendi de história, biologia, inglês e português neste colégio me impulsionou a passar em vestibular da federal. 

E saiba que para o meu pai pegar o jornal e ler que o filho tá no listão da UFRGS foi motivo de muita alegria, muito orgulho. Para ele o filho aparecer no listão foi quase um milagre. Me confidenciou que chorou ao ler aquilo. E olha que isso aconteceu duas vezes. E sou muito grato aqueles meus professores e professoras do colégio de malucos. A escola não fechou e continua firme. Claro deve ficar que a Filosofia não era tão concorrida. Mas mesmo assim ingressar e concluir o curso é ale eu tenho muito orgulho de ter passado por lá cara. Agora para mim, como professor a mágica do conhecimento e do bom caráter está na alma como diria o velho Platão. 

Nunca me considerei acima da média. E digamos até que só aprendi a escrever e interpretar um texto nos assentos da universidade mesmo. Mas bem, estamos ai tentando fazer o melhor possível, inclusive com nossas memórias e relações. A nossa geração de jovens dos anos 80 era bem desajustada socialmente. Isto misturava playboys e filhos de prestadores de serviços num balaio só. 

Talvez o neto do Jango seja algo bem melhor do que seus colegas, talvez não, mas o que vai determinar isso é a ação dele não o lugar de onde ele veio, ou por onde ele passou ou para onde ele está indo. Um abraço. 

sábado, 23 de novembro de 2013

PLATÃO - NAS AULAS SOBRE O MITO DA CAVERNA FIQUEI PENSANDO EM SÓCRATES, NA JUSTIÇA E NA DEMOCRACIA



Sócrates foi condenado pelos atenienses em segunda votação e por ampla maioria, a qual foi aumentada, após suas argumentações e esclarecimentos aos seus algozes em sua própria defesa. Platão deixou estes argumentos relatados na Apologia de Sócrates. Condenado a ingerir cicuta e morrer por acusações de impiedade, ele reagiu muito bem até o final, com altivez, não se deixou quebrantar pelos adversários e acusadores, e teve completo desassombro perante a morte e as ameaças de seus inimigos durante toda a sua vida. Ao contrário de outros, em sua defesa não pediu nada, praticamente não se defendeu, pis a coisa mais próximade um pedido foi sugerir que sua pena fosse uma indenização de 30 Dracmas - uma mixaria em moedas da época, Ele passou a atacar a falta de escrúpulos e os absurdos de seus acusadores de uma forma até impressionante para qualquer advogado que zela por argumentos convincentes e convenientes. Provavelmente já sabia que a causa era perdida e pensava simplesmente em deixar claras as coisas, Assim, não pedia qualquer regalia e reagia com muita coragem. Enfrentou argumentando serenamente até o final seus algozes, sem nenhum temor ou tremor, nem pela morte, nem por qualquer outra pena. Seus discípulos sofriam e ele os acalentava lembrando a longa vida que tinha vivido. 71 anos, afinal, era bastante tempo. Defendeu  a obrigação de refletir sempre e de agir de forma reta nesta vida, defendendo a verdade acima de tudo. Dizia que uma vida sem reflexão não valia a pena ser vivida. Não temia a morte porque julgava que nada pior poderia lhe sobrevir depois de tudo que havia vivido.

Corria o ano de 399 a. C. e segundo alguns dos autores, era o mês que corresponde ao nosso mês de janeiro. Naquela época, por mais diversas que fossem as coisas, me parece razoável supor que poderíamos dividir a audiência do julgamento entre dois grupos: aqueles que compreendiam tudo que Sócrates dizia e que ou bem não aceitavam ou bem aceitavam seus argumentos e aqueles que não entendiam nada do que ele dizia. Ainda que possamos julgar aquele julgamento como revestido de um grande teor de retaliação, vingança e perseguição política, o que deveria ser um elemento que fechava os ouvidos a argumentos sensatos e impedia qualquer possibilidade de entendimento, há que se imaginar que deveria ser uma ato de muita audácia matar aquele homem. E que somente um poder superior a razão era capaz de fazê-lo e foi o que se deu. Suponho que o juízo condenatório se afastava tanto do logos que ninguém foi capaz de escrever um diálogo sequer louvando tal racionalidade, tal acribia argumentativa. A história se fez diferente neste e em outros casos, sabemos mais das qualidades do réu, das qualidades da vítima e não há uma legenda decente sequer para os seus algozes, carrascos, acusadores e inimigos.

Me parece inviável realizar ou fazer um censo dos analfabetos funcionais ou dos  seres efetivamente raciocinantes gregos daquele período, para determinar qual o perfil dos votantes que o julgaram e condenaram, mas a gente pode supor sim que ele foi morto em especial por aqueles que entendiam perfeitamente o que ele dizia e pensava, mas não concordavam com ele e que estes votos foram somados aos sufrágios daqueles que não o compreendiam mesmo sendo aqueles que o compreendiam e que constituíam uma pequena minoria resistente e principalmente constituída por seus discípulos e homens comuns de sua jaez.

Entretanto, a votação não foi algo tão notável assim. Votaram no julgamento 501 cidadãos atenienses, destes 281 votaram pela condenação em 220 foram contrários. Ou seja, 56% dos cidadãos atenienses julgaram Sócrates culpado das acusações e aceitaram a pena proposta pelo acusador. É algo para se pensar ai...que cada um pense mais em justiça, em democracia e na força das opiniões e na força dos hábitos. Talvez as profundas convicções de alguns sejam somente mais uma injustiça entre tantas da história deste mundo. Enquanto for possível pensar diferente, nós vamos argumentar... 

A PERVERSIDADE DO MAL EM JOAQUIM

Para mim também é fundamental sustentar e acusar, em defesa da democracia e do respeito à vida, que a ação do Sr. Joaquim Barbosa, que ameaçou gravemente a vida de José Genoíno, me lembra muito o tipo de perversidade que é antitética à tese da banalidade do mal de Hannah Arendt. 

Quer dizer, a banalidade do mal existe naqueles que aplaudem a ação de Joaquim sem nenhuma reflexão ou com plena e manifesta ausência de pensamento reflexivo e sentimentos humanitários. 

Vou tentar ser bem claro aqui neste ponto. Não se trata ai, no caso de Joaquim, de um burocrata que executa ordens superiores sem pensar, mas sim de um autocrata absolutamente responsável pelo seus atos, pelo modo como age e pelos objetivos da sua ação. E os objetivos da ação já ultrapassaram em muito a exemplaridade ou a intenção de provocar alguma forma de demonstração coercitiva contra corruptos. Ele passou direto para o quesito de sua máxima vaidade, visibilidade e pessoalidade em sua ação. E não estou entrando nos pormenores legais dos seus atos que são até formalmente mais graves como demonstram Ives Gandra Martins outros juristas de renome nacional.

Para exemplificar melhor minha tese de completa insensibilidade e desumanidade, também esposada por Paulo Moreira Leite e Luis Nassif e diversos outros críticos de opinião ilibada e responsável teórica como Renato Janine Ribeiro, Bandeira de Mello, que falam em sua maioria sobre o homem mau, ou seja, não avançam o sinal por mera e preservada cortesia, se poderia  fazer um paralelo entre o caráter das decisões autocrática deste homem, suas consequências e a conduta tipificada de psicopatas. Os psicopatas como todos devem saber demonstram de forma reincidente total ausência de empatia e humanidade pelo próximo ou por seus semelhantes, demonstram total ausência de sensibilidade e respeito à vida do próximo. 

Não poderia compará-lo à um Robespierre - o carrasco da revolução - por considerar um desrespeito com a revolução francesa e julgar incomparável em qualidade a “revolução” que Joaquim pensa fazer no Brasil com seu destempero e irracionalidade. 

Para piorar observo à sua volta OS ANÕES MORAIS...em pleno exercício de suas maldades e de suas ações sem escrúpulos e a VELHA CANALHA, sim aqueles que fazem discurso moral incompatível com suas condutas e demonstrações de falta de juízo sistemático e reincidente nestas matérias. E o pior exemplo de todos é o do ex-presidente FHC. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CONVICÇÃO - NIETZSCHE

"Convicção é a crença de estar, em algum ponto do conhecimento, de posse da verdade incondicionada. Essa crença pressupõe, portanto, que há verdades incondicionadas; do mesmo modo, que foram encontrados aqueles métodos perfeitos para chegar até elas; enfim, que todo aquele que tem convicções se serve desses métodos perfeitos. Todos estes três postulados demonstram desde logo que o homem das convicções não é o homem do pensamento científico; está diante de nós, na era da inocência teórica e é uma criança, `por mais adulto que seja quanto ao resto´. Mas milênios inteiros viveram nesses pressupostos infantis, e deles jorraram as mais poderosas fontes de força da humanidade. Aqueles inúmeros homens que se sacrificaram por suas convicções pensavam fazê-lo pela verdade incondicionada. Todos eles estavam errados nisso...."


Nietzsche. Humano Demasiado Humano...#630

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PERVERSIDADE, A BANALIDADE DO MAL E OS ANÕES MORAIS

Comentário de Renato Lins sobre a responsabilidade e perversidade de Joaquim Barbosa - Presidente do STF:

"Joaquim Barbosa pediu ao IML para que avaliasse na tarde desta terça o estado de saúde de José Genoíno. O laudo, adiantado pela Folha de São Paulo, aponta que Genoino "é paciente com doença grave"...a cada minuto que passa, a responsabilidade de Joaquim Barbosa sobre a vida de Genoíno aumenta...seu comportamento neste final de semana, aprisionando um homem gravemente doente em um regime de prisão (fechado) ao qual ele não estava condenado, foi um ato deliberadamente sádico e ele (Barbosa) precisa responder criminalmente por isso."

Por Renato Lins

Meu comentário sobre isso:

A ação do Joaquim Barbosa me lembra muito o tipo de perversidade e responsabilidade que é antitética à tese da banalidade do mal de Hannah Arendt. Lembre-se que a banalidade do mal envolvia a recusa ao pensamento e a recusa a desobediência a uma ordem superior, por um burocrata que cumpre ordens. Não se trata aqui da execução da lei, nem de um mandato superior. Não se trata aqui de um burocrata, mas sim de um autocrata absolutamente responsável pelo seus atos, pelo modo como age e pelos objetivos da ação. É tudo absolutamente deliberado por ele, contar seus pares, numa ação monocrática. Para exemplificar a perversidade ai e o tipo de desumanidade presente nesta deliberação, poderia se fazer um paralelo com os psicopatas, que demonstram total ausência de empatia e humanidade pelo próximo ou por seus semelhantes. Um psicopata como a literatura trata tem ausência completa de sentimentos de piedade ou escrúpulos, rege-se pro uma anomia e uma ausência de escrúpulos que o mais das vezes se guia por sua vaidade e busca uma plena sensação de onipotência e impunidade. E para isto acontecer assim é preciso a omissão de outros, pois não é que à sua volta encontramos OS ANÕES MORAIS...FHC por exemplo ao se expressar sobre a prisão faz vistas grossas sobre si mesmo. Um anão moral com uma pseudo-moral tratando de moralidade pública.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

"Não nos cabe lutar depois de uma perfeição cansativa." 

Stephen Rea em Nothing Personal (2009). Direção Urszula Antoniak. 

DA DIFERENÇA ENTRE ATRAÇÃO FÍSICA E MENTAL: NOTA ABERTA SOBRE O TEMA

DA DIFERENÇA ENTRE A ATRAÇÃO FÍSICA E MENTAL

“A atração mental é muito mais forte que a física. De uma mente você não se liberta nem fechando os olhos.” 

De um “meme” qualquer...




É preciso reconhecer, primeiramente que a atração física também tem seu poder. Mas a afirmação acima trata laconicamente e concisamente, quase como um fragmento ou aforismo, da diferença, da força exercida e da presença em nossa mente de uma atração mental. Como aforismo cumpre a sina já apontada por Karl Kraus: "O aforismo jamais coincide com a verdade; ou é uma meia verdade ou é uma verdade e meia." Ao tratar também do tema da liberdade - nem fechando os olhos - parece haver algo mais a ser investigado ai.

Lembro que era comum, em certa época, se falar em fixação no caso de paixões e creio que o termo é bom para isso mesmo. O termo é bom para entender a forma de fixação de um conteúdo ou figura que tem lugar estável em nossa mente. E esta estabilidade se dá por repetição e permanência. Repetição de uma espécie de ruminar afetivo e permanência porque mesmo sendo passageira - sua lembrança - ela volta à tona ao longo dos dias, das semanas e meses. Assim haveria uma forma de fixação mental por traz desta atração física ou mental e, então poderíamos pensar sobre como isto se realiza ou sob quais as condições necessárias deste seu modo de realização. poderíamos perguntar como se realiza. Ou seriam em sua realização cotidiana aí algo como condições de possibilidade? 

É preciso traduzir melhor isso sempre, por também outros motivos. Porque, ao tratar de influências de “outras mentes”, estamos sempre dando um motivo para a suspeita quanto à força da manipulação e ao poder destas outras mentes sobre nós. E a nossa liberdade depende de que isto seja apenas possível e não necessário. caso fosse necessário mesmo esta pobre e mal ensaiada reflexão não seria livre. Daí porque a pergunta pela causa aqui é também a pergunta sobre a racionalidade ou irracionalidade desta influência. Caso seja racional poderíamos ter boas razões e certa clareza das causas da atração mental - aquela que no meme - não se apaga com os olhos fechados.

Caso seja irracional temos algo mais. É também uma pergunta sobre as razões da sedução ou fixação e sobre o limite da nossa consciência disto. A ideologia aparece espontânea e livremente neste pequeno espacinho da diferença também. Vejo que este é sempre um bom motivo para a nossa reflexão minuciosa. E eu não saberia dizer qual efetivamente tem mais poder, se a atração física ou a atração mental, porque vejo sinceramente muita paixão em ambas, haja visto que já tive e tenho tanto o gosto da paixão intelectual quanto da paixão física.

Poderia dizer que a primeira é mais rara como todo o senso-comum tem afirmado aqui e ali sobre este tema e que a segunda é mais tradicional e usual. É bem mais frequente em nossa vida a paixão física. A paixão física tem certa vantagem sobre a paixão intelectual, porquanto é até mais fácil saciá-la, pelo menos assim eu creio. 

Platão usava uma palavra para descrever a alma de quem tem esta paixão física como dominante, ele costumava dizer que é uma alma apetitiva ou concupiscente, que é considerada por ele a mais baixa de todas a que tem as necessidades mais primitivas. Na teoria dele haveriam três tipos de almas: as apetitivas ou concupiscentes, as irascíveis e as racionais. Platão chega com esta alma a localizá-la, dando a ela uma sede. Este tipo de alma fica no baixo ventre. Seria o endereço de nossa função desejante e apetitiva que é muito física, eminentemente física e sexual, apesar da minha expressão de atração tender tratar aqui também da atração física por imagens, fantasias e figuras, o que pareceria uma atração também mental.

E eu devo aqui anotar que o pensamento tem dado um pouco mais de valor a estas necessidades físicas desde Freud, pelo menos, na determinação das nossas formas de vida. Aliás, Freud é, além disto, em dois sentidos importante aqui e agora. Tanto no sentido de dar mais valor para a atração física e dar certa legitimidade à ela, quanto no sentido de gerar a atração mental, exatamente um bom exemplo de atração mental ou intelectual para mim. Freud é um exemplo bem clássico diria e permanente para mim. pois sempre exerceu e exerce - mesmo já finado, através de suas obras - certa força de atração com suas ideias sobre mim. E confesso que não é tanto a fixação ou a repetição do leitmotiv sexual nele que tanto me atrai nas ideias dele. 

Voltando para a atração física temos que pensar algo mais. Aquele que tem esta dependência do corpo, sabe exatamente o que lhe atrai no outro, e fica inclusive imaginado ou fantasiando sobre isto. Disso redunda porque podemos chamar de uma fixação, uma atração quase fatal. E isto é dito, porque fatalmente ou incontrolavelmente, este sujeito procura o objeto do seu desejo que exerce sobre ele forte atração. Ocorre que o atraído fica pensando no outro fisicamente durante muito tempo, contínua e reiteradamente.

Já a atração mental não perde mesmo para esta primeira mais usual. Ainda que seja mais rara, a atração mental também constitui um vínculo que nem "com os olhos fechados desaparece". Mas o vínculo mental tem um poder mesmo surpreendente quando se constitui de fato. A atração mental deveria ou poderia - para atenuar uma pitada a força interpretativa aqui - explicar a profunda dependência entre os discípulos e o mestre em quase todas as culturas. De Sócrates até os dias de hoje e de outros mestres doutrinários inclusive. 

Fiquei pensando, para dar um outro exemplo ainda sobre um tipo de limite desta atração mental. Então associei rapidamente com o caso de como se deu a ruptura entre Freud e Jung sobre isto, pois que todos os sinais indicam um tremendo esforço, e um intenso e muito duro embate de Jung em relação ao Pai, no sentido de sua própria emancipação e da formação de um pensamento autônomo. E curiosamente devo anotar que praticamente todos os "grandes" analistas ou psico-analistas passaram por algo semelhante, pelo menos nestes anos iniciais da psicanálise. Ou seja, as rupturas com Freud forma uma espécie de síndrome daqueles anos iniciais. E fica muito clara brevemente as causas teóricas e pessoais das rupturas. Tanto a busca por uma autonomia como as diferenças de concepção geraram estes processos.   

Confesso aqui que não tenho nenhuma autoridade ou especialização em psicanálise ou história da psicanálise, para falar disto e que, então, este exemplo, é apenas ilustrativo e uma pista lançada em palavras para ulterior investigação. O que só serve aqui de exemplo, no que ao fundo, encontramos como um problema típico por assim dizer entre esta atração mental e a nossa necessidade de autonomia intelectual também.

Mas vou agora levar este raciocínio em outra direção. Falar aqui da atração mental bem indireta. Aquela que parece ser mediada pela obra e não tanto pela pessoa, pela presença da pessoa ou pelos debates ou diálogos com a pessoa. Só quem já teve o impulso de comprar, por exemplo, num ímpeto que vem claramente do que chamamos aqui de atração mental, a obra completa de um filósofo, pensador ou intelectual qualquer, sabe do que falamos aqui. Você parece precisar das ideias que aquela mente produz e que estão depositadas e expressas em suas obras. Você parece precisar estar atualizado sobre isto. 

Caso seja um intelectual vivo – e eu olhei nas livrarias na Feira do Livro as obras completas, por exemplo de Zizek, Baumann, Jung, para ficar nestes exemplos – e fiquei pensando no tipo de paixão ou atração mental dos leitores pelas ideias deles. Fiquei pensando nas razões de seus interesses e no tipo de reflexão que eles saciavam ou davam mais um andamento ao ler tais autores. E eu mesmo, após 20 anos de formatura, agora estou prestes à dar cabo e completar minha coleção de obras completas de Platão. Tal coisa, aparentemente despropositada e à sombra de uma grande atração mental. mas que importa e muito para meus estudos de filosofia deste ano e vem em uma boa hora da vida. Numa hora oportuna para não mais tardar e por estar já maduro o bastante - como diria Descartes, para me aprofundar com mais vagar na tradição grega. 

Não considero nada desprezível o fato de que há uma diferença básica entre aqueles que buscam estas obras por certo dever de ofício o que é o meu caso, com um ou outro autor, e aqueles que buscam estas obras por prazer, diletantismo ou curiosidade. Ainda que eu tenda a respeitar e a admirar muito estes últimos por considerar que mesmo em mim tal busca inclui o prazer e a atração mental também.

E fiquei pensando também na dependência de um outro pensamento para o meu pensar. Fiquei pensando em minha autonomia intelectual e se ela tem uma base compreensiva e reflexiva ou é puramente um decreto quanto a certas ideias. Fiquei pensando também no que acontece com você que depende ou que estabelece um vínculo deste tipo de tração mental em relação a outros autores e outros pensadores e pensadoras. Fiquei pensando no fundamento de tua preferência, nas tuas, por assim dizer, afinidades eletivas. E em que medida és consciente delas e as enfrenta diferencialmente. Você parece como eu precisar das diferenças e das nuances que aquela mente produz ou diz. Você parece precisar da última palavra até que chega um dia que você abandona tudo ou deixa estar, por outras ocupações e afazeres mais aprazíveis.

Aliás, num exemplo derradeiro, estes dias assisti uma conferência em que o seu autor declarava claramente ter chegado ao fim de uma investigação e que se considerava satisfeito e eu fiquei pensando muito sobre aquilo que ele dizia.

Fiquei pensando sobre a possibilidade de terminar uma investigação ou se chegar a palavra definitiva sobre determinada matéria e confesso - pela natureza do assunto abordado e pela forma como ele era abordado - que não acreditei nisto e que tendo muito mais a pensar de modo a deixar o pensamento e a investigação com diversas lacunas de incompletudes, aberturas e indefinições - por puro prazer é bom que eu diga aqui isso e certa necessidade de decidir, medir e sopesar como seria melhor deixar em aberto para que outros pensem nisto, depois de mim. E é o caso agora sobre a atração mental também.

Não estou aqui escrevendo, portanto, tudo que me vem à cabeça e tendo, inclusive, a driblar minha própria consciência para evitar o fechamento neste discurso do debate e uso aqui a expressão de que há ainda mais outras dificuldades relacionadas a este tema da atração mental. Vejo e quero fazer ver como é algo difícil tratar isso.

Na amizade e na atração intelectual espontânea isto também acontece...e não faz muito sentido avaliar se os pensamentos são de muita grandeza ou profundidade, parece haver uma forma mental atraente que nos contraria no automatismo ou linearidade do nosso próprio pensamento. E eu estou tateando aqui já sobre este tema da atração mental por carência objetiva de mais informações e também, por pouca experiência sobre isto e por atingir certo limite na min há reflexão.


Eu diria que a gente numa certa altura gosta mesmo de ser contrariado com inteligência, delicadeza e expertise e que este é um elemento ainda importante da atração mental. E eu lembro de muitas pessoas que estabeleceram esta relação comigo, mas informo que são, por outro lado, muito raras. Há em nossos meios acadêmicos e educacionais muitos indivíduos pretensiosos e arrogantes, cujos dons intelectuais não me atraem e para mim estão numa situação em que não valem meia pataca...

Confesso aqui também que eu por vezes me julgo assim também como mais um pretensioso – duramente e rigorosamente - e fico muito surpreso quando assisto professores ou professoras tentando sistematicamente provar que sabem mais que seus alunos...expondo-os à conteúdos, exercícios, fórmulas e problemas incompreensíveis, com o intuito de humilhá-los ou torná-los desprezíveis intelectuamente falando, com o puro intento não de educá-los, abrir-lhes horizontes novos ou fazê-los avançar no conhecimento, mas sim com o intuito de se envaidecerem e pensarem consigo mesmos: “Olha como eu sou bom!” e "Olha como eu sou sábio!”.  

Admito que este tipo de esforço sempre afasta os alunos mais inteligentes e atrai as inteligências mais débeis e dependentes, desenvolvendo o tipo de atração mental tão banal e tão inferior a de uma atração física ou concupiscente. Então prefiro terminar este texto assim, com uma ou outra questão ainda em aberto, para um outro dia e talvez uma outra mente vir a tratá-la melhor...     

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

JOSÉ GENOÍNO É NOSSO IRMÃO MEUS COMPANHEIROS: NÃO ESQUEÇAM DISTO!!!

Meus companheiros e companheiras petistas

Sei que todos meus amigos e amigas, com algum estofo moral e político, com alguma informação bem clara sobre as coisas no processo da AÇÃO PENAL 470, que acompanham o noticiário atual sobre a Prisão do José Genoíno, sofrem com ele, com a família dele e temem o pior, temem que a saúde dele fique pior, com esta atitude de arbítrio e profunda indignidade do Presidente do STF para com ele.

Todos que sentem dolorosamente isso, que se sentem violentados e profundamente chateados com isso e que conhecem a história do nosso partido e as características comuns à muitos de nós, sabem que a pior coisa nisto tudo não é que todos os bandidos, corruptos, saqueadores profissionais do estado brasileiro, fiquem zoando da gente, mas sim que vemos mais uma vez um dos nossos, alguém que conduz sua vida como todo bom petista e boa petista de sangue, carne e osso, alguém que nunca tirou vantagem material ou vaidosa da sua militância ou da sua atuação sindical ou política sofrer profundamente.

Eu sofro com ele e muito e sinto pesar pela situação dele porque sei o quanto este julgamento é injusto com ele, sei por ler, conhecer e estudar o quanto este julgamento tornou o STF um tribunal político, em que o que menos importa é o fazer a justiça e o ser justo, mas sim o corresponder a um clamor faccioso e a uma vendetta que se iniciou lá com o Roberto Jefferson – o amigo do diabo -.ao qual o Governo Lula acabou por se associar por força das exigências do regime político brasileiro que força qualquer governo a depender do parlamento, sendo ele o mais sujo ou não, força qualquer governo a negociar com a maioria eleita pelo povo.

Também chateia a gente ao ver, inclusive, pessoas que nunca fizeram absolutamente nada pelo povo ou pelo Brasil de graça, os militantes de aluguel, os vira casacas, aqueles que mudam de partido por conta exclusiva de seus projetos pessoais, mudam de partido por cargos, àqueles que não tem programa, nem projeto político coletivo, com a maior cara de pau fazer blague ou troça de nós e do José Genoíno de forma covarde e leviana.

Não tem tamanho, nem medida, não é justo o que fazem agora, inclusive a imprensa com o José Genoíno.

Talvez eles estejam conseguindo justamente o que querem, que é afastar qualquer pessoa legal da ação política, da atuação política e arrebentar com a esperança de que a justiça é possível, mas eu penso em outra coisa apenas por agora: que isso só mostra de fato o quanto a nossa luta é difícil e dura, o quanto não podemos mesmo nos iludir com bajulações, prestígio ou elogios e que temos que saber sempre de que lado estamos, com quem estamos e para onde vamos. Penso que cada vez mais devemos nos tornar mais seletivos, mais críticos e muito mais rigorosos do que já ousamos imaginar um dia, não por purismo ou moralismo, mas pela sobrevivência de um projeto que quer mesmo mudar o Brasil, que quer mesmo desalojar os exploradores e os dominadores de classe do poder.

O pesadelo e a dor que hoje vivemos deve servir para sermos mais corajosos, mais rigorosos e menos piedosos com aqueles que a gente sabe o nome, que a gente sabe o projeto e que a gente sabe o partido. – Penso que o revanchismo não é a solução, mas não consigo pensar em nada melhor hoje do que a luta, a luta real e a disputa firme e constante contra estes que nos espicaçam e nos afrontam com aquela velha cara de pau e aquele velho deboche que já ouvimos muitas vezes um dia.


Não passarão meus companheiros, não triunfarão...   

domingo, 17 de novembro de 2013

O AMOR É A MEDIDA DA ALMA E AS ALMAS MÍNIMAS

O amor é a medida da alma

A alma sem amor é uma alma vazia.

É uma alma mínima.

Talvez só lhe restem apenas
Alguns poucos sentimentos para cultivar.

Sentimentos de apego por coisas
Sentimentos de amor por si mesmo
Sentimentos de um apego ao seu próprio corpo

Qual seria, então, a medida de uma alma que não
Está em relação de amor à nós?

Como nós poderíamos reconhecer esta alma?

Vejo, assim, com muitas dúvidas e perguntas sem nenhuma resposta,

A negação do outro que acaba por trair uma negação do amor...


Não sei mais o que é a alma, então?

Esta alma desapareceu?

Esvaziou-se de nós?

O AMOR É A MEDIDA DA ALMA - RASCUNHO DO ENSAIO

Andei pensando sobre a relação entre o amor e a alma. E penso nisto porque consigo perceber a relação entre a graça e a alma também. E suponho, assim, que a principal e talvez mais significativa ação de nossa alma seja mesmo o amor. Talvez faça uma pequena concessão apenas para a sabedoria, mas vejo o amor em uma escala superior. Já tenho pensado com certa convicção que a sabedoria sem o amor não é algo muito desejável. E já andei pensando sobre os atos e também sobre os sentimentos relacionados a isto.

Também poderia pensar mais sobre a relação entre o amor e as virtudes, em especial as virtudes cardinais que são aquelas das quais dependem todas as demais para que os atos sejam considerados como bons. Não vejo, no fundo, nada de original nestes meus pensamentos considerando-se o que encontro em abundância em Platão, Aristóteles e em outros pensadores e pensadoras, mas me saiu, por conta destes pensamentos, isto:

"o amor é a melhor medida da nossa alma"....

Que foi a versão matinal do meu pensamento, já sobre uma versão primeira e epistolar que foi feita pensando numa retribuição e reconhecimento carinhoso e reflexivo, a  uma bela amizade, uma forma de amizade que possuí amor, como todas as demais amizades. Então me saiu isto: 

“O amor é o medidor mais preciso do tamanho da nossa alma”

Acho, ou melhor julgo, pensando com meus sentidos e letras, que assim fica melhor e mais claro...pois responde à pergunta qual o tamanho da vossa alma?

E o tamanho da vossa alma talvez seja uma pergunta que realmente só interesse a quem vos ama e sobre quem você ama. Ainda que você não queira mesmo uma medida quantitativa, mas sim procure entender qualitativamente esta medida, o que é uma contradição em termos.

Um escritor do século XIX que é muito mais importante disse, em meio a um romance: que:

“A medida de uma alma é a dimensão de seu desejo.” Gustave Flaubert

Aqui não está mais em questão um amor efetivo ou uma disposição amorosa, mas sim um desejo e sua medida, sendo ele aqui – na visão de Flaubert – superior ou antecedente ao amor, na hierarquia das disposições.  Sempre penso que quem ama, deseja o objeto do seu amor. E em surpreendeu muito a leitura de Fragmentos de um discurso amoroso de Roland Barthes, justamente por isto.

E já estamos entrando nos discursos sobre o amor no século XX. Também é importante aqui o tema do Amor Sublime.

Tal pergunta, por sua vez, pelo peso ou medida de sua alma, poderia também ser feita pelo barqueiro Caronte para avaliar o que vai levar em seu barco e o custo desta viagem.

Fiquei penando, portanto, em uma certa gravidade de nossa alma, em seu peso próprio e em sua própria medida.

Um amigo acusou após ler isto que eu devia cuidar do sufoco. E eu sorri comigo e em resposta disse que o sufoco sempre é uma questão de cuidado...as pessoas querem menos onde precisa mais e mais onde precisa menos. Assim, emendando a resposta, o sufoco é provocado ou pela falta de cuidado ou pelo excesso...e sendo assim eu prefiro sempre nesta altura da vida mais cuidado do que menos...

Escrevi que o “amor é o medidor mais preciso do tamanho da nossa alma” pensando, na verdade, também em várias outras coisas, ao mesmo tempo, em outras experiências e pessoas que neste meu tempo atual tem esta dimensão de medida.  Ao me dar conta disto não fiquei pensando só na alma. Não tanto na sua relação com outra alma em especial. Que é o modo como todos pensam no amor, ainda que sem a presença do seu amor, mas sim no modo, no nosso modo de nos relacionarmos uns com os outros que deve ser a principal forma de medir nossa alma.

Fiquei pensando numa disposição, numa certa forma de ser, numa certa forma que poderia dizer de abertura para o outro, num modo que dá a nossa medida e talvez para usar uma outra expressão a nossa afinação própria. Falei em medida como capacidade e disposição e pensando no que torna uma alma grande ou de alguma importância efetiva e me dei conta disto...de que só o amor mesmo nos dá uma certa medida real das pessoas, pois que não depende nem de palavras, nem de ações, nem de sabedoria ou precisão na ação...todo o resto deveria então estar subordinado a isto...E não é difícil reconhecer que somente grandes espíritos amam de verdade, amam para além dos seus, amam a própria humanidade...

E tudo começou numa reflexão sobre quais são e quem são os espíritos criativos do nosso tempo e o que é a base de suas ações mais originais e progressistas...A partir da leitura de um livro de filosofia para não filósofos em que é citada uma expressão de François Mitterand de que “os espíritos criativos são o barômetro da humanidade” usada por Albert Jacquard para ilustrar certo aspecto que ele ia desenvolvendo. Isto, inadvertidamente me provocou e gerou uma longa reflexão também, entre outras coisas, sobre o nosso modo de ser no mundo e na relação como os outros...Isto é, em como percebemos os outros e como somos capazes de compreender e reconhecer os tais espíritos criativos que tanta diferença fazem em nossas vidas. 

Havia na sua origem uma grande dose de surpresa também com algumas poucas linhas de Gomperz sobre Sócrates e também uma certa dose de muita metafísica que fala da raridade de certos espíritos neste mundo, o que foi mesclada com romantismo e também com uma boa dose de compreensão....

E eu estou pensando mesmo sobre isto...depois de tanto Platão, Sócrates e poesia....não é muito comum me dedicar a isto, mas estou pensando nisto por conta também da idade, das perdas, dos ganhos e de planos sobre o que realmente importa fazer nos próximos anos...a famosa meia idade sempre chega mais cedo em quem estuda um pouco de filosofia e se não chega ao meu ver é porque a filosofia não é tão boa assim...agora entendo muito melhor porque refletir sobre a ALMA é um leitmotiv clássico...a questão da imortalidade por mais absurda que pareça de um ponto de vista materialista também se coloca ai...nem que seja a imortalidade pela glória ou pelas suas próprias obras e ações....claro que eu também ando lendo muitos gregos nesta história...começando por Homero...o que seria mesmo o amor em Homero, na Ilíada e na Odisséia? Para começarmos pro onde este peso se constituiu para nós... 

A ÉPOCA DE OURO DA CIVILIZAÇÃO EUROPÉIA E A PULSÃO DE MORTE: NOTAS

Tenho tentado compreender aqui e ali, em uma leitura ou outra, o que ocorreu na Europa no século XX, o que explica o que ocorreu e quais as causas disto que ocorreu. 

No começo pensava muito influenciado pela tradição alemã, e via um grande ônus alemão em tudo que ocorreu, mas não é só da Alemanha que tudo veio a se dar e que tudo veio a ocorrer. A pulsão de morte que se abateu na Europa logo após os anos 1910 e 1912 tem em sua assinatura o ápice de uma civilização industrial, o ápice de uma cultura ocidental e a extrema pretensão imperial das nações européias que não guardavam em si mesmas suas fronteiras e suas identidades. 

O final disto vocês conhecem bem. Passados 100 anos do desterro napoleônico todas as pretensões imperiais européias iniciaram seu colapso, mas isso não precisou de uma guerra apenas...forma precisas duas guerras mundiais, um holocausto e o sacrifício escandaloso de gerações inteiras de homens e mulheres, civis e militares, crianças e velhos para que os sobreviventes chegassem onde estão hoje.  

Muito me assustei ao ler surpreendido os depoimentos apaixonados, idealistas e poéticos de jovens alemães dos anos anteriores à guerra, jovens austríacos anteriores a guerra: eles acreditavam mesmo que era superiores e que sua "vontade de poder" iria se realizar plenamente. Faziam milhares de Odes ao Senhor da Guerra, aguardando o sacrifício do bom sangue no altar do verdadeiro espírito supremo. Vão foi este caminho, com toda esta fútil vaidade destruíram a si mesmos. 

Hoje cem anos depois leio Freud (Totem e Tabu - 1912), Jung (A Energia Psíquica - 1928), Stefan Zweig ( O Mundo que Vi: Memória de um Europeu - 1942), Sabina Spielrein e seus textos de 1912 A Destruição como Causa do Devir e entendo um pouquinho do Mal Estar desta civilização frente à sua assombrosa e ainda no ano de 1912 - no ano de sua descoberta apenas teórica e limitada ao sujeito da pulsão de morte, que viria a atingir a coletividade europeia com a primeira e a segunda guerra é que isso atinge o ápice de racionalidade e  barbárie. Em plenos anos 20 enquanto o espírito bailava a morte batia à sua porta. Adeus às armas....e o resto... 

Ao ler rapidamente  hoje as linhas iniciais de O MUNDO QUE EU VI de Stefan Zweig entendi perfeitamente que era "a época de ouro da segurança"....

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

TRÊS FILMES DA SEMANA: LINCOLN (2012), HANNAH ARENDT (2013), UM MÉTODO PERIGOSO (2011) - DESTAQUE PARA SABINA SPIELREIN

Esta Semana assisti três filmes muito bons. Começando por Lincoln (de Stephen Spíelberg 2012), passando por Hannah Arendt (Margarethe von Trotta 2013) e, enfim, Um método perigoso (de David Cronenberg, 2011). Curiosamente os três filmes falam de personagens reais e extremamente interessantes, importantes e decisivos para a nossa história e a história da humanidade. 

Lincoln, num desempenho extraordinário de Daniel Day-Lewis, com textos muito bons, tiques muito bons e um enredo bem realista com um roteiro muito preciso na minha opinião> Suponho que seria considerado um filme comunista pelos caçadores de comunistas dos anos 50, 60 e 70, e que, mesmo hoje, deve ser considerado comunista pelo SEA PARTY em bloco, sem discussão e sem nenhuma reflexão. Recomendo muito.

Hannah Arendt me surpreendeu muito positivamente com a direção e a forma como as expressões filosóficas de Hannah, as agruras existenciais de Hannah e o profundo conflito de suas ideais com seus contemporâneos e amigos é apresentada. E, já tratei parcialmente disto, gostei muito da forma cuidadosa e muito inteligente como a diretora trata a relação Heidegger e Hannah. Só esta relação ao meu ver merece um filme e penso que Margarethe von Trotta nos mostra sua ampla capacidade de fazê-lo, com as cinco pequenas pinceladas que deu nesta tela que merece ser reconstruída, restaurada e apresentada, tanto pela sua situação ímpar quanto pela importância dela para a história do pensamento no século XX e as agruras dele também. Chego a ficar imaginando aqui um roteiro para isto e considerando que o tom que ela emprega nas poucas passagens de ambos é o ideal. 

Um método perigoso (2011) me agradou não tanto por sua forma, enredo, roteiro, atuações, direção e etc. Mas sim porque me trouxe ao conhecimento a história, as ideias e a importância de Sabina Spielrein para o desenvolvimento da psicanálise, sua relação com Jung (a descoberta da chamada ANIMA) e sua relação fundamental com as ideias de Freud da obra Para além do Princípio de Prazer e o desenvolvimento da nossa compreensão da relação entre Eros e Tânatos e a teoria das pulsões e, ao mesmo tempo, as ideias seminais e muito interessantes o originais sobre a origem da linguagem e a formação dos atos de fala das crianças em relação a musicalidade e outras coisas mais.

O filme me levou, portanto, a uma descoberta e também a um esclarecimento maior sobre certos detalhes analíticos que já discutia em meados dos anos 80 com o meu grande amigo já falecido Bruno Ellwanger e outras pessoas e amigos de um circuito alternativo, que eram interessadas também em Jung, Freud e o que poderíamos chamar de uma certa crise da civilização. Na época eu lia a obra a Energia Psíquica e ficava um bom tempo pensando na relação entre Anima e Animus em paralelo ao princípio de prazer e a pulsão de morte.  Eu pensava que aquela ideia só poderia ter saído de forma consciente da cabeça de uma mulher, porquanto para mim na cabeça do homem só encontramos vestígios da dor da morte não de sua força. Audaz como eu era, passava um bom tempo fazendo muitas discussões sobre isto. Olhava para As doenças mentais e as avistava como calcadas em doenças coletivas e síndromes individuais de um certo, ao meu ver já na época, desequilíbrio volitivo ou, em outras palavras, das frustrações do desejo e do ego frente ao princípio de realidade.  Supunha sumariamente que as causas de sofrimento e destruição estavam ligadas de forma reativa a estas experiências. Eu, em outras palavras, racionalizava.  E eis que encontro, a partir de uma pesquisa rápida aqui na rede, e após ler várias resenhas do filme também interessantes, uma bela tese de doutorado sobre a autora em língua portuguesa que faço já questão de citar para saciar a curiosidade sobre isto. Veja CROMBERG, Renata Udler. O AMOR QUE OUSA DIZER OS EU NOME: TESE DE DOUTORADO. São Paulo: USP, 2008, 549p.Aqui link para a tese da USP.

Para o filme: UM MÉTODO PERIGOSO


Um abraço amigo. 
    

AGRADECIMENTO A UM ESPÍRITO CRIATIVO

“O amor é o medidor mais preciso do tamanho da nossa alma”

A tua atitude é sempre muito boa. Não fiquei muito tempo observando para entender o que você fez, mas eu entendo perfeitamente, e mesmo quando lembro alguns detalhes encontro algo de interesse e que ainda me surpreende. Isto me causa ainda um sentimento muito bom, pois não há nada mais adorável para mim do que ser bem surpreendido.

Tua atitude faz também algo mais que eu julgo como uma vantagem em relação a outras atitudes possíveis. Ela demonstra um espírito de liberdade em diversas situações, me mostrando que existem muitas formas de relações possíveis entre certas ideias que tenho tido e muitas questões diferentes que tem me ocupado. Nesse sentido, não há nada de imperativo ou dogmático nesta forma, nem nada que seja aprisionador do nosso espírito nela. É uma atitude essencialmente libertária...

Neste ano eu vivi uma grande experiência com a filosofia, com a educação, com os livros, as ideias e as pessoas. Alunos, amigos, colegas, isto é, muitas pessoas fizeram parte disto. Você teve um lugar especial nesta experiência. Agradeço muito tua amizade, nossas trocas e tuas palavras, que sempre me chegaram com certa originalidade e que sempre me surpreenderam.

Penso que te conhecer foi uma grande descoberta para mim. Talvez ainda seja cedo, mas vi em você algo de um “espírito criador”.

Por isto te respeito muito e te admiro também.

Obrigado!     


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cadê aquele grupo?...como era o nome mesmo? SÃO LÉO DA DEPRESSÃO.....sim aquele com os caras com NARIZ DE PALHAÇOS NA FRENTE DA PREFEITURA NOVA?

SOBRE A LINHA DE ÔNIBUS DA VILA GLÓRIA E A RESPONSABILIDADE DO PREFEITO

Agradeço a pronta e cordial resposta ao meu questionamento no grupo Opinião dos Leopoldenses.

Meu questionamento foi provocado pelo meu conhecimento de uma semana de que a Linha Glória sofreu alteração de itinerário à revelia de consulta, audiência ou discussão com a comunidade a qual pertenço que é a Escola Estadual Olindo flores. Aliás Tomei conhecimento de tal fato na quarta-feira passada quando as funcionárias da limpeza da escola, secretárias e monitoras da escola me informaram que tal alteração foi realizada após consulta e discussão exclusiva com a escola Vitor Becker e a comunidade do Parque Sinuelo, o que deixou todos os meus colegas também professores e diversos alunos contrariados. Mesmo assim havia nossa Festa de 50 anos na qual o Prefeito – na condição de filho de nosso patrono foi convidado – e mesmo nesta festa tal questionamento não foi feito por cortesia e por respeito institucional. 

Então na última terça-feira ontem repliquei questionamento de moradora do Jardim Viaduto contrariada com a alteração de roteiro, onde questiona com o seguinte texto: “Sr. Prefeito de sao leopoldo porque sentiu se no direito de mudar o itinerario da empresa de onibus leopoldense?” o qual copiei e colei em meu mural e ao postar na outra comunidade alterei seu teor dando lhe a objetividade e correção que julguei necessária, assim: Sr. Prefeito de São Leopoldo porque sentiu se no direito de mudar o itinerário da linha Vila Glória da empresa de Ônibus Leopoldense?.

Teu esclarecimento é parcial, pois ao dizer que “não é o prefeito que decide ou não sobre itinerários dos ônibus da cidade” parece desconhecer que é o prefeito o gestor executivo desta cidade e que ao mesmo compete nomear dirigentes, delegar-lhes tarefas e, enfim, deliberar com estes sobre as condições de todos os serviços prestados por concessão em São Leopoldo e que mesmo por delegação ao seu Secretário Municipal ou Diretor de Departamento nomeado, tal ato ou tais atos são de sua última responsabilidade. Na condição de cidadão ao não ser consultado questiono o prefeito municipal e sempre o farei posto que a forma mais correta de evitar isto é que os Secretários ou Diretores consultem os seus munícipes o que, resta dizer aqui, não fizeram em relação a centenas de moradores do Jardim Viaduto, Scharlau e à comunidade da Escola Estadual Olindo Flores.

Espero que os pedidos feitos ou pela comunidade ou por parte da comunidade ou pela empresa, sejam avaliados de forma transparente com consulta aos usuários da linha. E caso sejam conversados, caso sejam realizadas reuniões para tal fim que sejam os cidadãos e cidadãs consultado. Quando o Secretário ou Diretor de Transportes, Mobilidade ou Concessões não faz isto gera demanda direta ao prefeito e é isto exatamente que eu represento e do qual com outras pessoas fui somente o porta-voz circunstancial.

Por fim, se for necessária a mudança de itinerário que seja dada solução para todos os usuários, antes disso e não feita à revelia das necessidades de transporte de uma parcela razoável destes, que é o que de fato ocorreu. Caso tenha ocorrido alguma reunião com a empresa e munícipes para ser discutida essa mudança, reivindico que a mesma tenha sido devidamente comunicada e convocada para toda a comunidade e não realizada de forma a privilegiar este ou aquele interesse, como de fato todos os relatos e informes me justificam a julgar que ocorreu.

Quanto aos detalhes de ajustamento – o que chamas de “poréns que ainda serão discutidos” solicito que sejam informados os detalhes, quando serão discutidos e se isto será feito de forma transparente e democrática na próxima ocasião.

Não há, devo repetir frente a sua reiterada afirmação, como “esclarecer que não é uma decisão dele” do prefeito, posto que é ele que nomeia seus agentes políticos e é ele que determina a lógica e o modo operacional dos mesmos, não creio que seja razoável que a Administração Municipal seja vista ou administrada como um coletivo composto por entidades autônomas e autossuficientes o que contraria a necessária hierarquia e subordinação entre diretores e secretários ao prefeito. Na condição de cidadão, nascido neste município, residindo neste município, trabalhando neste município e eleitor deste município, me custa a acreditar que agora o poder executivo passou a funcionar sem a devida unidade administrativa.

Então cabe ao prefeito sim a responsabilidade pelos atos de seus servidores, este é o domínio do fato.

Sem mais, respeitosamente.

Obs.: Gostaria que da próxima vez fosse me informada a competência, cargo e responsabilidade de quem me informou, haja visto que não creio ser adequado que um servidor público exerça tal função sem identificar-se frente ao cidadão. In bona fides...

Daniel Adams Boeira
Professor Estadual
Usuário da Linha Vila Glória

Em 12 de novembro de 2013