terça-feira, 15 de outubro de 2013

DIA DO PROFESSOR 2013: NEM CAOS, NEM CRISE, MAS SIM A MUDANÇA!

Sou professor com muito orgulho apesar dos percalços, dos cavacos do ofício, das intensas lutas, da incompreensão de muitos que olham para nós com uma visão utilitária e muitas vezes tacanha. Uma coisa que aprendi a perceber com discrição e sem me revoltar tanto pelo fato de possuir algum conhecimento e domínio de certas técnicas e métodos é que os ignóbeis ou expertos não possuem e que tentam usurpar, sem reconhecer ou retribuir para a gente em diversas circunstâncias. Sou professor de filosofia com muito orgulho também porque é matéria de natureza difícil ao ensino e também que sofre preconceito e que é considerada pelos néscios somente como um lustre ou uma espécie de luxo na galeria das disciplinas escolares.

Apesar, também, de todas as dificuldades do começo da minha carreira, penso que elas valeram à pena e sou muito feliz nesta escolha. Entre 1989-1993, não haviam muitos lugares para se lecionar filosofia, e isso foi ser regulamentado apenas recentemente, mas eu acreditei que haveriam.

Apesar de não receber um salário à altura do estudo e da responsabilidade que sinto possuir, com outros educadores e, também, do desaforo de ver outras profissões com menos formação e que no serviço público – por estarem vinculadas a outros poderes e outros níveis da União –  que são privilegiadas e mais valorizadas por seus lobbys e sua força corporativa - o que eu ainda espero vou ver mudar e ajudar a mudar - eu me sinto muito bem.

Eu vejo, ao contrário de certos colegas que respeito, mas frente os quais tenho entendimento diferente, que as coisas vão em geral melhorando aos meus olhos a cada dia que passa. E vejo neste momento um momento de transição muito dilatado em que muitas mudanças vão ocorrendo e nos surpreendendo e de forma tão intensa e cotidiana que mal percebemos seus efeitos, causas e dispositivos. 

Percebo nisto que ocorre hoje, não o Caos, nem a Crise, mas uma profunda e decisiva mudança. Mudança esta trazida à tona pelas novas tecnologias. Uma mudança que ainda nem é bem qualificada pelos educadores, nem muito percebida porque ocorre todos os dias em nosso cotidiano. Sim, as coisas estão mudando de uma forma tão impressionante que muitos envolvidos em seu cotidiano não a percebem. Parece que não foram educados para perceberem isto. Resumidamente com as novas tecnologias mudaram e estão mudando todas as formas de comunicação, as formas de relacionamento,  as formas de produção, de divulgação, mudou e está mudando a  forma de aprendizagem, de ensino, de transmissão do conhecimento de discussão das opiniões, vai mudando – mais lentamente do que gostaríamos – os procedimentos de tomada de decisão e avaliação, os dispositivos democráticos e de consulta popular, pesquisas de opinião e também as formas de levantar-se as reais necessidades das pessoas,  e eu penso que se não é supor demais que me parece que mudará também as formas de pensar. E não se trata aqui da lógica pura não. Quando falo em mudança do pensamento, trata-se de incrementos em diversas operações cognitivas e também de uma espécie de regulagem no saturamento do excesso de informações o que percebo nos jovens de hoje. E devo dizer que isto atinge também aqueles que não estão conectados ainda que de forma indireta. Para além da técnica, eu creio num renascimento das humanidades. Ainda que seja difícil perceber algo de qualitativo nisto. E entendo que inclusive as questões de autoria sofrerão revisão e mais qualificação. Mas isto não é instantâneo, é um processo. 

Tenho muita esperança e sinto que a educação brasileira está sofrendo uma grande revolução e transformação aparentemente imperceptível para alguns. E em 10 anos, tudo será diferente e eu rezo para não estar aposentado ou disfuncional e pode viver o que hoje parece somente um sonho, uma fantasia, uma ilusão ou um delírio de filósofo.

Aposto em educação democrática, aposto em educação inclusiva e emancipatória e percebo transformações necessárias em toda a parte. E estas transformações se inciaram pela universalização do acesso e passam por mudanças nos métodos e meios de ensino e, ainda, por uma concepção nova do espaço escolar não mais como espaço exclusivo de transmissão de conteúdo, conhecimento ou de socialização de regras, mas também como um espaço de lazer, espaço lúdico e um espaço do cuidado e da saúde. E isto não depende tanto da opinião dos donos da escola, mas sim do uso que a comunidade através dos alunos vai dando para este espaço. E não vejo nisto uma deturpação da função escolar, vejo apenas uma  transformação que também é decorrente de uma nova dinâmica social entre os jovens e mudanças na interação entre professores e alunos, e entre a escola e a comunidade. Mas note-se que esta mudança não é linear.

Para concluir, estive em Santa Catarina até hoje à tarde e descobri que em 2015 o Diretores de escolas estaduais deixaram de ser indicados pelo partido ou pelos partidos do governador do estado e dou meus parabéns, mas ergo aqui meu orgulho de que no RS, tanto o CPERS quanto a escola em que leciono hoje, Olindo Flores da Silva foram da vanguarda desta luta lá em 1983-1984-1985...AVANTE EDUCADORES DE PÉ, UNIDOS PELA EDUCAÇÃO!


e quero agradecer a todos os meus colegas, alunos e alunas, ex-alunas e ex-alunas, amigos e amigas que tem me dado muitas alegrias e belas surpresas nesta caminhada....

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