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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

SOBRE A GREVE DO CPERS E A MANIFESTAÇÃO DE TRISTEZA DO EDUARDO LIMA

Discordo de você Eduardo Lima em alguns pontos.

Por uma questão de justiça começo agradecendo o apoio dos estudantes à luta dos professores e também o engajamento dos estudantes a uma luta como esta trazendo pautas próprias e modos próprios de pensar, atuar e construir. Mas nem o gato é tigre e nem o tigre é gato. A tua tristeza não será a última, nem a primeira de tua vida, se prosseguires na luta. Porque a luta sempre traz dissabores, desconfortos, desconfianças e interrogações permanentes.

Na prática, o Sindicato está enfrentando o Governo com a pauta que construiu e com a capacidade política que tem conseguido construir até agora. Eu milito no sindicato a apenas 16 anos. E ando afastado agora por questões pessoais e também profissionais. Mas nunca discuto o sindicato ou as decisões do sindicato sob este parâmetro que você utiliza: ser pelego ou não ser pelego. Para mim este é um parâmetro rebaixado de abordagem e de crítica. Não aceito que rotulem os jovens como rebeldes ou inconsequentes pela mesma razão, aliás.

É preciso argumentos e razões para tachar alguém disto ou daquilo e uma entidade democrática como é o CPERS, não pode ser com justiça tratada assim. A fala da Rejane ontem ao sair da audiência foi muito clara. “A greve somente vai acabar quando tivermos uma proposta possível de ser levada para votação em assembléia. Isso que dizer que se o Poder Executivo permanecer fechando o debate em torno do que quer discutir, não vamos aceitar a proposta”. Rejane Oliveira.

E se você quer brigar com o Sindicato não há de ser o tema do Ensino Médio Politécnico a boa razão para tal. E te digo isso com uma pequena nota pessoal aqui - eu não considero o ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO o problema principal não, mas nem por isto deixo de fazer greve pelo piso e pelos demais itens da pauta. Aprendi, ao militar em movimentos sociais, grêmios estudantis, DCEs, sindicatos, partido político e mesmo na escola, que a pauta sempre será uma síntese da maioria e te confesso que já fui voto vencido e vencedor muitas vezes. Já fui minoria que venceu em deliberações e já fui maioria derrotada.

Uma das coisas mais importantes que aprendi é que o MOVIMENTO, a FERRAMENTA, a ORGANIZAÇÃO e o seu método devem sempre ser respeitados e preservados, enquanto não se tem coisa melhor. E que a melhor forma de respeitar isso não é não debater os erros, os acertos, mas sim saber o momento certo de fazer isto e de avaliar as coisas com muita honestidade, conhecimento e visão de para onde vamos, onde estamos e como queremos ir adiante.

O CPERS não deixou tirar o assunto do Politécnico. Nisto você está sendo injusto e se esta é atua base para acusar o CPERS de pelego então toda a tua tristeza deve desaparecer e tua acusação se desmorona. Quero muito que você - e todos os jovens que estão juntos agora nesta luta e jornada - faça política, mas com clareza e com capacidade de agregação. Senão lá se vai mais uma oportunidade de unirmos nossas forças e mudarmos as coisas de novo.

Sobre os métodos e formas de atuação. Eu te sugeriria numa boa respeitar mais os discursos dos outros porque dá muito trabalho construir uma história de vida que para ti pode não ter sentido, mas que para aqueles lutadores sociais lá é tudo que eles tem. Te recomendaria ouvir as canções do MST, MNLM, e de vários outros lutadores sociais ao redor do mundo e parar para pensar no que eles estão falando e não naquilo que eles estão falando é diferente de tua visão de mundo e de tua compreensão do que é necessário, prioritário e urgente.

As músicas ridículas e as falas ridículas as quais você alude uniram muitos de nós durante muitos anos contra o NEOLIBERALISMO, o IMPERIALISMO e são expressões de nossas profundas críticas ao SISTEMA CAPITALISTA. E aqueles que falaram lá em cima do caminhão de som são os líderes que conseguimos construir nestas jornadas.

Você merece todo meu respeito, mas isso não me furta de manter a defesa do Sindicato, da nossa luta e das nossas lideranças. Pode haver um dia em que nós, nossas canções, nossas falas, idéias, nossos discursos, nossos conhecimentos, nossas experiências não tenham mais nenhum valor, mais nenhum sentido, mais nenhuma vida, mas podes crer menino que quando este dia chegar nem você terá lugar neste mundo.


A democracia envolve aceitar as diferenças e garantir por maioria as decisões, mas isso não significa acabar com as minorias, nem passar a régua na conta da história e apagar a resistência, a divergência, a contradição e todas as diferenças possíveis. Zerar o sentido dos que lutam é o principal objetivo dos facistas e daqueles que querem acabar com a história, porque não querem que os homens comuns tenham papel nela.

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