quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lótus, Lembranças e Moranguinhos: Ontem foi um dia legal

Em meio a diversos afazeres e muitas atividades de trabalho e organização fui almoçar num restaurante tailandês que eu não conhecia em São Leopoldo. Eu passava na frente várias vezes e nunca entrava e ontem resolvi entrar. Se você lembrar bem, ontem foi um dia muito frio a ao meio dia estava chuvoso e nada confortável para andar por aí.

Bem eu fui no Lótus e acabei tendo aquelas boas lembranças que sempre me vem a cabeça quando me encontro em situações novas ou experiências boas. Talvez você que está me lendo tenha um mecanismo semelhante ao meu. Frente a uma experiência com bom registro outros bons registros vem à tona.

Sobre o restaurante eu posso dizer que gostei da comida, gostei do ambiente e não achei caro nem excessivo o preço pago pela refeição que fiz.

Também era um dia interessante por outro motivo. Fecharam três meses contínuos de participação no laboratório Coral e no Coral Municipal. Coisa que sempre quiz fazer e nunca fiz. Hoje me ocupa regularmente das 18:00 as 21:30 de todas as terças-feiras. E tive aquela sensação mágica definitiva: vou cantar o resto da minha vida. E nesse caso acho que não tem volta mesmo. Minha respiração está melhor, minha voz está melhor, parei de fumar de novo desde que comecei a cantar e tenho uma sensação por dois dias de muito oxigênio no cérebro. O que me levou a dizer para um colega que vou ter que cantar pelo menos três vezes por semana. Nas terças no ensaio, nas quintas e no sábado. Bem vou ter que ver melhor como preencher estas duas últimas agendas como e onde.

É também a mesma sensação que tive quando morava na casa do estudante e jogava futebol de campo três vezes por semana, faça chuva, faça sol, faça calor ou frio, tenha 30 ou duas pessoas para bater bola, a gente ia lá para o campo e jogava uma, duas e as vezes mais horas contínuas. A tal da endorfina. Bem, talvez o canto coral também gere algo semelhante a uma endorfina. Hoje não jogo futebol mais, por falta de tempo e espaço na agendinha do professor que não é mais estudante, nem desempregado, mas as vezes dá um ímpeto de fazer algo assim.

Mas estou enrolando vocês e acabei não entrando na lembrança.

Bem vou deixar para depois.

A pista é: Vou Cuidar dos Meus Moranguinhos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América

Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo.

Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.

Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.

Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles temível apenas para os tiranos,

Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.

Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque: opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.

Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.

Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.

Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.

Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.

Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.

Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.

Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.

Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação:

por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;

por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;

por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;

pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;

por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;

por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;

por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias;

por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;

por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.

Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós.
Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.

Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.

Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.

Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.

Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável.

Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.

Nós, Por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.

No Congresso em 04 de julho de 1776.

Nota: Tenho muita admiração por este texto. Me parece ser paradigmático e valer em forma e conteúdo como modelo de apresentação de razões. O escritor/relator dele, Thomas Jeferson, tinha extrema habilidade argumentativa e um acurado senso equilíbrio. Espero que meus alunos de política e filosofia política, nas poucas aulas em que trato disto, aproveitem. Na idade moderna a política conquista um espaço de discurso que antes não possuia. Mas é claro que tá cheio de político por aí que mal imagina o quão importante é para a qualidade da política e da democracia o simples dar razões para seus atos e decisões. Alguns falam ainda como parlapatões, sem senso de precisão e rigor argumentativo, sem clareza e muitaa vezes aos volteios retóricos. O texto que trago aqui é um exemplo de discurso ao ponto, no ponto e devidamente afinado.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ARTE, ABELHAS E LIBERDADE EM KANT

A rigor dever-se-ia chamar de arte somente a produção mediante liberdade isto é, mediante arbítrio que põe a razão como fundamento dê suas ações. Pois embora agrade denominar o produto das abelhas (os favos de cera construídos regularmente) uma obra de arte, isto contudo ocorre somente devido à analogia com a arte; tão logo nos recordemos que elas não fundam o seu trabalho sobre nenhuma ponderação racional própria, dizemos imediatamente que se trata de um produto de sua natureza (do instinto) e enquanto arte é atribuída somente a seu criador.

Immanuel Kant. Crítica da Faculdade do Juízo. Tradução Valério Rohden e Antônio Marques. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993, p. 149.

Bela passagem sobre a arte, publicada por Kant em 1790. Trata-se da terceira crítica onde o juízo de gosto é elevado ao grau máximo da racionalidade.

In memoriam ao meu Orientador de Bolsa de Iniciação Científica Dr. Valério Rohden – falecido em 2010.

domingo, 19 de junho de 2011

ABRA SUA MENTE: PENSE MAIS

Nunca estou pensando uma coisa só.

Sempre pensando em muitas coisas ao mesmo tempo e houve um tempo que eu me julgava maluco por causa disto. Fazia até segredo do fato de que estava fazendo diversas operações simultâneas na minha mente.

Em meio a discursos então nem se fala. Agora que comecei a cantar tive um consciência mais clara desta experiência. Eu cantando de olhos abertos pensando nas partituras, nas letras, nas notas e trocando com o olhar expressões com o público. Por mais concentrado que eu estivesse notei trocas. Assim, passei a meditar sobre o fato de que o pensar é um fluxo de diversos discursos.

O “discurso silencioso da alma” do amigo Platão, inimigo dos poetas, me fez pensar no sistema de idéias, ou nas constelações de idéias de que falam certos autores. Ora, fica claro que a hermenêutica tenta nos aproximar disto. Um convite para pensar sem as amarras do nosso tempo.

As vezes, pensando, me sinto um músico que escuta a sua composição com todas as notas de um arranjo. Como ao escrever isto agora. Por mais desorganizado que pareça este texto ele traz em si diversas camadas e linhas de raciocínio. Não tenho como derramar aqui toda a polifonia do meu pensamento. Penso na hipermídia, como penso também naquele percentual baixo que usamos da nossa capacidade mental. Einstein deveria ter uma noção disto. Temos a capacidade de dar andamento a paralelas de idéias num fluxo tal em que cada uma delas está no seu ritmo e tom próprio.

Assim, quando te disserem abra sua mente, entenda: pense mais, tenha coragem de pensar mais.

O foco é um exercício, é um começo.

Você deve ultrapassar a idéia enganadora de que só é possível pensar uma coisa só.

Não reprima sua mente.

Se reeduque e se exercite para pensar mais.

Não tenha medo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PIBID - APRESENTAÇÃO

Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid)

O programa oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de cursos presenciais que se dediquem ao estágio nas escolas públicas e que, quando graduados, se comprometam com o exercício do magistério na rede pública. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública. Com essa iniciativa, o Pibid faz uma articulação entre a educação superior (por meio das licenciaturas), a escola e os sistemas estaduais e municipais.

A intenção do programa é unir as secretarias estaduais e municipais de educação e as universidades públicas, a favor da melhoria do ensino nas escolas públicas em que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) esteja abaixo da média nacional, de 4,4. Entre as propostas do Pibid está o incentivo à carreira do magistério nas áreas da educação básica com maior carência de professores com formação específica: ciência e matemática de quinta a oitava séries do ensino fundamental e física, química, biologia e matemática para o ensino médio.

Os coordenadores de áreas do conhecimento recebem bolsas mensais de R$ 1,2 mil. Os alunos dos cursos de licenciatura têm direito a bolsa de R$ 350 e os supervisores, que são os professores das disciplinas nas escolas onde os estudantes universitários vão estagiar, recebem bolsa de R$ 600 por mês.

Podem apresentar propostas de projetos de iniciação à docência instituições federais e estaduais de ensino superior, além de institutos federais de educação, ciência e tecnologia com cursos de licenciatura que apresentem avaliação satisfatória no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Os estabelecimentos devem ter firmado convênio ou acordo de cooperação com as redes de educação básica pública dos municípios e dos estados, prevendo a participação dos bolsistas do Pibid em atividades nas escolas públicas.

Palavras-chave: Pibid, bolsa, iniciação à docência, estágio na escola pública

FONTE: http://portal.mec.gov.br

domingo, 5 de junho de 2011

O Problema do Pensamento: NOTA

É grande a tentação de respondermos a pergunta sobre o que é o pensamento com uma definição que o distingue da linguagem e da realidade. Esta tendência está instaurada na tradição filosófica desde muito tempo. E as coisas tem corrido bem com isto. Os setores se mantém distitntos e cabe apenas estabelecer as conexões adequadas e comprováveis. Mas tenho pensado nesta tendência à simplificação da questão do pensamento.