segunda-feira, 30 de setembro de 2013

À OBRA INAUGURAL DO JARI: TEXTÍCULOS

À OBRA INAUGURAL DE JARI: TEXTÍCULOS

A apresentação, a natureza do artífice, do êxito. O NEOLOGISTA pleno de uma nova lógica e de nova analogia entre a literatura e a vida. A nova lógica é questão de estilo diriam uns, para mim, a vida é mais importante que o estilo. A principal disposição de quem escreve. Após milhões de páginas já escritas por todos (as) os escribas. Desta forma: todo escritor quer nova síntese entre a vida e a literatura. Aqui o estilo está subordinado, na obra, à forma de vida.

Os pares iniciais: ordem/desordem; fingir/sentir; contente/descontente; NADA/TUDO. São pares do nosso gosto metafísico. Aquele gosto quer deixar de ser triste, deixar de sofrer e de se resignar, que não quer, no fundo, contentar-se com coisa alguma. Que – apesar do preço que a vida cobra – ainda quer TUDO. Ainda joga no TUDO ou NADA.

O endereço é certo: a LIBERDADE ABSOLUTA. Não dá a mínima ao que lhe for contrário. Vês sofrimento contente, na exata medida em que te libertas ao gritar, usando as vozes das musas, no canto de poesia, nos sonetos e quase haikais. É uma crônica ou prosa miúda e quase mínima, cujo nome assume, assina em baixo, em cima e aos lados.

O dEus desta obra, evoca a imagem de espelho dos "eus" que as vezes conseguem ser. Após tempo de vida é o único dEus que resta. É que sobrevive à morte de todos os deuses e ao desaparecer de uma palavra única, da única mensagem da verdade. No princípio era verbo e já estamos na enésima conjugação. Ainda é plural, pois que é sempre plural em nós sua forma de apresentação, sua forma de manifestação. E olha que não está sempre presente. Tira férias, abandona e vai e volta em corações, em emoções. Aguardamos e procuramos e não o encontramos. Ou seja, muitas vezes não está conosco. Lembro Daimon de Sócrates. E do preço que ele paga por pensar que possuí um Daimon seu. Sim, Sócrates o ímpio. Um êxito superior ao que possamos imaginar.

Cazuza: "dias sim, dias não, e eu vou envelhecendo sem um arranhão..." Vemos, assim, mais a tranquilidade prosaica do que um desespero intelectual ou existencial. A obra nasce madura. Imagino que mais há nas gavetas, pastas e arquivos para ser publicado. Imagino que não será difícil fazê-lo. É pouco provável que esta miscelânea de textos não tenha mais umas páginas irmãs. O texto, em forma e conteúdo, é um indicio disto, pois representa o autor que já atingiu a maturidade. Em geral os autores ao lançarem seus primeiros livros parecem mais juvenis do que literários.

Tem sonetos – formalmente dois - que mostram uma grande elegia à forma mais nobre da poesia. O que mostra também a abertura para esta empresa tão admirável de fazer e tecer mais sonetos.

Uma obra não precisa ter uma bela recepção, e nem sempre tem, mas é uma dádiva que esta tenha. Não há motivo a priori ou nobre para elogiar esta obra, mas me satisfaz e muito fazer isto. Digamos que vou quase pegando uma carona no sucesso e êxito dela o que, de fato, todo crítico acaba por fazer

São Leopoldo chegou em letras até aqui. Os grandes personagens chegaram. Não há dúvida que vão bem mais longe. E este efeito e expectativa positiva é digno de reconhecimento. A moça deve ler...


Daniel Adams Boeira – Professor de Filosofia - daniel_boeira@yahoo.com.br

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