segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ONE MORE THING & STEVENOTES: STEVE JOBS, COLUMBO, WODDY ALLEN E BOBBY GOREN



ONE MORE THING & STEVENOTES:

Estive estudando e escrevendo, entre outras coisas, sobre as Stevenotes neste final de semana. Stevenotes é o nome que tem sido dado aos Esboços e Notas de Steve Jobs para suas apresentações de produtos, balanços, idéias e propostas que tem de forma pública ocorrido entre janeiro de 1984 e agosto de 2011.

Este estudo foi provocado por minha esposa que assistiu no sábado pela manhã a cinebiografia de Steve Jobs e veio me contar o que viu e acabou por me fazer falar em coisas que eu sabia da vida dele, coisas que eu suspeitava e, também, sobre aspectos da inteligência cultural e discursiva dele e as capacidades especiais e visionárias que ele possuía.

Existem diversos locais aqui na rede que oferecem listas de expressões consideradas marcantes de Steve Jobs.

Eu sempre cito que ele dizia que daria toda a riqueza e fortuna dele para poder ter a oportunidade de ficar uma tarde conversando com Sócrates. E em dias como hoje isso para mim é mais significativo ainda, pois tenho me reencontrado com Sócrates ultimamente e neste trimestre fecharei o ano lendo Platão, como nunca li antes na minha vida, formação ou estudos.

Também dei uma pesquisada no GOOGLE e vi alguns vídeos sobre o tema das STEVENOTES. Descobri um site brasileiro que tem links para todas as Stevenotes (http://stevenote.tv/), e verifiquei de novo que o método de Steve Jobs de construção de suas exposições, envolvia certas técnicas e macetes de como manter a atenção da audiência e como gerar e ampliar a curiosidade, mesmo chegando ao final de uma apresentação. E nisto encontrei ONE MORE THING (STEVE JOBS - ONE MORE THING 1999-2011 ) e resolvi compartilhar isto.

A lista dos produtos divulgados em ONE MORE THING por Jobs é a que segue:

0. A Retomada da rentabilidade da Apple na MacWorld Expo, San Francisco 1998 (dois anos após o retorno de Steve para a APPLE).

1. O iMac apresnetado em cores na MacWorld San Francisco 1999.

2. O 22 "Apple Cinema Display em Seybold 1999.

3. O AirPort estação base e cartão AirPort após o iBook foi introduzido na MacWorld Expo New York 1999.

4. O iMac DV, iMovie e iMac DV Special Edition em um evento especial em outubro de 1999.

5. Na MacWorld SF 2000, Aqua (interface de usuário) foi introduzido.

6. Jobs anunciou que ele iria continuar em seu papel como CEO na Apple, em uma base permanente, deixando o "i" (para "interino") a partir de seu título "iCEO".

7. O Power Mac G4 Cube , na MacWorld NY 2000.

8. O PowerBook G4 , na MacWorld SF 2001.

9. O 17 " iMac G4 , na MacWorld NY 2002.

10. O Power Mac G5 na WWDC 2003.

11. O 12 " PowerBook G4 Aluminum na MacWorld 2003.

12  iPod Mini , na MacWorld 2004.

13. O iPod Shuffle , na MacWorld 2005.

14. A quinta geração do iPod com vídeo, anunciada em uma conferência de imprensa intitulada "Só mais uma coisa ..."

15. O MacBook Pro , a Macworld Expo 2006.

16. Introdução da venda de filmes pela iTunes Store em setembro de 2006,

17. Um segundo "Só mais uma coisa" na mesma apresentação também revelou um produto próximo apelidado iTV (renomeado para Apple TV na Macworld 2007).

18. Um terceiro "One More Thing" foi o lead-in para apresentar uma performance ao vivo da música "Esperando o mundo mudar", de John Mayer no final da apresentação.

19. Introdução do Safari para Windows beta, a WWDC 2007

20. The Aluminum Unibody MacBook , em um evento notebook em outubro de 2008.

21. A câmera de vídeo e alto-falante na quinta geração do iPod Nano no evento de música da Apple em setembro de 2009.

22. FaceTime chamadas de vídeo para o iPhone 4 na WWDC 2010.

23. O Apple TV (2 ª geração) rodando em iOS em de setembro de 2010 Apple Music Event.

24. A revista MacBook Air em um evento para a imprensa, intitulado "Back to the Mac" em outubro de 2010.

25. Os iTunes Combinar serviço a WWDC 2011.

(fonte da lista e das primeiras descrições de STEVENOTES é a seguinte: http://en.wikipedia.org/wiki/Stevenote)

Na verdade, estou escrevendo a partir disto, por interesse próprio algo bem maior sobre estas STEVENOTES por diletantismo e prazer e, também, porque não gostei do que li em traduzido em português e acho que pode ser mais aprofundado e reeditado também e  por ai vai e porque julguei que estava sendo apresentadas pistas insuficientes como ilustração de um método muito bom. Sim, às vezes os filósofos ou professores de filosofia como eu gostam e olham mesmo muito mais para o método do que para as coisas.

O estudo disto me vale sim um ensaio razoável sobre método também, tendo em vista que continuo entrando em sala de aula e lecionando aulas de 50 minutos por semana (um período de filosofia e um período de sociologia. O que é um desafio muito bom na construção das aulas e no desenho ou esboço do que se fará neste tempo.

No meio disso encontrei a pista e a referência das STEVENOTES para o clássico dos clássicos One More Thing - só mais uma coisinha - usado com maestria pelo detetive Columbo - Peter Falk, (veja aqui: COLUMBO ) Sim, Peter Falk é o mesmo ator que Win Wenders nos apresentou como um anjo apaixonado pela vida humana em Asas do Desejo. 

Pois a chave One MOre Thing (Só mais uma coisinha ou mais uma coisa), era usada como estratégia pelo detetive Columbo no momento em que ele ia desmontar um álibi que parece perfeito de um criminoso ou desconcertar alguém com uma espécie de pergunta surpresa ou bomba após singelas interrogações e triviais perguntas.

A descrição e caracterização de Columbo na WIKIPEDIA/PT nos ajuda aqui:

“Columbo é educado e faz de tudo para não ofender os suspeitos e, aparentemente dispersivo, dá a impressão que não tem a mínima chance de resolver o crime. Passa ao assassino uma falsa sensação de segurança, pois faz perguntas tolas e sem pretensões. Apesar disso, aos poucos e metodicamente, junta os pedaços do quebra-cabeça a partir dos mínimos detalhes e sempre consegue desmontar o álibi e desvendar o crime, para espanto do assassino. Resolve os crimes pela lógica.”   

Lembro também da outra frase dele - do Columbo - que acompanhava isso: "Minha esposa não vai me receber em casa ou não vai me deixar dormir se eu não perguntar ou falar disso." 

A ironia e a graça aqui é que ele provavelmente nem morava com esposa nenhuma ou era separado e a esposa nunca aparecia no seriado. Esta era somente uma chave, após certas situações desconexas, impressões de delírio do investigador e em alguns episódios certos devaneios extremamente engraçados, para surpreender e pegar o interrogado, suspeito, informante ou até seu chefe de forma surpreendente.

Em geral - e eu me lembro disso muito bem - a gente assistia a série esperando este momento chave...e todo mundo devia pensar em seu interior como ele ia fazer isto e quando seria. E eis que, então, bah lá vem ele!!! E ele fazia aquela pergunta chave ou colocava a questão de forma decisiva como se tivesse montado por mágica todo o quebra cabeça que iria elucidar o crime.

A gente notava que era raciocínio puro (a lógica como foi dito acima na WIKI) e que ele simplesmente juntava as peças, pistas, suspeitas e o desenho da investigação dele funcionava em sua investigação como um tabuleiro móvel ou flexível. Se você quiser associar isso a imagem de um tabuleiro de xadrez imaginário em que a as peças vãos e movendo e se pensa no movimentos anteriores e posteriores até o xeque mate. Assim, na imaginação e inteligência investigativa de Columbo, acontecia que as coisas iam sendo arrumadas conforme avançava a investigação dando um termo ao quebra cabeças. Em geral, é bom que se diga aqui, como anotação e pista o método dele era dedutivo e dava pouco espaço para pressuposições.  

Entretanto, havia uma parte muito interessante também que apresentava os elementos irracionais ou emocionais, parte da investigação esta que me parece que bem depois vai ser mais explorada pelo outro discípulo de Columbo, Bobby Goren (interpretado entre 2001-2011, por Vicent d’Onoffrio na Série Policial Law & Order: Criminal Intent). Assim, as motivações emocionais ou pessoais para o crime são também, examinadas e de certa forma definidas. Mas é notável também que Bobby Goren também usa quase todos os recursos de Columbo em seus interrogatórios e que inclusive ONE MORE THING, também.

Por fim, queria fazer outra referência aqui sobre isto. Sou um apaixonado por Woddy Allen, ou melhor pelos filmes do Woddy Allen e tenho também lembranças do uso deste recurso por ele. Assim, one more thing, só uma coisinha se transforma em um elemento técnico e cultural, de um lado, para apresentações de produtos ou idéias por Steve Jobs e, de outro lado, em diálogos de séries policiais e no cinema. É um recurso que permite - digamos assim - dar uma reaquecida na atenção dos expectadores e das personagens e, ao mesmo tempo, me parece um bom recurso também para uma espécie de anticlímax.

Além disso, só mais uma coisinha, talvez nos permita olhar para as coisas se dando conta que sempre pode haver mais algo sendo apresentado ou chamado a ser apresentado com elas......            

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