terça-feira, 22 de outubro de 2013

SONHOS DE UM DIA DE PRIMAVERA AQUI NO SUL

“Sonhos de uma noite de verão” no hemisfério sul não rola. Mas rola outra coisa meio que parecida com o que rolava na Grécia certa feita.

Porque aqui – e mais ao sul - é quente demais e também porque a gente dorme pouco no verão. Nosso verão aqui é excessivamente iluminado o que faz a imaginação mudar de registro da noite para o dia. E é meio que por isto que a gente vê as pessoas delirando no verão por aqui. Basta dar uma voltinha nas praias e nos botequins, que você percebe que é no hemisfério sul que o impulso delirante dos filósofos e filósofas se transfere para o homem comum.

Deve ser recomendável também – ou talvez só plausível – fazer comparação com aqueles gregos dos séculos VI, V e IV que resolveram filosofar e que – tudo indica – ganharam alguma audiência fazendo isso. Não temos muitas pistas concretas, mas parece que já naquela época os delírios eram feitos à mesa, em banquetes, antes de banquetes, depois de banquetes e regados a vinhos, muito azeite de oliva na salada, pitadas suaves de sal e vinagre e muita carne assada de gado, peixe ou...não sei bem.

Bem, mas voltando ao assunto inicial se pode imaginar facilmente o que tem acontecido nestes lugares quentes com as idéias das pessoas e também com as coisas das pessoas. Eu tive hoje mesmo uma intuição ou uma certa percepção sobre as mazelas da procura em dias quentes. Num dia quente você sai de casa para trabalhar e pode procurar coisas, pessoas e idéias ao fazer isto, para realizar seu fim, mas vez ou outra é tão quente que você deve ficar mais atento. Acontece comigo muito isso. Saio para comprar algo e encontra alguém. Saio para encontrar alguém e encontro uma idéia. E saio vagando para procurar uma idéia e encontro algo que eu precisava.

Deve ser algo relativo a isso que fazia Sócrates pensar que no fundo não sabia de nada, porque sempre que procurava um conhecimento encontrava alguém que achava que sabia de algo, mas que não sabia e isso talvez explique porque ele lembrou do galo que ele devia à Asclépio antes de morrer. Bem, devia estar muito quente e...após um banquete e uma última libação, antes de tomar a Sicuta lhe veio uma idéia clara de uma coisa e de uma certa pessoa e entidade e assim se foi embora...

Então, um bom sonho de uma noite de verão pode acontecer de dia aqui no sul, como está provado agora, ou melhor pode acontecer já na primavera mesmo...

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