segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FILOSOFIA ALEMÃ: ANOTAÇÕES DE FINAL DE ANO 2012

Bom Dia...após algumas horas de pesquisa e leitura no último dia do ano um reencontro com a Filosofia Alemã...nesta ordem: Aberto Magno, Mestre Eckart, Nicolau de Cusa (Krebs),  Leibniz, Kant, Fichte, Schelling, Hegel, Schopenhauer, Marx, Nietzsche, Frege, Husserl, Heidegger, Wittgenstein, Benjamin, Gadamer, Adorno e Horkheimer...800 anos de filosofia...o problema não é filosofar em alemão, o problema é filosofar sem os alemães...uma bela tradição, com seus pares ingleses e franceses....quando se estuda a história da filosofia, se faz uso de um fio condutor temporal para ordenar objetos e ideias que nem sempre são prisioneiras do seu tempo...a mera curiosidade pode ficar bem satisfeita e embevecida com um bom resumo, linear e articulado, mas não se trata disto...a questão principal não é de classificação ou de simplificação das ideias, mas sim de compreensão de sua intensidade, compreensão de um certa constituição do sujeito filosófico no seu contexto próprio de debate e linguagem...nenhum destes filósofos pensou a partir de uma perspectiva exclusivamente pessoal...muitos partiram dos gregos - dos pré-socráticos, outros de alguns que já estão nesta lista e outros de alguns modernos e mesmo estes dialogaram com quase toda a tradição filosófica que os antecedia....uma característica interessante entre eles é uma espécie de grande impulso à totalidade, à uma solução completa e definitiva da filosofia, por mais disfarçada que estejam suas intenções em pequenos ensaios e obras inacabadas ou aparentemente desarticuladas de uma abordagem integral e  orgânica da filosofia...e mesmo aqueles aparentemente mais modestos ou obscuros em suas grandes intenções, carregam sementes de totalidade....parece haver entre eles e em suas obras uma certa dialética interna...e assim, tudo se passa como se fossem membros de uma mesma família....mas são dispares....

domingo, 30 de dezembro de 2012

FÉRIAS? QUEBRE A ROTINA E SAIA DA SUA AGENDA

Antes que alguém venha com as receitas..estou quebrando todas as rotinas...que a única e que a melhor forma de descansar é justamente esta....sem programação....sem agenda...sem relógio..sem hora nem boca para nada...celular on...em modo silenciosos atende e retorna quando quiser...pela desregulamentação das férias e dias de férias e assim vou indo...ontem já foi uma maravilha tomar aquela caipirinha as 16 horas....comer uma coisinha leve...não almoçar e tomar um café na minha querida sogra as 22:30 vendo uma menina de dois anos reinar para não dormir...a Lulú aquela peça linda e maravilhosa de vontade pura...se quiseres planos terás...jo so quiero samba....e RADIO BEMBA SOUND SYSTEM....ulállá....

sábado, 29 de dezembro de 2012

SOBRE ESCOLHAS E CONSEQUÊNCIAS: FELIZ ANO NOVO 2013!!!

Boa tarde

Sempre dei muita atenção para o tema das escolhas na vida da gente e também em sala de aula com os alunos e alunas.

Os adolescentes parecem estar justamente numa época em que as escolhas mais importantes são feitas.

Mas gostaria de dizer algo sobre este tema para contrariar um pouco a lógica geral de que tudo é previsível e que se fizer P logo X se segue.

É que isso me parece uma coisa meio automatizada e bem idiotizada hoje em dia.

Até o Grande Poeta Pablo Neruda - que merece ser citado muito mais pela sua poesia e grande obra do que por um texto daqui ou de acolá - é usado para chavonizar isso por aqui - como vi num post faz pouco.

Mas vamos pensar um pouco mais sobre isto pessoal: 

Creio que as escolhas mais importantes da nossa vida e aquelas que justamente mais merecem nossa atenção, preocupação e também muito juízo são ou podem ser de dois tipos: 1. aquelas que não percebemos que fazemos, mas fazemos, e 2. aquelas cujas consequências são justamente imprevisíveis e incertas.

As primeiras são muito mais frequentes do que parecem e bem comuns, já as segundas são e merecem mais reflexão nossa, porque além de serem imprevisíveis envolvem muitas outras escolhas em sequência e sempre grandes possibilidades e risco também.

Coragem jovens, coragem, porque só vocês podem começar algumas opções que nós adultos já rejeitamos ou já distorcemos ou já seguimos.

Assim desejo que os adolescentes pensem nisto sem medo e sem um pingo sequer de insegurança.

Prestem mais atenção aos sinais e tenham fé.

O fato de poucos escolherem certos caminhos ou de poucos se darem bem nestes caminhos não significa que o caminho é errado, pode significar apenas que ele é difícil e que você terá que se esforçar muito mais do que outros.

FELIZ ANO NOVO E UM PRÓSPERO CAMINHO DE ESCOLHAS PARA TODOS!!!!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

AGRADECIMENTO E DESPEDIDA


Hoje terminou nossa participação na gestão da cultura de São Leopoldo e com isso minha participação nos dois Governos do Vanazzi com vocês.

Agradeço muito a colaboração, amizade, participação e trabalho de todos.

Aprendi muito com vocês. 

Lamento muito a derrota, mas aceito a decisão do povo e sei que deixamos juntos grandes marcas, ações, obras e programas que mudaram a vida da nossa cidade.

Não vejo nenhuma outra forma de garantir um final feliz, a não ser - apesar de tudo, saindo de cabeça erguida e muito orgulhoso desta experiência individual e coletiva que construímos juntos todos os dias destes últimos 8 anos de nossa vida.

Hoje tomei um baita suador para fazer uma tarefa trivial e que envolvia mais gentileza do que obrigação e penso que não poderia ter sido diferente. 

Suamos e trabalhamos muito neste anos todos. 

Eu acompanhei muito de perto o trabalho de muitos e muitas pessoas desta cidade e de fora dela.

Mudamos São Leopoldo sim! São Leopoldo é hoje uma nova cidade.

No meu último contato com o Vanazzi hoje, eu vi nos olhos dele um sinal que nunca tinha visto antes. O sinal da lembrança e da segurança que nós aprendemos a sentir nestes anos todos juntos.

Nestes últimos 17 anos - desde 1996, acompanhei esta longa caminhada dele e do PT de muito perto.

Todos nós mudamos!!!

Mas deixamos muitas lembranças boas.

Afinal, um pequeno símbolo disto é que o nome do Vanazzi e de São Leopoldo já está inscrito lá na China, como nunca esteve antes e temos sim do que nos orgulhar.

Passamos agora a uma outra fase da nossa vida, podemos agradecer todas as agressões, ingratidões, incompreensões e olhar no fundo dos olhos de cada um dos leopoldenses sem nos preocupar se provamos ou não a que viemos.

Ainda chegará o dia em que poderemos contar esta história em toda a sua grandeza e remover toda a vileza que foi aposta contra nós por pequenos interesses, por ambições mesquinhas e também por aqueles que nunca nos respeitaram, mas que somente fizeram um esforço para conviver com nossa gestão, nossos sonhos e nossos ideais.

Muito obrigado!!!   

domingo, 23 de dezembro de 2012

A MEMÓRIA É UM EXCESSO

Estava escrevendo algumas memórias que me sinto impelido a escrever agora a pouco e acabei misturando três focos diferentes em um só. Bem, pensei, ao começar a separar os assuntos e a abrir novos textos para dar uma dimensão digna aos personagens e aos eventos que andam no meu coração misturados e me dei conta de uma coisa: toda memória é no fundo um excesso. E neste caso um excesso de sentimento e emoção. E encontro de amigos e amigas que você admira, estima e que te fazem bem tem esta característica. Você terá esta experiência marcada na memória. No meu caso, em detalhes que talvez pouca importância tenham para outros, mas que do ponto de vista da história e da real dimensão das pessoas que só é reconhecida mesmo no pos mortem, é muito mais importante e haverá alguém que há de olhar para um  excesso de detalhes e perceber a riqueza de cada detalhe e a preciosidade de se guardar, em minhas agendas e em meus neurônios estes detalhes que são simplórios e pouco significativos agora, para qualquer ser trivial, mas altamente relevantes para quem sabe perceber aquilo que realmente importa nesta curta vida que temos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

PERSONALISMO E FACCIOSISMO: AVALIAÇÕES POLÍTICAS 2012

"...em uma sociedade como a nossa, 
mas no fundo em qualquer sociedade, 
existem relações de poder múltiplas 
que atravessam, caracterizam e constituem 
o corpo social e  que estas relações de poder 
não podem dissociar, se estabelecer, 
nem funcionar sem uma produção, 
uma acumulação, uma circulação 
e um funcionamento do discurso. 
Não há possibilidade de exercício do poder 
sem uma certa economia dos discursos de verdade 
que funcione dentro e a partir desta dupla exigência. 
Somos submetidos pelo poder á produção da verdade 
e só podemos exercê-lo através da produção da verdade." 
Michel Foucault. Microfísica do Poder.

Avaliações, análises e diagnósticos na política possuem em si e trazem consigo propósitos. Mesmo em situações de vitória, as avaliações por mais brilhantes, claras e precisas tem propósitos. Avaliações apresentam motivações sob a camada retórica e também sentimentos que muitas vezes não são tão bem analisadas assim por seus autores. É por isto que alguns autores chamam e confundem discursos políticos com ações. Porque o discurso neste terreno age, faz algo não somente interpreta, descreve ou conceitua. Dá, este discurso, realidade a fatos, cria situações e condiciona as ações dos outros.  Assim, para traçar um paralelo libertador aqui, estamos em uma situação em que quando dizer é fazer, se transforma aqui em dizer com pretensão de fazer.

No caso de derrota nem todos os discursos e fazeres são bem vindos, porque é exatamente nesta situação que você não pode dar nenhum passo adiante partindo somente das pretensões ou das ilusões individuais. A não ser que você pretende andar sozinho ou construir uma perspectiva particular ou um projeto particular. Mas também é preciso entender que nem todo discurso é somente individual, pois também ocorre que alguns discursos aparentemente individuais introduzem de fato pretensões coletivas, ou seja, pretensões de células ou organizações parciais do partido. Talvez tenhamos que ser mais rigorosos aqui na nossa discussão e diferenciar “personalismo” de “espírito de facção”. São, na prática, dois tipos de desvios do projeto coletivo que geram vários desencaminhamentos. Mas é claro que um partido democrático deve chegar em uma boa síntese de todos estes discursos e reduzir ao máximo a ilusão e o auto-engano em seu seio e em suas decisões. Porque é basicamente isto que leva para uma derrota. Por mais maravilhoso que seja o nosso projeto ao se acrescentar a ele a hegemonia de personalismos ou o espírito de facção se engendra a derrota que tivemos. Assim, quando se avalia a coordenação de campanha, os caciques, os candidatos, o slogan, o projeto e as atitudes individuais de cada um devemos ser capazes de olhar sim para os erros em todos nós. Na medida exata de nossas responsabilidades.

Eu adoro falar em renovação também, aliás creio que todos os quadros intermediários gostam disto por sua própria natureza, mas a forma como se fala disto e as pretensões que se apresentam ao tratar disto dizem muito sobre se a renovação é real ou somente de aparência. Não me serve de nada uma renovação que reproduza os mesmos erros anteriores ou que engendre de novo ilusões pessoais e fantasias de grandeza. Não me serve de nada se isto vier a gerar mais degeneração burocrática e maior submissão a uma ordem externa para a qual pouco importam os resultados locais, mas sim a contribuição do local nos resultados regionais ou proporcionais. E nós sofremos disto no último período. Há que se fazer algum esforço para que o PT de São Leopoldo não se resuma em um curral eleitoral para aqueles que querem apenas lavrar votos proporcionais em 2014, sem pensar nas consequências da derrota local ou da dissolução da representação local no cenário estadual e nacional. E percebo nitidamente estas pretensões aqui.  

No nosso caso, em especial, temos que levar em consideração que a própria derrota foi causada por estes desvios – que alguns chamam de personalismo aqui e ali. Mas é preciso, como tentei mostrar aqui, esclarecer melhor o que é o personalismo ai. Não creio que seja possível, como já disse antes, recuperar os prejuízos e perdas do último período sem fazer certas avaliações sobre nossos erros para reconstruir – porque já tivemos isto sim – uma forma de atuação coletiva acertada e que reconstrua a confiança do povo em nosso projeto e nossa forma de atuação. Para isso é preciso cuidar muito o que se diz sim. Porque a unidade é mais necessária do que parece. Mesmo aqueles que olham para a atual circunstância vislumbrando uma oportunidade de ascenção, de substituição de caciques ou de mera vingança, tem ou não responsabilidade sobre o futuro que devemos construir. E nós devemos dizer claramente que propósitos e quais pretensões são cabíveis para o futuro próximo, excluindo sim aquelas que vão nos levar de novo para o facciosismo e o personalismo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

SEGUNDA POSSE, SEGUNDA CONSCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO ESTADUAL:1998-2012

Terminei a batelada de exames e de juntar toda a papelada...quanto aos exames tudo muito bem...quanto aos papéis tudo completamente em ordem...quem guarda tem, e quem guarda direito tem mais rápido...mas considero excessivo tudo isso...imagino tanta coisa que deveria ser avaliada que considero isso tudo muito e pouco ao mesmo tempo..bem mas vamos lá...professor estadual rumo a segunda matrícula...não tenho falado nada de sindicato, nem de partido e nem de governo, porque nunca tinha visto uma situação tão difícil nas três pontas...apesar de termos governo nas três esferas, parece que falta alguma coisa mais para dar certo como todos nós gostaríamos e como todo o povo precisa...ao mesmo tempo, nunca tinha visto as escolas com tantas dificuldades....sou otimista, mas percebo que as mudanças necessárias não tem sido enfrentadas, vejo somente formalistas e tecnicistas, vejo somente os diretores de escola e diretoras, professores e professoras respondendo a demandas externas da mantenedora e tendo muito pouco tempo para cuidar do que lhe é pertinente internamente...o Politécnico, o Concurso, a mudança das Menções, as Avaliações e toda a grande plêiade de tarefas nada mudam na vida dos alunos...e em médio prazo prevejo uma tragédia para o projeto...que parece que ninguém quer ver, encarar e mudar enquanto existe tempo....desejo muito que se salve até 31 de dezembro, alguma coisa...desejo mudanças, mas não vejo sinais e possibilidades de que isto aconteça....assim assisto uma canoa aumentando seus furos....e indo de mal a pior...ninguém consegue entender isto com clareza? é tão inaceitável assim promover uma mudança que salve e reposicione nosso projeto, repactuando as relações com os educadores e educadoras? me custa muito aceitar o rumo que as coisas estão levando....não pode ser somente uma questão sindical isto, nem partidária ou de tendência .....minha segunda posse me parece as vezes minha segunda tomada de consciência....fim da linha meu camarada...é preciso fazer algo novo.....contrariar o método autoritário e construir uma relação satisfatória na educação....

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

VONTADE DE UM VERSUS VONTADE COLETIVA

PENSANDO na vontade coletiva e na vontade geral....a humanidade levou muito tempo para conseguir construir isso....e as vezes ainda estamos muito aquém de exigências universais, superiores e racionais...e eu me preocupo com a democracia quando constrói as suas antíteses individuais...não porque salva alguém...ou porque derrota a maioria, mas porque permite um decidir sozinho contra muitos.....

domingo, 9 de dezembro de 2012

GÊNIOS FALÍVEIS SEGUNDO ADORNO

"Os produtores das obras importantes não são semi-deuses, mas homens falíveis, muitas vezes neuróticos e martirizados. mas a mentalidade estética, que faz tábula rasa do gênio, degenera em artesanato oco e dogmático, em pincelada rotineira." 

Theodor W. Adorno. opus citatis in: TOCHETTO, Daniela Goya.  Julgamentos de Justiça Distributiva em John Raws e Robert Nozick: Uma Investigação Experimental. Dissertação de Mestrado em Economia. Porto Alegre: UFRGS, 2008, p.190.

32 ANOS DA MORTE DE JOHN LENNON

Fazem hoje 32 anos que John Lennon foi assassinado. Foi mais ou menos neste dia que eu decidi talvez 50% das opções da minha vida. para alguns foi somente a morte de um rock star, para mim foi uma mensagem sobre como é que eu deveria viver. E andavamos, eu, Gutia, Rafa e alguns outros amigos escutando Imagine num toca discos a mais de três meses. Além de Alice Cooper: Schools Out.

PEQUENA NOTA A TEORIA DA ESCOLHA QUALIFICADA: TDEQ 15 ANOS DEPOIS

Tendo a desenvolver uma concepção de que qualquer teoria da escolha só é viável quando pressupor escolhas qualificadas ou bem informadas. 

Em 1998, ao apresentar aos alunos do Ensino Médio ( em Campo Bom - Escola estadual de Ensino Médio Fernando Ferrari - logo aonde) o modelo da TEORIA DA ESCOLHA QUALIFICADA (TDEQ) com o intuito de construir uma justificação para a escolha racional entre as diversas opções eleitorais apresentadas, defendi que o máximo conhecimento sobre o passado dos candidatos, os programas de governo e as características dos seus apoiadores e partidos era a única forma de garantir uma escolha racional entre as opções. 

Naquele ano venceu Olívio Dutra para Governador do Estado e Fernando Henrique Cardoso foi reeleito. Pois hoje 15 anos depois, cada vez me aproximo mais desta hipótese que parece trivial e mecânica, lógica e racional. 

Ela pressupõe diversas coisas. 

A primeira e mais importante: nenhum segredo e transparência total. 

Então, parece que vamos ter que aplicar o critério de falsidade ideológica em muita gente, inclusive naqueles que julgam.

ALTRUÍSMO VERSUS EGOÍSMO NO DISCURSO POLÍTICO: A PARTIR DO FILME ENTREATOS (2004) DE JOÃO MOREIRA SALLES

Uma vez observando um discurso político me dei conta de uma coisa que para mim era incrível na época. Fiquei pensando no jogo e na competição entre os instintos ou impulsos altruístas, generosos e benevolentes daquele que discursava e na forma inteligente como ele encobria ou exibia com boas cores seus próprios interesses pessoais, mesquinhos e egoístas ao tratar de suas ambições combinadas com os sonhos daqueles que estavam na audiência. 

Eu pensei, na época, em uma espécie de teoria do equilíbrio, em que a pessoa faria pequenas concessões morais e honestas a si mesmo com um senso de profundo respeito aos seus eleitores, apoiadores e simpatizantes. Em que todos os benefícios pessoais advindos da sua conquista fossem direcionados para o bem comum e se justificassem pela ótima realização de um bem comum. 

Olhando ontem pela primeira vez Entreatos (2004) aquele muito bem feito documentário de João Moreira Salles sobre os bastidores da campanha política que elegeu Lula presidente em 2002, me dei conta de uma coisa muito mais dura e muito mais simples: não existe equilíbrio possível entre estes impulsos altruístas e generosos. Ou você cala sua própria vaidade e egoísmo  no espaço político ou ela vai acabar falando mais alto que qualquer projeto, que qualquer pretensão de generosidade. 

Você, na política, deve assumir sim a máxima generosidade e fazer ela dar as cartas, sem fazer concessão alguma para o seu próprio interesse pessoal ou seu egoísmo. Justamente eles são aquilo que deve ser derrotados para que o bem coletivo seja realizado de forma decisiva e exemplar. Somente quem já domou suas próprias tentações e todas as outras seduções existentes neste meio sabe o que eu estou dizendo aqui. Assim, resta aos que negam esta reflexão ficarem em silêncio, pois que a negação moral do mal feito só é possível mesmo e reconhecida efetivamente no foro interno. 

Da próxima vez que alguém fizer um discurso político vamos experimentar esta análise para ver onde vai parar o sujeito e como ficará o coletivo....

sábado, 8 de dezembro de 2012

A PRAÇA REPUBLICANA QUE COMEMORA O IMPÉRIO


Considerada a data, as condições, o símbolo de sua instalação e o que ela comemora, a Praça do Imigrante pode ser entendida também como elemento simbólico fundamental e de ligação em São Leopoldo de dois grandes períodos da história do Brasil, a saber, o Império e a República.

 No que toca ao Império, o empreendimento de trazer imigrantes europeus de outras etnias para o Brasil tinha o claro objetivo de superar duas dificuldades nacionais. De um lado, romper com o ciclo econômico oligárquico e latifundiário, diversificando a produção nacional com o emprego de mão de obra livre de nível médio e artesanal e, de outro lado, consolidar a ocupação do extremo sul do Brasil com novos sujeitos.

 O ciclo republicano, em 1924, se prepara para superar a república velha, através de uma nova síntese cultural e política, que vem sendo construída pelos novos lideres do PRR. Desta vez com maior participação dos imigrantes e seus descendentes e, também, com a superação necessária dos conflitos regionais no Rio Grande do Sul que construíram, pavimentaram e permitiram as novas bases para as políticas urbanas, modernizadoras e de industrialização do Brasil, apresentadas e desenvolvidas a partir da Revolução de 30.

(excerto do MEMORIAL DE TOMBAMENTO DA PRAÇA DO IMIGRANTE - 27/05/2012)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

GÊNIOS, EXEMPLOS E GRANDES OBRAS

só para constar: 

não conheci nenhum homem ou mulher de grandes obras que não trouxesse consigo um espírito e um gênio muito poderoso e surpreendente a lhe guiar o corpo e a as ações...

muitas vezes indomável...

muitas vezes incompreendido...

com intensa dedicação ao que faz e ao que ama fazer...

e agradeço de ter muitos para me darem os seus exemplos...

nada mais inspirador do que um grande exemplo e o grande impacto de uma poderosa paixão....

O EXEMPLO DE OSCAR NIEMEYER PARA CHICO BUARQUE - OU COMO OS GÊNIOS NOS INSPIRAM?


O EXEMPLO É UMA COISA PODEROSA MESMO - GRANDES HOMENS E GRANDES MULHERES SEMPRE GERAM EM NÓS A VONTADE DE REALIZAR GRANDES PROJETOS E GRANDES OBRAS:

"A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fos
se dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira. Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar. Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar." 

(Texto de Chico Buarque em comemoração aos 90 anos de Oscar Niemeyer - 1998)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O QUE É O HOMEM? OUTRA REVELAÇÃO PARA ISMÊNIA

Vidente do Dia: "Uma outra forma de revelar que homem é este querida Ismênia. Você só poderá julgar o caráter de um homem e saber o que um homem realmente é, após ele perder todo o seu poder ou aquilo que ele supunha ser o seu poder..." versão realismo negativo. Para a mui Doce e mui Bela Ismênia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SOBRE AS AGRESSÕES AOS PETISTAS APÓS AS ELEIÇÕES: NOTAS PARA UM DEBATE


Olha só: recebi um convite no meu Facebook para uma atividade no PT, na próxima quarta-feira, de discussão dos rumos do PT em São Leopoldo, no estado e no país. Nesta atividade estarão presentes o presidente estadual Raul Pont, e o membro do Diretório Nacional Walter Pomar, a Deputada Estadual Ana Affonso e o Prefeito Ari Vanazzi.


Este convite foi compartilhado no mural de umas 50 pessoas. Todas elas são militantes do PT de antes do governo que se iniciou em 2005 e que se encerra em 2012. Todas elas ajudaram ou ajudarão a eleger e reeleger Lula, Dilma, Tarso e  Vanazzi. E muitas são filiadas e foram dirigentes do PT e alguns são simpatizantes. Eu duvido muito que algumas destas pessoas tenham opiniões tão agressivas em política nem contra e nem a favor do PT. Quer dizer nenhuma delas vai sair dando bangornada por aí em quem pensa diferente da gente. Uma amiga, a Léa emitiu sua opinião contrária ao PT, tudo bem e qualquer outro tem todo o direito de ter opinião contrária, mas eu tenho a franca opinião que o excesso de agressividade de duas pessoas na lista ou de alguns é só desrespeito e desplante mesmo.


O futuro governo do PSDB/PMDB em São Leopoldo pode significar para alguns – como estas pessoas - o despertar de São Leopoldo, para mim significa outra coisa, mas ele ainda não mostrou a que veio, então é bom e recomendável ir bem devagar com o andor.


Sou um daqueles que nunca deixou de ser povo, eleitor e militante. Tenho endereço certo e trabalho determinado em qualquer hipótese, então convenhamos bem menos agressividade nos nossos murais; quanto à discussão ideológica superficial aposta aqui sobre trotskismo e etc, é bem provável que isto seja somente o resultado de uma flatulência mental, pois é signo de miséria intelectual falar do que não se sabe ou ideologizar qualquer debate só por disposição e arrivismo.


É minha opinião e imagino que é opinião comum a todos que foram listados aqui, nesta postagem, serviço público não é cabide e governo não é boquinha.


A maior prova disto é que as pessoas vão participar deste debate de forma voluntária como 
sempre foi feito no PT, aliás.


Então é bom ir tirando o cavalinho da chuva aqueles que acreditam que o PT de SL está acabado.


Mesmo assim repito, com todo respeito à tradição petista de discutir política o ano inteiro e com quem quiser, sejam bem vindos ao debate.


O Sandro fez o convite e só convidou quem tem afinidade política.


O problema é que algumas pessoas – por falta de espaço para debate em seus partidos e nos murais delas - resolveram criticar o PT no mural dos petistas isto é agressão.


Elas poderiam ter aberto o debate no mural delas mesmas, mas não ali não tem publico. Então fica este brinquedo de espicaçar petistas no mural da gente, com ofensas, baixarias, ataques superficiais e repetições da mesma ladainha daqueles que ainda estão sendo alfabetizados na política. Fui olhar o perfil deles e constatei que nenhum deles tem mais de 30 anos. Ou seja, nenhum deles teve uma vida adulta com os governos do PMDB em São Leopoldo para dizer como é que é sem o PT, então eu até entendo que eles queiram ver o outro lado. Entendo que se emocionem e queiram experimentar governos cujos candidatos só falaram daquilo que está errado e que mal compreendem o funcionamento da prefeitura atual. Aliás, este é um ponto incrível a prefeitura não é a mesma prefeitura de 2004 não. Muitas responsabilidades e atividades se somaram. O futuro governo vai ter que trabalhar muito para dar conta das tarefas e exigências reais da administração pública. Ou vão deixar a peteca cair e botar a culpa no PT?


Mas faz parte da democracia, com certeza, aceitar a crítica e debater sobre onde erramos ou acertamos, o que eu não gosto é da baixaria de quem sequer conhece a gente ou sabe exatamente o que se faz, se fez ou não. A priori todos merecem respeito e é uma questão de etiqueta básica, inclusive, que aqui no facebook e em outros lugares e espaços virtuais precisa ser construída, mas algumas pessoas mais raivosas e agressivas tem este desplante de usar o anonimato para atacar a gente. É aquilo que chamamos de anti-petismo.



Sem efeito e sem nenhuma clareza na maior parte das vezes, fazem isto só por despeito mesmo. Alguns no período eleitoral eram Fakes, mascarados e encobertos pelo anonimato e diziam absurdos. Participei de debates incríveis em que se via que se estava falando com alguém do outro lado que não sabia absolutamente nada da cidade. Resumia sua abordagem ao hospital e centro administrativo. Bem esta abordagem deu certo. O boicote dos médicos e de alguns trabalhadores do hospital e de outros lugares deu certo. Tudo bem. A oposição usou das armas que dispôs. Todos os cidadãos e cidadãs na democracia, tem o direito de ter a opinião que quiserem, mas sempre devem se portar com respeito. Isto é básico, mas e o resto?


Eles vão ter muito tempo pela frente para saber algo mais sobre as diferenças relevantes nesta discussão, neste debate sobre gestão pública e sobre o que é bom e prioritário para a cidade. Eu desejo boas alvoradas para eles e que os próximos quatro anos os iluminem sobre promessas, compromissos e a boa política. Alguns deles falam que não acreditam mais no PT e etc. Se a questão fosse de crenças, nós construiríamos igrejas e templos, mas estamos a falar aqui de políticas, programas e projetos. Alguns programas e projetos implementados que eles pelo visto de todo desconhecem, são algo bem mais concreto e objetivo. Ainda que impalpável para muitos e que muitos que sejam atendidos por estes programas não vinculam a existência, concepção e execução deles a este governo do PT.


É justamente porque não nos conhecem que não deveriam supor que não sabemos o que é ou como é o SUS ou qual é o problema dele aqui em São Leopoldo e em todo o país.


Agora o povo elegeu um médico para prefeito, então eu desejo que ele resolva este e todos os problemas dos SUS porque esta é a principal promessa dele.


Mas eu digo, com muito respeito, que não tenho duvida sobre o que acontecerá não. E provavelmente o que vai acontecer não será muito defensável nos próximos 4 anos.


Não há nada de cegueira no meu olhar sobre o PT ou a cidade.


O povo fez uma aposta nova na eleição. Eu só espero que este povo não me venha daqui a 4 anos falando mal da política porque a aposta deu errada. Só isso. E isso é também uma forma de respeitar as escolhas do povo viu.


O povo é o verdadeiro soberano na democracia e eu aceito completamente o resultado das urnas, porque o povo tem este direito de errar e acertar e assim vamos indo.


Neste sentido, por exemplo, não gosto nada do discurso que escutamos após a eleição de que houve traição ou trairagem. Porque este discurso pressupõe que o povo não foi responsável no voto, que ele foi enganado, que ele foi ludibriado. Não. O povo fez a sua escolha, o povo deliberou com as informações que tinha e com os valores e prioridades que cultiva ou cultivou até chegar na urna. E, assim, o povo tem muita responsabilidade no voto e vou repetir isto sempre, porque senão fica fácil ficar dizendo que os culpados são os cabos eleitorais, os militantes ou as lideranças.

  
Eu digo sempre – em todos os momentos e espaços em que isto é necessário - que lutei muito por este direito do povo poder escolher, decidir, errar ou acertar e que eu penso sim que vamos aperfeiçoando a democracia desta forma.


Mas isto não quer dizer que porque eu perdi uma eleição, eu sou a pior coisa que existe para o SUS ou para a política. Ou que o PT ou o PT de São Leopoldo seja o único responsável pelos problemas. Nós governamos com mais partidos e com muitas pessoas. Jamais poderemos ser acusados de ter governado sozinhos e ter defendido que só os nossos são bons. Demos, em 8 anos, muitas oportunidades e espaços para muitos cidadãos, agentes comunitários e lideranças da cidade governarem junto e em alguns casos inclusive alguns que agora assumem o novo governo estiveram com a gente.


Eu diria em especial para certa moça que entrou neste debate: vais aprender muito sobre isto menina, mas não desista, nunca, é o que te diz alguém que nunca desistiu de tentar mudar esta cidade, este estado e este pais.


Esta mudança, que não começou nesta eleição e nem vai terminar nela, vai continuar e fazer o debate e a boa crítica é parte dela. Assim, fique à vontade, mas numa boa, porque é assim que deve ser mesmo.


Sobre os recursos gastos pelo governo saírem do bolso da gente ou não, eu fico bem à vontade, pois pago todos os impostos que existem, todas as taxas que você pode imaginar e é tudo descontado diretamente do meu salário. Então eu sei exatamente quanto custa cada coisa. Quanto custa a vaga na escola e a vaga no hospital. Quanto custam as obras da cidade e quanto custa a guarda municipal. Sei também que tem gente que aceita dar R$ 500,00 para um médico do SUS fazer uma ligadura de trompas em 30 minutos e não quer dar R$5,00 ao ano para a escola que cuida do filho e da filha dela o ano inteiro ter um caixa e bancar certas despesas, sob a fiscalização de um Conselho escolar.


No fundo, a discussão aqui é sobre valores e sobre conhecimento. E, vale lembrar, é também sobre a força que adquirem as pessoas que acham a coisa mais normal um médico cobrar duas vezes e chegar atrasado no seu trabalho, no posto de saúde, no centro de saúde, no hospital e etc.


O padre numa missa de sétimo dia que assisti no sábado – em memória do meu pai – disse que quase chegou atrasado, mas que não havia chegado atrasado, porque a missa só começava quando ele chegava. Imagino que é assim que pensam alguns médicos. Bem, isso ajuda a resolver um grande problema nosso então, não vai haver mais atrasos e não vai faltar mais médico em lugar algum da cidade, porque a coisa só pode começar quando eles chegarem. E eles chegam....    


Assim, eu sei quanto custa muita coisa viu.

domingo, 25 de novembro de 2012

FÉ, A ÚNICA ARMA QUE EU TENHO CONTRA O SOFRIMENTO E A DOR

Estou fazendo muita força para resistir ao sofrimento. Não posso ir muito mais além do que já estou sofrendo. E tento me distrair aqui e  ali e é bem difícil. As vezes parece que a gente tem que escalar uma montanha emocional e voltar mais forte. Eu não tenho a menor dúvida de que estou passando por um momento duro, mas que sou um privilegiado em minha existência em vários sentidos, mas confesso - não para ser curtido ou aparteado - ma simplesmente para ter onde dizer algo sobre isto, que não seja nem tão anonimo, que não gere a compaixão e o carinho de quem me faz muito bem ao ser meu amigo e amiga, mas nem tão escancarado que venha alguém aqui confundir o que sinto com alguma forma de fraqueza ou pedido de piedade. Não, definitivamente não. Dá muito trabalho para entender isto que estou passando, isto que estou sentindo agora e eu quero sinceramente que nenhum dos meus amigos passe por algo parecido em nenhum sentido com isto, mas quero falar disto aqui, sem ser incompreendido nem admoestado por isto. Se não gosta do que escrevo não leia. Se me julgas fraco, não leia. Se tens vergonha dos teus sentimentos, não me leia. Mas pode ler com uma pitada de compreensão se és alguém que como eu julgava que isto podia acontecer sim, mas não desta forma e neste tempo. Estive em duas missas diferentes e prestei muita atenção no ritual, nas palavras e nas orações e cada vez entendo mais o significado de ser cristão - de encarar a dor e o sofrimento como um cristão - mas confesso que me sinto encurralado com esta resignação toda. Vejo pessoas que carregam pela vida inteira uma chaga, uma dificuldade física ou uma limitação, uma tragédia pessoal e familiar e elas estão lá sentadas cantando, orando, assim como eu e os meus. Recebem as bençãos, comungam e vão para casa reconfortadas...parece mesmo que Deus nos protege, que os céus estrelados nos protegem, apesar das maiores aflições. Fé, sim, a fé é um grande mistério para mim e a única arma que tenho agora contra a dor. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

APRENDER A LER OS DETALHES: NIETZSCHE


"Não são os grandes acontecimentos, aqueles afortunados ou determinados por circunstâncias exteriores e fortuitas que devem guiar nosso julgamento, mesmo que, como os cumes das montanhas, eles são os primeiros que saltam aos nossos olhos. Ao contrário, são justamente sobre os pequenos acontecimentos e incidentes interiores que devemos firmar o nosso olhar."  NIETZSCHE

sábado, 17 de novembro de 2012

ANTONIO BOEIRA SOBRINHO: 14/04/1941 - 17/11/2012 - EM MEMÓRIA DO MEU PAI


A história do meu pai começa nos campos de cima da serra. E para mim isto é uma espécie de marca característica da personalidade dele. A convivência com o frio, as grandes distâncias, os campos e a proximidade do céu, me parecem ter forjado o desejo de ampla liberdade do meu pai. Ainda escuto a voz dele dizendo que prefere o inverno ao verão e que não tem coisa melhor do que o fogo. Era um ímpeto de sobrevivência perante o inóspito. E uma combinação de personalidade que o frio permite e me parece aquele conforto do aconchego após a jornada. E a jornada, como toda jornada em busca da liberdade, era fria, quente, mas fria, desconfortável e arriscada. Um desejo tão grande de liberdade que dificilmente pôde algum dia ser aprisionado por qualquer coisa, pessoa ou atividade. Mas seguia sempre em frente. Sempre me lembrarei dele decidindo chegar ou decidindo ir embora. Era muito inquieto como se uma nova estação chamasse sua alma ali adiante em outro lugar. Meu pai era um ariano na astrologia e talvez nele a marca da iniciativa, da disposição para a conquista e da coragem para seguir seja quase uma definição de seu ser. Conheci muito poucos como ele, com este espírito de independência e com uma liderança sutil sobre todos os demais. E até o fim eu sinto isto. Ele sempre decidia quando ir e quando chegar. Ele tinha uma noção bem pessoal da sua própria hora.

Meu pai nasceu num lugar perto do céu se é que se pode chamar algum lugar nesta terra assim. E sempre tive uma impressão de que as escadas para o céu lá tem menos degraus, do que aqui embaixo, no vale dos sinos. Para ser mais específico, meu pai nasceu em Vacaria. Se bem que o local em que ele nasceu e em que ele se criou fica um pouco afastado da sede da cidade. Ele me contou que nasceu em cima de um cavalo ou quase. Que sua mãe – Dona Ercília – estava grávida e abrigada na fazenda do pai dela e que o pai dele - o Sabino da Fonseca Boeira - estava acantonado em um engenho trabalhando na construção de uma rodovia que corta a serra, provavelmente as obras da BR 116. Começaram as dores do parto pela manhã bem cedo. E ele tinha que nascer no hospital. Assim, minha avó foi sobre um cavalo com o seu pai a guiá-la a pé. Ocorreu que numa certa curva da estrada dos campos de cima da serra a jovem dona Ercília teve que apear do cavalo e, então, meu pai nasceu ali mesmo à beira da estrada. Porque o hospital ou a casa de saúde ficava longe. Era 14 de abril de 1941, provavelmente às 9 horas da manhã. Na quinta curva, entre a fazenda do Socorro e a Fazenda. Na enxovia....

Uma vez ele nos levou para este lugar. Foi uma longa viagem até Vacaria e depois entramos em um ramal à direita de quem segue após a entrada da cidade, logo após o antigo aeroporto ou campo de vôo. Antes de chegarmos a fazenda do Tio José Boeira, passamos pelo cemitério da família. Ali descobrimos eu e minha mãe que a família do pai era centenária, ou melhor bicentenária. Para quem conhece a estrada que vai de Vacaria à Bom Jesus imagine que naquela época tudo era de chão batido e que as cercas de taipas – assim como são feitas na Irlanda e em Portugal (talvez em mais países) até hoje, dividam os Campos e por aí o gado também. A história de Vacaria de los Pinhales é algo maravilhosa tanto para castelhanos como para portugas, para os índios e os negros e para nós aqui de baixo da serra seria algo meio maravilhoso a imagem de um grande campo, um grande planalto sobre a serra do mar apinhado de gado. Gado em abundância tal que remonta segundo alguns historiadores a mais de dois milhões de cabeças nos idos de 1650 a 1800. A história deste gado provém da destruição das missões jesuíticas e da dispersão do gado por toda a região serrana. Meu pai dizia que os vacarianos eram tão especializados neste negócio que há um peral por lá tão escarpado de pedras que o gado quando jogado lá de cima chegava ao sopé da serra já retalhado e recortado em todas as suas partes e pronto para o açougue ou o churrasco.

Meu pai sabia parte desta grande história de Vacaria. E sabia das lendas também. Era um narrador cheio de manhas. As vezes ele dizia que algo não era assim e mostrava em um pequeno detalhe como a história fica diferente vendo certo aspecto com mais atenção.  A história da descoberta da Nossa Senhora das Oliveiras também vale uma narrativa maravilhosa. Meu pai tinha uma formação cristã. O pai dele falava, lia e escrevia em latim e sabia rezar a missa em latim. Quando fiquei sabendo disto, um tempo depois do desaparecimento do meu avô fiquei pensando naquele baita bugrão de quase um metro e  noventa cantando e recitando em latim. Meu avô e meu pai tinham uma coisa em comum. Uma força física incrível, algo hercúlea. Meu pai apesar de poupar e  não exibir muito isto às vezes me surpreendia. Até que um dia em que eu descobri em mim também a mesma força. Fiquei pensando nisto um bom tempo. Quase não prossigo nos estudos por isto. Mas daí e me aconteceu algo em que me convenci que a força pode acompanhar sim a inteligência e que na verdade elas são ótimas companhias e que convém fazê-las andarem juntas. Qual a relação entre inteligência e capacidade intelectual e força me era uma questão biográfica quase que hereditária. Todas as indicações tradicionais iam contra esta combinação. Pois bem, meu pai acabou me provando que não ao organizar o levantamento de postes de luz sem uso de guindastes e com cordas e poucas mãos humanas. Ele me provou que a inteligência torna qualquer força bem dirigida mais eficaz e feliz do que muita força abundante, mas mal dirigida. Engraçado falar assim, porque nesta narrativa encontramos este traço ou eixo da experiência do meu pai o uso da força combinado com a inteligência.

E meu pai aprendeu a ler bem cedo com as tias. E isto levou ele a um universo bem grande de interesses cognitivos. Foi coroinha, foi moleque e sempre gostava de contar as suas pequenas aventuras e travessuras de menino. Desde a bola de bolão pintada de branco e devolvida ao campo dos meninos que não deixavam ele jogar. Até a aventura do vôo a partir do telhado do Galpão do armazém do seu tio. As aventuras dele passavam por ter aprendido a dirigir bem cedo - com dez anos – um jipe velho, ter voado de avião bem jovem com um piloto no aeroclube de Vacaria e por ter uma fascinação por máquinas, motores, mecânica, elétrica e água. Contou detalhadamente para mim e meu irmão a montagem da radio galena. Isto o levou a virar o eletricista que ele foi.

Meu pai era um fértil e variado contador de histórias. Dramas afetivos, dramas familiares, histórias de menino, histórias do quartel, empreitadas e empreendimentos elétricos, façanhas técnicas e brincadeiras e jogos. Jogar sinuca com ele era uma aula de paciência e moderação do humor. Nossa, a calma com que ele batia na bola sempre provava que a melhor tacada era sempre a mais suave, aquela em que a suavidade era precisa. Aqui também vemos a relação entre inteligência e força. Isso era algo tão marcante nele que dificilmente você pegava ele em apuros por aqui ou por ali. Mas é preciso dizer por outro lado que ele era – apesar da plêiade de amigos, servidores companheiros e colegas – no fundo um homem solitário. Lembro dos diversos colaboradores dele. Lembro também das diversas obras que acompanhei eles executando durante toda a infância e até a adolescência. Prédios residenciais, empresas, pavilhões, mansões, residências, pequenos consertos ou reformas. Entrei em muito lugar como ajudante e era muito curioso. Mais tarde em 1997, quando voltei de POA, fiquei um bom tempo trabalhando com ele e o meu irmão, até pelo menos 2001. E daí foi uma bela experiência nossa. Aprendi muito rapidamente, sobre as experiências de ajudante infanto juvenil do passado. a ser um prático em elétrica que tem la´seu valor. E meu irmão acabou por fazer um  curso técnico de instalador elétrico no SENAI que lhe deu outra profissão. Lembro das obras e das tarefas. Dos bonés cheios de pó de tijolo, das instalações minuciosas que realizamos juntos e das diversas horas que ficávamos fazendo e conversando sobre a vida. Boa parte das grandes histórias que ele me contou provém deste tempo. E eu e meu irmão Rafael desfrutamos disto apesar de já ser um professor formado e em início de carreira e meu irmão ter tido outras experiências, quis a vida que tivéssemos este tempo juntos, nós três. Ele me elogiava muito por aceitar trabalhar e não reclamar do trabalho que tínhamos que era pesado. E eu agradecia muito porque era a forma de incrementar minha renda de professor e dar conta da vida com minha filha recém nascida Isabella.

Foi na oficina dele bem no início da minha vida que aprendi a distinguir perfis e características das pessoas. Nos períodos mais interessantes das empreitadas dele, ele possuía um séquito de eletricistas e práticos a sua volta. O Chico, o Ivo, o Max, o Sérgio, o Felipe, o Lindomar, o Tomatinho, o Valmir, o Darci, os Piratas, o Coca, nossa ir desfiando aqui a quantidade de pessoas e homens que trabalharam com meu pai é uma lembrança, mas também uma homenagem daquele menino que eu fui e que aprendia muito com eles. Acho que foi nesta experiência que eu aprendi a me sentir feliz no trabalho não importa qual seja o trabalho. Em que aprendi que ruim é não ter trabalho.Mas o trabalho era muito interessante. Para quem não sabe a atividade de eletricista é uma atividade de alto risco, exige concentração, atenção e tranqüilidade. Cada um deles era especialista ou expert em determinada coisa. Aprendi neste tempo a fazer massa com meu avô e a entender como funcionam os motores. Aquela oficina do meu pai era uma escola prática de ciências e física. Mas também, uma escola de relacionamentos sociais. Lá se discutia futebol, política, mulheres bonitas e também problemas da vida e as soluções que podemos dar a eles. Alguns eram daqueles trabalhadores eram espíritas. Outros frequentavam a Assembléia de Deus e fez parte da minha formação as vezes ir junto com eles nos cultos. Meu pai aprovava este tipo de experiência e o alargamento do meu conhecimento sobre estas coisas. Ele dizia que todas as religiões precisam ser respeitadas porque as religiões ajudam de uma forma ou outra pessoas que precisam de um tipo de ajuda especial. Mas isto aconteceu entre meus 7 anos e os 13 anos, porque depois cai como uma luva no balcão da loja na rodoviária. E aí eu via meu pai até os 17 anos quando ele passava pela loja para dar um alô, me ajudar nisto ou naquilo e para conversar e ver como a gente estava. Ele se separou da minha mãe quando eu tinha 17 anos e foi um bom tempo de afastamento da gente. Montou uma nova família e tocou a vida dele. Fui ver ele de novo já nos idos de 90 quando tinha já 24 anos e estava na universidade. Foi o período em que a doença que agora fulmina ele começou.  Teve tuberculose gravíssima e fez uma pleirostomia – palavra que ele lembrou agora no seu leito esta semana ainda em frente às enfermeiras com a máscara de oxigênio. Ele era bom com as palavras tinha um vasto vocabulário e me ensinou cedo a saber o nome das coisas, ferramentas, bichos, passarinhos e carros também. Nossa, meu pai Antônio tinha uma memória privilegiada e isso me passou também de certa forma.

Meu pai casou com minha mãe Verônica Adams e depois montou uma outra família com Elaine Steinhaus. Com minha mãe éramos três irmãos. Eu, Daniel, minha irmã Rachel e me irmão Rafael – já falecido. Com Elaine gerou três irmãos ainda. Gabriela, Juliana e Marcelo. Ele tinha também a fertilidade como característica e uma abraço de pai simplesmente inesquecível.

Trabalhou a vida inteira e eu não tenho conhecimento de nenhum período de férias dele. As únicas férias que ele teve foi nas duas doenças, e nas duas cirurgias. Na cama do hospital ou como foi agora de abril a setembro no abrigo do lar. E depois no Hospital Regina de meados de outubro até hoje. Não tenho conhecimento também de nenhuma data em que ele tenha começado a trabalhar depois das 7:30 da manhã. É uma marca dele. As 7:30 ele já estava à postos ou atendendo alguém. Tinha uma rotina interessante. Como era autônomo sabia que dependia exclusivamente do seu próprio esforço para sobreviver. Jamais foi funcionário de alguém ou empregado após o serviço militar em 1959.

Começou a trabalhar em 1956 com o Tio Antônio Boeira e passou pelo Sr. Gastão Lüdke pegando algumas empreitadas e logo após começou a ter as suas oficinas aqui no entorno das quadras da Dom João Becker, Rua Brasil até a Oswaldo Aranha, entre as Ruas Marques do Herval, Independência e Primeiro de março. Nunca foi mais longe. Atendia muitas pessoas próximas deste perímetro e era muito conhecido. Era a área dele e também a minha de certa forma. Lembro de vários endereços, garagens alugadas, pecinhas nos fundos, salinhas no segundo andar de sobrados e consigo descrever eles de memória nos mínimos detalhes. Os balcões improvisados as bancadas para fazer esquemas elétricos e manutenção e consertos de eletro domésticos. Naquele tempo você consertava rádio, toca discos, ferro elétrico, liquidificador e etc. Ele tinha por hábito ter o ponto alugado e vários eletricistas se achegavam para pegar serviços com ele. Creio que as vezes ganhava algo com isto. Mas o resumo da minha vida com ele diz o seguinte: nunca enriqueceu com isto. E tinha muitos amigos e conhecidos. Os times de futebol que ele tinha nas segundas, quartas, sextas e sábados eram uma prova disto. Colegas de quartel, amigos de bailes, amigos de profissão e os contemporâneos dele. Ele tinha um afabilidade cuja única semelhança eu encontrei no meu irmão. Era difícil chegar com ele em algum lugar e não ser bem recebido. Meu pai quebrava galhos, fazia meio de campo, tinha um juízo bem duro sobre o certo e o errado em diversos assuntos e podia muitas vezes discordar de você com uma singeleza inacreditável. Desarmava qualquer criatura raivosa com um simples olhar ou sorriso. Ele dizia que jamais batia de frente ou atacava o conjunto das opiniões de alguém. Mas “jogava uma pedrinha” e muitas vezes a pedrinha dele era capaz de derrubar o castelo de cartas ou ilusões inteirinho sem muito estrondo. Me deixava pensando nisso muitas vezes. Porque quando comecei a observar esta tática dele comecei a descobrir muitas pedrinhas pelo caminho. E funciona. As vezes o nosso papel é fazer pensar mesmo. E não adianta fazer um grande discurso não. É uma palavrinha só que basta.

Me ensinou a  nunca dever nada para ninguém, ter sempre uns trocados no bolso – ou seja jamais ficar zerado e a jamais pedir fiado. E hoje, aos 47 anos eu entendo perfeitamente por que. A pior coisa não é dever, é saber que não consegue pagar. Sempre haverá um momento em que alguns trocados poderão resolver muitos problemas. E, por fim, pedir fiado é dar o direito a alguém de te cobrar de uma coisa que você não conseguiu pagar e se você não consegue pagar é melhor não ter. Bem, esta é uma breve memória e uma homenagem a este homem que gostava de carteado, de bilhar e de mulheres também. Neste último assunto ele só me disse que ninguém precisa saber de nada e assim eu me calo, com a minha bela imagem dele inspecionando um obra com os braços às costas e num andamento compassado em que olha para o teto e divisa tudo aquilo que enxerga e aquilo tudo que só ele enxergava em uma obra. Desde a instalação, aos ângulos, padrões e simetrias. Ele adorava simetrias e eu também, não porque era perfeito, mas porque gostava de buscar a perfeição nas coisas. Ele me repetiu algumas vezes que todo homem devia passar por este mundo e deixar uma marca. Bem, em mim ele deixou uma marca eterna e creio que em tudo que ele fazia, havia uma assinatura também, mas que só olhos muito perspicazes eram capazes de encontrar.

Obrigado meu pai – que minha modesta homenagem sirva para que outros homens e mulheres sejam devidamente homenageados e reconhecidos.

Tua vida foi uma grande obra! Parabéns! 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CASA DE CULTURA LUIS BRASIL E CÂMARA DE VEREADORES: DIÁLOGOS COM JULIANO

Sobre a Câmara de Vereadores vou falar em seguida...porque penso que é um problema que precisa de solução política e administrativa....o aluguel que é pago pela câmara poderia ser investido em parte na melhoria das condições daquele prédio no final o custo de preservação do patrimônio histórico é ao fim e ao cabo pago pelo povo...

Em resposta a alguns argumentos do amigo Juliano que questiona e discute a votação ou não do projeto da casa de cultura Luis brasil, na Câmara de Vereadores de São Leopoldo: Sobre os grandes debates da nossa cidade...o que faz eles serem grandes não é o prédio...penso sinceramente que a Câmara precisa melhorar suas condições de trabalho e espero e torço para que a nova legislatura faça isto - preparando e construindo um acordo com o IAPS para melhorar as condições de manutenção e conservação daquele prédio lá.

Mas não tiro nenhuma gota de legitimidade dos atuais vereadores para discutirem, votarem e encaminharem este projeto para a sanção do prefeito atual, nem muito menos o direito do atual governo de apresentar este projeto para a sociedade. Penso inclusive que é uma obrigação deste governo não deixar nenhuma ponta solta e resolver tudo que for possível antes de transferir o cargo e as altas responsabilidades. Sei que você Juliano acompanhou junto a bancada do PDT e ao governo todo o trabalho destes 8 anos e não quer fechar a conta na mínima ou com a perspectiva de terra arrasada em virtude do resultado eleitoral. Penso que os vereadores fazendo jus ao trabalho desenvolvido por eles e a coolaboração da SMC inclusive no tema da conservação da Câmara, compreender o nosso esforço para desenvolver e conceber a nova casa de cultura. 

Na minha modesta opinião não é pouca coisa ter o debate na área cultural consolidado e bem resolvido sobre isto, um projeto arquitetônico pronto para licitar inclusive e a captação bem encaminhada com o MINC. 



A comissão da sociedade civil - tirada na Audiência pública, que apoia o projeto representa todas as áreas culturais e isto não é pouca coisa. Também penso que não dá para fechar o governo e jogar todo este ótimo trabalho fora. Penso e sei que você compreende isto que é uma questão de estado e que nenhum vereador pode se arrepender ou temer votar tal matéria...vai para o curriculo positivo de todos a constituição da Casa de Cultura Luis Brasil. Inclusive para o seu Juliano que foi candidato a vereador e que também debate as questões da cidade. 

Por fim, sobre o argumento das dividas e a situação da cidade penso que tem muito exagero nisto tudo. A crise econômica e de receita municipal não é somente local e quem acompanha tanto o noticiário quanto os bastidores como você sabe disto. Na cidade, tanto o Semae como o Hospital e a Saúde e etc, tem solução e não será a Casa de Cultura que vai impedir isto ou aquilo de ser resolvido...é um subterfúgio ruim falar disto desta forma...a eleição já acabou e está bem na hora de fazer gestão e a boa política para o interesse do povo e da cidade...e é por isto que não resumo nem sou conciso nesta discussão...porque temos aqui um debate por inteiro sobre a cidade no tema da casa de cultura luis brasil.

A CASA DE CULTURA LUIS BRASIL E A HISTÓRIA DA CIDADE: DIÁLOGOS COM JULIANO

Quanto a importância deste debate para a história da cidade tenho algumas notas para compartilhar, amigo Juliano Maciel. O debate na cidade acerca da utilização do Palácio Municipal (antigo prédio da PMSL) pode nos ajudar a recolocar a questão do patrimônio histórico de São Leopoldo e da importância da história da cidade para os seus habitantes e para a região e estado. Muitas cidades no Rio Grande do Sul, tem características culturais, sociais, políticas e econômicas marcantes. 

São Leopoldo é com certeza uma destas pois não há um item, dos citados antes, em que a sua contribuição na formação do estado e do país não seja considerado relevante. É por esta razão que além de São Leopoldo ser oficialmente o Berço da Colonização Alemã no Brasil, após um período de disputa com outras cidades que tinham esta pretensão, São Leopoldo tem relevante contribuição política e econômica com o Brasil. A futura Casa de Cultura Luis Brasil representa isto em alta dignidade, pois o prédio construído entre 1939 e 1941 é representativo de um período histórico em que São Leopoldo atingiu um auge econômico e cultural no estado. Após ser a segunda cidade mais importante e, mesmo, após a emancipação de Novo Hamburgo, São Leopoldo conservava um status político e econômico muito relevante na região metropolitana. O prédio da prefeitura municipal foi inaugurado com a presença do Presidente Getúlio Vargas. E a cidade era governada desde os anos 20 por um complexo político coordenado pelo PRR – Partido Republicano Riograndense que mais tarde foi sucedido pelo PTB, na redemocratização pelo PDT e em parte também pelo PT, haja vista a extrema importância dada por estas agremiações políticas a um estado forte e dirigente da economia e da sociedade. Além do trabalhismo – que conheces bem pelo teu PDT, o republicanismo e o positivismo são características muito presentes na matriz política e ideológica do RS. Ainda que possam discutir isto em outros detalhes é importante perceber que em São Leopoldo esta escola – ao contrário da liberal – e muitas vezes combinada com as formações religiosas católicas e luteranas com influência e protagonismo político, sempre esteve presente na vida pública desta cidade com assento na Câmara de Representantes e depois Vereadores e com forte participação na gestão pública. Pois bem, o prédio da Prefeitura Municipal – que sucedeu o prédio da Intendência Municipal, o qual você pode visualizar em retrato atrás do busto do Theodomiro Porto da Fonseca, na escadaria de entrada da antiga prefeitura, é representativo disto. Aproveito para dizer e citar que muitos prédios dos anos 10 e 20 do século XX são representantes deste período – e são quase a maioria dos prédios listados como patrimônio histórico com o objetivo de preservação e que podem contribuir em muito para o incremento do Turismo da cidade. 

Ou seja a história da cidade não pode ser tratada simplesmente como capítulos de livros e referências discursivas, mas deve ser preservada materialmente em seus prédios, documentos e narrativas. Aliás, neste tema nos orgulhamos muito de ter trabalhado com o Museu Histórico, na pessoa do historiador Márcio Linck, e com a Secretaria de Administração na reconstituição da Galeria dos Ex-Prefeitos, a qual por vontade e determinação do atual prefeito foi restaurada e reconstituída e encontra-se ao alcance dos nossos olhos no ainda Salão Nobre. O próprio prédio da antiga prefeitura sofreu algumas melhorias nestes 8 anos. Assim, o destino do Prédio da Antiga Prefeitura como Casa de Cultura é um símbolo importante para a história e a promoção cultural da cidade e dá efeito sim a preservação da história política. Merecendo em momento oportuno um belo memorial do prédio para conhecimento e dignificação desta história. O que talvez seja mais importante do que preservar o Gabinete do Prefeito como memorial deste prédio. A proposta apresentada pelo Ronaldo Teixeira – quando das nossas primeiras discussões sobre o destino do prédio, agora repetida pelo amigo Leandro Franciscus Zambrano e que você simpatizou, me parece desnecessária, haja visto que o Gabinete do Prefeito passou para o Centro Administrativo no seu sétimo andar e ainda não é um espaço que perdeu sua função original para ser dessubstancializado e relegado para a história. Talvez seja mais importante, em respeito aos ex-intendentes, ex-prefeitos e ex-administradores municipais completar a Galeria dos Ex-prefeitos com as imagens daqueles que faltam ali e quiçá com o resgate dos retratos à óleo originais que foram substituídos por força do descaso e da desatenção de algumas para com a história institucional da nossa cidade. Em outro momento posso tratar disto. Continuo o resto da argumentação depois.