segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SOBRE AS AGRESSÕES AOS PETISTAS APÓS AS ELEIÇÕES: NOTAS PARA UM DEBATE


Olha só: recebi um convite no meu Facebook para uma atividade no PT, na próxima quarta-feira, de discussão dos rumos do PT em São Leopoldo, no estado e no país. Nesta atividade estarão presentes o presidente estadual Raul Pont, e o membro do Diretório Nacional Walter Pomar, a Deputada Estadual Ana Affonso e o Prefeito Ari Vanazzi.


Este convite foi compartilhado no mural de umas 50 pessoas. Todas elas são militantes do PT de antes do governo que se iniciou em 2005 e que se encerra em 2012. Todas elas ajudaram ou ajudarão a eleger e reeleger Lula, Dilma, Tarso e  Vanazzi. E muitas são filiadas e foram dirigentes do PT e alguns são simpatizantes. Eu duvido muito que algumas destas pessoas tenham opiniões tão agressivas em política nem contra e nem a favor do PT. Quer dizer nenhuma delas vai sair dando bangornada por aí em quem pensa diferente da gente. Uma amiga, a Léa emitiu sua opinião contrária ao PT, tudo bem e qualquer outro tem todo o direito de ter opinião contrária, mas eu tenho a franca opinião que o excesso de agressividade de duas pessoas na lista ou de alguns é só desrespeito e desplante mesmo.


O futuro governo do PSDB/PMDB em São Leopoldo pode significar para alguns – como estas pessoas - o despertar de São Leopoldo, para mim significa outra coisa, mas ele ainda não mostrou a que veio, então é bom e recomendável ir bem devagar com o andor.


Sou um daqueles que nunca deixou de ser povo, eleitor e militante. Tenho endereço certo e trabalho determinado em qualquer hipótese, então convenhamos bem menos agressividade nos nossos murais; quanto à discussão ideológica superficial aposta aqui sobre trotskismo e etc, é bem provável que isto seja somente o resultado de uma flatulência mental, pois é signo de miséria intelectual falar do que não se sabe ou ideologizar qualquer debate só por disposição e arrivismo.


É minha opinião e imagino que é opinião comum a todos que foram listados aqui, nesta postagem, serviço público não é cabide e governo não é boquinha.


A maior prova disto é que as pessoas vão participar deste debate de forma voluntária como 
sempre foi feito no PT, aliás.


Então é bom ir tirando o cavalinho da chuva aqueles que acreditam que o PT de SL está acabado.


Mesmo assim repito, com todo respeito à tradição petista de discutir política o ano inteiro e com quem quiser, sejam bem vindos ao debate.


O Sandro fez o convite e só convidou quem tem afinidade política.


O problema é que algumas pessoas – por falta de espaço para debate em seus partidos e nos murais delas - resolveram criticar o PT no mural dos petistas isto é agressão.


Elas poderiam ter aberto o debate no mural delas mesmas, mas não ali não tem publico. Então fica este brinquedo de espicaçar petistas no mural da gente, com ofensas, baixarias, ataques superficiais e repetições da mesma ladainha daqueles que ainda estão sendo alfabetizados na política. Fui olhar o perfil deles e constatei que nenhum deles tem mais de 30 anos. Ou seja, nenhum deles teve uma vida adulta com os governos do PMDB em São Leopoldo para dizer como é que é sem o PT, então eu até entendo que eles queiram ver o outro lado. Entendo que se emocionem e queiram experimentar governos cujos candidatos só falaram daquilo que está errado e que mal compreendem o funcionamento da prefeitura atual. Aliás, este é um ponto incrível a prefeitura não é a mesma prefeitura de 2004 não. Muitas responsabilidades e atividades se somaram. O futuro governo vai ter que trabalhar muito para dar conta das tarefas e exigências reais da administração pública. Ou vão deixar a peteca cair e botar a culpa no PT?


Mas faz parte da democracia, com certeza, aceitar a crítica e debater sobre onde erramos ou acertamos, o que eu não gosto é da baixaria de quem sequer conhece a gente ou sabe exatamente o que se faz, se fez ou não. A priori todos merecem respeito e é uma questão de etiqueta básica, inclusive, que aqui no facebook e em outros lugares e espaços virtuais precisa ser construída, mas algumas pessoas mais raivosas e agressivas tem este desplante de usar o anonimato para atacar a gente. É aquilo que chamamos de anti-petismo.



Sem efeito e sem nenhuma clareza na maior parte das vezes, fazem isto só por despeito mesmo. Alguns no período eleitoral eram Fakes, mascarados e encobertos pelo anonimato e diziam absurdos. Participei de debates incríveis em que se via que se estava falando com alguém do outro lado que não sabia absolutamente nada da cidade. Resumia sua abordagem ao hospital e centro administrativo. Bem esta abordagem deu certo. O boicote dos médicos e de alguns trabalhadores do hospital e de outros lugares deu certo. Tudo bem. A oposição usou das armas que dispôs. Todos os cidadãos e cidadãs na democracia, tem o direito de ter a opinião que quiserem, mas sempre devem se portar com respeito. Isto é básico, mas e o resto?


Eles vão ter muito tempo pela frente para saber algo mais sobre as diferenças relevantes nesta discussão, neste debate sobre gestão pública e sobre o que é bom e prioritário para a cidade. Eu desejo boas alvoradas para eles e que os próximos quatro anos os iluminem sobre promessas, compromissos e a boa política. Alguns deles falam que não acreditam mais no PT e etc. Se a questão fosse de crenças, nós construiríamos igrejas e templos, mas estamos a falar aqui de políticas, programas e projetos. Alguns programas e projetos implementados que eles pelo visto de todo desconhecem, são algo bem mais concreto e objetivo. Ainda que impalpável para muitos e que muitos que sejam atendidos por estes programas não vinculam a existência, concepção e execução deles a este governo do PT.


É justamente porque não nos conhecem que não deveriam supor que não sabemos o que é ou como é o SUS ou qual é o problema dele aqui em São Leopoldo e em todo o país.


Agora o povo elegeu um médico para prefeito, então eu desejo que ele resolva este e todos os problemas dos SUS porque esta é a principal promessa dele.


Mas eu digo, com muito respeito, que não tenho duvida sobre o que acontecerá não. E provavelmente o que vai acontecer não será muito defensável nos próximos 4 anos.


Não há nada de cegueira no meu olhar sobre o PT ou a cidade.


O povo fez uma aposta nova na eleição. Eu só espero que este povo não me venha daqui a 4 anos falando mal da política porque a aposta deu errada. Só isso. E isso é também uma forma de respeitar as escolhas do povo viu.


O povo é o verdadeiro soberano na democracia e eu aceito completamente o resultado das urnas, porque o povo tem este direito de errar e acertar e assim vamos indo.


Neste sentido, por exemplo, não gosto nada do discurso que escutamos após a eleição de que houve traição ou trairagem. Porque este discurso pressupõe que o povo não foi responsável no voto, que ele foi enganado, que ele foi ludibriado. Não. O povo fez a sua escolha, o povo deliberou com as informações que tinha e com os valores e prioridades que cultiva ou cultivou até chegar na urna. E, assim, o povo tem muita responsabilidade no voto e vou repetir isto sempre, porque senão fica fácil ficar dizendo que os culpados são os cabos eleitorais, os militantes ou as lideranças.

  
Eu digo sempre – em todos os momentos e espaços em que isto é necessário - que lutei muito por este direito do povo poder escolher, decidir, errar ou acertar e que eu penso sim que vamos aperfeiçoando a democracia desta forma.


Mas isto não quer dizer que porque eu perdi uma eleição, eu sou a pior coisa que existe para o SUS ou para a política. Ou que o PT ou o PT de São Leopoldo seja o único responsável pelos problemas. Nós governamos com mais partidos e com muitas pessoas. Jamais poderemos ser acusados de ter governado sozinhos e ter defendido que só os nossos são bons. Demos, em 8 anos, muitas oportunidades e espaços para muitos cidadãos, agentes comunitários e lideranças da cidade governarem junto e em alguns casos inclusive alguns que agora assumem o novo governo estiveram com a gente.


Eu diria em especial para certa moça que entrou neste debate: vais aprender muito sobre isto menina, mas não desista, nunca, é o que te diz alguém que nunca desistiu de tentar mudar esta cidade, este estado e este pais.


Esta mudança, que não começou nesta eleição e nem vai terminar nela, vai continuar e fazer o debate e a boa crítica é parte dela. Assim, fique à vontade, mas numa boa, porque é assim que deve ser mesmo.


Sobre os recursos gastos pelo governo saírem do bolso da gente ou não, eu fico bem à vontade, pois pago todos os impostos que existem, todas as taxas que você pode imaginar e é tudo descontado diretamente do meu salário. Então eu sei exatamente quanto custa cada coisa. Quanto custa a vaga na escola e a vaga no hospital. Quanto custam as obras da cidade e quanto custa a guarda municipal. Sei também que tem gente que aceita dar R$ 500,00 para um médico do SUS fazer uma ligadura de trompas em 30 minutos e não quer dar R$5,00 ao ano para a escola que cuida do filho e da filha dela o ano inteiro ter um caixa e bancar certas despesas, sob a fiscalização de um Conselho escolar.


No fundo, a discussão aqui é sobre valores e sobre conhecimento. E, vale lembrar, é também sobre a força que adquirem as pessoas que acham a coisa mais normal um médico cobrar duas vezes e chegar atrasado no seu trabalho, no posto de saúde, no centro de saúde, no hospital e etc.


O padre numa missa de sétimo dia que assisti no sábado – em memória do meu pai – disse que quase chegou atrasado, mas que não havia chegado atrasado, porque a missa só começava quando ele chegava. Imagino que é assim que pensam alguns médicos. Bem, isso ajuda a resolver um grande problema nosso então, não vai haver mais atrasos e não vai faltar mais médico em lugar algum da cidade, porque a coisa só pode começar quando eles chegarem. E eles chegam....    


Assim, eu sei quanto custa muita coisa viu.

domingo, 25 de novembro de 2012

FÉ, A ÚNICA ARMA QUE EU TENHO CONTRA O SOFRIMENTO E A DOR

Estou fazendo muita força para resistir ao sofrimento. Não posso ir muito mais além do que já estou sofrendo. E tento me distrair aqui e  ali e é bem difícil. As vezes parece que a gente tem que escalar uma montanha emocional e voltar mais forte. Eu não tenho a menor dúvida de que estou passando por um momento duro, mas que sou um privilegiado em minha existência em vários sentidos, mas confesso - não para ser curtido ou aparteado - ma simplesmente para ter onde dizer algo sobre isto, que não seja nem tão anonimo, que não gere a compaixão e o carinho de quem me faz muito bem ao ser meu amigo e amiga, mas nem tão escancarado que venha alguém aqui confundir o que sinto com alguma forma de fraqueza ou pedido de piedade. Não, definitivamente não. Dá muito trabalho para entender isto que estou passando, isto que estou sentindo agora e eu quero sinceramente que nenhum dos meus amigos passe por algo parecido em nenhum sentido com isto, mas quero falar disto aqui, sem ser incompreendido nem admoestado por isto. Se não gosta do que escrevo não leia. Se me julgas fraco, não leia. Se tens vergonha dos teus sentimentos, não me leia. Mas pode ler com uma pitada de compreensão se és alguém que como eu julgava que isto podia acontecer sim, mas não desta forma e neste tempo. Estive em duas missas diferentes e prestei muita atenção no ritual, nas palavras e nas orações e cada vez entendo mais o significado de ser cristão - de encarar a dor e o sofrimento como um cristão - mas confesso que me sinto encurralado com esta resignação toda. Vejo pessoas que carregam pela vida inteira uma chaga, uma dificuldade física ou uma limitação, uma tragédia pessoal e familiar e elas estão lá sentadas cantando, orando, assim como eu e os meus. Recebem as bençãos, comungam e vão para casa reconfortadas...parece mesmo que Deus nos protege, que os céus estrelados nos protegem, apesar das maiores aflições. Fé, sim, a fé é um grande mistério para mim e a única arma que tenho agora contra a dor. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

APRENDER A LER OS DETALHES: NIETZSCHE


"Não são os grandes acontecimentos, aqueles afortunados ou determinados por circunstâncias exteriores e fortuitas que devem guiar nosso julgamento, mesmo que, como os cumes das montanhas, eles são os primeiros que saltam aos nossos olhos. Ao contrário, são justamente sobre os pequenos acontecimentos e incidentes interiores que devemos firmar o nosso olhar."  NIETZSCHE

sábado, 17 de novembro de 2012

ANTONIO BOEIRA SOBRINHO: 14/04/1941 - 17/11/2012 - EM MEMÓRIA DO MEU PAI


A história do meu pai começa nos campos de cima da serra. E para mim isto é uma espécie de marca característica da personalidade dele. A convivência com o frio, as grandes distâncias, os campos e a proximidade do céu, me parecem ter forjado o desejo de ampla liberdade do meu pai. Ainda escuto a voz dele dizendo que prefere o inverno ao verão e que não tem coisa melhor do que o fogo. Era um ímpeto de sobrevivência perante o inóspito. E uma combinação de personalidade que o frio permite e me parece aquele conforto do aconchego após a jornada. E a jornada, como toda jornada em busca da liberdade, era fria, quente, mas fria, desconfortável e arriscada. Um desejo tão grande de liberdade que dificilmente pôde algum dia ser aprisionado por qualquer coisa, pessoa ou atividade. Mas seguia sempre em frente. Sempre me lembrarei dele decidindo chegar ou decidindo ir embora. Era muito inquieto como se uma nova estação chamasse sua alma ali adiante em outro lugar. Meu pai era um ariano na astrologia e talvez nele a marca da iniciativa, da disposição para a conquista e da coragem para seguir seja quase uma definição de seu ser. Conheci muito poucos como ele, com este espírito de independência e com uma liderança sutil sobre todos os demais. E até o fim eu sinto isto. Ele sempre decidia quando ir e quando chegar. Ele tinha uma noção bem pessoal da sua própria hora.

Meu pai nasceu num lugar perto do céu se é que se pode chamar algum lugar nesta terra assim. E sempre tive uma impressão de que as escadas para o céu lá tem menos degraus, do que aqui embaixo, no vale dos sinos. Para ser mais específico, meu pai nasceu em Vacaria. Se bem que o local em que ele nasceu e em que ele se criou fica um pouco afastado da sede da cidade. Ele me contou que nasceu em cima de um cavalo ou quase. Que sua mãe – Dona Ercília – estava grávida e abrigada na fazenda do pai dela e que o pai dele - o Sabino da Fonseca Boeira - estava acantonado em um engenho trabalhando na construção de uma rodovia que corta a serra, provavelmente as obras da BR 116. Começaram as dores do parto pela manhã bem cedo. E ele tinha que nascer no hospital. Assim, minha avó foi sobre um cavalo com o seu pai a guiá-la a pé. Ocorreu que numa certa curva da estrada dos campos de cima da serra a jovem dona Ercília teve que apear do cavalo e, então, meu pai nasceu ali mesmo à beira da estrada. Porque o hospital ou a casa de saúde ficava longe. Era 14 de abril de 1941, provavelmente às 9 horas da manhã. Na quinta curva, entre a fazenda do Socorro e a Fazenda. Na enxovia....

Uma vez ele nos levou para este lugar. Foi uma longa viagem até Vacaria e depois entramos em um ramal à direita de quem segue após a entrada da cidade, logo após o antigo aeroporto ou campo de vôo. Antes de chegarmos a fazenda do Tio José Boeira, passamos pelo cemitério da família. Ali descobrimos eu e minha mãe que a família do pai era centenária, ou melhor bicentenária. Para quem conhece a estrada que vai de Vacaria à Bom Jesus imagine que naquela época tudo era de chão batido e que as cercas de taipas – assim como são feitas na Irlanda e em Portugal (talvez em mais países) até hoje, dividam os Campos e por aí o gado também. A história de Vacaria de los Pinhales é algo maravilhosa tanto para castelhanos como para portugas, para os índios e os negros e para nós aqui de baixo da serra seria algo meio maravilhoso a imagem de um grande campo, um grande planalto sobre a serra do mar apinhado de gado. Gado em abundância tal que remonta segundo alguns historiadores a mais de dois milhões de cabeças nos idos de 1650 a 1800. A história deste gado provém da destruição das missões jesuíticas e da dispersão do gado por toda a região serrana. Meu pai dizia que os vacarianos eram tão especializados neste negócio que há um peral por lá tão escarpado de pedras que o gado quando jogado lá de cima chegava ao sopé da serra já retalhado e recortado em todas as suas partes e pronto para o açougue ou o churrasco.

Meu pai sabia parte desta grande história de Vacaria. E sabia das lendas também. Era um narrador cheio de manhas. As vezes ele dizia que algo não era assim e mostrava em um pequeno detalhe como a história fica diferente vendo certo aspecto com mais atenção.  A história da descoberta da Nossa Senhora das Oliveiras também vale uma narrativa maravilhosa. Meu pai tinha uma formação cristã. O pai dele falava, lia e escrevia em latim e sabia rezar a missa em latim. Quando fiquei sabendo disto, um tempo depois do desaparecimento do meu avô fiquei pensando naquele baita bugrão de quase um metro e  noventa cantando e recitando em latim. Meu avô e meu pai tinham uma coisa em comum. Uma força física incrível, algo hercúlea. Meu pai apesar de poupar e  não exibir muito isto às vezes me surpreendia. Até que um dia em que eu descobri em mim também a mesma força. Fiquei pensando nisto um bom tempo. Quase não prossigo nos estudos por isto. Mas daí e me aconteceu algo em que me convenci que a força pode acompanhar sim a inteligência e que na verdade elas são ótimas companhias e que convém fazê-las andarem juntas. Qual a relação entre inteligência e capacidade intelectual e força me era uma questão biográfica quase que hereditária. Todas as indicações tradicionais iam contra esta combinação. Pois bem, meu pai acabou me provando que não ao organizar o levantamento de postes de luz sem uso de guindastes e com cordas e poucas mãos humanas. Ele me provou que a inteligência torna qualquer força bem dirigida mais eficaz e feliz do que muita força abundante, mas mal dirigida. Engraçado falar assim, porque nesta narrativa encontramos este traço ou eixo da experiência do meu pai o uso da força combinado com a inteligência.

E meu pai aprendeu a ler bem cedo com as tias. E isto levou ele a um universo bem grande de interesses cognitivos. Foi coroinha, foi moleque e sempre gostava de contar as suas pequenas aventuras e travessuras de menino. Desde a bola de bolão pintada de branco e devolvida ao campo dos meninos que não deixavam ele jogar. Até a aventura do vôo a partir do telhado do Galpão do armazém do seu tio. As aventuras dele passavam por ter aprendido a dirigir bem cedo - com dez anos – um jipe velho, ter voado de avião bem jovem com um piloto no aeroclube de Vacaria e por ter uma fascinação por máquinas, motores, mecânica, elétrica e água. Contou detalhadamente para mim e meu irmão a montagem da radio galena. Isto o levou a virar o eletricista que ele foi.

Meu pai era um fértil e variado contador de histórias. Dramas afetivos, dramas familiares, histórias de menino, histórias do quartel, empreitadas e empreendimentos elétricos, façanhas técnicas e brincadeiras e jogos. Jogar sinuca com ele era uma aula de paciência e moderação do humor. Nossa, a calma com que ele batia na bola sempre provava que a melhor tacada era sempre a mais suave, aquela em que a suavidade era precisa. Aqui também vemos a relação entre inteligência e força. Isso era algo tão marcante nele que dificilmente você pegava ele em apuros por aqui ou por ali. Mas é preciso dizer por outro lado que ele era – apesar da plêiade de amigos, servidores companheiros e colegas – no fundo um homem solitário. Lembro dos diversos colaboradores dele. Lembro também das diversas obras que acompanhei eles executando durante toda a infância e até a adolescência. Prédios residenciais, empresas, pavilhões, mansões, residências, pequenos consertos ou reformas. Entrei em muito lugar como ajudante e era muito curioso. Mais tarde em 1997, quando voltei de POA, fiquei um bom tempo trabalhando com ele e o meu irmão, até pelo menos 2001. E daí foi uma bela experiência nossa. Aprendi muito rapidamente, sobre as experiências de ajudante infanto juvenil do passado. a ser um prático em elétrica que tem la´seu valor. E meu irmão acabou por fazer um  curso técnico de instalador elétrico no SENAI que lhe deu outra profissão. Lembro das obras e das tarefas. Dos bonés cheios de pó de tijolo, das instalações minuciosas que realizamos juntos e das diversas horas que ficávamos fazendo e conversando sobre a vida. Boa parte das grandes histórias que ele me contou provém deste tempo. E eu e meu irmão Rafael desfrutamos disto apesar de já ser um professor formado e em início de carreira e meu irmão ter tido outras experiências, quis a vida que tivéssemos este tempo juntos, nós três. Ele me elogiava muito por aceitar trabalhar e não reclamar do trabalho que tínhamos que era pesado. E eu agradecia muito porque era a forma de incrementar minha renda de professor e dar conta da vida com minha filha recém nascida Isabella.

Foi na oficina dele bem no início da minha vida que aprendi a distinguir perfis e características das pessoas. Nos períodos mais interessantes das empreitadas dele, ele possuía um séquito de eletricistas e práticos a sua volta. O Chico, o Ivo, o Max, o Sérgio, o Felipe, o Lindomar, o Tomatinho, o Valmir, o Darci, os Piratas, o Coca, nossa ir desfiando aqui a quantidade de pessoas e homens que trabalharam com meu pai é uma lembrança, mas também uma homenagem daquele menino que eu fui e que aprendia muito com eles. Acho que foi nesta experiência que eu aprendi a me sentir feliz no trabalho não importa qual seja o trabalho. Em que aprendi que ruim é não ter trabalho.Mas o trabalho era muito interessante. Para quem não sabe a atividade de eletricista é uma atividade de alto risco, exige concentração, atenção e tranqüilidade. Cada um deles era especialista ou expert em determinada coisa. Aprendi neste tempo a fazer massa com meu avô e a entender como funcionam os motores. Aquela oficina do meu pai era uma escola prática de ciências e física. Mas também, uma escola de relacionamentos sociais. Lá se discutia futebol, política, mulheres bonitas e também problemas da vida e as soluções que podemos dar a eles. Alguns eram daqueles trabalhadores eram espíritas. Outros frequentavam a Assembléia de Deus e fez parte da minha formação as vezes ir junto com eles nos cultos. Meu pai aprovava este tipo de experiência e o alargamento do meu conhecimento sobre estas coisas. Ele dizia que todas as religiões precisam ser respeitadas porque as religiões ajudam de uma forma ou outra pessoas que precisam de um tipo de ajuda especial. Mas isto aconteceu entre meus 7 anos e os 13 anos, porque depois cai como uma luva no balcão da loja na rodoviária. E aí eu via meu pai até os 17 anos quando ele passava pela loja para dar um alô, me ajudar nisto ou naquilo e para conversar e ver como a gente estava. Ele se separou da minha mãe quando eu tinha 17 anos e foi um bom tempo de afastamento da gente. Montou uma nova família e tocou a vida dele. Fui ver ele de novo já nos idos de 90 quando tinha já 24 anos e estava na universidade. Foi o período em que a doença que agora fulmina ele começou.  Teve tuberculose gravíssima e fez uma pleirostomia – palavra que ele lembrou agora no seu leito esta semana ainda em frente às enfermeiras com a máscara de oxigênio. Ele era bom com as palavras tinha um vasto vocabulário e me ensinou cedo a saber o nome das coisas, ferramentas, bichos, passarinhos e carros também. Nossa, meu pai Antônio tinha uma memória privilegiada e isso me passou também de certa forma.

Meu pai casou com minha mãe Verônica Adams e depois montou uma outra família com Elaine Steinhaus. Com minha mãe éramos três irmãos. Eu, Daniel, minha irmã Rachel e me irmão Rafael – já falecido. Com Elaine gerou três irmãos ainda. Gabriela, Juliana e Marcelo. Ele tinha também a fertilidade como característica e uma abraço de pai simplesmente inesquecível.

Trabalhou a vida inteira e eu não tenho conhecimento de nenhum período de férias dele. As únicas férias que ele teve foi nas duas doenças, e nas duas cirurgias. Na cama do hospital ou como foi agora de abril a setembro no abrigo do lar. E depois no Hospital Regina de meados de outubro até hoje. Não tenho conhecimento também de nenhuma data em que ele tenha começado a trabalhar depois das 7:30 da manhã. É uma marca dele. As 7:30 ele já estava à postos ou atendendo alguém. Tinha uma rotina interessante. Como era autônomo sabia que dependia exclusivamente do seu próprio esforço para sobreviver. Jamais foi funcionário de alguém ou empregado após o serviço militar em 1959.

Começou a trabalhar em 1956 com o Tio Antônio Boeira e passou pelo Sr. Gastão Lüdke pegando algumas empreitadas e logo após começou a ter as suas oficinas aqui no entorno das quadras da Dom João Becker, Rua Brasil até a Oswaldo Aranha, entre as Ruas Marques do Herval, Independência e Primeiro de março. Nunca foi mais longe. Atendia muitas pessoas próximas deste perímetro e era muito conhecido. Era a área dele e também a minha de certa forma. Lembro de vários endereços, garagens alugadas, pecinhas nos fundos, salinhas no segundo andar de sobrados e consigo descrever eles de memória nos mínimos detalhes. Os balcões improvisados as bancadas para fazer esquemas elétricos e manutenção e consertos de eletro domésticos. Naquele tempo você consertava rádio, toca discos, ferro elétrico, liquidificador e etc. Ele tinha por hábito ter o ponto alugado e vários eletricistas se achegavam para pegar serviços com ele. Creio que as vezes ganhava algo com isto. Mas o resumo da minha vida com ele diz o seguinte: nunca enriqueceu com isto. E tinha muitos amigos e conhecidos. Os times de futebol que ele tinha nas segundas, quartas, sextas e sábados eram uma prova disto. Colegas de quartel, amigos de bailes, amigos de profissão e os contemporâneos dele. Ele tinha um afabilidade cuja única semelhança eu encontrei no meu irmão. Era difícil chegar com ele em algum lugar e não ser bem recebido. Meu pai quebrava galhos, fazia meio de campo, tinha um juízo bem duro sobre o certo e o errado em diversos assuntos e podia muitas vezes discordar de você com uma singeleza inacreditável. Desarmava qualquer criatura raivosa com um simples olhar ou sorriso. Ele dizia que jamais batia de frente ou atacava o conjunto das opiniões de alguém. Mas “jogava uma pedrinha” e muitas vezes a pedrinha dele era capaz de derrubar o castelo de cartas ou ilusões inteirinho sem muito estrondo. Me deixava pensando nisso muitas vezes. Porque quando comecei a observar esta tática dele comecei a descobrir muitas pedrinhas pelo caminho. E funciona. As vezes o nosso papel é fazer pensar mesmo. E não adianta fazer um grande discurso não. É uma palavrinha só que basta.

Me ensinou a  nunca dever nada para ninguém, ter sempre uns trocados no bolso – ou seja jamais ficar zerado e a jamais pedir fiado. E hoje, aos 47 anos eu entendo perfeitamente por que. A pior coisa não é dever, é saber que não consegue pagar. Sempre haverá um momento em que alguns trocados poderão resolver muitos problemas. E, por fim, pedir fiado é dar o direito a alguém de te cobrar de uma coisa que você não conseguiu pagar e se você não consegue pagar é melhor não ter. Bem, esta é uma breve memória e uma homenagem a este homem que gostava de carteado, de bilhar e de mulheres também. Neste último assunto ele só me disse que ninguém precisa saber de nada e assim eu me calo, com a minha bela imagem dele inspecionando um obra com os braços às costas e num andamento compassado em que olha para o teto e divisa tudo aquilo que enxerga e aquilo tudo que só ele enxergava em uma obra. Desde a instalação, aos ângulos, padrões e simetrias. Ele adorava simetrias e eu também, não porque era perfeito, mas porque gostava de buscar a perfeição nas coisas. Ele me repetiu algumas vezes que todo homem devia passar por este mundo e deixar uma marca. Bem, em mim ele deixou uma marca eterna e creio que em tudo que ele fazia, havia uma assinatura também, mas que só olhos muito perspicazes eram capazes de encontrar.

Obrigado meu pai – que minha modesta homenagem sirva para que outros homens e mulheres sejam devidamente homenageados e reconhecidos.

Tua vida foi uma grande obra! Parabéns! 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CASA DE CULTURA LUIS BRASIL E CÂMARA DE VEREADORES: DIÁLOGOS COM JULIANO

Sobre a Câmara de Vereadores vou falar em seguida...porque penso que é um problema que precisa de solução política e administrativa....o aluguel que é pago pela câmara poderia ser investido em parte na melhoria das condições daquele prédio no final o custo de preservação do patrimônio histórico é ao fim e ao cabo pago pelo povo...

Em resposta a alguns argumentos do amigo Juliano que questiona e discute a votação ou não do projeto da casa de cultura Luis brasil, na Câmara de Vereadores de São Leopoldo: Sobre os grandes debates da nossa cidade...o que faz eles serem grandes não é o prédio...penso sinceramente que a Câmara precisa melhorar suas condições de trabalho e espero e torço para que a nova legislatura faça isto - preparando e construindo um acordo com o IAPS para melhorar as condições de manutenção e conservação daquele prédio lá.

Mas não tiro nenhuma gota de legitimidade dos atuais vereadores para discutirem, votarem e encaminharem este projeto para a sanção do prefeito atual, nem muito menos o direito do atual governo de apresentar este projeto para a sociedade. Penso inclusive que é uma obrigação deste governo não deixar nenhuma ponta solta e resolver tudo que for possível antes de transferir o cargo e as altas responsabilidades. Sei que você Juliano acompanhou junto a bancada do PDT e ao governo todo o trabalho destes 8 anos e não quer fechar a conta na mínima ou com a perspectiva de terra arrasada em virtude do resultado eleitoral. Penso que os vereadores fazendo jus ao trabalho desenvolvido por eles e a coolaboração da SMC inclusive no tema da conservação da Câmara, compreender o nosso esforço para desenvolver e conceber a nova casa de cultura. 

Na minha modesta opinião não é pouca coisa ter o debate na área cultural consolidado e bem resolvido sobre isto, um projeto arquitetônico pronto para licitar inclusive e a captação bem encaminhada com o MINC. 



A comissão da sociedade civil - tirada na Audiência pública, que apoia o projeto representa todas as áreas culturais e isto não é pouca coisa. Também penso que não dá para fechar o governo e jogar todo este ótimo trabalho fora. Penso e sei que você compreende isto que é uma questão de estado e que nenhum vereador pode se arrepender ou temer votar tal matéria...vai para o curriculo positivo de todos a constituição da Casa de Cultura Luis Brasil. Inclusive para o seu Juliano que foi candidato a vereador e que também debate as questões da cidade. 

Por fim, sobre o argumento das dividas e a situação da cidade penso que tem muito exagero nisto tudo. A crise econômica e de receita municipal não é somente local e quem acompanha tanto o noticiário quanto os bastidores como você sabe disto. Na cidade, tanto o Semae como o Hospital e a Saúde e etc, tem solução e não será a Casa de Cultura que vai impedir isto ou aquilo de ser resolvido...é um subterfúgio ruim falar disto desta forma...a eleição já acabou e está bem na hora de fazer gestão e a boa política para o interesse do povo e da cidade...e é por isto que não resumo nem sou conciso nesta discussão...porque temos aqui um debate por inteiro sobre a cidade no tema da casa de cultura luis brasil.

A CASA DE CULTURA LUIS BRASIL E A HISTÓRIA DA CIDADE: DIÁLOGOS COM JULIANO

Quanto a importância deste debate para a história da cidade tenho algumas notas para compartilhar, amigo Juliano Maciel. O debate na cidade acerca da utilização do Palácio Municipal (antigo prédio da PMSL) pode nos ajudar a recolocar a questão do patrimônio histórico de São Leopoldo e da importância da história da cidade para os seus habitantes e para a região e estado. Muitas cidades no Rio Grande do Sul, tem características culturais, sociais, políticas e econômicas marcantes. 

São Leopoldo é com certeza uma destas pois não há um item, dos citados antes, em que a sua contribuição na formação do estado e do país não seja considerado relevante. É por esta razão que além de São Leopoldo ser oficialmente o Berço da Colonização Alemã no Brasil, após um período de disputa com outras cidades que tinham esta pretensão, São Leopoldo tem relevante contribuição política e econômica com o Brasil. A futura Casa de Cultura Luis Brasil representa isto em alta dignidade, pois o prédio construído entre 1939 e 1941 é representativo de um período histórico em que São Leopoldo atingiu um auge econômico e cultural no estado. Após ser a segunda cidade mais importante e, mesmo, após a emancipação de Novo Hamburgo, São Leopoldo conservava um status político e econômico muito relevante na região metropolitana. O prédio da prefeitura municipal foi inaugurado com a presença do Presidente Getúlio Vargas. E a cidade era governada desde os anos 20 por um complexo político coordenado pelo PRR – Partido Republicano Riograndense que mais tarde foi sucedido pelo PTB, na redemocratização pelo PDT e em parte também pelo PT, haja vista a extrema importância dada por estas agremiações políticas a um estado forte e dirigente da economia e da sociedade. Além do trabalhismo – que conheces bem pelo teu PDT, o republicanismo e o positivismo são características muito presentes na matriz política e ideológica do RS. Ainda que possam discutir isto em outros detalhes é importante perceber que em São Leopoldo esta escola – ao contrário da liberal – e muitas vezes combinada com as formações religiosas católicas e luteranas com influência e protagonismo político, sempre esteve presente na vida pública desta cidade com assento na Câmara de Representantes e depois Vereadores e com forte participação na gestão pública. Pois bem, o prédio da Prefeitura Municipal – que sucedeu o prédio da Intendência Municipal, o qual você pode visualizar em retrato atrás do busto do Theodomiro Porto da Fonseca, na escadaria de entrada da antiga prefeitura, é representativo disto. Aproveito para dizer e citar que muitos prédios dos anos 10 e 20 do século XX são representantes deste período – e são quase a maioria dos prédios listados como patrimônio histórico com o objetivo de preservação e que podem contribuir em muito para o incremento do Turismo da cidade. 

Ou seja a história da cidade não pode ser tratada simplesmente como capítulos de livros e referências discursivas, mas deve ser preservada materialmente em seus prédios, documentos e narrativas. Aliás, neste tema nos orgulhamos muito de ter trabalhado com o Museu Histórico, na pessoa do historiador Márcio Linck, e com a Secretaria de Administração na reconstituição da Galeria dos Ex-Prefeitos, a qual por vontade e determinação do atual prefeito foi restaurada e reconstituída e encontra-se ao alcance dos nossos olhos no ainda Salão Nobre. O próprio prédio da antiga prefeitura sofreu algumas melhorias nestes 8 anos. Assim, o destino do Prédio da Antiga Prefeitura como Casa de Cultura é um símbolo importante para a história e a promoção cultural da cidade e dá efeito sim a preservação da história política. Merecendo em momento oportuno um belo memorial do prédio para conhecimento e dignificação desta história. O que talvez seja mais importante do que preservar o Gabinete do Prefeito como memorial deste prédio. A proposta apresentada pelo Ronaldo Teixeira – quando das nossas primeiras discussões sobre o destino do prédio, agora repetida pelo amigo Leandro Franciscus Zambrano e que você simpatizou, me parece desnecessária, haja visto que o Gabinete do Prefeito passou para o Centro Administrativo no seu sétimo andar e ainda não é um espaço que perdeu sua função original para ser dessubstancializado e relegado para a história. Talvez seja mais importante, em respeito aos ex-intendentes, ex-prefeitos e ex-administradores municipais completar a Galeria dos Ex-prefeitos com as imagens daqueles que faltam ali e quiçá com o resgate dos retratos à óleo originais que foram substituídos por força do descaso e da desatenção de algumas para com a história institucional da nossa cidade. Em outro momento posso tratar disto. Continuo o resto da argumentação depois.

A SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E A CASA DE CULTURA: DIÁLOGO COM O AMIGO JULIANO MACIEL


Para nós, nos últimos 8 anos o papel da Secretaria de Cultura é de gestora e de propulsora de políticas públicas nas áreas e temáticas afins. Ela deve articular iniciativas comunitárias com iniciativas institucionais e garantir a maior difusão possível dos produtos culturais e a recepção de produção cultural oriunda de diversas regiões de nossa cidade. Deve promover também o intercâmbio e a recepção da produção cultural de outras cidades, centros, estados e de fora do Brasil também. Assim é uma Secretaria com um objetivo institucional muito nobre que ultrapassa a dimensão do cerimonial ou dos eventos para colocar o estado brasileiro, no nível do nosso município, a serviço da produção, difusão e reflexão cultural.

Realizando conferências de cultura, produzindo o Plano Municipal de Cultura, constituindo o Sistema Municipal de Cultura, promovendo a gestão do Fundo Municipal de Cultura e selecionando projetos culturais para serem fomentados a política cultural desenvolvida por nós dá um passo gigantesco tanto na institucionalizaçÃo quanto no reconhecimento e incentivo a produção local. Mantendo e promovendo a ocupação dos espaços culturais do município e ampliando estes espaços através de convênios com ONGs e instituições comunitárias, a Secretaria de Cultura incentiva e contribui com uma ampla rede de produtores culturais, artistas, e também com o público em geral realizando um amplo movimento cultural. Isto se realiza em eventos culturais do calendário municipal e também em atividades cotidianas de caráter formativo e educativo. Dois exemplos disto são os Pontos de Cultura e os Pontos de Leitura e neste sentido a Casa de Cultura Luis Brasil se constitui também num espaço e num equipamento cultural para incrementar esta rede em especial na dimensão de ser um espaço para a produção e as apresentações culturais.

Exemplos de projetos e programas que terão lugar na futura Casa de Cultura são também o Coral Municipal de São Leopoldo – que já vem ensaiando lá no Salão Nobre da Antiga Prefeitura todas as terças-feiras desde abril de 2011. Você já assistiu uma apresentação do Coral Municipal? O Coral Municipal é acompanhado como programa de um Laboratório Coral como iniciação ao canto que abre a aprendizagem do canto a mais de 80 pessoas. As oficinas dos Pontos de Cultura com diversas atividades e temáticas nas diferentes entidades da cidade articulam uma vasta gama de jovens e produtores de cultura em diferentes linguagens. Na Casa de Cultura Luis Brasil poderemos realizar mostras destas atividades. As atividades do Núcleo de Pesquisa Teatral que estão formando novos atores e promovendo o Teatro na cidade também irão ser abrigadas na Casa de Cultura. A Companhia Municipal de Dança que dissemina a cultura da dança moderna na cidade e no estado e que neste ano já representou a cidade em missão ao exterior, na última viagem à China, tambvém irá ficar sediada e realizar seus ensaios na Casa de Cultura Luis Brasil.

Também é importante destacar que os equipamentos públicos pertencentes hoje a Secretaria Municipal da Cultura tais como o Museu do Trem, a Biblioteca Pública, o Teatro Municipal, e a futura Casa de Cultura que permitem e permitirão um forte incentivo à produção cultural local combinados com os demais instrumentos legais desenvolvidos.
Antes de nossa gestão em 2005, com todo o nosso respeito aos antecessores e gestores da cultura nos nosso município, a cultura era um apêndice ou Diretoria da Secretaria de Educação. Foi avaliado já nos nossos primeiros programas de cultura que era inviável promover a cultura acumulando tarefas de gestão e administração com as estruturas de gestão e administração da educação ou de outras secretarias que também sofreram já antes deste período atual um forte incremento em suas atribuições e tarefas institucionais. Ao mesmo tempo, havia um clamor da comunidade cultural leopoldense por uma estrutura, equipe e orçamento específicos para dar conta da gestão cultural e fomentar as atividades culturais em São Leopoldo. 

Bem, nós realizamos isto em todas as dimensões institucionais possíveis amigo Juliano e muitos amigos do PDT e de diversos outros partidos – inclusive da oposição - participaram desta construção. Por outro lado, em nível Federal havia uma demanda institucional de criação de Secretarias de Cultura, construção de Planos Municipais de Cultura, estruturação de Fundos Municipais de Cultura que era uma exigência para a captação de recursos e investimentos na área cultural com recursos federais. O resultado disto foi que a SMC de São Leopoldo é considerada a Secretaria Municipal que no Rio Grande do Sul mais captou recursos e implementou convênios em parceria com o Governo Federal. 

Também ocorreu um incremento institucional que levou São Leopoldo a ser a 22ª cidade com Sistema Municipal de Cultura no Brasil. Assim, na minha opinião e de muitos amigos e pessoas respeitáveis que atuam na área cultural, que freqüentam atividades culturais locais, que debatem este tema a Secretaria de Cultura e a comunidade cultural de São Leopoldo está preparada e pronta para ter uma Casa de Cultura quase aos mesmos moldes da Casa de Cultura Érico Veríssimo ou de uma Casa de Cultura como a Mário Quintana da nossa capital Porto Alegre.

Creio que este patrimônio cultural deve ser reconhecido e valorizado e não apagado por opiniões superficiais sobre as coisas da cultura e tenho certeza que você lembra e participou desta construção na cidade nos últimos 8 anos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O DEBATE SOBRE A CASA DE CULTURA: NOTAS PREPARATÓRIAS PARA DIÁLOGO COM JULIANO

Primeiro eu concordo com você Juliano Maciel que é um debate legal este que apresentamos sobre a Casa de Cultura Luis Brasil. Ele permite tratarmos de várias coisas que são do mais legítimo interesse público. Assim, ao debatermos isto tratamos 1) da importância da história da cidade; 2) da importância das políticas culturais; da importância da obra do Luis Brasil – que virou uma unanimidade aqui e
ntre os agentes culturais; do tema delicado, mas relevante 3) do papel dos vereadores em São Leopoldo durante seus mandatos, durante suas campanhas e após a eleição, eleitos ou não; 4) das diferenças e extensões entre as prioridades, projetos e programas aprovados na urnas e das políticas públicas de estado; 5) também da questão de disponibilidade de recursos da cidade e sobre dívida pública; e, por fim, 6) sobre o que de fato representa este debate para os cidadãos de São Leopoldo. Eu tendo, por ofício, e por muito respeito às questões públicas, sempre a argumentar em detalhes. E é o que eu vou fazer aqui e em qualquer lugar que este debate se coloque para mim. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

MONTESQUIEU, STF E MENSALÃO: QUO VADIS?

Sobre os debates no STF, o processo do mensalão, a teoria do domínio do fato, a presença de conteúdo ideológico e tendencioso nos juízos e os arroubos daqueles que se contentam e se alegram com os resultados e não com os méritos dos juízos e das ações....vendo o triunfalismo da ultra direita e a arrogância daqueles que julgam simplesmente pro bandeirismo e achismo....digo que estamos assistindo isto embasbacados com os gestos, argumentos, decisões e ficamos preocupados.....creio que o que vemos no STF leva água para o moinho  da tese de que o sistema judiciário precisa sofrer alguma forma de regulação e limitação em seus poderes....como resolver isto? não sei, mas é necessário....e no Brasil é urgente...o absolutismo em qualquer poder leva ao arbítrio.....vou voltar a ler Montesquieu...ainda que talvez nada dali saia sobre isto...talvez lá esteja a gênese disto...

domingo, 11 de novembro de 2012

Prefeitura apresentou em Audiência Publica o Projeto da Casa de Cultura Luis Brasil para o Coração da Cidade



08/11/2012 – 19:00-20:30 - Salão Nobre
A maior parte das secretarias municipais já atendem no Centro Administrativo recém construído. As antigas repartições darão lugar a salas de cinema, exposições de arte, sala multimídia e a um café. A cidade carece de um local assim. Temos no prédio da Biblioteca, no Centro Cultural José Pedro Boéssio, uma referência muito importante, porém é pouco para São Leopoldo que a cada dia se desenvolve e exige novas demandas, ressalta o secretário municipal de Cultura Pedro Vasconcellos. 

O Secretário apresentou em seguida a totalidade e os detalhes da proposta de ocupação e utilização dos espaços do prédio que abrigava a antiga Prefeitura Municipal de São Leopoldo (Palácio Municipal). 

O projeto arquitetônico elaborado desde março de 2012 pela equipe técnica da Secretaria de Cultura, visa abrigar demandas reprimidas de todas as áreas artísticas, no sentido de oferecer aos artistas e à população em geral um espaço nobre e qualificado de fruição, produção e convívio da população leopoldense. 

O Secretário também informou que o Projeto já está inscrito no Ministério da Cultura e foi habilitado na primeira etapa da seleção. O valor  ser captado para a execução do mesmo é de R$ 500.000,00, sob o título: RECUPERAÇÃO E REFORMA EM PRÉDIO HISTÓRICO PARA IMPLANTAÇÃO DE ESPAÇO CULTURAL DE ACESSO PÚBLICO EM SÃO LEOPOLDO.  

Em seguida o representante do conselho Municipal de Cultura Renato Dias, artista plástico que pesquisa a vida e a obra do homenageado, discorreu sobre aspectos estéticos, culturais e políticos da obra do artista plástico Luis Brasil, falecido em 2006. Segundo ele a homenagem ao artista plástico Luís Brasil foi uma decisão do Conselho Municipal de Cultura. “Ele é reconhecido na cidade e sua história está marcada nas artes visuais do Rio Grande do Sul. Brasil era um artista honesto, que colocava a arte acima de qualquer coisa. Atuou em bairros pobres ensinando crianças”, destacou Renato Dias. “Temos que valorizar artistas próximos, da nossa cidade, para que sirvam de exemplo para nossas crianças”, reforçou. 

O mesmo tratou também da importância de termos um espaço diferenciado para uma galeria de arte que pode oferecer exposições de grande porte, atelier livre para as oficinas de pintura, escultura, fotografia e outras oficinas. A galeria vai acabar garantindo o acesso da população a objetos estéticos que hoje não tem espaço adequado para serem exibidos e apresentados.

A deputada estadual Ana Affonso esteve presente, oferecendo todo seu apoio em nome da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Estado ao projeto e manifestando a satisfação em poder contribuir para a viabilização da busca de recursos tendo em vista a concretização do projeto. Representando a comissão de cultura da Assembleia Legislativa, a deputada Ana Affonso afirmou que a Casa de Cultura Luís Brasil acrescenta valor ao patrimônio histórico e também ao patrimônio imaterial de São Leopoldo. Tendo esse espaço livre para a cultura, podemos equipá-lo com novas ideias. A Casa de Cultura tem um conceito vivo. É uma mescla do passado e do presente”, salientou.

Na condição de presidente do COMPAHC – Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural, a Arquiteta Gabriela Scrinz informou que o projeto da Casa de Cultura tem o aval e o apoio do Conselho Municipal, sendo o prédio da antiga prefeitura um dos exemplos de prédios históricos relevantes da cidade. Informou também na mesma ocasião dos projetos de tombamento do sitio histórico do centro de São Leopoldo e da importância deste prédio ser um centro cultural para a sua preservação.

Por fim, foi composta uma comissão de 16 representantes da sociedade civil  e de diversas linguagens e atividades culturais para levar a proposta à Câmara de Vereadores, defendê-la e mobilizar mais apoiadores para que o projeto possa ser aprovado este ano no legislativo leopoldense como demonstração do interesse de diversos agentes culturais da cidade.

O projeto prevê no seu programa de necessidades as seguintes instalações:

01.Sede da Se
cretaria da Cultura;
02.Sala de ensaios Coral Municipal;
03.Sala de ensaio para Cia de Dança;
04.Sala de ensaio para Núcleo de Pesquisa Teatral;
05.Atelier Livre de Artes Plásticas;
06.Sala de Cinema e auditório para seminários e palestras;
07.Sala de música e estúdio para ensaio e audição de apresentações de
pequeno porte;
08.Galeria de Arte (acondicionada para exposições de grande porte);
09.Depósito para objetos de arte;
10.Espaço para o Café;
11.Copa interna;
12.Sala para oficinas teóricas equipada com carteiras, mesas e losa;
13.Sala da Associação dos Amigos da Casa de Cultura;
14.Sala de reuniões para a comunidade.

sábado, 10 de novembro de 2012

MEUS AMIGOS MALUCOS E LOUCOS: PARA VOCÊS...


Para os meus amigos trágicos, para os heróis românticos, para os gênios inconpreendidos e indomáveis, para os apaixonados, para os sonhadores, para os mágicos, para aqueles que não dormem, para aqueles que não acordam, para aqueles amigos e amigas que sabem que não sabem nada, mas tem coragem de ousar:

"(...) porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'. Como é mesmo que eles chamavam esses garotos na Alemanha de Goethe?"

ON THE ROAD - JACK KEROUAC - 1951

Que não digam que estamos ultrapassados, todos aqueles que não estão na história....viva e deixe viver.....

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Prefeitura apresentou em Audiência Publica o Projeto da Casa de Cultura Luis Brasil para o Coração da Cidade


08/11/2012 – 19:00-20:30 - Salão Nobre
 
A maior parte das secretarias municipais já atendem no Centro Administrativo recém construído. As antigas repartições darão lugar a salas de cinema, exposições de arte, sala multimídia e a um café. A cidade carece de um local assim. Temos no prédio da Biblioteca uma referência, porém é pouco para São Leopoldo que a cada dia se desenvolve e exige novas demandas, ressalta o secretário municipal de Cultura Pedro Vasconcellos. O Secretário apresentou em seguida a totalidade e os detalhes da proposta de ocupação e utilização dos espaços do prédio que abrigava a antiga Prefeitura Municipal de São Leopoldo (Palácio Municipal). O projeto arquitetônico elaborado desde março de 2012 pela equipe técnica da Secretaria de Cultura, visa abrigar demandas reprimidas de todas as áreas artísticas, no sentido de oferecer aos artistas e à população em geral um espaço nobre e qualificado de fruição, produção e convívio da população leopoldense. O Secretário também informou que o Projeto já está inscrito no Ministério da Cultura e foi habilitado na primeira etapa da seleção. O valor  ser captado para a execução do mesmo é de R$ 500.000,00, sob o título: RECUPERAÇÃO E REFORMA EM PRÉDIO HISTÓRICO PARA IMPLANTAÇÃO DE ESPAÇO CULTURAL DE ACESSO PÚBLICO EM SÃO LEOPOLDO.  
 
Em seguida o representante do conselho Municipal de Cultura Renato Dias, artista plástico que pesquisa a vida e a obra do homenageado, discorreu sobre aspectos estéticos, culturais e políticos da obra do artista plástico Luis Brasil, falecido em 2006. Segundo ele a homenagem ao artista plástico Luís Brasil foi uma decisão do Conselho Municipal de Cultura. “Ele é reconhecido na cidade e sua história está marcada nas artes visuais do Rio Grande do Sul. Brasil era um artista honesto, que colocava a arte acima de qualquer coisa. Atuou em bairros pobres ensinando crianças”, destacou Renato Dias. “Temos que valorizar artistas próximos, da nossa cidade, para que sirvam de exemplo para nossas crianças”, reforçou. O mesmo tratou também da importância de termos um espaço diferenciado para uma galeria de arte que pode oferecer exposições de grande porte, atelier livre para as oficinas de pintura, escultura, fotografia e outras oficinas. A galeria vai acabar garantindo o acesso da população a objetos estéticos que hoje não tem espaço adequado para serem exibidos e apresentados.
 
A deputada estadual Ana Affonso esteve presente, oferecendo todo seu apoio em nome da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Estado ao projeto e manifestando a satisfação em poder contribuir para a viabilização da busca de recursos tendo em vista a concretização do projeto. Representando a comissão de cultura da Assembleia Legislativa, a deputada Ana Affonso afirmou que a Casa de Cultura Luís Brasil acrescenta valor ao patrimônio histórico e também ao patrimônio imaterial de São Leopoldo. Tendo esse espaço livre para a cultura, podemos equipá-lo com novas ideias. A Casa de Cultura tem um conceito vivo. É uma mescla do passado e do presente”, salientou.
 
Na condição de presidente do COMPAHC – Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural, a Arquiteta Gabriela Scrinz informou que o projeto da Casa de Cultura tem o aval e o apoio do Conselho Municipal, sendo o prédio da antiga prefeitura um dos exemplos de prédios históricos relevantes da cidade. Informou também na mesma ocasião dos projetos de tombamento do sitio histórico do centro de São Leopoldo e da importância deste prédio ser um centro cultural para a sua preservação.
 
Por fim, foi composta uma comissão de representantes da sociedade civil para levar a proposta à Câmara de Vereadores, defendê-la e mobilizar mais apoiadores para que o projeto possa ser aprovado este ano no legislativo leopoldense como demonstração do interesse de diversos agentes culturais da cidade.

FINITUDE, TRAGÉDIA E DESAPARECIMENTO: A CULPA DE TODOS NÓS


A nossa humanidade e seu sentido da vida, nas sociedades ocidentais, parece que levam muito tempo – em seu processo de maturação moral e de construção de uma relação plena com a vida e sua indesejável negação, a morte – até que conseguem reconhecer pelos seus líderes, seus homens e mulheres, pensadores e poetas, que o trágico, o triste fim e o desaparecimento, são fenômenos usuais e regulares do mundo da vida (lebenswelt).

Entender que algumas personagens deste “grande vale de lágrima que é o mundo” ( como bem dizia Shakespeare em sua expressão mais dura sobre a realidade mundana) estão implementando esforços contínuos e persistentes na sua própria extinção física. Restará algo delas em nossos corações, algo superior se aprendermos a aceitar esta condição, se expiramos esta culpa e isentá-las também de um aparente pecado em sua irracional forma de levar a vida.

Quanto mais a humanidade demora, nos seu afã existencial,  para entender isto, mais ela investe sua existência na fantasia vã  e tola da ambiciosa e perversa racionalidade de que tudo pode ser controlado, que tudo pode ser previsto e que tudo pode ser evitado. E, com isto, mais ela investe na construção de uma culpa que é por gerações e gerações transferida para o sobreviventes.

Que todo mal pode ser evitado é assim uma fantasia e uma promessa que o homem constrói com seus belos esforços científicos e retóricos na tentativa de assumir e compreender sua finitude. Mas temos que nos entender sobre a vida real e suas finitas possibilidades. Pois nós continuaremos convivendo com pessoas trágicas, com pessoas que procuram seu próprio fim de uma forma persistente e que empregam todos os seus esforços para se dissolverem em seus vícios, caprichos e manias.

Mesmo que nós tivéssemos abolido a grande competição entre acesso a saúde mental e acesso a saúde plena, entre saúde privada e saúde pública, ainda haveriam aqueles que persistentemente procuram chegar o mais rapidamente e dolorosamente possível do seu triste fim.

Com todo o conhecimento disponível hoje para evitarmos as doenças, as insanidades, os delírios destrutivos e auto-destrutivos, mesmo assim vemos claramente que alguns dentre nós se auto excluem de qualquer opção racional  e de bom juízo nesta vida. E não adianta culparmos os sistemas, os programas e todos os mecanismos desenvolvidos ou mal desenvolvidos para evitar o mal maior.

Nossos amigos vão continuar dizimando suas existências com suas escolhas, seus gestos de liberdade máxima. Quando me comparam pessoas que faleceram com muitos familiares em volta, para os seus cuidados, com aqueles ou aquelas párias ou solitárias que se vão como indigentes abandonados eu fico pensando sobre qual é mesmo a diferença entre eles?

Pois bem, nenhuma. Ambos se colocaram para a vida de um modo trágico e nós – suas testemunhas, devemos nos compadecer – mas não devemos nos sentir culpados, nem procurar culpados, pelo resultado desta caminhada, pois não fomos nós que escolhemos e fizemos as opções de cada um deles. Para um pai que assiste seu filho desaparecer de forma trágica, nada disto que é dito aqui é consolo. Para uma esposa ou um companheiro que vê seu marido desaparecer. Para um filho que vê seu pai ou sua mãe desaparecer. Para um irmão ou irmã, para um amigo, um colega ou alguém próximo que assiste impotente um belo ser e uma bela pessoa se extinguindo pelos riscos que corre, pelas escolhas e poR quase que uma vontade própria, não há explicação.

Mas nós temos que aprender a conviver com isto, nós temos que aceitar esta condição que nos escapa, que depende do arbítrio – mesmo quando para nós ele é absolutamente insano.   

SOBRE O DUALISMO CATEGORIAL: PEQUENA NOTA PARA NIETZSCHE


Uma das questões filosóficas mais perturbadoras que me tem ocorrido desde antes mesmo da minha formação e que tem me preocupado porque importa numa compreensão mais nítida e fina da realidade e das cosias é que nem sempre podemos reduzir tudo que há a dois pares de conceitos opostos. De que o dualismo relativo às coisas, ao modo de ser das coisas e à nossa compreensão e a interpretação do mundo deve ser sim – para o bem do nosso juízo e do sentido da existência  - razoavelmente mitigado, ou seja, reduzido. O espírito dual que tenta simplesmente dividir o mundo, as coisas e os seres – este belo espírito bem inspirado na ontologia e no ser - poderia ser aplacado pelo conhecimento do mundo, das coisas e dos seres. Quando Aristóteles montou aquela bela tabuinha de categorias – os primeiros dez mandamentos do pensamento do ser, da predicação que ele chamou de pensamento categorial, devemos entender que ele tentou nos ajudar a compreender o ser e a dizer algo com sentido e chegar à verdade. A proposta dele não era reduzir as coisas a um universo em que não há nenhuma coloração, tonalidade ou nuance intermediário entre o preto e o branco. Aristóteles não falava das cores e isso deve nos alertar sobre muitos pontos. Primeiro que não somos nós os primeiros nem os últimos a nos surpreender com a realidade das coisas e o modo de ser das coisas e segundo  que devemos continuar nos surpreendendo para o bem da nossa razão e para o bem da nossa sensibilidade. Se olharmos para o mundo e dividirmos todas as coisas em pares, não haverá diversidade alguma que possa ser conhecida em sua essência ou em sua peculiaridade, então vamos parando por aqui. Devagar com o andor e as categorias duais. A elegância de uma teoria é algo desejável, mas não em prejuízo daquilo que é.  

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

PELA CASA DE CULTURA LUIS BRASIL EM SÃO LEOPOLDO!!

TE LIGA NA SITUAÇÃO!!! DIVULGA E AJUDE A GARANTIR UMA CASA DE CULTURA PARA A PRODUÇÃO CULTURAL DE SÃO LEOPOLDO! PARTICIPE!!!

A Prefeitura Municipal de São Leopoldo tem a honra de convidar Vossa Senhoria para a Audiência Pública de apresentação do Projeto da Casa de Cultura Luis Brasil, a realizar-se no dia 8 de novembro de 2012, às 18 horas e 30 minutos, no Salão Nobre da antiga Prefeitura, localizado na Praça Tiradentes, 119 - Centro – São Leopoldo.

Nesta oportunidade apresentaremos à comunidade cultural o projeto arquitetônico, o programa de necessidades, os usos dos espaços e também o projeto de lei da Casa de Cultura Luis Brasil que será encaminhado à Câmara de Vereadores.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

CASA DE CULTURA LUIS BRASIL EM SÃO LEOPOLDO? PORQUE LUIS BRASIL?


O Patrono LUIS BRASIL MANOEL GAUDÊNCIO RESERES GOULART FILHO, (1943-2006), ou simplesmente Luis Brasil residiu em São Leopoldo de 1973 até seus últimos dias de vida em 2005. Foi morador da Antiga Casa do Estudante onde hoje temos a Câmara Municipal. É reconhecido em catálogos nacionais e possui uma vasta e representativa obra plástica que passa por diversas técnicas e múltiplas fases e temáticas.

Da xilogravura, passando pelo pastel, giz, cera. Também teve contratados seus serviços para realizar murais e telas em residências de amigos, conhecidos. Seu traço foi reconhecido como extremamente singular e esteticamente marcante por vários de seus pares e em sua trajetória na cidade produziu de forma abundante obras fazendo uso de materiais, tintas e técnicas sempre no convívio intenso com seus amigos, contemporâneos. Dedicava atenção especial a educação estética das camadas populares, sendo que temos registros de diversos jovens que se iniciaram nas artes plásticas a partir do seu estímulo, provocação, orientação e apoio.

E, por fim, tinha como característica muito destacada a aposta na arte e na cultura popular, sendo famosas suas digressões sobre a importância do artista ir onde o povo está e do artista estar relacionado também à realidade política da cidade e do pais. Era um exemplo de engajamento político e de apoio as lutas coletivas dos estudantes universitários, meninos de rua, defesa das mulheres e militava também por muitas outras causas culturais, como a música, patrimônio histórico, livro e leitura, etc.

Sobre o artista ele dizia: "O artista é gente que come, bebe, luta por uma igualdade social entre os que não tiveram oportunidade de ver, ouvir, conviver e elaborar com as mãos o belo sem vaidade."

Desta forma, entendemos como justa a Designação da futura Casa de Cultura de São Leopoldo como uma homenagem a este artista tão sensível e dedicado a sua obra.      

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

VIDENTE DO DIA: PREOCUPAÇÕES

Vidente do Dia: "Todas as tuas preocupações possuem resoluções e todas estas resoluções possuem escolhas. Dá o primeiro passo e  comece a escolher. Resmungar sobre isto não vai resolver cousa alguma. Mas jamais esqueça que estas escolhas são de tua exclusiva responsabilidade.Não atribua ao outro o ônus das razões que encontraste no caminho."