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domingo, 27 de setembro de 2009

UM PROGRAMA DE FILOSOFIA PARA O TERCEIRO TRIMESTRE

Iniciamos o segundo trimestre deste ano com a pergunta sobre a possibilidade do conhecimento humano.

Vimos que podemos responder a esta pergunta com, pelo menos, dois ou três tipos de respostas.

Sim, o conhecimento é possível.

Não, o conhecimento não é possível.

E, talvez ou depende, se tal e tal for o caso, então o conhecimento é possível.

Ou noutra chavezinha, admitindo-se determinadas condições e restrições, sim o conhecimento é possível, não aceitando-se estas condições, não o conhecimento não é possível.

Sabemos que boa parte dos modernos fazem uma certa opção pela última alternativa, isto é, o conhecimento é possível se consideramos certas condições e somente certas condições.

Apresentei duas versões de respostas deste tipo. Sumariamente as respostas de Rene Descartes e de Immanuel Kant. Uma resposta que é de certa forma inaugural para a filosofia moderna e outra que praticamente fecha a filosofia moderna e dá inicio ou inaugura a filosofia contemporânea.

Registrei que a primeira resposta, aquela de Descartes, inicia-se pelo franco objetivo de demonstrar em que o nosso conhecimento das coisas - de todas as coisas - é muito incerto e duvidoso e que acaba por ser necessário que ele seja completamente reconstruído em sua possibilidade. Passando-se primeiro por um exercício de colocar em dúvida tudo aquilo que nós julgamos ser verdadeiro, passa-se a reconstruir o conhecimento a partir de um fundamento único o Eu Penso, logo existo, o bem conhecido Cogito cartesiano. Afirmei que a principal característica deste método é que ele é conhecido como o Método da Dúvida (da dúvida hiperbólica, exagerada ou sobre todas as coisas como você preferir). Informei também que Descartes inaugura o Racionalismo com isto na idade moderna e que a sua busca das razões acaba por nos embaraçar muito.

Registrei também que a segunda resposta, aquela de Kant, inicia-se pressupondo o conhecimento e sondando a respeito das suas condições de possibilidade, ou seja, a partir das condições que racionalmente tornam possível o conhecimento. Afirmei que este método pode ser chamado de método crítico, ou Filosofia Crítica. E expressei que bem entendidas algumas coisas acabaremos por concluir que o título da obra de Kant A CRÍTICA DA RAZÃO PURA, será vista como um grande exercício de colocar a razão em confronto consigo mesma, colocar a razão à prova de fogo, testá-la e provocá-la a demonstrar sua capacidade e os limites de sua capacidade.

Bem o nosso programa para este trimestre é começar com Kant e acabar em Heidegger e Wittgenstein para tentar mostrar e compreender que os poderes da razão tem por base e por limites elementos práticos ligados ao nosso uso da linguagem e a nossa compreensão do mundo. Ao mesmo tempo veremos que a velha e boa questão do ser pode ser entendida ainda como uma questão desafiadora para o nosso entendimento e racionalidade.

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