quarta-feira, 31 de março de 2010

"COMAM BRIOCHES"

É só o que falta aos magistrados e altos salários dizer frente aos professores que ganham menos que o reajuste concedido a eles ontém na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Bem que podia rolar uma revolução francesa de novo, para acabar com a nobreza atual e semear um pouco de terror nas classes dominantes e elites bem aquinhoadas pelo poder cartorial do estado.

Tinham um teto salarial de R$ 22,8 mil que agora passa a ser de R$ 24,8 mil.

autre chose, messier

Um pouco de radicalidade sempre faz pensar...

ENQUANTO ISSO 2% PARA DEZEMBRO...

DIGNIDADE E RESPEITO AOS PROFESSORES ESTADUAIS

terça-feira, 30 de março de 2010

MOISÉS E O MONOTEÍSMO

Este título nos remete ao título de uma obra de Sigmund Freud que possui dois inconvenientes.

"Não desejo suscitar convicção; desejo estimular o pensamento e derrubar preconceitos."

(Freud, 1916-1917, Conferências Introdutórias sobre Psicanálise)

De uma lado, é uma obra tardia de Freud, escrita e elaborada entre 1934 e 1938, ou seja, ele conclui esta obra um ano antes de morrer em Londres (setembro de 1939) e ela é, portanto, póstera a todo o desenvolvimento da psicanálise e também ao tratamento pessimista e aterrador da crise da cultura posto em palavras e orações críticas em O mal estar da civilização de 1930.

Sendo assim, é uma obra não recomendável para quem não conhece o pensamento de Freud ou não frequentou algumas páginas de fundamentação e explicitação da teoria da psicanálise que ele vinha desenvolvendo desde 1880, na sua relação com Breuer e as suas pacientes fundamentais para sua experiência de elaboração científica. Eu mesmo escrevo este texto com um sentimento de insegurança em relação a minha compreensão, mas vou aqui desfiando minhas idéias numa tentativa de aproximação deste complexo tema e texto.

Dito isto, é uma obra tardia, com a desvantagem de ser também uma obra cuja compreensão é dependente de mais psicanálise do que parece à primeira vista e, também, de mais história e pesquisa. É uma obra de reflexão com a audácia de um gênio que avança sobre um domínio sagrado e quase inexpugnável. Uma obra que trata de um tema quase indemonstrável pelos parâmetros científicos racionalistas e positivistas. Por isso um autor considera que o raciocínio de Freud nela é abdutivo, nem indutivo nem dedutivo. Isto é, um raciocínio que tira algo do nada, como um passe de mágica, ou iluminação ou de um quase nada e insignificante traço característico de que Moisés está no Egito 100 anos após uam determinada doutrina ter sido testada e repousado nos escaninhos exotéricos dos palácios dos próximos dos faraós egípcios que sucederam Akhenaton.

Fora isto, é preciso considerar ainda, a descomunal e gigantesca compreensão de Freud sobre a cultura e a tradição ocidental, incluso a sua origem em ruptura lá no Egito, através da libertação dos judeus que Moisés protagoniza como lider espiritual, estrategista político e profeta grandioso.

Nada neste ensaio de Freud pode ser tratado como só palavras e palavras. Vejo nele toneladas de idéias, algumas incluso insuportáveis para a compreensão geralmente rasa que temos de temas como a religião, as raças, culturas e processos históricos de desenvolvimento das civilizações que sempre trazem consigo uma face angelical e uma contraface demoniaca. (de daimon)Isto é , que sempre trazem consigo aquilo que ele vai chamar de um Totem e um tabu. Assim, temos aí um fenômeno religioso encobrindo também um fenômeno antropológico e cultural.

Outro inconveniente que se segue disto é, então, a grandeza do tema e a corajosa abordagem dele protagonizada por Freud. Que enfrenta de mancheia a tradição judaica sacralizada e a tradição historiográfica consagrada sobre os judeus. Disso se seguiu um conjunto grandioso de críticas ao texto de Freud, onde a voz dos especialistas e dos cultuadores se ecoou ao ponto do texto ser pouco abordado e ter bibliografia interpretativa escassa.

Ao contrário de outros comentadores não vejo grande culpa aí num Freud judeu, mas sim num Freud que ousa abordar talvez um dos maiores episódios de fundação de religiões. E faz isto ao fim da vida. Tudo se passa como se ele tivesse que ter esperado todo este tempo para fazer este acerto de contas com sua própria tradição e quiçá - com toda a tradição ocidental como assim me parece ser o caso.

E aqui eu não vejo somente o Judaísmo em seus fundamentos, vejo também o Islamismo e o cristianismo. Afinal o monoteísmo aí é fundacional também de outras religiões o que aponta para a grandeza e a latitude do empreendimento freudiano. Que, na minha visão impressionada, desperta para um tema maior que o da tradição judaica. No título de Freud isto aparece como O Homem Moisés e a Religião Monoteísta ( Der Mann Moses und die monotheistische Religion). A saber o tema do homem na história. Sim senhor. O tema da açõa de um indivíduo na história. Aquele tema que na historiografia tradicional é o tema dos heróis, dos homens ou grandes personagens, mas que na nossa abordagem aqui pode ser considerado provisoriamente como o tema da medida das lideranças e do reconhecimento que elas conseguem obter em suas vidas. Incluso aí, aquilo que elas conseguem fazer em meio à tensa dialética da aceitação eda recusa de sua liderança, suas propostas e objetivos.


A coragem é conhecida pelo fato de Freud ousar dizer duas coisas sobre Moisés que são aparentemente imperdoáveis - como todo ato de coragem é na sua origem e horizonte aliás - primeiro dizer que Moisés é egípcio, ou seja, um egípcio que lidera a libertação dos judeus, segundo dizer que o monoteísmo é uma derivação ou influência (duas palavras carregadas de teoria por sinal) originada da doutrina de Akhenaton - cujo único Deus Aton interrompe durante certo tempo, uma doutrina egípcia zoomórfica, animista e politeísta. Nenhuma grama do que é dito aqui é simples ou é só ísmo.

Na aula de Filosofia (2n1 - 29/03/2010) usei este tema como chave para tratar de dois pares de possíveis perdições filosóficas, a saber, o DOGMATISMO E O RELATIVISMO, ou seja a crença de que há uma só verdade ou a crença de que cada um tem a sua - simplória e resumidamente apresentadas.

Porque havia um fantasma no ar desde a discussão da aula passada de que - por exclusiva responsabilidade minha - não há uma só verdade e que atrás de uma pergunta vem outra ad infinitum o que para todos os efeitos me leva a uma investigação sem respostas e a um trololó sem fim. E isto me deixou pensando por três dias sobre como desembaraçar as idéias desta armadilha da razão que nos leva a sermos incapazes de avançar na reflexão e ao mesmo tempo nos tira a esperança de obter respostas e avançar no conhecimento.

A idéia de usar a figura de Moisés como pedra de toque no ataque ao problema do Relativismo e do Dogmatismo, me foi suscitada num diálogo com a Regina que já havia tratado de Moisés em virtude da sua aula de religião ou ER que abordava a razão de ser da Páscoa. nada como uma ex-catequista e exímia matemática para desafiar a minha lógica e a minha reflexão). Como vocês sabem (sic) a Páscoa é uma data de comemoração judaica sobre a fuga dos Judeus do Egito. E esta foi liderada por Moisés. Na minha analogia trata de nós promovermos uma saída deste dilema filosófico do relativismo e do dogmatismo que é um dilema que nos deixa prisioneiros ou do Sono dogmático da Razão ( como diria Kant) ou de um vale tudo que não vale nada.

Eu comentei que Moisés é sim um personagem de muito respeito afinal tem mais proeza na vida de Moisés - na minha opinião - tem mais enredo, trama e surpresas extraordinárias do que em muitos outros mitos, histórias de heróis ou personagens da literatura. Moisés é um dos maiores - senão o maior personagem da civilização ocidental.

Eu desconfio que é o personagem seminal - o pai de todos - aquele que dá o impulso original e virtuoso para a nossa história ocidental. Nem vou enumerar aqui os sucedidos dele - recomendo até umas reeleituras da Bíblia para tal.

Continuo depois....

domingo, 28 de março de 2010

GOETHE - O DESAFIO

Antes do compromisso,
há hesitação, a oportunidade de recusar,
uma ineficácia permanente.

Em todo ato de iniciativa (e de criação)
há uma verdade elementar
cujo desconhecimento destrói muitas idéias
e planos esplêndidos.

No momento em que nos comprometemos de fato, a
Providência também age.
Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar,
coisas de outro modo nunca ocorreriam.

Toda uma cadeia de eventos emana da decisão,
fazendo vir em nosso favor todo tipo
de encontros, de incidentes
e de apoio material imprevistos, que ninguém
poderia sonhar que surgiriam em seu caminho.

Começa tudo o que possa fazer,
ou que sonhas poder fazer

A ousadia traz em si o gênio, o poder e a magia.

Johann Wolfgang von Goethe

"O FRACASSO LHE SUBIU À CABEÇA" PITTY

"O fracasso lhe subiu à cabeça" (Pitty) ótima esta também....

Porque todo mundo acha que o poder sobe à cabeça, e sobe à cabeça de muitos. mas também o fracasso faz isto. Sobe à cabeça e deixa a pessoa cega para certos aspectos. Sempre notei que é difícvil para nós seres humanos nos auto-observarmos de uma perspectiva maior. Criar uma perspectiva crítica e verdadeira sobre si mesmo é um bom caminho para escapar às tolices triviais e aos delírios de grandeza que acometem tanto os bem sucedidos quanto os fracassados.

É um exemplo importante a ser observado na vida cotidiana. E nos surpreendemos de tal modo que vemos fracassados com a firme convicção de que estão bem, muito bem segundo sua própria opinião e até felizes.

Eles se auto elogiam e dizem que estão assim porque querem ou que são mais livres que os outros que se submetem de alguma forma àquilo que o sistema ou a máquina quer deles. São livres sim. Alguns não tem patrões, nem chefes, nem esposas, nem filhos nem irmãos se metendo na vida deles.

Quando vejo esta cena no meu meio.

Quando presencio alguém com um discurso de comiseração ou de simplória acomodação ao insucesso, corro o mais rápido que posso na direção oposta por acreditar que isto até é ou pode ser meio contagioso.

Mas já vi cenas muito tristes a partir deste FRACASSO QUE SOBE À CABEÇA....

É este só um pequeno pequeno comentário, antes de apontar que no meu blog tem texto novo.

BOM DOMINGO

quarta-feira, 24 de março de 2010

CIÊNCIA BRASILEIRA DEVE DAR UM PASSO À FRENTE - MAIS INVESTIMENTO E OUSADIA

Tenho diferenças em relação a algumas abordagens tradicionais.

A ciência que nós queremos e precisamos não poderá ser somente produto do êxito individual deste ou daquele pesquisador. Deve ser uma ciência fomentada pelo estado e pela sociedade de forma assumida e comprometida, já na escolas fundamentais e médias.

Toda vez que falam em excelência vejo algo às avessas: a reciprocidade dos afins. Poucos tratam excelência por ser capaz de ser diverso.

A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão deve ser abandonada. É apenas um princípio econômico de tentar fazer mais com menos. Não vai dar certo no final. Alguns dos maiores gênios da ciência não tinham e não terão nunca a menor habilidade para ensinar ou tentar ensinar 30, 20 ou 10 alunos enfarados pela rotina da pseudo academia.

Precisamos de pesquisadores, investigadores e de um investimento mais intenso sobre o desconhecido. A ciência brasileira é muito boa, mas poucos se encontram em condições de avançar sobre o desconhecido.

Existem as panelinhas, mas também existe a lei do menor esforço: porque expor seu departamento a uma surpresa se você pode apostar naquele discípulo conhecido e comprovado da tradição local ou próxima.

Penso que um grande desafio é fazer um levantamento público de todos os cérebros ou quadros disponíveis e propor algon no sentido de criar condições de engajamento e reengajamento na pesquisa, no ensino ou na extensão. Um plano de uns dez anos pode surtir um efeito extraordinário. Mas é preciso inventar e ter ousadia para sair do modelo tradicional.

Nós não teremos os resultados que queremos sem um empenho e um esforço coletivo, o que inclui aí todas as instituições públicas e privadas que podem ser beneficiárias diretas ou indiretas disto.

Penso que este é parte do desafio colocado na articulação macro entre ciência e educação que deve superar a pauta mistificadora de um sonho pelo futuro e a pauta economicista do fazer mais com menos.

Potencial científico nós temos.

Então é só avançar mais.

Por fim, penso que as idéias de Dilma respondem a este grande desafio.

domingo, 21 de março de 2010

ECONOMIA E INVESTIMENTOS PÚBLICOS: CONTRA A FALÁCIA DOS LIBERAIS E DOS CONSERVADORES SOBRE O DEFICIT ZERO -

James Galbraith: em defesa dos déficits públicos

Um programa de forte redução do déficit pública destruiria a economia dos Estados Unidos em dois anos de crise. A fobia de déficit de Wall Street, da imprensa, de alguns economistas e praticamente de todos os políticos é um dos perigos mais profundos que enfrentamos. Não são apenas os velhos e doentes que estão ameaçados; todos nós estamos. Pois cortar o déficit atual sem antes reconstruir a engrenagem do sistema de crédito privado é um caminho certo para a estagnação, para um segundo mergulho na recessão - e mesmo para uma segunda Grande Depressão. A análise é de James Galbraith.

James Galbraith - The Nation

A Comissão Simpson-Bowles (1) acabou de dizer, através de seu presidente, que irá indubitavelmente atacar o Social Security e o Medicare, com as vestes da retórica farisaica da redução do déficit. (De volta aos seus dias de “ecologista”, o ex-senador Alan Simpson tomou parte assiduamente nos cortes da Seguridade Social). O congelamento nos gastos de Obama é outro sacrifício simbólico aos deuses do déficit. A maior parte dos observadores acredita que esse congelamento não aumentará e espera-se que eles estejam certos. Mas quais seriam as consequências econômicas caso aumentasse? A resposta é que um programa de grande redução do déficit destruiria a economia, ou o que resta dela, dois anos adentro da Grande Crise.

Por essa razão, a fobia de déficit de Wall Street, da imprensa, de alguns economistas e praticamente de todos os políticos é um dos perigos mais profundos que enfrentamos. Não são apenas os velhos e doentes que estão ameaçados; todos nós estamos. Pois cortar o déficit atual sem antes reconstruir a engrenagem do sistema de crédito privado é um caminho certo para a estagnação, para um segundo mergulho na recessão - e mesmo para uma segunda Grande Depressão. Focar obsessivamente no corte de déficit futuro também é um caminho que obstruirá, não assegurará, aquilo de que precisamos fazer para restabelecer crescimento forte e aumento no emprego.

Para falar cruamente, há duas maneiras de se obter crescimento com investimentos, que chamamos de “crescimento econômico”. Uma maneira é o governo gastar. A outra, os bancos emprestarem. Deixando de lado os ajustes de curto prazo, como o aumento das exportações líquidas ou da inovação financeira, basicamente é disso que se trata. Governos e bancos são duas entidades com poder de criar algo do nada. Se é para a capacidade de investimento aumentar, um ou outro desses grandes motores financeiros – déficit público ou empréstimos privados – tem de entrar em ação.

Para as pessoas comuns, déficits orçamentários públicos, a despeito de sua má reputação, são muito melhores do que empréstimos privados. Déficits põem dinheiro nos bolsos privados. Os lares passam a ter mais dinheiro, livre e limpo, e podem gastar como quiserem. Se quiserem, também podem convertê-lo em ganhos com fundos públicos ou podem voltar a honrar suas dívidas. Isso se chama um aumento do “patrimônio financeiro líquido”. As pessoas comuns se beneficiam, mas não há aí nada para os bancos.

E é isso, em termos mais simples, o que explica a fobia de Wall Street, da mídia corporativa e dos economistas de direita. Banqueiros não gostam de déficit fiscal porque ele compete com os empréstimos bancários como fonte de crescimento. Quando um banco faz um empréstimo, o equilíbrio das contas em mãos privadas também aumenta. Mas agora o dinheiro não é de propriedade livre e limpa. Há uma obrigação contratual de pagar juros e de honrar a dívida principal. Se o empreendimento quebra, talvez haja um ativo a ser executado – uma casa ou uma fábrica ou companhia – que então vai se tornar propriedade do banco. É fácil de ver por que os banqueiros amam o crédito privado e odeiam os déficits públicos.

Tudo isso deveria ser dolorosamente óbvio, mas é profundamente obscuro. É obscuro porque legiões de defensores dos interesses de Wall Street – notavelmente dirigidos pela Fundação Peter Peterson e seu linha de frente, o ex-contador geral David Walker, e inclusive a ala Robert Rubin (2) da direita do partido democrata e numerosos empreendimentos “bipartisans”, como a Coalizão Concord e o Comitê para um Orçamento Federal Responsável – têm trabalhado vigorosamente para gerar confusão nessas questões. Esses espíritos nunca dizem uma única palavra de alerta frente à crise financeira, a qual se originou em Wall Street, sob os narizes de seus idiotas. Mas eles alertam sempre, um tanto falsamente, que o governo é um “super subprime” um “Esquema Ponzi”, coisa que ele não é.

Também escutamos dessas mesmas pessoas a mesma cantilena sobre a “bancarrota” da Seguridade Social e do Medicare – inclusive até do próprio EUA. Ou o fardo da dívida pública vai “se impor sobre nossos netos”, ou algo como “dívidas sem fim” estão supostamente diante de nós. Tudo isso faz parte de uma das maiores campanhas de desinformação de todos os tempos.

A desinformação está enraizada no que muitos consideram o senso comum mais elementar. Pode ser visto como sabedoria caseira, especialmente, dizer que “assim como a família, o governo não pode viver além de suas possibilidades”. Mas governo não é como família. Nessas questões, os setores privado e público diferem em pontos muito básicos. Sua família depende de renda para honrar suas dívidas. Seu governo, não.

Devedores privados podem quebrar e quebram. Eles vão à bancarrota (uma proteção que as sociedades civilizadas lhes permite, em vez de aprisionar devedores). Ora, se eles têm uma hipoteca, em muitos estados eles podem simplesmente sair de suas casas, caso não possam mais continuar a pagar por ela.

Com o governo, o risco de inadimplência não existe. Governos gastam dinheiro (e pagam juros) simplesmente ao digitar números num computador. Diferentemente de devedores privados, os governos não precisam ter dinheiro em mãos. Como o inspirado economista amador Warren Mosler gosta de dizer, a pessoa no Tesouro que assina os cheques da Seguridade Social não tem o número de telefone do coletor de impostos no IRS [Internal Revenue Services]. Se você resolver pagar impostos em dinheiro, o governo lhe dará um recibo – e depois picota a conta. Como é a fonte do dinheiro, o governo não pode fugir.

É verdade que o governo pode gastar imprudentemente. Gastos demais, livres de custo, podem levar à inflação, frequentemente via depreciação da moeda – embora com o mundo em recessão não haja um risco imediato. O gasto perdulário – em aventuras militares desnecessárias, digamos – queima as fontes reais de recursos. Mas governo algum pode jamais ser levado à inadimplência em moeda que ele mesmo controla. Moratórias públicas ocorrem unicamente quando governos não controlam a moeda na qual suas dívidas são avaliadas – como a Argentina tinha dívidas em dólar ou como a Grécia agora (que ainda não decretou a moratória) deve em euros. Mas, para soberanias de verdade a bancarrota é um conceito irrelevante. Quando Obama diz, mesmo de improviso, que os EUA estão “sem dinheiro”, ele está dizendo uma coisa sem sentido – um nonsense perigoso. Fico me perguntando se ele acredita nisso.

A dívida pública tampouco é um fardo para as gerações futuras. Ela não tem de ser paga de novo e, na prática, jamais o será. Dívidas pessoais geralmente são contraídas durante a vida do devedor ou na sua morte, porque uma pessoa não pode incumbir outra facilmente. Mas o débito público nunca tem de ser pago de novo. Os governos não morrem – exceto na guerra ou em revoluções; e quando isso acontece, suas dívidas geralmente são em todo caso irrelevantes.

Então a dívida pública só aumenta de um ano para o outro. Em toda a história dos Estados Unidos tem sido assim; com orçamentos deficitários e aumento do gasto público em tudo, salvo em seis curtas ocasiões – com superávits que se seguiram à recessão. Longe de ser um fardo, essas dívidas são o fundamento do crescimento econômico. Obrigações do governo sustentam a renda líquida do setor privado, diferentemente das dívidas puramente privadas, as quais meramente transferem a renda de uma parte do setor privado para outro.

Nem é que os juros sejam uma ameaça à solvência. Uma projeção recente do Center on Budget and Policy Priorities, com base nas declarações do Congressional Budget Office – Gabinete encarregado de fazer análises orçamentárias para o Congresso estadunidense], é de que o pagamento de juros da dívida pública chegará a 15% do PIB em 2050, com um déficit do total para o PIB na casa dos 300%. Mas isso não pode acontecer. Se os juros fossem pagos a pessoas que então gastariam em bens e serviços e na criação de empregos, seria como qualquer outro gasto público. Pagamentos de juros tão enormes afetariam a economia tanto como a mobilização para a Segunda Guerra Mundial. Muito antes de você chegar sequer perto dessas proporções assustadoras, você teria pleno emprego e inflação crescente – puxando o PIB para cima e, em troca, estabilizando a relação dívida PIB. Ora, o Federal Reserve iria estabilizar o pagamento de juros simplesmente mantendo as taxas de juro de curto prazo em índices (por ele controlados) muito baixos.

E quanto à gratidão aos estrangeiros? É verdade, os estrangeiros nos fazem um favor ao comprar nossos títulos da dívida. Para adquirí-los, a China deve exportar bens a nós, sem contrapartida de importações equivalentes. Isso é um custo para a China. É um custo que Beijing está preparado para pagar, com base em suas próprias razões: exportar produtos industrializados promove o aprendizado, a transferência de tecnologia e a melhora da qualidade do produto; eles promovem a criação de empregos para imigrantes do outro lado do país. Mas isso é assunto dos chineses.

Para a China, os títulos eles mesmos são um tesouro estéril. Há quase nada que Beijing possa fazer com eles. A China já importa todas as commodities e maquinaria e aeronaves que pode usar – e se quisesse mais, compraria agora. Então, a menos que a China mude sua política de exportação, seu estoque de títulos da dívida só vai seguir crescendo. E nós vamos pagar juro sobre ele, não com esforço real, mas digitando números em computadores. Não há fardo algum associado a isso, nem agora nem depois. (Se os chineses acumulassem os juros, eles também não ajudariam muito na criação de empregos aqui. Então, o fato de que estaríamos comprando muitos bens da China significa simplesmente que teremos de ser mais imaginativos e audaciosos, se quisermos criar todos os empregos de que necessitamos). Finalmente, a China poderia se desfazer de seus dólares? Em princípio, poderia, substituindo os títulos da dívida grega pela americana e euros supervalorizados por dólares baratos. Refletindo ligeiramente pode-se ver que nenhum burocrata de Beijing provavelmente considerará esse um movimento inteligente.

O que é verdadeiro para o governo como um todo também o é para alguns programas em particular. O Social Security e o Medicare são programas governamentais; eles não podem ir à bancarrota e não podem fracassar em honrar suas obrigações, salvo se o Congresso decidir – digamos, seguindo a recomendação da Comissão Simpson-Bowles – cortar os benefícios que esses programas oferecem. O exercício de vincular vantagens futuras e de projetar rendimentos com a redução dos encargos trabalhistas é uma explicação farsesca, dada em função de razões políticas. Essa farsa foi iniciada por FDR [Frank Delano Roosevelt],como uma maneira de proteger o Social Security dos cortes. Mas se tornou uma maneira de criar ansiedades inúteis quanto a esses programas e de evitar reformas necessárias, como a expansão do Medicare para aqueles que têm mais de 55 anos, ou mesmo para toda a população.

O Social Security e o Medicare são programas de transferência de renda. O que eles fazem principalmente é movimentar recursos na nossa sociedade num dado tempo. A principal transferência não se dá do jovem para o velho, pois mesmo sem o Social Security os velhos ainda poderiam ter de ser assistidos por alguém. Antes, o conjunto dos recursos do Social Security, assim como os recursos da coletividade jovem iriam sustentar a população mais velha. A transferência efetiva dá-se dos pais que têm crianças que viriam em troca dar-lhes assistência (uma coisa normalmente rara), para idosos que não os têm. E é de trabalhadores que não têm pais para sustentar para trabalhadores que, ao contrário, têm de sustentar seus pais. Em ambos os casos essa distribuição da obrigação é justa, progressiva e sustentável. Há um problema no custo com a assistência médica, e todo mundo sabe, mas esse não é um problema do Medicare. Não é algo que deveria ser resolvido com cortes na assistência em saúde para os mais velhos. O Social Security e o Medicare também substituem a insegurança privada por uma administração pública barata e eficiente. Essa é mais uma razão para que esses programas sejam os alvos odiados, décadas após décadas, pelos piores predadores de Wall Street.

Os déficits públicos e os empréstimos privados são recíprocos. Aumentar os empréstimos privados gera novos encargos sobre os rendimentos e menores déficits; foi isso o que aconteceu nos anos 90. Um colapso no crédito gera inadimplência e mais gasto; é o que está se passando agora, e nossos grandes déficits estão sendo contados como contrapartidas do declínio maciço, no ano passado, nos empréstimos bancários. A única escolha é em que tipo de déficit incorrer – déficits produtivos que reconstroem o país, como no New Deal, ou déficits inúteis, com milhões guardados sem necessidade, na insegurança do desemprego, quando poderiam estar sendo usados para gerar empregos.

Se pudéssemos reviver os empréstimos privados deveríamos fazê-lo? Bem, sim, à medida que há boas razões para ter um setor privado de empréstimos robusto. O governo é por natureza centralizado e dirigido pela política. Ele opera no âmbito do direito e da regulação. Bancos privados descentralizados e competitivos têm muito mais flexibilidade. Um bom sistema bancário, tocado por gente competente, com bons critérios para os negócios, que conheçam seus clientes, é bom para a economia. O fato de você ter de pagar juros de um empréstimo também é um fator de motivação no investimento em consumo.

Mas neste momento nós não temos bancos funcionais. Temos um cartel dirigido por uma plutocracia incompetente, com longos tentáculos nos bolsos do Estado. Para que o crédito funcional retorne, teremos de reduzir as dívidas privadas impagáveis que agora são exorbitantes, para restaurar a renda privada (quer dizer, para criar empregos) e as garantias (quer dizer, os valores das casas), e teremos de reestruturar os grandes bancos. Precisamos quebrá-los, sacudir todo o sistema financeiro, expor e combater as fraudes, e criar incentivos para empréstimos lucrativos em conservação de energia, infraestrutura e outros setores. Ou podemos criar um novo sistema bancário paralelo, como foi feito no New Deal, com a Reconstruction Finance Corporation e seus spinoffs (3), inclusive o Home Owners' Loan Corporation e mais tarde o Fannie Mae e o Freddie Mac.

Seja como for, até que tenhamos uma reforma financeira efetiva, os déficits orçamentários são o único caminho para o crescimento econômico. Você não precisa gostar dos déficits orçamentários para entender que devemos tê-los, na escala que for necessária para restaurar o crescimento e o nível de empregos. E precisaremos deles não apenas agora, por um longo período, ainda, até que tracemos um programa estratégico para investimento, energia e meio ambiente, financiado em parte por um setor financeiro reformado, restaurado e disciplinado.

É possível, é claro, que toda a histeria com o déficit seja uma tentativa de desviar a atenção das disfunções do sistema bancário privado, para frustrar as mobilizações pela reforma financeira. Isso está lhes dando muito mais crédito? Talvez. Talvez não.

(*) James K. Galbraith é autor de The Predator State: How Conservatives Abandoned the Free Market e Why Liberals Should Too. Ele ensina na LBJ School of Public Affairs na Universidade do Texas e é conselheiro acadêmico senior no Levy Economics Institute.

(1) N.deT. A Comissão Simpson-Bowles é uma espécie de gabinete bipartidário, criado pelo Presidente Barack Obama, para apresentar uma agenda consistente de redução do déficit histórico enfrentado pelos EUA. Erskine Bowles, que trabalhou diretamente com Bill Clinton é o membro democrata da Comissão, e Alan Simpson, ex-senador republicano, é o representante republicano. A idéia é que até dezembro deste ano as condições para o estabelecimento de uma meta em que a dívida chegue a 3% do PIB até 2015. O orçamento estadunidense alcançou o maior déficit de sua história, desde a Segunda Guerra Mundial. A operação de resgate dos grandes bancos por ocasião da grave crise de 2008 também contribuiu para o aprofundamento do déficit orçamentário.

(2) N.deT. Sobre Robert Rubin: http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Rubin

(3) Sobre o que são spinoffs, ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Spin-off

PS.: a fonte é CARTA MAIOR

Tomo a liberdade de citar porque trata de um debate essencial para um novo conceito de estado. Não simplesmente o bem estar social, mas o estado indutor do desenvolvimento econômico. O paradigma em jogo aí é a questão da DÍVIDA PÚBLICA. Que até então tem sido tratada como um pecado ou uma ofensa às vacas sagradas do mercado e da economia de mercado. O argumento do autor parece-me essencial: o estado produz divida e com isto gera crescimento e desenvolvimento. É, em parte, o mesmo conceito do governo Lula. Me parece que Dilma o assume integralmente. Mas este é um outro debate. DANIEL ADAMS BOEIRA

sexta-feira, 12 de março de 2010

VIVA O BRASIL!!!! VIVA DILMA!!!!!

Foi a minha saudação ao encontrar um velho militante do PDT com uma camiseta amarela com o escrito BRASIL no peito em verde. E ele respondeu VIVA!!!! Com uma alegria daquelas que vamos precisar ter durante toda a campanha não importa o que aconteça.

Tá aí a campanha e a alegria que precisamos para enfrentá-la.

Muito simples.

VIVA O BRASIL!!!!!

VIVA DILMA!!!!!

VIVA!!!!!

domingo, 7 de março de 2010

MEU ÚLTIMO ENCONTRO COM LULA - FIDEL CASTRO RUIZ

“Meu último encontro com Lula” – Fidel Castro

Eu o conheci em Manágua, em julho de 1980, 30 anos atrás, durante o primeiro aniversário da revolução sandinista, graças aos meus contatos com os proponentes da teologia da libertação, que começou no Chile em 1971, quando visitei o Presidente Allende.

Por Frei Betto sabia quem era Lula, um líder trabalhista em que os cristãos de esquerda colocaram suas esperanças desde o início.

Era um humilde trabalhador na indústria metalúrgica, que era notável por sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na grande nação que emergiu das trevas da ditadura militar imposta pelo império ianque, na década de 60.

Relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder dominante no hemisfério as fizeram sucumbir. Décadas se passaram desde então, até que estas relações voltaram, lentamente, a tornar-se o que são hoje.
Cada país tem sua história.

Nosso país sofreu pressões incomuns em diversas e incríveis incríveis desde 1959, em sua luta contra as agressões do império mais poderoso que já existiu na história.

Portanto, significado tem um enorme significado a reunião que foi feita, em Cancun, e a decisão de se criar uma comunidade de países latino-americanos e do Caribe. Outro fato institucional em nosso continente, no século passado, reflete à transcendência semelhante.

O acordo foi alcançado entre a mais grave crise económica que teve lugar no mundo globalizado, coincidindo com o maior perigo de uma catástrofe ecológica de nossa espécie, e ainda com o terremoto que destruiu a Port-au-Prince, capital do Haiti, a maior desastre humano e doloroso na história de nosso hemisfério, no país mais pobre do hemisfério, e o primeiro em que a escravidão foi erradicada.

Ao escrever esta reflexão, apenas seis semanas após a morte de mais de duzentas mil pessoas, segundo dados oficiais naquele país, a notícia chegou dramática dos danos causados por um outro terremoto no Chile, e que levou à morte de pessoas, cujo número é de cerca de mil, segundo dados das autoridades, e também grandes prejuízos materiais.

Especialmente movida pelas imagens do sofrimento de milhões de chilenos, material ou emocional, afetados por esse golpe cruel da natureza.

Chile, felizmente, é um país com mais experiência contra este tipo de fenômeno, muito mais desenvolvida econômicamente e com mais recursos. Se ele não tivesse contado com mais infra-estrutura sólida e edifícios, um número incalculável de pessoas, talvez dezenas ou mesmo centenas de milhares de chilenos, teria perecido. Ele fala de dois milhões de pessoas afectadas e as perdas de entre 15 e 30 bilhões de dólares.

Em sua tragédia também tem a simpatia e solidariedade dos povos, incluindo o nosso, mas dado o tipo de cooperação que necessita é pouco o que pode fazer Cuba, cujo governo foi um dos primeiros a expressar seus sentimentos para o Chile de solidariedade, quando as comunicações eram ainda difíceis.

O país agora testa a capacidade do mundo para enfrentar a mudança climática e garantir a sobrevivência da espécie humana é, sem dúvida, o Haiti, porque é um símbolo da pobreza, que hoje tem milhares de milhões de pessoas no mundo inteiro, incluindo um parte importante dos povos do nosso continente.

O que aconteceu no Chile, com incrível intensidade foi um terremoto de 8,8 graus na escala Richter, mas, felizmente, mais profundo do que aquele que destruiu Port-au-Prince, obriga-me a enfatizar a importância e o dever de promover medidas para a unidade alcançada em Cancun, embora eu não tenha ilusões sobre quão difícil esta batalha será, e a diversidade de idéias entre nós, será o maior esforço que o império e seus aliados tentarão aproveitar e incentivar, dentro e fora de nossos países, para impedir a unidade de trabalho e a independência dos nossos povos.

Eu queria um registo escrito sobre a importância e simbolismo para mim foi esta visita esta última reunião com Lula, do ponto de vista pessoal e revolucionário. Ele disse que, perto de terminar seu mandato desejava visitar seu amigo Fidel, honroso adjetivo que recebi do mesmo.

Eu o conheço bem. Não raramente falamos amigavelmente, dentro e fora de Cuba.

Uma vez eu tive a honra de visitar sua casa em um bairro modesto de São Paulo, onde viveu com sua família. Foi para mim um encontro emocional com ele, sua esposa e filhos. Nunca me esqueci do ambiente familiar em sua casa, e o afeto sincero com o qual ele dirigiu a seus vizinhos, quando Lula já era um conhecido líder sindical e político.

Ninguém sabia, em seguida, se chegaria ou não à presidência do Brasil, porque os interesses e as forças que se opunham a ele eram grandes, mas eu gostava de falar com ele.

Lula era muito cuidadoso com os mais carentes e o fazia com satisfação, e acima de tudo, tinha o prazer de lutar e o fez com modéstia impecável, que amplamente demonstrou quando, tendo sido derrotado três vezes por seus adversários poderosos, só concordou em permitir que a nomeação do Partido Trabalhadores, por uma quarta vez, através de uma forte pressão de seus sinceros amigos.
Não saberia dizer quantas vezes nos falamos antes do mesmo de ser eleito Presidente.

Uma delas, entre as primeiras, foi em meados dos anos 80, quando estávamos em Havana, e falamos sobre a América Latina e a sua dívida externa, e que, em seguida, elevou-se a 300 bilhões de dólares, sendo que já tinho sido paga mais de uma vez.

Ele é um lutador. Três vezes, como eu disse, os seus opositores, apoiados por enormes recursos financeiros e meios de comunicação, o derrotaram nas urnas. Seus companheiros mais próximos e amigos, porém, sabiam, que era a hora de um trabalhador humilde, e ele foi, mais uma vez o candidato do Partido dos Trabalhadores e das forças de esquerda.

Por certo seus adversários o subestimaram , pensando que não poderia contar com qualquer maioria no Legislativo. A URSS já não existia. O que poderia significar Lula na frente do Brasil, um país de grande riqueza, mas de pouco desenvolvimento e nas mãos de uma classe rica e influente?

No entanto, a crise atingiu o neoliberalismo, a Revolução Bolivariana triunfou na Venezuela, Menem foi destituído, Pinochet tinha desaparecido da cena, e Cuba se recuperava. Mas Lula é eleito, enquanto Bush ganha uma eleição fraudulenta, tirando a vitória do seu rival Al Gore.
Ali começou uma fase difícil. A promoção da corrida armamentista e, com isso o papel forte do complexo industrial-militar americano, e cortar impostos para os ricos, foram os primeiros passos do novo Presidente dos Estados Unidos.

Sob o pretexto da luta contra o terrorismo, a retomada das guerras de conquista e dos assassinatos e toruturas institucionalizados, como instrumentos de dominação imperialista.

Impublicáveis os fatos relacionados com as prisões secretas, e que traiu os aliados dos E.U, tornando-os cúmplices com essa política. Assim, Bush inaugurou a pior crise econômica, que acompanha ciclicamente, e de maneira crescente, o capitalismo desenvolvido, mas desta vez com os privilégios do acordo de Bretton Woods e nenhum dos seus compromissos.

O Brasil, no entretanto, nos últimos sete anos sob a liderança de Lula, superou obstáculos, com maior desenvolvimento tecnológico, e reforçou o peso da economia brasileira.

A parte mais difícil foi o seu primeiro mandato, mas conseguiu fáze-lo e adquirindo muita experiência. Com a sua incansável luta, serenidade, frieza e crescente comprometimento com a tarefa nestas condições internacionais difíceis, o Brasil atingiu um PIB que se aproxima de dois trilhões de dólares.

As fontes de dados variam, mas todos o colocam entre os 10 maiores economias do mundo. No entanto, com uma área de 8 milhões 524 mil quilômetros quadrados, e em comparação com os E.U., que tem um pouco mais que seu território, o Brasil chega a apenas cerca de 12% do PIB do país imperialista e da pilhagem mundial, e que apresenta suas forças armadas em mais de mil bases militares ao redor do globo.

Tive o privilégio de assistir a sua posse no final de 2002. A ela também foi Hugo Chávez, que tinha acabado de enfrentar o traiçoeiro golpe de 11 de abril daquele ano, depois do golpe de Estado organizado por Washington. Foi o presidente Bush. O respeito e as relações entre Brasil, a República Bolivariana e Cuba sempre foram boas e mútuas.

Eu tive um acidente grave em outubro de 2004, que limitou severamente as minhas atividades durante meses, e fiquei gravemente doente no final de julho de 2006, mas não hesitei em delegar minhas funções, como chefe do partido e do Estado em proclamação, em 31 de julho daquele ano, a título provisório, mas que finalmente logo percebi que não seria capaz de assumir novos desafios.

Conforme a gravidade da minha saúde me permitiu estudar e meditar, dediquei-me ler e rever os materiais de nossa Revolução, e de vez em quando postar alguns pensamentos.

Depois que fiquei doente, tive o privilégio de ser visitado por Lula, e que viajou muitas vezes para o nosso país e pude conversar longamente com ele. Posso dizer que eu concordava com quase todas as suas políticas. Eu sou, em princípio, contrário a produção de biocombustíveis a partir de produtos que podem ser usadas como alimentos, sabendo que a fome é e será cada vez maior, e uma grande tragédia para a humanidade.

Isso, contudo, pude expressá-lo francamente, mas sei que não é um problema criado pelo Brasil e muito menos por Lula.

Uma parte inseparável da economia global imposta pelo imperialismo e seus aliados ricos, subsidiando sua produção agrícola, protegendo os seus mercados internos, e competindo, no mercado mundial de exportações de alimentos, com países do Terceiro Mundo, e obrigados a importar ítens de produção industrial, matérias-primas e recursos energéticos, por sua própria pobreza herdada de séculos de colonialismo.

Compreendo perfeitamente que o Brasil não tinha outra alternativa, contra a concorrência desleal e de subsídios para os E.U. e Europa, que aumentaram a produção de etanol.

A taxa de mortalidade infantil no Brasil ainda é 23,3 por mil nascidos vivos, e a mortalidade materna de 110 por 100 mil partos, enquanto que em países ricos industrializados é inferior a 5 e 15, respectivamente. Muitos outros dados semelhantes poderiam ser citados.

Açúcar de beterraba, subsidiado pela Europa, roubaram de nosso país o mercado do açúcar, derivados de cana-de-açúcar, agrícolas e industriais, o trabalho precário e o desemprego temporário mantido para os trabalhadores do açúcar.

Os Estados Unidos, por seu lado, tiveram também as nossas melhores terras e suas empresas eram os donos da indústria açucareira. Um dia, de repente, tiraram-nos da quota de açúcar e boicotaram o nosso país, para assim tentar esmagar a revolução e a independência de Cuba.
Hoje o Brasil tem desenvolvido o cultivo de cana-de-açúcar, soja e milho, com máquinas de alta performance, para uso nestas culturas com alta produtividade.

Quando um dia eu notei a filmagem de uma área de 40 mil hectares de terras ,em Ciego de Avila, plantada com milho e soja de rotação, onde vai se tentar trabalhar ao longo do ano, exclamei,:é o ideal de uma sociedade socialista agrícola, altamente usinada e com alta produtividade de homem por hectare!

Os problemas da agricultura e de suas instalações no Caribe são os furacões, em números crescentes, avançando nos seus territórios.

Também o nosso país se desenvolveu e assinou acordo com o Brasil, para o financiamento e construção de uma ultra-moderna usina de etanol no porto de Mariel, que é de enorme importância para a nossa economia.

Na Venezuela estão utilizando a tecnologia brasileira agrícola e industrial para produção de açúcar e utilizando bagaço de cana como fonte de energia térmica. Lá equipes estão trabalhando em uma empresa ao modelo socialista. Na República Bolivariana o etanol foi usado para melhorar os efeitos ambientais nocivos da gasolina.

Capitalismo desenvolvido, sociedades de consumo, e também o desperdício de combustível geraram o risco de uma mudança climática dramática. Natureza levou 400 milhões de anos para criar o que a nossa espécie consome em apenas dois séculos. A ciência ainda não resolveu o problema da energia para substituir o petróleo que produz, e hoje, ninguém sabe quanto tempo e quanto custaria para resolvê-lo em tempo. O que pode ser feito? Isso foi o que foi discutido em Copenhague e a Cúpula foi um fracasso total.

Lula me disse que quando o álcool custa 70% do valor da gasolina, no Brasil, já não está se viabilizando o negócio e a vantagem econômica sobre a gasolina.Também me disse que o Brasil terá uma redução gradual de 80% no desmatamento na maior floresta do mundo.

O Brasil tem hoje a mais alta tecnologia no mundo para perfurar em offshore, e pode extrair petróleo a uma profundidade de sete mil metros das águas oceânicas. Trinta anos atrás teria parecido história de ficção científica.

Ele explicou que os programas de alto nível educacional que o Brasil pretende levar adiante. Valoriza o papel da China na arena global. Orgulhosamente declarara que o comércio com a China ascende a 40 bilhões de dólares anuais com o Brasil.

Uma coisa é indiscutível: o metalúrgico se tornou uma proeminente e prestigiada personalidade mundial, cuja voz é ouvida, com respeito, em todas as reuniões internacionais.

Ele se orgulha de ter recebido a honra de levar os Jogos Olímpicos para o Brasil em 2016, no âmbito do excelente programa apresentado na Dinamarca. Também hospedará a Copa do Mundo em 2014. Tudo tem sido o resultado dos projectos apresentados pelo Brasil, que ultrapassou os dos seus concorrentes.

A grande prova da sua falta de interesse era não buscar novamente a reeleição, e espera que o Partido dos Trabalhdores continue a governar o Brasil e à continuidade de suas políticas.

Alguns ciúmes de seu prestígio e glória, e pior ainda, daqueles que servem ao império, criticaram-no por visitar Cuba. Eles usaram a calúnia vil que durante meio século, são usadas contra Cuba.

Lula sabe, há muitos anos, que nosso país nunca torturou ninguém, nunca ordenou o assassinato de um adversário, nunca mentiu para o povo.Tinha certeza de que a verdade é inseparável de seus amigos cubanos.

De Cuba, ele deixou para ir ao nosso vizinho Haiti. Ele informará as nossas idéias sobre o que propomos em relação a um sustentável, eficiente e apoio econômico, especialmente importante para o Haiti. Sabe-se que mais de cem mil haitianos foram tratados por médicos cubanos e formandos da Faculdade de Medicina da América Latina, após o terremoto.

Nós falamos sobre coisas sérias, e eu sei o seu desejo ardente e nobre de ajudar sempre para diminuir o sofrimento das pessoas.

Irei manter uma memória indelével da minha última reunião com o Presidente do Brasil e não hesito em dizê-lo.

Fidel Castro Ruz
1 de março de 2010
12 e 15 p.m.

NOTA: Coloco este texto aqui com toda a intenção de transformá-lo em déposito da história viva, que já passou em parte, mas não como gostariam alguns, mas que ainda não acabou e que trará mais de onde vieram estes. Daniel Boeira -

CINCO MESES SEM FUMAR - 13 DE JANEIRO DE 2010

PREFIRO O MEU SOBREPESO

PREFIRO O AR PURO

PREFIRO MINHAS ROUPAS SEM CHEIRO

PREFIRO VIVER ASSIM

A MISÉRIA MORAL DE EX- ESQUERDISTAS - EMIR SADER

NOTA: Faço questão de citar este artigo integral de Emir Sader que fala algo sobre a falta de vergonha na cara de um ex-esquerdista que torna-se mercenário e ideólogo da direita.
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Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão. O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.

Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.

Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.

Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.

Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.

Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.

Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandando no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.

terça-feira, 2 de março de 2010

EMPATE TÉCNICO IMPRECISO

Nem precisa explicar como é que empatou.

ôrra meu.....

DEU UM PROBREMA SÉRIO NO PLANOS DO SERRA.....