quinta-feira, 3 de junho de 2010

ISRAEL: O GROSSO E A MILITANTE IARA

Na última segunda-feira, dia 31 de maio de 2010, o dia amanheceu impactado com a notícia internacional de que o Estado de Israel havia atacado vários navios que carregavam mantimentos e ajuda humanitária para Gaza. Para quem não sabe ainda o território palestino localizado na Faixa de Gaza está sob sítio e restrições de entrada e saída a três anos por parte do estado de Israel simplesmente porque os eleitores de Gaza votaram e elegeram governantes associados ao Hamas.

Como alguns sabem o Estado de Israel faz um esforço tremendo para manter sob o seu domínio militar e seu controle econômico todos os territórios palestinos a sua volta. Em 2001 diversos parlamentares brasileiros se deslocaram para lá com o intuito de conseguir apoiar e auxiliar ao então Yasser Arafat (já falecido) a sair de uma situação de isolamento e cerco promovido pelo estado de Israel. Pois bem: não conseguiram.

De lá para cá - sob a vergonhosa proteção do voto e poder de veto dos EUA no Conselho de Segurança da ONU, os militares israelenses fazem e acontecem nos territórios palestinos. Assim aconteceu também no natal de 2008 quando aproveitando-se da transição de Busch para Obama eles promoveram massacres e bombardeios sobre o povo palestino. E esta covardia tem prosseguido.

No último domingo diversos barcos de bandeiras internacionais partiram de um porto na Turquia e de forma organizada estavam rumando para a faixa de Gaza quando foram atacados e tomados por militares israelenses. O saldo de feridos é grande, muitos presos e aproximadamente 19 mortos.

Pois bem, não é que tinha uma brasileira no grupo de um dos barcos. O nome dela é Iara Lee e ela é uma cineasta que milita em movimentos de cdefesa da paz e de resistência pelo mundo. Vou citar aqui o texto colocado na WIKIPEDIA:

"Iara Lee é uma produtora e cineasta brasileira, de ascendência coreana, radicada em Nova York.

Entre 1984 e 1989, foi produtora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em 1989 mudou-se para Nova York, onde fundou a empresa de multimídia Caipirinha Productions, com a finalidade de explorar múltiplas formas de expressão artística (cinema, música, arquitetura e poesia).

Entre suas obras estão os documentários Synthetic Pleasures (1995), que trata do impacto da alta tecnologia sobre a cultura de massas, Modulations (1998), sobre música eletrônica Seu projeto mais recente é Beneath the borqa, sobre as mulheres e crianças do Afeganistão.

Iara Lee é também militante pela paz e pelo diálogo entre civilizações.

Tem colaborado com várias iniciativas, incluindo a Campanha Internacional pela Eliminação de Bombas de Fragmentação, Conflict Zone Film Fund e o primeiro concerto da Filarmônica de Nova York na Coreia do Norte, em 2008.

Enquanto residia no Líbano, em 2006, Iara vivenciou os 34 dias de bombardeio israelense contra o país. A partir dessa experiência, criou a campanha Make Films Not War e, desde então, continuou a militar pela paz no Oriente Médio. Em 2008 Iara morou no Irã, onde apoiou diversos projetos de intercâmbio cultural com o Ocidente, voltados à promoção de relações pacíficas entre Washington e Teerã.

Iara Lee é membro do conselho da International Crisis Group e da National Geographic Society. É também conselheira da Pyongyang University of Science and Technology, na Coreia do Norte.
Em maio de 2010, participou da Flotilha da Liberdade, organizada pelo movimento Free Gaza, para levar uma de carga 10.000 toneladas de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e protestar contra o bloqueio imposto por Israel e Egito ao território."

É um breve curriculo dela, mas já dá uma idéia de o quanto e a quanto tempo ela anda envolvida com lutas pelo mundo contra certas coisas que envergonham a humanidade. Bem agora se sabe que ela foi deportada com mais 527 pessoas e, inclusive, que um jovem americano que estava a bordo foi morto pelas tropas israelenses. Em sua declaração mais recente após o episódio ela compara- dizendo "Foi um Apocalypse Now". Provavelmente lembrando os massacres e ataques das tropas americanas no Vietnâ que apareecm neste fime e em que mulheres crianças, idosos e qualquer um que estivesse pelo caminho era sujeito a levar tiros, bombas, apanhar, ser estuprado ou asassinado à sangue frio, com requintes de crueldade perversidade e desumanidade.

É a violência que bate à nossa porta. A violência que aparece pela tevê, que está nas capas de jornais e que assola toda a humanidade sem nenhuma mudança de padrão de tratamento ou conduta. Veja-se nas últimas semanas o que tem aparecido de notícia ruim e violenta e agora vem muitas com requintes de extrema crueldade.

Pois pasmem, ao pegar o meu ônibus para ir ao trabalho pela manhã assisti a um diálogo incrível que me fez entender a origem desta violência toda. Só pode ser na falta de juízo e na falta de paramêtros morais, ou naquilo que Freud chama de falso padrão de avaliação.

O motorista de ônibus - sim ele mesmo, fez um comentário que é a síntes do mundo em que nós estamos e que traduz literalmente porque como dizem as carolas, vovozinhas e eu agora: ESTE MUNDO ESTÁ PERDIDO.

Ao ouvir o comentário de uma passageira sobre o episódio, ela ali dizendo que: tu vê só a moça é brasileira e tal...ele responde que TOMARA QUE ELA FIQUE LÁ PARA NÃO VIR ENCOMODAR A GENTE AQUI.

Não preciso dizer mais nada.

O grosso está preocupadissimo esclusivamente com a paz dele e dos seus, mas não imagina que a paz dele um dia poderá depender da iniciativa humanitária de outros.

É um mundo cruel mesmo. E este senso comum se reproduz rapidamente.

Nós professores deveríamos estar sempre alerta contra esta tremenda insensibilidade e sem noção.

e Iara Lee é só uma militante...uma, entre milhares, de motoristas do ônibus para o futuro da humanidade que queremos.

Obrigado Iara Lee, por dedicar-se a lutar pela humanidade.

Da próxima vez que eu ouvir este papo grosso, vou dar uma bela puteada com classe no grosso de todo dia.

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