quarta-feira, 9 de outubro de 2013

PREÂMBULO PARA UM DEBATE DE CRENÇAS, OPINIÕES E JUÍZOS

Proposições que descrevem estados de coisas podem ser verdadeiras ou falsas. O fato da compreensão de uma proposição ser anterior ao seu valor de verdade, permite que a compreendamos perfeitamente, não somente as proposições verdadeiras, mas também o sentido das proposições falsas e que, de certa forma, estas últimas, inclusive, se encaixem em nossas formas de ver as coisas. E isso combina de um modo tão condizente com nossas preferências, nossas perspectivas próprias que elas parecerão até verdadeiras e bem judiciosas aos nossos olhos. E assim caminha a humanidade e nossos sentimentos, expectativas, preferências, nosso background de informação e opiniões biográficas, nos ajudam a adquirir certas crenças como verdadeiras, tomar verdades como falsas e resistir bravamente a reconhecer que podemos estar enganados sobre aquilo que julgamos com tanta força em nossas crenças sobre fatos. O problema da verdade surge e se avoluma, então, quando às proposições que descrevem ou versam sobre estados de coisas cuja complexidade, elementos e relações internas, ganham uma dimensão que ultrapassa o alcance das nossas informações, dos nossos conhecimentos, das nossas opiniões próprias e da nossa experiência pessoal. Todos nós em algum momento de nossas vidas nos damos conta de como é difícil julgar, explicar e compreender certas coisas, acontecimentos e circunstâncias. Assim, quando se impõem juízos de valor cuja validade, legalidade ou qualidade dependem não mais de elementos puramente descritivos, quantitativos ou minimais, temos que desconfiar mais dos nossos julgamentos confortáveis, das nossas saborosas convicções e daquelas crenças que nos habituamos a adotar como verdadeiras, justificadas e corretas. Pretendo aqui mostrar que nem tudo é exatamente como parece e que talvez seja desejável e razoável adotar certas perspectivas intermediarias na interpretação de fatos e de acontecimentos cuja dimensão explicativa foge com todos os seus elementos, relações e condições de verdade do alcance habitual e cotidiano de nossa compreensão.

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