sexta-feira, 30 de abril de 2010

LULA IS NUMBER ONE

Não dá prá deixar de ficar feliz.

Lula na Time.

tão se mordendo de inveja...

e pior é que quanto mais eles tentam negar, derrotar, apagar ou rejeitar...mais LULA cresce e com sustentabilidade na realidade...

isso só significa que a OPOSIÇÃO CAIU NA DOXA...

NUMBER ONE....

rssss...

domingo, 25 de abril de 2010

CUBANOS NAS URNAS NESTE SÁBADO PASSADO

24 DE ABRIL DE 2010 - 14H12

Cubanos vão às urnas neste domingo em respaldo à revolução

A presidente da Comissão Eleitoral de Cuba, Ana Maria Mari, anunicou que espera uma presença massiva nas eleições para as Assembleias Municipais do Poder Popular (governos locais), que acontecem neste domingo (25). Segundo ela, a boa participação será parte da resposta do povo à campanha de difamação midiática contra a ilha. Mais de 8,4 milhões de cubanos, maiores de 16 anos, estão convocados a votar.

“Esta será a maior e mais contundente resposta de nosso povo à campanha desatada contra a revolução. E a maior demonstração de respaldo popular ao sistema político de Cuba”, disse Ana Maria, em entrevista ao Grama.

A eleição começará às 7h (horário local) deste domingo, em quase 30 mil pontos de votação. Entre os convocados, estão 325 mil jovens que poderão exercer seu direito ao voto pela primeira vez, após completarem 16 anos, a idade mínima exigida pela nação caribenha, que possui pouco mais 11,2 milhões de habitantes.

Caso os candidatos obtenham menos de 50% dos votos válidos emitidos, haverá segundo turno no domingo posterior, dia 2 de maio. Dessa eleição, sairão 15,9 mil delegados, que depois de selecionados nas urnas, permanecerão em seus cargos durante dois anos e meio, sem receber remuneração alguma.

Ao falar para os mais de 250 mil cubanos que trabalharão voluntariamente nesta que é a 14ª jornada eleitoral municipal, Ana Maria os convocou a atuar com apego à lei. “Que seu desempenho seja a todo momento ético, profissional, imparcial e que tenham atenção com cada eleitor, para que possam todos exercer seu direito”.

Entre os 34,7 mil inscritos à eleição nos 169 municípios na ilha, a presidente da comissão eleitoral destacou que 35,7% são mulheres. Segundo ela, 60,9% já são delegados atualmente e ¾ nasceram com a revolução. Ana Maria ressaltou que 41,3% dos candidatos são negros e mestiços e que 87,3% têm bacharelado ou formação universitária.

Como já é tradicional, a ilha utilizará pombos-correios como meio alternativo de comunicação durante as eleições. O mecanismo será muito importante em assentamentos, lugares afastados ou comunidades montanhosas, onde não haja perfeitas condições de comunicação tradicional, como a telefonia. O uso destas aves será coordenado pelas comissões eleitorais municipais.

Com Prensa Latina

NOTA: Por conta disto coloco o site de GRAMMA na minha barra de blogs ao lado.

ENTREVISTA DE YOANI SANCHEZ - CUBA BEM QUE MERECE ALGO MELHOR - MAS ESTA NÃO

25 DE ABRIL DE 2010 - 10H44
Repórter desmascara blogueira cubana Yoani Sánchez em entrevista

Ferrenha opositora do regime cubano, a blogueira Yoani Sánchez concedeu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamranium, na qual cai em contradição diversas vezes. Especialista em assuntos relacionados à ilha, ele conseguiu colocá-la contra a parede e expor a fragilidade dos argumentos da cubana. Veja abaixo.

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.

Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.

Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?

Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.

O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da "polícia política". Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.

Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.

Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.

Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um "capitalismo sui generis" em Cuba.

O incidente de 6 de novembro de 2009

Salim Lamrani - Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por "três robustos desconhecidos" durante uma "tarde carregada de pancadas, gritos e insultos". A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?

Yoani Sánchez - Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.

SL - O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de "golpes e empurrões", de "golpes nos nós dos dedos", de "enxurrada de golpes", do "joelho sobre o [seu] peito", dos golpes nos "rins e [...] na cabeça", do "cabelo puxado", de seu "rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido", dos "golpes [que] continuavam vindo" e "todas essas marcas roxas". No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?

YS - São profissionais do espancamento.

SL - Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?

YS - Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.

SL - Tem provas fotográficas?

YS - Tenho as provas fotográficas.

SL - Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?

YS - Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.

SL - Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.

YS - Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.

SL - A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.

YS - É minha escolha.

SL - No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora "não tem hematomas, marcas ou cicatrizes". A agência France Presseconta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título "Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente". O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora "não ficou ferida".

YS - Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.

SL - Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.

YS - O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que "me doeu aqui ou me doeu ali" é minha dor interior.

SL - Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de "sequestro no pior estilo da Camorra siciliana".

YS - Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.

SL - Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos e violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: "Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e o supercílio inflamados." Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.

YS - Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.

SL - A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.

YS - Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.

SL - Para impedi-los de participar do evento?

YS - A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.

SL - Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.

YS - Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.

SL - Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?

YS - Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinquenta anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.

SL - Então havia quatro homens no total, e não três.

YS - Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: "Yoani, entre no carro, você sabe quem somos." Respondi: "Não sei quem são os senhores." O mais baixo me disse: "Escute-me, voce sabe quem sou, você me conhece." Retruquei: "Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento." O outro me disse: "Entre, não torne as coisas mais difíceis." Então comecei a gritar: "Socorro! Sequestradores!"

SL - A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?

YS - Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.

SL - Qual era seu objetivo, então?

YS - Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.

SL - Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?

YS - As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois "sequestro" não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: "Não se metam, que são contrarrevolucionários!"

Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior.

SL - Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.

YS - Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.

SL - Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.

YS - Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.

SL - É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?

YS - Seu objetivo era radicalizar-me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.

SL - Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.

YS -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como "sangrenta repressão", por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar-me.

SL - No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: "o barco que faz água a ponto de naufragar". A senhora fala dos "gritos do déspota", de "seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem", e afirma que "naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufráfio [total]". São palavras muito fortes.

YS - Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.

SL - Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.

YS - Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário.

Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.

SL - Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.

YS - De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: "Socorro! Um sequestro!"

SL - Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.

YS - Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.

SL - A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?

YS - Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.

Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora.

Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.

SL - Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?

YS - Sim.

SL - Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.

YS - Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.

SL - Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.

YS - Não importa.


A Suíça e o retorno a Cuba

SL - Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o "paraíso europeu" para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?

YS - É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu status de residente permanente.

Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.

SL - O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.

YS - As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.

SL - Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.

YS - É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo.

Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.

SL - Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.

YS - Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois "apocalíptico" é um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.

SL - Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como "uma imensa prisão, com muros ideológicos". Os termos são bastantes fortes.

YS - Nunca escrevi isso.

SL - São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24 em 22 de outubro de 2009.

YS - O senhor leu isso em francês ou em espanhol?

SL - Em francês.

YS - Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.

SL - Quais eram essas palavras?

YS - "Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades." Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.

SL - Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?

YS - Eu não diria isso.

SL - Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.

YS - O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.

SL - Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um "capitalismo sui generis" em Cuba?

YS - Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da "mordaça", que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.

SL - O que isso quer dizer?

YS - Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.

SL - Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?

YS - É claro!

SL - Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.

YS - Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.

SL - Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.

Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?

YS - Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.

SL - Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel.

YS - É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.

SL - Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.

YS - Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.

SL - Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.

YS - Sim, mas é diferente.

SL - A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?

YS - Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.

SL - Deram-lhe alguma explicação?

YS - Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.


As sanções econômicas

SL - Então a senhora se opõe às sanções econômicas.

YS - Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.

SL - O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?

YS - Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.

SL - Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.

YS - O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.

SL - Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.

YS - Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou-se muito o exílio cubano.

SL - O exílio "histórico" ou os que emigraram depois, por razões econômicas?

YS - Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.

SL - Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.

YS - É a opinião deles. É assim.

SL - Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.

YS - São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.

SL - As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?

YS - São uma desculpa que leva à repressão.

SL - Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?

YS - O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.

SL - Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?

YS - Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.

SL - Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.

YS - Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.


Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama

SL - A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?

YS - Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.

SL - A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?

YS - É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.

SL - Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.

YS - Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que suscita mais polêmica. Venci na categoria "Internet". Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.

SL - A senhora não pode negar que o jornal espanhol El Paístem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.

YS - As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.

SL - Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?

YS - Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob's.

SL - E a tradução para 18 línguas?

YS - São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.

SL - Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade.

YS - Digo-lhe a verdade.

SL - O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?

YS - Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.

SL - Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que "são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente". É exatamente o que diz Washington sobre o tema.

O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?

YS - Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.

SL - Como a senhora chegou até Obama?

YS - Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.

SL - Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?

YS - Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.

SL - Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?

YS - Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.

SL - Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?

YS - Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.

SL - Mas ocorreu uma, não?

YS - Quando?

SL - Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.

YS - É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.

SL - A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?

YS - É difícil apontar um culpado.

SL - Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.

YS - Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.

SL - Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.

YS - Os confiscos ocorreram.

SL - É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.

YS - Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante...

SL - ...Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.

YS - Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.

SL - Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.

YS - É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.


Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência

SL - Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.

YS - Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.

SL - Mas qual é seu ponto de vista a respeito?

YS - Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.

SL - Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.

YS - É o que diz a propaganda política.

SL - Então não é verdade.

YS - Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.

SL - Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.

YS - É verdade.

SL - A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?

YS - Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.

SL - Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.

YS - Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.

SL - Mas os cinco não cometeram crimes.

YS - Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.

SL - A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.

YS - Sim.

SL - No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.

YS - É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.
SL - A senhora acha que se trata de um caso político?

YS - Para o governo cubano, é um caso político.

SL - E para os Estados Unidos?

YS - Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washigton. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.


O financiamiento dos dissidentes cubanos pelos Estados Unidos

SL - Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era "ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos". Acrescentou que "ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano".

Ele explica: "Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo".

YS - Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.

SL - Não creio que seja possível ignorar esta realidade.

YS - Por quê?

SL - O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.

YS: Não sei, mas...

SL - Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que "os Estados Unidos proporcionarão assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba."

A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: "O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba".

O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um "sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana". Entre as medidas previstas há um financiamento de 36 milhões de dólares para o "apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente".

O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, "até que a ditadura deixe de existir".

YS - Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?

SL - A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: "A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam."

YS - Bem...

SL - Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos "por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba".

YS - Não sei se...

SL - Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: "Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições". O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era "total e completamente lícita". Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos "não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar".

Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse informa que "os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas". A agência espanhola EFEmenciona os "opositores financiados pelos Estados Unidos". Quanto à agência de notícias britânica Reuters, "o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal". E eu poderia multiplicar os exemplos.

YS - Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.

SL - O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.

YS - Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas...

SL - Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.

YS - Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e...

SL - Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.

YS - Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.

SL - Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?

YS - Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.

SL - Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?

YS - As pessoas têm de ser economicamente autônomas.


SL - Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.

YS - Não gosto do termo "privatizar", pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.


Conquistas sociais em Cuba?

SL - É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?

YS - Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.

SL - Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.

YS - Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.

SL - Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da Unesco.

YS - Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.

SL - Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena.

"Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90... Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública."

Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.

YS - Bom, mas...

SL - A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário ingles The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.

YS - Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.

SL - Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.

YS - É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.

SL - Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?

YS - Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminosos para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.


Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração

SL - O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?

YS - É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.

SL - Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?

YS - Não gosto de ações violentas.

SL - Condena seus atos terroristas?

YS - Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.
SL - Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?

YS - Não sei.

SL - Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.

YS - É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.

SL - Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?

YS - É, efetivamente, um fator de incitação.

SL - A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?

YS - Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilização.

SL - Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.

YS - Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.

SL - Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.

YS - Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.

SL - Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?

YS - Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.

SL - É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.

YS - Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.

SL - As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais forte en nove países do continente pelo menos.

YS - Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.


Fonte: Rebelión, reproduzido por Opera Mundi

NOTA: Estou reproduzindo aqui a entrevista como foi posta no site VERMELHO.

Tava querendo mesmo uma abordagem diferente sobre Yani Sanchez.

terça-feira, 20 de abril de 2010

RAFAEL GALVÃO - SOBRE A ENTREVISTA DO GENERAL LEÔNIDAS PIRES GONÇALVES

"As vozes dos derrotados

Os senhores jornalistas, que se arvoram em defensores da liberdade e da democracia, tentando reescrever a história e inventando até — como a Época dia desses — que o Estadão resistiu à ditadura de 1964, deveriam ter um mínimo de vergonha na cara e se pronunciar contra um depoimento podre como o do ex-ministro e ex-chefe do DOI-CODI Leônidas Pires Gonçalves no Globonews, ontem à noite.

Eu fui um militante comunista. Sou stalinista, como lembra de sacanagem o Idelber. E tenho muito orgulho do que fui e do que sou. Como tenho muito orgulho da herança que me coube: a crença na capacidade de cada indivíduo de dar o melhor de si não apenas em benefício próprio, mas para melhorar, de alguma forma, o mundo.

É por isso que não admito que um sujeito ao menos indiretamente responsável por tantas mortes venha tentar jogar lama sobre a memória de brasileiros dignos e honestos como os tantos mártires deste país, que tiveram a coragem de lutar contra criminosos que subverteram a ordem política e institucional deste país e o arrastaram a um tempo excessivamente longo de miséria e obscurantismo.

Eu aprendi a respeitar brasileiros valorosos como Manoel Fiel Filho, como Maurício Grabois, que morreu ao lado do filho tentando recuperar o país que vocês nos roubaram. A respeitar os tantos homens e mulheres que morreram nas mãos de criminosos e torturadores que se diziam militares. Do meu ponto de vista, general, vocês fizeram o mesmo que assaltantes vagabundos fizeram: mas em vez de facas e revólveres vocês usaram tanques. Não há diferença, na essência: um assaltante qualquer rouba dinheiro; vocês roubaram um país e as vidas de centenas de brasileiros.

Quando você vem a público, e tem a desfaçatez de afirmar que Vladimir Herzog se suicidou, você desrespeita a memória de um homem que foi assassinado covardemente pelo regime do qual o senhor fazia parte — um assassinato tão covarde que vocês sequer tiveram a coragem de assumir a porcaria que fizeram. Quando tem a falta de vergonha de chamar os exilados de fugitivos, chamando-os indiretamente de covardes, você desrespeita qualquer noção de civismo neste país. Quando chama as indenizações aos torturados de “bolsa-ditadura”, você mostra o seu desprezo pelas próprias noções de justiça e dignidade.

Em determinado momento, com o descaramento que só velhos ultrapassados que já detiveram muito poder podem demonstrar, você perguntou aos técnicos presentes se seus pais tinham sido presos. E depois acrescentou: se foram presos é porque tinham feito alguma coisa.

Com outras palavras, o general chamou de criminosos, puros e simples, todos aqueles que tiveram a coragem de se levantar contra a opressão.

Pois o meu pai foi preso pelo seu regime, general. E você não ouse chamá-lo de criminoso, porque você não tem moral para isso. Ele tinha apenas 17 anos, e o seu crime foi escrever uma coluna sobre sindicatos no jornal. Foi preso por pessoas como você, sub-humanos que não merecem ser chamados de gente escondidos sob fardas militares, pessoas cujas mentiras só podem ser ouvidas hoje em dia porque a gente acaba tendo que compactuar com uma mídia ruim como essa; é o preço que pagamos pela democracia que vocês tentaram destruir e que, graças ao sacrifício desses que você hoje chama de criminosos, conseguimos recuperar.

O meu consolo, e o consolo de todos aqueles que vêm Leônidas Pires falar as besteiras que quer — talvez com a condescendência de que apenas velhos senis podem usufruir, mas que não é devida a nenhum integrante da ditadura militar –, é que no fim das contas nós ganhamos a guerra. Entendeu, general? Vocês perderam. Resta ao general de pijama Leônidas o peso de saber que foi a sua geração que destruiu o Exército Brasileiro, que o colocou em um patamar imoral e abaixo do papel histórico que ainda poderia cumprir. Foram vocês que transformaram soldados em torturadores e desgraçaram por muito tempo uma instituição nacional importante.

E por isso, senhor general, o senhor é apenas um derrotado com as mãos sujas. Morra com isso na sua consciência."

DO BLOG DO RAFAEL GALVÃO

É um bom ataque a desfaçatez.

CONSCIÊNCIA E SER SOCIAL EM KARL MARX

Não é a consciência que determina o ser, mas, ao contrário, é o ser social que determina a consciência."

Karl Marx

Prefácio à "Contribuição à Crítica da Economia Política"

Parece uma gota de filosofia abandonada em meio a uma costura teórica sobre o modo de produção da vida material.

Mas tem mais filosofia nesta gota de água do que em milhares de páginas que lemos por aí.

Vou escrever bem mais sobre isto.

Hoje deixo só a referência inicial.

Para não esquecer.

Ser social

Ser social

Quem é você?

domingo, 18 de abril de 2010

GITÁ - RAUL SEIXAS E PAULO COELHO

Eu que já andei
Pelos quatro cantos do mundo
Procurando
Foi justamente num sonho
Que Ele me falou

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado...

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar...

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o mêdo de amar...

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou..

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição...

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada...

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar...

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim...

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor...

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo...

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão...

Euuuuuu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Euuuuu sou o início
O fim e o meio
Euuuuu sou o início
O fim e o meio...

PS.: Uma grande homenagem a todos aqueles que acreditam em uma Sociedade Alternativa a esta que está aí. Que querem ser felizes e deixar ser feliz e aos meus amigos do coração que tem construído comigo nos últimos 32 anos um mundo melhor para todos. Aos meus alunos que me entendem, apesar de não conocordarem comigo e que eu respeito muito. E a minha amiga orkie Patrícia Lessa que sem saber me lembrou quem eu sou.

Que o espírito de Raul nos proteja e nos desafie a sermos mais criativos e mais felizes sempre.

domingo, 11 de abril de 2010

A REGRA DO JOGO - Texto de Claúdio Abramo sobre jornalismo

Cláudio Abramo
A regra do jogo -- O jornalismo e a ética do marceneiro

Organização e edição: Cláudio Weber Abramo
Prefácio: Mino Carta

Companhia das Letras
(1988, 4ª reimpressão 1998)

[...]
Uma grande tragédia do jornalismo brasileiro é o papel extremamente grave que desempenham alguns jornalistas irresponsáveis, em nome de uma independência ilusória, que eles não têm. Esses jornalistas pesam muito porque veiculam coisas sem verificar, mentem, fazem afirmações absolutamente gratuitas. E isso é muito grave num país como o Brasil, em que os jornais não têm meios de aferir imediatamente se aquilo que está sendo publicado é verdade ou não; freqiientemente, não se dão a esse trabalho. Assim, transformam-se em cúmplices desses jornalistas. Os jornalistas irresponsáveis – que são muitos, no Brasil, e em grande parte estimulados por alguns jornais – são hoje responsáveis por uma grande parte da desfiguração das noções sobre o mundo contemporâneo. Eles são responsáveis pela falsificação da realidade, colaboram com isso. São como as novelas de TV, que harmonizam todos os conflitos.

É muito nefasta a influência desses jornalistas, que de outra forma traba1havam bem – alguns até trabalharam comigo e não se permitiam certas coisas. Se mandassem uma matéria com algum tipo de irresponsabilidade, eu logo dizia: “Olha aqui, ô vigarista, você está pensando o quê? Vai escrever isso no país em que você mora, não no meu jornal”. Eu não permitiria coisas como li um dia na matéria de um correspondente, que escreveu que um banqueiro não identificado 1he teria dito que o Brasil deveria vender a Petrobrás. O jornal não deve publicar uma coisa séria como essa, a não ser que se dê o nome do banqueiro. Sem o nome, a informação não tem valor algum, ainda mais que a opinião é, na verdade, de quem escreve. No momento em que o jornal aceita isso, transmite aos repórteres a mensagem de que eles podem fazer o que quiserem.

O duro é que a irresponsabilidade está passando para a sociedade. Caso se pare o carro numa esquina à procura de uma rua, o sujeito que está atrás já mete a mão na buzina – isto é, todo mundo cobra do seu semelhante, em vez de cobrar do sistema e do regime. É o sistema capitalista que provoca as injustiças, as inadequações, as desigualdades, mas ninguém cobra do sistema e sim do seu semelhante. É a redução clara do nível de combate: o que deveria ser um combate coletivo transforma-se em pequenas refregas individuais. E uma culpa muito grande quanto a isso cabe aos jornalistas irresponsáveis.

Esse tipo de atitude é possível, de um lado, pela permissividade dos jornais; e, de outro, pela criação de um círculo de dependências mútuas. O jornal fica dependente do sujeito e vice-versa. Estabelece-se uma corrente de cumplicidade que não pode mais ser interrompida, o que é extremamente perigoso para o público. Por causa do exemplo desses jornalistas, o jornalismo virou um exercício de ataques gratuitos: o que mais se vê é alguém atacar o outro sem explicar por quê. [...]

NOTA: Este texto cabe aqui par diferenciar o tipo de combate que devemos travar com certas idéias e os seus representantes. Claúdio Abramo já tinha morrido em 1988 quando alguns alunos resolveram publicar as suas entrevistas de forma organizada como um livro. É que ele havia sido mestre de redação e editor de muitos dos maiores jornalistas da história do Brasil entre 1950 e 1985 em dois dos maiores jornais paulistas e do Brasil. Se dependesse dele alguns dos títulos destes mesmos jornais hoje não sairiam. Mas.....

UM TiJOLAÇO NO SERRA - TEXTO DE BRIZOLA NETO

Do blog Tijolaço, de Brizola Neto
.

"Li boa parte de seu discurso, senhor José Serra. Talvez eu seja hoje o que o senhor foi, na minha idade, quando era um jovem, que presidia a União Nacional dos Estudantes e apoiava o Governo João Goulart no Comício da Central. Quando o senhor defendia o socialismo que hoje condena, o patriotismo que hoje trai, o desenvolvimento autônomo do Brasil do qual hoje o senhor debocha.

O senhor, como Fernando Henrique, é útil aos donos do Brasil – sim, Serra, o Brasil tem donos, poque 1% dos brasileiros mais ricos tem o mesmo que todos os 50% mais pobres – porque foi diferente no passado e, hoje, cobre-se do que foi para que não lhe vejam o que é.

O símbolo do Brasil que não pode mais, que não pode ser mais como o fizeram.

Não pode mais o Brasil ser das elites, porque nossas elites, salvo exceções, desprezam nosso povo, acham-no chinfrim, malandro, preguiçoso, sujo, desonesto, marginal. Têm nojo dele, fecha-lhe os vidros com película para nem serem vistos.

Não pode mais ser o país das elites, porque nossas elites, em geral, não hesitam em vender tudo o que este país possui – como o senhor, aliás, incentivou fazer – para que a “raça superior” venha aqui e explore nossas riquezas de maneira “eficiente” e “lucrativa”. Para eles, é claro, e para os que vivem de suas migalhas.

Não pode mais ser o Brasil dos governantes arrogantes, como o senhor, que falam de cima – quando falam – que empolam o discurso para que, numa língua sofisticada, que o povo não entende, negociem o que pertence a todos em benefício de alguns.

Não pode mais ser o país dos sábios que, de tão sabidos, fizeram ajoelhar este gigante perante o mundo e nos tornaram servos de uma ordem econômica e política injustas. O país dos governantes “cultos”, que sabem miar em francês e dizer “sim, senhor” em inglês.

Não pode mais ser o país do desenvolvimento a conta-gotas, do superávit acima de tudo, dos juros mais acima de tudo ainda, dos lucros acima do povo, do mercado acima da felicidade, do dinheiro acima do ser humano.

O Brasil pode hoje mais do que pôde no governo do que o senhor fez parte.
Pôde enfrentar a mais devastadora crise econômica mundial aumentando salário, renda, consumo, produção, emprego quando passamos décadas ouvindo, diante numa crise na Malásia ou na Tailândia que era preciso arrochar mais o povo.

Pôde falar de igual para igual no mundo, pôde retomar seu petróleo, pôde parar de demitir, pôde retomar investimentos públicos, pôde voltar a investir em moradia, em saneamento, em hidrelétricas, em portos, em ferrovias, em gasodutos. Pôde ampliar o acesso à educação, ainda que abaixo do que mereça o povo, pôde fazer imensas massas de excluídos ingressarem no mundo do consumo e terem direito a sonhar.

Pôde, sim, assumir o papel que cabe no mundo a um grande país, líder de seus irmãos latinoamericanos.

O Brasil pôde ser, finalmente, o país em que seu povo não se sente um pária. Uma país onde o progresso não é mais sinônimo de infelicidade.

É por isso, Serra, que o Brasil não pode mais andar para trás. Não pode voltar para as mãos de gente tão arrogante com seu povo e tão dócil aos graúdos. Não pode mais ser governado por gente fria, que não sente a dor alheia e e não é ansiosa e aflita por mudar.

Não pode mais, Serra, não pode mais ser governado por gente que renegou seus anos mais generosos, mais valentes, mais decididos e que entregou seus sonhos ao pragmatismo, que disfarça de si mesmo sua capitulação ao inimigo em nome do discurso moderno, como se pudesse ser moderno aquilo que é apoiado pelo Brasil mais retrógrado, elitista, escravocrata, reacionário.
Há gente assim no apoio a Lula e a Dilma, por razões de conveniência-político eleitoral, sim.

Mas há duzentas vezes mais a seu lado, sem qualquer razão senão a de ver que sua candidatura e sua eleição são a forma de barrar a ascenção da “ralé”. Onde houver um brasileiro empedernidamente reacionário, haverá um eleitor seu, José Serra.

Normalmente não falaria assim a um homem mais velho, não cometeria tal ousadia.

Mas sinto esta necessidade, além de mim, além de minha timidez natural, além de minha própria insuficiência. Sinto-me na obrigação de ser a voz do teu passado, José Serra. É um jovem que a Deus só pede que suas convicções não lhes caiam como o tempo faz cair aos cabelos, que suas causas não fraquejem como o tempo faz fraquejar o corpo, que seu amor ao povo brasileiro sobreviva como a paixão da vida inteira. Que o conhecimento, que o tempo há de trazer, não seja o capital de meu sucesso, mas ferramenta do futuro.

Vi um homem, já idoso, enfrentar derrotas eleitorais e morrer como um vitorioso, por jamais ter traído as idéias que defendeu. Erros, todo humano os comete. Traição, porém, é o assassinato de nós mesmos. Matamos quem fomos em troca de um novo papel.

Talvez venha daí sua dificuldade de dormir.

Na remota hipótese de vencer as eleições, José Serra, o senhor será o derrotado. O senhor é o algoz dos seus melhores sonhos".

NOTA: Achei incrível este texto. Somando-se ao discurso da Dilma de ontém são dois textos que mostram que não vai faltar o que dizer para derrotar o Serra. Só importando que seja dito e que não calem a nossa voz. Brizola Neto responde bem ao desafio histórico. Só lamento que o PDT não se aliou ao PT aqui no RS. Porque infelizmente boa parte do PMDB daqui vai de Serra, pelas mesma razões que Brizola Neto aponta contra ele: trata-se do que o Brizola Vô chamava de entreguismo.

DILMA E O DISCURSO NO ABC PAULISTA - NO DIA EM QUE SERRA LANÇA SUA CANDIDATURA DILMA VISITA A REGIÃO QUE LANÇOU LULA PARA A LUTA POLÍTICA

O discurso de Dilma

Companheiros e Companheiras do ABC.

Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:

1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.

2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;

3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.

4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.

5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.

6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.

Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.

Companheiras e companheiros,

Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.

Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.
Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.

Com a força do povo e a graça de Deus.

terça-feira, 6 de abril de 2010

SOBRE O ATAQUE A DEMOCRACIA E AO GOVERNO EM SÃO LEOPOLDO

Como FILÓSOFO ou aprendiz de tal coisa, honrando minha escola, meus mestres e a racionalidade crítica, não posso me calar frente ao que ocorre em minha cidade.

Por força de liminar o prefeito é obrigado a demitir todos os CCs e FGs que ocupam cargos de chefia, direção ou assessoramento. E a razão disto é a velha controvérsia bizantina sobre os conceitos de atribuições e funções que ocupa parte do judiciário em ser mais realista que o rei ou em determinar a forma de um mundo ideal a partir de uma abordagem moralista que serve-se da legalidade para promover e preservar seus próprios privilégios.

Para quem acha que estou forçando a barra recomendo a leitura das leis que dispõem sobre cargos em comissão no sistema judiciário. Todas sem exceção com diversas portas de ingresso a bacharéis em direito, sem concurso público e em número considerável. Pergunto: quem são eles? E qual o seu critério de seleção? A confiança pessoal auto-proclamada que não passa sequer pelo inquérito da opinião pública, seja por eleição democrática, seja por fiscalização de outros que não seus próprios pares.

O resultado é um golpe contra a democracia de São Leopoldo.

O mais incrível deste golpe contra a democracia de São Leopoldo é os covardes - derrotados na última eleição e que governaram a cidade por 18 anos - virem à público elogiar um abuso e uma desmedida do judiciário. Qualquer um que conhece a história de São Leopoldo, as Leis e o que estavamos fazendo por aqui sabe disto. Os torpes, os grosseiros triunfam em nome de uma decisão judicial sem mérito e que agora forçosamente se encaminha para o absurdo consagrado pela impunidade auto-conferida no Poder Judiciário.

Um exemplo disto é a discussão sobre se determinada unidade ou posto de serviço público precisa de chefe ou diretor. Ora, nenhuma empresa, nenhum órgão público pode depender exclusivamente da boa vontade do empregado ou servidor público, simplesmente porque o próprio servidor não assume nenhuma responsabilidade para além das suas atribuições de concurso para a qual foi selecionado. Nenhum funcionário trabalha para além do seu horário ou assume papel na hierarquia de governo sem ser delegado e remunerado para tal.

É um absurdo prejudicar uma cidade inteira com uma desmedida que parte de um pressuposto que desconhece o serviço público e as estruturas de governo que nele existem.

O judiciário deu uma liminar com a grandeza e o alcance desta sem posição de mérito.

É a supremacia de um poder a partir do puro formalismo e que se impõe sobre dois outros poderes o Legislativo e o Executivo sem nenhuma mediação pública. Já faz algum tempo que eu penso que o Judiciário deveria ser obrigado a dar razões junto a esfera pública sobre suas decisões. Não sou favorável, em nenhuma hipótese de constrangimentos ao judiciário, mas também não creio ser aceitável constrangimentos aos demais poderes. Todos devem ser fiscalizados e devem ser passíveis de um julgamento racional na esfera pública, senão precisamos de uma revolução francesa para botar as muitas coisas em seus lugares.

Não priorizo aqui nesta discussão o nosso cargo, o nosso partido ou o nosso projeto, ainda que o devesse por uma razão aceitável e com bons e excelentes resultados a justificá-los.

Mas com uma medida sem cabimento, fica prejudicada uma obra inteira que vem sendo realizada com muito êxito em São Leopoldo e só não vê quem "não lava os zoio de manhã cedo" como já disse uma funcionária pública para mim.

É puro exibicionismo de poder do Judiciário que passa a fazer papel de partido político na falta de um prócer à altura contra este projeto

Os gregos diziam que existem os inteligentes expertos e os inteligentes judiciosos.

Os primeiros abusam da inteligência em benefício próprio, enrolam, traman engodos e ludibriam as pessoas com suas proezas retóricas e falácias, são malandros e sofistas e fazem a festa na terra dos cegos.

Os segundo corrigem e produzem juízos que limitam os abusos, são os judiciosos, aqueles que tem inteligência e juízo.

Pois bem, a justiça deveria cumprir o papel dos últimos e corrigir os pretensiosos e os que abusam da razão, da inteligência e da boa-fé do povo.

Mas no nosso caso cumpre o papel dos primeiros, porque se alia aqueles que ludibriaram durante muitos anos a minha pólis, e ainda por cima todos eles os judiciosos possuem salários aviltantes e que afrontam um professor, um cidadão e um eterno aluno como eu e você.

Veja o último aumento deles concedido aqui no estado com a poio da desgovernadora e da maioria dos deputados - notícia da última quinta-feira 31/03/2010, o teto subiu de 22,4 mil para 24,4 mil, e ao fim e ao cabo cada um deles ganhou mais que um salário de professor de reajuste. E você sabe que os professores receberam apenas 6% parcelado sobre um básico que é menor que o salário mínimo, e que há discussão no Judiciário para impedir a implementação do Piso Salarial Nacional.

Se alguém, por fim, vier dizer que eu não respeito a justiça está errado.

Penso que sem justiça não há razão.

Porque a razão se não for justa não tem juízo.

Agora JUSTIÇA na pode vir só de algumas cabeças de minerva selecionadas num sistema social, econômico e político desigual como o nosso.

É UMA VERGONHA ISTO.

domingo, 4 de abril de 2010

O HOMEM UMA INVENÇÃO RECENTE - MICHEL FOUCAULT

"Uma coisa em todo caso é certa: é que o homem não é o mais velho e nem o mais constante problema que se tenha colocado ao saber humano (...)

O homem é uma invenção cuja recente data a arqueologia de nosso pensamento mostra facilmente. E talvez o fim próximo.

Se estas disposições viessem a desaparecer tal como apareceram, se, por algum acontecimento de que podemos quando muito pressentir a possibilidade, mas de que nesse momento não conhecemos ainda nem a forma nem a promessa, se desvanecessem, como aconteceu, na curva do século XVIII, como solo do pensamento clássico — então se pode apostar que o homem se desvaneceria, como, na orla do mar ( na beira do mar, n.m.), um rosto na areia".

Michel Foucault. As Palavras e as Coisas

NOTA DO BLOG - Sempre me lembrarei de uma aula magistral do Professor Balthazar sobre filosofia moderna que ia desaguar em Descartes e as Ilusões da Razão, em que ele inicia no primeiro dia do curso com esta citação (sem a fonte) gerando na mente dos pupilos um sei-lá-o-quê . Todods embasbacados porque julgavam que o professor era um racionalista de primeira linha e de repente ele nos tasca com esta gigantesca ignorãncia do homem sobre si mesmo.

Mais tarde se descobriu de onde vinha esta expressão "o homem é uma invenção recente" em que ele emendava dizendo que a razão humana mal ocupa-se de si mesma ainda em menos de 300 anos.

À época a expressão nos suscitou um problema básico de epistemologia: então o que é que Sócrates queria dizer com o conhece-te a ti mesmo. Mais tarde fui entender que não é de uma antropologia que se fala aí não. Ecce Homo.

O problema é que antes de tematizar um homem como problema a nossa episteme tratou mais de Deus e da Natureza. E mesmo após o século de Descartes que marca o surgimento do homem como ocupação e tematização filosófica me pareec que ainda estamos engatinhando nesta questão.

E não disse mada aqui sobre As Palavras e as Coisas de Michel Foucault obra na qual esta passagem é suas últimas e derradeiras linhas conclusivas, que merece mais atenção hoje, não pela originalidade, mas por seus extraordinários efeitos em ciências sociais e outras epistemes.


Agora Chega.

Avant les infants

A CRISE SEGUNDO EINSTEIN

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos.

A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias.

Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções.
A verdadeira crise é a crise da incompetência.

O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito.

É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."


Albert Einstein

ARTIFÍCIO INTELECTUAL - GILBERT RYLE

"O único tipo de artifício intelectual que pode induzir em nós a aprendizagem de qualquer lição de filosofia é similar ao que as vezes experimentamos quando nos é dito, por exemplo, que nosso velho e familiar peso para papéis foi em tempos idos o fio de uma lança utilizado por um guerreiro pré-histórico. Algo totalmente ordinário chega, por um momento, a carregar-se de história. Um simples peso para papéis se converte por um momento em uma arma mortífera. Porém, isso é tudo."

Gilbert Ryle - Dilemmas

sem comentários, é claro....

NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS - ANÁLISE DE VLADIMIR POMAR

31-Mar-2010

"É verdade que, no Brasil, a década de 80 do século passado foi marcada por grande mobilização social e política, dando surgimento ao Partido dos Trabalhadores, levando ao fim o regime ditatorial e permitindo a livre organização partidária, inclusive dos comunistas. Mesmo através de uma transição negociada, o país assistiu a uma ampliação dos direitos políticos inédita em sua história.

Historicamente inédito também foi o fato de que partidos socialistas, como o PT, começaram a lançar candidatos a prefeituras, vencendo eleições e sendo empossados. Pela primeira vez na história do Brasil, as classes dominantes se viam constrangidas a ver partidos socialistas e comunistas compartilhando não apenas o aparato legislativo do Estado, mas também o aparato governativo ou executivo.

Apesar disso, a suposição de que o PT poderia eleger um operário para a presidência da República parecia uma utopia irrealizável. Em 1988, quando se colocou a possibilidade de Lula ser lançado candidato à presidente, nas primeiras eleições diretas pós-regime militar, a idéia de que seria possível vencer era quase minoria de um na direção do PT.

Alguns intelectuais, que posteriormente aderiram ao tucanato, consideravam que o máximo que se poderia almejar seria uma candidatura para marcar posição. Para eles, o PT estava fadado a ser um partido de eterna oposição. Entre os demais, por outro lado, a maioria não acreditava que Lula sequer fosse para o segundo turno. Para muitos, foi um susto quando isso ocorreu. Depois, foram precisos mais 12 anos para que a suposição de eleger um operário presidente se tornasse realidade.

De qualquer modo, a experiência de um governo federal democrático e popular no Brasil também é inédita. Experiências de governos municipais e estaduais, eleitos pelo PT e outros partidos socialistas e comunistas podem ser úteis, mas não conseguem suplantar todos os problemas a serem enfrentados numa experiência nacional desse tipo. Em tais condições, é natural que o primeiro mandato tenha sido de natureza diferente do segundo mandato do governo Lula.

No primeiro mandato, a preocupação em não assustar o sistema financeiro internacional, nem a burguesia, se sobrepôs a todas as demais preocupações. Além disso, o desconhecimento da máquina governamental, a existência de um quadro complexo de alianças com setores da burguesia e um certo deslumbramento com o poder (do mesmo modo que na esquerda crítica, a esquerda que está no PT também tem gente que acredita haver chegado ao poder) conduziram a uma série de medidas e ações que causaram desgastes, alguns profundos, na base política de sustentação do novo governo.

Amplos setores da classe média não entendiam, nem aceitavam, serem penalizados, ao invés do sistema financeiro, para financiar os programas de transferência de renda para os mais pobres. Boa parte da militância e de simpatizantes do PT ficou estarrecida quando viu crescerem, no "mercado", os boatos sobre negócios pouco lícitos, envolvendo figuras petistas de proa, assim como "aliados".

Esses e outros procedimentos conduziram às derrotas eleitorais de 2004, à eleição do deputado Severino para a presidência da Câmara e aos escândalos que a oposição conservadora e a mídia chamaram de "mensalão", em 2005. É ilusão supor que a burguesia tenha estado alheia a todo esse processo e, inclusive, ao desencadeamento da própria crise.

A burguesia vislumbrou na defensiva do governo em relação a ela e ao sistema financeiro, na perda de apoio de setores consideráveis da classe média e na adoção, por algumas figuras petistas, dos métodos burgueses ilícitos de fazer política, uma oportunidade única de liquidar o PT como alternativa de governo e de poder, e de cortar as chances de Lula ser reeleito para um segundo mandato.

A idéia de que o PT estava "acabado" e, junto com ele, o governo Lula, foi o mote principal de toda a grande imprensa, assim como de uma parte da chamada esquerda, de dentro e de fora do partido. A burguesia tinha certeza de que estava dando o golpe de misericórdia. E, em seu açoitamento, adiantou o cronograma da crise, radicalizou o discurso e as ações, colocou o PT e o governo na parede, incentivou a cisão da extrema esquerda e deu como favas contadas que a experiência de um partido socialista no governo terminaria com um naufrágio completo.

Sem entender a natureza massiva e de classe do PT, a burguesia custou a se dar conta de que ela estava contribuindo para uma certa "limpeza" nos quadros partidários que adotaram os métodos patrimonialistas de fazer política, e para empurrar o partido e o governo para posições de maior enfrentamento com os setores conservadores e reacionários da sociedade. Ou, como dizem alguns, para fazer com que Lula e o PT fizessem inflexões à esquerda.

O PT e o governo Lula superaram a crise porque a militância, há algum tempo dada como morta, tanto pela burguesia quanto por alguns próceres do próprio partido, entendeu a questão central em jogo e se mobilizou, mesmo não tendo compreendido todos os aspectos e problemas envolvidos na crise. O governo foi reorganizado, com o afastamento dos principais envolvidos na crise.

Tão ou mais importante do que isso, o governo deu passos consistentes para tratar da questão do crescimento econômico, que havia se transformado em tabu para os neoliberais e continuava amedrontando setores do partido e do governo. Ambos acreditavam, e ainda continuam acreditando, a exemplo dos diretores do Banco Central, que crescimento causa, inevitavelmente, inflação.

Desconsideram que são os desequilíbrios entre oferta e demanda, e entre produção material e meios de pagamento, ou recursos monetários, que pressionam os preços e causam inflação. De qualquer modo, ao colocar para fora certo número de patrimonialistas e ingressar no processo de crescimento, o governo Lula ajustou seu discurso de combate e venceu a eleição de 2006. Algo que também nunca antes ocorrera na história deste país."

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O PERIGO DAS IDÉIAS - CIORAN

"Em si mesma, toda idéia é neutra ou deveria sê-lo; mas o
homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências;
impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a
forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está
consumada...

Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.
Idólatras por instinto, convertemos em incondicionados os objetos de nossos sonhos e de nossos interesses.

A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável.

Mesmo quando se afasta da religião, o homem
permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros
de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo. Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o
que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam.

Não há intolerância, intransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o
fundo bestial do entusiasmo. Que perca o homem sua faculdade
de indiferença: torna-se um assassino virtual; que transforme
sua idéia em deus: as conseqüências são incalculáveis. Só se
mata em nome de um deus ou de seus sucedâneos: os excessos
suscitados pela deusa Razão, pela idéia de nação, de classe ou
de raça são parentes dos da Inquisição ou da Reforma.

As épocas de fervor se distinguem pelas façanhas sanguinárias.
Santa Tereza só podia ser contemporânea dos autos-de-fé e
Lutero do massacre dos camponeses. Nas crises místicas, os
gemidos das vítimas são paralelos aos gemidos do êxtase...
Patíbulos, calabouços e masmorras só prosperam à sombra de
uma fé – dessa necessidade de crer que infestou o espírito para
sempre.

O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma
verdade, de sua verdade. Somos injustos com os Neros ou com
os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram
apenas sonhadores degenerados que se divertiam com os
massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem
uma ortodoxia no plano religioso ou político, que os distinguem
entre o fiel e o cismático" (E.M. Cioran, 1995, p. 11-12).

in: CIORAN, E.M. Genealogia do fanatismo. In: CIORAN, E.M. Breviário de decomposição. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.

VAI PRO CAPÍTULO ESPECIAL SOBRE A PERICULOSIDADE DAS IDÉIAS

Never, Never Gonna Give You Up

Se eu tivesse um inimigo de morte, um adversário eterno...

Se eu fosse um personagem de filme do Tarantino....

Se eu gostasse por demais de fazer alguma coisa...

Se eu fosse sacrificar toda a minha vida por uma determinada causa...

Por uma questão de honra...

Se eu fosse um fanático bitolado....

Se eu fosse um qualquer desvairado...

Se eu fosse um a mais no riscado...

Eu cantaria para você....

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

Never, Never Gonna Give You Up

FOR YOU...

Barry White

IMBATÍVEL....

quinta-feira, 1 de abril de 2010

RESUMO DO PAC 2 - PLANEJAMENTO, INVESTIMENTO E DESENVOLVIMENTO

O BRASIL VAI CONTINUAR CRESCENDO

1. PAC - CIDADE MELHOR (57,1 BILHÕES)

1.1. SANEAMENTO (22,1 BILHÕES)
1.2. PREVENÇÃO DE ÁREAS DE RISCO (11 BILHÕES)
1.3. MOBILIDADE URBANA (18 BILHÕES)
1.4. PAVIMENTAÇÃO ( 6 BILHÕES)

2. PAC – COMUNIDADE CIDADÃ (23 BILHÕES)*

2.1. UPA – UNIDADES PRONTO ATENDIMENTO (2,6 BILHÕES)
2.2. UBS – UNIDADES BÁSICAS SAÚDE ( 5,5 BILHÕES)
2.3. CRECHES E PRÉ-ESCOLAS ( 7,6 BILHÕES)
2.4. QUADRAS ESPORTIVAS NAS ESCOLAS (4,1 BILHÕES)
2.5. PRAÇAS DO PAC (1,6 BILHÕES)
2.6. POSTOS DE POLÍCIA COMUNITÁRIA (1,6 BILHÕES)

3. PAC – MINHA CASA MINHA VIDA (278,2 BILHÕES)*

3.1. MINHA CASA MINHA VIDA ( 71,7 BILHÕES)
3.2. FINANCIAMENTO SBPE (176 BILHÕES)
3.3. URBANIZAÇÃO ASSENTAM. PRECÁRIOS (30,5 BILHÕES)

4. PAC - ÁGUA E LUZ PARA TODOS (30,6 BILHÕES)

4.1. LUZ PARA TODOS (5,5 BILHÕES)
4.2. ÁGUA EM ÁREAS URBANAS (13 BILHÕES)*
4.3. RECURSOS HÍDRICOS (12,1 BILHÕES) )*

5. PAC – TRANSPORTES (109 BILHÕES)

5.1. RODOVIAS (50,4 BILHÕES)
5.2. FERROVIAS (46 BILHÕES)
5.3. PORTOS ( 5,1 BILHÕES)
5.4. HIDROVIAS (2,7 BILHÕES)
5.5. AEROPORTOS (3,0 BILHÕES)
5.6. EQUIPAMENTOS PARA ESTRADAS VICINAIS (1,8 BILHÕES)*

6. PAC – ENERGIA ( 1.092,6 TRILHÃO)

FIZ ESTE RESUMO QUANTITATIVO DO PAC 2.

É LEGAL COLOCAR AQUI, PRINCIPALMENTE POR CAUSA DAS INFORMAÇÕES E DO QUE VIRÁ POR AÍ SE ELE FOR CONCRETIZADO NOS PRÓXIMOS 4 A 6 ANOS.

Vou pontuar aqui, em seguida, alguns dos programas dos EIXOS 1, 2 & 3 que me parecem de extrema importância para entender aonde este Programa de Aceleração do Crescimento pode nos levar com todo o povo brasileiro e todos os municípios brasileiros.

Porque o que mais me chama atenção são os números propostos para cada um dos projetos em unidades instaladas e a comparação disto com o o uso de um critério de classificação do número de cidades brasileiras segundo o número de habitantes (critério proposto pelo nosso Prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi)

Com o objetivo de atender principalmente os municípios com menos de 50 mil habitantes - que representam 32% da população, mas que são 4.866 municípios num universo de 5.564 municípios de todo o Brasil, ou seja 87,45 dos municípios administrativamente organizadaos do país, com Executivo e Legislativo Municipal, mas que nem sempre possuem e possuiam estrutura administrativa, técnica e política em condições de buscar projetos do PAC 1. E é por isto que o PAC 1 foi extraordinário mas teve um limite na interiorização do desenvolvimento o que pode ser superado agora, principalmente com os projetos em asterisco acima que devem interiorizar Saúde da Família, Educação Infantil, Saneamento e Habitação para todos os municípios com menos de 50 mil habitantes.

Neste tema temos Três Grandes Grupos de Municípios Brasileiros:


A FONTE PARA TODAS AS INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS SOBRE O PROGRAMA É: www.presidencia.gov.br

O UNIVERSO ESTÁ SE EXPANDINDO - WOODY ALLEN

Entro com frequência nos meus blogs preferidos( ali ao lado) e estes dias ao entrar no blog encontrei um vídeo no youtube de um filme que inteiro me provoca muita alegria e sei lá o que mais toda vez que vejo.

Não sei se você já viu Noivo neurótico, noiva Nervosa (Annie Hall, 1977 - de Woody Allen, premiado com três Oscars, Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original), mas eu já vi varias vezes e continuo olhando com uma frequência alargada, nem sempre, nem todo dia, quase como algo sagrado que deve ser visto como um ritual de descoberta, pois toda vez que vejo ele tenho boas idéias e boas idéias a gente não pode ter todos os dias, senão deixam de ser boas idéias.

Pois bem a passagem do Vídeo é aquela logo na abertura quando ele começa falando que é isso e aquilo e que nasceu no Brooklin, eteceteraetal .

Vou transcrever o diálogo que me interessa para as aulas de filosofia em que muitas vezes observo tendências ao desânimo e a depressão nos meus alunos e alunas como se o mundo fosse acabarem instantes e eles estão presos ali em abstrações. na minha opinião o diálogo que me interessa faz o caminho inverso, pois veremos um menino condicionado pelo absoluto.

voi-a-lá

Após algumas explicações o personagem interpretado por Allen afirma:

ALVY: Até fui um garoto bastante feliz. Cresci no Brooklyn, durante a segunda guerra mundial...

Abre-se a cena em que um menino ruivo de uns dez anos, de óculos de fundo de garrafa como diríamos é observado por sua mãe. Afundado no sofá com um olhar para lugar nenhum, com as mãos cruzadas sobre o cinto daquelas calças de escolar cuja bainha - aborrecidamente - sempre fica acima da canela e deixa as meias brancas vizíveis. É uma cena trivial da infância de muitos homens: mamãe te leva ao médioc para pedir ajuda com algum comportamento seu. As vezes é na casa do vovô, as vezes é na sala do diretor da escola.

A mãe sentada ao lado começa a falar olhando na direção de um médico de meia idade com cara de sabujo em pé na sala a observar o aluno.

MÃE: Ele tem andado deprimido.
De repente, não consegue fazer nada

O DOUTOR sabijo em pe´com um cigarro entre os dedos fixa o olhar em Alvy e pergunta:
Porque está deprimido, Alvy?

A MÃE: Diz ao doutor Flicker!
Foi uma coisa que ele leu.

DOUTOR: Ah, uma coisa que ele leu?

ALVY: O universo está se expandindo.

DOUTOR: O universo está se expandindo?

ALVY: O universo é tudo!
Se está a se expandir, qualquer dia arrebenta.
E aí é o FIM DE TUDO! (afirma o menino com aquele olhar arrasado e deprimido.)

MÃE: O que você tem a ver com isso?
(olhando para o Dr.)
Ele parou de fazer os deveres de casa!

ALVY: Prá quê?

MÃE: O que tem o universo a ver com isso?
Você está aqui no Brooklyn!
O Brooklyn não está se expandindo!

DOUTOR: Vai se expandir ainda durante bilhões de anos, Alvy!
E temos que tentar nos divertir enquanto estamos aqui, heim Alvy?
HA HA HA HA HA HA

PS.: É uma abordagem interessante das neuroses. Já conhecida aliás. Divirta-se mais, deixa disso e aproveita esta vida.