sábado, 31 de outubro de 2009

Conselheiro, Halloween e Formatura

Hoje é o dia. Hoje tem a NOITE DO ESPANTO NO OLINDO FLORES.

Fazem mais de três meses que, numa sexta-feira de julho - anterior ao recesso e às duas semanas de gripe A, quatro alunas das turmas 3N1 e 3N2, me procuraram como conselheiro e amigo delas e das duas turmas pedindo ajuda, orientação e apoio para realizarem uma proposta de festa Halloween, porque elas entendiam que as turmas iriam se formar e não tinham feito nada ainda que desse resultados para fazer o caixa da formatura e integrar legal os dois terceiros anos entre eles e dentro deles.

Pois bem, a primeira atitude minha com elas foi sentar e conversar sobre os desafios, as etapas e a organização desta atividade. Definimos três etapas, organização junto as turmas (formação de comissões e etc.), divulgação e venda dos ingressos e preparação da festa.

Não dei a mínima para o aspecto cultural ou de importação de um modelo de atividade dos EUA. Entendi que o meu papel como conselheiro e professor é apoiar e contribuir para que os propósitos dos alunos tenham êxito. Não quero entrar no mérito do propósito porque penso que quem patrulha isto e não promove semana farroupilha, semana da pátria, festa de são João e etc. não está com nada. Penso que os alunos devem construir um calendário de atividades e efemérides na escola com os professores que pode incluir isto e outras coisas também.

Por causa disto passei para a execução da festa, com as alunas e alguns alunos conversamos com o vice-diretor da noite - agora diretor eleito da escola - que apoiou a iniciativa. Conversamos com a outra conselheira - professora Márcia que apoiou a iniciativa e participou inclusive de uma das reuniões de organização.

Um dos temas de intenso debate na comissão e com as turmas foi justamente a questão de fazer a atividade na escola ou fora dela. Aqui estava envolvida a questão da venda de bebidas alcoólicas na atividade. Defendemos com alguns alunos de não trabalharmos com bebidas alcoólicas tanto por conta de ser uma atividade da escola como pelo fato fde reduzir-se com isto outras complicações, apesar do lucro que poderia ser obtido. Defendemos também a questão de fazer uma atividade saudável e tranquila, de que era possível haver divertimento sem bebidas alcoólicas no espaço da atividade.

A proposta inicial sem bebidas alcoólicas foi de fazermos sucos coloridos diversos como opções de bebidas refrescantes, mas, ao final, por argumentos consistentes de um aluno a respeito da higiene e outros aspectos optamo por comprar somente refrigerantes para revender.

Marcamos a data: 31 de outubro.

Em meio a isto estruturamos a festa e passamos a organizar os trabalhos. Houve um período em que a festa esfriou um pouco, em que os alunos e alunas ficaram desanimados e que foi superado há três semanas.

Sugerimos o nome de A NOITE DO ESPANTO e pegou...

Os alunos fizeram um modelo de convite e a mais de 15 dias começaram a vender e distribuir. A idéia era que cada aluno das turmas formandas ficasse com quatro convites e com isto fizesse o caixinha da festa. Isto deu mais ou menos certo.

O que importa é que hoje é o dia e a semana toda tivemos diversos reuniões e iniciativas para confirmar o sucesso da festa.

A festa ainda não aconteceu, mas eu estou muito orgulhoso com os alunos, pois o evento está amplamente divulgado nos bairros da zona norte e também em outras cidades. Correu o mundo a notícia da festa dos alunos do Olindo e tenho notícias de que muitos ex-alunos vão vir participar e apoiar a atividade dos formandos.

Darei alguns exemplos das diversas providências tomadas:

Foram feitos 600 convites.

Foram feitos 200 cartazes.

Foram feitos mais de 1000 mosquitinhos para distribuir nas escolas da zona norte da cidade.

Compramos refrigerantes e encomendamos lanches para vender.

A decoração está sendo feita agora, neste instante por uma comissão de alunos.

Tem uma equipe de som e elétrica que vai instalar todas as luzes e equipamentos agora.

Tem uma equipe de limpeza.

E a equipe de tesouraria tem feito um trabalho excelente na organização das contas da atividade.

Foi providenciada contratação de uma equipe de segurança profissional.

Toda a festa está pensada e discutida na comissão e entre os alunos.

E daqui a pouco eu vou indo lá para a escola para fazer o salchipão para as equipes que trabalharam pela manhã e a tarde.

É uma atividade interessante esta porque nesta semana a intensidade do envolvimento, o entusiasmo e a iniciativa dos alunos aumentaram de forma extraordinária. Na última reunião na noite de ontem conseguimos acalmar um pouco a turma, mas é engraçado olhar para o grupo e perceber como cada um tem uma forma de envolvimento com as coisas. Tem desde os pessimistas ao otimistas. Aqueles que se preocupam demais e tem insônia com a festa e tem aqueles que fizeram de conta que não havia nada acontecendo mas que aqora nas horas decisivas estão se apresentando e fazendo algo para ajudar.

E tem aqueles que parecem querer boicotar, mas tudo passa....

Na semana que vem vamos ter que administrar duas coisas: o resultado da festa que poderá levar eles a querer fazer outra festa e o tema da formatura que andou atravessando bastante a mobilização. Afinal, estarão se formando 60 alunos do noturno do Olindo, uns 40 alunos do diurno e mais 15 alunos da Escola Victor Becker aqui ao lado. E já há indicativos de fazermos uma só formatura na escola e uma festa de formatura no Clube União.

Bem...Hoje é o dia.....

um bom dia....

PS.: A festa foi um sucesso e todos os objetivos foram atingidos. Não ocorreu nenhum incidente e a festa se encerrou a meia-noite. A escola foi toda limpa antes e depois da festa e a decoração criou um bom ambiente. Eu estou muito satisfeito e orgulhoso dos alunos que souberam trabalhar em equipe e deram um banho de bola em organização, disciplina e entrosamento. O vice-diretor Jorge apoiou o evento ficando junto as turmas e aos alunos até o final e a conselheira Márcia ajudou bastante também acompanhando todo os desdobramentos e a atividade. Parabéns a todos e ao Olindo Flores, pois sinto que está provado que dá para fazer boas festas no espaço escolar e que tanto a formatura quanto a festa de formatura podem ser realizadas na escola mesmo. Mas este já é um outro debate....

Aquele abraço....valeu.....

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DA VIDA NADA SE LEVA - MAS A VIDA É BOA

Tava tomando uma cerveja com um velho amigo meu na semana passada e fiquei pensando sobre como a vida, com todas as dificuldades que nos apresenta, é boa. Talvez o meu mais antigo amigo nesta vida. Estamos para completar 45 anos logo logo, eu em janeiro e ele em abril. E eu olhei para ele mirando os olhos das meninas no bar e na calçada da nossa cidade natal e exclamei: O Kiko, bem que a gente podia viver mais uns quarenta anos!!!

E conclui dizendo que eu aceitava até ficar vivo numa cama de hospital com o controle remoto nas mãos e a tevê no teto.

Fui contar esta graciosidade para os meus colegas e as colegas na escola e uma delas respondeu que era realmente engraçado isto, o fato de que a vida, com todas as dificuldades é realmente boa. Só concluiu dizendo que provavelmente as enfermeiras teriam muito trabalho comigo. Eu sorri e aceitei a provocação num bom sentido. Dá para ser feliz em diversas condições.

Ao colocar o título deste post pensei no fato de que Do mundo nada se leva ou que da vida nada se leva, somente a vida que somos capazes de ter e viver.

Hoje é terça-feira, minha noite de folga e passeio.

Um grande abraço.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

AMBIENTE, FERRAMENTAS E CRENÇAS....

Um dos maiores desafios de gestão e de qualquer tipo de associação é como fazer uma leitura adequada das circunstâncias externas e combinar isto com um conjunto de ferramentas adequadas para enfrentá-las e, também, definir as crenças que podem contribuir para o êxito neste empreendimento.

A relação entre estes elementos pode parecer simplista até, mas não parece razoável subestimar a dependência entre uma ou outra destas três variáveis, seja na definição de mais ferramentas, seja na definição de crenças mais fortalecidas.

Podemos até supor que a arte da liderança consiste justamente nisto, nesta equação que muitas vezes só pode ser atingida coletivamente, se o debate for franco, honesto e com o menor índice de fantasias subjetivas.

A tradição clássica e a tradição moderna supunham que a liderança só perfaz este raciocínio individualmente e esta é a tradição dominante ainda hoje. Mas, bem entendida a filosofia do século XX, é passada já a época ou o século em que se descobriu que pensar sozinho pode ter eficácia reduzida e pode ser mais aberto ao erro de abordagem e ao preconceito.

Não há como negar que o debate coletivo, o conselho de opiniões e conhecimentos diversos ajudam em muito na deliberação política e gerencial. Não dá mais para fazer política pensando sozinho, não dá mais para gerenciar uma empresa com um único conselheiro, não dá mais para observar uma associação ou algum movimento com um mínimo de eficácia nos seus empreendimentos que depende exclusivamente daquela cabeça iluminada ou daquele gênio da lâmpada.

Bem vistas as coisas qualquer liderança que se preze - que consegue fazer o jogo hábil e racional com as crenças internas das organizações, tem há muito tempo um conselho atrás de si, ou junto consigo ou à sua frente.

Claro, ainda vemos, em muitas circunstâncias, pessoas que exercem lideranças quase como que se fossem gênios da argumentação, da análise e da política. Seja na capacidade de promover as crenças certas dentro das organizações, seja na capacidade de projetar para fora delas um discurso de alta performance e de grandes resultados. Não vou apontar nenhum exemplo porque a busca de exemplos também é uma experiência importante na compreensão do que estou a dizer aqui.

Neste sentido, vale aqui ressaltar, estes personagens tornam desafios superáveis a escassez de ferramentas ( o que inclui aí, regras, recursos, meios e técnicas), ou o ambiente externo desfavorável e eventualmente muito desfavorável.

Se estivermos corretos neste raciocínio, nesta análise de caso, então, definir com mais qualidade o que são estas crenças, como produzí-las, encontrá-las e reconhecê-las dentro das organizações é um caminho importante na arte da liderança que torna capaz a superação de dificuldades. Mas devemos aqui salientar que algumas destas crenças são, inclusive, invenções. Não são descobertas pelo caminho tradicional de busca e investigação da realidade da organização ou instituição.

É aí que um aspecto interessante da liderança de perfil tradicional entra com aquele componente fundamental da liderança: a visão de futuro. Digo com isto e com mais coisas que a visão importa numa capacidade que não é inata - mas que muito nos parece assim - de perscrutar o futuro, visualizar uma perspectiva e um estratégia que aponta para o caminho certo.

Muitas vezes isto é visto como somente uma crença como qualquer outra, mas temos que prestar mais atenção aos sonhos de alguns visionários. Muitos deles não conseguem apresentar adequadamente o que vislumbram quase como uma mágica. Aquilo que exerce um fascínio aparentemente absurdo para aquele indivíduo da organização pode ter mais valor do que aquela anedota sobre a fantasia que muitas vezes acompanha este indivíduo.

Só devo observar que muitos não entendem o que chamamos de "crenças". Porque parece que estamos reduzindo a importância das fortes convicções e dos conhecimentos consolidados deste ou de outros indivíduos. Mas não é o caso. Trata-se de atenuar o valor de verdade e tratar melhor o papel da disposição e das intenções subjetivas nas organizações

Não tem nada que ver com aquele papo de igreja ou de filosofia de vida. Não é o caso de ver melhor qual a filosofia desta ou daquela instituição.

Veja bem - isto talvez nos ajude a lidar melhor com as crenças em diferentes grupos de trabalho e ambientes internos e externos.

Se tomarmos isto como uma lição de administração podemos ficar aborrecidos e vir com aquele papo de que já pensamos tudo sozinhos e já sabemos tudo. Mas não é disto que eu estou tratando aqui não.

Veja bem estou definindo crenças como aquele conjunto de opiniões que circulam nos ambientes da empresa, para alguns isto é a filosofia da empresa mas isto não vale porque a empresa pode ter uma filosofia e no entanto o que habita o ambiente interno é outro discurso bem diferente. Crenças aqui envolvem expectativas de futuro, avaliações sobre as qualidades, virtudes e problemas da empresa, inclusive aquelas receitas já adotadas ou a adotar que parecem trazer consigo alguma aura de eficácia, eficiência e precisão. Os membros da equipe passam a acreditar ou continuam acreditando naquilo que dá sentido as suas atividades.

Muitas vezes as crenças internas são mais importantes que a hierarquia da empresa porque nelas a noção de poder é mais forte do que na hierarquia do organograma da empresa. E neste meio que circula também o reconhecimento aos mais experientes, aos mais antigos da empresa e também aos garotos prodígio e aos talentosos. Muitas vezes as crenças organizam efetivamente o cotidiano dos grupos e das equipes.

Por isto alguns autores chamam especificamente esta família de crenças que precisamos descobrir de crenças dominantes ou de idéias hegemônicas, pois elas podem não ser compartilhadas pela maioria dos indivíduos e podem inclusive serem desconhecidas por muitos, mas ditam as ações e as condutas produtivas e interativas dos indivíduos.

Descobrir esta crenças é quase como descobrir o que mantém uma instituição com sua vitalidade - para além da marca e do seu capital - e o que pode permitir o impedir propostas de mudanças ou de transformações, seja nos objetivos da empresa ou instituição, seja na sua própria forma de organização. São estas crenças que são mobilizadas para impedir a mudança na instituição e nas sociedades, elas são portadoras de uma verdade tradicional, geralmente aceita e que dificilmente é posta em questão.

E é do conhecimento e do manejo delas que se constitui parte fundamental e decisiva da liderança e ou das lideranças nas instituições e grupos sociais. Não é muito difícil percebermos que em instituições democráticas - tipo partidos de forma democrática ou associações com participação democrática - que todas as pretensões de liderança devem passar por algum tipo de processo em relação às crenças dominantes ou tradicionais e que deve ser capaz de apresentar novas crenças para os demais membros da instituição. Novos objetivos aparecem nas organizações desta forma também.

Claro que não podemos esquecer que a pressão do ambiente externo e as ferramentas disponíveis são, ao fim e ao cabo, justamente os desafios que as lideranças devem superar na constituição destas novas crenças, pois elas podem, fazer isto reconhecendo a sua origem ou apresentando-as como forma de evitar a rendição ao elemento externo.

E é justamente esta a atitude frequente nas organizações políticas. Assimila-se o elemento programático do adversário porque este se tornou dominante junto à opinião pública. No Brasil e aqui no RS o Orçamento Participativo passou por isto, após sofrer forte resistência dos partidos adversários hoje é um elemento assimilado.

Antes de continuar, mais uma pausa....in progress

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

VITÓRIA DE PIRRO

Toda vez que eu assisto certos episódios ou acontecimentos do mundo político me dou conta do significado incrível daquela expressão atribuída a um general grego: Mais uma vitória como esta e estou perdido!

Pirro foi um general grego que venceu a batalha de Ásculo contra os romanos, mas que ao contrário destes não tinha como repor o grande contingente de soldados perdidos na batalha o que, em poucas palavras, significava que havia vencido a batalha mas que estava condenado a derrota logo adiante.

É mais ou menos assim que assisto ao triunfo e à soberba grandiloquente que se abate sobre a (des) governadora e suas tropas na Assembléia Legislativa e no Palácio Piratini.

Mais uma vitória destas e podem chamar os caminhões de mudança e voltar para casa.

Bem, alguém poderia dizer que um Puff verde-limão cabe em qualquer portamalas....

DILMA - A CONSTRUÇÃO POLÍTICA

Não saiu ainda nenhuma pesquisa para confirmar as mudanças no cenário eleitoral nacional. Mas eu vou apostar que a Ministra Dilma Rousseff já está em franco crescimento e que vai consolidar a sua candidatura até o final do ano de forma surpreendente para aqueles que jogaram a toalha em setembro com a pesquisa CNT/Sensus.

De lá para cá, menos de um mês, iniciou-se um intenso processo de organização, planejamento e construção política da pré-candidata do nosso Presidente Lula. Muitos fatos também deslocaram fortemente o eixo do debate para o tema geral do projeto e não mais para o colo do Serra.

O Brasil foi confirmado como país sede das Olímpiadas de 2016, com intensa e vigorosa participação do presidente Lula.

Está praticamente consolidada a avaliação de que o Brasil é o país emergente que melhor superou a crise econômica mundial e que isto se deu pelas virtudes da gestão econômica e política do país e não por sorte ou proteção alienígena.

O Brasil, por intermédio do seu Ministério das Relações Exteriores, promoveu uma forte afirmação da democracia e dos direitos humanos ao acolher o Sr. Zelaia em asilo diplomático na Embaixada de Honduras.

Foi apresentada ao Congresso Nacional a proposta de um novo marco regulatório para a exploração do Pré-Sal. E o debate sobre as royalties e sobre a distribuição dos recursos para todos os brasileiros parece avançar bem.

E no cenário das alianças políticas a nossa candidata tem avançado intensamente na apresentação, negociação e costura da frente política que vai consolidar mais 4 anos de governo para o nosso projeto.

Na semana ante-passada o PDT tomou posição clara em apoio ao nome de Dilma, na voz do Ministro do Trabalho Carlos Lupi.

O candidato a candidato, nosso companheiro, Ciro Gomes tranferiu seu título para São Paulo ao início do mês, isto é, no mesmo período. E abre-se um processo de discussão interessante tanto para o PT quanto para o PSB no Brasil.

As primeiras impresões causadas pela Marina Silva no PV já começam a se dissipar rapidamente e os sinais de fumaça enunciam que os tambores não rufarão mais, tão logo se resolvam as dificuldades internas ao próprio PV em saber exatamente de que lado estão eles no cenário nacional.

E, na semana passada, LULA colocou em sua comitiva pelo São Francisco não somente Dilma, mas Ciro Gomes e Aécio Neves dando forte demonstração de sua disposição para a mobilização e a construção política da candidatura de Dilma.

E agora, nesta semana, o PMDB fecha um acordo ou declaração de intenções de fazer o vice-presidente da chapa de Dilma.

Após isto tudo, aquelas pessoas que começaram a trabalhar como se a pré-candidata Dilma já fosse carta fora do baralho e da disputa eleitoral de 2010 devem ter visto a vaca deles ir completamente para o brejo.

Alguns que até então guardavam silêncio sobre a pré-candidatura, o perfil e os desafios começaram agora uma outra etapa. Vão requentar o processo da Lina Vieira e cornetear, cacarejar e resmungar por aí intensamente sobre o tema da ditadura militar e do papel de Dilma na resistência aos militares e às elites da época.

Este é um tema que representa aquela faca de dois legumes do Vicente Matheus: de um lado, vem aquele papo de que foi terrorismo etceteraetal, mas, por outro lado, isso pode levar água para o moinho da Dilma, porque a pergunta que se pode fazer é qual a diferença neste tema entre Serra e Dilma. O que, francamente, no confronto direto Dilma vence.

Talvez isto explique o fato de Rodrigo Maia do DEM ter defendido que é melhor retirar a candidatura do Serra e substituí-la por Aécio com um perfil mais brando e conciliador. Subjaz a isto a incapacidade da oposição em enfrentar o debate programático contra o governo Lula.

Num cenário de segundo turno parece que Dilma estará mais vitaminanda ainda, porque Serra não terá capacidade para ultrapassar o limite dos 50% e ao mesmo tempo se beneficia do fato de que, como diz o Alon no blog ao lado, ainda não sofreu mira da pistola de laser do Governo Federal em sua direção.

Estamos agora a 12 meses das eleições e alguns fatores que já estão entrando em jogo mostram que é impossível ocorrer o passeio esperado pelos tucanos, pois bastou uma suave definição do PT - ao construir a sua coordenação geral de campanha, o posicionamento do PDT e os três movimentos do presidente acima citados para ameaçar completamente a dita UNANIMIDADE DO SERRA e afirmar claramente a POTENCIALIDADE DA DILMA.

Repito o que já disse em setembro, parece que alguns esqueceram-se do PAC que tem dimensões extraordinárias para o Brasil, e que trará fortes impactos em 2010, veja-se o balanço apresentado em outubro também. Veja bem...o governo do Presidente Lula não está com nenhuma dificuldade para demonstrar a sua capacidade de fazer política e construir a sua sucessora...

Boa luta...

TI LARGUEI!!!!

Ontem trinta deputados estaduais do Rio Grande do Sul votaram contra o Impeachment da (des) Governadora.

Perderam a oportunidade de fazer a coisa certa e corrigir este gigantesco engodo que construiram, sustentaram e continuam defendendo vergonhosamente.

A partir de agora, nenhum destes 30 e some-se a isto as cinco abstenções e as ausências de sempre - o que aliás já virou piada "em decisão difícil: estou fora", jamais poderão dizer que não sabiam de nada e que não tinham nada para fazer.

Tiveram a sua oportunidade e não adianta evitar discursos em tribuna para defender suas opiniões, ações e votos que possam ser usados contra eles na campanha, o voto deles é um gigantesco discurso em tom claro e nitidamente ouvido pelo povo.

O negócio agora é divulgar a listinha deles com o título TI LARGUEI!!!

E não se fala mais nisto porque a partir de agora só em 5 de outubro de 2010 o povo nas urnas pode corrigir esta verdadeira lambança.

Um coroa de 74 anos me disse ontém a tarde mesmo: Já enchi o saco dessa conversa!

Veja só nós conseguimos a proeza de ter um governo em que o vice e o titular não se entendem minimamente. É uma vergonha!!!

E eu perguntei o que eu posso fazer?

Ele só me respondeu: Larga mão! Deixa prá lá!

Então tá véio! Yeda e cambada, TI LARGUEI!!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DIA DO PROFESSOR - 2009 - AS INICIAIS E O ESTATUTO INCOMUM DOS EDUCADORES

Qualquer um que abrir este BLOG terá acesso a diversos artigos meus e coletivos sobre educação, sindicalismo educacional, debates sobre gestão em educação e também sobre algumas dificuldades pessoais e coletivas na educação. Mas tenho que admitir que tudo isto está aqui mais por força do ofício, do hábito, do que por conta de alguma pretensão intelectual ou acadêmica. Devo admitir que os textos aqui só são possíveis porque exerço a profissão de professor, não porque me designo ou porque possuo um diploma de educador ou porque tenho formação educacional.

Este BLOG é sim confessional. Não é somente um lugar onde deposito teses concluídas, conhecimentos científicos ou informações absolutamente objetivas. Aqui entram intuições sobre a minha experiência e de meus colegas. Depoimentos, nem sempre tão objetivos ou imparciais, sobre experiências educacionais. E ainda vão entrar experiências minhas como aluno ao longo da minha formação desde a escolinha infantil até a pós-graduação universitária. Muito do que entra aqui tem um caráter subjetivo e vivencial.

Não gostaria de me dar ao trabalho aqui de construir um discurso na primeira pessoa do plural. Porque não é tão fácil assim, por mais que me identifique com meus colegas e com meus parceiros de caminhada educacional, apresentar aqui a voz da categoria dos trabalhadores em educação. Com a minha experiência sindical aprendi que é muito difícil representar os educadores. E todos os êxitos nesta empreitada que eu percebi eram mais determinados por uma percepção seletiva e sincera do que propriamente por uma doutrina conformadora geral da opinião.

É muito difícil ser a voz da consciência dos educadores. Porque é um universo de diversidades, o universo dos educadores, e deve ser reconhecido como tal. Ainda que pensemos que o resultado final possa ser comum - educar os jovens, crianças - este resultado final não é homogêneo.

Deveria dizer que há duas tendências interessantes neste e em outros processos do conhecimento e de reflexão sobre a experiência humana. De um lado, há o esforço de originalidade, de apresentar algo singular e único na prática e na teoria. De outro lado, há um impulso para a universalização, para a busca de uma homogeneidade e um respeito a padrões reconhecidos e dominantes.

Dou como exemplos básicos para isto: a música e a composição musical; as formas teatrais, os metros da poesia e os padrões dos famosos papers acadêmicos de diversas revistas especializadas. Parâmetros comuns se apresentam tais como pano de fundo de possibilidade para um discurso ou um conteúdo original. Lembro de um mestre meu que disse certa feita que uma boa idéia precisa que a gente arrume bem a caminha dela, ela merece um berço explêndido. De forma mais usual, diria que o envelope da mensagem ajuda a ressaltar a importãncia de um conteúdo. E é este resultado final na educação e em outras atividades que é diferenciado. Por mais que ocorra um esforço de padronização e de construção de parâmetros comuns. Devo dizer que este resultado será tão mais diferenciado, na minha opinião, quanto mais próximo esteja cada educador dos seus alunos. Penso que deve haver um conhecimento do aluno e espero bater nesta tecla por muito anos ainda. E isto produz aquilo que gera ojeriza em alguns educadores e formadores de opinião, aquela falta de homogeneidade entre os conteúdos e métodos de cada um dos educadores.

Penso que isto está compreendido, e bem, na forma como são concebidas as Provas do ENEM e seus conteúdos. Alguns gostariam que os educadores tivessem acordos múltiplos sobre diversas dimensões do seu trabalho. E julgam que eles deveria respeitar determinadas exigências. Penso que quem pensa assim deveria aceitar o desafio ou tarefa de ensinar uns 10 anos de sua vida. Chego até a radicalizar propondo que não deveria haver mais serviço militar obrigatório, mas sim um serviço civil educacional obrigatório, pode ser uns dois anos somente de cada cidadão, para começarmos a dar um fim em diversas formas de desumanização consentida da sociedade em que vivemos. tento dizer com isto que nós temos socialmente uma grande dificuldade para aceitar a originalidade e que isto nos leva a impor uma homogeneidade superficial e enganadora.

Que um educador deve ser tomado como igual ao outro como se eles tivessem simplesmente um estatuto comum é um grande absurdo, pois nenhum profissional dentro mesmo de qualquer carreira é igual ao outro. E este é um dos fundamentos também para a autonomia escolar. É um dos fundamentos principais para a qualidade da educação o fato de haver espaço para a originalidade de cada educador, para a invenção e o desafio de não se limitar a reproduzir conteúdos.

Na minha opinião aliás, o educador não deve ser mesmo igual aos outros. Penso que o estatuto de cada professor deve ser justamente incomum. E que isto pode nos ajudar a reconhecer melhor os educadores em suas qualidades e potencialidades. Não somente porque a formação dos educadores é diferente (assim como as dos cidadãos e outros profissionais também é assim) - de escola para escola encontramos pedagogias e teorias diferenciadas, conforme a concepção dominante em cada escola, ou mesmo conforme a margem de influência que cada educador recebeu sobre o seu conceito prévio de educação. Este conceito prévio de educação é aquela carga que cada um de nós leva sobre a educação antes de sermos formados, formandos ou candidatos a educadores. E este conceito prévio deve ser trabalhado nos cidadãos também. Deve haver um debate maior sobre isto. Sobra a imagem que construímos de nossos educadores e sobre como transformamos ela dentro de nós mesmos.

Esta seria uma experiência legal. Perguntar a cada um de nós quais as nossas principais lembranças dos educadores. Tive experiências interessantes nisto. Vez ou outra me confronto interpretando o meu ofício, mais por influência dos meus educadores primários do que por influência dos meus mestres e mestras, doutores e doutoras acadêmicas. E seria legal também entrevistar todos os alunos dos cursos de licenciatura ao longo de sua formação para medir o quanto ocorre um deslocamento na interpretação da profissão ou quanto de maturação ocorre nas opiniões e conceitos originais. Ver como se desenvolve e se desdobra aquela imagem inicial dos educadores que os educadores constroem dentro de si mesmos.

É bem possível que alguns colegas meus que lerem este texto considerem que estou tangenciando o tema e o seu problema. Que esta circunvolução que estou a fazer aqui foge do ponto de hoje. E é bem possível que sim. É bem possível que seja verdade isto.

Mas eu queria fazer aqui uma aproximação a algo que me parece ser importante no dia do professor. Não quero levar a minha reflexão de hoje na direção de uma resposta a pergunta de para onde vai o discurso do professor, em que direção caminham seus êxitos e sucessos ou o que traz prejuízo para isto tudo. Eu estou querendo apontar o dedinho na direção oposta, a saber, de onde parte o discurso dos educadores, que sentimentos e pensamentos se colocam como iniciais no nosso impulso de buscar qualificação para exercer este ofício.

Eu me lembro sempre do meu impulso a agir sobre a história, sobre o mundo em que vivo na tentativa de compreendê-lo e transformá-lo. Com todas as contradições, riscos e polêmicas que isto demanda. Porque as vezes para transformar o mundo é preciso resgatar algumas tradições, quase como preciso de parãmetros para dar espaço à originalidade.

Então que neste dia do professor todos os meus colegas tenham um grande abraço de seus alunos, que este seja em palavras, gestos ou sinais. E que estes abraços não sejam somente um sinal de concordância, mas que sejam também um sinal de respeito frente à discordância. Pois talvez parte do maior esforço dos educadores seja tornar possível a discordância e a concordância através do debate e da apresentação de diferenças.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES PARA TODOS

PARA OS QUE SÃO PROFESSORES...

PARA OS QUE QUEREM SER PROFESSORES...

E PARA OS QUE COMPREENDEM MINIMAMENTE OU MAXIMAMENTE ESTE OFÍCIO...

PS.: Recomendo, no que há de comum entre os educadores, complementarmente a leitura da minha resposta ao David Coimbra ZH sobre os professores e o CPERS.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nita Freire repudia fechamento das escolas itinerantes no RS

A educadora Ana Maria Araújo Freire, a Nita Freire, viúva do pedagogo Paulo Freire esteve hoje (13) em Porto Alegre presente na aula pública das Escolas Itinerantes do MST, em frente ao Palácio Piratini. Nita Freire repudiou a ação “inconstitucional e vil” do governo do Estado e de parte da justiça de impedir que as crianças acampadas, filhos de agricultores sem-terra, não terem o direito de estudar nas escolas itinerantes, que já existem há 12 anos no RS e serviram de exemplo a outros estados. A pedagoga estava acompanhada do presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia, deputado Dionilso Marcon (PT), do deputado Estadual Raul Pont, da deputada Estadual Marisa Formolo, e da presidente do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), Rejane de Oliveira. A escola itinerante é legal e cumpre normas do Conselho Estadual de Educação (Ceed), da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e da legislação das escolas no campo.

O MST denuncia que desde o início do ano, governo estadual e o Ministério Público Estadual (MPE) assinaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que decidiram fechar, sem consultar os pais, as escolas itinerantes. Desde então, o governo estadual não cumpriu com o que foi firmado no TAC, que é garantir transporte público às crianças nos municípios em que há acampamentos. É o que ocorre hoje em São Gabriel , em que 400 crianças assentadas e acampadas estão sem estudar desde o início do ano.

A atividade faz parte da Jornada de Lutas dos Sem Terrinhas que ocorre em todo país nesta semana.

Jornalista Responsável: Kiko Machado – MTBRS 9510

PS: faço questão de citar aqui o texto do Kiko Machado do Blog TOMANDO NA CUIA...

Porque é muito importante apoiar esta luta! Um dois maiores absurdos que já vi nesta vida. Fechar escolas por suposta razão ideológica com o aval do MP. E é bom para quem acha que já não há mais nada para lutar, na nova democracia brasileira. O que não é o caso dos meus alunos e dos meus camaradas. off course....

domingo, 11 de outubro de 2009

DOIS MESES SEM FUMAR - PARECE SEM VOLTA - MAS.....

Estou numa fase que eu não sei se existe para todos os ex-fumantes, mas me parece muito interessante, porque é nela que estou fazendo uma análise das minhas experiências simbólicas, imaginárias e reais com o cigarro.

É nela que aparecem todas as lembranças dos cigarros e marcas que fumei. Vale lembrar que falei que parei de fumar porque considerei já haver fumado todos os cigarros possíveis e em circunstâncias as mais diversas. Como exemplo, vou citar algumas marcas rapidamente. Comecei pitando Hilton longo, experimentei quase todos os cigarros lançados entre 1977 e 1991, tinha uma curiosidade sobre o sabor de marcas antigas. A partir dela, dessa curiosidade, fumei cigarros importados Galoisies (franceses clássicos), cigarros nacionais tipo Continental sem filtro (que tinha a embalagem e o logotipo mais charmoso que me lembro), Chanceler, Pall Mall (rsss), e tive a fase Noir e pesada de fumar Malhrboro (SIC rss) também.

Este último me levou a uma insuficiencia respiratória precoce aos 19 anos que me fez para de fumar por uns bons três anos e meio. Já tive até aquela fase clean (rsss.) dos fumantes de FREE que pensam que são mais livres e que fumam menos veneno que outros (nossa com esta meu blog vai ser punido e processado). Mas é claro pessoal que nenhuma empresa tem culpa da adicção ao vício de fumar ou hábito de fumar afinal, só fuma quem quer.

Nesta fase tenho pensado também em outras coisas. É nela que aparecem claramente os efeitos do marketing e da publicidade na relação com o meu vício, a minha adicção ao hábito de fumar. Devo lembrar que devemos pensar no marketing direto, na propaganda de Jornal, de Revistas, Rádio e Tevê, ao marketing indireto ou subliminar presente no cinema, nas novelas, e até em programa de auditório. Ainda que a legislação hoje seja muito mais restritiva em diversos aspectos. Lembro a vocês dos carros de fórmula 1 e outras competições em que havia marcas de cigarros competindo. Afinal desde Fittipaldi até o Senna, passamos por marcas como JPS, Camel, e M.

E, provavelmente, a maioria dos jovens que fazem parte da minha geração e de outras, também tiveram reforço em suas motivações para fumar através da linguagem simbólica dos vencedores e destemidos. Tinha propaganda em campos de futebol e haviam inclusive jogadores que fumavam lá nos anos 70. Hoje ser atleta é absolutamente antitético ao hábito de fumar. Mas o cigarro e suas propagandas tem alguns efeitos não muito sensatos.

Extrair estes efeitos e seus sinais originais talvez ajude a extrair convicções que estejam habitando a subjetividade de diversos fumantes por aí.

Desde o pré-adolescente que rouba um cigarro para experimentar até o adulto que chegou a comprar uma caixa com dez maços de cigarros para não faltar (confesso que fiz isto só uma ou duas vezes).

A ironia da história é que inadvertidamente comecei a fumar pensando que era uma coisa boa. Olhava os adultos fumando e pensava: fumar deve ser bom. Me perguntava: porque só os adultos podiam fumar. Se era coisa boa porque só quando eu for adulto vou poder fumar com liberdade. E daí vinha a imediata associação entre o hábito de fumar e o direito à certas coisas, a liberdade e a assunção de um jovem à vida adulta. Neste último sentido imagine que você será um homem feito se pendurar um cigarro ao canto da boca e aprender a falar com ele ali. Rsss (lembre-se de Humphrey Bogart em qualquer um de seus filmes da fase Noir, incluso Casablanca).

A relação entre cigarro e cinema também teve um efeito no meu imaginário e no domínio do simbólico. Quando eu era pré-adolescente ganhamos eu e meu irmão uma tevê preto e branco de 14 polegadas que foi parar no nosso quarto em virtude da aquisição de uma tevê melhor para a Cozinha e também porque minha irmã mais velha saiu de casa. No começo eu olhava pouca tevê, mas não demorou para eu virar um viciado completo em ver tev~e as altas horas da madrugada. Era o Corujão todas as noites. Bem, foi uma importante experiência porque vi filmes que você não vê em circuíto normal e me defrontei com filmes em que na maior parte das vezes o mocinho, o policial, o herói e qualquer outro personagem masculino digno de observação e de se seguir o exemplo, com alguma admiração, simplesmente fumava e fumava muito.

Uma análise dos filmes que mostram isto deveria ser feita para nos apercebermos de quão forte foi esta indução. E vale a pena lembrar os filmes dos anos 90 também, em que o apelo a masculinidade, à coragem e a independência dos personagens vinha com um maço de cigarros no bolso e um cigarro na boca. Lembro David Linch que fez um filme inteiro com closes num palito de fósforo chamuscando prestes a acender um cigarro. Um grande cineasta aliás (veja-se Blue Velvet). E nos anos 70 haviam diversas séries da tevê americana em que o mocinho fumava.

Estes dias revi alguns destes personagens tais como Columbo, Baretta e Kojak, só para ficar em grandes exemplos, e me dei por conta do charme e do papel do cigarro entre uma reflexão e outra, em meio a investigação. Tudo se passa como se a reflexão, a acribia, o discernimento e a precisão só tivessem lugar em meio a uma baforada deste ou daquele cigarro.

Aliás, um motivo banal para parar de fumar foi o que eu me lembrei estes dias quando descobri que o cigarro que eu fumava esta desaparecendo e sendo substituído por outra marca e nome. Eu fumava Carlton que agora vai virar Dunhill. Já é um outro motivo. rssss.

Vou terminar este texto de hoje dando um outro motivo para parar de fumar. Consegui reduzir razoavelmente uma quantidade de coisas que carregava nos bolsos. Um maço de cigarro a menos e um isqueiro e já deu espaço para o meu celular ficar mais à vontade.

sábado, 10 de outubro de 2009

ABOBADO DA ENCHENTE

Abobado da enchente!!!

Em meio as tragédias que os fenômenos naturais provocam nos dias de hoje e desde tempos imemoriais, as cheias dos rios e as enchentes sobre as cidades que destroem moradias, vidas e arruinam patrimônios e privam pessoas de condições dignas de vida e subsistência tem outras histórias mais peculiares com conotações irônicas e engraçadas que geram designações e expressões populares. O abobado da enchente é com certeza uma destas expressões.

Esta é uma daquelas designações que tem um misto de verdade e ironia embutidos em sua significação. Para quem nasceu em 1965 que nem eu, e em 1941 como o meu pai, deve até ter mais significado. rsss. Se bem que o meu pai nasceu em Vacaria, lá em cima na serra o que num vale como caso de nascido na enchente. E eu, por meu turno, nasci em São Leopoldo em janeiro quando dita cuja enchente foi no mesmo ano em julho. Abobado da Enchente é então uma daquelas expressões que traz como outras um complexo de significações.

A sua origem me é razoavelmente misteriosa. Mas eu tenho memória do seu uso na minha cidade natal, São Leopoldo, a qual, justamente viveu diversas enchentes ao longo da sua história, sendo famosas e conhecidas, historicamente e popularmente, as de 1941, 1965, 1986 e 2008. Nestas enchentes temos aquela tradicional figura - que pode ser homem, mulher, idoso, criança ou qualquer outra coisa, da pessoa que fica olhando a água subir e não sabe bem o que fazer para enfrentar esta triste realidade, não sabe se vai ou se fica, não sabe se enfrenta a situação ou se entra em crise e dramatiza. Devo supor que muitas pessoas já sofreram isto e eu mesmo pelo menos em uma circunstância assisti a água subir até a soleira da casa da minha mãe lá na Scharlau - ou melhor ali no Jardim Viaduto.

Tive experiências interessantes com enchentes já, inclusive em outra cidade, em Eldorado dos Sul tive que erguer toda a mobilia da casa da minha ex-esposa e de minha filha e dormi inclusive duas noites com água dentro de casa até a metade da parede sobre os móveis erguidos. Se você pensar neste imagem entendera que o Abobado da Enchente as vezes é também aquele que não entra em desespero também. Neste sentido, vejo algo curioso aí. De uma lado tem o boca aberta que fica sem saber o fazer e de outro lado tem o cara que acha que está fazendo o certo, porque confia no seu taco, porque conhece o limite do rio. Ou no caso de Eldorado do Sul eu tive que confiar num depoimento dado por uma pessoa de lá que já tinha visto enchentes na região nos últimos quarenta anos e que nunca tinha visto a bacia do Lago Guaíba - incluso aí os Rios Graavataí, Sinos, Jacuí e etc subir acima de uma altura tal do marco da rodovia. Bem, eu acreditei e fiquei lá. Mas hoje me sinto um Abobado da Enchente igual.

Penso que deveríamos escrever um livro só de depoimentos sobre as enchentes de São Leopoldo, porque existem várias lendas urbanas a respeito das enchentes, desde aquela bem conhecida do povo da zona norte de que vão abrir as comportas lá em cima nas cabeceiras do rio e que todo mundo vai ficar em baixo da água, passando pelo boato clássico dos últimos anos de que o dique vai estourar e que virá uma grande tragédia disto. O fato é que é generalizado o pânico em qualquer circunstãncia de cheia do Rio dos Sinos. Outro fato é que tem o elemento ou capítulo de curiosidade mórbida e de saudosismo também. Basta o rio encher um pouco e quase todo mundo que é natural de São Leopoldo, e pelo visto a moda pegou os de fora também, vai lá ver o rio o que gera desde um engarrafamento no trânsito das três pontes até um afluxo de pessoas para as margens do rio.

Neste ano ocorreu uma enchente também agora em menos de uma semana que foi antecedidada por outra, há poucas semanas.

Curiosamente as enchentes que a gente vive hoje em São Leopoldo atingem basicamente três pequenas regiões da cidade, uma na famosa Rua das Camélias (ao lado esquerdo de quem vai pela Avenida Imperatriz Dona Leopoldina em direção ao Bairro Feitoria, na altura do Bairro Pinheiro, onde foi feito um loteamento abaixo do nivel dos diques de contenção das cheias, que foram construídos entre 1974 e 1991; outra região é no bairro São Geraldo pela mesma razão e, por fim, naquela região onde hoje existe uma ilha artificial criada com a conclusão das obras dos diques entre a Argamassa Leopoldense (onde você encontra o que quiser em ferragens), passando pela Loja de Gás, Semmam, Clube Humaitá e algumas moradias que ficaram como que remanescentes na ilha que vai da Argamassa até depois da BR-116 ou segunda ponte.

Aliás vale a nota aqui, em São Leopoldo temos três pontes que atravessam o Rio dos Sinos no sentido norte-sul ou vive e versa.

A velha ponte de ferro ou ponte velha já centenária preservada como patrimônio histórico e que teve sua altura aumentada em 1 metro e cinquenta se não me engano em relação a construção original e em virtude do plano e da altura dos diques pós 1974.

A ponte da BR-116 que existe desde meados do século 20, cuja data de construção vou pesquisar e acrescentar aqui depois.

E a ponte nova inaugurada nos anos 90 e ao lado do Ginásio Municipal, aliás entre este e os fundos da Sede do Clube Tiradentes e os fundos da Receita Federal, ali onde ficava uma empresa que eu conhecia pelo nome de ALPLAC na minha infância.

Também deve constar, a ponte de ferro da antiga estrada de ferro que ligava São Leopoldo a Novo Hamburgo ali na Avenida Mauá, justamente ao lado de onde está sendo erguida a extensão da Linha do Trensurb e que será preservada pelo visto nas fotos de divulgação que vemos na capa da Rua Grande (número 2065 de setembro de 2009).

Bem, vezenquando eu me sinto um ABOBADO DA ENCHENTE, porque a gente embarca em cada canoa nesta vida. Um exemplo disto foi ter aceito a tarefa de ser conselheiro de uma turma de terceiro ano na escola, e tudo que veio junto com isto tem me provocado diversas opiniões, controvérsias, polêmicas e experiências em que, não poucas vezes, me sinto um ABOBADO DA ENCHENTE. Ao fim e ao cabo saberei dizer algo melhor e mais razoável sobre tudo isto, logo depois da formatura, torço e imagino.

Por hora o negócio é cantar no meu íntimo aquela velha marchinha de carnaval:

"Rema, rema, rema, remador."

Se a canoa não virar, olê, olê, olá...

eu chego lá....

domingo, 4 de outubro de 2009

50 dias sem fumar

Tem sido uma boa experiência esta de parar de fumar.

Do modo como a coisa vai, vou conseguir parar com muitas coisas.

Mas não é este o ponto de hoje. Aquilo que eu queria dizer é que, ao parar de fumar, podemos começar outras coisas também. A que eu tenho gostado mais é o exercício de encontrar motivos contra-sensuais (rssss) para parar de fumar.

Por exemplo esta semana eu estava sentado num happy hour, com um cálice de vinho tinto seco na mão, meu eventual lazer de terças-feiras, sorvendo e pensando quando fui indagado porque havia parado de fumar. Assim respondi:

Foi por causa do dinheiro. (rsss)

Não porque eu não consigo pagar três ou quatro carteiras de cigarros por semana - se bem que a economia dá dois bons almoços em qualquer restaurante razoável de São Léo, mas sim por causa do que eu ia ter que gastar, seja com os médicos, seja com os remédios logo ali adiante, logo ali na esquina da vida.

E, lembrando, a vida passa muito rápida mesmo, nem parece, por exemplo, que fazem 20 anos já que eu fiz a minha primeira campanha do Lula para presidente. O que, aliás, coincidiu com o meu ingresso na Universidade.

Bem, é o dinheiro cara. Não o das carteiras de cigarro, mas o dos médicos. E não importa que até lá o SUS garanta saúde integral para todos e que eu tenha fácil acesso a um pneumologista (seja isto pelo IPE) antes mesmo de ser internado num hospital, antes de ver aquela fase crítica de enfisemas e falta de ar chegar.

50 dias sem fumar, e praticamente começando a beber bem menos também, porque parece até que a compulsão de beber é gêmea irmã siamesa da compulsão de fumar. Domando uma passamos logo a começar a domar todas as outras também. Lembro que estou devendo um artigo aqui sobre compulsão e compulsões.

Espero que isto ajude alguns amigos e amigas.

Um abração - vou escutar todo cambia com La negra no youtube....

GRACIAS A LA VIDA

Faleceu hoje a pessoa que tinha a voz e que carregou com o coração muitas das canções que embalaram todas as minhas grandes caminhadas.

Faleceu Mercedes Sosa.

Faleceu la Negra.

Muito obrigado!

Gracias.

Continuará cantando no meu coração e na minha luta.

sábado, 3 de outubro de 2009

AS OLIMPÍADAS DO RIO DE JANEIRO EM 2016

É um dos fatos memoráveis da presente quadra histórica do Brasil.

Ninguém poderá dizer que LULA não trabalhou por isto.

Ou atribuir todos os méritos a Nuzman ou outro. Ou somente divulgar fotos da delegação e de outros apagando as imagens e sons de Lula defendendo os jogos e emocionando o mundo.

E daqui a muitos anos estes acontecimentos que alguns de nós assistem com muita emoção e orgulho e outros desprezam e entortam com suas opiniões mesquinhas e de fundo odioso, serão lembrados.

Me sinto muito orgulhoso e satisfeito.

Teremos Eleições Diretas para Presidente em 2010 - sem reeleição, nem manobras vergonhosas, só trabalho, trabalho e uma extraordinária esperança realizada.

Teremos uma Copa do Mundo no Brasil em 2014. E o BRASIL desponta como uma potência mundial em moldes bem diferentes das maiores potências mundiais.

E agora Teremos a Olimpíadas no Brasil em 2016.

Só espero, com muita sinceridade e desejo, estar vivo para assistir a maravilhosa forma de realização deste povo que virá para somar-se a tudo isso que já está acontecendo e que é inquestionável.

Um dia o povo brasileiro não vai mais precisar reconhecer um LULA ou seus homens e mulheres que lutam e que merecem o nosso respeito, pois será um pais mais justo e mais humano.

Só não vê quem não quer.

E digo, apesar da alegria agora, é uma grandiosa resposta àquela vaia de 2007 que o presidente recebeu na abertura dos Jogos Olímpicos Panamericanos. Em que alguns se deram ao trabalho de tentar desmoralizar um presidente por conta dos seus pequenos interesses.

Fico pensando na vergonha que cada um deve sentir ao tomar consciência de um erro. E fica, por fim, tudo em foro íntimo. No foro íntimo da elite brasileira devem haver mais culpas e rancores do que em muito foro íntimo aprisionado nos presídios da vida.

Parabéns ao Povo Brasileiro e trabalhador, por sua capacidade de superar-se e de nunca desistir da luta.

Tá valendo a pena.

Um grande abraço a todos.