terça-feira, 29 de outubro de 2013

O MÉTODO QUE REVELA O SUJEITO NÃO O OBJETO


Quando o poder da síntese desaparece da vida dos homens e quando as antíteses perdem sua relação vital e seu poder de interação e conquistam a independência, e então que a filosofia se torna uma necessidade sentida.” G.W.F. Hegel

As vezes custa muito para os que eu tendo a chamar de cognitivistas e epistemólogos entenderem que o método revela mais o sujeito do que o objeto. Alguns prefeririam que o método revelasse apenas a situação do sujeito, mas eu penso que revela mais. 

Quando falo de um custo aqui fico pensando mesmo no preço, no custo, no prejuízo e em alguma vantagem possível que eles tenham em se manter renitentes em suas leituras do mundo que resumem tudo a experiências de um simples sei ou num sei, penso ou num penso, provo ou não provo e assim sucessivamente. Não digo isto porque prefiro as incertezas ou a insegurança da ignorância, ou mesmo as vantagens da ignorância que envolvem não ter que pensar muito em coisas aborrecedoras, injustas, trágicas ou pesadas. Talvez isto lhes dê o conforto da assepsia perante uma política ou um mundo dividido exclusivamente num certo e errado em ilusões ou clarezas.  

Entendo e chamo por cognitivistas e epistemólogos aqui aqueles que reduzem tudo a uma relação de conhecimento e que por força da neutralidade cognitiva se esquecem que há ai mesmo, nesta relação cognitiva, explicativa, expositiva e compreensiva, também uma relação de poder, de controle e de supremacia.

Na sua tentativa de completude o método diz muito também sobre você mesmo. O método expõe e mostra todas as tuas prioridades, exibe tua agenda e, também, para além da tua formação, a direção que pretendes tomar ao conhecer o objeto, ao ensaiar a crítica ao esboçar um discurso, ao proferir, avaliar, sopesar e também ponderar sobre algo. Aliás, uma das observações mais incríveis é a da transformação de outros métodos e outros sujeitos também em objetos, de tal modo que teu controle, tua agenda e tua vontade de poder se façam justificadas, racionalizadas e se realizem com menos conflito e atrito.

Revela também este método uma forma de auto-compreensão do sujeito, de suas escolhas teóricas e a natureza de sua empreitada. Quando penso nisso - e isso ocorre com muita frequência ultimamente - me dou conta que mesmo o discurso é um similar que exibe ou somente uma expressão secundária do método, ou seja, para analisar realmente uma contradição precisamos ir para além do objeto, pois o método de seu reconhecimento tem sua origem no sujeito. 

Assim, tanto uma escolha lógica quanto uma escolha dialética expressa mais o sujeito e suas disposições que o próprio objeto de conhecimento. Nem eu entendo ainda muito bem isso, mas tendo a ficar cada vez mais desconfiado de mim mesmo quando penso nisto e, não creio mesmo, que seja eu o único a perceber isso.

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